Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Sobre políticos, empresários, imprensa e o metrô de São Paulo

metro_sao_pauloNunca escrevi um post específico sobre um caso de corrupção. A razão é simples: acho uma completa perda de tempo. As pessoas normalmente se alinham a um ou outro partido, discutem infinitamente, xingam-se, odeiam-se e, no final, a conclusão não confessa de cada um é sempre a mesma: não existem inocentes na política. Por isso o lema do nosso blog é sempre o mesmo desde que foi criado: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo”.

Mas dessa vez resolvi abrir uma exceção. Primeiro, porque o assunto do momento, as denúncias da Siemens sobre irregularidades nas licitações do metrô de São Paulo, servem para exemplificar alguns dos meus pontos de vistas já explicitados aqui em vários posts. Segundo, porque fui provocado por dois internautas que me mandaram e-mails com ares triunfais, como se tivessem encontrado, no caso das denúncias, a prova cabal de que o PT esteve sempre certo, os tucanos são todos corruptos e por aí vai.

Apesar da exceção, não vou focar no caso do metrô de São Paulo. Como sempre faço, o assunto é apenas o pano de fundo para um artigo mais abrangente, onde procuro refletir e provocar reflexões sobre as raízes dos problemas tratados.

Antes de mais nada, vou repetir o que sempre digo: não boto a mão no fogo por ninguém.  Infelizmente, como muito bem descreveu Hayek, a politica tende a selecionar os piores. Daí porque em todo o mundo os políticos têm quase sempre péssima reputação. Mas, por que isso acontece?

Vamos então começar analisando este primeiro e mais importante dos jogos de poder: os políticos. Hayek em sua obra “O caminho da servidão” enumerou três causas principais para esta tendência:

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Um retrocesso na nossa democracia

Finalmente terminou a eleição mais longa, mais chata, mais superficial, mais radicalizada, mais debochada, mais manipulada, mais previsível, mais “religiosa” e mais baixa da história do Brasil. Difícil entender como, em meio a tanto progresso nos últimos anos, conseguimos retroceder naquela que é a nossa principal conquista das últimas décadas: a democracia.

E como chegamos a tal ponto? Pra começar, a campanha foi antecipada para o ano seguinte às eleições de 2006 com o lançamento do espalhafatoso PAC e, de quebra, da “mãe do PAC”: Dilma Roussef. Quem não lembra do Lula levantando a mão da candidata ainda desconhecida nos vários comícios que fez por todo o país a partir de 2007, anunciando as obras do PAC?

Um ano depois, Lula sedimentou o apoio a sua candidata no famoso encontro de prefeitos em Brasília, financiado com R$ 2,4 milhões dos cofres públicos. A principal moeda de troca: as obras do PAC. Leia mais

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Os desafios do pós-Lula (candidatos)


Para quem leu os dois primeiros posts desta série, deve perceber que a maioria dos tópicos abordados (principalmente os macroeconômicos) nem sequer foram citados pelos dois principais candidatos. O primeiro motivo é óbvio: falar de macroeconomia para a grande massa é algo complicado. O segundo, e mais importante, é que as eleições foram transformadas pelo presidente Lula num plebiscito entre a continuidade ou não dos projetos do atual governo. Resultado: tanto Dilma como Serra ficaram reféns do otimismo para o futuro cantado em verso e prosa pelo marketing oficial. E aí então assistimos a este espetáculo lamentável de troca de acusações, desqualificações e deboche, enquanto que os reais problemas do país estão sendo relegados.

Infelizmente o objetivo inicial desta série, que seria confrontar os programas de governo dos dois candidatos sobre cada um dos temas citados nos dois posts anteriores desta série, não será possível. Isto porque os “programas” de governo dos dois candidatos parecem mais duas listas de promessas genéricas. Trocando em miúdos, tanto no guia eleitoral, quanto nos programas improvisados de ambos os candidatos as retóricas tem muito mais convergências do que divergências. Tudo parece mais fácil e melhor do que realmente é. Leia mais