Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 3)

nazismo-comunismoAs duas vertentes socialistas “na luta” pelo poder

Como vimos nos posts anteriores desta série (ver links abaixo), a Alemanha foi um terreno fértil para as ideias socialistas. Não por acaso, a grande maioria dos filósofos socialistas são alemães.

Apesar da sintonia de todos os pensadores quanto à “necessidade de substituir o capitalismo pelo socialismo”, além de “criar um novo homem”, desde o final do século XIX já começou a haver uma cisão entre duas correntes principais: 1) A vertente marxista, que pregava a abolição da propriedade privada, chegou ao poder na Rússia em 1917; 2) A vertente conservadora socialista, que concordava com o planejamento da economia, mas não concordava com a abolição da propriedade privada, seguiu tentando chegar ao poder via Partido dos Trabalhadores Alemães, o qual viria se tornar mais adiante o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, hoje mais conhecido como partido Nazista. Leia mais

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Os efeitos retardados das reformas estruturais (ou da falta delas)

reformas_estruturaisUma das coisas que mais me incomodam no debate político do Brasil é a imediata culpa ou a louvação que nossos presidentes recebem pelo bom ou mau momento em que passa a economia no momento presente, comportamento este ainda mais estimulado a partir do governo do PT, quando Lula começou a recitar nos seus corriqueiros comícios o seu famoso bordão “nunca antes na história deste país”. O que muita gente não percebe,  inclusive gente “bem informada” (ou seria mal intencionadas?) é que muitas das causas pelos bons ou maus momentos do presente tem mais a ver com ações governamentais do passado ou pela ausência delas. Leia mais

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Diferenças fundamentais entre Esquerda e Direita

esquerda_direita_cerebroEm 2011 escrevi uma série de 20 posts mostrando a trajetória dos dois polos ideológicos ao longo da história (ver aqui). Uma das principais conclusões foi que, com a derrocada do mundo comunista, o esquerdismo deslocou-se em direção ao centro do espectro ideológico, abandonando o comunismo como ideal a ser conquistado e abraçando a social democracia. Ou seja, a Esquerda teve que ser convencida pela realidade de que suas principais bandeiras estavam equivocadas.

No Brasil, o PT ao assumir as bandeiras da social democracia (e ao mesmo tempo abrandar o discurso socialista), ocupou o lugar originário do PSDB, empurrando-o para a direita e mantendo acesa a velha polarização esquerda x direita, agora sob a dicotomia “mais estado x menos estado”. Ou seja, tudo que sobrou da disputa ideológica que matou mais de cem milhões de pessoas no último século. Finalmente (e felizmente) a antiga bandeira de “acabar com a opressão do capitalismo” foi substituída pela mais realista “humanização do capitalismo”. Leia mais

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A sinceridade de Gabeira

gabeiraFernando Gabeira é uma rara exceção da política. Tem a sinceridade utópica que gostaríamos que todos os políticos tivessem. Ele é mais um dos milhões de brasileiros decepcionados com o PT e, por extensão, com a esquerda por seus incontáveis equívocos. E como sempre acontece com quem critica o PT, Gabeira é agora mais um “reacionário”, assim como Hélio Bicudo, Francisco Weffort e tantas outras figuras históricas do PT que tiveram a coragem de dizer as verdades que a cada dia ficam mais difíceis de esconder.

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O Nazismo foi mesmo de direita? (parte 2)

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Como vimos no post anterior, a base da ideologia nazista foi criada por filósofos socialistas já no século XIX, muito antes de Hitler aparecer para a política. No início do século XX, muitos outros socialistas de menor renome dariam também suas contribuições para formação da ideologia nazista. Um deles foi Paul Lensch. Doutor em ciência política, tornou-se editor de jornais e revistas (juntamente com Rosa Luxemburgo), o que o ajudou a popularizar ainda mais as ideias socialistas. Ele é hoje considerado o pai do Socialismo de Guerra, uma das vertentes radicais que defendia a luta armada para a tomada do poder (assim como o bolchevismo na Rússia), em contraposição as influências do Socialismo Fabiano inglês que pregava uma forma gradual, linha seguida por Gramsci e adotada pelo meio acadêmico desde então.

Em um de seus livros, Lensch faz um relato histórico de como o sistema protecionista adotado por Bismarck, na segunda metade do século XIX, tornara possível na Alemanha uma evolução na concentração industrial e na cartelização da economia, o que caracterizaria um estágio superior do desenvolvimento industrial.

Nas palavras de Lensch, na Alemanha “designada pela história” para representar esta “forma superior” de vida econômica, “a luta pelo socialismo foi sobremodo simplificada, pois neste país, todos os requisitos do socialismo já se achavam estabelecidos. Portanto, era de vital interesse para qualquer partido socialista que a Alemanha triunfasse sobre seus inimigos, para cumprir sua missão histórica de revolucionar o mundo.” Ironicamente tanto Lensch quanto Rosa Luxemburgo (talvez a mais ilustre comunista da história) militaram para o SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD), um dos principais adversários de Hitler na década de 20. Ou seja, as divergências entre nazistas e comunistas eram mais pela disputa pelo poder do que por razões ideológicas de fato. Leia mais