Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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O PT conseguiu dividir nosso país

brasil_rachadoUma das marcas mais visíveis da reeleição da Dilma foi, sem dúvida, a divisão ainda maior do nosso país. E não foi por falta de aviso. Há muito tempo vários colunistas alertam sobre o que está acontecendo agora. O crescente acirramento é mais um sério indício de que estamos sim caminhando no rumo do bolivarianismo, inclusive com eleições decididas com diferenças mínimas e suspeitas de fraude, algo comum ao eixo bolivariano.

Tal divisão não acontece por acaso. Ela é também uma das mais manjadas estratégias da esquerda autoritára para se perpetuar no poder. É a tática de dividir para conquistar. Para tornarem seus discursos mais convincentes às classes mais baixas, os esquerdistas recorrem frequentemente à narrativas maniqueístas para salientar diferenças que levem as pessoas a optarem entre o time dos “ricos” ou dos “pobres”. A peça publicitária do PT que mostrava os banqueiros supostamente aliados a Marina (e posteriormente ao Aécio) tramando a retirada da comida da mesa dos pobres é apenas um dos exemplos desta estratégia maniqueísta e desonesta. Claro que os ricos serão sempre a minoria. Logo, quanto mais acirradas as diferenças da falsa dicotomia alimentada pela esquerda, maior seu potencial de votos.

Para cada ação, uma reação. É óbvio que parte da população percebe o maniqueísmo de tal discurso e reage a ele. As primeiras reações começaram anos atrás, quando o maior responsável por este acirramento, Lula, resolveu divulgar sua “tese” de que o mensalão nunca existiu e que foi tudo invenção de uma tal “imprensa golpista”!

O problema é que tal reação muitas vezes vem acompanhada de demonstrações explícitas de ódio, afinal o cinismo do discurso petista fica cada ano mais descarado. E aqui entra em ação outra estratégia da esquerda: a tática de se fazer de vítima, afinal o ódio reforça ainda mais o estereótipo do “rico explorador” alimentado pela esquerda. Os episódios das vaias na copa e da suposta agressão do Aécio a presidente no debate do SBT, por exemplo, são apenas alguns exemplos desta estratégia canalha.  E aí os petistas invertem a narrativa, apontando os anti-petistas como os fomentadores do ódio, da mesma forma que Lula tentou imputar a culpa do seu partido no Mensalão para a imprensa, colocando em prática a dica de Lenin de acusar a oposição de fazer o que você faz.

Infelizmente a tática petista funcionou mais uma vez. A mentira venceu, mesmo com um país em recessão, com as contas desajustadas e mergulhado em um mar de corrupção. Acontece que não basta vencer as eleições. É preciso governar. E agora é que a porca torce o rabo. A presidente não tem mais margem de manobra para recorrer a mais artificialismo na economia.  Ou ela recorre a uma política econômica mais responsável, mais austera, mais próxima ao que ela demonizou durante a campanha ou o país quebra de verdade.

E apesar dos sinais dados pelo governo de que está disposto a mudar, o acirramento continua nas redes sociais. E mais uma vez os fatos relevantes vão para segundo plano, enquanto que picuinhas tornam-se o centro das atenções e das tensões. Os fatos relevantes aos quais me refiro são os econômicos, uma vez que tudo depende da economia. Será que alguém viu algum debate na rede sobre o rombo recorde nas contas do governo divulgado nos últimos dias, quando superamos o catastrófico governo Collor? Muito pouco. Tais assuntos ficam restritos a uma minoria. A grande massa está mais interessada em reafirmar um nacionalismo ou um regionalismo idiota. Nordestinos mostrando seu orgulho zombando de paulistas que sofrem com a seca, paulistas indignados pedindo a separação do Brasil e uma infinidade de memes que só acirram ainda mais os ânimos.

Mais que uma divisão regional, nosso país está rachado entre os apoiadores incondicionais do PT e aqueles que não aguentam mais tanto cinismo do PT. Acontece que ambos os grupos existem em todo o Brasil. O que muda é a proporção de ambos os grupos.

Deixando o politicamente correto de lado, o fato concreto é que onde há mais pobreza e mais programas de transferência de renda, o PT é mais forte; enquanto que nas regiões mais ricas e independentes o PT é mais fraco. E vejam só que ironia: o PT que tanto criticou o voto de cabresto, agora repete mais esta mazela do velho coronelismo.

Claro que há uma desproporcionalidade de votos do PT no nordeste em comparação às demais regiões. E numa disputa acirrada decidida por uma margem tão pequena de votos, claro que o nordeste foi decisivo; claro que o Bolsa Família foi decisivo; claro que o terrorismo eleitoral do PT foi decisivo; claro que as mentiras do PT no guia eleitoral e nos debates foram decisivas; claro que a redução pela metade das prestações do Minha Casa Minha Vida desde maio foi decisiva (ver aqui)…

Enfim, o governo usou e abusou da máquina pública para ganhar as eleições. Fez pronunciamentos claramente eleitoreiros, usou os Correios, a Petrobrás, os bancos públicos e toda a militância paga e ligada aos milhares de cargos comissionados espalhados por todo o Brasil.

Portanto, os paulistas, os paranaenses, os catarinenses e brasileiros de vários outros estados que deram expressivas vitórias à oposição têm motivos sim para estarem indignados. Não foi uma disputa justa. Foi uma disputa viciada por um partido que não admite a alternância de poder e que demostra em cada ação que está disposto a qualquer coisa para ganhar as eleições.  Aliás, como foi dito publicamente tanto por Dilma quanto por Lula, vale lembrar.

Somado a tudo isso existe a desconfiança cada dia maior de fraude nas urnas eletrônicas. De todo o Brasil aparecem relatos de casos os mais diversos possíveis que colocam sob suspeita o processo eleitoral brasileiro.

Portanto, esta é a questão central de toda a revolta: a sensação de que o resultado da eleição não correspondeu ao desejo de mudança da população. O PSDB perdeu as eleições de 2010 em condições semelhantes, mas não houve toda esta revolta. O que mudou nestes quatro anos?

Mais pessoas em todo o Brasil perceberam o projeto autoritário do PT. Ficamos mais parecidos com os chamados bolivarianos. Tanto economicamente, quanto politicamente.  Economicamente, aumentou o intervencionismo do governo na economia. E o resultado? O Brasil passou a dividir a rabeira do crescimento na região juntamente com os dois países que mais “avançaram” no bolivarianismo: Venezuela e Argentina. Politicamente, o PT deu mais alguns indicativos do seu viés autoritário, tanto pelas vias legais (ao propor alterações na legislação na mesma linha seguida pelos bolivarianos) quanto pelo discurso mentiroso e manipulador que ficou ainda mais evidente nesta campanha.

O que pode acontecer daqui por diante?

Bom, para a sorte do Brasil, a Venezuela e a Argentina já estão muito mais avançadas neste processo e servem de alerta para nós. Se o PT insistir em “avançar” ainda mais nos rumos bolivarianos, o acirramento tende a aumentar, abrindo espaço inclusive para alguma aventura militar e/ou para movimentos separatistas. Observem que há alguns anos o que está acontecendo agora seria muito pouco provável: militares de alta patente manifestando-se publicamente (ver aqui), pessoas nas ruas e nas redes sociais cobrando uma intervenção militar ou falando abertamente em dividir o Brasil…

Claro que tais extremismos são ainda pouco expressivos no conjunto da população, mas é bom ficarmos atentos, pois as perspectivas da economia para os próximos anos não são nada animadoras, o que pode servir de combustível para aumentar ainda mais os partidários de tais extremismos.

Embora muita gente bem informada não perceba ou não aceite a tese de que estamos caminhando na trilha do bolivarianismo, o fato concreto é que boa parte da nossa população está convicta disso e está disposta a atitudes radicais para evitar que isso aconteça.

Portanto, insistir em pautas como a aprovação do tal decreto 8342, a chamada “regulamentação” da mídia ou a desmilitarização da polícia, por exemplo, o governo está escolhendo o caminho da radicalização e da divisão do país.

Ora, por que será que o governo tem tanto interesse em tais pautas? Será que elas são mais importantes que tantas outras pautas mais urgentes para destravar nossa economia, como, por exemplo, as reformas estruturais que já poderiam ter reduzido o famigerado “custo Brasil”? Ou, como acusam os “radicais de direita”, a pressa do governo em aprovar tais pautas políticas seria mais um indicativo da consolidação do projeto bolivariano no nosso país?

Vejamos. O PT tem provado a cada eleição que seu projeto de poder está acima dos interesses do país. Se não fosse assim, não teria se atirado de forma tão irresponsável, mentirosa e cínica na última campanha. Se os petistas pensassem mais no Brasil, poderiam ter passado o bastão para a Marina, sem precisar baixar o nível da campanha. O PSDB continuaria na fila e o PT poderia voltar em 2018 honestamente.

O que pesava contra Marina? O apoio dos banqueiros? Ora, todo mundo sabe que foi no governo do PT que os bancos mais lucraram; que o PT foi o partido que mais recebeu doações de campanha de bancos;  que o PT já colocou um banqueiro (Meirelles) para presidir o Banco Central; e mais recentemente convidou o presidente do Bradesco para o Ministério da Fazenda. Portanto, mais uma mentira do PT desmentida pelos fatos. Esta, portanto, não foi a causa da “desconfiança” do PT em relação a Marina.

Teria sido então o medo de que a Marina não conseguisse governar por não ter uma base de apoio mínima? Também não, pois se este fosse o motivo o PT poderia usar sua base de apoio atual para ajudá-la a governar. Aliás, certamente a Marina iria contar com o apoio do PSDB também uma vez que o partido ajudou o PT em várias votações importantes, vale lembrar. Ou seja, poderíamos então ter uma situação inédita, onde PT e PSDB poderiam finalmente votar pelo mérito dos projetos e não por boicote à situação. Infelizmente, um sonho para os cidadãos de bem que não se concretizou única e exclusivamente por culpa do PT.

Portanto, esta mais que provado que acima dos interesses do país estão os interesses de perpetuação no poder do PT. E é este objetivo espúrio que tem jogado nosso país neste clima de guerra que a cada dia fica mais acirrado e que pode acabar muito mal.

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12 Responses to O PT conseguiu dividir nosso país

  1. Kleber Cerqueira says:

    Ótimo artigo, Almilton. Agora só nos resta torcer para que o congresso (Ai, meu deus…) segure a sanha de poder do PT.

    • Amilton Aquino says:

      Vi sim, Luz. É o que temos denunciado aqui há bastante tempo. Caiu a máscara. Agora é na cara dura mesmo.

  2. André Luiz says:

    Li agora na coluna do Reinaldo Azevedo que o TSE aprovaou a Auditoria das eleições requerido pelo PSDB. Felizmente! Manifestação de independência do Poder Judiciário. Mesmo que não altere o resultado é algo positivo para as instituições. Que o Poder Legislativo siga o exemplo, e inicie um processo de impeachment se comprovar que Dilma sabia do esquema da Petrobrás, o que eu acredito que ela sabia sim. Apesar de eu estar bastante cético que isso vá ocorrer, até mesmo porque dependeria de forte moblização popular, reprovação integral, e o PT tem a metade do país a seu favor.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/vence-a-voz-dos-decentes-e-tse-autoriza-auditoria-mas-prefere-chamar-o-procedimento-de-rosa-ou-golpista-uma-ova/

    • Amilton Aquino says:

      O TSE não tinha outra alternativa. No entanto, jogou toda a responsabilidade, inclusive os custos, para o PSDB. É um passo importante. Precisamos tirar qualquer dúvida sobre o processo eleitoral, caso contrário este clima de incerteza vai deixar nossa democracia sob suspeita.

  3. Pedro Mundim says:

    O país está dividido entre os petistas de carteirinha e aqueles que se enojaram do PT, mas por enquanto, tanto o primeiro quanto o segundo grupo são minorias: entre os dois está uma massa de eleitores bovinos, lenientes, de pouca instrução, que vota no PT não por razões ideológicas, mas porque melhorou de vida nesses últimos 12 anos. Com esse pessoal de nada adianta denunciar os malfeitos do PT, pois conforme é sabido, enquanto estão satisfeitos com o governo, pouco ligam para corrupção. Não é nada de novo na política nacional: essa característica do eleitor brasileiro vem desde os tempos de Adhemar de Barros, aquele do rouba-mas-faz. Enquanto o PT fizer, pode roubar à vontade. O problema é que, com a economia em queda e todos os cartuchos já queimados, o país estará rapidamente passando da era do rouba-mas-faz para a era do rouba-e-não-faz. Aí sim o PT vai sentir a cólera do povão. Pois uma característica comum do indivíduo venal é a de ser também mal agradecido.

    O horizonte ainda está bem escuro, a única certeza que há é aquela mesma que já sabíamos antes da eleição: quem assumir o governo agora vai se queimar. Os aumentos já estão espoucando feito rolhas de champagne de um reveillon antecipado, e o Aécio deve estar se felicitando por haver perdido a eleição. A bomba vai estourar no colo de Dilma, mas ela foi colocada no poder para isso mesmo (Lula nem pensou em se candidatar). O que teremos agora? Ou o PT parte logo para a ditadura, ou a própria DIlma tomará as invitáveis medidas amargas, e agindo assim se ofertará em holocausto.para volta triunfal de Lula em 2018 como salvador da pátria. Quem viver verá.

  4. Renan says:

    Amilton, é interessante observar também que falam muito que o Aécio perdeu em Minas Gerais, mas na capital Belo Horizonte ele fez 64% e a Dilma 35%. Diferença interessante não acha?

    http://oglobo.globo.com/brasil/eleicoes-2014/apuracao-votos-2-turno/

    • Amilton Aquino says:

      Não só em BH, Renan, mas em outras grandes cidades de MG, onde o Bolsa Família não tem tanto peso.

  5. AlexBP says:

    Parabéns pelo blog. Pouco antes do 2o. turno encontrei aqui explicações claras sobre o processo do Brasil desde FHC, e passei a divulgar para ajudar amigos a entenderem as mentiras do PT e no que esse partido se tornou. E, pelo jeito, tem que ser assim: lento e gradual.

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado, Alex. Só com muita informação poderemos reverter o processo bolivariano em curso. Abraço!