Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Um breve resumo das delações da Odebrecht

Sobre as delações da Odebrecht:
1) Acaba com a narrativa do PT de que se trata de uma perseguição ao partido. Apesar do PT ser o partido com mais políticos envolvidos, a delação atinge em cheio também o PSDB, o terceiro em políticos citados. O PMDB vem logo em segundo, o que é perfeitamente compreensível, uma vez foi sócio do PT nos 13 anos de poder. Em valores, o PT teria recebido R$ 204,9 milhões, o PMDB, R$ 111,7 e o PSDB R$ 52,2.
 
2) Acaba com a narrativa da “alma mais honesta do mundo”, pois Lula não pediu “cinco centavos” como ele costuma fazer chacota em seus comícios, pediu milhões!
3) Segundo Marcelo Odebrecht, Lula tinha uma conta no setor de propinas da empresa com o saldo de R$ 40 milhões, de onde eram descontadas suas “demandas”.
 
4) Marcelo Odebrecht disse textualmente que as contas correntes de Lula, Antonio Palocci e Guido Mantega foram abastecidas com a propina da MP 470 e da linha de crédito do BNDES. As duas negociatas foram comandadas por Lula.
 
5) Além da conta de Lula existia também a conta da presidência, que passou do governo Lula para Dilma, ambas administradas pelos ministros da Fazenda Pallocci e Mantega, conhecidos pelos pseudônimos “Italiano” e “Pós-italiano”.
 
6) Os depoimentos confirmam as delações de vários antecessores, inclusive o ex-líder do PT, Delcídio, de que, apesar da corrupção ter sido sempre uma prática da empresa com o setor público, foi no governo do PT que a corrupção foi institucionalizada, com percentuais definidos, intermediários e até contas no setor de propinas da empresa.
 
7) Ao contrário do que Lula sempre pregou, ele foi sempre amigo das “zelites”. Segundo Emílio Odebrecht, sua amizade com Lula começou muito antes de chegar à presidência, tendo financiado inclusive suas campanhas derrotadas. Daí o apelido “Amigo” nas planilhas de propinas. Para Marcelo, “o amigo de meu pai”.
 
8) A narrativa de Emílio corrobora também com as afirmações de Tuma Jr. que em seu livro descrevem Lula como um dedo duro que entregou diversos “companheiros” desde a época do período militar.
 
9) O pelego Lula era frequentemente convocado por Emilio Odebrecht para controlar greves na Bahia.
 
10) Quando se tornou presidente da República, Lula cumpriu a promessa de entregar o setor petroquímico para Emílio Odebrecht através da Braskem, que também faz parte do grupo Odebrecht.

 
11) Lula assinou a MP que evitou que a Braskem pagasse R$ 2 bilhões em impostos.
 
12) Romero Jucá, o “estancador da sagria” segundo o PT desde que Dilma foi impedida, teve participação importante na relatoria da MP que beneficiou a Braskem. Muitos esquecem, mas ele já foi também líder do governo do PT, profundo conhecedor de tudo que está sendo delatado.
 
13) Pedro Novis contou como foram os acertos entre Lula e Emílio assim que chegasse ao poder, assim como as contrapartidas oferecidas à empreiteira.
 
14) Emílio Odebrecht ajudou a redigir a famosa Carta aos Brasileiros na qual Lula se comprometia em manter a política econômica de FHC e a abandonar os delírios de oposição que agora tenta ressuscitar com sua nova narrativa de perseguido político.
 
15) Odebrecht pagou propina no exterior tanto para as campanhas de Lula como para Dilma, inclusive usando os marketeiros João Santana, Mônica Moura e Duda Mendonça.
 
16) Em 2002, a Odebrecht deu 20 milhões de reais a Lula. Desse total, de acordo com Pedro Novis, apenas 50 mil reais foram declarados pela campanha. O resto foi pago por fora – em espécie ou depositado no exterior.
 
17) A reforma do sítio de Atibaia, que Lula nega que é dele, foi idéia da esposa de Lula para celebrar o término do segundo mandato do petista. Apesar dela dizer que seria uma surpresa para Lula, segundo Emílio, ele estava muito ciente das reformas que estavam sendo feitas no sítio. A conclusão foi numa conversa que teve com Lula no penúltimo dia de seu mandato.
 
18) Apesar da amizade com Lula, Emílio Odebrecht evitava aparecer em público ao seu lado. Como exemplo ele cita o aniversário de Lula no final do seu segundo mandato no qual mandou seu emissário Alexandrino Alencar, momento onde Dona Marisa teria falado pela primeira vez sobre a reforma do sítio.
 
19) Emílio Odebrecht, em suas conversas com Lula, “pedia” a Lula para que este “pedisse” ao pessoal do Meio Ambiente para que maneirassem nas exigências de licenças e para que o BNDS não atrasasse os empréstimos.
 
20) Marcelo Odebrecht se desentendeu com Lula pelo menos em dois projetos que não concordava: a Arena Corinthians e com o projeto de conteúdo nacional que Dilma impôs no caso dos navios sondas. Marcelo conta que teve que falar com o pai, uma vez que Lula estava recorrendo diretamente a ele, desrespeitando-o como presidente do grupo.
 
21) Dilma interferiu diretamente na Caixa Econômica para liberação de recursos para a Arena Corinthians.
 
22) Não só Dilma como a presidente da Petrobrás, Graça Foster, sabiam dos repasses da Petrobrás ao PT e PMDB. Marcelo conta que chegou a levar um conflito sobre uma partilha de propina acertada em 2010 entre o PMDB e PT, na qual um dos maiores beneficiados era justamente Eduardo Cunha.
 
23) A Odebrecht “ajudou” vários veículos de comunicação. No exemplo mais concreto citou o caso da revista Carta Capital, por “solicitação” de Guido Mantega, uma vez que a revista era parceira do PT.
 
24) Emílio revelou como atuou diretamente com Dilma para aprovar a MP da Leniência para mudar a legislação e facilitar um acordo entre as empresas envolvidas na Lava Jato e o Ministério Público.
 
25) Marcelo Odebrecht disse à PGR que a empreiteira não costumava apoiar campanhas municipais, mas Guido Mantega fez “um pedido especial” para que ele ajudasse a eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo.
 
26) Alexandrino Alencar confirmou as suspeitas de que as palestras de US$ 200 mil de Lula foram um meio para compensar a ajuda do petista à Odebrecht durante seus dois mandatos.
 
27) Emílio conta que chegou a reclamar a Lula para controlar o ímpeto de seu pessoal no pedido de dinheiro. Segundo ele, seu pessoal estava com “goela muito aberta”.
 
28) Lula não só atuou em prol do seu grupo político, atuou também em benefício próprio e dos seus familiares. Os delatores relatam as intervenções de Lula em prol dos seus filhos, do seu sobrinho Taiguara Rodrigues, e do seu irmão, Frei Chico.
 
29) Além da reforma do sítio, a Odebrehct comprou móveis, pagou “palestras” e o terreno para a instalação do Instituto Lula.
 
30) O irmão de Lula, Frei Chico, codinome “Metralha” (muito apropriado, por sinal), passou a receber uma mesada que, posteriormente, foi aumentada para R$ 5 mil mensais por solicitação de Lula. Frei Chico é considerando um dos responsáveis pela entrada de Lula na vida política.
31) Emílio detalhou o apoio do grupo a Luís Cláudio Lula da Silva, o filho mais novo de Lula, a pedido do ex-presidente que se comprometeu, em contrapartida, melhorar a relação da empresa com Dilma, abalada por divergências.
 
32) Em obediência a Lula, Paulo Bernardo cobrou da Odebrecht uma propina de 40 milhões de dólares, por uma linha de crédito de 1 bilhão de reais no BNDES.
 
33) A exemplo do Palácio do Planalto que tiveram as câmeras de segurança desligadas, Marcelo conta que Mantega despachava sem câmeras na sede paulista do BB e da Caixa Econômica.
 
34) Emílio conta que reclamou a Lula que Dilma favoreceu a Tractebel-Suez na licitação da Hidrelétrica de Jirau. A empresa foi doadora da campanha de Dilma em 2010 e 2014.
 
35) Lula atuou para liberar gordos empréstimos para a Odebrecht em vários países do mundo, especialmente em Angola, Cuba e Venezuela.
 
36) Embora os delatores até aqui não tenham detalhado tanto os acertos com os tucanos, acredito sim que Aécio, Serra e Alckmim tenham dado contrapartidas à Odebrecht como governadores. No caso de FHC, parece que foi só caixa 2, um crime menor. Sobre a campanha de 2014, Marcelo diz que as contribuiçōes a Aécio Neves não tiveram contrapartida. No segundo turno, a empresa negou R$ 15 milhões do novo pedido do candidato.
 
37) Pedro Novis, em sua delação, ao relatar pagamento de caixa dois a José Serra: “O Serra sempre foi uma expectativa frustrada pelas derrotas nas eleições. E frustada pela falta de retribuição.”
 
38) Emílio Odebrecht confessou não apenas que gosta de Lula, como mostrou sua admiração: “É uma das mais pessoas mais intuitivas que já conheci”. Talvez isso explique o porquê de apostar nele antes mesmo de chegar a presidência.
 
39) Os jornalistas do PT já começaram a jogar Pallocci na fogueira para tentar salvar Lula. Jânio de Freitas cobra explicações de Pallocci, citando que Lula diz não ter recebido nada. Em última instância, Lula está sempre com a razão!
 
Cenas dos próximos capítulos: Pallocci, que negocia acordo de delação, será o novo Delcício a ser desacreditado pela PT.

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