Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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O PT escancara de vez e admite tudo que seus críticos alertavam

Dilma-Lenin-2Há anos colunistas importantes alertam sobre o projeto de poder autoritário do PT. Confesso que durante muito tempo achei que existia muito exagero nisso tudo, pois como tantos outros achava que o PT, no máximo, tinha se transformando em mais um social-democrata com alguns resquícios de ranços ideológicos.

Mas, aos poucos, a realidade foi me convencendo de muita coisa que eu não queria acreditar. Ao ver se repetir no Brasil o que acontecia nos países mais adiantados no bolivarianismo, resolvi então escrever a série “A crônica de uma tragédia anunciada”, onde comecei a enumerar alguns paralelos entre as práticas do PT e a estratégia de Antônio Gramsci para promover a conquista da hegemonia da opinião pública como pré-requisito para a perpetuação no poder, exatamente como tem acontecido na Venezuela.

Foi aí então que me dei conta que, há alguns anos, a situação da Venezuela era semelhante a do Brasil de hoje e a discussão recorrente nas redes sociais era justamente se a Venezuela estava ou não rumando para um regime autoritário.

O fato é que, de lá pra cá, a Venezuela escancarou de vez sua ditadura até então disfarçada, contando com apoio formal do PT que chegou a divulgar uma nota onde endossava todos os delírios de Maduro, inclusive a justificativa para a prisão de adversários políticos.

Por aqui o PT não deixou por menos e continuou sua escalada rumo ao bolivarianismo, chegando ao cúmulo de deixar explícito nas diretrizes para o segundo mandato de Dilma o objetivo descarado de “construir um projeto de socialismo para o Brasil”, além de “estabelecer uma contra-hegemonia ao capitalismo” (ver aqui). Leia mais

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Para onde caminha o Brasil

dilma perdidaQue o Brasil está a cada dia mais parecido com a Venezuela é um fato.  Há alguns anos, a discussão entre petistas e opositores era se a Venezuela estava trilhando ou não no rumo do autoritarismo. Os fatos provaram que os alertas sobre a escalada autoritária da Venezuela estavam corretos. Hoje a Venezuela é sim uma ditadura plena com direito a “poderes especiais” para o presidente, prisões arbitrárias, torturas e até mortes de opositores.

E o que o Brasil tem a ver com isso?

Tudo. O governo do PT não só apoia o governo venezuelano, como ajuda a financiá-lo.

Muito debate ainda é travado sobre a importância do Foro de São Paulo na coordenação dos movimentos de esquerda da América Latina, mas é fato que os governos de esquerda estão cada dia mais enrolados em crises políticas e econômicas que têm sim tudo a ver com seus projetos políticos. Será coincidência que em todos os países governados pelo eixo bolivariano, suas populações estão divididas e em pé de guerra? Será coincidência o fato de que em todos estes países a imprensa ser perseguida? Será coincidência que em todos estes países a máquina pública ter sido aparelhada para a perpetuação do poder? Será coincidência que em quase todos estes países terem ocorrido mortes misteriosas de opositores? Será coincidência que em todos estes países o aumento do estatismo que está levando suas economias à bancarrota? Leia mais

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O Brasil está realmente na rota do bolivarianismo?

dilma_chavezNos últimos dias o tema bolivarianismo entrou de vez na pauta nacional. Além dos colunistas que já abordam o tema há bastante tempo, agora vários outros colunistas simpáticos ao PT resolveram finalmente tocar na ferida, o que prova que o assunto começa a preocupar o governo, afinal o que antes parecia apenas neurose de alguns radicais de direita, agora já convence uma parcela maior da sociedade.

A Carta Capital chegou a publicar um artigo enciclopédico explicando o que para eles é o bolivarianismo, fazendo questão de salientar as diferenças entre Simón Bolívar e Chávez, comunismo e bolivarianismo, Venezuela e Brasil, entre outras “abismais diferenças” para colocar tudo em panos quentes (ver aqui).

Outra tentativa descarada de dourar a pílula foi de Samy Adghirni, o substituto do colunista governista Vladimir Safatle do Uol, em férias. Embora o texto de Adghirni não tenha o mesmo peso de Carta Capital, o fato é que, por ele ter sido correspondente na Venezuela, seu texto merece uma especial atenção. Ao tentar diferenciar o que acontece no Brasil e na Venezuela, Adghirni consegue justamente o efeito contrário, pois a maior parte das “diferenças” salientadas por ele apenas mostram que estamos sim caminhando na mesma direção. Confira aqui a ótima analise de Luciano Ayan sobre o texto de Adghirni.

Apesar de uma declaração de Jô Soares ter viralizado na rede, onde ele mostrou seu ceticismo ao diferenciar o tamanho do Brasil e da Venezuela, o fato é que tal declaração destoa completamente de outra entrevista conduzida pelo ele próprio com Ives Gandra há alguns anos, onde o jurista alertava para vários outros passos bolivarianos que estão sendo dados agora (ver aqui). Aliás, esta foi uma das poucas vezes em que o Jô foi corrigido por um entrevistado por sua equivocada visão em algum assunto.

A coisa ficou tão escancarada que a própria Dilma veio a público para tentar se desvincular da resolução autoritária divulgada pelo PT recentemente, que acirra ainda mais a divisão do país ao associar a oposição ao mal (que deve ser combatida de todas as formas) e escancara de vez um dos principais objetivos da revolução bolivariana, que pressupõe a construção de uma “hegemonia política”, exatamente como propôs Gramsci (ver aqui a resolução do PT) Leia mais

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A incrível decadência argentina e suas lições para o Brasil

argentinaExiste uma piada que diz que o melhor negócio do mundo é comprar um argentino pelo que ele realmente vale e revendê-lo pelo que ele acha que vale.  O pano de fundo desta piada é o orgulho argentino, conhecido em todo mundo. É este mesmo orgulho que está na raiz da rivalidade entre Brasil e Argentina, algo que transcende o futebol.

Basta imaginar que até o início dos anos 50 a Argentina era a sexta maior economia do mundo, com uma população escolarizada, recursos naturais abundantes e uma indústria pungente que disputava de igual para igual até mesmo em setores de alta tecnologia, como o automotivo. E não se tratavam de apenas filiais estrangeiras. A Argentina tinha sua própria marca de automóveis (SIAM), além de várias outras de eletrodomésticos. A riqueza argentina era tamanha que o país, em 1920, chegou a ter reservas em ouro superiores ao decadente império britânico e ao emergente novo império norte-americano. Era praticamente um “europeu” latino americano. Não por acaso, o país tornou-se o destino preferido de milhões de refugiados das duas guerras mundiais, inclusive de carrascos nazistas acolhidos por Perón.

Meio século depois, a Argentina não passa de mais um problemático país latino-americano, com as conhecidas mazelas que afligem o continente, como favelas, violência crescente, inflação galopante, analfabetismo, doenças epidêmicas entre outros. A decadência da Argentina é tão evidente que o país virou um case internacional, citado como um caso raro de país que “involuiu” nas últimas décadas.

Uma rápida comparação com o Brasil dá uma ideia da decadência dos nossos hermanos. A economia que até o final dos anos 40 era maior que a nossa, hoje é menor que a economia do estado de São Paulo. Agora imagine-se na pele de um argentino que viveu este apogeu, ver o país hoje em mais uma moratória, com uma inflação de 40%, dependente da economia brasileira e, claro, vendo os “macacos” brasileiros serem campeões mundiais por cinco vezes!

Mas afinal, o que causou toda esta decadência? Como a Argentina conseguiu empobrecer justamente no momento em que tantos países antes miseráveis ascenderam econômico e socialmente, a ponto de alguns deles integrarem hoje o clube dos ricos? Leia mais

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As constantes guinadas do PT à esquerda e seus reflexos no futuro do Brasil

madura_dilma_chavezQue o PT deu uma guinada ainda mais à esquerda é um fato.  Além de colocar nas diretrizes do eventual segundo mandato de Dilma o objetivo explícito de “construção do socialismo” no Brasil, uma aproximação ainda maior com os países do eixo socialista, uma nova tentativa de “regulação” da mídia, entre outros objetivos de fazer tremer qualquer liberal, a presidente Dilma publicou, na surdina, e quase simultaneamente, o famigerado decreto 8.243 que dá poderes institucionais aos chamados “Conselhos Populares”, totalmente controlados por partidos de esquerda, configurando assim um verdadeiro poder paralelo ao Congresso (ver aqui nosso post com os links oficiais).

Dias depois, o PT já vem com mais uma “novidade”, agora com o objetivo explícito de moldar de vez a nossa constituição, conforme suas conveniências políticas: a convocação de um plebiscito para a criação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.  Dilma já tinha tentando algo semelhante logo após as manifestações de junho de 2013, mas esbarrou no desconhecimento da lei, motivo pelo qual teve que recuar no dia seguinte. Mas a turma da esquerda não desiste nunca. Se não foi possível via iniciativa da presidente, então que a militância saia as ruas para colher assinaturas para convocar um plebiscito (ver aqui). Claro que entre o PT está disfarçado na lista enorme de entidades participantes que inclui também alguns inocentes úteis, mas quem conhece o processo político do Brasil sabe o quanto o PT se envolve até o pescoço em tais movimentos. Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: o desmonte das economias bolivarianas

policia_bolivarianaO “sucesso” da esquerda na América Latina na década de 2000 está intrinsecamente ligado à globalização chinesa, que possibilitou o mais rápido crescimento econômico do capitalismo, desde o final da II Guerra Mundial.

A entrada de milhões de chineses no mercado global teve dois efeitos benéficos para as economias periféricas: 1) Aumentou a demanda por produtos primários, principalmente alimentos e minérios; 2) Provocou uma deflação nos produtos industrializados, principalmente de alta tecnologia.

Com a aceleração do crescimento dos países emergentes, estes passaram também a ser os destinos preferidos dos investidores internacionais. Com mais dólares entrando e turbinando as reservas cambiais, as moedas locais foram valorizadas, aumentando o poder aquisitivo dos emergentes e tornando ainda mais evidente a sensação de progresso. Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: o objetivo declarado de “construir” o socialismo

lula_chavezNo segundo post desta série citei várias ações autoritárias do PT desde o primeiro ano de governo, sempre tentando subjugar as demais instituições do Estado, inclusive os poderes Legislativo e Judiciário. Nas duas últimas semanas, o PT “avançou” ainda mais rapidamente no seu objetivo de “socializar” o Brasil. E dessa vez não teve meias palavras. O PT colocou nas diretrizes de um eventual segundo mandato de Dilma o compromisso explícito de “INVERTER PRIORIDADES E ESTABELECER UMA CONTRA-HEGEMONIA AO CAPITALISMO, CAPAZ DE CONSTRUIR UM PROJETO DE SOCIALISMO RADICALMENTE DEMOCRÁTICO PARA O BRASIL” (ver aqui o documento original do PT)

E antes que alguém diga que a presidente não sabe sobre tais diretrizes, o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), secretário-geral do PT, já garantiu que nenhuma proposta do partido é feita à revelia da presidente (ver aqui).

Ou seja, aquele acanhamento inicial que levou o PT esconder as atas do Foro de São Paulo e a escrever a famosa Carta aos Brasileiros já não existe mais.  Aliás, desde o final da década passada o próprio Lula, falando no Foro para a “companheirada”, já se gabava da estratégia de esconder os passos iniciais da organização de partidos de esquerda que até então já tinha ajudado a eleger 12 presidentes na América Latina.

Portanto, nenhuma surpresa para quem acompanha o processo gradativo gramsciano de conquista da hegemonia da opinião pública para assegurar a “legitimidade” da construção do tal “socialismo democrático” que de democrático não tem nada, afinal pressupõe uma opinião publica manipulada pela cúpula detentora do “monopólio das virtudes”.

A única surpresa disso tudo é a aceleração do processo de “avanço” socializante do PT nas últimas semanas. Além do documento das diretrizes citado acima, a presidente Dilma assinou na sexta-feira, 23 (quando os jornalistas já estão em clima de fim de semana), um decreto que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social” (ver aqui o decreto). Leia mais

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A barbárie tomando conta do Brasil

protestosJá presenciei diversas greves de policiais militares. Mas nunca vi cenas como as desta quinta-feira em Pernambuco. E olha que já tivemos uma greve que durou doze dias em 1997!

Arrastões, vândalos correndo atrás de caminhões em movimento para saqueá-los, bandidos cobrando “pedágios” para permitir a passagem de carros, pessoas ilhadas em seus próprios estabelecimentos, assaltos e, claro, assassinatos: 27 em menos de dois dias de greve!

Não eram apenas bandidos comuns. Havia crianças, mulheres, senhores e senhoras participando da “revolução” dos pobres. Todos unidos pelo espirito coletivo que os faz se sentirem mais fortes e corajosos para tomar dos ricos “tudo que lhes foi roubado pela mais-valia”. É o mesmo espírito que move o MST e tantos outros movimentos que pregam a tomada de posse da propriedade alheia. São os “agentes revolucionários” que roubam, sequestram e até matam pela causa, exatamente como fizeram os revolucionários dos anos 60 e 70 que hoje estão no poder.

São estas pessoas que hoje inspiram os saqueadores e invasores de todo país. Se nossa presidentA assaltava bancos, por que não posso assaltar? Se nossa presidentA sequestrava, por que não posso sequestrar?  Se o grande líder Lula não estudou e chegou a presidente, por que devo estudar? Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: Na oposição, “quanto pior melhor”. No poder, nacionalismo em alta

lula_xingandoNo post anterior desta série, mostramos como o Foro de São Paulo teve um papel importante na coordenação dos esforços para eleger presidentes de esquerda em todo o continente, com o objetivo de implementar a agenda socialista de forma gradativa, como preconizada por Antonio Gramsci. A partir deste post, vamos falar das estratégias de conquista, manutenção e perpetuação no poder colocados em prática pelos governantes de esquerda. Vejamos:

Antes de chegar ao poder, os partidos de esquerda organizados via Foro de São Paulo fizeram violentas e irresponsáveis oposições, sempre se apresentando como os porta-vozes da ética e do povo. Eram os “reis das CPIs”. Bradavam contra tudo e contra todos. No Brasil, o PT notabilizou-se por ser contrário às principais reformas que colocaram o Brasil nos trilhos, entre elas o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Torceu sempre pelo pior, pois esta era a sua chance de colocar em prática sua maior aspiração: a chegada ao poder. Nunca demostrou a menor disposição em contribuir com algo positivo. Mesmo sendo um dos principais responsáveis pela derrubada de Collor, rejeitou apoio ao governo de transição de Itamar Franco.

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A crônica de uma tragédia anunciada: o papel do Foro de São Paulo na ascensão do bolivarianismo

foro_de_sao_pauloForo de São Paulo: como tudo começou

A ascensão da esquerda na América Latina tem um marco histórico: o Foro de São Paulo, realizado pela primeira vez em 1990. A ideia da criação do evento foi de Fidel Castro. Na ocasião, o ditador cubano buscava outra fonte de renda para manter seu regime, uma vez que, com a queda do bloco comunista, a ilha tinha perdido a “mesada” dos soviéticos. Portanto, para Fidel, o Foro representava uma esperança de recuperar, na América Latina, pelo menos um pouco do que foi perdido com a derrocada do leste europeu, uma questão de sobrevivência para Cuba.

O PT comprou a ideia e passou a financiar o projeto castrista de unificar os esforços de todos os partidos de esquerda, sindicatos, associações comunitárias e até grupos terroristas como as Farc da Colômbia e o MIR do Chile.

As ações coordenadas deram resultado. Depois de 8 anos, o Foro conseguiu eleger o primeiro presidente pela via democrática: Hugo Chaves. Desde então, o Foro tem colecionado vitórias em toda a América Latina, a ponto de José Dirceu recentemente gabar-se de ter ajudado a eleger 14 presidentes no continente (hoje já são 16). Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: a escalada autoritária do PT

PT_saldo_socialismoDurante muito tempo relutei em crer no caráter autoritário do PT. A cada nova investida do governo em aprovar projetos que traziam nas entrelinhas mecanismos de controle a instituições ou segmentos da sociedade, sempre procurei colocar um pouco de equilíbrio nas acaloradas discussões na web, pois nunca estive completamente convencido deste viés autoritário do PT.

Mas nada como o tempo para fazer emergir as verdades sufocadas pelas conveniências do momento. Uma coisa é uma ação isolada, um projeto mal elaborado, uma comunicação mal feita que possa suscitar diversas interpretações. Outra coisa são vários projetos ou ações apontando na mesma direção.

Por mais competente que seja um mentiroso, aos poucos ele vai deixado escapar algumas falas que contradizem seu discurso oficial. O Lula, por exemplo, um dos campeões de contradições na Internet, recentemente deixou escapar que “o Congresso e até os sindicatos são obstáculos” (ver aqui). Hugo Chaves, antes de se eleger em 1998 negou ser socialista, afirmou que Cuba era sim uma ditadura, que não pretendia se reeleger mais de uma vez, que não expropriaria empresas entre outras mentiras. No poder, todos vieram o que fez. Em uma da pérolas de Lula, ele, tentando comparar o Fernando Henrique a um ditador, descreve a si mesmo anos depois no poder. Imperdiível! (ver aqui). Leia mais

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A crônica de uma tragédia anunciada: ascensão e decadência do bolivarianismo na América Latina

venezuela

O título deste post não é nada original, mas sempre soube que algum dia o usaria para falar do Brasil e dos nossos vizinhos latino-americanos influenciados pelo chavismo. Para quem não sabe, já que a nossa imprensa fala muito timidamente sobre o assunto, 39 pessoas já morreram na Venezuela desde que começaram os protestos contra o governo Maduro há pouco mais de dois meses.

Com o apoio do governo brasileiro e o silêncio de toda a América Latina, o governo venezuelano tem se mantido no poder única e exclusivamente pela força da repressão estatal. Para o então presidente Lula que há alguns anos dizia que “havia excesso de democracia” na Venezuela, os fatos ocorridos no nosso vizinho já lembram os chamados “anos de chumbo” da ditadura militar brasileira. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 17)

Comunismo capitalista

Olá amigos! Finalmente chegamos às conclusões desta série. Peço desculpas se me estendi um pouco, mas achei necessário fazer uma recapitulação dos principais eventos que influíram direta ou indiretamente nos caminhos da Esquerda e da Direita nas últimas décadas, pois nosso objetivo é provocar a reflexão principalmente nos mais jovens, aqueles que não viveram a hiperinflação e estão começando a se familiarizar com a economia, o verdadeiro motor que molda a disputa ideológica.

E assim retornamos a pergunta inicial do nosso primeiro post: Afinal, Keynes é de Direita ou de Esquerda?

Primeiras conclusões

Até a queda do muro de Berlim, quando os esquerdistas ainda acreditavam no socialismo como alternativa ao capitalismo, Keynes era de Direita, no máximo um reformador do capitalismo. Aliás, o próprio Keynes se autoproclamou o “salvador do capitalismo”, a partir da crise de 1930, vale lembrar. Desde então, o keynesianismo passou a ser classificado como mais uma escola neoliberal da primeira metade do século XX (as outras são a Austríaca e o Monetarismo). Nesta época o termo “neoliberal” ainda significava “derivar do liberalismo”. Portanto, não tinha ainda o sentido pejorativo que as esquerdas o impuseram a partir dos anos 80. Com o fim do comunismo, restou às esquerdas se renderem ao capitalismo e aderir à escola menos liberal das três: o keynesianismo. Foi então que Keynes, depois de morto, passou a ser de “esquerda”. Leia mais