Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

By

A crônica de uma tragédia anunciada: ascensão e decadência do bolivarianismo na América Latina

venezuela

O título deste post não é nada original, mas sempre soube que algum dia o usaria para falar do Brasil e dos nossos vizinhos latino-americanos influenciados pelo chavismo. Para quem não sabe, já que a nossa imprensa fala muito timidamente sobre o assunto, 39 pessoas já morreram na Venezuela desde que começaram os protestos contra o governo Maduro há pouco mais de dois meses.

Com o apoio do governo brasileiro e o silêncio de toda a América Latina, o governo venezuelano tem se mantido no poder única e exclusivamente pela força da repressão estatal. Para o então presidente Lula que há alguns anos dizia que “havia excesso de democracia” na Venezuela, os fatos ocorridos no nosso vizinho já lembram os chamados “anos de chumbo” da ditadura militar brasileira. Leia mais

By

O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 4)

hitler_stalinAs relações entre Hitler e Stalin

Durante muito tempo Hitler monopolizou o título de maior assassino da história, apesar de recentemente surgirem alguns malucos afirmando que o holocausto nunca existiu e que tudo não teria passado de uma armação judaico/americana para justificar a criação de Israel. Ou seja, não importam as milhões de provas de um dos eventos mais bem documentados da história, com imagens e áudio, inclusive. Não importam as milhões de testemunhas oculares vivas, com suas cicatrizes, que relatam em detalhes os eventos negados. Sempre vai existir uma legião de fanáticos dispostos a acreditar em qualquer teoria conspiracionista, como tantas que circulam por aí, infelizmente. Leia mais

By

Diferenças fundamentais entre Esquerda e Direita (parte 2)

gramsci

Antonio Gramsci, o pai do Marxismo Cultural

Como vimos no primeiro post desta série, a esquerda surgiu como uma forma de contestação da estrutura da sociedade europeia do final do século XVIII. Primeiro, em relação à monarquia francesa, onde contou com a ajuda da burguesia para derrubar a antiga nobreza. Depois, quando a monarquia francesa caiu, e os burgueses passaram a comandar a Revolução Industrial, a nova elite capitalista passou a ser o alvo principal dos esquerdistas.

As péssimas condições de trabalho durante a Revolução Industrial inspiraram filósofos franceses a pensar numa forma de tornar a sociedade menos desigual, mais justa e fraterna. Surgia então o Socialismo, formulado primeiramente por Saint-Simon, Charles Fourier, Louis Blanc e Robert Owen. Não era ainda o socialismo revolucionário que conhecemos hoje. Era mais brando. Propunha uma transformação gradativa da sociedade, estruturada no pacifismo, contando inclusive com a boa vontade da própria burguesia, algo mais próximo do que conhecemos hoje nos países escandinavos. Leia mais

By

Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

A cada nova crise do capitalismo, Marx é ressuscitado com sua famosa profecia de que o capitalismo irá acabar. Esta, portanto, não é nem a primeira nem a última vez que o expoente máximo das esquerdas será exortado, afinal o capitalismo vive de ciclos de progresso e de crises. Mas como sempre acontece, a cada nova crise o capitalismo se renova e segue adiante e Marx volta ao ostracismo.

Portanto, já antecipando a conclusão, a resposta a pergunta do post é: não. O capitalismo não vai acabar. Certamente vai mudar em alguns aspectos, como já ocorreu nas diversas fases do capitalismo, desde o mercantilismo e industrialismo das fases iniciais, pelo financeirismo do pós-guerra (hoje em crise), chegando ao “capitalismo informacional”, que tem caracterizado as duas últimas décadas como a era da informação.

E o que há em comum em todas estas fases? A liberdade das pessoas de usufruírem dos frutos dos seus trabalhos e/ou investimentos da maneira que melhor lhes convier. Esta é a essência do capitalismo. Ou seja, para acabar com o capitalismo é preciso acabar com sua essência que está diretamente ligada à liberdade, o que, convenhamos, é muito pouco provável que isto venha acontecer algum dia num mundo cada dia mais globalizado. Leia mais

By

Esquerda x Direita (parte 11)

A queda do muro de Berlim

O colapso do Comunismo

Olá amigos! Finalmente vamos falar sobre um dos mais importantes fatos históricos do século XX: a queda do comunismo, acontecimento que mudou a geografia político-econômica mundial.

 

A transição do comunismo chinês

Como vimos no último post, as rápidas transformações introduzidas na economia mundial com a intensificação do processo de globalização também começaram a ecoar nos países do bloco comunista.

E assim como os japoneses foram os precursores do processo de globalização, um outro asiático, a China, foi o primeiro país comunista a implementar reformas em sua economia com o objetivo de se adaptar ao novo mundo globalizado.

Reconhecendo a incapacidade de ajustar a produção planificada a sua imensa e crescente demanda, o sucessor de Mao Tse Tung, Deng Xiaoping, já em 1978, iniciou um ambicioso programa de privatização de estatais e de fazendas, pondo fim a agricultura coletiva, uma das principais características das economias comunistas. Ironicamente, a China, um dos expoentes da esquerda radical, tornava-se a pioneira de uma das medidas “neoliberais” mais combatidas pelas esquerdas de todo mundo: a privatização. Leia mais

By

Esquerda x direita (parte 3)

vitoria-americana-2A ascensão dos Estados Unidos

As medidas keynesianas do New Deal, implantadas desde 1933, não tiveram resultados tão palpáveis como na Alemanha de Hitler. Tanto que, já nos anos 30, tais medidas começaram a ser contestadas pelos liberais, alguns dos quais acusaram os gastos do governo como o motivo da crise de 1929 ter se estendido por toda a década de 30, passando a ser chamada então de “Grande Depressão”. Ficou célebre o debate entre Keynes e Hayek, do qual este último saiu aparentemente perdedor, levando em conta a projeção mundial que alcançou Keynes e o ostracismo em que Hayek foi relegado nas décadas seguintes.

A recuperação, portanto, só veio a ocorrer a partir da II Guerra mundial quando, mais uma vez, os EUA lucraram com a desgraça da Europa. A localização geográfica ,longe do foco da guerra, evitou que as indústrias norte-americanas fossem destruídas, assim como sua produção agrícola. Como resultado, a produção industrial norte-americana triplicou durante o conflito, chegando a responder por metade de toda a produção mundial em 1946! Leia mais

By

Esquerda x Direita (parte 1)

esquerda-direita-300x224Olá amigos, a partir desta semana iniciamos um nova série que considero essencial para nos situarmos na dicotomia “Esquerda x Direita” que a cada dia torna-se mais confusa e tênue.

A nova onda vermelha

Até meados de 2008, a dicotomia “estado maior x estado menor” estava andava meio fora de moda, não apenas pela derrocada do mundo comunista, mas principalmente pelo triunfo da globalização, inclusive sobre os governos que perderam o controle do processo, diga-se de passagem. Os norte-americanos que o digam.

A partir da crise de 2008, irradiada do coração do capitalismo, alguns governos de esquerda aproveitaram um momento que não ocorria desde os anos 30 para tentar ressuscitar algumas bandeiras até então meio esquecidas.

A principal delas, a da ampliação do papel do Estado na economia, ressurgiu como “verdade histórica”, agora com o elegante verniz do economista britânico John Maynard Keynes, elevado agora a condição de “novo expoente” das esquerdas.

Nos jornais, vários artigos foram publicados enaltecendo Keynes e até Lula, que já confessou que não lê jornais, apareceu citando o economista britânico! O estranho disso tudo é que os conceitos da política macroeconômica keysiana não só foram usados nos principais países capitalistas ao longo do século XX, como foram também um dos expoentes da política econômica da extrema direita brasileira que governou o país no regime militar e tornou nossa economia uma das mais fechadas do mundo.  Quem tem mais de quarenta anos lembra certamente da publicidade oficial da época, exibida até nos cinemas, mostrando as maravilhas do Brasil das grandes estatais e dos mega-projetos como Itaipú, Transamazônica e Carajás, ponte Rio-Niteroi, entre outras. Leia mais