Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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A relutância da esquerda em aprender com a realidade

Uma das coisas mais desanimadoras do debate com a esquerda é a relutância desta em aprender com a realidade. Nesta semana que acaba, com a divulgação do PIB de 2016, que confirma a pior recessão da história do Brasil, muita gente teve a petulância de ironizar o governo atual pelo resultado! Nenhuma surpresa, afinal o economista petista Márcio Pochmann já fazia isto desde o primeiro mês do governo Temer, desconsiderando que o país estava em recessão desde o segundo semestre de 2014. Ou seja, estamos em recessão há 33 meses, mas a culpa, claro, é do Temer.

O mesmo acontece neste momento na Argentina, onde a esquerda tenta colocar na conta de Maurício Macri todas as consequências de anos e anos de distorções econômicas e fraudes contábeis acumuladas pelo kirschnerismo. Previsível, afinal uma das especialidades da esquerda é confundir causa e conseqüência. Às vezes por ignorância. Às vezes por pura desonestidade intelectual mesmo.

Mas o que mais me chamou a atenção nesta semana foi uma análise que tenta diminuir a culpa do governo do PT na crise, observando a queda da participação da indústria no nosso PIB, provocada por um ente capitalista conspirador global que planejou tudo desde os anos 80! Segundo a análise, não só o Brasil como países ricos estão sofrendo os efeitos deletérios da migração de suas fábricas para países asiáticos, com o objetivo de explorar mão de obra escrava e a quase ausência de legislação trabalhista. Leia mais

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Uma grande interrogação no futuro da Europa

inglaterra_euroA saída da Inglaterra da Comunidade Européia é um daqueles casos onde todos tem um pouco de razão e ninguém está totalmente certo. Não por acaso, divide tanto a esquerda quanto a direita.

Do ponto de vista da direita liberal, qualquer secessão é bem vinda. A explicação é óbvia: quanto menor o território, menos instâncias de poder, menos gastos com a máquina pública, menos burocracia, menos corrupção e mais pressão para que o país abra sua economia. Não por acaso, os países com maiores rendas per capta são os menores em extensão territorial e menos instâncias de poder. Vejamos o caso de Luxemburgo, por exemplo, um minúsculo país europeu que ostenta a maior renda per capta do mundo. Quantas marcas de multinacionais daquele país conhecemos? Alguma gigante da eletrônica? Nenhuma. Praticamente todos os produtos de alta tecnologia que Luxemburgo consome vêm de outras nações. Cerca de 70% de sua economia vem de pequenas e médias empresas e fazendas familiares. Cerca de 20% de serviços financeiros e cerca de 10% de indústria química e de aço. Se não se globalizasse, Luxemburgo simplesmente não poderia usufruir da maioria das conquistas tecnológicas do nosso tempo e estaria condenada a pobreza. No entanto, não foi o que aconteceu. Leia mais

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Como a esquerda fomenta crises e sabota o debate econômico

tsipasUma das características responsáveis pela evolução humana é sua capacidade de aprender com os erros.  É partir do acúmulo de experiências e da transmissão dos conhecimentos adquiridos que o ser humano conseguiu avanços antes inimagináveis em quase todas as áreas do conhecimento.

No entanto, em algumas áreas a evolução humana tem ocorrido mais lentamente. A economia é um exemplo. Não por acaso as previsões de economistas têm um nível de confiabilidade não muito diferente das previsões da Mãe Dinah. Muitos tentam justificar este fato atribuindo à parte humana das ciências econômicas, mas existe outro fator que sabota a evolução do debate: o discurso populista da esquerda.

Claro que a economia não é nem nunca será uma ciência exata, mas não é difícil perceber o abismo que esperam as economias cujo crescimento está baseado em crédito acima do seu potencial ou que acumule déficits sucessivos, por exemplo. Apesar da intuição geral até entre o mais leigo dos cidadãos de que isso não pode dar certo, entre os “especialistas” da área econômica existe uma corrente acadêmica que acredita sim que pode promover um crescimento sustentável a partir de “induções” e sem consequências no longo prazo. São os keynesianos, a linha abraçada pelos esquerdistas órfãos do fracassado comunismo.  São estes economistas que teimam em brigar com a realidade, chegando ao cúmulo de mudar o significado das palavras, quando estas já não conseguem descrever a realidade que eles tentam criar artificialmente.  Um dos exemplos mais recentes é agora a demonizada “austeridade”, que levou os gregos ao recente plebiscito, atendendo o apelo do seu governo de extrema esquerda que até então pregava o “não” à austeridade.

Uma rápida olhada no dicionário nos mostra o quanto é surreal a situação. Segundo o Aurélio, austeridade significa ser cuidadoso, severo, rigoroso, escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos. Ou seja, é tudo que se poderia esperar de uma administração pública. Mas os gregos decidiram justamente pelo caminho inverso.

Seria mesmo surreal se tal decisão envolvesse apenas o discurso populista descolado da realidade. O problema é que tal discurso consegue um verniz de credibilidade quando tais argumentos encontram suporte na teoria keynesiana. Leia mais

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A incrível capacidade da esquerda de subverter a realidade

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Nos últimos dias quatro eventos em quatro países bem diferentes mostram o atordoamento das esquerdas diante da realidade.  O primeiro, óbvio, é o nosso Brasil, cujo partido que está no poder realizou nesta semana um congresso nacional com o incrível dilema de apoiar ou não a política econômica do próprio governo! O segundo é a Grécia, cujo governo de estrema esquerda, eleito recentemente prometendo romper com o FMI, se vê no dilema de ter que pagar uma parcela de 1,6 mil bilhões de euros até o final de junho ao mesmo FMI para, vejam só que ironia, receber mais uma parcela de ajuda! Os demais países, Argentina e Venezuela, assistem paralisados grandes protestos e greves em meio ao caos generalizado provocado pelo chamado “socialismo do século XXI”, o bolivarianismo do amado, e homenageado no último congresso petista, Hugo Chávez.

O que há em comum entre todos este países? O imenso abismo entre o discurso fácil e populista de esquerda e a realidade dos números. Não é por acaso que todos os governos de esquerda que chegaram ao poder tiveram que dar uma guinada à direita. A primeira desculpa é que não dá para mudar o tal “sistema” de uma hora para outra. No caso do PT, que já está no poder há treze anos tal desculpa já não tem o mesmo apelo. Então resta-lhes agora a apelar para a estarrecedora narrativa de que o ministro Joaquim Levy é apenas um “neoliberal infiltrado” no governo popular do PT, uma “concessão” à conspiradora direita golpista que ameaça derrubar o PT!

Não é de hoje que a esquerda vive de narrativas descoladas da realidade. Sua história é uma coletânea de erros. Das decapitações da Revolução Francesa, passando pelo Socialismo Utópico, Socialismo Científico, Socialismo Conservador, Nacional-socialismo, Leninismo, Stalinismo, Trotskismo, Maoísmo, Castrismo, Chavismo, entre tantos outros “ismos” vermelhos responsáveis por mais de 100 milhões de mortos no século XX, a esquerda teve que reciclar seus discursos a cada nova derrota da realidade, mas nunca perdeu a pose. Leia mais

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A incrível coletânea de erros do PT (parte 2)

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E como se não bastasse a sequencia de lambanças do PT no campo político, tema do primeiro post desta série (ver aqui), no campo econômico, a lista não é menos extensa.  Vejamos….

 

Os 13 principais erros do PT na economia

E assim como nos erros políticos, na economia a lambanças do PT não são atos isolados e sim conseqüência de uma forma equivocada de ver o mundo que está na ideologia do partido. A lista dos 13 principais erros listados abaixo são apenas generalizações dos erros mais comuns. Poderíamos destrinchar cada um deles em centenas de episódios desastrosos a nossa economia, alguns dos quais só hoje estamos sentido suas consequências. Então vamos em frente.

1 – Aumento do intervencionismo estatal na economia
Não existe na história um único caso de nação que ficou rica pelos caminhos sugeridos pela esquerda, seja via socialismo, comunismo ou pelo aumento gradativo do papel do Estado na economia, a última cartada da esquerda depois do fracasso de todas as demais tentativas. Mesmo os países tidos hoje como modelo para os esquerdistas, estão em crise, percorrendo o caminho inverso ao que defendem por aqui. Ainda assim, eles não se cansam de tentar construir o tal “modelo alternativo” que, invariavelmente, termina em crise econômica e ebulição social. Por aqui não foi diferente. Depois do primeiro mandato de Lula, bem sucedido no campo econômico, continuando as políticas “neoliberais” que tanto criticava quando oposição, o PT resolveu dar uma guinada à esquerda no segundo mandato. E como sempre aconteceu em todas as guinadas deste tipo ao longo da história, no início tudo é festa. Os incentivos do governo a setores específicos da economia geram um crescimento artificialmente acelerado no início. Mas, aos poucos, as distorções começam a aparecer, como tão bem descreve a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, de modo que os ganhos de curto prazo são substituídos por graves conseqüências de longo prazo que roubam o potencial de crescimento do futuro e jogam os países que mergulham em tais experiências na combinação fatídica de estagflação – recessão com inflação, dois fenômenos que deveriam ser contraditórios, mas que o keynesianismo tornou  possível, conforme previu Hayek ainda nos anos 60. E nesta direção, a tendência de aumento do papel do Estado na economia se revela em várias diretrizes que se complementam, criando o leviatã que hoje se vê obrigado a cortar gastos e aumentar ainda mais a carga tributária para fazer frente à inércia de aumento do custo da máquina, promovida nos últimos anos. Este é o principal legado do PT na economia.  Leia mais

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A responsabilidade do PT na recessão atual e suas lições para o futuro

mantega2E como previsto pelos economistas “chatos”, o Brasil entrou oficialmente em recessão. Surpresa mesmo só com a velocidade que tal recessão chegou, afinal nem mesmo os mais pessimistas acreditavam que tal recessão pudesse chegar em pleno ano eleitoral, quando normalmente os governos, e em especial o PT, abrem todas as torneiras de estímulos artificiais para tentar dar a impressão de que as coisas estão melhores (ou menos ruins) do que realmente estão.

O governo, claro, se defende das críticas jogando a culpa no cenário internacional, apesar do Brasil crescer hoje metade da média mundial e a 1/3 da média dos emergentes e pobres. Incrível como o governo do PT finalmente descobriu a influência do contexto internacional na nossa economia. Nos anos do boom econômico mundial da década passada, o contexto internacional favorável era sempre jogado para debaixo do tapete, afinal, segundo a retórica petista, tudo de bom que acontecia era obra do Lula. Contexto internacional desfavorável na era FHC? Que nada, “o Brasil vivia de joelhos ao FMI”, fuzilavam os petistas.  “Os números não mentem”, comparavam com ar triunfal os vários indicadores de ambos os governos para atestar a superioridade administrativa do PT. Leia mais

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As previsões fracassadas do PT e a crise iminente

dilmaO governo Dilma começou no auge do lulismo, quando nosso PIB cresceu 7,5%, metade do recorde de 1973, mas ainda assim um crescimento considerável para os padrões atuais. O discurso triunfalista na campanha presidencial de 2010 falava de um “novo salto” do Brasil que nos levaria, na era Dilma, ao primeiro mundo.

Já nesta época muitos economistas faziam ressalvas ao nosso pibão, lembrando que parte deste crescimento era de recuperação da recessão do ano anterior e que, principalmente, tal PIB teria sido inflado artificialmente com um exagerado estímulo ao crédito e que, portanto, as “faturas” viriam nos anos seguintes, diminuindo assim nosso potencial de crescimento no novo governo.

Com sempre, qualquer crítico do PT recebe logo um rótulo e os tais economistas  foram classificados como “pessimistas”, “viúvas de FHC”, “urubólogos” ou simplesmente portadores da síndrome do complexo de vira-latas. Eu, como blogueiro independente, procurei sempre repercutir por aqui tais alertas, demostrando meu pessimismo em meio à euforia, criticando o fato de que a campanha presidencial foi transformada em um leilão de promessas de mais “programas sociais”, deixando de lado o debate econômico que revelaria a fragilidade e a insustentabilidade do crescimento artificial petista. Leia mais

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As constantes guinadas do PT à esquerda e seus reflexos no futuro do Brasil

madura_dilma_chavezQue o PT deu uma guinada ainda mais à esquerda é um fato.  Além de colocar nas diretrizes do eventual segundo mandato de Dilma o objetivo explícito de “construção do socialismo” no Brasil, uma aproximação ainda maior com os países do eixo socialista, uma nova tentativa de “regulação” da mídia, entre outros objetivos de fazer tremer qualquer liberal, a presidente Dilma publicou, na surdina, e quase simultaneamente, o famigerado decreto 8.243 que dá poderes institucionais aos chamados “Conselhos Populares”, totalmente controlados por partidos de esquerda, configurando assim um verdadeiro poder paralelo ao Congresso (ver aqui nosso post com os links oficiais).

Dias depois, o PT já vem com mais uma “novidade”, agora com o objetivo explícito de moldar de vez a nossa constituição, conforme suas conveniências políticas: a convocação de um plebiscito para a criação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.  Dilma já tinha tentando algo semelhante logo após as manifestações de junho de 2013, mas esbarrou no desconhecimento da lei, motivo pelo qual teve que recuar no dia seguinte. Mas a turma da esquerda não desiste nunca. Se não foi possível via iniciativa da presidente, então que a militância saia as ruas para colher assinaturas para convocar um plebiscito (ver aqui). Claro que entre o PT está disfarçado na lista enorme de entidades participantes que inclui também alguns inocentes úteis, mas quem conhece o processo político do Brasil sabe o quanto o PT se envolve até o pescoço em tais movimentos. Leia mais

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As “lições” do governo do PT

mantegaO governo do PT divide-se em antes e depois do segundo mandato de Lula. Depois de um começo responsável, do ponto de vista macroeconômico, os petistas resolveram imprimir sua “marca” na política econômica, que até então era uma herança do governo do PSDB.

Saiu de cena a equipe ortodoxa de Palocci, sintonizada com o “neoliberalismo” de FHC, e entrou em ação a heterodoxa e “progressista” equipe de Guido Mantega, que tinha como uma das principais defensoras a também economista Dilma Rouseff, que desde 2004 pressionava a equipe econômica de Palocci para reduzir o superávit primário, defendendo a ideia de que seria melhor um pouco mais de crescimento, mesmo que isto implicasse em um pouco mais de inflação.

Para quem não sabe nada de economia, Dilma e Mantega estão alinhados com a teoria econômica keynesiana, que defende uma maior intervenção estatal nos rumos da economia. Aliás, foi para esta teoria econômica que migraram a quase totalidade dos esquerdistas finalmente convencidos pela realidade de que a teoria econômica marxista estava fadada ao fracasso, como comprovado em todas as tentativas frustradas de construção do socialismo. Em contraposição a esta teoria, existem várias vertentes do liberalismo, que defendem uma redução do papel do estado na economia, concentrando esforços na saúde, segurança e educação. É a turma chata, que está sempre lembrando que não existe almoço grátis.

Quase dois mandatos depois de um gradativo aumento do estado na economia, algumas lições já parecem muito claras. Vejamos: Leia mais

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A chance que perdemos

lula-dilmaImagine que você assumisse, em 2003, a presidência de uma empresa bastante endividada e deficitária. Os juros das dívidas consomem cerca de 6% do seu faturamento anual, sendo que a cada mês várias dívidas precisam ser quitadas. Dar o calote, nem pensar. Primeiro, porque a maioria dos credores são funcionários da própria empresa. Segundo, porque partiu da presidência a iniciativa de pedir dinheiro emprestado e não dos credores. Terceiro, porque o calote deixaria a empresa totalmente sem crédito, a principal fonte de financiamento para quitar outras dívidas que vencem a cada mês. Quarto, porque já houve uma experiência de calote anterior e a situação ficou ainda pior. Leia mais

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Debate sobre a macroeconomia brasileira

debateOlá amigos. Infelizmente não sobrou tempo para escrever neste fim de semana.  Então vou deixar os links de dois debates que assisti recentemente que reforçam bastante o cenário que mostramos no nosso último post.  O primeiro foi promovido pelo Instituto Millenium, reunindo os economistas Armínio Fraga, Gustavo Franco, Henrique Meirelles e Raul Velloso (ver aqui  e aqui).  Na verdade, este não foi um debate, e sim um colóquio, afinal todos os economistas têm opiniões semelhantes sobre os rumos da nossa economia. Leia mais

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Pré-sal: benção ou maldição?

petrobras_capaAté o início do segundo mandato de Lula, quando o preço do petróleo começou a disparar no mercado internacional, o Brasil se apresentava ao mundo como uma alternativa ecológica com suas várias opções de biocombustíveis. Finalmente, após várias tentativas fracassadas da nossa diplomacia, os Estados Unidos resolveram experimentar o nosso etanol.

Só tinha um problema: os gringos não queriam importar o nosso álcool, preferindo fabricar o seu próprio a base de milho, uma alternativa bem mais cara que a nossa cana-de-açúcar que, para ser viável, precisava de subsídios do governo norte-americano. O Brasil fez então uma queixa na OMC e ficamos aguardando ansiosos o veredicto final.

Enquanto a disputa se desenrolava nos meios diplomáticos, eis que acontece a descoberta do Pré-sal. O Brasil havia ganhado na loteria, comemoraria logo mais Lula e a então “mãe do PAC”, Dilma Roussef. Todos os nossos problemas seriam resolvidos. Leia mais

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Os efeitos retardados das reformas estruturais (ou da falta delas)

reformas_estruturaisUma das coisas que mais me incomodam no debate político do Brasil é a imediata culpa ou a louvação que nossos presidentes recebem pelo bom ou mau momento em que passa a economia no momento presente, comportamento este ainda mais estimulado a partir do governo do PT, quando Lula começou a recitar nos seus corriqueiros comícios o seu famoso bordão “nunca antes na história deste país”. O que muita gente não percebe,  inclusive gente “bem informada” (ou seria mal intencionadas?) é que muitas das causas pelos bons ou maus momentos do presente tem mais a ver com ações governamentais do passado ou pela ausência delas. Leia mais

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As maquiagens da dívida pública brasileira

divida_publicaEm 2010 publiquei uma série de dez posts sobre a dívida pública brasileira. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção na época foi a NÃO contabilidade de bilhões em títulos públicos em poder do Banco Central (ver o post aqui). Custei a acreditar, pois até então não tinha lido nada sobre o assunto na imprensa. Como uma quantia tão grande poderia passar assim despercebida?

O tempo provou que minhas suspeitas faziam sentido, infelizmente, pois isso significa que nossa dívida é bem maior do que o governo diz que é. Na última semana de julho o governo Brasileiro, através do seu ministro “levantador de PIBs”, Guido Mantega, enviou uma carta ao FMI solicitando a instituição que mude sua metodologia de contabilidade para desconsiderar tais títulos como dívida (ver o link aqui).  Ou seja, o FMI corrobora com o meu pensamento. Segundo os cálculos do FMI, que inclui os títulos em poder do BC que o governo não contabiliza com dívida, a dívida bruta do governo brasileiro hoje equivale a 68% do Produto Interno Bruto (PIB) e não os 58,7%  como quer Guido Mantega. Leia mais

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A grande desaceleração

brics_afundandoA revista britânica The Economisth é ótima em “fotografar” momentos importantes da história, mas péssima em analisar tendências de longo prazo. Sua última capa, que mostra a desaceleração dos BRICs, é um choque de realidade em suas otimistas análises anteriores. Já comentamos aqui algumas de suas capas. Vamos relembrar.

Em 2009, a revista publicou uma análise excessivamente otimista do Brasil, ilustrando sua capa com a imagem do Cristo Redentor decolando. Apesar do equívoco, a reportagem teve dois grandes méritos: 1) desmistificar o ufanismo lulista que atribuía a si todos os méritos do bom momento do Brasil, valorizando as reformas anteriores ao governo Lula; 2) apontar arrogância de Lula como um dos principais problemas do país, ao promover a radicalização política e impedir o verdadeiro debate que deveria ser tratado nas eleições, que seria a qualidade e a sustentabilidade do nosso crescimento nos próximos anos. Neste caso, a revista acertou em cheio, pois foi exatamente o que aconteceu.

Em 2010, a revista publicou mais uma capa otimista sobre a América Latina, com uma análise parecida com a anterior, apontando o boom dos preços das commodites como a principal alavanca do crescimento da região, o que possibilitou uma sensível redução da pobreza da região e uma maior resistência às crises. Claro que o boom das commodities não iria durar para sempre, mas pelo menos em relação à América Latina a revista até que não errou tanto, afinal, com exceção dos países que mais mergulharam no populismo, como Venezuela e Argentina, de um modo geral a América Latina aproveitou melhor a década passada. O link do nosso site com os comentários sobre as duas capas pode ser lido aqui.

Em 2012 , a revista apontava o novo “capitalismo de estado” dos BRICs como uma suposta alternativa ao capitalismo de livre mercado. Ou seja, mais uma vez a revista deixou-se levar pelo sucesso momentâneo sem olhar para o longo prazo. Nosso post sobre o assunto pode ser lido aqui.

Portanto, a “fotografia” atual da revista, que mostra a desaceleração também dos BRICs é de certa forma uma correção de rota. Uma capa mais realista, que de certa forma coloca um contraponto ao otimismo em relação a tais países em anos anteriores.  A ilustração é melhor que a reportagem. Ela mostra a China bem à frente dos demais, mas já começando e pisar em lama; a Rússia ainda em pé, mas já enrolada; a Índia afundando na lama, mas ainda com os braços livres; e por fim o Brasil, com braços e pernas afundados na lama. Leia mais

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Mais um voo de galinha?

dividasDesde os anos 80 a economia brasileira tem sido comparada ao voo de uma galinha. Chega até decolar, mas logo volta ao chão. Durante o auge da bolha mundial, na era Lula, até parecia que este velho estigma tinha ficado para traz, que finalmente tínhamos alçado voo rumo ao primeiro mundo.

Passados dois anos, o clima já é bem diferente. A galinha ainda está voando, mas o cidadão comum já começa a sentir no dia a dia a piora dos indicadores econômicos, cuja face mais visível é a indigesta combinação de crescimento baixo com inflação alta.

Este mal estar é certamente um dos combustíveis dos protestos que explodem em todo Brasil. Mas não foi por falta de aviso. Não são poucos os economistas que há anos alertam  sobre o que está acontecendo agora. Aqui mesmo no nosso blog, desde 2009 apontamos os possíveis desdobramentos futuros da política de curto prazo, que pensa mais nos resultados imediatos (e nas próximas eleições) do que realmente no futuro do país. Os posts continuam disponíveis no nosso blog. Basta uma rápida olhada para ver que os nossos temores estão se concretizando (ver as séries de posts “Os desafios do Pós-Lula” e “E agora Dilma?“).

Não pensem que fico feliz com isso. Preferia estar redondamente enganado a ver, mais uma vez, a história se repetir. Quem acompanhou a série que publiquei sobre o primeiro ano de Dilma vai ver que fiquei até surpreso positivamente com algumas de suas atitudes e me incluí entre os brasileiros que aprovaram seu governo nas primeiras pesquisas. Infelizmente foi só uma primeira impressão. A partir do segundo ano ela reaproximou-se de Lula e passou a governar já em campanha para 2014. E aí a coisa começou a desandar de vez.

Afinal o que está acontecendo com nossa economia? O que tem provocado a piora dos nossos indicadores? Ainda dá tempo reverter tais tendências de piora? O que fazer agora? Leia mais

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O “capitalismo de estado” vai substituir o capitalismo de livre mercado?

Uma recente reportagem de capa da revista The Economist colocou um pouco mais de lenha na fogueira da clássica disputa entre esquerda e direita. No “novo modelo” esquerdista de capitalismo, cujos principais protagonistas são a China, a Rússia e o Brasil, o Estado estimula a fusão de grandes empresas para criar gigantes em setores onde tais países apresentam vantagens competitivas.

Para valorizar a tese da reportagem, a revista cita alguns percentuais de ações de “estatais” negociadas nas bolsas de alguns países, onde a China aparece no topo do “estatismo”, com 80% das ações de empresas. Em segundo, aparece a Rússia, com 68%. O Brasil, surpreendentemente, aparece com 38%.

E aqui cabe um primeiro questionamento, afinal o critério adotado para considerar uma empresa deste “novo modelo” é ter pelo menos alguma participação do governo, mesmo que minoritária.  Ou seja, mesmo na China onde o estatismo aparece com o maior percentual nas ações negociadas na bolsa no gráfico da revista, na verdade o capital governamental é insignificante em relação ao privado.  Por este critério de classificação de “estatais”, a Vale pode ser catalogada neste time, afinal o governo mantém alguns tentáculos na empresa, via fundos de pensão. Leia mais

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Por que o capitalismo está em crise?

crise_europeiaAntes de responder a esta pergunta, precisamos antes falar de dois princípios básicos essenciais a qualquer empreendimento:

O primeiro é a eficiência. O empreendedor procura tornar seu produto mais atrativo, tanto pela melhoria da qualidade ou pela oferta de um menor preço, deixando ao consumidor a analise final do custo-benefício do seu produto.

O segundo é o equilíbrio nas finanças. Não se deve gastar mais do que se arrecada. Com exceção de alguns momentos cruciais onde a certeza do lucro no futuro compense o risco da obtenção de um financiamento, o objetivo de todo empreendedor é acumular riquezas.

É assim desde sempre. Até mesmo antes do surgimento do capitalismo. Eficiência e equilíbrio nas finanças, portanto, valem tanto para o açougueiro da esquina, quanto para as grandes corporações e governos.

Quando analisamos estes dois princípios de forma macro nos três últimos séculos de capitalismo, a primeira conclusão é de que o princípio da eficiência  foi obtido com louvor, afinal a riqueza gerada desde então foi incomparavelmente maior que tudo que havia sido produzido desde os primórdios da humanidade, tornando possível a aquisição de produtos de alto valor agregado inclusive para as classes menos favorecidas. Leia mais

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Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

A cada nova crise do capitalismo, Marx é ressuscitado com sua famosa profecia de que o capitalismo irá acabar. Esta, portanto, não é nem a primeira nem a última vez que o expoente máximo das esquerdas será exortado, afinal o capitalismo vive de ciclos de progresso e de crises. Mas como sempre acontece, a cada nova crise o capitalismo se renova e segue adiante e Marx volta ao ostracismo.

Portanto, já antecipando a conclusão, a resposta a pergunta do post é: não. O capitalismo não vai acabar. Certamente vai mudar em alguns aspectos, como já ocorreu nas diversas fases do capitalismo, desde o mercantilismo e industrialismo das fases iniciais, pelo financeirismo do pós-guerra (hoje em crise), chegando ao “capitalismo informacional”, que tem caracterizado as duas últimas décadas como a era da informação.

E o que há em comum em todas estas fases? A liberdade das pessoas de usufruírem dos frutos dos seus trabalhos e/ou investimentos da maneira que melhor lhes convier. Esta é a essência do capitalismo. Ou seja, para acabar com o capitalismo é preciso acabar com sua essência que está diretamente ligada à liberdade, o que, convenhamos, é muito pouco provável que isto venha acontecer algum dia num mundo cada dia mais globalizado. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 18)

Olá amigos! Havia programado concluir esta série neste post. No entanto, mais uma vez, tive que mudar os planos, pois senti a necessidade de sintetizar algumas conclusões sobre alguns assuntos importantes na trajetória da Esquerda e da Direita.

Para ver o primeiro post desta série, clique aqui. Para ver o primeiro post das conclusões, clique aqui.

Conclusões (continuação)

Como vimos ao longo dos vários posts desta série, muita coisa mudou na disputa entre os dois pólos ideológicos, principalmente após a implosão do mundo comunista. Desde então, a Esquerda teve que adaptar seu discurso ao sistema capitalista, mas sempre procurando colocar-se acima das mazelas capitalistas. Nesta estratégia, o “neoliberalismo”, a globalização e o FMI sempre foram pintados pelos partidos de Esquerda como instrumentos de dominação do imperialismo norte-americano.

Mas como sempre acontece, entre o discurso e a realidade existe uma grande diferença. Os Estados Unidos hoje não são nem sombra da única superpotência que emergiu do antigo mundo dividido entre capitalistas e socialistas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 16)

Crise de 2008

Olá amigos! Finalmente chegamos ao ponto inicial da nossa série, o momento em que estourou a crise de 2008 e as famosas medidas keynesianas voltaram à moda. Desde então Keynes foi transformado no novo Max das esquerdas, servindo de justificativa para o aumento do Estado na economia.

A crise de 2008

A crise de 2008 não apenas ressuscitou John Mainard Keynes, como também elevou ao estrelato o economista turco Nuriel Rubini. Ele previu, em 2005, a hecatombe financeira mundial decorrente de uma bolha imobiliária que inflava a economia norte-americana.

De fato foi o que ocorreu, mas ele não foi o único a ver o óbvio. Senadores norte-americanos, desde o início da década de 2000, usaram a tribuna mais de uma vez para alertar sobre os rumos da economia. Mais recentemente o documentário “Inside Job”, ganhador do Oscar 2011, mostrou que nos bastidores do mundo financeiro muito mais gente sabia do que estava ocorrendo. O governo norte-americano foi alertado, e mesmo assim a crise estourou.

E como sempre ocorre, enquanto a economia cresce, tudo é festa, ninguém se preocupa com a sustentabilidade deste crescimento no futuro, pois para os políticos e agentes financeiros o que mais importa é faturar no presente. Qualquer um que alerte sobre potenciais ricos é logo taxado de pessimista, catastrófico ou de jogar no time do contra. E aí vem a crise e então todos ficam se perguntando como ninguém percebeu o que estava acontecendo. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 15)

Ascensão dos BRICs

Olá amigos! Neste post, finalmente vamos falar da ascensão dos BRICSs no panorama global dos anos 2000.

Se você não leu os posts anteriores desta série, leia pelo menos o post 13 desta série, um pré-requisito para entender este post. Se preferir ler desde o início, clique aqui.

A ascensão dos BRICs

Nos dois últimos posts desta série exibimos uma série de gráficos que mostram claramente a aceleração da economia global a partir do ano 2003, com um aumento expressivo da importância dos países periféricos e, em contrapartida, a diminuição do peso dos países ricos na economia mundial.

Só a título de ilustração, o FMI prevê que a partir de 2013, o PIB dos países emergentes e em desenvolvimento irá ultrapassar o PIB das economias avançadas. Vale lembrar que em 2000, o PIB dos emergentes representava menos que 60% do PIB das economias avançadas. Leia mais