Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Algumas conclusões sobre os grampos de Jucá, Renan e Sarney

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O que mais me impressiona no debate político é a seletividade da interpretação dos fatos. Claro que posso ser acusado da mesma coisa, mas estou aberto ao debate com qualquer um que queira me provar que estou errado. Sobre as revelações da semana, quase nenhuma novidade. Apenas as confirmações do que boa parte dos bons analistas políticos afirmam há muito tempo. Vamos então as conclusões:
1) Ao contrário do que muito governista vinha alardeando por aí nos primeiros dias do governo Temer, a Lava-jato segue firme. O governo do PT tentou e agora o PMDB tenta, mas sem sucesso.

2) Os políticos morrem de medo de Sérgio Moro. Todos querem foro especial para manter distância de Curitiba;

3) Lula sabe que pode ser preso a qualquer momento. Ele sabe que provas não faltam;

3) PMDB e PP são os parceiros de crime do PT. Portanto, o PT tentou melar a Java-jato e o PMDB vai continuar tentando no novo governo;

4) Quando o grampo do Jucá foi efetuado ele ainda era governista. Decidiu abandonar o barco só quando percebeu que não havia mais salvação para Dilma. Logo, se houvesse alguma possibilidade de salvação com o PT, estaria contra o impeachment. Portanto, não houve o “golpe” alardeado pelos petistas. Houve sim, o cálculo do “mal menor” pelas raposas do PMDB. E neste cálculo as manifestações pró-impeachment foram decisivas;

5) O mesmo plano do PMDB que descartou Dilma tentou salvar Lula;

7) Renan e Lula tentaram implementar uma espécie de “parlamentarismo branco”, onde Lula seria o primeiro-ministro com a nomeação para Casa Civil;

8) Dilma tentou tirar Marcelo Odebrecht da cadeia, assim como tentou livrar Cerveró, seu “colega” desde o governo do RS e uma das peças-chave no esquema da Schahin e de Passadena;

9) Dilma tentou influir no STF através do Lewandowski e Teori;

10) Os petistas esperavam alguma gratidão do procurador Rodrigo Janot. Agora o consideram mais um “traidor”, apesar da sua lerdeza em liberar os processos de vários petistas;

11) Dilma e Lula tentaram intervir na PF com a nomeação de seu último ministro da Justiça;

12) Lula não só sabia de tudo, como era o grande chefe de todo o esquema, como confirmou também Pedro Correia em sua delação e Delcídio Amaral no programa Roda Viva;

13) Lula e Dilma vêm alternando momentos de aproximação e afastamento. Eduardo Cardoso e Mercadante, desafetos de Lula, são dilmistas e a aconselhavam a continuar posando de honesta, pois, no pior dos cenários pintado por eles, Lula seria pego, mas Dilma não, pois esta estaria “blindada”, uma vez que sempre delegou a parte suja aos seus subordinados;

14) Segundo Delcício, Dilma sempre se fez de sonsa, mas chegou a ser alertada por ele sobre os riscos que corria com os avanços das investigações;

15) Segundo o grampo de Sarney, Lula, com sua arrogância de sempre, considera que Dilma foi seu “único e maior erro”!

16) As empreiteiras roubaram para o PT e Dilma sabia disso. Os acordos de leniência foram uma tentativa de agradar os executivos presos ou prestes a serem presos para aliviarem os depoimentos em relação ao governo;

17) A Folha bem que tentou colocar como “inaudível” o trecho onde Renan Calheiros afirma que Dilma é sim corrupta;

18) Segundo a conversa entre Sérgio Machado e Renan, a delação de Marcelo Odebrecht será um “tiro no peito de Dilma”;

19) Segundo Renan, Lula, após sair do governo, armou um esquema na Sete Brasil onde levou R$ 30 milhões.”Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.”

20) O governo sempre tentou cooptar a imprensa e conseguiu domar a Globo por um bom tempo. Para quem não lembra, a emissora chegou a divulgar um editorial se posicionando contra o impeachment. Mas a pressão da opinião pública prevaleceu e a emissora teve que se render aos fatos. Segundo o grampo de Jucá, Dilma cobrou providências a João Roberto Marinho, mas ele respondeu o óbvio: “há um efeito manada. Não dá para controlar”.

21) O PT continua contando com o apoio da Folha de SP, não apenas do diretor de redação, Otavio Frias Filho, como de um time de jornalistas e colunistas. Um dos exemplos mais recentes foi a tentativa do braço da Folha, o UOL, em desqualificar o MBL. A tentativa de desqualificação ficou tão explícita, que a própria empresa teve que mudar o título da notícia, uma vez que o próprio texto não corroborava com a manchete;

22) O PSDB demorou a embarcar no impeachment porque apostava na cassação da chapa Dilma/Temer. Os tucanos só mudaram de ideia só depois de uma conversa com Renan, um dos últimos a serem convencidos;

23) De fato, o Aécio Neves deve ter levado alguns milhões de Furnas. E a prova é que ele tenta sempre se esquivar do assunto. No entanto, é de se estranhar que um caso tão antigo e sem qualquer vínculo com o Petrolão esteja sempre em evidência na narrativa dos delatores. Pelo que já foi revelado sobre as pressões do PT nos bastidores com o intuito de nivelar todo mundo por baixo, não me surpreenderia se fosse revelado algum acordo com algum delator para citar o caso Furnas nos depoimentos como uma forma de “compensação”, uma vez que as delações seriam inevitáveis.

Por enquanto é só amigos. Continuo sem tempo para escrever. Passei por aqui apenas para dar uma sintetizada nas minhas impressões nestes últimos e tumultuados dias. Até a próxima!

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2 Responses to Algumas conclusões sobre os grampos de Jucá, Renan e Sarney

  1. ferrabras says:

    Amilton, estava sentindo a falta dos seus artigos claros e precisos.
    Grande abraço!