Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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De onde vem tanto ódio?


Depois de uma longa briga fica fácil para os partidários de ambos os lados citarem os culpados que lhes convém. Um anti-petista que comemorou a morte de Dona Marisa; ou um petista fanático que sugere um tiro na testa do juiz Sérgio Moro para “vingar” a morte da Dona Marisa! Hoje existem fanáticos para todos os gostos, infelizmente. Mas, como tudo isso começou? Quem deu o primeiro tapa? Quem tem mais culpa? Enfim, por que tanto ódio?

Ver os dois principais expoentes dessa briga (Lula e Fernando Henrique) abraçados nesta semana dá uma pista para algumas respostas. FHC está em seu estado natural, sempre cordial, educado e conciliador. O peixe fora d’água da situação é Lula, que desde os anos 90 se especializou em atacar FHC.

Quem, como eu, acompanhou a transição de poder para o PT, em 2002, teve a sensação equivocada de que havíamos subido de patamar no debate político. FHC colocar o então candidato Lula no avião presidencial e viajar juntos para os EUA hoje parece algo impensável. Mas aconteceu. Para os mais jovens, houve um tempo em que os petistas chegaram a cogitar continuar com o então ministro “neoliberal” Armínio Fraga que tanto malharam na oposição. Não chegaram a um consenso, mas convidaram o então tucano e atual ministro da Fazenda, Henrique Meireles, para conduzir o BC. A equipe econômica do PT, por sua vez, passou um bom tempo elogiando o trabalho feito por FHC. Até que… estourou o mensalão.

Terminada a lua de mel entre o PT e a opinião pública, uma frase começou então a ecoar nos discursos cada dia mais inflamado de Lula: “nunca antes na história deste país”. Nossa história começou a ser recontada em antes e depois do PT. Paralelamente, o PT começou a financiar uma rede de blogs para difundir suas narrativas e formar uma nova militância, uma vez que o partido já havia perdido boa parte do apoio de sua antiga base eleitoral, a classe média, e uma parte de seus políticos havia desertado para fundar o PSOL. Era preciso compensar o apoio perdido de parte da parcela da população mais esclarecida, decepcionada com o mensalão, com o apoio das massas, principalmente dos rincões do nordeste, mais fáceis de engolir as narrativas descontextualizadas disseminadas pela rede de blogs sujos e pelos numerosos colunistas alinhados incondicionalmente ao PT na grande mídia.

E aí começaram a pipocar comparações descontextualizadas entre os governos Lula e FHC, aliás o assunto que me motivou a iniciar este blog, pois eu, que fui partidário do PT, comecei a ter ojeriza da desonestidade intelectual de supostos jornalistas, como o famigerado Paulo Henrique Amorim, por exemplo, que mobilizava milhões com sua conversa fiada. E assim chegamos ao inferno dos milhões de “especialistas” em política e economia da Internet, culminando com o ódio que todo mundo agora se diz vítima. Leia mais

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O escorpião que pediu ajuda ao sapo

lula_fhcExiste uma fábula que conta a história de um escorpião que, prestes a morrer afogado, pediu socorro a um sapo. Este, com medo de ser picado, a princípio negou a ajuda. No entanto, sua boa índole o levou a ceder os apelos do escorpião. Ao conduzir o escorpião a um lugar seguro o sapo recebeu então a picada que tanto temia. Em seus últimos suspiros o sapo perguntou ao escorpião o porquê dele o picar, mesmo após ter salvado sua vida. O escorpião respondeu com naturalidade: não pude evitar. É a minha natureza.

A fábula poderia ser aplicada em pelo menos três momentos da história de Fernando Henrique e Lula (e por extensão ao PSDB e ao PT). O primeiro aconteceu às vésperas das eleições de 2002, quando Fernando Henrique colocou o então candidato Lula no “sucatão” presidencial e o conduziu ao FMI para assinar um empréstimo para ajudar a debelar a crise do seu futuro governo, fruto justamente de suas declarações irresponsáveis quando oposição.  O fato é bem retratado no livro “A campanha secreta de FHC pró-Lula” (ver aqui), o que certamente ajuda também a explicar o distanciamento entre Serra e FHC nas eleições daquele ano. Aliás, não apenas este desfecho, mas já nos primeiros sinais do agravamento da chamada Crise Lula, em meados de 2002, FHC deu uma entrevista onde praticamente afiançou a eventual eleição do opositor, afirmando que este estava “preparado para assumir o Brasil”. Ou seja, FHC se comportou exatamente como se espera de um estadista: colocou os interesses do país em primeiro lugar, sacrificando a eleição do seu sucessor. Leia mais

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A incrível coletânea de erros do PT (parte 1)

PTDiante do clamor nacional pelo reconhecimento dos seus erros, Dilma finalmente ensaiou mostrar um pouco de humildade e amenizar um pouco sua fama de autoritária, arrogante e mal humorada. Fazendo um esforço hercúleo para parecer simpática, a presidente admitiu que “talvez” tivesse errado nas dosagens de algumas medidas.

O que a presidente ainda não entendeu é que não basta ela reconhecer seus erros. Para conseguir um mínimo de legitimidade, ela precisa antes se desvencilhar do projeto de perpetuação no poder do PT e, no campo econômico, rever suas equivocadas concepções keynesianas de economia que entram em choque diretamente com o seu principal ministro, o liberal Joaquim Levy, de quem depende o sopro de esperança para que nossa economia não piore ainda mais.

E como ninguém da imprensa se dispôs a elencar a interminável lista de equívocos do PT, aqui estou eu. Um pouco atrasado, eu sei, pois tive duas semanas bem atribuladas, mas o tema é sempre atual, pois o PT não pára de reincidir nos velhos erros e cometer novos.

E para o artigo não ficar muito longo, resolvi dividi-lo em três partes. Neste primeiro artigo vou focar nos erros políticos do PT. No segundo, nos erros econômicos. No terceiro, vou focar nos erros mais específicos do governo Dilma, parte deles ligados ao próprio PT e, claro, a Lula. Então, vamos em frente. Leia mais

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Na campanha mais odiosa e mentirosa da nossa história, quem tem mais culpa?

debateNosso país está divido. É um fato. Nunca as pessoas se odiaram tanto por causa da política. Nas redes sociais, em casa, no trabalho, onde quer que você vá, a política provoca acaloradas discussões que muito frequentemente terminam em agressões físicas.

Claro que para cada ação existe uma reação, de modo que para quem assiste a briga de longe fica difícil distinguir quem tem mais razão ou, pelo menos, quem agrediu primeiro. E para quem já tem nojo da política, tal acirramento é mais um motivo para ficar ainda mais distante do debate. Mas, será que ambos os lados realmente se equivalem? Será que ambos têm a mesma parcela de culpa? Vejamos.

Para quem acompanha de perto este debate desde os tempos em que o PT foi oposição, no entanto, não resta a menor dúvida que o maior responsável por este festival de aberrações é o PT. Os dados não mentem. Vejamos:

  • Dos 22 anúncios veiculado pelo PT até o momento nas inserções dos intervalos comerciais de TV, 19 são ataques a Aécio. Do lado do PSDB, dos 18 anúncios veiculados, apenas oito são ataques ao PT. (ver aqui)
  • Levantamento feito pela revista Isto É sobre o debate do SBT revela que a presidente Dilma mentiu ou deturpou dados 14 vezes, enquanto que Aécio mentiu ou deturpou duas vezes (ver aqui)
  • Dos 28 boatos que circulam na web sobre Aécio Neves 17 acusações são falsas; 2, sem provas; 5, capciosas; e 4, verdadeiras, porém com ressalvas (ver aqui). Do lado da campanha de Dilma, não consta até aqui nem de perto uma coletânea de acusações pelo menos parecida como as que circulam em relação ao Aécio. Mas não por falta de motivos para falar, e sim porque os partidários do PSDB não tem a mesma falta de escrúpulos que tem demostrado o PT. Percebam que até hoje o PSDB não usou o passado de Dilma para atacá-la. Claro que para boa parte do eleitorado do PT os crimes praticados por ela na época da ditadura (sequestros, assalto e atentados) são louváveis. No entanto, para a grande massa de eleitores do PT de hoje, das classes mais baixas, tais informações causam grande repulsa.

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Comparação Lula x FHC (corrupção)

Não costumo escrever artigos específicos sobre casos de corrupção, pois não tenho o menor saco para ficar discutindo “quem roubou mais”, nem para me colocar na defesa de qualquer acusado. Não boto a mão no fogo por ninguém, pois tenho a percepção clara de que a política atrai corruptos e tende a corromper quem não tem convicções firmes, principalmente depois de muito tempo no poder.

Apesar da minha relutância ao tema, é impossível ficar indiferente à enxurrada de escândalos que surgem nos jornais a cada dia. Pior que isso é perceber que estes não mais provocam indignação como antes, a ponto de um escândalo como o do Petrolão, por exemplo, que até o que se sabe movimentou um volume de recursos 33 vezes maior que o Mensalão, não render uma única reportagem nas três edições da revista eletrônica semanal “Fantástico” da Rede Globo, desde que a revista Veja trouxe mais este escândalo à tona, há três semanas.

Ué? Mas não é a Globo que vive sendo acusada pelo PT de querer derrubá-lo? Como deixaram então passar esta oportunidade? A resposta para esta aparente contradição você encontra em um outro post do nosso blog (ver aqui).

Feitas estas divagações, vamos então ao tema deste artigo.  Observe os gráficos abaixo:

rede_escandalos_fhc_lula

Eles representam os escândalos de corrupção nos oito anos do governo FHC e nos oito anos do governo Lula. A visualização está comprometida, mas no site da revista Veja é possível visualizar em detalhes, com links, evolvidos, conexões e tudo o mais (ver aqui).

A Rede de Escândalos da Veja é bem mais abrangente que os governos Lula e FHC. Começa a partir do governo Sarney até os dias atuais. Não publiquei os demais governos porque os períodos Sarney, Collor/Itamar e Dilma são menores que os oito anos de FHC e Lula, o que pode prejudicar a comparação visual. E como a polarização política entre PSDB e PT sempre esteve mais centrada em seus maiores ícones, resolvemos então mostrar aqui apenas os gráficos dos dois períodos cuja duração é igual. Leia mais

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Os efeitos retardados das reformas estruturais (ou da falta delas)

reformas_estruturaisUma das coisas que mais me incomodam no debate político do Brasil é a imediata culpa ou a louvação que nossos presidentes recebem pelo bom ou mau momento em que passa a economia no momento presente, comportamento este ainda mais estimulado a partir do governo do PT, quando Lula começou a recitar nos seus corriqueiros comícios o seu famoso bordão “nunca antes na história deste país”. O que muita gente não percebe,  inclusive gente “bem informada” (ou seria mal intencionadas?) é que muitas das causas pelos bons ou maus momentos do presente tem mais a ver com ações governamentais do passado ou pela ausência delas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 19)

Conclusões Finais

Como vimos ao longo da nossa série, medidas keynesianas têm sido usadas tanto por governos de Direita quando de Esquerda. O motivo é simples: o keynesianismo tem um forte apelo popular que se molda perfeitamente aos anseios dos políticos oportunistas. Ao aumentar o tamanho do Estado, os donos do poder não só reforçam as políticas paternalistas que os perpetuam no poder, como jogam para os futuros sucessores a conta da megalomania dos seus governos.

Este foi o motivo do fracasso das duas grandes oportunidades que perdemos de entrar no clube dos ricos. Primeiro com JK que, para realizar o capricho de construir Brasília, endividou o país e precisou fabricar moeda para “fechar as contas” no final do seu governo.

Os militares, apesar de conseguirem conter a escalada inflacionária deixada por JK e piorada por seus sucessores, cometeram o mesmo erro, endividando ainda mais o país com os petrodólares abundantes no mercado internacional. O resultado de mais uma aventura keynesiana foi uma dívida externa imensa e uma nova escalada inflacionária ainda maior que protelou nosso crescimento sustentável por mais duas décadas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 14)

Charge Emergentes

Olá amigos! Havia planejado falar neste post sobre as mudanças do cenário econômico da década de 2000 que colocaram os países emergentes como eixo principal do desenvolvimento mundial. No entanto, devido aos questionamentos aos gráficos publicados no nosso último post em alguns sites de grande circulação, resolvi me estender um pouco mais sobre o assunto em resposta a tais críticas.

Se vc não leu o post anterior, clique aqui.

A vez dos emergentes II

A principal crítica aos gráficos do post anterior concentra-se no fato deles serem baseados em preços correntes em dólares norte-americanos , metodologia adotada pelas Nações Unidas desde 1970 e outros organismos internacionais. Desde a década de 2000, no entanto, surgiu uma nova metodologia criada pelo FMI que desconsidera as variações cambiais em relação ao dólar, o que atenua as curvas mostradas nos gráficos anteriores.

Portanto, tais “críticos” utilizaram a nova metodologia criada pelo FMI não apenas para questionar meus argumentos, como também para questionar a minha honestidade, já que, para estes, criei os gráficos com números falsos. Infelizmente não se deram ao trabalho nem de conferir os dados da ONU cujo link está disponível no final do post. Se o fizessem teriam que questionar a ONU e não a mim. No entanto, como é de costume, estes “iluminados” da rede não se dão ao trabalho de pesquisar, apenas repetem a publicidade oficial ou de alguns “comentaristas profissionais da rede”, empenhados em enaltecer Lula e desconstruir FHC. Aliás, repetem também uma prática que se tornou uma regra no PT: desqualificar qualquer interlocutor para desfocar o cerne da questão. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 9)

Consenso de Washington

Olá amigos, neste post vamos falar sobre o famoso Consenso de Washington, um conjunto de recomendações para economias em crise da década de 80 que foi transformada pelas esquerdas latino-americanas na “Bíblia do Neoliberalismo”.

O Consenso de Washington

Como vimos nos posts anteriores, a década de 80 ficou conhecida como “a década perdida”, devido às enormes dificuldades enfrentadas pelos países do terceiro mundo, com o aumento dos juros norte-americanos e a conseqüente crise da dívida externa em 1982.

Após uma década de várias tentativas fracassadas de estabilização em diversos países, várias instituições internacionais sediadas em Washington (entre elas o FMI e o BIRD) realizaram um encontro para discutir meios de ajustar tais economias, em 1989.

Foi neste contexto que o economista John Williamson, do International Institute for Economy, apresentou um conjunto de dez recomendações, baseadas nas experiências do Chile e do México, os países que havia conseguido os melhores progressos nos esforços de estabilização de suas economias na América Latina até então. Leia mais

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Um olhar estrangeiro sobre a América Latina

Quintal de Ninguém - O crescimento da América Latina / O Brasil decolaA revista britânica “The Economist” publicou na semana passada uma interessante reportagem especial sobre a ascensão da América Latina no cenário econômico mundial. Com o título “Quintal de ninguém – O crescimento da América Latina”, os ingleses, distantes dos radicalismos políticos que obscurecem a visão da nossa realidade, ratificam o que reafirmamos aqui quase que diariamente: o bom momento econômico pelo qual o Brasil e a América Latina passam hoje é fruto de um processo histórico, iniciado na década de 90 com o controle da inflação e as reformas econômicas promovidas no período pós-ditaduras, cujos frutos estão sendo colhidos agora, combinado com o bom momento da economia global que  quase duplicou o PIB mundial entre 2003 e 2008, pulando de US$ 33 trilhões, em 2002, para US$ 60,8 trilhões, em 2008. Vale salientar que em todo período FHC, o PIB mundial aumentou apenas US$ 4 trilhões. Leia mais

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Lula e a dívida pública (final)

Comparativo Lula x FHC sobre o endividamento público

Lula brincando com números

Com este post finalizamos esta série sobre a Dívida Pública.  Confesso que aprendi muito nestes últimos meses, inclusive com alguns internautas. Um deles nos passou algumas informações importantes sobre o processo de endividamento da era FHC, até hoje uma das marcas mais negativas do Governo do PSDB, aliás um fator decisivo para a perda do meu apoio como eleitor, já no final do primeiro mandato.

Depois de estudar a evolução da dívida na era Lula, vamos então retornar um pouco a era FHC para concluirmos esta série com um comparativo entre os processos de endividamento nos dois Governos, assunto este que deveria ser, se não a maior, pelo menos uma das maiores preocupações dos governantes brasileiros, uma vez a dívida pública recebe, desde a era FHC, o maior “orçamento” da união.

Como sempre, ao pesquisar sobre o assunto, encontramos muitas informações desencontradas, a maioria recheada de discursos ideológicos, onde sobram bravatas e faltam argumentos realmente consistentes. Leia mais

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Lula e a dívida pública (PARTE 9)

Nos dois posts anteriores desta série, mostramos as diferentes versões das dívidas interna e externa. Se vc é novo no nosso blog, sugerimos que leia antes os referidos posts para melhor entender esta nona parte.

Divergências sobre os percentuais da Dívida Pública

Jornal Nacional - Dívida Pública

Em novembro de 2008 o Governo Lula noticiou mais um grande feito: a menor relação dívida / PIB desde 1998. A imagem da apresentadora Fátima Bernardes no Jornal Nacional dando a notícia com o percentual de 36,7% em destaque foi publicada por vários blogueiros entusiastas do Governo Lula como uma prova cabal da competência do Governo do PT, o qual teria conseguido baixar tal percentual que, às vésperas das eleições de 2002, tinha atingido o recorde de 56,9%!

O outro lado da história

Da mesma forma que aconteceu no “pagamento” da dívida com o FMI e com o suposto “pagamento” da dívida externa (veja posts anteriores da série), uma olhada mais atenta sobre os números da dívida pública mostram que a notícia foi vendida muito além do que valia. Leia mais

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Lula e a dívida pública (PARTE 8)

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Divergências sobre a Dívida Externa

Finalmente, depois de algumas mudanças de programação, estamos voltando à questão da dívida externa. Assim como no caso da dívida interna, penei um bocado para conseguir os dados oficiais para criar um gráfico atualizado para esta dívida que, a cada dia, fica ainda mais confusa.

Em comum com a dívida interna, a externa tem o fato de existirem diferentes versões oficiais, conforme pode ser visualizado no gráfico abaixo: Leia mais

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Comparação Lula x FHC

Charge Lula x FHCComparar os números dos governos Lula e FHC pode levar a conclusões equivocadas, pois ambos os governos enfrentaram realidades bem distintas (ver antes o artigo “Contextualizando o Governo Lula”). Para fazer uma comparação mais justa, citamos as principais ações de cada governo, levando em consideração os respectivos contextos internacionais e locais.

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MACROECONOMIA

Os desafios da era FHC

A era FHC foi caracterizada principalmente pela tentativa de estabilização da economia brasileira, condição sine qua non para o início do processo de crescimento verificado na era Lula. Ao contrário do que muita gente pensa, a vitória contra a inflação não ocorreu apenas com o Plano Real, lançado já no final do governo Itamar. A inflação, embora controlada, ainda não atingira um nível compatível com as economias estabilizadas, exigindo um longo processo de desindexação e um rígido controle da taxa de câmbio. Não havia ainda um regime de metas de inflação; os estados gastavam mais do que arrecadavam, pois não havia ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não havia uma política de superávit primário que apontasse para a redução gradativa das dívidas interna e externa. O sistema financeiro apresentava vulnerabilidades, com bancos em crise com a perda dos ganhos com os juros altos da época da inflação, assim como os Estados que apoiavam suas receitas nos bancos estaduais, que também lucravam com o processo inflacionário. O déficit previdenciário crescia descontroladamente e a máquina estatal cada dia ficava mais obsoleta pela ausência de recursos para investimentos, principalmente  nos setores de infra-estrutura, essenciais para o crescimento da economia. Leia mais

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Contextualizando o governo Lula

Nos últimos anos nos acostumamos a ver recordes sucessivos do governo Lula. A descontextualização dos números, no entanto, supervaloriza as conquistas do atual governo e ajudam popularizá-lo, a ponto do presidente não mais se preocupar com eventuais quedas nos índices de aprovação, mesmo depois de suas veementes defesas a José Sarney e Renan Calheiros, dois dos maiores representantes da política coroneslista que controlam o Congresso brasileiro.

Abaixo enumeramos alguns fatores que supervalorizam os números do governo do PT.

A evolução natural

Entre os erros mais freqüentes (e mais desonestos) ao se comparar os números entre os governos do PT e do PSDB é ignorar o processo natural de evolução da economia. É algo como comparar um veículo do ano com um veículo de uma década atrás. O veículo novo tem a obrigação de ser melhor, pois muitos dos recursos novos são resultantes do aperfeiçoamento constante da tecnologia, processo este que tem sido acelerado cada vez mais nos últimos anos. Leia mais