Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

By

A chance que perdemos

lula-dilmaImagine que você assumisse, em 2003, a presidência de uma empresa bastante endividada e deficitária. Os juros das dívidas consomem cerca de 6% do seu faturamento anual, sendo que a cada mês várias dívidas precisam ser quitadas. Dar o calote, nem pensar. Primeiro, porque a maioria dos credores são funcionários da própria empresa. Segundo, porque partiu da presidência a iniciativa de pedir dinheiro emprestado e não dos credores. Terceiro, porque o calote deixaria a empresa totalmente sem crédito, a principal fonte de financiamento para quitar outras dívidas que vencem a cada mês. Quarto, porque já houve uma experiência de calote anterior e a situação ficou ainda pior.

Talvez uma boa renegociação pudesse reduzir um pouco o peso das dívidas. No entanto, esta alternativa só é indicada em situações pré-falência, pois qualquer indicação neste sentido pode deixar o mercado nervoso, o que, por sua vez, leva ao aumento de juros, o combustível que pode precipitar a iminente falência. Somando as dívidas vencidas ao total reservado ao pagamento de juros, a empresa precisa, em média, de um montante equivalente a 35% do seu faturamento anual para tocar o barco dentro da “normalidade”.  Mas o orçamento da empresa não cobre todo este “orçamento” financeiro mais as despesas fixas. Então você é obrigado, a cada mês, a fazer novos empréstimos para quitar os vencidos e para pagar metade dos 6% de juros. No final, pagas as despesas fixas (salários, previdência, segurança, saúde, educação, etc.), que correspondem a 75% do seu orçamento, mais os gastos financeiros e investimentos na capenga infraestrutura, a empresa gasta em média 3% mais do que arrecada a cada ano. Isso em tempos de “normalidade”, pois em épocas de crise internacional este déficit pode duplicar ou triplicar!

Com investimentos irrisórios (historicamente 2/3 da já capenga média dos nossos irmãos latino americanos), a empresa tem seu crescimento limitado, o que a impossibilita sair do círculo vicioso que a segura há pelo menos três décadas. Se o faturamento não aumenta o suficiente para equilibrar as contas, não tem outro jeito: é preciso recorrer à velha receita liberal (ou “neoliberal”) de diminuir os gastos para tentar, pelo menos, reduzir os déficits. Aliás, uma receita elementar que toda dona de casa sabe de cór, mas que não custa lembrar: não se pode gastar mais do que arrecada.

Acontece que cortar gastos é impopular, pois mexe com interesses de funcionários e acionistas, justamente aqueles que votarão na próxima assembleia que definirá se você continua ou não no comando da empresa. Além do mais, você foi eleito prometendo melhorar as condições dos seus funcionários. Como agora fazer justamente o que você passou anos criticando nas outras administrações? Pois é, você começa a descobrir que entre a teoria e a prática tem um longo caminho…

Em qualquer lugar do mundo uma empresa com sucessivos déficits anuais e tantas dívidas iria à falência em poucos anos. Mas esta é diferente. Ela tem alguns “poderes especiais” que a tornam aparentemente mais “resistente” e fazem seus números parecerem menos ruins do que realmente são. Isto explica o porquê de, apesar de todos os desafios, tal cargo de presidente continue a atrair tantos candidatos. Em primeiro lugar esta empresa tem uma tradição histórica de reservar várias de suas melhores vagas aos “amigos do rei” (daí a intensa disputa a cada eleição realizada). Segundo, esta empresa tem uma super impressora capaz de “fabricar” dinheiro (sem lastro, óbvio). Terceiro, a empresa tem outro poder especial de emitir títulos com vencimentos que variam de meses a décadas.

Já deu para perceber de qual empresa estamos falando, não? Pois é, mesmo com seus “poderes especiais” tal empresa não está imune ao acerto de contas que, apesar de demorado, sempre chega. Mas os presidentes sempre procuram evitar tais acertos. E só depois que seus sinais ficam muito iminentes e a empresa à beira do precipício, é que eles são obrigados a fazer algo além de empurrar os problemas para o futuro. Para sair da camisa de força do alto endividamento, déficit e inflação é preciso crescer.  O problema é: como crescer se não sobra dinheiro para os investimentos essenciais?

O cobertor é curto. É preciso definir bem as prioridades, principalmente os investimentos com o melhor custo-benefício, que tornem os produtos da empresa mais competitivos no mercado, pois só vendendo mais é que a empresa pode sair da desconfortável situação.

Mas eis que a sorte bate a sua porta. Aos poucos seus produtos começam a ser valorizados no mercado internacional, de modo que em apenas três anos seus preços dobram e assim permanecem por vários anos. Com a receita extra, seu faturamento passa a bater recordes após recordes, crescendo a uma média de 9% ao ano!

Bom, esta foi apenas uma pequena analogia para tornar mais compreensível a trajetória da economia brasileira nos últimos onze anos. Enfim, surgiu a esperada oportunidade única de quebrar o círculo vicioso do endividamento para entrar de vez no círculo virtuoso do desenvolvimento. Não precisava nem inventar muito. Bastava um pouco de austeridade nos gastos fixos e em poucos anos a empresa sairiam do déficit crônico para um superávit cada ano maior, criando assim o ambiente propício para fazer algumas reformas estruturais, as quais também contribuiriam mais a frente para acelerar e sustentar o crescimento nos anos seguintes.

Infelizmente não foi bem isso que aconteceu. Dez anos depois, a empresa não apenas continua deficitária, como ainda conseguiu aumenta-lo (o déficit) ainda mais! Vejamos: em 2002, nossa arrecadação foi de R$ 328,257 bilhões, enquanto que as despesas totalizaram R$ 338 bilhões. Ou seja, gastamos aproximadamente 3% a mais do que arrecadamos.  As contas de 2013 ainda não estão fechadas, mas contando os doze últimos meses (de outubro de 2012 a outubro de 2013), nossa arrecadação foi de R$ 1,3 trilhão, enquanto que as despesas no mesmo período totalizaram R$ 1,365 trilhão. Ou seja, nosso déficit atual é de 5%. Notem que arrecadação praticamente quadruplicou. Apesar da inflação de 120% do período, é indiscutível que o governo do PT teve muito mais dinheiro para governar. Quem quiser conferir os dados, segue o link do Banco Central.

É bem verdade que nos anos de maior bonança do mercado internacional o déficit iniciou uma tímida trajetória de queda.  Mas eis que estourou a crise imobiliária dos EUA e o déficit voltou a crescer continuamente, com perspectiva de aumentar ainda mais nos próximos anos, apesar das promessas reiteradas da nossa “prestigiada” equipe econômica de que o “déficit zero” seria conquistado ainda no primeiro governo Dilma.

Para os defensores incondicionais do governo do PT, a culpa é da crise. Mas o  “argumento” não se sustenta, afinal as duas variáveis externas que pesam para nossa economia  são os preços das commodities, que ainda estão valorizados, e os juros dos EUA que ainda estão baixos. Além do mais, como culpar exclusivamente a crise se a maioria dos demais países emergentes continua crescendo bem mais que o Brasil?  Como explicar que o Brasil fique sempre nas últimas posições de crescimento na América Latina? Como explicar que, depois de toda a euforia lulista dos anos 2000, voltemos à pífia média de crescimento dos anos 90, uma década de reformas e crises entre os emergentes?

A resposta é simples. O Brasil, assim como a Argentina e a Venezuela, não aproveitaram os anos do boom econômico para preparar suas economias para o futuro. Seus governantes aventuraram-se no populismo, preferindo ajustar seus gastos sociais ao ritmo chinês de crescimento de suas receitas. E como sempre acontece, criar gastos fixos é fácil. Difícil é cortá-los depois. Quando a torneira começou a diminuir o fluxo, Brasil, Venezuela e Argentina, como previsto, começaram a mergulhar no pior dos mundos: inflação alta com baixo crescimento.

Infelizmente as coisas são piores do que parecem. No nosso caso, além da já famosa “contabilidade criativa” que o governo tem recorrido cada ano mais constantemente para maquiar nossos cada vez mais complicados indicadores, parte do pífio crescimento dos últimos anos foi financiado com saques no futuro. A começar pelas grandes empresas, tudo hoje no Brasil é movido à crédito. Financiamentos de imóveis e automóveis, por exemplo, dão um pequeno fôlego a economia no presente, mas roubam o potencial de crescimento do futuro. Os efeitos dessa política keynesiana do segundo governo Lula já são sentidos hoje. A economia não responde mais aos estímulos como há alguns anos.  As famílias brasileiras, assim como as empresas, municípios, estados e a própria união estão todos muito endividados. Mas o governo continua fazendo mais do mesmo. Quando a procura por crédito começa a diminuir, o governo logo amplia os limites de crédito, diminui os pré-requisitos ou simplesmente cria novos programas, como o Minha Casa Melhor, por exemplo.

Continuar nesta politica só vai reduzir ainda mais nossos horizontes e nos jogar para um estouro de bolha. O governo sabe disso, mas reluta em fazer o inevitável ajuste fiscal, pois as eleições aproximam-se. Portanto, tudo será feito para empurrar o aperto para 2015, pois, como sempre, a prioridade é a eleição. Enfim, resta-nos torcer para que alguém sensato dentro do PT (como o ex-ministro Pallocci, por exemplo) seja capaz de convencer algum dirigente da equipe econômica a mudar o rumo atual. Felizmente hoje tivemos a ótima notícia de que técnicos da equipe econômica começaram a se rebelar contra a chamada “contabilidade criativa” (ver aqui).

Enfim, diferente da Argentina e Venezuela, o Brasil tem instituições mais fortes que seguram um pouco os impulsos populistas do PT. Caso contrário, já estaríamos no mesmo patamar dos nossos vizinhos. A chance de decolar de fato já perdemos. Resta agora torcer para que consigamos, pelo menos, conservar a estabilidade conquistada com tanto esforço.

Posts relacionados:

21 Responses to A chance que perdemos

  1. Kleber Cerqueira says:

    Mais um ótimo texto, Amilton.. Em complemento, recomendo o artigo do Alexandre Schwartsman para a Folha de São Paulo. Abraço.
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2013/11/1373858-o-triunfo-da-mediocridade.shtml

  2. Kleber Cerqueira says:

    Aliás, fica uma sugestão para um tema futuro. O porquê de tudo estar absurdamente caro no Brasil (imóveis, automóveis, vestuário, calçados, eletrônicos, computadores, etc…)

    • Amilton Aquino says:

      Olha, já vi muitas opiniões sobre o assunto bolha imobiliária, mas o Adolfo foi o melhor. Recomendo também a quem passar por aqui. Valeu!

  3. Amilton Aquino says:

    E antes que alguém venha dizer que a crise é alarmismo da “imprensa golpista” olha só o noticiário de hoje: Dilma cobra Mantega sobre crise no Tesouro Nacional (http://br.noticias.yahoo.com/dilma-cobra-mantega-crise-tesouro-nacional-092700447–finance.html). Ou seja, ela isenta-se de responsabilidade e cobra do subordinado. Este, por sua vez cobra do secretário. E este, coitado, tem que segurar o motim dos técnicos. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

  4. Tricolor! says:

    Mais um artigo excelente escrito por você, Amilton!
    O pior é que pelo andar da carruagem, eu não vejo saída pro Brasil. Na oposição, não temos candidatos decentes pra presidência em 2014. Duvido que algum deles faça uma reforma econômica no país.
    E também, creio que o PT não diminuirá seus gastos públicos, visto que esse é o seu ponto forte (para os leigos), o que lhe assegura grande popularidade. Se cortarem o bolsa família, nunca mais ganharão nada. Se iniciarem um processo de privatizações, “serão hipócritas”, admitirão o fracasso de seu governo, pois essa medida foi muito criticada por eles quando feita pelos tucanos, nos anos 90. Enfim, esses são os motivos que me levam a crer que não temos saída. A coisa está ficando feia por aqui.
    Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado Tricolor. Compartilho com vc o pessimismo. De fato, hoje não temos nenhum candidato com a sinceridade suficiente para mostrar a realidade. Se o fizer, vai ser taxado de pessimista, “torcedor pelo quanto o pior melhor” e por aí vai. Ou seja, não vai ser páreo para a propaganda ufanista e de apelo emocional do PT. Como ninguém quer perder, então todos adotam discursos muito semelhantes. Lembra do Serra na eleição passada? Pois é, nesta teremos também o Eduardo Campos fazendo o mesmo malabarismo para não entrar em colisão com Lula e tentar criar um discurso de “continuísmo com mudanças”. Aécio pode ser um pouco mais propositivo, mas também vai ficar na defensiva acusado de querer acabar com os programas sociais e por aí vai. Além, claro, de ter que se defender das muitas acusações que vão surgir da máquina de dossiês do PT. Sinceramente, acho que neste quadro atual, seria melhor a oposição jogar a toalha para as próximas eleições e fazer o que tem que ser feito. Aproveitar cada segundo do tempo de TV para mostrar, em linguagem clara, o que estamos mostrando aqui, sempre chamando atenção para a lição número um de cada cidadão que deveria ser não gastar mais do que arrecada e desmistificar esta crença de que o Estado é uma fonte inesgotável de riquezas e que não precisa seguir esta regra básica dos indivíduos. A mensagem é fácil de assimilar, afinal a maioria dos brasileiros está endividada e está tendo que definir bem as prioridades. O mesmo acontece com o governo. É isso que tem que ser passado para a população. Este seria o momento ideal para surgir um candidato realmente liberal, mesmo que desconhecido, e tentar alertar a população. Existe inclusive a tentativa de criar este partido (http://www.novo.org.br/). Infelizmente não será dessa vez que vamos ver algum discurso liberal nas próximas eleições. Enfim, será preciso um trabalho de longo prazo para desmistificar o populismo petista que nos tornou refém.

  5. Oneide teixeira says:

    Amilton veja este vídeo, A arte da guerra política de David Horowitz , demora um pouco para ficar interessante, mas vale cada minuto. E se tiver tempo o segundo,Saul Alinksy e o Império do Radicalismo Político,

    http://www.youtube.com/watch?v=KNCAUfQUvJA

    http://www.youtube.com/watch?v=i11taVO1hIY

    • Amilton Aquino says:

      Muito bons, Oneide. Indico também a todos que passarem por aqui. Brevemente vou escrever também sobre tais assuntos. Valeu!

  6. Oneide teixeira says:

    Amilton, nestes 11 anos que o PT esta no poder, o trabalhador obteve um aumento de apenas 102 r$ no rendimento médio entre 2002-2012.

    É um escândalo que a oposição não denuncia(set de 2013, 110 r$).

    Só isso já suficiente para ganhar a eleição. A comprovação que a produtividade não avançou nada. Já os rendimentos da classe alta subiram muito nos 11 anos de PT.

    O trabalhador brasileiro obteve apenas um aumento de 102 r$ em 10 anos , no rendimento médio real,

    Rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido por mês, pelas pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas no trabalho principal da semana de referência, por regiões metropolitanas, segundo os meses da pesquisa – mar.2002-jan.2012 fonte IBGE,

    Tabela completa http://migre.me/gTNNP

    Estimativas (Em R$ de Janeiro de 2012)

    Em março de 2002 , o rendimento médio era de 1510 r$, somente em setembro de 2008, ele volta a para o mesmo valor, ou seja somente em 2008 o trabalhador retorna a receber o mesmo rendimento que em março de 2002, 5 anos depois.

    O trabalhador somente em 2010 volta a receber um salário maior que o de junho de 2002, 8 anos depois.

    Em janeiro de 2012 o rendimento médio alcança os 1672 r$ , 102 r$ a mais que junho 2002, depois de 10 anos.

    Link esta no Nassif mas, foi eu que fiz, não é coisa de governista, eu estou “mijando no território inimigo” e eles não podem fazer nada, senão vão ser rotulados de anti-democráticos.

    http://jornalggn.com.br/fora-pauta/rendimento-medio-real-do-trabalho-entre-os-anos-de-2002-2012

    • Amilton Aquino says:

      Estes dados revelam duas coisas: 1) O aumento real do salário mínimo não aumenta necessariamente a renda média; 2) Não temos oposição. Estes dados deveriam estar sendo confrontados com o discurso triunfalista do PT do aumento do mínimo, assim como seus efeitos na decadência da nossa indústria. Infelizmente tocar nestes assuntos não rende votos, então vão relevando até que a coisa fique grave. Se tem uma coisa que vai ser bom caso a Dilma seja reeleita será a revogação da atual lei de aumento do mínimo. Quero ver a cara dela, o que vai dizer…

  7. Oneide teixeira says:

    Ps : já abusando da sua paciência, pelo fato do salário médio estar estagnado desde 2002, justificasse a baixo índice de desemprego, a diminuição do salário em comparação a lucratividade das empresas.
    Mão de obra mais barata este é o pq da melhora da empregabilidade alta.

    • Amilton Aquino says:

      Tem a ver também, Oneide. Mas me parece que a principal razão é o aumento do setor terciário. Como o governo tem irrigado muito a economia, a indústria sofre com os importados. Mas o setor de serviços não. Então este setor acabou sendo beneficiado pelo estimulo artificial.

  8. Oneide teixeira says:

    Toda a imprensa vem noticiando que a renda média bateu um record 1931 r$, só que esta e a renda média real de São Paulo que já alta, e em 2002 no melhor mês foi de 1905 r$ , ou seja apenas 26 r$ em 11 anos.

    O que melhorou em comparação a 2002 foi a renda média real do trabalhador sem carteira assinada , 338 r$, entre o melhor mês maio 2002(979 r$) e o melhor mês julho de 2011(1317)..

    Só consegui ver estes números pq consegui as tabelas originais sem manipulação.

    http://migre.me/gTNNP

    • Amilton Aquino says:

      Oneide, vejo estes números com cautela, pois eles referem-se apenas a poucas regiões metropolitanas, e não do Brasil como um todo. Uma das regiões que mais crescem hoje é a Centro Oeste, impulsionada pela expansão do agropecuária, e que não entra nestes dados. Portanto, confrontar estes dados com o aumento do mínimo é uma tarefa realmente meio ingrata. A renda média dá apenas um indicativo, mas não uma fotografia real. O aumento do mínimo é um fato, mas, longe de ser uma solução, é um problema que está acelerando ainda mais a decadência da nossa indústria. É este aumento, acima da inflação, que está por traz da estagnação do nossa produtividade, um dos principais fatores de equilíbrio a medida em que novos players entram no mercado com a vantagem competitiva da mão de obra mais barata, como China e Vietnã, por exemplo. Este é o ponto da discussão atual. A própria Dilma já percebeu o problema no primeiro ano de mandato e chegou acenar por uma mudança na regra de aumento do mínimo aprovada por Lula apenas dois anos antes. Mas teve que voltar atrás por causa das pressões do próprio PT. Até então tem empurrado o problema com a barriga para o próximo mandato, quando não terá mais como fugir do problema. Além do problema da produtividade, o aumento do mínimo acima da inflação e da produtividade está também impactando negativamente as contas do próprio governo.

  9. Oneide teixeira says:

    Amilton, salários representam a produtividade marginal do trabalho.
    Com o aumento nominal do salário minimo, o trabalhador que não atingir a produtividade necessária para justificar a contratação será despedido ou nem mesmo contratado.
    Quem ganhava 3 salários mínimos esta hoje ganhando 2 mínimos.
    vou procurar naquele labirinto chamado IBGE alguma informação sobre o rendimento médio nacional.

    • Amilton Aquino says:

      Correto. O que estou querendo dizer é que o mínimo não deve aumentar independentemente da produtividade, artificialmente via governo. O “aquecimento” artificial do mercado, este sim,provoca a estagnação da produtividade. Vamos tomar o caso de um pedreiro, por exemplo. A mão de obra dele hoje está muito valorizada. As empresas tem que pagar muito mais para mantê-los, pois, caso contrário, eles mudam de emprego. Numa situação dessas, o cara pode se dar ao luxo de empurrar um pouco as coisas com a barriga e, nem por isso, será demitido. Ou seja, ele não terá estímulo para aumentar a produtividade.

  10. Abbud says:

    Olá Amilton, a última vez que comentei em seu blog foi há 3 anos, ainda na última infeliz eleição da Dilma. Como sempre seus textos são muito coerentes. Mas falando sobre as próximas eleições, já dizia isto desde a reeleição do Lula em 2006, e que FHC recentemente falou a imprensa, para ser presidente no Brasil você precisa ganhar em dois dos 3 Maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas e Rio, e se ganhar nos três já leva no primeiro turno como FHC no passado. A tese é válida se observarmos que nas últimas três eleições , tivemos segundo turno por que em São Paulo o PT não ganhou até hoje. A esperança é Aécio confirmar vitória em Minas e São Paulo votar como sempre votou, além do mais importante, O Brasil perder na final da Copa para a Argentina! Infelizmente, o nosso povo ignorante se revolta mais com o Brasil perdendo a copa em casa do que seu filho sem escola ou hospital, e muito menos entende o que você escreve aqui no blog, por outro lado mais 4 anos da bomba na mão do PT teria um lado positivo, o fim do mito populista… nem que para isso tenhamos que chegar ao fundo do poço.

    • Amilton Aquino says:

      Amigo, é muito bom tê-lo aqui novamente. Gostaria de ter o seu otimismo, mas acho que a Dilma vai ser reeleita. Que a economia está piorando é um fato, mas não o suficiente para uma mudança muito grande nas intenções de votos. Certamente o governo vai fazer mais alguns passivos e algumas contabilidades criativas e vai empurrar este ano com a barriga.