Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

By

Cinco grandes mentiras sobre o Golpe de 64

golpe_64Olá amigos! Estou de volta para mais uma temporada de posts. Ainda estou muito ocupado, porém, diante da enxurrada reportagens e entrevistas que tenho visto na imprensa nos últimos dias sobre o “Golpe de 64” (para os esquerdistas) ou a “Contrarevolução” (para os direitistas), resolvi improvisar um post com alguns pontos que me incomodam muito neste debate, um contraponto à visão dominante dos historiadores de formação marxista que predomina na academia e, consequentemente, na mídia.

Mentira 1: Não havia perigo de um golpe comunista no Brasil que justificasse o golpe militar

Quatro fatos históricos desmentem esta afirmação. A primeira é que os comunistas já haviam tentando chegar ao poder no Brasil via luta armada com a Intentona Comunista de Carlos Prestes, em 1935. O mesmo Carlos Prestes continuava na ativa na década de 60, tendo se reunido em 1959 com o então líder supremo da URSS, Nikita Khrushchov, além de discursar no Congresso Internacional de Solidariedade à Cuba, realizado em Niterói, em 1963, onde conclamou os presentes a tornar o Brasil a primeira nação comunista da América do Sul. Em uma de suas frases polêmicas, afirmou sobre o governo Jango: “Já estamos no governo, só falta alcançar o poder. Ora, se tentaram em 1935, por que não tentariam na década de 60, quando havia uma mobilização esquerdista ainda mais intensa e com um presidente no poder simpático à causa?

Segundo, existem provas documentais sobre treinamento militar de brasileiros em Cuba e na China muito antes do golpe militar. No Brasil, os guerrilheiros já haviam iniciado treinamentos militares em fazendas no interior dos  estados do Acre, Goiás, Bahia e Pernambuco. Para que o treinamento militar se não para promover revoluções como em tantos outros países até então?

Terceiro, o mesmo Jango no dia 4 outubro de 1963 já havia ensaiado um ato autoritário ao solicitar ao Congresso a decretação de estado de sítio pelo prazo de 30 dias com a justificativa de que o governo necessitaria de poderes especiais para impedir uma “guerra civil”. Ou seja, o próprio Jango assina em baixo a justificativa dos militares para o contragolpe.

Quarto, os comunistas já estavam infiltrados em quase todos os setores da sociedade, inclusive nas próprias forças armadas, principalmente na marinha. O próprio presidente João Goulart, em 1963, causava desconforto no meio militar apoiando a sindicalização de sargentos e a quebra de hierarquia das forças armadas. O espírito rebelde de parte dos militares pode ser comprovado na prática com a chamada Revolta dos Marinheiros, uma reação dos militares apoiadores de Jango contra a Marcha da Família que tinha acontecido uma semana antes. Uma semana depois (e às vésperas do Golpe de 64) o mesmo Jango compareceu a uma reunião de sargentos insurgentes na sede do Automóvel Clube, dando uma prova definitiva que o presidente insuflava a quebra da hierarquia. Por fim, depois que o golpe se consumou e Goulart se reuniu com o comandante do terceiro exército, Jair Dantas Ribeiro, em Porto Alegre, para tomar a decisão entre resistir e desistir, este revelou que havia divergências entre suas tropas, o que tornaria muito difícil a resistência. Ou seja, o general janguista confirma o que os militares repetem há décadas e que os historiadores de esquerda insistem em negar: existia sim uma divisão crescente nas forças armadas. Portanto, o tempo corria contra os militares, levando-os ao perigo de uma guerra entre as próprias tropas. Lamarca e tantos outros militares que aderiram à guerrilha posteriormente são a prova de que havia sim um perigo real de insurgência que tomava corpo até mesmo dentro das forças armadas.

E para quem ainda hoje argumenta que as forças guerrilheiras eram desprezíveis quando comparadas às forças armadas, vale lembrar que há poucos anos antes, um grupo de meia dúzia de guerrilheiros tinha tomado ao poder em Cuba, a mesma Cuba que treinava os guerrilheiros brasileiros que hoje estão no poder e que há dois anos antes da golpe de 64 havia colocado o mundo à beira de uma guerra nuclear ao apontar mísseis russos aos Estados Unidos.

Apesar da controvérsia sobre às reais intenções de Jango sobre o socialismo, o fato concreto é que ele foi sendo arrastado pelos esquerdistas mais radicais que o influenciavam, principalmente seu cunhado Leonel Brizola. Sobre este assunto, o senador Pedro Simon, aliado de Jango e que esteve com ele durante todo o seu governo, inclusive na hora da deposição, atesta em entrevista (ver aqui). Ou seja, mesmo que não fosse um socialista convicto, o fato concreto é que João Goulart era influenciável, imprudente e com inclinações socialistas e populistas, cujas ações provocavam uma progressiva polarização da sociedade, conforme os fatos históricos estão aí para atestar.

Mentira 2: Os esquerdistas lutaram pela democracia

Esta é aquela mentira que, de tão repetida, tomou ares de “verdade”.  Primeiro porque a democracia nunca esteve na pauta dos guerrilheiros comunistas. A palavra democracia simplesmente não aparece nos panfletos, documentos, discursos da época. Ex-guerrilheiros como Fernando Gabeira, por exemplo, já confessaram isso publicamente (ver aqui).

Segundo, mesmo que os comunistas brasileiros confessassem em discursos ou panfletos algum apego à democracia (o que não aconteceu), de nada valeriam tais afirmações, afinal desde aquela época até os dias atuais continuam apoiando regimes totalitários. Ou seja, a democracia nunca foi nem é um dos pilares do esquerdismo.

Terceiro, os esquerdistas só entraram “na luta pela democracia” depois que a guerrilha foi derrotada e seus principais integrantes fugiram para países simpáticos à causa comunista. O MDB comandado por Ulisses Guimarães foi o grande responsável por puxar o coro pela volta da democracia e, posteriormente, pela anistia aos exilados e fugitivos. Só depois da anistia, é que os esquerdistas que hoje se auto rotulam de “democráticos” pegaram uma carona no movimento apresentando às novas gerações a versão de que “arriscaram suas vidas pela democracia”. Não. Arriscaram suas vidas pelo sonho comunista, onde a democracia inexiste. Aqui a luta pela democracia foi apenas o primeiro passo para uma nova tentativa de chegada ao poder, via marxismo cultural.

Mentira 3: O povo não apoiou o Golpe Militar

Alguns fatos desmentem esta “verdade” incutida nas nossas cabeças há décadas por professores marxistas. Primeiro,  o povo brasileiro sempre foi, e ainda é, predominantemente conservador (ver aqui pesquisa do Data Folha). Ora, se depois de 12 anos de populismo do PT, com Lula sendo santificado com filme e tudo, e ainda assim o nosso povo ainda tem um perfil predominantemente conservador, por que então seria diferente nos anos 50 e 60, quando o Brasil ainda experimentava alguns resquícios do apogeu vivido no período JK?

Segundo,  a Marcha da Família pela Liberdade, que reuniu 800 mil pessoas em São Paulo, foi cinco vezes e meia maior que o super comício da Central do Brasil, que desencadeou a crise que culminou com o Golpe (ou Contrarevolução) de 64. Isso numa época em que não havia Internet e apesar da atuante militância esquerdista da época, muitos dos quais dispostos a arriscar suas vidas em nome da causa comunista.

Terceiro, com exceção de alguns pequenos focos de protestos isolados de estudantes envolvidos diretamente com a militância de esquerda, não houve revolta popular após o golpe. Houve sim a Marcha da Vitória no dia seguinte à deposição de Jango, esta ainda maior que as várias Marchas da Família que aconteceram em várias capitais semanas antes. E só não ocorreram mais marchas de apoio aos militares porque uma das primeiras providências do novo governo foi acabar com toda e qualquer manifestação pública tanto a favor quanto contra os comunistas. Ou seja, diferente dos esquerdistas que sempre procuram polarizar a sociedade, desde o início os militares procuraram acalmar os ânimos e restabelecer a ordem, já que os anos de Jango desencadearam turbulências políticas e econômicas que culminaram com o golpe e com o até então recorde histórico da inflação.

O argumento mais forte dos historiadores esquerdistas para justificar o apoio popular a Jango foi a vitória do presidencialismo no plebiscito realizado em 63, o que acelerou bastante a guinada de Jango à esquerda, vale lembrar. Acontece que os historiadores que usam este argumento escondem um detalhe: todos os candidatos declarados à presidência nas eleições marcadas para 1965 (inclusive JK e Carlos Lacerda) trabalharam ativamente pelo presidencialismo. Além do mais, o povo brasileiro sempre teve uma preferência clara pelo presidencialismo, fato que foi ratificado mais uma vez em 1993.

Mentira 4: A guerrilha foi a resposta da esquerda à ditadura.

Como já vimos na primeira mentira, a preparação para a guerrilha já havia bem antes do Golpe (ver aqui). Portanto, o contrário é que é o correto: a ditadura foi a resposta à tentava de golpe da esquerda no Brasil, da mesma forma que o AI5 foi uma resposta ao recrudescimento da luta armada e às agitações populares de 68, influenciadas pelas movimentos internacionais que se seguiram ao famoso Maio de 68, na França.

Hoje quando se fala em guerrilha no Brasil, apenas o Araguaia é lembrado. No entanto, entre 66 e 67 (ou seja, bem antes do AI5), foi descoberto na divisa do Espírito Santo com Mina Gerais um pequeno grupo guerrilheiro financiado pelos cubanos. A ideia era repetir o sucesso da Sierra Maestra e implantar um regime comunista no Brasil. Entre seus apoiadores estava Leonel Brizola, o cunhado de Jango que até hoje muitos acham que não era comunista, apesar deste ter sido presidente de honra da Internacional Socialista!

Mais uma vez os fatos estão aí para comprovar. A quase totalidade dos mortos da ditadura militar ocorreram no período da guerrilha pós 68. Até as agitações de 68, o país teve um período de relativa estabilidade. A inflação foi controlada e a economia entrou nos trilhos sob o comando de Roberto Campos. Claro que era um ditadura, com suspensão de direitos políticos e censura e etc. Mas ainda assim havia espaço para a crítica. Tanto que alguns dos apoiadores do Golpe, como Carlos Lacerda, por exemplo, transformaram-se em incômodos críticos do regime. Da mesma forma, os esquerdistas que se mostraram contrários à luta armada foram autorizados a participar da vida política via MDB e revistas de oposição, como o Pasquim, por exemplo (que chegou a tiragens de 400 mil exemplares), circularam livremente, inclusive no período de maior repressão.

Portanto, se não tivesse ocorrido guerrilha, não teria AI5. Da mesma forma que não teria havido ditadura militar se Jânio Quadros não tivesse renunciado e jogado o Brasil no colo dos esquerdistas revolucionários.

Mentira 5: A Comissão da Verdade apura mortes que podem quintuplicar vítimas da ditadura!

A notícia divulgada com estardalhaço peculiar da imprensa desde 2012 revela o caráter motivacional da Comissão da Verdade: demonizar ainda mais os militares (ver aqui).

Claro que a ditadura matou gente e isso deve ser reprovada sob qualquer ângulo. Porém,  vale lembrar que esta é uma prática comum em todos os regimes autoritários, inclusive os regimes que os esquerdistas de antigamente e de hoje ainda apóiam. Portanto, não cabe aos esquerdistas o papel de vítimas. Havia uma guerra e eles eram agentes dessa guerra. Ao entrar na guerrilha, todos sabiam que podiam morrer ou matar, inclusive companheiros delatores.

Também é verdade que neste meio existem os casos abomináveis de torturas, com a justificativa de extrair informações que levem a outros integrantes dos grupos inimigos. Também aqui não é privilégio da ditadura brasileira. Os regimes autoritários almejados por nossos esquerdistas fizeram mais e pior. Se aqui os algozes autoritários são identificados com os militares de direita, na Polônia, por exemplo, são os militares do antigo regime comunista. Ou seja, existe sempre dois lados.

Infelizmente a chamada Comissão da Verdade só vê um: das vítimas da ditadura. Diferente da Comissão da Verdade da África do Sul, que a inspirou, e que ouviu os dois lados, a comissão brasileira não quer ouvir falar dos 126 civis e militares vítimas dos guerrilheiros. Para as vítimas dos militares, homenagens e indenizações. Para os outros, o esquecimento. Nem mesmo a imprensa lembra destes. Acidente de percurso, dirão os esquerdistas. Como diria Stalin, não se faz um omelete sem quebrar ovos.

Restou, portanto, aos militares brasileiros, homenagear as  126 vítimas dos movimentos de esquerda com placas e os nomes dos mortos no Salão Nobre do Clube Militar do Rio de Janeiro.

Mas afinal quantas foram as vítimas do regime?

Desde o retorno à democracia, criou-se no Brasil uma grande expectativa sobre a divulgação do total de vítimas regime militar. Em alguns países bem menores que o Brasil onde o levantamento já tinha sido feito, os números eram sempre na casa dos milhares. Esperava-se portanto que os nossos números fossem bem mais expressivos, afinal o Brasil era e ainda é o maior e mais populoso país da América do Sul. Ao final, o levantamento do Projeto Brasil: Nunca Mais revelou 358 vítimas, dos quais 138 são desaparecidos. Ou seja, não tiveram suas mortes confirmadas. Podem ter fugido para o exterior e morrido com um nome falso, por exemplo. Apesar dessa possibilidade, os 358 são contabilizados como vítimas da ditadura..

Agora a Comissão da Verdade adicionou mais 100 nomes à lista, mas até  agora não encontrei estes nomes. Se alguém tiver estas informações, por favor, poste aqui, pois tenho sérios motivos para duvidar da idoneidade desta comissão. Ora, cem vidas são cem vidas. Não são apenas um número que acrescenta a uma estatística. Se foram descobertos mais nomes, estes nomes devem ser revelados, trazidos à imprensa, com pelo menos alguma informação sobre as circunstâncias de suas mortes.

De qualquer forma 450 vítimas de um regime ditatorial em um período de 21 anos, considerando que nosso país é um dos mais violentos do mundo, é realmente para dar razão ao editorial do Estadão que adjetivou a ditadura brasileira de “ditabranda”. Cuba, por exemplo, com uma população  20 vezes menor que a nossa matou 5.621 apenas nos fuzilamentos. Assassinados extrajudicialmente: 1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258. Isso sem falar nos soldados cubanos mortos em missões no exterior (14.160) e nos mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país (77.824). Contando com as vítimas dos soldados cubanos no exterior o número passa dos 100 mil! Na URSS e na China então os números são na casa das dezenas de milhões!

Mas de onde vieram as outras 2000 vítimas da notícia citada acima que poderiam “quintuplicar” o número de vítimas da ditadura brasileira, segundo a Comissão da “Verdade”?

Da suposição do extermínio de uma tribo de índios da Amazônia. Ou seja, eles não encontraram mais nomes para colocar na lista, então perceberam que uma população indígena diminuiu no período militar, então deduziram que foram metralhados. Eles podem ter sido vítimas de uma epidemia, podem ter sido assassinados por grileiros, podem ter migrado para as cidades, enfim, várias possibilidades. Mas para a Comissão da Verdade, não importa a verdade, importa mais o número que ajude a demonizar ainda mais as forças armadas.

Enfim, a ditadura militar brasileira foi lamentável sim. Não estou no grupo daqueles que estão defendendo nas redes sociais a volta do regime militar. Porém, para o bem da verdade, vamos ouvir os dois lados. E que os ex-guerrilheiros que hoje estão no poder abram os olhos também para as vítimas das ditaduras comunistas que não só apóiam politicamente como também financeiramente, como ficamos sabendo recentemente, através de empréstimos vultuosos sob o regime de “segredo de estado”, algo típico de regime autoritários, vale lembrar.

Fico feliz em não ter vivido esta época, pois certamente estaria entre os guerrilheiros. Felizmente amadureci e passei dessa fase romântica de querer moldar o mundo segundo a nefasta ideologia marxista. Outros ex-guerrilheiros honestos, como Gabeira, também fizeram o seu mea culpa. Acontece que boa parte deles continua orgulhando-se de ter pego em armas, de ter sequestrado, matado, inclusive ex-companheiros que consideraram traidores (ver aqui a confissão de um orgulhoso ex-guerrilheiro que matou um suposto traidor). Seria bom que, ao invés de ficarem realimentando o ódio, estes esquerdistas lunáticos percebessem que eles são também responsáveis pelas mortes que ocorreram. Se alguém quiser encontrar o verdadeiro responsável por tudo isso, lembrem de Karl Marx. Foi por causa de sua ideologia nefasta que tantas pessoas morreram.

Por fim, deixo como sugestão, três vídeos:

 

13 Responses to Cinco grandes mentiras sobre o Golpe de 64

  1. RUDIMAR CARLOS TRES says:

    FALA-SE TANTO EM GOLPE OU CONTRAGOLPE, MAS TAMBÉM É IMPORTANTE MENCIONARMOS QUANTAS PESSOAS SÃO MORTAS POR ANO NO BRASIL E QUAL A IMPORTÂNCIA QUE SE DÁ? PRATICAMENTE NENHUMA. VAMOS ANALISAR COM DISCERNIMENTO E TRANSPARÊNCIA E TRABALHAR PARA QUE ESTES CRIMES QUE SE COMETEM HOJE NO DIA DIA SEJAM DEVIDAMENTE ESCLARECIDOS E NÃO FIQUEM OBVIAMENTE NO ESQUECIMENTO COMO ACONTECEU NOS ANOS DA CHAMADA DITADURA MILITAR. SOU UM FERRENHO DEFENSOR DE QUE VOLTEM OS MILITARES AO PODER PARA DARMOS UM NOVO RUMO AO PAÍS, VISTO QUE A GERENTONA DA REPÚBLICA DA BANANALÂNDIA NÃO TEM MAIS JEITO, INFELIZMENTE. SEUS COMENTÁRIOS SÃO ESCLARECEDORES, PORTANTO NÃO FIQUEMOS NO SAUDOSISMO E QUE COM A CRIAÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE SEJAM DE FATO ESCLARECIDAS AS POSSÍVEIS MORTES E DESAPARECIMENTOS, NÃO TRATANDO DE INDENIZAR OS PERTENCENTES A LUTA ARMADA, MAS COM JUSTIÇA TAMBÉM AO MILITARES QUE MORRERAM NA DEFESA DOS INTERESSES DO BRASIL. FICA AQUI O NOSSO DESABAFO, PORÉM O MOMENTO NÃO É DE COMEMORAR, MAS DE INFORMAR AS PESSOAS SOBRE O QUE ACONTECEU DE FATO NOS IDOS DE MARÇO DE 1964.

  2. Alex Esteves a Rocha Sousa says:

    Muito bom! Lembro do caso do civil Orlando Lovecchio, que perdeu uma perna por causa de uma bomba colocada por guerrilheiros num prédio público em São Paulo, onde funcionava, creio eu, o Consulado dos Estados Unidos. Lovecchio viu uma fumaça e foi ver o que era para avisar a alguém, mas a bomba explodiu. Anos depois, ele passou a receber uma pensão bem pequenininha, diferente de terroristas da época, que recebem bem mais. O senhor certamente conhece o filme Reparação, que trata disso.
    Alex Esteves.

    • Amilton Aquino says:

      Bem lembrado, Alex. Esqueci de indicar este documentário. É um relato honesto que ouve os dois lados. Mostra os dramas tanto de uma vítima dos terroristas quanto da repressão. Segue o link para quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto: http://www.youtube.com/watch?v=1OLG9NtXSAY Aliás, indico também o livro Jango, do Marco Antônio Villa que é um dos historiadores que aparecem neste documentário.

  3. gilx says:

    Amilton, prefiro chamar aquele período apenas de regime autoritário, e não ditadura, no sentido estrito do termo. Que outra ditadura no mundo tinha o lema “Ame ou deixe-o”? Em que outra ditadura os artistas faziam músicas e filmes de protesto? Que ditadura as pessoas, de modo geral, tinham o direito de ir e vir, abrir empresas, ir a festas, beber e se drogar, enfim, ter uma vida normal como nos dias atuais? Claro, para os petistas e demais esquerdistas hipócritas (que admiram Fidel, Stalin, Che Guevara, Mao), nossa terrível ditadura será sempre o Inferno de Dante. Odiavam-na não porque era uma ditadura em si, mas por não ser uma ditadura de esquerda.

    Mas falar sobre isso é sempre melindroso. Nunca faltará quem nos acuse de “fascistas”, de “viúvas da ditadura”, etc. Entretanto, só quem condena TODAS as ditaduras da História (o que exclui todo militante da esquerda) tem o direito moral de condenar a que ocorreu no Brasil.
    Fica, porém, uma dúvida: o golpe que evitou uma possível ditadura socialista, foi realmente benéfico ao longo do tempo? Os militares ganharam a batalha de troca de chumbos, mas perderam a guerra cultural. Ontem e hoje a esquerda brasileira posa de vítima, de coitadinha, nas escolas, universidades, na mídia e no meio cultural.

    • Amilton Aquino says:

      Amigo, só mesmo a loucura da ideologia marxista para explicar a contradição destes caras. Reclamam do período militar e ao mesmo tempo idolatram Che, um assassino sanguinário que confessou na cara de pau para o mundo inteiro ouvir: “fuzilamos e seguiremos fuzilando”. Ou seja, só de fuzilamento, a ditadura cubana com uma população 20 menor que a nossa matou 15 vezes mais que 21 anos de ditadura militar brasileira. Mas como eles têm memória seletiva, não conseguem se sensibilizar com as mortes do outro lado.

  4. Marcelo Santos says:

    Prezado Amilton. Existe uma corrente que diz que o golpe estava sendo preparado já desde o Getúlio. Neste caso, contradiz um pouco sua explicação para a primeira questão.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Marcelo. De fato, o Marechal Lott chegou a sugerir o afastamento de Getúlio no auge da crise que culminou com seu suicídio. Veio Café Filho, depois JK, Jânio Quadros e ninguém ouviu falar mais no assunto. Até que Jânio renunciou e a presidência caiu no colo de Jango. A Guerra Fria estava em seu auge. A poucos anos a Coréia havia sido dividida, a revolução cubana acabava de acontecer, o leste europeu já estava quase todo vermelho, enfim, existia um medo justificável de que o gérmen comunista prosperasse por aqui e e nos levasse para um caminho sem volta, como entraram outros países. Para piorar ainda mais, o Jango, de quem os militares já desconfiavam, estava na China, quando herdou a presidência. Mas eles se seguraram e encontraram a solução do parlamentarismo para evitar que Jango iniciasse a guinada à esquerda que eles temiam. Acontece que Jango não apenas reverteu a manobra com o plebiscito como tornou ainda mais evidente suas intenções de mergulhar no esquerdismo. Aos poucos foi criando situações cada vez mais embaraçosas, culminando com a fatídica reunião com os militares insurgentes. E aí deu no que deu. Enfim, os militares protelaram ao máximo o golpe, enquanto Jango fez tudo o que pude para provoca os militares. Imagina se os militares de alta patente, em plena Guerra Fria, iriam aguentar ver seus subordinados insurgentes (e talvez inimigos numa possível guerra civil) sendo prestigiados pelo presidente que eles tanto desconfiavam. Todo mundo pressentia o que poderia acontecer se Jango continuasse a provocá-los, mas ele não deu deu ouvidos para ninguém. Veja a entrevista de Pedro Simon indicada acima e vai entender o que estou falando. Abraço!

  5. Kleber Cerqueira says:

    Prezados… E a farra do boi das indenizações milionárias?
    Já passa de R$ 4 BILHÔES o valor das indenizações e pensões vitalícias pagas pelo Estado a “perseguidos políticos” durante os governos militares. Alguns são ilustres conhecidos do público: Lula, Carlos Heitor Cony, Ziraldo…
    O campeão da mamata é o advogado paulista José Carlos Arouca, dono de um próspero escritório de advocacia no centro de São Paulo e que já recebeu 2,9 MILHÔES de indenização e uma pensão vitalícia de R$16 MIL. Já Orlando Lovecchio que teve a sua perna decepada por uma bomba colocada por um terrorista em frente ao consulado americano em São Paulo, não recebeu indenização alguma, apenas percebe um salário mínimo de pensão.
    Abraço.

    • Amilton Aquino says:

      Isso é o que os britânicos chamam de Rent-seeking. Este é um dos maiores males do Brasil. Todo mundo querendo tirar algum proveito do Estado. No longo prazo, todos nós perdemos.

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, Sandro. Eu nem quis entrar no mérito dessa discussão da participação dos EUA no golpe para não entrar em discussões intermináveis baseadas em suposições. Eu até já tinha ouvido o Olavo falar desse russo, mas como os militantes de esquerda adoram usar o Olavo como espantalho resolvi não citar. Mas agora, com este outro link que vc me enviou que mostra documentos do serviço secreto da Tchecoslováquia comprovando a participação do movimento comunista internacional em toda a América Latina, temos ainda mais argumentos contra a história contada pelos historiadores marxistas. Na minha opinião a participação de um não exclui a participação do outro, de modo que estas novas descobertas reforçam o óbvio: havia sim um gérmen revolucionário que crescia no Brasil dos anos 60. Os militares tinham duas opções: cortar o mau pela raiz ou esperar a coisa crescer e deflagra uma guerra civil como aconteceu na Coréia e em tantos outros países. Valeu mais esta contribuição. Para quem tiver interessado, segue o link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=uI8e3fZHJBo&feature=youtu.be

  6. Oneide teixeira says:

    Parece que ate é um resumo em vídeo do seu texto.

    https://www.youtube.com/watch?v=jguhH-QwBgY#t=195

    • Amilton Aquino says:

      Sugiro também a entrevista completa com este tal Clemente. O cara pelo menos é sincero. Veja a surpresa dele pela pergunta do repórter: nunca falou sobre o justiçamento porque ninguém nunca perguntou. Ou melhor, a “imprensa golpista de direita” nunca se deu ao trabalho de perguntar.