Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Por que muita gente honesta ainda admira Lula?

lulaA palavra “ética” vem do grego “ethikos”, que significava “portador de caráter”. Para os gregos antigos a ética significava a busca pelo melhor modo de viver e conviver. Em outras palavras, significa que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós.

Dito isto, te pergunto como você se sentiria se um de seus mais próximos amigos afirmasse publicamente que você nunca foi gente de sua confiança?

Pois é. Este é apenas um dos muitos exemplos de falta de ética explícita de Lula, documentados com áudio e imagem para todo mundo ver (ver aqui). São inúmeros os episódios ao longo de sua trajetória política. Mentir, caluniar, zombar, pousar de vitima, colocar-se acima do bem e do mal são apenas algumas de suas práticas mais comuns.

Boa parte da nossa população já percebeu tais padrões repetitivos no discurso de Lula. No entanto, muita gente honesta ainda continua admirando-o, alguns de maneira quase religiosa, a ponto de acreditarem que “Lula é uma dessas pessoas enviadas por Deus ao mundo para fazer avançar a humanidade”! Sério. Já ouvi isso de pessoas ditas espiritualizadas. Como explicar tamanha fascinação coletiva em meio a tantas provas de falta de ética? Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: Na oposição, “quanto pior melhor”. No poder, nacionalismo em alta

lula_xingandoNo post anterior desta série, mostramos como o Foro de São Paulo teve um papel importante na coordenação dos esforços para eleger presidentes de esquerda em todo o continente, com o objetivo de implementar a agenda socialista de forma gradativa, como preconizada por Antonio Gramsci. A partir deste post, vamos falar das estratégias de conquista, manutenção e perpetuação no poder colocados em prática pelos governantes de esquerda. Vejamos:

Antes de chegar ao poder, os partidos de esquerda organizados via Foro de São Paulo fizeram violentas e irresponsáveis oposições, sempre se apresentando como os porta-vozes da ética e do povo. Eram os “reis das CPIs”. Bradavam contra tudo e contra todos. No Brasil, o PT notabilizou-se por ser contrário às principais reformas que colocaram o Brasil nos trilhos, entre elas o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Torceu sempre pelo pior, pois esta era a sua chance de colocar em prática sua maior aspiração: a chegada ao poder. Nunca demostrou a menor disposição em contribuir com algo positivo. Mesmo sendo um dos principais responsáveis pela derrubada de Collor, rejeitou apoio ao governo de transição de Itamar Franco.

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O macunaíma de Garanhuns e a “arte” de mentir descaradamente

lulaNão são poucas as pessoas que conviveram com Lula desde o início da sua carreira política que afirmam categoricamente que o ex-presidente não tem caráter. José Nêumanne Pinto, César Benjamim, Hélio Bicudo, Francisco de Oliveira são apenas alguns exemplos (ver aqui). Isto para não falar de outros mais sutis como Fernando Gabeira, Francisco Welfort e Eduardo Jorge que medem as palavras, mas repetem o óbvio: Lula é um oportunista.

Nesta semana o nosso Macunaíma de Garanhuns deu mais uma amostra da sua falta de escrúpulos em entrevista a uma emissora de TV portuguesa. Como sempre tentando se safar, Lula renegou seus próprios companheiros presos na Papuda: “não são gente de minha confiança”, afirmou categoricamente sobre os mensaleiros (ver aqui).

Imagino a cara do ator global e militante fanático do PT, José de Abreu, ao ver esta entrevista. Na semana anterior, o cara já estava fumaçando nas redes sociais, ameaçando até desfiliar-se do PT caso o Lula e a Dilma não fizessem alguma coisa para libertar seus “presos políticos”.  Sim, ele credita nisso! O PT é quem governa o país, indicou dez dos onze ministros que julgaram o mensalão e os embargos infringentes, mas ainda assim ele e milhões de petistas acreditam piamente que os condenados são “heróis”, vítimas de um estado “aparelhado” pela direita!!! Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: o papel do Foro de São Paulo na ascensão do bolivarianismo

foro_de_sao_pauloForo de São Paulo: como tudo começou

A ascensão da esquerda na América Latina tem um marco histórico: o Foro de São Paulo, realizado pela primeira vez em 1990. A ideia da criação do evento foi de Fidel Castro. Na ocasião, o ditador cubano buscava outra fonte de renda para manter seu regime, uma vez que, com a queda do bloco comunista, a ilha tinha perdido a “mesada” dos soviéticos. Portanto, para Fidel, o Foro representava uma esperança de recuperar, na América Latina, pelo menos um pouco do que foi perdido com a derrocada do leste europeu, uma questão de sobrevivência para Cuba.

O PT comprou a ideia e passou a financiar o projeto castrista de unificar os esforços de todos os partidos de esquerda, sindicatos, associações comunitárias e até grupos terroristas como as Farc da Colômbia e o MIR do Chile.

As ações coordenadas deram resultado. Depois de 8 anos, o Foro conseguiu eleger o primeiro presidente pela via democrática: Hugo Chaves. Desde então, o Foro tem colecionado vitórias em toda a América Latina, a ponto de José Dirceu recentemente gabar-se de ter ajudado a eleger 14 presidentes no continente (hoje já são 16). Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: a escalada autoritária do PT

PT_saldo_socialismoDurante muito tempo relutei em crer no caráter autoritário do PT. A cada nova investida do governo em aprovar projetos que traziam nas entrelinhas mecanismos de controle a instituições ou segmentos da sociedade, sempre procurei colocar um pouco de equilíbrio nas acaloradas discussões na web, pois nunca estive completamente convencido deste viés autoritário do PT.

Mas nada como o tempo para fazer emergir as verdades sufocadas pelas conveniências do momento. Uma coisa é uma ação isolada, um projeto mal elaborado, uma comunicação mal feita que possa suscitar diversas interpretações. Outra coisa são vários projetos ou ações apontando na mesma direção.

Por mais competente que seja um mentiroso, aos poucos ele vai deixado escapar algumas falas que contradizem seu discurso oficial. O Lula, por exemplo, um dos campeões de contradições na Internet, recentemente deixou escapar que “o Congresso e até os sindicatos são obstáculos” (ver aqui). Hugo Chaves, antes de se eleger em 1998 negou ser socialista, afirmou que Cuba era sim uma ditadura, que não pretendia se reeleger mais de uma vez, que não expropriaria empresas entre outras mentiras. No poder, todos vieram o que fez. Em uma da pérolas de Lula, ele, tentando comparar o Fernando Henrique a um ditador, descreve a si mesmo anos depois no poder. Imperdiível! (ver aqui). Leia mais

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A chance que perdemos

lula-dilmaImagine que você assumisse, em 2003, a presidência de uma empresa bastante endividada e deficitária. Os juros das dívidas consomem cerca de 6% do seu faturamento anual, sendo que a cada mês várias dívidas precisam ser quitadas. Dar o calote, nem pensar. Primeiro, porque a maioria dos credores são funcionários da própria empresa. Segundo, porque partiu da presidência a iniciativa de pedir dinheiro emprestado e não dos credores. Terceiro, porque o calote deixaria a empresa totalmente sem crédito, a principal fonte de financiamento para quitar outras dívidas que vencem a cada mês. Quarto, porque já houve uma experiência de calote anterior e a situação ficou ainda pior. Leia mais

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Pré-sal: benção ou maldição?

petrobras_capaAté o início do segundo mandato de Lula, quando o preço do petróleo começou a disparar no mercado internacional, o Brasil se apresentava ao mundo como uma alternativa ecológica com suas várias opções de biocombustíveis. Finalmente, após várias tentativas fracassadas da nossa diplomacia, os Estados Unidos resolveram experimentar o nosso etanol.

Só tinha um problema: os gringos não queriam importar o nosso álcool, preferindo fabricar o seu próprio a base de milho, uma alternativa bem mais cara que a nossa cana-de-açúcar que, para ser viável, precisava de subsídios do governo norte-americano. O Brasil fez então uma queixa na OMC e ficamos aguardando ansiosos o veredicto final.

Enquanto a disputa se desenrolava nos meios diplomáticos, eis que acontece a descoberta do Pré-sal. O Brasil havia ganhado na loteria, comemoraria logo mais Lula e a então “mãe do PAC”, Dilma Roussef. Todos os nossos problemas seriam resolvidos. Leia mais

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Os segredos bilionários do PT e o silêncio da “imprensa golpista”

lulaSempre soube que muita sujeira viria à tona depois que Lula deixasse o poder, mas não esperava tanto. No último dia 15 ficamos sabendo de mais uma aventura do PT no exterior envolvendo U$ 6 bilhões (de DÓLARES!) em “segredo de estado” (ver aqui). Oficialmente, trata-se de “empréstimos” a Cuba e a Angola, porém ninguém sabe as condições dos “acordos”, os juros, os prazos e todas as garantias legais comuns a qualquer transação financeira normal e que deveriam ser de conhecimento público, mas não são.

Infelizmente o PT do poder é bem diferente do “guardião da ética e do patrimônio público” da época da oposição e, mais uma vez, recorreu a práticas comuns a regimes autoritários para encobrir mais esta “caridade” com o nosso dinheiro, a exemplo de episódios semelhantes com alguns vizinhos latino-americanos como a Bolívia, Equador, Paraguai e Argentina que também tiraram umas lasquinhas do nosso cada vez mais apertado orçamento.  A prerrogativa de “segredo de estado” garante o sigilo das operações que só poderão ter seus detalhes revelados a partir de 2027, depois que Lula tiver sido sepultado com todas as honras e glórias de “mito”.  Leia mais

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O Brasil estragou tudo?

o_brasil_estragou_tudoA última capa da revista britânica The Economist sobre o Brasil corrige uma falha da própria revista, quando, quatro anos antes, publicou uma outra reportagem especial excessivamente otimista sobre nosso país. Não traz nenhuma novidade, nada além do que boa parte dos economistas, empresários e jornalistas alertam há anos, mas traz a credibilidade de um olhar estrangeiro de uma das mais respeitadas revistas do mundo.

Dessa vez a repercussão no Brasil foi bem aquém das expectativas. Diferente da capa de 2009 que mostrava o Cristo Redentor decolando, utilizada abundantemente pela militância do PT para reforçar o clima de “Brasil potência” às vésperas das eleições presidenciais, dessa vez quase nada se falou, nem mesmo a Carta Capital, a revista que é associada à revista britânica. Leia mais

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Os efeitos retardados das reformas estruturais (ou da falta delas)

reformas_estruturaisUma das coisas que mais me incomodam no debate político do Brasil é a imediata culpa ou a louvação que nossos presidentes recebem pelo bom ou mau momento em que passa a economia no momento presente, comportamento este ainda mais estimulado a partir do governo do PT, quando Lula começou a recitar nos seus corriqueiros comícios o seu famoso bordão “nunca antes na história deste país”. O que muita gente não percebe,  inclusive gente “bem informada” (ou seria mal intencionadas?) é que muitas das causas pelos bons ou maus momentos do presente tem mais a ver com ações governamentais do passado ou pela ausência delas. Leia mais

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A sinceridade de Gabeira

gabeiraFernando Gabeira é uma rara exceção da política. Tem a sinceridade utópica que gostaríamos que todos os políticos tivessem. Ele é mais um dos milhões de brasileiros decepcionados com o PT e, por extensão, com a esquerda por seus incontáveis equívocos. E como sempre acontece com quem critica o PT, Gabeira é agora mais um “reacionário”, assim como Hélio Bicudo, Francisco Weffort e tantas outras figuras históricas do PT que tiveram a coragem de dizer as verdades que a cada dia ficam mais difíceis de esconder.

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A crise de identidade do PT

PT-rachadoUma coisa temos que admitir. O PT é de longe o partido mais organizado do Brasil. Até mesmo quando está dividido. A recente “proposta de resolução”, recheada de contradições, levada ao Diretório Nacional do partido, no último sábado, tem um objetivo claro: testar junto à opinião pública os principais argumentos das duas principais correntes que disputam o poder internamente. A linha que der mais Ibope, leva. Foi assim que o PT chegou ao poder, foi assim que o PT governou e é assim que o PT vai tentar manter-se no poder.

A volta de Lula ainda é uma incógnita. Pesam contra sua saúde e o risco político de ter que enfrentar ventos contrários na economia, o que comprometeria sua imensa popularidade construída na esteira da bolha da economia mundial dos anos 2000 e na farra da expansão do crédito. Estaria Lula disposto a correr o mesmo risco que Michael Schumacher correu ao retornar a Fórmula 1 em condições adversas, tendo que ser rebaixado de sua antiga condição de mito para piloto comum?

O orgulho de Lula diz não, mas o seu gosto pelo poder o atrai como um imã à disputa política, fomentando o coro de “volta Lula” dentro do próprio partido. A razão também diz não, mas a julgar pelo apetite em que ele tem aparecido na mídia nos últimos dias aumenta ainda mais a interrogação. A divisão é clara e a recente “proposta de resolução” é a prova documental da crise de identidade do PT, acentuada depois dos protestos de junho. Acostumado a mobilizar as massas contra um suposto ente conspirador de direita, desta vez o PT viu o feitiço virar contra o feiticeiro. A ala mais consciente do partido finalmente admitiu o que falamos aqui há anos: “o PT precisa reconhecer com humildade os erros cometidos”. Leia mais

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A culpa é da Globo!

globoNo ápice dos protestos, no final de junho, fui surpreendido por uma convocação da minha filha, de dez anos, para participar de um protesto contra a Globo. “Um dia sem Globo” era o mote do protesto organizado pela galerinha do “Face”.

Dupla surpresa para mim. Primeiro, porque na minha casa todos são apolíticos. Segundo, pelo engajamento demonstrado por minha filha que justificava o porquê do protesto: “A Globo só mostra os baderneiros! Queima o filme dos manifestantes!”, justificou.

Neste momento lembrei de uma manchete recente do blog do ex-jornalista Paulo Henrique Amorim, o famoso Conversa Afiada (para mim Conversa “Fiada”, mesmo) , que também metia o pau na Globo: “Jornal Nacional: 40 minutos para os protestos, 1 minuto para Dilma!”.  Bom, na certa ele queria que a Globo, para ser imparcial, cronometrasse 20 minutos de cobertura dos protestos e 20 minutos repetindo a única frase que a Dilma tinha proferido até então: “o Brasil acordou mais forte”. A audiência iria bombar, certamente!!!

Trocando em miúdos, enquanto os revolucionários mirins diziam que a Globo queria enfraquecer o movimento, o porta-voz do PT na esgotosfera, Paulo Henrique Amorim, acusava a Globo de incentivar o movimento. Ou seja, a Globo é pau pra toda obra.

Para quem não conhece PHA (a sigla, como também é conhecido o ex-jornalista), ele é hoje o maior ícone da esgotosfera, uma nova modalidade de “jornalismo” cuja característica mais marcante é o escarnio, a zombaria e, principalmente, incitação ao ódio partidário. Leia mais

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De volta em meio à revolta

protestos

Olá amigos, estou de volta para mais uma temporada de posts. Continuo sem tempo, mas vou tentar escrever alguns posts nos próximos meses, dentro das minhas possibilidades, claro. E como não poderia ser diferente, vamos começar falando sobre os protestos que tomaram conta do Brasil nos últimos dias, eventos que deixaram muita gente perplexa, inclusive colunistas que tiveram que mudar de opinião em um curto espaço de tempo.

É um movimento estranho. Diferente de outros grandes movimentos que tinham líderes e uma causa principal, este movimento é difuso, com muitas bandeiras e muitas delas contraditórias. Incluem radicais de esquerda, radicais de direita, libertários, ativistas da causa gay, todas as classes e idades, pessoas bem informadas, mal informadas, adolescentes brincando de revolucionários, pessoas querendo tomar cerveja e até bandidos mais interessados em saquear lojas. Em comum apenas a indignação e o sentimento de frustração com o “Brasil potência”, pintado na publicidade petista que, infelizmente, é bem diferente da realidade. Tudo tem limites e o PT apostou demais na passividade dos brasileiros. O resultado está aí…

Entre os mais velhos, que lutaram para derrubar os militares, é muito estranho ver esta nova movimentação, agora contra os políticos que substituíram os militares. Chega a ser irônico, para não dizer trágico. Mas afinal, o que de fato está acontecendo? Quem ganha e quem perde com tais protestos? Eles representam uma nova etapa de conscientização da população brasileira? Quais seus possíveis desdobramentos?

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Balanço do primeiro ano do governo Dilma (parte 3)

Olá amigos! Dando continuidade ao balanço, encerramos esta série com a análise de cada um dos assuntos ligados a investimentos abordados na série “Desafios do pós-Lula”, publicada na época das eleições. Clique nos links abaixo para ver os posts anteriores:

Saúde

Na saúde, nada mudou. Depois de Lula ter diminuído de 60% para 40% a participação federal na saúde, o governo Dilma até agora não mostrou nenhuma ação para reverter o quadro caótico deste que tem sido um dos maiores pesadelos dos brasileiros há décadas. De concreto mesmo só a ampliação do número de farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular. Muito pouco para um governo que se diz popular.

Sem ter o que mostrar, a presidente reconheceu, no dia 5/09,  a carência de médicos nos hospitais públicos e anunciou sua intenção de “solicitar aos seus ministros a elaboração de um plano de qualidade da educação médica”. Ou seja, daqui para que o projeto seja elaborado, apresentado, aprovado e finalmente colocado em prática, mais alguns milhões de brasileiros morrerão por falta de socorro. Apesar de não ter nenhum projeto concreto, a presidente já tem um número redondo para mostrar: pretende formar mais 4,5 mil médicos por ano. Com a badalada “Rede Cegonha”, outra promessa de campanha, idem. Leia mais

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Balanço do primeiro ano do governo Dilma (parte 2)

Como vimos no primeiro post desta série, na minha opinião o balanço do primeiro ano do governo Dilma foi positivo por dois fatores principais: 1) a menor tolerância em relação a corrupção em relação a Lula; e 2) o não agravamento da situação econômica do país em meio a um cenário altamente desfavorável, fruto da combinação do agravamento da crise européia com os abacaxis deixados por Lula.

Neste post, vamos checar o que foi conseguido pelo atual governo diante de cada um dos desafios apontados na série “Desafios do Pós-Lula”.

Antes, no entanto, é preciso deixar bem claro que, como alertamos aqui desde 2009, a maioria dos problemas deixados por Lula poderiam ter sido evitados caso este fosse menos preocupado com sua popularidade e tivesse um pouco de coragem para assumir alguns ônus necessários para efetuar algumas reformas essenciais ao nosso crescimento sustentável. E olha que não estou me referindo diretamente às faladas e consensuais reformas estruturais prometidas pelo próprio Lula desde o discurso de posse do primeiro mandato, mas que até hoje nenhuma foi realmente tocada, e sim de pequenas ações que poderiam ter evitado a esquizofrenia econômica herdada por Dilma.  Por exemplo, a economia já estava a pleno vapor depois dos seis meses desastrosos da crise de 2008, mas o governo Lula continuou dando incentivos a setores específicos da economia que já não precisavam, como o automobilístico e de eletrodoméstico. Com isto, o governo deu mais fôlego para a inflação. Com mais inflação, já no governo Lula o BC teve que reiniciar uma trajetória de alta de juros, aumentando assim o custo da dívida pública. Com mais dívida e mais juros, mais especuladores vieram ao Brasil. Com mais dinheiro entrando, mais o Real se valorizou em relação ao Dólar. Com mais valorização do Real, mais a nossa indústria perdeu competitividade e mais gente saiu do Brasil para gastar no exterior, o que, por sua vez turbinou o nosso déficit em transações correntes. Leia mais

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Balanço do primeiro ano do governo Dilma (parte 1)

O governo Dilma começou com uma saia justa, tendo que tomar medidas contrárias aos rumos até pouco tempo defendidos pela até então candidata. Com um repique inflacionário, taxa Selic em alta, câmbio supervalorizado, queda de competitividade da indústria, endividamento crescente, déficit recorde em transações correntes, R$ 137 bilhões de restos a pagar do governo Lula, além de mais um recorde de déficit previdenciário.

Tudo isso, tendo que iniciar as obras da copa e das olimpíadas já em ritmo de desespero, já que o governo Lula não deixou nem mesmo uma pedra fundamental encaminhada. A situação só não era pior por causa dos altos preços das commodities que continuaram altos no mercado internacional, turbinando assim nossas exportações. Mas governo e mercado sabiam que o ritmo frenético do final do governo Lula não era sustentável e que o crescimento deveria recrudescer. Primeiro, por causa do repique inflacionário, decorrente de um esforço extra para aquecer a economia e criar o clima de euforia que ajudaria na eleição da candidata. Segundo, pela falta de estrutura para aguentar um crescimento na casa dos 7%. Terceiro, pelo aumento do nível de endividamento da população decorrente da ampliação do crédito nos últimos anos. E quarto, pelos sinais de agravamento da crise européia, entre outros fatores menos relevantes. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 19)

Conclusões Finais

Como vimos ao longo da nossa série, medidas keynesianas têm sido usadas tanto por governos de Direita quando de Esquerda. O motivo é simples: o keynesianismo tem um forte apelo popular que se molda perfeitamente aos anseios dos políticos oportunistas. Ao aumentar o tamanho do Estado, os donos do poder não só reforçam as políticas paternalistas que os perpetuam no poder, como jogam para os futuros sucessores a conta da megalomania dos seus governos.

Este foi o motivo do fracasso das duas grandes oportunidades que perdemos de entrar no clube dos ricos. Primeiro com JK que, para realizar o capricho de construir Brasília, endividou o país e precisou fabricar moeda para “fechar as contas” no final do seu governo.

Os militares, apesar de conseguirem conter a escalada inflacionária deixada por JK e piorada por seus sucessores, cometeram o mesmo erro, endividando ainda mais o país com os petrodólares abundantes no mercado internacional. O resultado de mais uma aventura keynesiana foi uma dívida externa imensa e uma nova escalada inflacionária ainda maior que protelou nosso crescimento sustentável por mais duas décadas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 18)

Olá amigos! Havia programado concluir esta série neste post. No entanto, mais uma vez, tive que mudar os planos, pois senti a necessidade de sintetizar algumas conclusões sobre alguns assuntos importantes na trajetória da Esquerda e da Direita.

Para ver o primeiro post desta série, clique aqui. Para ver o primeiro post das conclusões, clique aqui.

Conclusões (continuação)

Como vimos ao longo dos vários posts desta série, muita coisa mudou na disputa entre os dois pólos ideológicos, principalmente após a implosão do mundo comunista. Desde então, a Esquerda teve que adaptar seu discurso ao sistema capitalista, mas sempre procurando colocar-se acima das mazelas capitalistas. Nesta estratégia, o “neoliberalismo”, a globalização e o FMI sempre foram pintados pelos partidos de Esquerda como instrumentos de dominação do imperialismo norte-americano.

Mas como sempre acontece, entre o discurso e a realidade existe uma grande diferença. Os Estados Unidos hoje não são nem sombra da única superpotência que emergiu do antigo mundo dividido entre capitalistas e socialistas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 17)

Comunismo capitalista

Olá amigos! Finalmente chegamos às conclusões desta série. Peço desculpas se me estendi um pouco, mas achei necessário fazer uma recapitulação dos principais eventos que influíram direta ou indiretamente nos caminhos da Esquerda e da Direita nas últimas décadas, pois nosso objetivo é provocar a reflexão principalmente nos mais jovens, aqueles que não viveram a hiperinflação e estão começando a se familiarizar com a economia, o verdadeiro motor que molda a disputa ideológica.

E assim retornamos a pergunta inicial do nosso primeiro post: Afinal, Keynes é de Direita ou de Esquerda?

Primeiras conclusões

Até a queda do muro de Berlim, quando os esquerdistas ainda acreditavam no socialismo como alternativa ao capitalismo, Keynes era de Direita, no máximo um reformador do capitalismo. Aliás, o próprio Keynes se autoproclamou o “salvador do capitalismo”, a partir da crise de 1930, vale lembrar. Desde então, o keynesianismo passou a ser classificado como mais uma escola neoliberal da primeira metade do século XX (as outras são a Austríaca e o Monetarismo). Nesta época o termo “neoliberal” ainda significava “derivar do liberalismo”. Portanto, não tinha ainda o sentido pejorativo que as esquerdas o impuseram a partir dos anos 80. Com o fim do comunismo, restou às esquerdas se renderem ao capitalismo e aderir à escola menos liberal das três: o keynesianismo. Foi então que Keynes, depois de morto, passou a ser de “esquerda”. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 15)

Ascensão dos BRICs

Olá amigos! Neste post, finalmente vamos falar da ascensão dos BRICSs no panorama global dos anos 2000.

Se você não leu os posts anteriores desta série, leia pelo menos o post 13 desta série, um pré-requisito para entender este post. Se preferir ler desde o início, clique aqui.

A ascensão dos BRICs

Nos dois últimos posts desta série exibimos uma série de gráficos que mostram claramente a aceleração da economia global a partir do ano 2003, com um aumento expressivo da importância dos países periféricos e, em contrapartida, a diminuição do peso dos países ricos na economia mundial.

Só a título de ilustração, o FMI prevê que a partir de 2013, o PIB dos países emergentes e em desenvolvimento irá ultrapassar o PIB das economias avançadas. Vale lembrar que em 2000, o PIB dos emergentes representava menos que 60% do PIB das economias avançadas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 14)

Charge Emergentes

Olá amigos! Havia planejado falar neste post sobre as mudanças do cenário econômico da década de 2000 que colocaram os países emergentes como eixo principal do desenvolvimento mundial. No entanto, devido aos questionamentos aos gráficos publicados no nosso último post em alguns sites de grande circulação, resolvi me estender um pouco mais sobre o assunto em resposta a tais críticas.

Se vc não leu o post anterior, clique aqui.

A vez dos emergentes II

A principal crítica aos gráficos do post anterior concentra-se no fato deles serem baseados em preços correntes em dólares norte-americanos , metodologia adotada pelas Nações Unidas desde 1970 e outros organismos internacionais. Desde a década de 2000, no entanto, surgiu uma nova metodologia criada pelo FMI que desconsidera as variações cambiais em relação ao dólar, o que atenua as curvas mostradas nos gráficos anteriores.

Portanto, tais “críticos” utilizaram a nova metodologia criada pelo FMI não apenas para questionar meus argumentos, como também para questionar a minha honestidade, já que, para estes, criei os gráficos com números falsos. Infelizmente não se deram ao trabalho nem de conferir os dados da ONU cujo link está disponível no final do post. Se o fizessem teriam que questionar a ONU e não a mim. No entanto, como é de costume, estes “iluminados” da rede não se dão ao trabalho de pesquisar, apenas repetem a publicidade oficial ou de alguns “comentaristas profissionais da rede”, empenhados em enaltecer Lula e desconstruir FHC. Aliás, repetem também uma prática que se tornou uma regra no PT: desqualificar qualquer interlocutor para desfocar o cerne da questão. Leia mais