Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

By

Sim. O fascismo também foi de esquerda.

1376203-mussolini2Já escrevi uma série específica sobre o nazismo, mostrando que, ao contrário do que nossos professores influenciados pelo Marxismo Cultural nos ensinaram, tal ideologia não só nunca foi de “extrema direita” como sempre esteve à esquerda do espectro ideológico (ver aqui).

Eis o motivo pelo qual os esquerdistas preferem rotular seus adversários de “fascistas”, afinal os traços esquerdistas do fascismo parecem menos evidentes quando comparados ao nazismo. Mesmo assim, como veremos as seguir, não só suas características são mais que suficientes para enquadrá-lo também no campo da esquerda, embora alguns historiadores prefiram classificá-lo como uma terceira via, com características de ambos os lados.

Na pior das hipóteses, nem o fascismo nem o nazismo nunca deveriam ser classificados como de “extrema-direita”, afinal se ambos têm características de esquerda e de direita, no máximo deveriam ficar no centro do espectro ideológico ou pendendo mais para um dos lados. Mas NUNCA no extremo de um dos lados como comumente se apregoa.

Então de onde vem esta confusão?

Para responder esta pergunta, vamos ter que retornar ao pós Revolução Francesa de onde emergiram três grandes grupos principais: socialistas, liberais e conservadores. Leia mais

By

O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 4)

hitler_stalinAs relações entre Hitler e Stalin

Durante muito tempo Hitler monopolizou o título de maior assassino da história, apesar de recentemente surgirem alguns malucos afirmando que o holocausto nunca existiu e que tudo não teria passado de uma armação judaico/americana para justificar a criação de Israel. Ou seja, não importam as milhões de provas de um dos eventos mais bem documentados da história, com imagens e áudio, inclusive. Não importam as milhões de testemunhas oculares vivas, com suas cicatrizes, que relatam em detalhes os eventos negados. Sempre vai existir uma legião de fanáticos dispostos a acreditar em qualquer teoria conspiracionista, como tantas que circulam por aí, infelizmente. Leia mais

By

O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 3)

nazismo-comunismoAs duas vertentes socialistas “na luta” pelo poder

Como vimos nos posts anteriores desta série (ver links abaixo), a Alemanha foi um terreno fértil para as ideias socialistas. Não por acaso, a grande maioria dos filósofos socialistas são alemães.

Apesar da sintonia de todos os pensadores quanto à “necessidade de substituir o capitalismo pelo socialismo”, além de “criar um novo homem”, desde o final do século XIX já começou a haver uma cisão entre duas correntes principais: 1) A vertente marxista, que pregava a abolição da propriedade privada, chegou ao poder na Rússia em 1917; 2) A vertente conservadora socialista, que concordava com o planejamento da economia, mas não concordava com a abolição da propriedade privada, seguiu tentando chegar ao poder via Partido dos Trabalhadores Alemães, o qual viria se tornar mais adiante o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, hoje mais conhecido como partido Nazista. Leia mais

By

O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 2)

htiler_jovem

Como vimos no post anterior, a base da ideologia nazista foi criada por filósofos socialistas já no século XIX, muito antes de Hitler aparecer para a política. No início do século XX, muitos outros socialistas de menor renome dariam também suas contribuições para formação da ideologia nazista. Um deles foi Paul Lensch. Doutor em ciência política, tornou-se editor de jornais e revistas (juntamente com Rosa Luxemburgo), o que o ajudou a popularizar ainda mais as ideias socialistas. Ele é hoje considerado o pai do Socialismo de Guerra, uma das vertentes radicais que defendia a luta armada para a tomada do poder (assim como o bolchevismo na Rússia), em contraposição as influências do Socialismo Fabiano inglês que pregava uma forma gradual, linha seguida por Gramsci e adotada pelo meio acadêmico desde então.

Em um de seus livros, Lensch faz um relato histórico de como o sistema protecionista adotado por Bismarck, na segunda metade do século XIX, tornara possível na Alemanha uma evolução na concentração industrial e na cartelização da economia, o que caracterizaria um estágio superior do desenvolvimento industrial.

Nas palavras de Lensch, na Alemanha “designada pela história” para representar esta “forma superior” de vida econômica, “a luta pelo socialismo foi sobremodo simplificada, pois neste país, todos os requisitos do socialismo já se achavam estabelecidos. Portanto, era de vital interesse para qualquer partido socialista que a Alemanha triunfasse sobre seus inimigos, para cumprir sua missão histórica de revolucionar o mundo.” Ironicamente tanto Lensch quanto Rosa Luxemburgo (talvez a mais ilustre comunista da história) militaram para o SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD), um dos principais adversários de Hitler na década de 20. Ou seja, as divergências entre nazistas e comunistas eram mais pela disputa pelo poder do que por razões ideológicas de fato. Leia mais