Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Pré-sal: benção ou maldição?

petrobras_capaAté o início do segundo mandato de Lula, quando o preço do petróleo começou a disparar no mercado internacional, o Brasil se apresentava ao mundo como uma alternativa ecológica com suas várias opções de biocombustíveis. Finalmente, após várias tentativas fracassadas da nossa diplomacia, os Estados Unidos resolveram experimentar o nosso etanol.

Só tinha um problema: os gringos não queriam importar o nosso álcool, preferindo fabricar o seu próprio a base de milho, uma alternativa bem mais cara que a nossa cana-de-açúcar que, para ser viável, precisava de subsídios do governo norte-americano. O Brasil fez então uma queixa na OMC e ficamos aguardando ansiosos o veredicto final.

Enquanto a disputa se desenrolava nos meios diplomáticos, eis que acontece a descoberta do Pré-sal. O Brasil havia ganhado na loteria, comemoraria logo mais Lula e a então “mãe do PAC”, Dilma Roussef. Todos os nossos problemas seriam resolvidos. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 19)

Conclusões Finais

Como vimos ao longo da nossa série, medidas keynesianas têm sido usadas tanto por governos de Direita quando de Esquerda. O motivo é simples: o keynesianismo tem um forte apelo popular que se molda perfeitamente aos anseios dos políticos oportunistas. Ao aumentar o tamanho do Estado, os donos do poder não só reforçam as políticas paternalistas que os perpetuam no poder, como jogam para os futuros sucessores a conta da megalomania dos seus governos.

Este foi o motivo do fracasso das duas grandes oportunidades que perdemos de entrar no clube dos ricos. Primeiro com JK que, para realizar o capricho de construir Brasília, endividou o país e precisou fabricar moeda para “fechar as contas” no final do seu governo.

Os militares, apesar de conseguirem conter a escalada inflacionária deixada por JK e piorada por seus sucessores, cometeram o mesmo erro, endividando ainda mais o país com os petrodólares abundantes no mercado internacional. O resultado de mais uma aventura keynesiana foi uma dívida externa imensa e uma nova escalada inflacionária ainda maior que protelou nosso crescimento sustentável por mais duas décadas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 18)

Olá amigos! Havia programado concluir esta série neste post. No entanto, mais uma vez, tive que mudar os planos, pois senti a necessidade de sintetizar algumas conclusões sobre alguns assuntos importantes na trajetória da Esquerda e da Direita.

Para ver o primeiro post desta série, clique aqui. Para ver o primeiro post das conclusões, clique aqui.

Conclusões (continuação)

Como vimos ao longo dos vários posts desta série, muita coisa mudou na disputa entre os dois pólos ideológicos, principalmente após a implosão do mundo comunista. Desde então, a Esquerda teve que adaptar seu discurso ao sistema capitalista, mas sempre procurando colocar-se acima das mazelas capitalistas. Nesta estratégia, o “neoliberalismo”, a globalização e o FMI sempre foram pintados pelos partidos de Esquerda como instrumentos de dominação do imperialismo norte-americano.

Mas como sempre acontece, entre o discurso e a realidade existe uma grande diferença. Os Estados Unidos hoje não são nem sombra da única superpotência que emergiu do antigo mundo dividido entre capitalistas e socialistas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 17)

Comunismo capitalista

Olá amigos! Finalmente chegamos às conclusões desta série. Peço desculpas se me estendi um pouco, mas achei necessário fazer uma recapitulação dos principais eventos que influíram direta ou indiretamente nos caminhos da Esquerda e da Direita nas últimas décadas, pois nosso objetivo é provocar a reflexão principalmente nos mais jovens, aqueles que não viveram a hiperinflação e estão começando a se familiarizar com a economia, o verdadeiro motor que molda a disputa ideológica.

E assim retornamos a pergunta inicial do nosso primeiro post: Afinal, Keynes é de Direita ou de Esquerda?

Primeiras conclusões

Até a queda do muro de Berlim, quando os esquerdistas ainda acreditavam no socialismo como alternativa ao capitalismo, Keynes era de Direita, no máximo um reformador do capitalismo. Aliás, o próprio Keynes se autoproclamou o “salvador do capitalismo”, a partir da crise de 1930, vale lembrar. Desde então, o keynesianismo passou a ser classificado como mais uma escola neoliberal da primeira metade do século XX (as outras são a Austríaca e o Monetarismo). Nesta época o termo “neoliberal” ainda significava “derivar do liberalismo”. Portanto, não tinha ainda o sentido pejorativo que as esquerdas o impuseram a partir dos anos 80. Com o fim do comunismo, restou às esquerdas se renderem ao capitalismo e aderir à escola menos liberal das três: o keynesianismo. Foi então que Keynes, depois de morto, passou a ser de “esquerda”. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 16)

Crise de 2008

Olá amigos! Finalmente chegamos ao ponto inicial da nossa série, o momento em que estourou a crise de 2008 e as famosas medidas keynesianas voltaram à moda. Desde então Keynes foi transformado no novo Max das esquerdas, servindo de justificativa para o aumento do Estado na economia.

A crise de 2008

A crise de 2008 não apenas ressuscitou John Mainard Keynes, como também elevou ao estrelato o economista turco Nuriel Rubini. Ele previu, em 2005, a hecatombe financeira mundial decorrente de uma bolha imobiliária que inflava a economia norte-americana.

De fato foi o que ocorreu, mas ele não foi o único a ver o óbvio. Senadores norte-americanos, desde o início da década de 2000, usaram a tribuna mais de uma vez para alertar sobre os rumos da economia. Mais recentemente o documentário “Inside Job”, ganhador do Oscar 2011, mostrou que nos bastidores do mundo financeiro muito mais gente sabia do que estava ocorrendo. O governo norte-americano foi alertado, e mesmo assim a crise estourou.

E como sempre ocorre, enquanto a economia cresce, tudo é festa, ninguém se preocupa com a sustentabilidade deste crescimento no futuro, pois para os políticos e agentes financeiros o que mais importa é faturar no presente. Qualquer um que alerte sobre potenciais ricos é logo taxado de pessimista, catastrófico ou de jogar no time do contra. E aí vem a crise e então todos ficam se perguntando como ninguém percebeu o que estava acontecendo. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 6)

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O início da decadência norte-americana

Desde o fim da II Guerra Mundial, quando ficou estabelecida a conversibilidade 35 dólares por uma onça de ouro (cada onça equivale a 28,349 gramas), os EUA tornaram-se os credores do mundo. No entanto, o ápice dos EUA paradoxalmente marca também o início do seu declínio. O aumento constante dos gastos do estado, especialmente com armamentos, com o financiamento de guerras em diversos continentes e, posteriormente, com a corrida espacial, começou a minar a saúde da economia norte-americana.

Aos poucos, os EUA começaram a financiar os seus crescentes déficits fabricando moeda sem lastro. Enquanto isso, a economia e a sociedade norte-americana foram se acostumando ao dinheiro fácil, tanto que, já na década de 60, passaram a consumir mais do que produzir de fato. Os EUA, que ficaram ricos exportando, aos poucos, foram transformando-se em meros importadores, o grande shopping center do mundo, para onde todos os países queriam exportar. A nova situação acelerou ainda mais o ritmo do crescente déficit norte-americano, o que, por sua vez, fez com que o governo fabricasse ainda mais dólares, sem lastro em ouro. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 5)

keynes2A decadência do keynesianismo

A rápida recuperação europeia do pós-guerra até hoje é vista como a prova incontestável da eficiência das medidas keynesianas no “aprimoramento” do capitalismo (ou na “salvação do capitalismo”, mérito reivindicado pelo próprio Keynes).

De fato, os bilhões de dólares do Plano Marshal investidos na recuperação européia e japonesa foram importantes, mas não foram a verdadeira causa da fantástica recuperação do bloco capitalista nas décadas 50 e 60.

Claro que os milhares de empregos gerados nas obras públicas de recuperação da infra-estrutura destruída pela guerra foram decisivos para o “milagre europeu”. No entanto, a base do rápido crescimento da chamada “era de ouro” do capitalismo foi a forte demanda de consumo reprimida pela guerra.

Se considerarmos que a população europeia tinha um nível educacional muito acima da média mundial e agora contava com crédito norte-americano para dar o start inicial na recuperação da economia, foi criado então ambiente ideal para o rápido crescimento: forte demanda interna + mão-de-obra qualificada + crédito. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 4)

keynesO ápice do keysianismo e da Social-democracia

Desde o início do século XX a Europa já ensaiava alguns passos na direção do que hoje é chamado de Estado de bem-estar social, caracterizado por significativos investimentos do Estado em saúde, educação e seguridade social.

Os Sociais-democrata, defensores de tais ideais, surgiam inspirados nos mencheviques russos, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista poderia ocorrer democraticamente, sem ter necessariamente que passar por revoluções. Vertente esta que foi derrotada pelos bolcheviques de Lenin, que achavam a revolução imprescindível, vale relembrar.

A nova vertente européia dava uma guinada para a direita, pois não queria mais abolir o capitalismo, e sim torná-lo mais igualitário (ou menos desigual) através de uma gradual reforma legislativa. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 2)

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A crise da direita

Apesar do surgimento do comunismo na Rússia, o capitalismo nos EUA experimentava uma nova revolução no início do século XX, com a produção em série iniciada pelo fundador da Ford. Mais uma vez, vale ressaltar, que os ganhos de produtividade ficaram restritos apenas aos patrões. As jornadas de trabalho continuavam muito elevadas, as condições de trabalho precárias e agora o trabalho ganhava um caráter robótico com o fordismo, já que cada funcionário agora era contratado para executar apenas uma tarefa repetida o dia inteiro.

Com o início da I Guerra Mundial, em 1914, o progresso norte-americano foi ainda mais intensificado, pois os EUA passaram a exportar quase tudo para a Europa.

Com o fim da guerra, no entanto, o cenário começou a mudar, tanto que já em 1924 ocorreu uma acentuada queda na atividade econômica. Para contrabalancear os efeitos negativos para economia, os bancos norte-americanos, comandados pelo Federal Reserve (FED), criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que elevou a expansão do crédito em mais de US$ 4 bilhões em menos de um ano. O artificialismo desta e outras ações do governo nos anos seguintes não só protelaram a crise iminente, como jogaram ainda mais combustível na bolha que se formava. Leia mais