Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Por que muita gente honesta ainda admira Lula?

lulaA palavra “ética” vem do grego “ethikos”, que significava “portador de caráter”. Para os gregos antigos a ética significava a busca pelo melhor modo de viver e conviver. Em outras palavras, significa que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós.

Dito isto, te pergunto como você se sentiria se um de seus mais próximos amigos afirmasse publicamente que você nunca foi gente de sua confiança?

Pois é. Este é apenas um dos muitos exemplos de falta de ética explícita de Lula, documentados com áudio e imagem para todo mundo ver (ver aqui). São inúmeros os episódios ao longo de sua trajetória política. Mentir, caluniar, zombar, pousar de vitima, colocar-se acima do bem e do mal são apenas algumas de suas práticas mais comuns.

Boa parte da nossa população já percebeu tais padrões repetitivos no discurso de Lula. No entanto, muita gente honesta ainda continua admirando-o, alguns de maneira quase religiosa, a ponto de acreditarem que “Lula é uma dessas pessoas enviadas por Deus ao mundo para fazer avançar a humanidade”! Sério. Já ouvi isso de pessoas ditas espiritualizadas. Como explicar tamanha fascinação coletiva em meio a tantas provas de falta de ética?

Bom, a primeira conclusão é a constatação de duas grandes virtudes do Lula: a inteligência acima da média e uma grande capacidade de negociação. De fato o cara é muito esperto. Tem uma habilidade incrível para moldar seu discurso à plateia, ao ponto de ser ovacionado pelo MST de manhã e, poucas horas depois, por uma plateia de grandes empresários. E tudo isso utilizando o mesmo linguajar rasteiro, cometendo incríveis erros de concordância, trocando fonemas e contando as mesmas piadas que o ajudaram a criar o personagem Lula. Sim, ele não passa de um personagem. É impossível que alguém com tamanha inteligência, que por mais de duas décadas alimentou a ambição de chegar à presidência da república, com todo o tempo do mundo disponível e dinheiro, chegar à velhice sem ao menos falar sua língua natal com um mínimo de correção. Inglês então, nem pensar.

E por que Lula nunca se esforçou para melhorar sua educação? Simples: porque isto destruiria o seu personagem. E é este personagem que fala “a língua do povo” que o ajudou a construir o mito Lula. O personagem que se orgulha de não ter estudado e ter chegado aonde chegou.

Uma de suas primeiras providências ao perceber o poder de seu personagem foi incorporar em seu nome o apelido “Lula”. E neste processo de construção do personagem, a mídia, hoje tão hostilizada por ele, teve um papel fundamental. Não só a imprensa, como também toda a classe acadêmica e artística. Quem não lembra do refrão da música dos Paralamas do Sucesso “Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou. São trezentos picaretas com anel de doutor”? Quem não lembra da multidão de atores globais cantando “Lula lá”? Quem não lembra dos comentários de Franklin Martins e tantos outros jornalistas hoje vestem a camisa do PT preparando o terreno para os esquerdistas do poder de hoje?

E aqui fica muito evidente outra característica marcante de Lula: a autopromoção. Tudo que ele fala, tudo que ele faz, cada gesto, cada palavra tem sempre como objetivo principal o cultivo da adoração ao seu personagem. Nesta construção o “nunca dantes na história defte paíz” teve um papel fundamental. Quantas mentiras usando este bordão foram repetidas exaustivamente até por pessoas bem informadas?

Ora, basta uma rápida olhada nos livros de história para ver o salto material que a humanidade deu nos últimos 200 anos impulsionada pelo capitalismo. Ou seja, qualquer coisa que você queira comparar com o passado, a tendência é que hoje exista como “nunca antes na história do mundo”. E é aí que Lula aproveita-se do capitalismo criticado por seu partido para atribuir a si todos os méritos possíveis e, de quebra, diminuir os méritos dos demais governantes dos restantes “500 anos de história do Brasil”, sendo que os conceitos de esquerda e direita existem há pouco mais de dois séculos.

Quando ele bate no peito e diz que criou 30 milhões de empregos, por exemplo, na verdade ele está atribuindo a si 99% dos empregos gerados pela economia privada, setor que os governos mais atrapalham do que ajudam. O mesmo vale para os 40 milhões que ele diz ter tirado de baixo da linha da pobreza. O que ele fez para conseguir tal façanha? A unificação de programas criados por seu antecessor? Estímulos ao crédito? Incentivos fiscais a setores específicos da economia?

Sim. O governo do PT fez isso, mas nada muito diferente que outros governos já fizeram. A questão que fica, portanto, é até que ponto tais medidas contribuíram para a tão propalada redução da pobreza e para a geração de empregos?

Nenhum economista pode responder esta pergunta com precisão. Mas me atrevo a dizer que não dever ser nada muito significativo. E mesmo se fosse, ainda assim teria um preço, afinal o que a história nos mostra é que sempre que a política se sobrepõe a economia, o resultado são distorções ainda maiores que vão aparecer mais a frente (e já estão aparecendo). Porém, um dado concreto é que quando observamos outros países com economias parecidas com a do Brasil, percebemos claramente que o progresso da década passada não foi um fenômeno exclusivamente brasileiro. Se hoje os produtos de exportação brasileiros (minérios e alimentos) estão com seus preços valorizados no mercado internacional é justamente porque milhões de pessoas em todo o mundo acenderam socialmente e passaram a comer mais e melhor.

Portanto, não foi Lula que mudou o Brasil. O mundo é que puxou o Brasil. E mesmo com a “grande inovação” de estímulos ao crédito do governo do PT nossa economia só conseguiu crescer na média mundial e bem abaixo da média dos emergentes, com o efeito colateral de elevar o nível de endividamento das famílias brasileiras de 20%, em 2002, para 54%, em 2013, uma das razões do baixo crescimento atual, responsável por nos colocar muito abaixo da média mundial no governo Dilma.

E então finalmente Lula descobriu a influência do contexto internacional para explicar o fiasco do nosso PIB. Nas comparações descontextualizadas com o governo FHC, o contexto internacional sempre foi escondido para baixo do tapete, vale lembrar. Agora ele é o culpado, mesmo que os EUA já esteja crescendo mais que o Brasil, assim como a Europa que já começou a se recuperar em 2013.

Tais comparações desonestas usadas e abusadas por Lula aonde quer que vá trazem consigo sempre o objetivo perverso de desconstruir seu principal adversário, o PSDB, o partido que é reconhecido pela maioria dos economistas como responsável pelas poucas reformas que possibilitaram que o Brasil fosse indicado aos investidores internacionais como um dos quatro BRICs, ainda em 2002. Ou seja, um país com um grande potencial de crescimento, com uma macroeconomia bem definida e pronto para se tornar um nova superpotência do século XXI. Ou seja, Lula foi o primeiro presidente desde os anos 80 a assumir a presidência sem ter como principal desafio derrotar “o dragão da inflação”. Mesmo assim, não deu seguimento as reformas estruturais agendadas por FHC e, consequentemente, não conseguiu reduzir um centavo do famigerado “custo Brasil”.

Um terceiro objetivo das falas de Lula é o acirramento político. Ele está sempre cultivando a divisão da sociedade entre seus defensores incondicionais e seus fatídicos adversários, pintados sempre como “conspiradores” e “golpistas”. Ao vender a tese furada de que é vítima de uma suposta “mídia golpista”, Lula faz seus eleitores se sentirem parte de um grande exército na luta do bem (ele próprio, “o defensor dos pobres”) contra o mal (o PSDB, o representante dos ricos). E é justamente neste terceiro objetivo que ele consegue manter cativa a maior parte do seu eleitorado, afinal o acirramento político transforma o debate em uma disputa de torcedores de futebol, ao mesmo tempo em que diminui o racionalismo, algo que lhe interessa, uma vez que nos últimos anos os petistas têm sido surrados nos debates espalhados pela Internet.

Para a verdade não vir à tona no debate, a primeira estratégia do lulismo é sempre desqualificar o seu oponente. Não importa o conteúdo que está sendo apresentado. Se um petista encontrar alguma coisa que coloque em xeque a honra do seu adversário, a “vitória” no debate está assegurada! Daí as várias tentativas de retaliação com dossiês comprovadamente forjados. E Lula, como sempre, nunca sabe de nada.

Na pior das hipóteses, Lula aposta na percepção de que o eleitor veja que, diante da impossibilidade de provar sua inocência, que seus adversários são ainda piores. E infelizmente é esta a crença que parece predominar entre as pessoas de bem que ainda apoiam Lula e o PT. É esta crença também a responsável por tornar as pessoas mais tolerantes com seus comprovados casos lamentáveis de falta de ética explícita, os quais de tão corriqueiros nem sequer chocam mais.

Uma quarta estratégia de Lula é um pouco mais sutil: dar uma no cravo e outra na ferradura. Ou seja, ele faz uma afirmação em uma direção e, mais adiante, na direção contrária. Assim, aconteça o que acontecer, ele vai estar sempre “certo”. Por exemplo: primeiro Lula afirma que não existe divergências entre ele e Dilma. Mas, logo em seguida, ele completa: “se houver, ela é quem está com a razão”. Em outras palavras, ele mais uma vez joga toda a responsabilidade para Dilma sobre os erros que ficam cada dia mais evidentes na gestão do PT (inclusive na sua) e ainda pousa de “cavalheiro” por supostamente apoiar as decisões mesmo que equivocadas da dama Dilma.

Aliás, nos últimos dias ele começou a dar umas cutucadas na Dilma, o que reacendeu ainda mais o coro dos seus devotos por sua volta. Na semana passada, ele chegou a dar um puxão de orelhas no secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, aconselhando-o (e por extensão toda a equipe econômica de Dilma) a “soltar mais o crédito”. Ou seja, ele continua achando que a expansão do crédito sem limites é solução para tudo (ver aqui). Não importa se o povão vai comprometer 50% ou 100% de suas rendas com dívidas durante anos, roubando assim o potencial de crescimento do futuro, como já acontece hoje, fruto da expansão desenfreada do seu governo. E o mais irônico disso tudo é que pouco antes Lula tinha admitido que a inflação está alta. Ou seja, ele propõe justamente colocar ainda mais lenha na fogueira com mais crédito. Sabe tudo de economia! O secretário criticado, presente no momento do puxão de orelhas, teve que ficar caladinho e ainda aplaudir, pois Lula está acima de tudo e não pode ser confrontado, mesmo dizendo as maiores asneiras.

Enfim, existem ainda muitos outros padrões mais sutis nas falas de Lula, mas vamos ficar nestes mais visíveis. De modo que só encontro duas hipóteses que explicam hoje alguém ainda  defender Lula e por extensão o PT:

1) A pessoa não tem consciência sobre os “maus feitos” de Lula (afinal a “mídia golpista” não repercute como deveria seus desvios éticos) e acredita piamente que o progresso mais rápido verificado na última década foi resultante da “capacidade administrativa” de Lula;

2) A pessoa tem consciência dos desvios de caráter de Lula, mas procurar relevá-los, pois foi convencida pelo marketing do PT que seus adversários são ainda piores.

Para ambos os casos o único remédio é informação.

Para saber mais sobre alguns mitos sobre Lula, sugiro o artigo “Os três maiores mitos do PT“.

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19 Responses to Por que muita gente honesta ainda admira Lula?

  1. Kauan Ramalho says:

    Cade os petistas?

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, Kauan. No auge do lulismo, em 2010, em meio aquela megalomania patológica, choviam petistas por aqui, sempre com aqueles argumentos pra lá de convincentes, principalmente o ad hominem. Parece que o PT vai ter que aumentar o cachê da militância paga, porque os não pagos estão minguando. Amém!

  2. Kleber Cerqueira says:

    Olá, Amilton.. Tenho esperanças de que o PT vai ser apeado do poder em outubro. Tenho visto muita gente boa e ex-simpatizante do PT, bastante decepcionada. Integrantes da classe artística se manifestando contra a reeleição da Dilma. Aconteceu recentemente uma reunião de apoio a candidatura de Aécio Neves na casa do Luciano Huck e da Angélica, com a presença de Marcelo Adnet, Thiago Lacerda, Fernanda Torres… Houve até um bate boca acalorado entre o Thiago Lacerda e o Paulo Betti (PTista fanático) na internet.
    O problema vai ser desfazer os estragos causados pelos companheiros, que seguramente vão demandar medidas impopulares.

    • Amilton Aquino says:

      É isso que tenho medo, Kleber. Se o PT for para o oposição vai fazer muito barulho. O João Stedile já ameaçou botar o bloco na rua do MST. Agora imagina toda a cumpanheirada infiltrada na máquina pública boicotando um eventual novo governo… Mas não temos outra opção. Ou tira eles do poder agora ou o estrago será muito maior.

  3. kim says:

    Porq de uma forma ou de outra foram beneficiados por seu governo,importante pra eles e o conforto pessoal,Brasil q se dane.

  4. pt says:

    Quem dominou a inflação foi Itamar Franco que criou o plano real FHC apenas assinou a nota e que foi algo inconstitucional já que nem ministro ele mais era e FHC só fez a parte política da coisa mas infelizmente ele é considerado o pai do real,e pra vcs saberem quando o FHC pegou o governo ja não existia mais esse dragão da inflação que vcs tanto falam que o pegou foi o Itamar.
    Dá pra que vcs nao são nada parciais,e eu tbm nao sou ja q sou ptista mas tento ser o mais imparcial possivel.

    • Amilton Aquino says:

      PT, quem selecionou os economistas e conduziu todo o processo do plano Real foi o FHC, não o Itamar. Mas o lançamento do plano não foi o mai importante. Segurar a inflação por alguns meses todos os outros planos conseguiram. O que nenhum outro conseguiu foi administrar os efeitos colaterais de cortar uma das principais fontes de financiamento dos governos estaduais e federal: a própria inflação. Por isso a dívida interna cresceu tanto na era FHC, a ponto de tornar imprescindível a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal para forçar os estados e municípios a se adaptarem a nova realidade. E para dar o exemplo, o governo FHC incorporou a dívida interna o montante das dívidas de estados e municípios, num total de R$ 280 bilhões na época, entre outros esqueletos que vieram à tona depois que a ciranda inflacionária foi domada. E enquanto o governo fazia todos os esforços para segurar os gastos e não imprimir mais dinheiro sem lastro, o PT torcia contra o Plano Real, vale lembrar. Quanto à imparcialidade, é melhor ser parcial com argumentos honestos do que “tentar” ser imparcial de forma dissimulada.

      • pt says:

        Na verdade que eu saiba não foi o FHC que selecionou os economistas ele nem economista é,claro ele teve sua participação,mais o Itamar é que deveria ser considerado o pai do real.
        O que você escreveu no meio de texo já respondo que eu vou dar uma pesquisada sobre isso.
        Já sobre o PT isso é verdade ele era contra quase tudo que o FHC fazia assim como,a oposição faz isso com o governo.

        • Amilton Aquino says:

          PT, vc está redondamente enganado. Itamar teve o mérito de transferir FHC das Relações Exteriores para o Ministério da Fazenda justamente para resolver o problema da inflação que já havia chegado a casa dos 1300% em doze meses. Foi então que FHC recorreu aos seus amigos da PUC do Rio de Janeiro para escolher os economistas que criaram o plano, não por acaso, quase todos tucanos. Itamar sempre foi considerado um presidente fraco, apesar do bom caráter. Tanto é verdade que FHC tornou-se mais popular que ele. FHC não se reunia com os economistas que elaboraram o plano e sim FHC. Tem um livro que conta em detalhes os dias da gestação do plano (3.000 Dias no Bunker). Mas como disse no comentário anterior, a URV foi só a primeira e mais fácil parte do plano. O pior foi segurar a onda depois. E felizmente conseguimos. Com relação a oposição que o PSDB faz ao PT a diferença é brutal. Por várias vezes o PSDB votou com o governo do PT, mas nunca o contrário. Aliás, olha só a notícia que saiu hoje e entenda de uma vez por todas a diferença abissal entre FHC e Lula: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/06/1477450-a-campanha-secreta-de-fhc-pro-lula.shtml

  5. pt says:

    Cara,ele não era ministro quando lançou o real,e até o Ciro Gomes teve mais participação no plano real que o Fhc,Fhc era Sociólogo nào entendia muito de economia,o Itamar morreu magoado com o Fhc por este ter levado o crédito.

    • Amilton Aquino says:

      Rapaz, vc insiste em algo que vc ouviu dizer. Então leia o relato de um dos economistas que participaram da equipe que formulou o Real: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294 O FHC não levou os créditos à toa. Era ele quem se reunia com os economistas , era ele quem dava as entrevistas e acalmava o mercado. O Itamar, apesar do bom caráter, vivia falando bobagens. Era temperamental.

  6. pt says:

    E cara,ficar pegando noticia da Veja e da Folha tem que sempre dar uma desconfiada.

    • Amilton Aquino says:

      Temos que desconfiar de tudo. Porém sugiro-lhe um teste. Passe a ler o Reinaldo Azevedo cheque as informações que ele posta em outras fontes. Depois vc volta aqui para me dizer das suas conclusões. Eu posso te falar porque já fiz isso quando achava que o cara era um extremista como vc acha que ele é.

  7. kim says:

    FHC negociou com congresso,coisa q o Itamar era incapaz naquele momento, ja q o mesmo fazia parte de um governo caido,enfim,Petistas nao podem eliminar Plano REal depois de 20 anos,querem tirar autoria do seu arquiteto,inclusive reconhecido pela propria Dilma,sobre Ciro,isso nao passa de inveja,detesta alguem mais inteligente q ele,exemplificando: Serra,FHC,etec.

    • Amilton Aquino says:

      Bem lembrado, Kim. FHC não só acalmou o mercado, respondendo com coerência todos os questionamentos sobre o plano, como também tornou-se um dos grandes articuladores políticos do governo.

    • Amilton Aquino says:

      Excelente entrevista. Indico também a todos que passarem por aqui. Aliás, foi nesta entrevista, se não estou enganado, que o FHC deu uma pista sobre a tese daquele livro lançado recentemente sobre sua suposta campanha pró Lula para acalmar o mercado. Como sempre, um dia a verdade vem à tona.