Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Nunca se mentiu tanto

charge-petroDesde que Lula apareceu chorando na TV pedindo desculpas por seus companheiros que o haviam “traído”, o PT tem se notabilizado por conseguir driblar as repercussões dos casos de corrupção cada dia mais frequentes e escabrosos envolvendo figurões do partido. O bastão do “eu não sabia” de Lula foi repassado para Dilma, de modo que mais de uma década depois o país continua no mesmo suspense, agora no escândalo do Petrolão: sabiam ou não sabiam? Eis a questão.

Quem acompanha o noticiário diariamente lembra muito bem dos esforços de Lula para tentar barrar as investigações, tanto no Congresso (nas duas CPIs criadas e esvaziadas para investigar a Petrobrás) quanto nas demais instituições com prerrogativa constitucional de investigação, que o governo insiste, na cara de pau, em tentar vender a ideia de que as investigações só acontecem “porque o governo manda investigar”. Leia mais

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Pré-sal: benção ou maldição?

petrobras_capaAté o início do segundo mandato de Lula, quando o preço do petróleo começou a disparar no mercado internacional, o Brasil se apresentava ao mundo como uma alternativa ecológica com suas várias opções de biocombustíveis. Finalmente, após várias tentativas fracassadas da nossa diplomacia, os Estados Unidos resolveram experimentar o nosso etanol.

Só tinha um problema: os gringos não queriam importar o nosso álcool, preferindo fabricar o seu próprio a base de milho, uma alternativa bem mais cara que a nossa cana-de-açúcar que, para ser viável, precisava de subsídios do governo norte-americano. O Brasil fez então uma queixa na OMC e ficamos aguardando ansiosos o veredicto final.

Enquanto a disputa se desenrolava nos meios diplomáticos, eis que acontece a descoberta do Pré-sal. O Brasil havia ganhado na loteria, comemoraria logo mais Lula e a então “mãe do PAC”, Dilma Roussef. Todos os nossos problemas seriam resolvidos. Leia mais

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O “capitalismo de estado” vai substituir o capitalismo de livre mercado?

Uma recente reportagem de capa da revista The Economist colocou um pouco mais de lenha na fogueira da clássica disputa entre esquerda e direita. No “novo modelo” esquerdista de capitalismo, cujos principais protagonistas são a China, a Rússia e o Brasil, o Estado estimula a fusão de grandes empresas para criar gigantes em setores onde tais países apresentam vantagens competitivas.

Para valorizar a tese da reportagem, a revista cita alguns percentuais de ações de “estatais” negociadas nas bolsas de alguns países, onde a China aparece no topo do “estatismo”, com 80% das ações de empresas. Em segundo, aparece a Rússia, com 68%. O Brasil, surpreendentemente, aparece com 38%.

E aqui cabe um primeiro questionamento, afinal o critério adotado para considerar uma empresa deste “novo modelo” é ter pelo menos alguma participação do governo, mesmo que minoritária.  Ou seja, mesmo na China onde o estatismo aparece com o maior percentual nas ações negociadas na bolsa no gráfico da revista, na verdade o capital governamental é insignificante em relação ao privado.  Por este critério de classificação de “estatais”, a Vale pode ser catalogada neste time, afinal o governo mantém alguns tentáculos na empresa, via fundos de pensão. Leia mais