Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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As “lições” do governo do PT

mantegaO governo do PT divide-se em antes e depois do segundo mandato de Lula. Depois de um começo responsável, do ponto de vista macroeconômico, os petistas resolveram imprimir sua “marca” na política econômica, que até então era uma herança do governo do PSDB.

Saiu de cena a equipe ortodoxa de Palocci, sintonizada com o “neoliberalismo” de FHC, e entrou em ação a heterodoxa e “progressista” equipe de Guido Mantega, que tinha como uma das principais defensoras a também economista Dilma Rouseff, que desde 2004 pressionava a equipe econômica de Palocci para reduzir o superávit primário, defendendo a ideia de que seria melhor um pouco mais de crescimento, mesmo que isto implicasse em um pouco mais de inflação.

Para quem não sabe nada de economia, Dilma e Mantega estão alinhados com a teoria econômica keynesiana, que defende uma maior intervenção estatal nos rumos da economia. Aliás, foi para esta teoria econômica que migraram a quase totalidade dos esquerdistas finalmente convencidos pela realidade de que a teoria econômica marxista estava fadada ao fracasso, como comprovado em todas as tentativas frustradas de construção do socialismo. Em contraposição a esta teoria, existem várias vertentes do liberalismo, que defendem uma redução do papel do estado na economia, concentrando esforços na saúde, segurança e educação. É a turma chata, que está sempre lembrando que não existe almoço grátis.

Quase dois mandatos depois de um gradativo aumento do estado na economia, algumas lições já parecem muito claras. Vejamos:

Lição 1: Não se pode ter um crescimento sustentável baseado no estímulo ao crédito

Quando estourou a crise e 2008 e o governo estimulou o crédito para o consumo de bens duráveis, os progressistas foram aos céus com os primeiros bons resultados. Acontece que para cada crédito concedido, existe uma fatura a ser paga. E quando ela chega, o ganho do passado converte-se em perda no presente. O Brasil, que foi um dos países que melhor saíram da crise com os estímulos ao crédito, hoje é um dos países que menos crescem no mundo, apesar das mais recentes tentativas de estímulo como, por exemplo, o Minha Casa Melhor. Ao comprar carros e mudar os móveis antigos, os brasileiros se endividaram e comprometeram suas rendas para os próximos anos. Como consequências indiretas, as ruas ficaram congestionadas de carros, o consumo de combustíveis aumentou além do que a Petrobrás poderia produzir e esta, por sua vez, teve que importar gasolina para tapar o buraco. E para coroar a tragédia, as maiores beneficiadas pelos estímulos do governo, as montadoras, agora estão em crise e já ameaçam demitir em massa. Ponto para os economistas da Escola Austríaca que afirma categoricamente que crescimento sustentável só é possível com poupança, algo cada vez mais raro no Brasil do crédito fácil.

Lição 2: Não se pode estimular o crescimento sem planejar a infraestrutura correspondente

Só a cidade de São Paulo perde cerca de R$ 50 bilhões por ano por causa dos engarrafamentos. Isto sem falar dos custos indiretos da deterioração da qualidade de vida da população, que se reflete em doenças relacionadas ao stress. É claro que se alguém do governo fizesse uma avaliação, mesmo que superficial, do impacto do aumento da venda de carros nas ruas das nossas cidades, certamente tais estímulos seriam repensados. Mas como sempre acontece com governos populistas e com economistas keynesianos, o mais importante é garantir o presente. Certa vez John Maynard Keynes, o papa dos economistas “progressistas” foi perguntado por um jornalista sobre as consequências futuras das medidas artificias para estimular o crescimento artificial no presente. A resposta de Keynes: “até lá, estaremos todos mortos”. Pois é, ele morreu, mas nós não e as faturas estão chegando.

Lição 3: Não se pode controlar a inflação ao mesmo tempo em que se estimula o consumo

Esta é uma das mais visíveis esquizofrenias do governo do PT. É como se o governo tentasse criar a temperatura ideal em uma sala ligando um ar-condicionado (os juros para frear as pressões inflacionárias) e, ao mesmo tempo, acender uma lareira (estímulo ao crédito). No final, o efeito de um anula o efeito do outro, energia e madeira serão gastos em vão, quando se poderia conseguir a temperatura ideal naturalmente abrindo as janelas.

E mesmo com todo este “esforço” de esfriar e aquecer a economia ao mesmo tempo, o governo ainda não consegue a temperatura ideal. Quem está próximo lareira ficará mais aquecido que o normal, enquanto quem estiver perto do ar-condicionado vai ficar mais frio que deveria. Na vida real é o seguinte: quem comprou um carro a prazo beneficiou a indústria automobilística. Em contrapartida, para pagar as mensalidades o consumidor terá que apertar o cinto, reduzindo o consumo de outros produtos. Como resultado, todo o resto da economia perde. Não por acaso, o Brasil deverá crescer neste ano 1,7%, enquanto que a previsão de crescimento médio da economia mundial é de 3,2%

Lição 4: Não se baixa juros por decreto

Por muito tempo, muitos economistas keynesianos defendiam a tese de que os juros no Brasil não tinham razão de ser, que poderiam ser cortados pela metade sem nenhuma consequência inflacionária. Dilma colocou a ideia em prática. E qual foi o resultado? Teve que aumentar novamente e em um ritmo ainda mais rápido para conter as pressões inflacionárias que explodiram, mesmo em um momento em que a economia teve um dos piores resultados desde a crise de 2008, o que, teoricamente já puxaria os preços para baixo. Ruiu aqui um dos principais pilares da badalada “Nova Matriz Econômica” do governo do PT.

Ainda existem muitas outras “lições” do PT no governo que pretendo abordar em outros posts. Por hoje vou ficando por aqui, pois estou um pouco sem tempo neste momento. Se gostou, por favor, ajude-nos a divulgar estas informações. Até o próximo post!

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