Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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A incrível coletânea de erros do PT (parte 2)

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E como se não bastasse a sequencia de lambanças do PT no campo político, tema do primeiro post desta série (ver aqui), no campo econômico, a lista não é menos extensa.  Vejamos….

 

Os 13 principais erros do PT na economia

E assim como nos erros políticos, na economia a lambanças do PT não são atos isolados e sim conseqüência de uma forma equivocada de ver o mundo que está na ideologia do partido. A lista dos 13 principais erros listados abaixo são apenas generalizações dos erros mais comuns. Poderíamos destrinchar cada um deles em centenas de episódios desastrosos a nossa economia, alguns dos quais só hoje estamos sentido suas consequências. Então vamos em frente.

1 – Aumento do intervencionismo estatal na economia
Não existe na história um único caso de nação que ficou rica pelos caminhos sugeridos pela esquerda, seja via socialismo, comunismo ou pelo aumento gradativo do papel do Estado na economia, a última cartada da esquerda depois do fracasso de todas as demais tentativas. Mesmo os países tidos hoje como modelo para os esquerdistas, estão em crise, percorrendo o caminho inverso ao que defendem por aqui. Ainda assim, eles não se cansam de tentar construir o tal “modelo alternativo” que, invariavelmente, termina em crise econômica e ebulição social. Por aqui não foi diferente. Depois do primeiro mandato de Lula, bem sucedido no campo econômico, continuando as políticas “neoliberais” que tanto criticava quando oposição, o PT resolveu dar uma guinada à esquerda no segundo mandato. E como sempre aconteceu em todas as guinadas deste tipo ao longo da história, no início tudo é festa. Os incentivos do governo a setores específicos da economia geram um crescimento artificialmente acelerado no início. Mas, aos poucos, as distorções começam a aparecer, como tão bem descreve a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, de modo que os ganhos de curto prazo são substituídos por graves conseqüências de longo prazo que roubam o potencial de crescimento do futuro e jogam os países que mergulham em tais experiências na combinação fatídica de estagflação – recessão com inflação, dois fenômenos que deveriam ser contraditórios, mas que o keynesianismo tornou  possível, conforme previu Hayek ainda nos anos 60. E nesta direção, a tendência de aumento do papel do Estado na economia se revela em várias diretrizes que se complementam, criando o leviatã que hoje se vê obrigado a cortar gastos e aumentar ainda mais a carga tributária para fazer frente à inércia de aumento do custo da máquina, promovida nos últimos anos. Este é o principal legado do PT na economia. 

2 – Aumento significativo de empréstimos do BNDES
Até 2006, a soma total dos empréstimos do BNDES a empresas era de pouco mais de R$ 30 bilhões. Hoje já caminha rapidamente para a casa dos R$ 600 bilhões, a maior parte via PAC! Apesar de aumento tão significativo, nosso percentual de investimento aumentou pouco mais de 10%, o que mostra a ineficiência do tão badalado “programa de aceleração do crescimento”. Por outro lado, os efeitos negativos de tal política revelam-se cada dia mais nocivos. São eles: 1) O aumento do custo dos subsídios a tais empréstimos, uma vez que o governo vende títulos a 13% e empresta a 6%.  Em valores absolutos, o Estado hoje fica com um prejuízo anual de mais de R$ 20 bilhões, valor superior ao gasto com o Bolsa Família. Isto sem contar com os R$ 30 bilhões que o governo foi obrigado a bancar no setor elétrico, fruto do populismo de Dilma; 2) Tal aumento de aporte de recursos a grandes empresas as tornam cada dia mais viciadas em empréstimos a juros subsidiados. Isto é o que chamamos de “capitalismo de estado”, onde as maiores empresas do país se carterizam para tirar mais recursos do Estado e, ao mesmo tempo, “socializam” eventuais riscos dos empreendimentos; 3) Aumento do risco de uma crise sistêmica, uma vez que os calotes cada dia mais freqüentes revertem-se em prejuízos ao Tesouro.

3 – Alteração do modelo de exploração do petróleo
Desde que a quebra do monopólio do petróleo no Brasil, em 1997, a nossa produção de Petróleo triplicou em dez anos. Portanto, foi este modelo que permitiu que o Brasil chegasse a auto-suficiência comemorada por Lula em 2007. Ao mudar para o regime de partilha, o governo colocou uma responsabilidade na Petrobrás muito maior que a empresa poderia suportar, de modo que, mesmo com alguns recuos do governo nesta direção (ao leiloar vários campos de petróleo, por exemplo, quando percebeu que a vaca estava indo pro brejo) nossa produção já não é mais suficiente para atender a demanda interna. De quebra, a Petrobrás tornou-se a empresa mais endividada do mundo (cerca de 150% do seu patrimônio) e o centro de um esquema de corrupção até então sem precedentes na história.

4 – Sucateamento do Pró-alcool
Até o oba-oba do Pré-sal, a experiência do etanol no Brasil já começava a se expandir por outros países. Nos EUA, por exemplo, a produção subsidiada de etanol a partir do milho levou o Brasil a fazer uma queixa na OMC pelas dificuldades impostas pelos EUA a exportação do nosso etanol bem mais barato. Dois anos depois, ganhamos a disputa, mas, ao invés de exportarmos etanol para os EUA, passamos a importar etanol à base de milho, bem mais caro. Por aqui, boa parte das usinas faliram, gerando desemprego e migração de trabalhadores para regiões metropolitanas já inchadas. Para evitar a falência das demais, o governo resolveu então aumentar cada vez mais o percentual de mistura do etanol com a gasolina, que já chega a incrível marca de 27%, o que traz mais prejuízos ao bolso do consumidor que tem que arcar com os problemas decorrentes nos motores projetados para a gasolina.

5 – Abandono dos projetos de bicombustíveis
Assim como o etanol, antes da fábula do Pré-sal o Brasil era referência mundial em diversos experimentos na produção de bicombustíveis. Hoje, não se fala mais no assunto.

6 – Política de “campeões nacionais”
Tentando criar grandes conglomerados nacionais, o governo endividou-se bastante para promover junções de grandes empresas. Anos depois, diante do fracasso total de todas as iniciativas, o governo teve que voltar atrás e abandonar oficialmente tal política. Como resultado, o pagador de impostos ficou com o mico de bilhões em empréstimos que nunca mais serão recuperados, a exemplo de Eike Batista, o empresário símbolo do governo Lula, que embolsou sozinho mais de R$ 10 bilhões via BNDES. Mais que um equívoco, tal política contradiz totalmente o discurso populista esquerdista que tenta a todo o custo criminalizar o lucro e a atividade empresarial, mas, ao mesmo tempo, incentiva a formação de monopólios e oligopólios, as principais fontes de financiamento da corrupção. E não por acaso, os escândalos não param de se multiplicar.

7 – A não redução da dívida pública no momento das vacas gordas
O governo do PT gosta de falar que reduziu a quase metade a dívida líquida. No entanto, o conceito que realmente importa, o endividamento bruto (afinal pagamos juros do total e não apenas da dívida líquida), hoje é ainda maior que os 60% deixados por FHC. Fazendo uma analogia com a administração de um lar, é como se o mantenedor da casa tivesse seu salário dobrado em poucos anos e, ao invés de reduzir o endividamento do cartão de crédito que a cada mês consome 40% do seu salário em juros e rolagem da dívida, preferiu fazer novas despesas. Passada a fase das vacas gordas, agora o nível de endividamento, tanto líquido quanto bruto voltou a crescer, de modo que pela contabilidade do FMI já estamos próximos dos 70% de dívida bruta. No caso da dívida externa, que Lula diz que pagou, hoje estamos na casa dos U$ 550 bilhões, segundo a contabilidade do governo, e U$ 750 bilhões, segundo a contabilidade do FMI, o que nos coloca na fatídica posição de terceira maior dívida externa mundial.

8 – Estímulo ao endividamento da população e das empresas
O setor recorde de crescimento no governo do PT foi o de crédito, justamente no momento em que o mundo já vivia a efervescência da bolha imobiliária norte-americana e da globalização chinesa. Quando veio a crise de 2008 o estímulo ao crédito passou a ser glorificado pelos petistas que acharam que tinham encontrado a fórmula do crescimento perpétuo. Passada a fase aguda da crise e já crescendo fortemente em 2010 (recuperando a demanda reprimida da recessão do ano anterior), o governo do PT resolveu prorrogar os estímulos a compra de veículos, de eletrodomésticos e do setor imobiliário para ajudar a eleger a “mãe do PAC”. Como resultado, o endividamento das famílias brasileiras saltou de 20% no final do governo FHC para 55% no governo Dilma. E tal endividamento não aumentou ainda mais porque o próprio consumidor brasileiro ficou mais cauteloso, ao contrário do governo que continuou inflando a demanda (e consequentemente a inflação) com programas populistas, como o Minha Casa Melhor, por exemplo, que recentemente teve que ser finalizado pelo ministro da Fazenda por absoluta falta de recursos para bancá-lo.

9 – A não criação da infra-estrutura correspondente aos estímulos artificiais
O governo do PT comemorou o crescimento de 7,5% no final do governo Lula como a “quebra de um tabu” que, segundo alguns economistas, o Brasil não poderia crescer acima dos 7%. Tal feito rendeu até uma peça publicitária do PT. Mas hoje ficou claro até para os economistas mais keynesianos que os liberais estavam corretos na advertência. Já no ano seguinte, mesmo com um crescimento já bem mais baixo, todos os problemas de infra-estrutura do país foram piorados, o que ficou claro nos cada vez maiores congestionamentos de ruas, estradas, portos, aeroportos e do sistema de geração de energia, aumentando ainda mais o famigerado “custo Brasil”, um problema que nos aflige há décadas e que deveria ter sido uma das prioridades do governo do PT, mas que passou incólume nos seus três mandatos. O governo, no entanto, preferiu investir na melhoria da infra-estrutura de outros países, através de “empréstimos secretos” bilionários.

10 – A contabilidade criativa
Desde o final do primeiro governo Lula, a equipe econômica do PT resolveu recorrer a artifícios contábeis para fazer parecer que as contas do governo estavam muito melhores do que a realidade. A contabilidade foi tão mascarada que pela primeira vez na história, uma equipe econômica de um governo teve que fazer relatórios paralelos para apresentar ao novo titular da pasta. Também não por acaso, os dois maiores responsáveis por tais manobras fiscais, Guido Mantega e Arno Augustin, foram recentemente convocados pelo Tribunal de Contas da União para explicar algumas pedaladas fiscais. Infelizmente, tal contabilidade criativa não se restringiu a economia, mas alterou também os critérios para definir as faixas de classes econômicas para turbinar os números fantasiosos divulgados pelo governo sobre a redução da pobreza. Ou seja, o PT quebrou todos os termômetros.

11 – O foco errado na educação
Seguindo a linha de resolver tudo com crédito fácil, o governo estimulou a criação de milhares de faculdades de fachada, criadas com o principal objetivo de capitalizar as verbas do FIES. A coisa ficou tão escandalosa que algumas faculdades estimulavam os alunos a obterem financiamentos ao invés de pagarem as mensalidades em dinheiro, pois assim reduziriam os riscos de inadimplência.  Aliás, este foi o único erro reconhecido publicamente por Dilma até aqui, como sempre demonizando a atividade empresarial, mas esquecendo de que o próprio Estado fomentou tal modalidade de corrupção.  E mesmo com um forte aumento percentual direcionado para a educação (às custas de outros setores essenciais como a saúde, por exemplo), nosso país não subiu uma mísera posição nos rankings mundiais sobre a educação. Pelo contrário, caímos da posição 116º para o 121º.

12 – O não aproveitamento do cenário mundial favorável para fazer as reformas estruturais que reduziriam o “custo Brasil”
Por ter uma população em pleno bônus demográfico (a fase única pela qual passam todos os países em desenvolvimento, quando o número de pessoas em idade economicamente ativa chega ao seu auge), o Brasil deveria estar crescendo pelo menos na média dos demais emergentes. Ao invés disso crescemos no governo Dilma a 1/3 da média dos emergentes e a metade da média mundial. Mas a situação não foi sempre tão ruim. Nos dois governos Lula, apesar de crescermos ainda abaixo da média dos emergentes, estivemos pelo menos na média do crescimento mundial, em um ambiente que melhorava a cada ano, uma oportunidade única para que o governo efetuasse pelo menos algumas das reformas estruturais deixadas pela agenda de FHC, as quais Lula tinha se comprometido em continuá-las desde seu primeiro discurso de posse. Tais reformas não apenas reduziriam o chamado “custo Brasil”, como tornariam nosso crescimento sustentável em longo prazo. Ao invés disso, Lula preferiu executar a agenda populista, gastando todas as nossas fichas para fabricar um crescimento artificial baseado em crédito, roubando assim o potencial de crescimento dos anos seguintes, como agora fica claro no governo Dilma.

13 – A “Nova Matriz Econômica”
O governo não fala mais na tal Nova Matriz Econômica, mas até bem pouco tempo era apresentada para a sociedade com um novo “salto” do PT, agora na condução da política econômica, a última herança de FHC que o PT lutava para se desvencilhar. Sobre este tema vamos falar um pouco mais no próximo e último post desta série, pois esta é uma das principais lambanças do governo Dilma.

 

Até a próxima semana!

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