Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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A crônica de uma tragédia anunciada: Na oposição, “quanto pior melhor”. No poder, nacionalismo em alta

lula_xingandoNo post anterior desta série, mostramos como o Foro de São Paulo teve um papel importante na coordenação dos esforços para eleger presidentes de esquerda em todo o continente, com o objetivo de implementar a agenda socialista de forma gradativa, como preconizada por Antonio Gramsci. A partir deste post, vamos falar das estratégias de conquista, manutenção e perpetuação no poder colocados em prática pelos governantes de esquerda. Vejamos:

Antes de chegar ao poder, os partidos de esquerda organizados via Foro de São Paulo fizeram violentas e irresponsáveis oposições, sempre se apresentando como os porta-vozes da ética e do povo. Eram os “reis das CPIs”. Bradavam contra tudo e contra todos. No Brasil, o PT notabilizou-se por ser contrário às principais reformas que colocaram o Brasil nos trilhos, entre elas o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Torceu sempre pelo pior, pois esta era a sua chance de colocar em prática sua maior aspiração: a chegada ao poder. Nunca demostrou a menor disposição em contribuir com algo positivo. Mesmo sendo um dos principais responsáveis pela derrubada de Collor, rejeitou apoio ao governo de transição de Itamar Franco.

Ainda hoje o PT critica o PSDB por ter buscado o apoio do PFL, mas recentemente o governador da Bahia, Jaques Wagner, deixou escapar no programa Roda Viva que o PT foi procurado antes pelo PSDB, mas rejeitou a proposta de integrar a base do governo. Mais tarde, quando o PFL passou a integrar a base de apoio do governo, tal adesão passou a ser um dos principais alvos de críticas do PT.

E por que o PT não aceitou apoiar o PSDB, até então um partido visto pelo próprio PT como de centro-esquerda e ainda sem manchas de corrupção? Porque o PT nunca esteve disposto a contribuir com o Brasil. Seu projeto nunca foi ajudar a governar, e sim a conquista do poder, colocando o partido acima de tudo, inclusive dos interesses do país.

Esta é um das teses defendidas nesta série. Já apresentamos vários argumentos que apontam nesta direção, mas nada como as palavras do próprio José Dirceu para eliminar de vez qualquer dúvida sobre o projeto de poder do PT:

“Nós temos que ter a clareza que o projeto político é o principal. Se o projeto político é o principal, O PRINCIPAL É CUIDAR DO PT” (ver aqui em vídeo na voz do próprio Dirceu: http://youtu.be/UNrUzNGxIVA?t=1m28s).

Exatamente como teorizou Gramsci. O partido que se propõe a conquistar a hegemonia da opinião pública que garante a perpetuação no poder passa a ser o centro de tudo. Tudo é justificado, desde que seja em prol do partido, inclusive matar, como no caso Celso Daniel que deixou um rastro de oito mortes, entre testemunhas, investigadores e envolvidos com a quadrilha que arrecadava dinheiro para o PT (ver aqui)

Ou seja, mesmo antes de ganhar as eleições de 2002, o PT já dava uma amostra do que era capaz para chegar ao poder. Incrível como este caso (muito mais grave que o Mensalão) foi abafado.

Uma vez no poder, o PT imediatamente começou a colocar em prática o mensalão, a primeira etapa do seu objetivo de subjugar todas as instituições ao partido, inclusive o executivo. Na mesma palestra citada acima, Dirceu afirma categoricamente: “O exercício do mandato legislativo e executivo é dependente do PT”.

Que o legislativo foi cooptado via mensalão e via doação de cargos, nenhuma novidade. Agora o executivo (Lula) subjugado ao PT pode soar estranho para alguns. Mas o fato concreto é que, quando assumiu a presidência, Lula não tinha tanto poder. Até surgirem as primeiras denúncias do mensalão, Dirceu tinha a fama de ser o grande estrategista do PT. Lula seria apenas a figura carismática, um mito construído ao longo de décadas para levar o PT ao poder. Dirceu seria seu sucessor, inexoravelmente. Depois que a bomba do mensalão estourou e Lula escapou ileso, jogando toda a culpa para os companheiros, é que ele ficou maior que o PT.

No entanto, algumas imagens vazadas de uma reunião da cúpula do mensalão, na época, revelam que Dirceu era realmente “o cara” do PT. Era o centro de todas as atenções. Perto dele, Lula aparece como um mero coadjuvante (ver aqui)

São inumeráveis os casos de discursos dúbios do PT, um quando oposição e outro quando governo. E o mais cínico de tudo isso é que o PT do poder ainda tem a cara de pau de rotular a nossa raquítica oposição de fazer o jogo do “quanto pior melhor”. Se a oposição critica o caos da saúde pública, Lula joga a culpa na oposição por ter ajudado a derrubar o imposto do cheque, a famosa CPMF. O que ele não lembra (convenientemente, claro) é que o imposto foi criado de forma provisória no governo FHC, sob o bombardeio da oposição petista. Por que o imposto antes não prestava e agora é essencial?

Um outro episódio que mostra a suprema cara de pau do PT é sua súbita mudança de opinião sobre o que hoje chamamos de Bolsa Família. O caso já é bem conhecido, mas não custa lembrar pois ele desmistifica uma das maiores mentiras do PT (ver aqui).

Na opinião do Lula da oposição, as diversas bolsas do governo FHC eram instrumento de compra de voto, mesmo que este nunca tenha utilizado tais bolsas em discursos eleitoreiros, como hoje faz o PT. No poder, Lula aproveita a ideia de um tucano (Marconi Perillo) de unificar as bolsas, passa a vender o discurso de que tudo foi obra do PT e faz a politicagem explícita de compra de votos que criticava quando oposição! E, chegando ao ápice da cara de pau, ainda chama de idiotas os críticos do programa!

Enfim, engam-se aqueles que acham que o PT se corrompeu ao chegar ao poder. O PT da oposição a FHC já agia com as mesmas armas de hoje, apostando sempre no discurso oportunista e populista. O “caixa dois” de Delúbio, por exemplo, já fora denunciado por César Benjamim dez anos antes do mensalão.

O discurso oportunista visando à conquista do apoio popular, mesmo que alguns desses discursos causassem algum mal estar interno no partido ou na militância sempre foram justificados como “concessões” necessárias para viabilizar a chegada ao poder.

As constantes rebeliões internas no partido sempre foram controladas com a promessa da implementação gradativa do socialismo no Brasil. Sim, o PT nunca abandonou a bandeira socialista. A Carta aos Brasileiros de Lula foi apenas um blefe para chegar ao poder. Internamente, o PT se digladia entre as correntes mais radicais, que acham que as “reformas socializantes” devem ocorrer mais rapidamente, e as correntes moderadas, que controlam o partido e tentam se equilibrar entre as pressões internas que tentam acelerar as bandeiras socializantes e a opinião pública da parte mais esclarecida da sociedade que alerta sobre o projeto autoritário do PT. Para quem tiver curiosidade de ver como ocorrem estes embates dentro do PT, sugiro este vídeo: http://youtu.be/Jad8KWt-Pr8?t=6m37s

Claro que nem todos os petistas agiram dessa forma hipócrita e oportunista. Aos poucos, as dissidências vão acontecendo. Hélio Bicudo e Fernando Gabeira, por exemplo, foram alguns que tiveram a humildade em reconhecer que se equivocaram quanto ao PT e especialmente em relação a Lula. Outros saíram por radicalismo ideológico, como no caso dos dissidentes que fundaram o PSOL, que hoje faz a mesma política que o PT da oposição.

E aqui temos mais uma estratégia da esquerda para a conquista e manutenção do poder: a Estratégia das Tesouras. Segundo Lenin, é importante e salutar para o movimento revolucionário que existam partidos mais radicais e menos radicais atuando em diversas frentes, mesmo que em alguns momentos tenham que se digladiar. As lâminas de cada lado da tesoura, embora pareçam se chocar o tempo todo, cortam por lados opostos, mas produzem uma figura planejada em comum. Ao fomentar o movimento Black Bloc, por exemplo, o PSOL reacende o discurso anti-capitalista. Ao invadir propriedades privadas, os movimentos dos sem terra e dos sem teto pressionam por mais socialismo. O governo do PT, por sua vez, vai dosando mais alguns passos na direção da agenda do Foro de São Paulo, atendendo as “pressões populares”. O Mais Médicos, que importou supostos médicos e um grande número de agentes cubanos para vigiá-los, é apenas um exemplo dessa tendência.

E para quem acha que o PT abandonou o socialismo, segue um dos discursos de Lula no Foro de São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=1esLfO2KwNg&list=TLoHJzPH_pniRl0l-QEGzarfGtzitHZmzQ

Pessoalmente, continuo com a opinião de que seu oportunismo se sobrepõe a qualquer indício de ideologia. No entanto, o que o discurso deixa muito claro é que, apesar de não saber qual o modelo seguir, Lula mostra sua simpatia pelo regime cubano e exorta todos os partidos de esquerda reunidos pelo Foro para continuar lutando para “concretizar o sonho dos companheiros que morreram lutando pela implantação do socialismo na América Latina”.

Ou seja, não importa se todas as experiências anteriores fracassaram. Eles continuam acreditando no sonho socialista e vão continuar tentando. A Venezuela, o pais que mais avançou na agenda do Foro, já mergulhou no caos, mas eles vão continuar tentando. A Argentina, o segundo pais que mais flertou com o chavismo, também já está à beira do caos. Mas não importa. Eles continuam tentando.

Felizmente o Brasil é um dos países que menos avançaram na agenda do Foro (pela resistência de alguns setores da sociedade, diga-se de passagem). Mesmo assim, as consequências dos “avanços” do PT já começaram a aparecer. É claro o desgaste do PT e até mesmo do “deus todo poderoso” Lula. A coisa é tão evidente que a própria Dilma em mais um de seus atrapalhados discursos deixou escapar a herança maldita de Lula (ver aqui).

Tentando se esquivar dos problemas enfrentados hoje, ela aponta decisões tomadas cinco anos atrás.  Tenta corrigir, se enrola mais uma vez e termina com mais uma promessa de que daqui a três ou quatro anos estará tudo melhor porque “agora ela aprendeu a fazer mais rápido”!

No próximo post, vamos falar das características em comum dos bolivarianos no campo econômico e político. Ajude a divulgar estas informações e até o próximo post!

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One Response to A crônica de uma tragédia anunciada: Na oposição, “quanto pior melhor”. No poder, nacionalismo em alta

  1. Amilton Aquino says:

    E olha só o que eu encontrei agora a pouco. A propaganda escrachada do PT confirmando tudo que dizemos aqui, na cara de pau. Só não vê quer não quer: https://www.youtube.com/watch?v=-uTKb_mJNvA&list=PLA2zRx2kOnchfcN0RpDfUD6ksvFyihElX