Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Um país imune à escândalos

Petrobras-Lula-Maos-sujasE a história se repete. Mais um fim de semana com um novo escândalo de grandes proporções envolvendo o governo do PT. Em outras épocas, as revelações do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que atingem mais de cinquenta políticos da base do governo do PT, provocaria, no mínimo, uma grande repercussão, o desencanto de boa parte dos seus apoiadores (eu fui um dos eleitores do PT que se desencantaram na época do Mensalão) ou até pedidos de impeachment, como aconteceu em 2004.

Só para lembrar, Collor caiu por uma acusação de caixa dois que hoje corresponderia a apenas uma fração do que o governo Dilma gasta “legalmente” via cartão corporativo, gastos estes que não podem ser revelados por causa de uma legislação específica que permite que os pagamentos não sejam públicos com a desculpa de “garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

Pois é, posso até me surpreender desta vez já que o delator avisou que se abrisse o bico não haveria eleição. Mas até aqui a experiência nos mostra que os constantes escândalos do PT anestesiaram nossa sociedade. De tão comuns já não escandalizam, principalmente seus fiés eleitores. Vejamos:

Há quatro semanas foi a contadora do doleiro Youssef que abriu o bico e nada aconteceu. Na semana seguinte, o escândalo da farsa da CPI da Petrobrás, cujas perguntas e respostas eram ensaiadas antes das sessões de mentirinha. E nada aconteceu. Na semana passada, a PF comprovou uma das denúncias de Marcos Valério que provam o pagamento de R$ 6 milhões a um empresário que chantageava Lula com o caso Celso Daniel, caso este que deixou um saldo de oito mortes (repito OITO MORTES) no esquema de caixa dois que levou o PT ao poder em 2002 (ver aqui). Quantas pessoas ficaram sabendo deste caso?

Ora, se um caso que envolveu oito mortes não causou nenhuma grande repercussão, por que será que mais uma denúncia de corrupção na Petrobrás poderá suspender as eleições?

Quando Tuma Júnior publicou seu livro “Assassinato de Reputações” onde trazia graves acusações ao governo do PT, entre as quais a “queima de arquivos” do caso Celso Daniel, até tive alguma esperança de que algo fosse acontecer, afinal o autor do livro tinha sido o delegado que esteve à frente das investigações na época dos assassinatos. Não era um zé ninguém qualquer para fazer acusações tão graves e sair ileso sem nenhum processo.

Pois bem.  Até hoje Tuma Júnior nem sequer foi processado pelo PT, o mínimo que se esperava diante de acusações tão sérias. Gilberto Carvalho chegou a afirmar pela imprensa que iria processá-lo mas até hoje não o fez. Por que? Porque sabe que se este caso voltar à tona muita coisa que estava escondida vai aparecer.  A família do Celso Daniel acusa o PT, o delegado que apurou o caso acusa o PT, a filha de um dos empresários extorquidos pelo esquema de arrecadação ilegal para a eleição do PT acusou Gilberto Carvalho cara a cara no Congresso (ver aqui)  e nem sequer foi processada. Por que?

Daí o meu pessimismo com mais este caso.  Se nem casos de assassinatos de “companheiros” já não são suficientes para escandalizar os eleitores, o que dizer de mais um caso de corrupção na Petrobrás?

O fato é que o PT conseguiu uma polarização tal da nossa sociedade que seus seguidores já se consideram “vacinados” contra qualquer nova denúncia. Como o explicar tal fascínio?

Não é só um caso envolvendo Lula em que ele silencia. Todo mundo conhece seu temperamento. Nunca foi de escutar acusações sem revidar e agora virou rotina sumir do mapa. Ninguém viu, não fala nada…

No entanto, sua tropa de choque está sempre pronta para tergiversar, para desqualificar as acusações e, de quebra, o portador da notícia. Chegaram ao cúmulo de questionar a veracidade das imagens publicadas pela revista Veja que provam o esquema de blindagem dos acusados na CPI da Petrobrás, mesmo depois de um dos acusados praticamente admitir tudo que foi publicado, tentando apenas amenizar a gravidade do fato, dizendo que era seu papel “assessorar” seus chefes!

Ou seja, chegamos a incrível situação onde as imagens com áudio já não são mais suficientes para provar nada, chegamos a incrível situação onde um partido é acusado de matar pessoas para chegar ao poder e nada acontece (ver aqui).

Por outro lado, vemos cada vez mais o PT processar pessoas por questões descabidas. Ontem mesmo tivemos mais um caso. O Banco Central abriu uma queixa crime contra o economista Alexandre Schwartsman pelo incrível crime de criticar a intervenção do governo no Bancen!!!  (ver aqui ).

Sim, chegamos a este ponto. Depois da demissão da economista do Santander por ordem de Lula em pleno comício, ordem esta acatada imediatamente pelo diretor do banco que estava presente no comício (ver aqui) , agora chegamos a incrível situação de sermos processados por criticar a fracassada política econômica do governo!

E quando alguém chama a atenção para o fato de que estamos caminhando na direção da Venezuela, ainda tem gente que acha que é exagero e mania de conspiração. Claro que o Brasil não é a Venezuela e certamente os militares entrariam em ação se o PT tentasse colocar em prática aqui alguns absurdos implementados lá, mas os passos que demos na mesma direção são claros. As pessoas não lembram, mas desde o primeiro mandato de Lula, o PT tenta controlar o Congresso, a Justiça, o Ministério Público e a imprensa. O decreto bolivariano de Dilma que cria os tais Conselhos Populares às vésperas das eleições, assim como o plebiscito de nova Constituinte são apenas os mais recentes capítulos nas recorrentes tentativas do PT de controle total, utilizando para isso a manipulação dos “movimentos sociais”, todos controlados por partidos de esquerda, vale lembrar.

Enfim, para quem acompanha as entrelinhas das ações do PT nenhuma novidade. O que a maioria da população não percebe é que existe todo um arcabouço teórico por trás disso tudo, nesta incrível situação de inversão total de valores e de total anestesia diante de tantos escândalos.

E como sempre acontece, na teoria as intenções são sempre as melhores possíveis! Para conseguir o nobre objetivo de construir “uma sociedade mais justa” vale tudo, inclusive matar. Para quem conhece a doutrina de Antônio Gramsci de um ângulo diferente do ponto de vista predominantemente marxista das nossas universidades reconhece no Brasil de hoje muito do que ele teorizou há mais de 70 anos.

Para quem ainda não sabe, Gramsci é o segundo mais importante teórico marxista depois do próprio Marx e uma das principais referências teóricas do PT.  Ele é ainda mais perigoso que Marx porque pregou uma revolução silenciosa, dissimulada, gradativa, ancorada na conquista da hegemonia da opinião pública, que daria legitimidade aos atos autoritários do partido que aplicaria suas teorias. Segundo ele, os interesses do partido estão acima dos interesses do Estado e para conquistar a tal hegemonia da opinião pública vale tudo, pois uma vez conquistado o poder pela via democrática, este deverá ser mantido a todo custo.

A tal revolução silenciosa, portanto, teria que ser permanente, pois Gramsci, ao contrário de Marx, não propunha a socialização dos meios de produção como um objetivo final, pois já tinha chegado à conclusão de que tal alternativa fracassaria, como de fato fracassou em todas as experiências socialistas.

Na nova estratégia marxista-granscista de revolução permanente, o poder passa a ser um fim em si mesmo porque é a partir dele que o “novo príncipe” (o partido hegemônico) mantém o sistema econômico sob uma coleira política. Para isto, ele pregava instigar a opinião pública contra um inimigo comum (interno e/ou externo), pois ao forçar as pessoas a se alinharem a um dos lados, ao mesmo tempo em que mantém sob policiamento ideológico quem discorda da sua doutrina, torna também imune o partido dominante de qualquer acusação, pois neste caso ele advogava rotular de “conspiração” qualquer tentativa de esclarecimento da opinião pública sobre as táticas de manipulação implementadas.

E então, alguém tem alguma dúvida de que isto está acontecendo no Brasil?

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4 Responses to Um país imune à escândalos

  1. Luciano A. says:

    Bom texto, mas acho que você se engana sobre isso:

    “Claro que o Brasil não é a Venezuela e certamente os militares entrariam em ação se o PT tentasse colocar em prática aqui alguns absurdos implementados lá,”

    Não há nada que impeça de seguirmos a trilha bolivariana:
    Brasil -> Argentina -> Venezuela -> Cuba.

    • Amilton Aquino says:

      Olha, amigo, estou vendo tanta coisa absurda nestes dias que já estou começando a reconsiderar este ponto. Infelizmente.

  2. Felipe Pires says:

    O que mais me impressiona nos seguidores do PT, é que eles acreditam ingenuamente que todos os escândalos de corrupção do PT são maquinações da mídia. E o interessante é que outros escândalos contra partidos de oposição, são verdadeiros, porque foi o PT que investigou e mostrou a corrupção.

    Não há nada de racional nisto, é puramente emocional, estão presos a um mundo virtual petista.

    Sem contar que muitos se vendem por terem recebido algo do governo, um bolsa família, bolsa Prouni, entre tantos outros programas.

    É claro que muita gente conseguiu melhores condições por contas destes programas, mas não podemos tapar os olhos a todos os escândalos.

    As pessoas se vendem por poucos e acreditam em todos os números que o PT apresenta, desemprego baixo, onde? 50 milhões atendidos pelos mais médicos, como chegaram neste número? Investimentos, em que lugar?

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, Felipe. Estão mais para torcedores de futebol do que para eleitores de fato. Esta é uma estratégia da esquerda. Procura sempre acirrar o antagonismo, pois quando a coisa descamba para a “emoção”, a racionalidade vai para o décimo plano. E assim eles conseguem continuar na escalada irracional que tem arrazado todos os países em que tentaram implantar o tal socialismo.