Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Na desesperança por uma solução coletiva prevalece o salve-se quem puder

paulistaNão é de se estranhar a menor adesão aos protestos neste 12 de abril. E a razão já estava exposta na pesquisa divulgada no dia anterior pelo Data Folha. Embora 63% dos brasileiros apoiem o impeachement da presidanta, apenas 29% acreditam que ele vai ocorrer, apesar de 83% acreditarem que Dilma sabia sim da roubalheira na Petrobras. Simples assim.

E por que tal desesperança?

A razão é paradoxal e frustrante. Os escândalos de tão triviais já não mais escandalizam. Como se não bastasse a Petrobrás, nos últimos dias ficamos sabendo também que os tentáculos do esquema chegou a Caixa Econômica e ao Ministério da Saúde, além do verdadeiro iceberg que é o BNDES, cuja CPI o governo conseguiu barrar.

Ou seja, não faltou fato novo para mobilização. Se ela não ocorreu como se esperava foi justamente pela sobrecarga do assunto. Ninguém mais aguenta ouvir falar de corrupção, de modo que muita gente agora se policia para não repercutir tanto fatos ligados à política para não parecer um chato, monotemático. Posso falar com autoridade no assunto porque sou um dos muitos brasileiros que reduziram o número de postagens nas redes sociais nestes últimos dias para dedicar mais tempo a projetos pessoais, afinal me preocupo sim com o futuro do meu país, mas principalmente da minha família. Isso significa que minha indignação diminuiu? Não. Estou mais revoltado do que nunca, principalmente agora que a militância virtual do PT, inclusive a paga, retornou as redes sociais.

Somado a tudo isso tem ainda o fato da presidanta ter terceirizado o governo, o que para muitos já é uma solução, e o fato de cada vez mais pessoas acharem que foi melhor Dilma ter vencido para assumir o ônus da sua própria herança maldita. No campo da economia, o governo conseguiu ser salvo do precipício, vejam só, por duas das odiadas agências de risco que resolveram dar um voto de confiança no Levy, que prometeu um ajuste fiscal, apesar da oposição de parte do PT. Com a não perda do grau de investimento e com o adiamento do aumento dos juros norte-americanos, o governo ganha tempo para evitar o pior cenário.

Enfim, vou ficando por aqui porque também não estou com saco para escrever. Então reproduzo algumas conclusões do Reinaldo Azevedo, ironizando a cara de pau do PT que até ontem negava que em 15 de março teria havido 1,8 milhões nas ruas e agora cita 2,4 milhões para dizer que as manifestações deste domingo tiveram uma fração da adesão. Vale salientar que a computação final na PM registrou em todo o Brasil algo em torno de 700 mil manifestantes que deixaram o lazer do domingo gratuitamente para prestar seu dever cívico de mostrar sua indignação nas ruas:

1) ainda que o número divulgado pelo PT — 240 mil — estivesse certo, isso colocaria os atos deste domingo entre as maiores manifestações do país;

2) comparar o berreiro na Internet com a população real, gente de carne e osso, que está efetivamente nas ruas, que dedica o dia de descanso ao protesto político, é sinal de desespero;

3) o protesto deste domingo deve ter reunido, deixem-me ver, umas 15 vezes mais pessoas do que o organizado pela CUT, pelo PT e por Lula no dia 7;

4) em São Paulo, só para se ter um ideia, os vermelhos mobilizaram 400 pessoas no dia 7; a turma do verde-e-amarelo, 275 mil (segundo a PM) ou 100 mil (segundo o Datafolha);

6) o PT, como se vê, pretende enfrentar a população real, de carne e osso, com a turma treinada no chamado “MAV”: Mobilização em Ambientes Virtuais, uma das maneiras empregadas pela legenda para aparelhar também a Internet.

Ao aderir a esse tipo de provocação, das mais tolas que há, o PT dá um estímulo e tanto a futuros protestos.

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