Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Por que o capitalismo está em crise?

crise_europeiaAntes de responder a esta pergunta, precisamos antes falar de dois princípios básicos essenciais a qualquer empreendimento:

O primeiro é a eficiência. O empreendedor procura tornar seu produto mais atrativo, tanto pela melhoria da qualidade ou pela oferta de um menor preço, deixando ao consumidor a analise final do custo-benefício do seu produto.

O segundo é o equilíbrio nas finanças. Não se deve gastar mais do que se arrecada. Com exceção de alguns momentos cruciais onde a certeza do lucro no futuro compense o risco da obtenção de um financiamento, o objetivo de todo empreendedor é acumular riquezas.

É assim desde sempre. Até mesmo antes do surgimento do capitalismo. Eficiência e equilíbrio nas finanças, portanto, valem tanto para o açougueiro da esquina, quanto para as grandes corporações e governos.

Quando analisamos estes dois princípios de forma macro nos três últimos séculos de capitalismo, a primeira conclusão é de que o princípio da eficiência  foi obtido com louvor, afinal a riqueza gerada desde então foi incomparavelmente maior que tudo que havia sido produzido desde os primórdios da humanidade, tornando possível a aquisição de produtos de alto valor agregado inclusive para as classes menos favorecidas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 18)

Olá amigos! Havia programado concluir esta série neste post. No entanto, mais uma vez, tive que mudar os planos, pois senti a necessidade de sintetizar algumas conclusões sobre alguns assuntos importantes na trajetória da Esquerda e da Direita.

Para ver o primeiro post desta série, clique aqui. Para ver o primeiro post das conclusões, clique aqui.

Conclusões (continuação)

Como vimos ao longo dos vários posts desta série, muita coisa mudou na disputa entre os dois pólos ideológicos, principalmente após a implosão do mundo comunista. Desde então, a Esquerda teve que adaptar seu discurso ao sistema capitalista, mas sempre procurando colocar-se acima das mazelas capitalistas. Nesta estratégia, o “neoliberalismo”, a globalização e o FMI sempre foram pintados pelos partidos de Esquerda como instrumentos de dominação do imperialismo norte-americano.

Mas como sempre acontece, entre o discurso e a realidade existe uma grande diferença. Os Estados Unidos hoje não são nem sombra da única superpotência que emergiu do antigo mundo dividido entre capitalistas e socialistas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 10)

globalização

A Globalização

Conceitualmente, a Globalização é um processo de integração econômica, cultural e política impulsionado pela necessidade de expansão dos mercados consumidores. Ou seja, embora o termo “globalização” tenha se popularizado a partir dos anos 90, tal fenômeno acompanha a evolução da humanidade, sendo intensificado em momentos importantes da história como na época das grandes navegações, no pós-guerra e no pós-comunismo.

Apesar das “teorias conspiratórias”, trata-se de um fenômeno espontâneo, decorrente da evolução da economia global. Não tem nenhum mentor. É o resultado da ação de vários agentes econômicos e políticos, que se interligam cada vez mais rapidamente com a redução das distâncias proporcionada com a evolução dos meios de transporte e de comunicação.

Com o surgimento do capitalismo, o processo de globalização teve um forte impulso. Em sua primeira fase, no Capitalismo Comercial, a globalização foi caracterizada pelo colonialismo e pelo mercantilismo, que explorou principalmente o comércio com a Índia (no início), mas predominou com a colonização das Américas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 8)

Thatcher_1670807cA ascensão do “neoliberalismo” na Inglaterra

Como vimos no post 5 desta série, o estado de bem estar social europeu, o chamado Welfare State, deu seus primeiros sinais de crise já no início dos anos 70. Apesar das ainda altas taxas de crescimento, as projeções para o futuro mostraram-se insustentáveis, com base no aumento da expectativa de vida da população, assim como a redução da natalidade. Na Inglaterra, especialmente a decadência era mais evidente. Os sucessivos governos de esquerda engessaram a Inglaterra, de modo que sua economia chegou a ser ultrapassada pela Itália e ser apenas um pouco mais da metade da França.

Foi neste contexto que a conservadora Margareth Thatcher assumiu o poder, em 1979. Já influenciada pelos experimentos dos Chicago Boys do Chile, que comemoravam quatro anos de crescimento em ritmo acelerado, a nova primeira-ministra deu início a uma série de reformas com o objetivo de evitar o colapso da economia inglesa com o aumento inercial dos gastos sociais.

Aliás, anos antes de chegar ao poder, Thatcher já apresentava seu cartão de visitas cortando a distribuição de leite gratuita nas escolas britânicas quando, ironicamente, ocupava o cargo de Secretária de Estado para Assuntos Sociais. A “dama de ferro”, como seria conhecida posteriormente, enfrentava os primeiros protestos a sua política de redução do Estado britânico. Leia mais

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Esquerda x direita (parte 3)

vitoria-americana-2A ascensão dos Estados Unidos

As medidas keynesianas do New Deal, implantadas desde 1933, não tiveram resultados tão palpáveis como na Alemanha de Hitler. Tanto que, já nos anos 30, tais medidas começaram a ser contestadas pelos liberais, alguns dos quais acusaram os gastos do governo como o motivo da crise de 1929 ter se estendido por toda a década de 30, passando a ser chamada então de “Grande Depressão”. Ficou célebre o debate entre Keynes e Hayek, do qual este último saiu aparentemente perdedor, levando em conta a projeção mundial que alcançou Keynes e o ostracismo em que Hayek foi relegado nas décadas seguintes.

A recuperação, portanto, só veio a ocorrer a partir da II Guerra mundial quando, mais uma vez, os EUA lucraram com a desgraça da Europa. A localização geográfica ,longe do foco da guerra, evitou que as indústrias norte-americanas fossem destruídas, assim como sua produção agrícola. Como resultado, a produção industrial norte-americana triplicou durante o conflito, chegando a responder por metade de toda a produção mundial em 1946! Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 2)

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A crise da direita

Apesar do surgimento do comunismo na Rússia, o capitalismo nos EUA experimentava uma nova revolução no início do século XX, com a produção em série iniciada pelo fundador da Ford. Mais uma vez, vale ressaltar, que os ganhos de produtividade ficaram restritos apenas aos patrões. As jornadas de trabalho continuavam muito elevadas, as condições de trabalho precárias e agora o trabalho ganhava um caráter robótico com o fordismo, já que cada funcionário agora era contratado para executar apenas uma tarefa repetida o dia inteiro.

Com o início da I Guerra Mundial, em 1914, o progresso norte-americano foi ainda mais intensificado, pois os EUA passaram a exportar quase tudo para a Europa.

Com o fim da guerra, no entanto, o cenário começou a mudar, tanto que já em 1924 ocorreu uma acentuada queda na atividade econômica. Para contrabalancear os efeitos negativos para economia, os bancos norte-americanos, comandados pelo Federal Reserve (FED), criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que elevou a expansão do crédito em mais de US$ 4 bilhões em menos de um ano. O artificialismo desta e outras ações do governo nos anos seguintes não só protelaram a crise iminente, como jogaram ainda mais combustível na bolha que se formava. Leia mais