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O Nazismo foi mesmo de direita?

hitlerDurante toda minha vida acadêmica fui doutrinado a acreditar que o nazismo representou o regime mais extremado de direita, o oposto do esquerdismo. No entanto sempre me chamaram a atenção alguns pontos comuns entre o nazismo e o socialismo, os quais já expus aqui no nosso blog nos debates com nossos leitores, a começar pela palavra “socialista” incluída no nome do partido nazista. Como um partido de “extrema direita” poderia ter em seu nome uma palavra tão simbólica? Socialismo teria outros significados que eu não conhecia?

Preferi acreditar que este seria apenas mais um acidente semântico, sem maior importância, afinal foram os comunistas que colocaram uma pá de cal no nazismo ao invadir Berlim. E, na visão dualista com que fomos educados por nossos professores esquerdistas, opor-se à União Soviética, Cuba ou qualquer outro país socialista era o mesmo que se colocar no campo oposto. Ou seja, na direita.

Só mais recentemente quando li “O Caminho da Servidão”, de Hayek, é que finalmente encontrei a base teórica que confirmou minhas intuições e de tantas outras pessoas que engoliram mais este terrível engodo dos nossos historiadores esquerdistas. Não! O nazismo não foi de direita. Foi apenas uma vertente nacionalista do socialismo. Ou seja, mais uma terrível experiência totalitária de esquerda. Esta é a tese que vamos defender nesta série de posts.

A base filosófica do Nacional Socialismo

Muita gente que caracteriza o nazismo como de direita, defende a tese de que, apesar das indiscutíveis raízes socialistas, o nazismo foi “endireitado” por Hitler, o qual teria sido um capacho dos capitalistas alemães. Sobre este assunto vamos falar mais adiante. Por enquanto, vamos provar que o Nazismo não foi fruto apenas do delírio de Hitler. Muito antes dele, muitas publicações de socialistas alemães forneceram os subsídios teóricos que ajudaram a criar o monstro nazista.

Fichte, Rodbertus, Lassalle, Werner Sombart, Johann Plenge , H. G. Wells, Friedrich Naumann e Paul Lensch são alguns dos ilustres da época que hoje são quase desconhecidos da elite intelectual de esquerda que dominam as universidades desde o início do século XX. Mas seus livros estão aí para comprovar a análise de Hayek.

Claro que entre o ideal socialista original e o nazismo propriamente dito tem um longo caminho, o qual não foi percorrido em apenas uma década, como nos foi ensinado. As contribuições teóricas desses autores foram se somando e formando a personalidade de Hitler.

De Fichte, um socialista utópico precursor de Marx, Hitler herdou as ideias anti-semitas. Segundo ele, “permitir que os judeus se tornassem cidadãos alemães livres feriria a nação alemã”. Fichte é também considerado o pai do nacionalismo alemão, uma das bases do regime nazista e de todos os seus derivados.

Marx foi além e afirmou, categoricamente, sobre os poloneses, as primeiras vítimas de Hitler: “as classes e as raças fracas demais para conduzir as novas condições da vida devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto revolucionário”. Ou seja, a ideia do holocausto não só não foi de Hitler, como também foi implementada antes pelos comunistas na União Soviética como veremos adiante. Também, não por acaso, os poloneses foram um dos primeiros alvos de Hitler. Sigamos por enquanto com os filósofos do nazismo.

Friedrich Engels, o outro expoente máximo do comunismo, não deixou por menos e usou várias vezes o termo “lixo racial” (Völkerabfälle) em relação a várias pequenas nações européias.

Rodbertus, um dos contemporâneos de Marx, foi um dos teóricos do valor-trabalho. Ele é autor de bobagens do tipo “quanto maior a produtividade, maior a exploração”. Apesar do discurso típico socialista, surpreendentemente não pedia a abolição da propriedade privada. Ou seja, é um dos pais do “socialismo conservador” ou “socialismo de Estado” que combina forte dirigismo estatal com elementos do capitalismo, a vertente socialista abraçada pelo nazismo.

Lassalle, outro contemporâneo de Marx, vai na mesma linha ao rejeitar a utopia marxista sem classes, mas defendendo o socialismo de estado, exatamente como praticado pelos nazistas décadas depois.

Apesar das divergências, o que une todos estes teóricos é o combate ao liberalismo e ao individualismo inglês, o representante máximo do capitalismo que avançava por todo mundo, principalmente na América. O combate ao individualismo levava ao coletivismo socialista e a necessidade de um planejamento central. Para Werner  Sombart, “as reivindicações individuais são sempre decorrentes do espírito mercantil (..) Há uma vida superior a vida individual – a vida do povo e do estado – e a finalidade do indivíduo é sacrificar-se por esta vida superior. Nada mais nazista (e socialista eu diria – ou seria o contrário?).

Johann Plenge e H. G. Wells dão um passo adiante na ramificação do socialismo alemão ao valorizar excessivamente o papel da Alemanha na construção desse novo mundo socialista que emergiria no novo século XX. Sombart argumentava que os verdadeiros ideais alemães de uma vida heroica estavam, antes da I Guerra Mundial, ameaçados de desaparecer por causa do avanço contínuo do liberalismo inglês. Ele sabia que outros povos desprezavam os alemães por seu espírito guerreiro, mas regozijava-se com isso. A guerra inevitável entre alemães e ingleses representaria a “perspectiva heroica da vida”, a luta contra o ideal oposto, o individualismo e o mercantilismo inglês.

Plenge, uma grande autoridade em marxismo, autor de “Marx und Hegel”, escreveu um outro livro que se tornou best-seller na Alemanha do início do século XX: “1789 e 1914: os anos simbólicos na história do espírito político”. A tese central da obra era o confronto entre os ideais da Revolução Francesa, notadamente o princípio da liberdade, e o ideal de 1914 que, segundo ele, seria o ideal da “organização”.

Segundo Plenge, “a organização é a essência do socialismo”. Para se diferenciar do marxismo histórico, ele afirmou que Marx traíra essa ideia básica do socialismo ao “aderir à fanática e utópica ideia de liberdade abstrata” (seria uma “liberdade burguesa”?). A economia de guerra alemã de 1914 seria, segundo Plenge, “o primeiro passo na construção de uma sociedade socialista (..) Um novo e grande ideal de vida avança rumo à vitória, enquanto que, ao mesmo tempo, um dos princípios históricos (o liberalismo inglês) entra em colapso final”. Neste novo mundo, que surgiria da I Guerra Mundial, segundo Plenge, a Alemanha surgiria como a locomotiva socialista. Este seria seu destino histórico. Ou seja, tanto as vertentes alemã e russa que chegaram ao poder na primeira metade dos século XX, apesar das divergências, tinham como objetivo expandir seus domínios a outras nações.

Portanto, a ideologia nazista já estava completamente criada já no século XIX. Faltava apenas a chegada do “messias” Hitler.  Mas este já é o assunto para o próximo post. Até lá!

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74 Responses to O Nazismo foi mesmo de direita?

  1. kim says:

    legal esse poster desfaz alguns mitos,fantasias de alguns esquerdista,mto util esse topico.

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, amigo. Durante todo este tempo Hitler serviu como um contraponto a Stalin. Mas agora sabemos que são farinha do mesmo saco. Estou lendo agora o novo livro do Narloch (Guia politicamente incorreto do mundo) que traz também um capítulo sobre o nazismo que vai na mesma linha deste post. Perguntei a um professor de história sua opinião sobre o livro que é um dos mais vendidos do Brasil. Sabe o que ele respondeu? “Ele é de direita”. Ou seja, o rótulo desqualifica todos os argumentos do jornalista. Bem típico dos esquerdistas. Aguarde os próximos posts.

  2. Gilx says:

    Devia devolver: “e os que dizem que nazismo é de direita são intelectuais de esquerda”.
    Nesse nível raso de conversa, vira birra de crianças.

    • Amilton Aquino says:

      É importante desmistificar este assunto porque é muito comum em discussões políticas os esquerdistas rotularem seus oponentes de “fascistas” ou “nazistas”.

  3. Alan Patrick says:

    Olá Amilton,
    Nesse tema não tem como não polemizarmos, vou escrever algumas perguntas que me intrigam sobre o tema: o que vc pensa sobre a ditadura fascista do Pinochet no Chile, que foi o primeiro país na história onde as reformas neoliberais foi implantada? E o apoio do Milton Friedman e do Hayek as medidas econômicas adotadas no Chile pelo ditador Pinochet, o que vc diz deste apoio explicíto do Hayek e do Fredman a uma ditadura política fascista? sobre a pergunta do post: o nazismo foi mesmo de direita? respondo que SIM, de extrema direita, e com forte capitalismo de Estado. O socialismo/comunismo proposto por Marx e Engels tem por objetivo acabar com a exploração do homem pelo homem presente no capitalismo, sendo que o socialismo e uma fase de transição em que o Estado se definha(morre) até chegar ao comunismo(ausência de Estado). Nesse sentido o socialismo/comunismo não tem nenhuma ligação com o fascismo(forte capitalismo de Estado e exploração do homem pelo homem). Aliás, o fato de um partido ter como sigla “socialismo”, não significa que o partido seja necessariamente na prática socialista, mais ou menos como o PSDB(Partido da Social Democracia Brasileira), que na prática tem pouco ou quase nada de social democrata, mas que possui a sigla de partido social democrata. O próprio Marx criticava as correntes “socialistas” burguesas, como pode ser visto no livro Crítica ao Programa de Gotha. Aliás, se o fascismo e o nazismo eram mesmo um socialismo de esquerda, então porque foram regimes totalitários financiados e apoiados pela burguesia reacionária que estava apavorada com a possibilidade de uma revolução socialista? resposta: manutenção do sistema de exploração capitalista! o socialismo/comunismo autentico proposto por Marx e Engens e uma sociedade superior a capitalista, na qual o desenvolvimento da democracia esta radicalizada, a produção econômica tem por objetivo atender as necessidades da sociedade e não o lucro como ocorre no capitalismo, e a humanidade tem plenas condições de se desenvolver suas capacidades físicas e espirituais!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Alan, seja bem vindo ao debate. Tudo depende do conceito que vc tem de esquerda e direita. Portanto, acabei de publicar um novo post que responde parte das suas questões: http://visaopanoramica.net/2013/09/13/diferencas-fundamentais-entre-esquerda-e-direita/ . Estou saindo agora, mas retorno brevemente para responder os pontos específicos do seu comentário. Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Alan, voltei. Se vc leu meu último texto sobre as diferenças fundamentais entre esquerdistas e direitistas, vc deve concluir, como eu, que apesar dos diversos conceitos que existem (e existiram) de esquerda e direita ao longo dos últimos séculos, os cinco pontos que citei que os diferenciam sempre estiveram presentes. Experimenta identificar tais elementos no nazismo. Com exceção do primeiro item, que pode gerar alguma polêmica, os demais são incontestáveis. Portanto, é com base no que há de mais fundamental na base filosófica do esquerdismo que devemos ter como referência e não com achismos pessoais. Se fôssemos levar em consideração o que cada um acha sobre o que é esquerda e direita, por exemplo, o PT seria direita para o PCO ou para o PSTU, da mesma forma que para vc e para o PT o PSDB é de direita, apesar do PT ter se apropriado do espectro de centro esquerda original do PSDB. Para um liberal ortodoxo o PSDB continua sim sendo de centro esquerda e ponto final. Ou seja, fica tudo na base do achismo. Como está provado no artigo acima, toda a base da ideologia nazista é socialista e o socialismo, convenhamos, está mais para o comunismo do que para o capitalismo de livre mercado. Quando vc diz que o nazismo foi de direita, vc está fazendo o mesmo que o PSTU faz com o PT. Ou seja, vc classifica os socialistas fabianos, conservadores e nacionalistas como de “direita”, porque seu espectro ideológico é de extrema esquerda. Porém sua opinião não muda nada na história de Hitler. Se vc leu o segundo post da série, deve ter encontrado muitos outros pontos em comum entre o PT alemão e o PT brasileiro atual. E então? O que vc acha do PT brasileiro? É ou não de esquerda?
      Agora, vamos pensar um pouco. Vc citou a crítica de Marx as correntes socialistas “burgueses”, como se isso fosse suficiente para torna-los de direita. Ora, antes de Marx a esquerda já existia. Os socialistas já existiam. Marx absorveu as ideias socialistas e as “elevou” ao comunismo, instituindo a paranoia da luta de classes. Daí porque também foi criticado por vários socialistas contemporâneos.
      Sobre Pinochet, não pense que vou defender suas atrocidades. Porém, no campo econômico, o governo Pinochet colocou sim o Chile nos trilhos. Tanto que hoje é o país latino americano mais organizado, com maior renda per capta, maior IDH, maior liberdade econômica, etc, etc. Vejam só que ironia! Vc acusa Pinochet de fascista (apesar dele abrir a economia do Chile), mas esquece que o socialista Allende foi também um simpatizante do fascismo. Aliás, não apenas Allende, como também Péron, Vargas e outros caudilhos que entraram para a história como “grandes mártires de esquerda”, mas que no fundo eram fascistas, como Hugo Chaves, mais recentemente. Aliás, vc sabia que Mussolini era socialista antes de fundar o fascismo? Vc sabia que boa parte dos integrantes do partido socialista italiano debandaram para o partido de Mussollini?

      • Alan Patrick says:

        Olá Amilton, discordo de vc mas respeito sua opinião. Vamos examinar melhor algumas questões: a tese de que o fascismo tem uma base socialista e refutado por três aspectos: 1) o fascismo e o nazismo foram movimentos extremamente conservadores, que tinham como objetivo garantir a manutenção da ordem capitalista, por isso foram apoiados e financiados por grandes empresários que temiam uma revolução socialista. O escritor norte-americano Leo Huberman, fez uma pertinente observação a esse respeito: ” Quando a economia capitalista entra em colapso e a classe trabalhadora marcha para o poder, então os capitalista se voltam para o fascismo como saída.” 2) o fascismo tem como característica o anticomunismo: socialistas e comunistas foram perseguidos, presos e mortos pelos fascistas. Gramsci que era um grande intelectual marxista, só para citar um exemplo, foi preso pelo regime fascista de Mussolini. 3) A ideia de igualdade social presente no socialismo/comunismo e odiado pelos fascistas, que consideram que o mundo deve ser dominado por uma elite intelectualmente e biologicamente superior. Portanto, levando em consideração que o fascismo foi apoiado e financiado por grandes empresários, que era anticomunista, elitista e racista, só posso deduzir que o fascismo era uma ditadura de extrema direita. Em relação ao PSDB, não considero ele um partido social democrata pela seguinte razão: o PSDB na prática defende o projeto neoliberal de sociedade: privatização, desregulamentação trabalhista, redução dos gastos sociais etc , e não a política social democrata de regulamentação e forte intervenção do Estado na economia. Por isso destaquei que o PSDB só possui de social democrata a sigla do partido. Quanto ao PT, apesar do partido ter seus erros e limites, distintas correntes internas, considero o partido no momento de centro esquerda, pois o partido promove e defende políticas de aumento do salário mínimo, do emprego e da inclusão social. Sobre o Chile, país onde o neoliberalismo teve sua primeira experiência nascida de uma ditadura fascista, ficou demonstrado que o neoliberalismo na economia foi compatível com uma ditadura política, algo irônico já que os neoliberais afirmava que a democracia só poderia haver num regime de livre mercado. Ou seja, a repressão fascista de Pinochet aos opositores, associada de medidas draconianas de austeridade, historicamente é um claro exemplo de simbiose entre fascismo e neoliberalismo. Aliás,o efeito das medidas econômicas draconianas adotadas no Chile, foi o aumento da concentração de renda, o acirramento das desigualdades sócio-econômicas e a mercantilização dos serviços públicos. Sobre seu comentário de o Allende ser “simpatizante do fascismo”, não sei de onde vc tirou esta informação, pois se o Allende de fato fosse “simpatizante do fascismo”, não teria sido derrubado por um golpe de Estado que foi apoiado e financiado pelos EUA e a burguesia chilena. Aliás, vc sabia que parcela dos membros do Chicago Boys, que tiveram participação ativa na implantação do neoliberalismo no Chile, participaram do movimento chileno fascista Pátria e Liberdade?

        • Amilton Aquino says:

          Olá Alan, só agora vi seu comentário. Estou de saída agora, mas te respondo logo mais à noite. Abraço!

        • Amilton Aquino says:

          Olá Alan, também respeito suas opiniões, mas vamos a mais algumas considerações. 1) Não. Nem o nazismo nem o fascismo foram pró-capitalistas. Veja um dos muitos discursos de Hitler sobre o capitalismo: “Nós somos socialistas, nós somos inimigos do sistema econômico capitalista atual de exploração dos economicamente fracos, com seus salários injustos, com sua ultrajante avaliação de um ser humano de acordo com sua riqueza e propriedade ao invés de responsabilidade e comportamento, e nós estamos determinados a destruir esse sistema, custe o que custar”. Os capitalistas que apoiaram Hitler o fizeram por dois motivos principais: o primeiro e mais óbvio é que os peixes grandes procuram sempre se aliar com quem está no poder (ou está prestes a chegar ao poder), sejam eles quem forem. É a velha simbiose entre grandes corporações monopolistas e Estados intervencionistas que garantem reservas de mercado para os amigos do rei e que dificultam a entrada de outros competidores. Lula fez um monte desses “amigos” e nem por isso vc o considera de direita. Por que com Hitler e Mussolini seria diferente? O segundo motivo foi a iminente ameaça comunista que rondava a Alemanha. Enquanto o capitalismo estava na sua mais grave crise da história, o comunismo vivia sua época de ouro. Na miséria da Alemanha da década de 20 nazistas e comunistas disputavam a indignação popular nas ruas e cresciam a cada eleição. Com o desgaste natural dos sociais-democratas no poder, desmoralizados com uma das piores hiperinflações da história, os potenciais de crescimento de nazistas e comunistas (segundo e terceiro lugares respectivamente nas eleições de 1933) tornaram-se ainda mais fortes. Ou seja, muita gente apoiou Hitler porque não queria apoiar nem comunistas nem no atual presidente candidato a reeleição, algo que aconteceu também na eleição de Lula em 2003, vale lembrar. É aquela aposta no tudo ou nada, numa mudança qualquer já que já estavam no fundo do poço. Entre comunistas, que pregavam mudanças radicais como a supressão da propriedade privada, e nazistas, também um pouco menos radicais, a preferência pelos últimos é bem compreensível. Portanto, nada mais apropriado que a citação que vc postou: “Quando a economia capitalista entra em colapso e a classe trabalhadora marcha para o poder, então os capitalista se voltam para o fascismo como saída”. Ou seja, para muitos capitalistas foi uma forma de se abrigar nas asas do Estado. Vale salientar, no entanto, que uma vez instaladas as ditaturas, muitos capitalistas foram assassinados e outros foram obrigados a fabricar armas, veículos e mantimentos para os projetos bélicos de Hitler.
          2) O fato de Hitler e Mussolini tornarem-se inimigos dos comunistas não muda em nada suas características de esquerda. Da mesma forma, as críticas do PSTU ao PT (ou vice-versa) não os tornam de direita. Vale lembrar que tanto fascistas quanto nazistas eram também arqui-inimigos da democracia liberal, sendo que esta não tem nada a ver com um bando de empresários monopolistas querendo vantagens com a proximidade do poder.
          3) Tanto o nazismo quanto o fascismo pretendiam sim criar sociedade menos desiguais. Basta ver algumas das reivindicações do partido nazista que citei na parte 2 desta série: http://visaopanoramica.net/2013/09/07/o-nazismo-foi-mesmo-de-direita-parte-2/ No máximo vc pode dizer que tanto o fascismo quanto o nazismo combinaram características de esquerda e direita, o que daria um meio termo (algo que discordo, vale salientar. O pêndulo aí está muito mais para a esquerda). Portanto, mesmo admitindo que tais ideologias estariam no meio do espectro ideológico dos dois polos jamais poderiam ser consideradas de “extrema-direita”, pois estariam no meio. Se assim foram classificadas durante todo este tempo, foi por causa da herança granscista que dominou o círculo acadêmico durante todo este tempo. A “elite intelectualmente superior” sempre foi a regra no marxismo. Esta história de final sem classes e sem Estado foi um puro delírio de Marx que está mais para a utopia anarquista. Na prática, foram justamente os “intelectuais” marxistas que conduziram a humanidade para os seus maiores genocídios. Construção de um “novo homem” tem tudo a ver com a esquerda. Hitler apenas deu um toque a mais nesta característica com o arianismo.
          Sobre o PT e o PSDB, o que ocorreu na prática foi que ambos os partidos deram uma guinada à direita. Daí a considerar um ou outro de esquerda, vai depender do seu espectro ideológico, como já falei antes. O fato concreto é que, mesmo com todas as limitações orçamentárias que caracterizaram a era FHC, ainda assim os tucanos conseguiram lançar as bolsas que levara ao Bolsa Família, bateram recordes de assentamento de famílias no campo, implantaram o PSF, Fundef, criaram agências reguladoras, etc. Vai perguntar a um liberal mais radical se o PSDB é de direita. Mas tudo bem, respeito sua opinião, afinal aqui estamos falando de nuances que são perfeitamente compreensíveis. Mesmo assim te adianto que no Brasil não existe ainda nenhum partido realmente liberal. Existe uma tentativa de criá-lo, mas estão muito longe de conseguirem, infelizmente. Então o que temos na verdade são partidos de esquerda disputando o PT e um bando de oportunistas sem ideologia nenhuma buscando cargos. Esta é nossa realidade.
          Sobre Pinochet, vc já deve ter lido no meu post específico que suas políticas não foram exatamente liberais. Foi o mais liberal da América do Sul, mas ainda assim cheio de intervenção estatal. De qualquer forma, mesmo com suas falhas, o Chile é hoje o país da região mais bem organizado, mais estável, com maior IDH, renda per capta e maior liberdade econômica. Aumentaram a desigualdade entre ricos e pobres? Certamente, da mesma forma que aconteceu em vários outros países. Isso ocorre porque porque as empresas cresceram mais rápido que os salários. Mas isso não significa que as pessoas ficaram mais pobres. Pelo contrário, melhoram também. Os ricos é que ficaram mais ricos mais rapidamente. Veja o poder do livre mercado. Um pequeno lampejo de liberdade econômica, mesmo em meio uma ditadura ferrenha, foi capaz de produzir este desenvolvimento. Agora imagina se eles tivessem errado menos…
          Sobre Allende me enganei. Ele não foi simpatizante dos fascistas. Foi pior: dos nazistas. Não sei se vc sabe, mas quando foi ministro da saúde, ele tentou colocar em prática um programa de eugenia copiado de Hitler, onde tentou proibir a reprodução de portadores de algumas doenças e até de alcoólatras! Vc sabia disso? Pois é amigos os contadores de história esquerdista têm vergonha desse lado do “herói” Allende. Não satisfeito, ainda recusou o pedido de extradição para a Alemanha do carrasco nazista que inventou a câmara de gás móvel, alegando que os crimes já haviam prescrito. Irônico, não?
          Sobre os chicago boys, pouco me importa se eles participaram de luta armada ou se são classificados de fascistas por esquerdistas. Afinal, como já está demonstrado este adjetivo tem sido usado de forma errada para rotular direitistas, quando na verdade seria mais apropriado para descrever esquerdistas tolerantes com estados autoritários e intervencionistas. Entre os princípios que defendo democracia e livre mercado andam juntos. Simples assim.

          • Tricolor! says:

            Olá, Amilton!
            Primeiramente, queria lhe parabenizar pelos textos excelentes feitos por ti. Realmente, esse assunto sobre o “posicionamento ideológico” do nazismo causa polêmica até os dias de hoje: os esquerdistas, dizem que o nazismo era de direita; os direitistas, dizem que era de esquerda.. Pra mim, isso tudo vai depender do conceito que cada pessoa tem sobre o que é “esquerda” e “direita”.
            Segundo, gostaria de saber em qual livro Marx escreveu isso: “as classes e as raças fracas demais para conduzir as novas condições da vida devem deixar de existir. Elas devem perecer no holocausto revolucionário”. ???

          • Amilton Aquino says:

            Olá Tricolor! Seja bem vindo ao nosso blog. Na verdade, existe sim uma base filosófica que nos ajuda a situar o espectro ideológico de cada pessoa com um pouco mais de objetividade. Claro que para quem está mais a esquerda tem um visão diferente de quem está a sua direita, mas no fundo, os esquerdistas tem características comuns que os diferenciam do resto. São estas características que os tornam mais unidos e irmanados. Sugiro que leia o primeiro post de uma nova série que comecei a escrever sobre as diferenças fundamentais entre esquerda e direita: http://visaopanoramica.net/2013/09/13/diferencas-fundamentais-entre-esquerda-e-direita/ Sobre a citação de Marx, ela consta em correspondências entre ele e Darwin. Ela consta no documentário “The soviety history”, lançado na década passada e que causou grande repercussão no meio acadêmico: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Soviet_Story

  4. Pedro Cavalcante says:

    Pseudo-autores + pseudo-intelectuais = bobagem vomitada

    • Amilton Aquino says:

      Quais são os pseudo-autores citados? Dê nome aos bois. Pare de vomitar e vamos debater de fato!

  5. pepibahia says:

    Fico me perguntando como um líder que acabou e abominava em todas as esferas sociais a “Luta de Classes” pode ser considerado de esquerda O.o

    Sobre o nazismo e uma análise mais profunda e orgânica do “Nacional-Socialismo” na Alemanha, aconselho a leitura do excelente texto do “Mundos-Fantásticos” (apesar do erro de digitação, o texto elucida bem do porque e o que foi o movimento Nazi):

    http://www.mundos-fantasticos.com/mein-kampf-minha-luta/

    • Amilton Aquino says:

      Pelo mesmo motivo que não havia mais luta de classes nos partidos comunistas, amigo. O Estado nazista se propunha a resolver tudo, até mesmo as “lutas de classes”. Veja como, mesmo sem querer, vc dá ainda mais peso aos meus argumentos. Obrigado!

  6. Como a leitura do Mein Kampf faz falta nessas horas, hehehehe. Engraçado um “regime de esquerda” como nazifascismo banir partidos comunistas. Se o nazismo não era pró-capitalista, como explicar a adesão de capitalistas ao regime? Mas o melhor mesmo nos comentários foi a defesa velada do regime político asqueroso de Pinochet… Tudo bem fuzilar pessoas no estádio nacional do Chile, não é mesmo? antes uma ditadura gerida pela lógica capitalista que a comunista, não? afinal de contas, ditaduras assim são “menos piores”, hahahaha. Esse raciocínio escroto de gente da Direita me diverte. Impressionante ver como ela tenta a todo custo tirar do lombo a culpa pelo nazismo. Luta inútil, diga-se de passagem 🙂

    • Amilton Aquino says:

      Primeiro, em nenhum momento falei que nazismo era igual a comunismo. Se fossem um deles não teriam razão de existir. O que mostro aqui é que há muito mais semelhanças entre o Nacional Socialismo alemão e o Internacional Socialismo dos comunistas do que entre Nacional Socialismo e capitalismo. Ponto. Ora, da mesma forma que o comunismo baniu todos os demais partidos por se achar a única alternativa ao capitalismo, o Nacional Socialismo seguiu no mesmo caminho, afinal ambos os regimes foram autoritários e acreditavam no supremo poder do Estado em promover a chamada “justiça social”, que, segundo nazistas e comunistas, seriam incompatíveis com o capitalismo. Como vc pode ver, o que vc supõe ser uma diferença é mais uma semelhança. Obrigado por mais esta contribuição. Mesmo sem querer vc dá ainda mais força aos meus argumentos. 😉
      Com relação a Pinochet em nenhum momento faço apologia às atrocidades cometidas por este regime nem pelo brasileiro ou qualquer outro. O que cobramos aqui é justamente a mesma balança para julgar tais atos. Vc diz que eu apoio as atrocidades cometidas por Pinochet (e eu não apóio), no entanto a maioria dos esquerdistas não está nem aí para as milhões de vítimas dos comunistas. De qualquer forma, posso te afirmar com segurança que ninguém matou mais comunistas que os próprios comunistas. Como vc pode ver, também estou me divertindo muito com estes “argumentos” irrefutáveis.

  7. pepibahia says:

    Amilton, tente não deturpar o que eu disse amigo.
    O que eu falei é que o nazismo NUNCA CONCORDOU COM A “LUTA DE CLASSES”.
    O nazismo abominava Marx. O nazismo/fascismo teve apoio das classes conservadora e burguesa. Não houve a socialização da mais-valia. O nazismo pregava a abominação do materialismo histórico em detrimento da ideologia. O nazismo não pregava a IGUALDADE MATERIAIS das pessoas, pelo contrário… considerava uma raça SUPERIOR às demais, pregando e defendendo abertamente a DESIGUALDADE entre as pessoas.

    Ou seja, Hitler negava o materialismo histórico, pregava a desigualdade entre raças – confrontando-se com a igualdade universal, perseguiu os adeptos do marxismo (sociais-democratas, gramsci, comunistas, etc…), teve sua chegada ao poder financiada por grandes CAPITALISTAS (como o tyssen krupp, Henry Ford, Hugo Boss e cia ltda) – concentrando o capital na mãos destes (não socializando a mais-valia), era a favor do expansionismo COLONIAL a fim de explorar outras regiões e garantir a concentração material para a mesma burguesia alemã (consequência do Imperialismo vigente) e etc etc etc e tu ainda vem me dizer que o Nazismo tinha mais coincidência com a esquerda do que com a direita?

    Cara, lê a biblia sobre o que foi o movimento nazista: “Ascensão e Queda do III Reich” de William Shirer, ler o artigo que mandei o link a cima, procura saber como muito dos que entraram no NSDAP com o pensamento socialista ou foram expulsos ou foram obrigados a se converter a ideologia fascista de apoio aos grandes capitalistas a mando de Hitler (como o próprio Goebbels). Vale a pena a leitura básica também do Mein Kampf.

    O próprio Hitler declarou abertamente ser contra a Esquerda.

    Enfim… isso tudo o que tu falou é besteira cara.

    E por favor, não use de Anacronismo para tentar respaldar o teu argumento. Pinochet e cia ltda foram ditaduras de direita, financiada pela CIA e o governo dos Estados Unidos, a fim de garantir os interesses imperialistas (o mesmo interesse imperialista de Hitler, o “Lebensraum) na América do Sul e evitar que existisse mais “Cuba’s” na região!

    Não dá. Realmente, não dá!

    O Fascismo foi a resposta da direita à crescente comunista do mundo e o Nazismo foi a versão alemã do fascismo.

    A DIREITA brasileira tem que aceitar isso, pois enquanto não aceitarem, não vão aprimorar o debate e os argumentos e serão “submissos” a representatividade de pessoas como Olavo de Carvalho, um ASTROLOGO (1 minuto de silêncio)…

    • Amilton Aquino says:

      Pebibahia, estava viajando e só agora pude ver seu comentário. Vamos então aos argumentos. Antes de mais nada, faço uma observação importante que explica a maioria dos seus equívocos: vc tem como parâmetro único de esquerda o marxismo. Acontece que o marxismo não inaugurou o esquerdismo. O esquerdismo é anterior e mais abrangente que o comunismo, o socialismo, o anarquismo ou qualquer outra variante de ideologia de esquerda. O socialismo, portanto, é anterior a Marx. E quando este surgiu com seu “socialismo científico” nem todos os socialistas concordaram com os absurdos que ele propôs, especialmente a abolição da propriedade privada. Certamente vc não sabe, mas, além do socialismo marxista havia também o socialismo conservador, a corrente do qual se ramificou o nacional-socialismo de Hitler. Apesar de divergirem bastante, o fato concreto é que ambas as vertentes socialistas tinham um inimigo em comum: o liberalismo que emergia da evolução natural das relações de troca da humanidade, assim como a democracia, o estado de direito e todas as demais conquistas da humanidade, fruto de um processo histórico de milênios de história as quais os conservadores valorizam e tentam preservar, apesar das constantes ameaças de rupturas por revoluções promovidas pelos esquerdistas desde a Revolução Francesa, sempre conduzidos por “iluminados humanistas” que, no final, acabam se mostrando como os maiores genocidas da história da humanidade. Portanto, vamos deixar bem claro uma coisa: os “conservadores” citados no texto que vc sugeriu não eram conservadores no sentido britânico da época nem no sentido atual nas das democracias liberais. Apesar de não aceitarem o igualitarismo absurdo proposto por Marx (e eles estavam corretíssimos, vale salientar), eles também não aceitavam o liberalismo burguês assim como o individualismo inglês que procurava consolidar, em meio ao ambiente autoritário da época, os direitos individuais que são hoje a base das modernas democracias liberais. Portanto, assim como os seus rivais marxistas, os socialistas conservadores alemães também eram coletivistas. Ou seja, colocavam o coletivo acima das liberdades individuais, assim como foi posto em prática pelos comunistas e nazistas quando chegaram ao poder no século XX. O nacionalismo característico do socialismo nazista foi apenas mais uma forma de diminuir o indivíduo, colocando os interesses da nação acima do indivíduo. Li todo o texto que vc recomendou e até aproveito para sugerir também aos leitores que passarem por aqui, afinal prezo por diferentes visões. E, ao contrário do que vc pensa, o texto que vc sugeriu corrobora muito mais com o que tenho publicado aqui do que vc imagina. Claro que tem vários pontos que discordo veemente, mas se vc substituir a palavra “conservadores” que o autor usa insistentemente para tentar associar o nazismo ao conservadorismo de direita pelo termo mais adequado “socialistas conservadores” vc vai ver que ele mais corrobora com o meu ponto de vista do que diverge. Assim como eu, o autor do texto que vc citou mostra o ambiente anti-liberal, anti-democrático e coletivista que reinou na Alemanha nas décadas que antecederam a ascensão do nazismo. Foi este ambiente que originou o nazismo. Portanto, chamar anti-liberais, autoritários e coletivistas de “extrema direita” é uma forçação de barra tão grande que só quem está cego pelo marxismo não consegue ver. O único traço que poderia ser caracterizado como conservador de fato nos conservadores socialistas germânicos anteriores a Hitler era a valorização da cultura germânica. Isto acontece no conservadorismo inglês, americano e em qualquer lugar do mundo. Não há nada de errado nisso. Faz parte da cultura de cada povo. Agora daí a extrapolar este sentimento nacionalista a eugenia é uma deturpação do nacional socialismo, mais uma ferramenta para a construção do “novo homem”, um traço positivista adotado tanto pelos nacionais socialistas alemães quanto pelos internacionais socialistas marxistas. A diferença é que um valorizava mais os aspectos biológicos em tal “construção”, enquanto que os marxistas valorizavam mais as ferramentas sociológicas. No fundo, são um bando de burocratas que se consideram os condutores dos destinos da humanidade decidindo o que as pessoas devem ver, acreditar, consumir, fazer, etc. Claro que combinando tudo isso com campos de extermínio das raças inferiores, comuns aos regimes nazista e comunista, vale lembrar. Sobre o apoio de vários capitalistas a Hitler existem várias causas. Henry Ford, por exemplo, era um filho da puta anti-semita. Aliás, este foi um dos motivos que levaram outros mega empresários a simpatizar com Hitler, pois ao destruir os judeus, além de satisfazerem seus ódios racistas, tais empresários eliminavam importantes competidores, uma vez que os judeus destacam-se em todas as áreas em que atuam. Outra razão é a mesma que faz com que a mesma fundação Ford hoje financie ONGs de esquerda e tantos outros mega capitalistas a apoiarem governos de esquerda: a garantia de monopólios. Ou seja, quando estes caras ficam muito ricos eles passam a atuar contra o livre mercado, afinal já chegaram ao topo e agora querem apenas manter a posição. Os estados intervencionistas corruptos de esquerda caem como uma luva nestas distorções do livre mercado. Veja os amigos do rei Lula. Por acaso ele se tornou de direita por suas relações “estreitas” com os maiores empresários do Brasil? Não, né? Então por que ainda hoje usam este argumento ridículo para tentar “endireitar” Hitler? Outra razão de apoio de capitalistas a Hitler foi justamente o medo, uma forma de fazer uma média com o candidato a caudilho para não ter o mesmo destino que tiveram os judeus depois que foi eleito. É claro que nenhum empresário em sã consciência gostaria de ter guardas nazistas em suas instalações, de receber ordens do Führer para produzir mais isso ou aquilo para atender os seus projetos imperialistas. Faziam-no por medo, assim como fez Oscar Shindler e tantos outros empresários da época. Uma outra razão para empresários apoiarem Hitler era justamente por este se apresentar como uma barreira ao avanço comunista, afinal o PC alemão havia tido expressivas votações nas duas eleições anteriores, além, claro, da constante ameaça de revoluções armadas como aconteceu na Rússia. Hitler explorou bastante a “ameaça vermelha” para ganhar votos. O Fascismo que também influenciou Hitler foi fundado por quem? Por Mussolini, um socialista que abandonou o partido por divergências quanto à participação da Itália em um conflito na Líbia. Vc deveria saber que além de Mussolini, vários outros socialistas aderiram ao fascismo. Não por acaso foram eles que criaram a Carta del Lavoro, a inspiração para as diversas legislações trabalhistas que surgiram logo em sequência, inclusive a nossa CLT, instituída por Getúlio Vargas, um admirador do nazi-fascismo que também matou muitos comunistas por aqui, mas que até hoje é celebrado pelos esquerdistas brasileiros. Foi esta a “resposta” da direita à ameaça comunista? Quem foi que coordenou esta “conspiração”? Quando eles se reuniram? Cadê as atas de tais resoluções? Não existe. E sabe por que? Porque a direita não é um movimento organizado como a esquerda. Os capitalistas estão mais interessados em ganhar dinheiro, enquanto a esquerda conspira e se organiza de fato. Esta sim já tinha realizado as internacionais comunistas e tantos outros eventos ao longo destas décadas. Até hoje o Foro de São Paulo coordena dezenas de partidos de esquerda, ONGs e organizações terroristas da América Latina. Aí sim vc pode encontrar atas, resoluções e os nomes dos conspiradores reais, porque do lado da direita os liberais só sabem falar de economia. Sobra para uns gatos pingados de conservadores, como o Olavo de Carvalho que vc citou, que tem a coragem de desafiar este esquerdismo burro dominante. Confrontar os argumentos do cara é mais difícil, então sobra a falácia do Ad hominem. Ou seja, desqualifica o interlocutor que está tudo resolvido, uma prática bem comum a esquerda, vale salientar. Sobre Pinochet já disse não tenho nada a ver com autoritarismo nem de direita nem de esquerda. Se foi financiado por norte-americanos (há controvérsias) o que dizer das ditaduras financiadas pelo imperialismo comunista de Moscou? A diferença é que o resultado prático é que o Chile é hoje o país com os melhores indicadores econômicos, melhor IDH e maior estabilidade da América Latina. Já Cuba está caindo aos pedaços. E só não está pior por causa das esmolas que tem recebido de países “amigos”, dos cubanos que fugiram para os EUA e dos turistas que despejam seus dólares para conhecer a ilha da fantasia de Fidel. Portanto, não me venha com estas balelas de “luta de classes”, “mais valia”, “materialismo histórico” e todas as demais bobagens obsoletas e equivocadas de Marx como critério para classificar o espectro ideológico do nazismo. Antes de qualquer coisa vc deveria saber as diferenças primordiais entre esquerda e direita, que transcendem o marxismo. Sugiro que vc comece por aqui: http://visaopanoramica.net/2013/09/13/diferencas-fundamentais-entre-esquerda-e-direita/ Aliás, sugiro que vc leia os demais posts destas duas séries. Vamos lá, comente. Vou ter o maior prazer em debater. Já fui comunista, amigo. Mudei porque usei a razão. Logo, não sou fanático. Se vc me convencer de que estou errado em algum ponto aqui, pode ter certeza de que farei as eventuais correções. Mas até aqui o máximo que vc só consegui fortalecer as minhas convicções. Abraço e até a próxima.

      • PepiBahia says:

        Muito bem. Vamos por partes.
        Primeiramente, desculpa por ter escrito da forma que escrevi antes. Normalmente os argumentos utilizados por gente com o pensamento de que “O Nacional-Socialismo foi um movimento da esquerda”, mas parece que você tem uma carga de leitura boa sobre ciência política e que vale a pena entrar no debate.

        Segundo, e antes de continuar a discussão, reforço a pergunta:
        – Já leu pelo menos aquele que é considerado a “bíblia” sobre o que foi, na prática, o Nacional-Socialismo alemão, o livro que contém a maior quantidade de fontes primárias já produzido (escrito por um americano) “Ascensão e Queda do III Reich”? Pergunto isso, partindo do ponto de partida que tu já leu os 2 volumes do “Mein Kampf”, correto?

        Aguardo a resposta (que espero que seja direta, “sim” ou “não”) para dar sequência nos argumentos. E não entenda isso como soberba, por favor! Apenas para pautar minha linha de discussão…

        • Amilton Aquino says:

          Olha vou lhe confessar que tenho uma certa ojeriza em ler algo escrito por um monstro como Hitler. De fato não li e, por enquanto, não pretendo ler o “Mein Kampf”. Em que iria acrescentar a série as supostas conspirações judaicas imaginadas por Hitler para dominar o mundo? Talvez suas críticas ao capitalismo ou ao marxismo, mas nada do que já saibamos. Talvez o seu pragmatismo para tratar com as massas, com seus discursos simplórios onde ele extrapolava os antagonismos, algo comum aos esquerdistas populistas… Enfim, não sou historiador. Sou apenas um jornalista que abandonou a profissão há mais de 15 anos. Hoje sou analista de sistemas. Passo a maior parte do dia mexendo com códigos. Portanto, tenho pouco mais de duas horas diárias livres para ler sobre outros assuntos e escrever no blog. Portanto, tenho que selecionar muito bem os livros que vou ler e pela resenha que li há muito tempo atrás sobre o “Mein Kampf” acredito que não mudaria nada do que foi publicado aqui. Mas já que você leu, poderia citar aqui o que vc acha de mais relevante para debatermos. Que tal? O mesmo digo sobre a “bíblia” que vc diz ser o livro do William Shirer. Se vc conseguir me convencer que vai mudar alguma coisa no meu ponto de vista, talvez eu o leia. Mas pelo resumo que li, não acredito que mude muita coisa aqui. Espero os argumentos. Abraço!

  8. PepiBahia says:

    Bem… eu estava quase terminando minha resposta, quando sem querer fechei a aba e perdi tudo. Confesso que não terei paciência para escrever com a quantidade de detalhes que tinha antes exposto aqui. Quem sabe um dia.

    De qualquer maneira, é preciso explicar a todos os leitores que seus textos são pura PROPAGANDA POLÍTICA. Pega uma ideia e um determinado autor, deturpa suas ideias e a adapta para que caiba dentro da ideia que defende.

    Por enquanto só te garanto uma coisa: quando o assunto é a ideologia nazista, outra coisa foi o que eles diziam ser/defender e totalmente diferente é o que FOI o NSDAP. Se tivesse lido o Mein Kampf e tivesse feito um “cruzamento” com o “Ascensão e Queda do III Reich” entenderia que a principal caracteristica dos nazistas era a DEMAGOGIA. Do quanto diziam uma coisa e agiam de forma totalmente contrário. O quanto que adotaram um discurso “populista”, “socialista” (já que este é muito mais interessante para a massa, pobre e miserável – que antes dos nazistas subirem ao poder era a maioria esmagadora do povo alemão) para ganhar os votos da massa, ao mesmo tempo em que na prática privilegiou e enriquece uma quantidade absurda de membros da burguesia alemã. Mesmo quando a Alemanha estava à beira do colapso, o Führer disponibilizou soldados da sua guarda pessoal, a SS, para servir de proteção às fábricas e residências da alta burguesia alemã, enquanto que para o povo o destino era “ter as gargantas cortadas” (palavras de Goebbels ao ser questionado sobre qual seria o destino do povo alemão em desgraça).

    Em outro post tu fala de que a ideologia Nazista era pautada por Socialistas, mas não da nome aos bois nem em que teoria fora essa que contribuiu e foi decisiva nas PRÁTICAS nazistas.

    Seu conceito de “socialistas” se abrange a todos os pensandores, e a corrente que ganhou força no século XIX, teorias que há muitos já sofreram resignificação. Em uma resposta tu falou de Fitche, mas este é considerado muito mais um “socializador” do que um socialista em sí.
    Outro argumento que tu utilizou para posicionar o Nacional-Socialismo à esquerda (além de do erro crasso de não saber diferenciar o que foi o discurso nazista e o que foi a prática nazista, já que tu fundamenta seus argumentos muito mais no seu discurso do que em suas práticas – fruto da carência do estudo histórico) foi o de coloca-lo em uma doutrina que é altamente questionável e não aceita por grande parte das organizações e pensadores de esquerda e que tem representação INFIMA no debate político, que é a “Esquerda Conservadora” (o qual a direita vem se engajando para “resgata-la” no debate político a fim de justificar suas ideias filosóficas). Ao mesmo tempo em que dar ênfase a tal “corrente” “esquerdista” (se é que realmente podemos chamar assim), tem total desprezo pelos estudos de Marx e pelo Marxismo. Em resumo: “o que Marx diz é besteira, já que não me serve… mas PRESTA atenção no que diz esses conservadores de ‘esquerda’. Olha como o discurso da ESQUERDA é muito mais próximo do Nazismo do que o da direita”…
    Enquanto que ninguém se quer sabe quem são os “grandes” nomes da dita “esquerda conservadora”, Marx é considerado, por um dos principais grupos de comunicação do mundo, se não o principal, a BBC de Londres como o mais importante filosofo da História (no ano de 2011, através da Rádio 4).

    Quando diz: “O Fascismo que também influenciou Hitler foi fundado por quem? Por Mussolini, um socialista que abandonou o partido por este ser contrário a entrada da Itália na I Guerra Mundial. Vc deveria saber que além de Mussolini, vários outros socialistas aderiram ao fascismo.” fica claro que, assim quando diz que diversos socialistas aderiram ao nazismo na Alemanha, não compreendeu que estiveram que se adaptar a realidade capitalista das ideias de seus líderes. Os que não se adaptaram, eram expulsos e mortos (Röhme é apenas um exemplo). Para melhor compreensão deste assunto, específico Italiano, sugiro a leitura de um outro livro considerado uma das “biblias” sobre o fascismo Italiano, o “Ascensão e Queda de Benito Mussolini”, de Richard Collier.

    Sobre os anacronismos fantasiosos e esdrúxulos, como o “PT alemão” e relações entre Lula e Hitler eu nem perco meu tempo discutindo. Se alguém for estúpido o suficiente pra levar suas comparações a sério, é sinal que o racionalismo, senso crítico e capacidade cognitiva já estão comprometidas pelo ódio cego ao PT, Lula e à esquerda (que, novamente volto a frisar, é pautada quase que no mundo inteiro pelo Marxismo e não pela insignificância que é a dita “Esquerda Conservadora”).

    Além do mais, sugiro aos leitores que ao invés de perder tempo lendo propagando política, que se realmente quiserem se inteirar e saber o que foi, na prática e no mundo das idéias, o Nazi-Fascismo, que leia Mein Kampf, William Shirer, Richar Collier, Antony Beevor e, aquele que além de ser o único marxista dentre estes citados, é considerado por muitos o maior historiador de todos os tempos, Eric Hobsbawm.

    E assim dou por encerrado a discussão. Gastei muito do meu escasso tempo nos últimos dias com isto aqui e depois de perder mais de 1 hora com uma postagem que rebati com referência bibliográfica diversos argumentos que tu utilizou, realmente broxei.

    De qualquer forma, fica a máxima: História é ciências humanas e como toda ciência humana permite-se diferentes perspectivas sobre um “mesmo” evento. Mas para isto precisasse minimamente de uma referência bilbiográfica minima já existente sobre o assunto para contesta-la através de fontes e da utilização do método histórico. O que tu está fazendo é um assassinato à História. Este tipo de pensamento pseudo-intelectual e racional, mas que na verdade carece de evidências históricas e métodos cientificos, típico de Olavo de Carvalho e seus seguidores, desencadearam, entre outros, nas doutrinas nazistas! Por isso sempre deve ser combatido!

    Para acabar a discussão, um resumo para que fique tudo bem claro:

    O eixo central do Socialismo é a Socialização da “Mais-Valia”. Você gostando ou não das teorias marxistas, o conceito de socialismo das mais importantes organizações de esquerda do MUNDO, desde a fundação da Internacional, parte dos estudos marxistas. Podem ter e tiveram, ao longo dos anos, diferentes visões sobre como confrontar, destruir e substituir a ordem capitalista vigente, mas todas utilizam, em maior ou menor escala, os estudos de Marx sobre o capitalismo para analisar a sociedade ocidental contemporânea. Como o Marxismo se confronta diretamente com o que foi na prática, e no discurso, o Nazismo, este é o motivo pelo qual o Nazismo é considerado um movimento de extrema-direita, pois está do lado oposto ao Marxismo.

    Fim!

    ps.: desculpem-me pelos erros de português, tantos gramaticais quanto de concordância, é que após o ocorrido, sequer tenho paciência de fazer as devidas correções.

    • Amilton Aquino says:

      E como eu havia previsto, mais um comentário seu sem argumentos que possam embasar a mentira que de tão repetida tomou ares de verdade, segundo a qual o nazismo foi o “regime mais extremado de direita”. Observe que até aqui repliquei todos os seus argumentos, mas vc não conseguiu replicar os meus. Então acontece aquilo que já virou uma marca nos debates com esquerdistas. Quando faltam argumentos, muda de tópico. Já conheço toda a rotina. É quase sempre assim. No início o esquerdista tenta desqualificar o interlocutor. Esta é a forma mais rápida de “ganhar” o debate. Se encontrar alguma brecha, vai rotular o interlocutor e ficar repetindo a vida toda, como tentam desqualificar o Olavo de Carvalho, por exemplo. Não importa se o cara já leu milhares de livros, se tem uma boa capacidade de coordenar as ideias. Enfim, não importam seus argumentos. O importante é que o cara é um “desqualificado”. Aqui é a mesma coisa. Não importam meus argumentos. “O nazismo é de direita porque é de direita e ponto final.” Ok, mas onde estão os argumentos? “Ah!, vc precisa ler fulano e beltrano. Vc precisa ler a ‘bíblia’ disso ou a daquilo”. Ok, talvez eu leia, mas me aponte quais as teses do livro, me traga seus argumentos que me façam mudar de ideia ou que, pelo menos, me motivem a lê-los. Nada. Se espremer seu novo comentário o que teríamos de mais consistente? Talvez a “tese” de que o nazismo dizia uma coisa e fazia outra… E mais uma vez vc, sem perceber, levanta a bola para mim. Por acaso não é exatamente isso que acontecia na URSS? Aliás, isso já tem até nome: “duplipensar” (double thinking). Este é o título de um dos capítulos do livro Esquerda Caviar do Rodrigo Constantino. Ele parte de distopia “1984” de George Orwell para mostrar com exemplos do dia a dia como hoje as pessoas conseguem conciliar pensamentos contraditórios sem ao menos se dar conta. A coisa chega a tal ponto de mudar completamente o significado das palavras. Cara, observa o teu guru Lula. Compara os discursos que ele faz aos empresários e ao povão em geral. Ele dá sempre uma no cravo e outra na ferradura, exatamente como fazia Hitler. Com estes últimos procura sempre estimular o antagonismo, o ódio às “elites”, mesmo que poucas horas depois venha a se sentar numa roda de empresários para contar piadas. No final ele vai se gabar de uma das afirmações, mesmo que tenha falado justamente o contrário noutra ocasião. É a velha máxima dos “fins que justificam os meios” preconizada por Maquiavel para o príncipe e exacerbada por Gramsci para o novo príncipe: o estado. Vale tudo para conquistar a hegemonia da opinião pública, até chegar ao cúmulo da cara de pau. E mesmo se for pego, é só dizer que é uma “conspiração da mídia”, como já preconizava Georg Lukács, outro grande expoente do marxismo. Matar, roubar, mentir, caluniar. Vale tudo em nome da causa. É o que vemos todos os dias no noticiário. A coisa ficou tão rotineira que nem mais repercute. Lembra do Celso Daniel, do Toninho do PT, do mensalão, dos dossiês forjados? Tudo em nome do projeto de poder. E tu vens falar de demagogia no nazismo? Cara, na boa, é muita lavagem cerebral. Sobre as convergências de retórica entre Hitler e Lula (e por extensão os demais populistas) vc recorre à falácia do apelo ao ridículo, afinal fica mais fácil pousar de superior com um esnobe “não vou nem comentar” do que realmente contra argumentar. Vc fala que não dei nomes aos bois, mas está tudo lá no primeiro post da série. Marx, Engels, Fitche, Rodbertus, Lassalle, Werner Sombart, Johann Plenge , H. G. Wells, Friedrich Naumann e Paul Lensch. Alguns desses são quase desconhecidos no Brasil, mas dá uma pesquisada sobre cada um deles. Claro que vc vai fazer restrições, como fez a Fitche, dizendo que este foi mais “socializador” que socialista. Não importa seu conceito. O fato concreto é que todos estes são coletivistas, anti-liberais e, portanto, esquerdista. Ainda que vc queira relevar a importância do socialismo conservador, o fato concreto é que a República de Weimar era completamente dominada por partidos de esquerda, boa parte variações do socialismo conservador e do marxismo. Na eleição que levou Hitler ao poder, por exemplo, a direita alemã (a direita de fato) teve pouco mais de 1% dos votos. Não foi Hitler que criou o partido nazista. Ele já existia. Não era marxista, mas socialista, trabalhista, anti-liberal, anti-capitalista. Ainda que vc e a academia dominada pelo marxismo cultural não queiram, o fato concreto é que o partido nazista era sim SOCIALISTA, no nome e no programa. Se na prática não foi tão efetivo como na teoria não é de surpreender, afinal este é hoje um dos traços mais característicos do esquerdismo, já que suas ideias não correspondem aos fatos. Foi assim em TODAS as experiências socialistas. E sabe por que isso acontece? Por que entre o discurso político e a realidade existe a economia real e esta, apesar de tudo, tem a capacidade de pelo menos funcionar como um vetor contrário aos impulsos intervencionistas esquerdistas. A verdade é que sempre existe uma minoria que puxa os vagões das massas. Foi graças aos empreendedores capitalistas que o mundo deu um salto nos últimos 200 anos. Nem mesmo a repressora URSS foi capaz de eliminar completamente o empreendedorismo que sobreviveu de forma marginal, via mercado negro, sob as vistas grossas dos dirigentes comunistas que tiveram que reconhecer, a contragosto, que a supressão total do mercado paralelo significaria a morte por inanição. E sobre o socialismo conservador, não é irônico que nos dias atuais a social democracia aproxima-se muito mais desta insignificante corrente do socialismo conservador que do seu adorado marxismo? Sobre os meus textos serem “propaganda política” vou te corrigir. O correto seria “contrapropaganda política”. Sabe quando decidi escrever esta série de posts? Quando vi Marilena Chaui chamando a classe média de fascista. Decidi começar pelo nazismo, mas vou escrever uma outra sobre o fascismo, assim quando alguém me rotular novamente de nazi-fascista o chamo para o debate. Para mim isto é uma questão de princípios. É uma forma de resgatar o real significado das palavras adulteradas pelo marxismo cultural. O Nacional SOCIALISMO não é nem nunca foi o extremo oposto. Este é mais um exemplo de “duplipensar”. Por fim, e como eu esperava, vc termina justamente com o raciocínio simplista de que o “o nazismo foi de extrema direita porque era inimigo dos comunistas”. Puta que o pariu! É para isso que servem todas as referências bibliográficas que vc recomenda? Quer dizer então que o fato do PSOL fazer oposição ao PT joga este último no campo da direita? Pior: na extrema direita! Na boa, amigo, até mesmo aquele texto que tu me sugeristes deixa escapar que o fascismo era uma espécie de terceira via entre o comunismo e o capitalismo. Portanto, como é que algo que tem características dos dois extremos pode ser classificado como mais extremista do que um dos extremos no qual ele situaria no meio? Isso sim é deturpara a história. Mais que isso é um atentado a lógica. Talvez este seja o exemplo mais clássico do “duplipensar”. Nada pessoal, amigo. Já pensei como vc e sei que é bem intencionado. O problema é que está redondamente equivocado. Claro que para seu orgulho de historiador fica difícil baixar a crista para um simples programador, mas acho que esta experiência deveria lhe servir para reavaliar suas concepções. E já que vc me sugeriu alguns livros, vou tomar a liberdade de lhe sugerir um livro: O fim do compromisso (ver a resenha: http://www.brunogarschagen.com/2011/09/desilusao-utopia-e-o-fim-do-compromisso.html). Ele mostra o processo de desilusão de tantos ex-marxistas que acordaram da lavagem cerebral em que estiveram presos durante décadas. Por fim te deixo uma reflexão: por que será que marxistas tornam-se liberais ou conservadores, mas nunca (ou quase nunca) o contrário? Abraço!

  9. PepiBahia says:

    Agora ficou claro sua linha de raciocínio:
    – Tudo o que não for fruto do liberalismo econômico, é de esquerda. Pra tu, direita é apenas aqueles que defendem o capitalismo neoliberal. Não importa se a estrutura social foi mantida, se a diferença entre os mais ricos e mais pobres só aumentou, que o PT é uma organização que tem como “pai ideológico” o principal “filho” do pensamento Marxista pós-I Guerra Mundial, Gramsci. Parece não importar para tu o contexto histórico o qual estava inserido o Nazi-Fascismo da primeira metade do século XX e que este foi o principal expoente contra-revolucionário perante os anseios da esquerda mundial, seja ela social-democrata, comunista leninista, socialista ou qualquer que seja. O eixo central do pensamento é já que o discurso era anti-capitalista e apesar de na prática o Nazismo manter a estrutura social e econômica da Alemanha, salvando o capitalismo e a burguesia deste país, como Hitler não permitiu o livre-comércio e a total liberdade econômica, ele era de esquerda e não de direita.

    E o pior, faz anacronismo grotescos quando elucida práticas do Lula, já no século XXI, em um mundo neoliberal, onde o comunismo real já está dando os últimos suspiros, com as de Hitler.
    Concordo que todas as promessas pelo qual Lula se propôs a fazer não condiz em sua totalidade com sua prática. Mas cabe salientar que desde o final da década de 70, quando começou a ganhar notoriedade e espaço na imprensa (que ainda estava censurada por uma ditadura de DIREITA – ou vai querer abrir o diálogo que a Ditadura Militar brasileira foi uma ditadura de esquerda também?) que o prometido sempre fora a “conciliação de classes”, que diferentemente dos termos NAZISTAS, não era pautada pela ideia da raça, militarismo, revanchismo e nacionalismo exacerbado. Desde aquele tempo o mesmo já tinha noção de que o Comunismo implantado na URSS não condizia com os pensamentos Gramsciano. Dai a necessidade da “Revolução” ser implementada pela mudança cultural. E você querendo ou não, isto foi feito e ainda está sendo feito.

    Você tenta colocar Lula à esquerda, mas ao contrário de Hitler que teve apoio da Aristocracia Prussiana, da Alta Burguesia e diversos outros setores que representavam a Elite social e conservadora alemã, Lula até hoje tem grande repulsa de setores como a Igreja, da Arisotocracia brasileira (sobretudo a rural), e outros setores da sociedade que representam a classe conservadora do país. A questão é que você ignora todo esse contexto já que, influenciado por autores ultra-liberais, como Hayek, e conservadores, como o astrologo Olavo de Carvalho (o qual poderia fazer o anacronismo de sua formação com a crença dos nazistas no ocultismo e na tomada de decisões a partir do racionalismo pautado na astrologia, tal como você está tentando fazer, de maneira esdrúxula com Lula e o Nazismo) a semelhança entre os dois é a “intervenção” do Estado na economia. Sendo assim, na sua linha de raciocínio, só existe intervenção do Estado, impedindo assim o “livre-comércio”, nos governos de esquerda, mesmo quando esta intervenção serviu para garantir os privilégios da elite burguesa e da aristocracia prussiana, como foi no caso da Alemanha e da “efervescente” burguesia brasileira no caso de Vargas.

    Sobre o fato da “ideologia alemã ser pautada nos autores socialistas”, tu continua cometendo o mesmo de não compreender a deturpação que os nazistas fizeram de seus estudos, que sofreram ressignificação ao longo da história. Seguindo sua linha de raciocionio., Nietzsche deveria também estar inserido no hall de autores socialistas que formaram a base nazista, visto que a influência do “Super-homem” foi muito mais determinante e predominante no pensamento nazista do que a idéia de qualquer um dos “socialistas” que tu citou. Mas você não citou Nietzsche pois sabe que, assim como outros autores, Hitler, Rosenberg e os demais nazistas deturparam os seus estudos.
    E ainda você ainda não respondeu a minha pergunta sobre este tema: eu vi que tu deu nome aos bois, mas o principal foi saber as ideias deles e de que forma estes autores e ideais socialistas foram postos em práticas no Nazismo. Vamos lá, não se acanhe! Jogue duro!

    Acredite que tenho severas críticas a Lula. Votei nele em 2006, mas não votei na Dilma em 2010, então essa história de querer me alcunhar como defensor do PT ou do “mito” Lula não cola.

    E para finalizar e reforçar minha tese de que seu pensamento, deturpado, de que qualquer governo que interfira na economia é de esquerda, mesmo que tal intervenção seja para manter a ordem social, privilégios da burguesia e da Aristocracia, só uma pergunta sobre um personagem que chegou ao poder graças a outra ditadura de direita, desta vez no Brasil e na segunda metade do século XX:
    – O Carlismo (empenhado por Antônio Carlos Magalhães) foi uma prática política de direita ou de esquerda?

    • Amilton Aquino says:

      Meu raciocínio não é tão simplista assim meu caro PepiBahia. No fundo vc já sabe disso. É claro que não sou estúpido para desconsiderar o contexto de cada época. Por isso quase paralelamente a esta série estou escrevendo uma outra “Diferenças fundamentais entre Esquerda e Direita” que já te indiquei anteriormente: http://visaopanoramica.net/2013/09/13/diferencas-fundamentais-entre-esquerda-e-direita/ . Pelo visto, parece que não leu, ou pelo menos não entendeu. No primeiro post listei as cinco diferenças fundamentais entre os dois polos. Ou seja, as cinco características que permanecem atuais desde Rousseau. Observe que com exceção da primeira diferença mais filosófica que poderia render algumas controvérsias em relação ao Nacional Socialismo, as demais diferenças se encaixam perfeitamente, o que me permite caracterizar com segurança que o nazismo foi sim uma ideologia de esquerda, queira ou não vc ou a academia dominada pelo marxismo. O liberalismo, portanto, aparece num segundo momento. É um forte indício, mas não é tudo. Não é tudo porque existe todo o resto que não se encaixa na esquerda e que automaticamente é rotulado como de direita. E este resto é heterogêneo e em muitos casos contraditório. Então a melhor referência para se definir o espectro de uma ideologia é identificar nela as características de esquerda que são muito mais bem definidas, até porque é um grupo de fato organizado. O liberalismo é fruto da evolução natural da humanidade, é disperso e difuso. Foi o liberalismo que impulsionou o constitucionalismo, a separação dos poderes, a queda da maioria das monarquias ou a modernização das que sobraram. Para mim pouco importa se as diferenças entre os mais pobres e os mais ricos se acentuam ou não. As pessoas são diferentes, umas mais inteligentes que outras, umas valorizam mais os bens materiais do que outras. Mas o que me parece muito claro é que, satisfeitas as condições básicas de sobrevivência (e isso o capitalismo tem proporcionado), as diferenças nos níveis de felicidade entre pessoas muito ricas e pobres não é tão diferente. Em alguns países ricos os índices de suicídio são até mais elevados do que em países pobres. O importante é que a humanidade, de um modo geral, cada vez mais tem menos gente morrendo de fome; que cada ano se vive mais e melhor; que a cada ano mais gente, até mesmo nas regiões mais pobres, passam a ter acesso a produtos de alta tecnologia, medicamentos e todas as demais conquistas materiais que o capitalismo trouxe e, principalmente, a conquista mais importante de todo este processo de evolução: a garantia dos direitos individuais. E é aí onde o esquerdismo ataca. Quando o esquerdismo quer promover a tal “igualdade” passa por cima dos direitos individuais. Tenta fazer o papel de Hobin Hood, tomar dos ricos para dar aos pobres. Na prática, freia a geração de riqueza e leva toda a nação a escassez. Foi assim em todas as experiências socialistas. Nas democracias liberais não existe este negócio de exploração. Se vc se sentir explorado, vc tem todas as facilidades possíveis para criar sua própria empresa e tornar-se seu próprio patrão. Acontece que, ao contrário do que vcs esquerdistas pensam, a vida de empreendedor não é tão fácil. Já tentei criar minha própria empresa, mas logo percebi que não tinha talento para a área. Portanto, prefiro ter um emprego fazendo o que mais gosto que é programar do que ficar me aventurando a procura de clientes. Enfim, a única experiência com um teor socializante que conseguiu um razoável êxito foi a social democracia, e mesmo assim no momento em que a globalização ainda não era tão acentuada. À medida que outros playes começaram a entrar no mercado (e aqui vale lembrar que algumas teorias esquerdistas de que os subdesenvolvidos estavam condenados eternamente à pobreza estavam erradas), muitos dos excessos da social democracia tiveram que recuar, não por maldade no chamado “neoliberalismo”, mas por uma questão de sobrevivência mesmo. Quanto ao Lula, veja só que ironia: vc primeiro tentou chamar a atenção para as diferenças de contextos de um século para outro. Fez um esforço para diferenciar Lula de Hitler e, aqui para nós, conseguiu muito pouco. As semelhanças que encontrei, aqui pra nós, são muito mais contundentes. Não, as semelhanças entre os dois não são apenas no intervencionismo na economia, mas, principalmente no populismo; na capacidade de moldar o discurso a cada setor da sociedade e na fomentação da guerra política, na divisão da sociedade entre o “nós e eles”, no discurso trabalhista, no combate ao capitalismo, no projeto de criação de um estado forte e policial, como agora estamos vendo no livro de Tuma Jr., etc. Não é irônico que depois de quase um século tantas semelhanças ainda possam ser constatadas entre dois líderes socialistas trabalhistas? Ainda bem que vc reconhece a revolução gramsciana em curso pelo PT. O problema é que vc não vê problema nisso. É claro que muita gente de direita percebe o que está acontecendo e resiste como o Olavo de Carvalho, o Reinaldo Azevedo, o Rodrigo Constantino. Mas, como já falei antes, a alta burguesia não percebe isso. Está mais preocupada em ganhar dinheiro. Perceba que ao citar os setores resistentes a Lula vc não se atreveu a citar os empresários. Ainda bem. Já é uma evolução no seu pensamento. Sobre o “ultra-conservador” Hayek, tenho orgulho de absorver suas ideias. Aliás, seria até bom discutirmos sobre elas, que tal? Sobre o Olavo, vc continua no ad hominem. Cara, já vi muita coisa de Olavo, mas nunca o vi falar de astrologia. Já o vi rezar e logo em seguida chamar palavrão, mas nunca sobre astrologia. Mas e se falasse, isso mudaria o teor de suas ideias sobre política? Cara, admito que já tive muito preconceito com religiosos. Não conseguia conceber que houvesse vida inteligente na Igreja Católica, por exemplo. Mas hoje vejo que estava redondamente enganado. Dá uma olhada no canal formacaopolitica no Youtube. Tem um carinha lá, parece um adolescente, o Guilherme Freire. Ouve uma palestra dele e tire suas próprias conclusões: http://www.youtube.com/watch?v=gt0aylgc0E4 . Como pode um cara tão jovem ser tão culto? Enfim, sugiro a vc que aprenda também, como eu, a separar as crenças religiosas das ideias políticas de fato. Em outras palavras, dispa-se dos preconceitos. Claro que em alguns assuntos as coisas se misturam um pouco. O católico vai valorizar mais um Santo Agostinho ou um Tomás de Aquino, mas o mesmo acontece com ateus, por exemplo, que valorizam mais o “materialismo histórico” de Marx. Faz parte do jogo. Vc tem que filtrar as informações, ver os diferentes pontos de vista e tirar suas próprias conclusões. O problema é que o marxista se acha no topo da intelectualidade e não quer ver outros pontos de vista. Mais que isso, acha que tem o monopólio das virtudes. No fundo vc sabe que o Olavo sabe muito mais que vc. Vc não aguentaria um minuto de discussão com ele. Não aguenta comigo, imagina com ele. Sobre as simbioses entre as classes mais abastadas e o poder político vale lembrar que isso não é privilégio de nenhuma corrente ideológica. No comunismo aconteceu a mesma coisa. A casta de burocratas que se formou foi ainda pior, pois não produzia riquezas, apenas se apropriava do trabalho dos outros. Aí sim, o conceito de mais valia fazia algum sentido. Nas democracias liberais não. O empreendedorismo cria riqueza de fato. Não é um jogo de soma zero onde um ganha porque o outro perde. Isso é uma balela que só sobrevive na cabeça de marxista. Se quiser podemos discutir também sobre este assunto. Sobre os filósofos que citei não tenho como entrar na cabeça dos nazista para te dizer como elas foram trabalhadas. O que mostrei foi que os principais e mais abomináveis traços do nazismo como, antisemitismo, a ideia da superioridade de raças, o destino da Alemanha de conduzir a humanidade para um “novo mundo” livre da “exploração capitalista”, a construção de um “novo homem”, etc., tudo isso já era defendido antes por filósofos socialistas. Isso é fato. Não tem deturpação minha não. A deturpação está na visão de um ângulo só dos marxistas. A ideia do “super homem” de Nietzsche não contradiz nada disso. Apenas se molda aos anseios totalitários de Hitler. Isso não o torna nem socialista, nem comunista, nem liberal. Mas posso te assegurar que o caldeirão de ideias socialistas na República de Weimar moldaram sim a formação política do monstro nazista. Simples assim. Sobre o carlismo, já está claro a minha posição. Se não é de esquerda, por exclusão, só pode ser de direita, assim como os Malufs, Sarneys e Renans da vida. A diferença é que eu, como liberal, abomino estes caras, enquanto que os esquerdistas, apesar das divergências internas, na hora da disputa política o “companheirismo” entre eles fala mais alto. E, quando no poder, são capazes de aliciar estes desprovidos de ideologia aos seus anseios de manutenção eterna no poder. E nós, os verdadeiros direitistas, ainda temos que aguentar ficar sendo identificados como partidários destes caras ou do nazi-fascismo. É a inversão total das coisas. Double thinking, meu caro. Abraço!

  10. PepiBahia says:

    Ao contrário do que tu pensa, eu li seu artigo sobre “Diferenças fundamentais entre Esquerda e Direita”, que representa a SUA opinião e o seu ponto de visto sobre o que pode ser considerada de esquerda ou de direita. Ao contrário do que tu pensa, existem diferentes visões sobre o que pode ser alocado na esquerda ou direita política, mas todos concordam que o conceito de Esquerda e Direita sofreram, e continuam sofrendo, alterações em cada tempo/espaço. Não são conceitos engessados e homogêneos, mas partem do pressuposto de: a esquerda preza pela Por esse motivo no período pré-revolucionário na França a prática burguesa se opunha, não só no discurso mas também na prática, a ordem vigente naquele período, o Antigo Regime, os liberais burgueses podem ser alcunhados, naquele momento, de esquerdistas. A partir do momento em que eventos históricos como a Rev. Americana, a Rev. Francesa e, principalmente, a Rev. Industrial consolidam a nova ordem no mundo ocidental, a ordem burguesa, os valores e ideais predominantes passaram a ser o da burguesia, no plano econômico, sendo que no plano social se consolidou não só os ideais e valores burgueses, mas mesclou-se também com os de instituições conservadoras, como os da Igreja Católica.
    Ao falar “Foi o liberalismo que impulsionou o constitucionalismo, a separação dos poderes, a queda da maioria das monarquias ou a modernização das que sobraram. ” bota no mesmo pacote o “Liberalismo Político” e o “Liberalismo econômico”. O que tu citou foi o liberalismo político, que difere do Liberalismo Econômico criado por Smith, apesar de terem se constituído no mesmo contexto histórico. N

    A partir desta análise, todo o movimento político que se opõe à esta “nova” ordem, fazendo analogia à Assembléia Francesa, passa a ser considerada de esquerda e todos os movimentos que buscam a manutenção da ordem burguesa estabelecida, de direita. Partindo desta premissa, vamos ao que interessa, ao contexto histórico do nazi-fascismo, na primeira metade do século XX, pós I Guerra Mundial.

    Próximo do fim da I Guerra Mundial, o mundo ocidental estava numa efervescência política e ideológica brutal. Pela primeira vez na história, pós Rev. Francesa, os valores burgueses estiveram em verdadeiro perigo, principalmente nos países onde a crise econômica atingiu níveis críticos alarmantes, como era o caso da Rússia, Alemanha e Itália. Destes 3 países citados, aquele que se detinha uma burguesia mais “fraca” (economicamente e, consequentemente, politicamente), onde o capitalismo menos tinha se desenvolvido até aquele momento, foi na Rússia quase feudal Czarista. Foi lá onde os revolucionários de esquerda enfrentarem a “menor” oposição, visto que a classe burguesa pouco desenvolvida não estava no controle político do país tornando possível a Revolução. Não vou entrar aqui na discussão e detalhes da diferença entre o que pregou Marx no Manifesto Comunista e o que foi a URSS na prática, mas vale salientar o quanto que a “verdadeira” Revolução Comunista deveria ocorrer em países em condições semelhantes não ao da Russia, mas sim da Inglaterra, França, Alemanha, EUA, etc. Pelos seus argumentos ao citar que Marx só criticou a importância histórica para da burguesia para o avanço material da sociedade ocidental, evidencia nunca ter lido a sua principal obra, “O Capital”. Ao contrário do que tu pensa, foi Marx quem mais reconheceu a relevância da Burguesia e do Liberalismo Político para o desenvolvimento material da sociedade ocidental capitalista. Para Marx, não é possível se chegar ao comunismo sem antes ter uma desenvolvimento dos meios-de-produção e ninguém é melhor para atingir tal objetivo do que a burguesia. Ele não só reconhece isto, como os principais autores modernos defensores do capitalismo reconhecem a importância do alemão barbudo para se compreender a estrutura ocidental do capitalismo. Ao contrário de sua repulsa e desprezo estúpido por ele, qualquer um que se livre do preconceito sabe que nenhum outro autor racionalizou também a estrutura de produção e sua distribuição. A questão é que diferentemente de outros autores, Marx sabe que este aumento da produção é fruto de uma exploração (não só do proletário, mas de outros povos), que iria cada vez mais gerar uma desigualdade onde poucos verdadeiramente se beneficiariam de tal avanço. E isto condiz tão fortemente com a realidade que não a toa, mesmo em um mundo capitalista neoliberal, ele é considerado o mais importante filosofo da história para muitos (inclusive no país “mãe” do neoliberalismo, a Inglaterra). Você pode não concordar com as ideias de Marx, mas achar que “Mais-Valia”, “Materialismo Histórico”, a divisão em “Estrutura” e “Superestrutura”, a “Práxis” ou que a “Dialética” mas quando fala “Portanto, não me venha com estas balelas de “luta de classes”, “mais valia”, “materialismo histórico” e todas as demais bobagens obsoletas e equivocadas de Marx como critério para classificar o espectro ideológico do nazismo.” demonstra uma atitude reacionária (no sentido pejorativo mesmo da palavra, que você citou em teu artigo) que não condiz com o racionalismo o qual tu tanto defende.

    Mas voltando ao contexto histórico do nazismo, após a Revolução Russa, as diferentes burguesia nacional pelo mundo percebeu que sua supremacia social ideológica, política e, consequentemente, econômica estava em perigo. E este perigo tinha nome, cor e uma concepção ideológica, política e econômica pautado na crítica e em ser o oposto a ordem capitalista vigente (formando-se dois polos). Estes eram os comunistas.
    Retomando ao que tinha dito mais acima, onde a crise econômica e, consequentemente, social estava mais acentuada pós I Guerra foi onde o Comunismo ganhou mais força. Como a Rússia em 1917 rompeu com a estrutura burguesa, sobrou a Itália e a Alemanha como principais expoentes desta crise. A “Crise de 29” foi a gota d’agua. Com a crise do capitalismo por todo mundo ocidental, o “Perigo Vermelho” torna-se uma ameaça mais do que real. Segundo historiadores, marxistas ou não, e economistas, a crise de 29 foi fruto do excesso da passividade do Estado frente aos anseios liberais, expressados pela máxima “Laisser faire, laisser passare”. As pessoas do período também sabiam disso. Não a toa, em todos os países do mundo, inclusive no berço liberal mundial, os EUA, houve uma maior intervenção do Estado na economia. Se 1991 pode ser considerado a data histórica do fracasso marxismo comunista, 1929 pode ser considerado o evento histórico que marca o fracasso liberal clássico. Mas voltando ao contexto histórico, àquela altura, pós 29, o mundo inteiro percebeu que em uma economia capitalista já globalizada, mas dividida em burguesias nacionais, estava fadada ao fracasso sem uma regulação (intervenção) do Estado. Não a toa é exatamente neste contexto que o Fascismo “pipoca” em diferentes países do mundo ocidental, inclusive no Brasil. E é aqui que entra uma características típica do fascismo: a DEMAGOGIA.

    É comum a todos os regimes FASCISTAS, o qual o Nazismo é uma versão alemã, o discurso anti-capitalista, anti-liberal, coletivista, nacionalista e que defenda a ruptura com a ordem burguesa vigente. Isso é mais do que óbvio: em um mundo capitalista decadente e que estava causando a desgraça a milhões de pessoas pelo mundo, óbvio que estas pessoas jamais iriam votar em quem defende-se a manutenção da estrutura e ordem existente. E é aqui que se inicia a DEMAGOGIA. Se no discurso o fascismo era contra tudo isso, a prática foi bem diferente. Perceba que em seus artigos e argumentos tu utiliza apenas trechos do DISCURSO Nazista e da ideologia nazista. Não há em seus artigos análises históricas das práticas. Falta analisar em seus artigos o que foi o Nazismo além do discurso. Dai a necessidade e OBRIGAÇÃO de qualquer um queira discursar e defender uma teoria sobre o período de ler, no minimo, “Mein Kampf” e confrontar com o livre de Shirer, Beevor, Collier e tantos outros. É ai que reside o seu equivoco. Totalmente diferente do discurso, todos os governos fascistas receberam, na última hora, quando o Comunismo estava numa crescente em seu país, apoio da classe burguesa e Conservadora. Foi assim na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. Não preciso dizer que o Vaticano foi “doado” por Mussolini, em troca do apoio recebido, não é mesmo? Você realmente acredita que a Igreja Católica apoiaria um movimento que propusesse mudanças da sociedade, como prega a esquerda? Claro que não. Não a toa, a a Igreja é considerada uma das, se não a mais, instituições conservadoras do mundo ocidental. A pergunta básica é: como uma instituição notoriamente de direita apoiaria e ajudaria a por no poder um governo, na prática, de esquerda? Na Itália Mussolini lançou a “Carta del Lavoro” a fim de acalmar a classe operária, pois a mesma possibilitaria a Submissão dos trabalhadores ao Estado e a consequente MANUTENÇÃO da ordem vigente. Antes a “Carta del Lavoro” do que uma revolução comunista, não é mesmo? Afinal de contas com a “Carta del Lavoro” a mais-valia estava garantida! E não havia meio termo: ou você concordava e continuaria sendo explorado ou se protestasse e quisesse “mais” para a classe operária, almejasse um governo que fosse regido para atender aos interesses do proletário, que acabasse com a “Mais-Valia” tu seria preso e executado. Gramsci que o diga. Com o Fascismo Italiano, o capitalismo estava garantido na Itália e, consequentemente, os privilégios da burguesia e da “Elite” do país, como a Igreja Católica, também.
    Na Alemanha não foi diferente. Com a impotência da República de Weimar em solucionar os problemas de grande parte da população alemã (que como já expliquei, na mentalidade das pessoas da época e para os historiadores atuais fora causado pelo Capitalismo representado pela quebra da bolsa de Nova York, juntamente com “herança” do capitalismo também o Imperialismo o qual a Alemanha estava sendo “vítima” pós primeira guerra com o Tratado de Versalhes), aqueles que tivessem o discurso contrário à ordem vigente, receberia um grande número de votos. Não a toa o Comunismo e o Nazismo cresceram assustadoramente nas 5 eleições que seguiram entre 29 e janeiro de 33.
    Neste momento a burguesia alemã se encontrou em um dilema: ou apoiavam os comunistas, que tinha como objetivo ideológico principal ACABAR com a classe burguesa, ou apoiavam o NSDAP que tinha um discurso anti-liberal, mas pregava a conciliação da classe a fim de só assim se chegar a manutenção da “ordem vigente”. Com o Nazismo, a burguesia, na prática não perderia seus privilégios e não o perdeu. Apesar do discurso que você citou, Goebbels foi “persuadido” por Hitler a aceitar o apoio à classe burguesa. Em “Ascensão e Queda do III Reich” isso fica evidente quando dos planos inicias de Goebbels para solucionar os problemas da Alemanha foram prontamente rechaçados por Hitler, o qual o obrigou a aceitar a sua filosofia de conciliação entre as classes. Hitler sabia que para financiar os seus planos expansionistas, precisaria dos meios-de-produção da burguesia, ao mesmo tempo em que a burguesia alemã, com Hitler, se livraria das restrições impostas pelo Tratado de Versalhes e se beneficiaria monstruosamente com o aumento da produção direta e indireta de uma economia voltada para a Guerra. Tyssen Krupp e Hugo Boss são apenas exemplos de capitalistas alemães que apoiaram Hitler sabendo que o mesmo não só era a melhor opção para frear os comunistas, como se beneficiaram enormemente dos seus planos. Em resumo: o Nazismo foi a única forma possível de frear o crescimento dos ideais de esquerda e manter a ordem vigente. Ao contrário do discurso, Hitler não acabou com o capitalismo, pelo contrário, ele o salvou na Alemanha.
    Claro que não podemos reduzir o Nazismo apenas a ordem econômica, já que foi uma ideologia complexa que envolveu crenças em mitos pagãos, doutrinas sociais e políticas confusas e diferenças entre as pessoas não por classes, como defendia Marx, mas sim por raça.

    Enfim. Em resumo o que eu quero dizer é: não se apegue aos discurso nazista para o defini-lo como esquerda ou direita. A Demagogia é uma de suas principais características. Para entender o Nazismo e ter a capacidade de coloca-lo a esquerda ou a direita você precisa conhecer a História, mergulhar em suas práticas. E isto você só o fará lendo LIVROS de HISTÓRIA, construido por historiadores que, diferentemente do que você pensa, não é composta apenas por marxistas. Na academia não há apenas marxistas. Eu tive professores extrememantes liberais, sendo um deles, inclusive, secretário do governo Paulo Souto (carlista). Beevor, Shirer e Collier não são Marxistas. Shirer, inclusive, é liberal. Mas todos eles, juntamente com o marxista Hobsbawm, colocam o Nazismo na extrema-direita. Dai eu te pergunto: em quem as pessoas devem acreditar, nestes autores que dedicaram a vida estudando e vivenciaram o Nazismo ou em alguém que pauta suas ideias em discursos filosoficos e que se quer leu “Mein Kampf”?

    Deixe a soberba de “ganhei a discussão” de lado, tenha mais humildade e procure ler para reforçar seu argumento e abrir sua mente. Você amigo, está equivocado. E não sou eu que estou dizendo isto. É a história. Pessoas muito mais gabaritadas do que você ou o astrologo do Olavo de Carvalho para falar sobre o tema afirmam: o Nazismo foi a resposta da Burguesia e dos conservadores ao Comunismo para a manutenção da ordem burguesa do mundo ocidental.

    Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Opa! Estamos evoluindo! Gostei de ler seu último comentário. Observe que boa parte do seu comentário corrobora que o que tenho dito aqui. E agora que vc admitiu que o discurso do nazi-fascismo era de esquerda, resta apenas a questão da diferença entre o discurso e a prática, sua última trincheira, mesmo eu já tendo te provado que esta diferença não foi privilégio do nazi-fascismo. Mais que isso, esta foi e é uma constante em todas as experiências de esquerda. Mas, por incrível que pareça, vc ainda continua achando que este “argumento” justifica a guinada da esquerda para a extrema-direita do nazi-fascimo! Para o comunismo, no entanto, a substituição da elite tradicional por uma nova “elite proletária” não faz diferença nenhuma, mas para o nazismo e o fascismo a não destruição da burguesia não só os empurram para a direita, como os levam diretamente para além da direita: para a extrema-direita! É uma lógica do outro mundo, do mundo dos lunáticos marxistas! Só tem um detalhe: os comunistas prometiam, na teoria, acabar com as elites, enquanto que os nazi-fascistas nunca prometeram acabar com as elites. E sabe por que? Porque eles foram menos burros que os comunistas. Os nazista já acompanhavam de perto a experiência comunista, como hoje sabemos através do documentário “The soviet story”. Substituir empresários competentes do comando de suas empresas que construíram com décadas de trabalho e dedicação por burocratas do partido seria matar as galinhas dos ovos de ouro. Só um idiota não perceberia que isso daria em merda, como deu em todo mundo comunista. Aliás, não só os nazi-facistas perceberam isso. O maior maxista, depois de Marx, Antonio Gramsci chegou a esta conclusão rapidinho depois de uma visita que fez a URSS. Foi a partir daí que desistiu do comunismo como meta e criou a revolução permanente, que era nada mais nada menos que conquistar a hegemonia da opinião pública e colocar uma coleira nos capitalistas. Ou seja, algo muito parecido com o que fez Hitler. Enfim, os nazi-fascistas foram mais fiéis as suas próprias teorias que os comunistas. Mais um “argumento” que não se sustenta, amigo.
      Ainda sobre o apoios das classes mais altas a Hitler, é claro que entre o comunismo (que pregava a a supressão da propriedade privada) e uma alternativa menos radical que era o Nacional Socialismo, é lógico que a burguesia iria escolher a segunda opção. E como bem vc lembrou, o capitalismo estava enfraquecido pela crise de 29, o nazismo ganhou ainda mais força, pois representava o novo, uma terceira via, uma mistura entre capitalismo e socialismo. Portanto, como vc vê tudo sob o ângulo marxista, a simples adesão de tais grupos (mesmo que em condições excepcionais) apagam todo o resto: a ideologia do partido, seus estatutos, discursos… Enfim, tudo passa a girar e torno da dicotomia embolorada da “luta de classes”, o falso “motor da história” de Marx.
      Sobre as cinco diferenças fundamentais entre esquerda e direita que citei é óbvio que não são conceitos meus. Qualquer estudante de ciência política os conhecem. Eu apenas os sistematizei, usando como critério justamente a atemporalidade (validade em todas as épocas), justamente para evitar este relativismo oportunista que tenta criar um ambiente excepcional que justifique o absurdo de empurrar o nazi-fascismo para a extrema-direita. E mesmo que os conceitos de esquerdismo variassem completamente (o que não é o caso, como já está provado), se avaliarmos o nazismo com os conceitos atuais, seu espectro seria ainda mais à esquerda, já que a nas últimas décadas, o pêndulo do esquerdismo deslocou-se para o centro do espectro ideológico. Agora o mais irônico disso tudo é que os historiadores que sustentam esta mentira de que o nazi-fascismo foi de “extrema-direita” são capazes de buscar as nuances mais tênues possíveis para justificar tal tese (usando e abusando do relativismo), mas ignoram fatos objetivos como a existência do socialismo conservador e as diferenças clássicas que citei. Felizmente, cada vez mais historiadores revisionistas que enxergam esta distorção histórica.
      Sobre a sua frustrada tentativa de reduzir os méritos do liberalismo no constitucionalismo lembro a vc que Liberalismo Político e o Liberalismo econômico são duas faces da mesma moeda. Surgiram na mesma época e evoluíram juntos. Foi o constitucionalismo político que garantiu os direitos individuais, pré-requisito básico para as democracias liberais atuais, o resultado da evolução natural da humanidade e não fruto de engenharias sociais da mente de esquerdistas que se acham superiores ao resto da humanidade. Aliás, esta é uma crítica que me parece muito clara sobre a academia atual. Boa parte dos historiadores e cientistas políticos desconhecem completamente a economia. Eis um dos motivos do predomínio do marxismo na academia, pois se entendessem de economia real não engoliriam tantas balelas de Marx.
      Sobre o capital, como quase todo bom marxista eu também não o li na minha época de esquerdista. Ehehheehehee! Até tentei, mas encontrei outras prioridades. Mesmo assim conheço boa parte dos seus absurdos. Como um livro com o título “O Capital” não tem nem mesmo uma teoria sobre o capital? Pois é amigo, não sei se vc sabe, mas a única teoria econômica que tem uma teoria do capital de fato é a austríaca. Portanto, quando te falo que a teoria de Marx é um lixo, não falo apenas dos absurdos como o fim das classes, o fim da história e blá blá blá. Falo de coisas elementares como, por exemplo, a teoria do valor, coisa que ele não tinha a menor noção. O cara baseia-se em conceitos simplistas e premissas equivocadas para construir uma sociedade impossível de ser criada e que na prática foi responsável pela morte de milhões de pessoas e, no final, se mostrou fracassada em TODOS os países em que foi tentada. E este cara ainda é considerado o maior filósofo de todos os tempos! Isso é a prova concreta de como a academia está dominada pelo marxismo cultural. Sobre os autores que tentam contra-argumentar afirmando não serem marxistas, acredito que vc seja inteligente o suficiente para diferenciar o marxista militante do cara que recebe influências marxistas mesmo sem perceber. Eu me orgulho de ter me libertado desta religião. Se Marx é considerado “o mais importante filósofo” é mais pelas consequências de suas nefastas teorias do que de fato pela qualidade delas, afinal foi por causa dele que ocorreram os maiores genocídios da humanidade. Aliás, é por causa dele que ainda hoje estamos aqui discutindo, apesar de suas ideias serem refutadas não apenas por outros filósofos, mas pela própria realidade. O racionalismo que defendo é fruto da avaliação de várias correntes ideológicas e não apenas da visão deturpada marxista.
      Sobre sua afirmação de que “o capitalismo iria cada vez mais gerar uma desigualdade onde poucos verdadeiramente se beneficiariam de tal avanço”, mais uma bobagem. O fato concreto é que, apesar do keynesianismo e da fatídica simbiose entre governos e bancos centrais que tem produzido um mar de dívidas em todo mundo, além de uma sequencia de bolhas, o fato concreto é que o capitalismo tem revolucionado as condições humanas em todo o mundo. Dá uma olhada neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Qe9Lw_nlFQU&feature=youtu.be
      Sobre a afirmação de que “29 foi fruto do excesso da passividade do Estado frente aos anseios liberais”, este é outro grande equívoco que aos poucos está sendo desmistificado. Sugiro a vc livro “A grande depressão americana” de Murray Rothbard. Ele é um dos expoentes da teoria austríaca e mostra como o FED desencadeou a escalada da bolha de 29 via expansão monetária. Infelizmente a teoria austríaca não faz parte das grades curriculares dos cursos de economia, motivo pela qual mais esta mentira tem sido repetida durante todos estes anos. Brevemente vou escrever também uma série sobre este assunto.
      Não me leve a mal. Minha intensão não é humilhar ninguém e sim ajudar a desfazer estes equívocos. Abraço!

      • PepiBahia says:

        O cara nunca leu o Capital, mas influenciado por autores ultra-liberais, acredita como verdade absoluta de que suas teorias são um monte de merda e que ele nunca compreendeu o que de fato foi o capitalismo. Nunca leu “Mein Kampf” ou quaisquer outros livros, aclamados por historiadores e estudiosos tanto pela esquerda quanto pela direita mundial, que retrate o que foi, de fato, o nazi-fascismo mas se acha apto o suficiente pra afirmar de pés juntos que a colocação dos nazi-fascistas à extrema direita é uma invenção marxista.

        Fala em “visão deturpada e cega” dos marxistas sobre a história alegando falta de “conhecimento” em economia (como se nomes como Hobsbawm e, principalmente, Harvey não fossem compreendessem os conceitos de Macro e Micro economia e que apenas os neoliberais fossem capazes disso – sic!) mas nunca leu a referência bibliográfica MINIMA para compreensão do tema. E depois os marxistas que tem a visão deturpada.

        Fala que nenhum outro sistema possibilitou tanto o aumento da produção mundial, mas esqueceu que primeiro a sistematizar e propagar esta teoria, reconhecer e defender essa tese não foi Smith ou qualquer outro liberal, mas sim Marx. Fala em “evolução natural do homem” (frase que os neoliberais adoram utilizar para justificar a manutenção do sistema liberal), cometendo os mesmos erros cometido por Marx no século XIX, do evolucionismo pré-determinado. Como se já fosse pré-planejado que chegaríamos aonde chegamos e que não haveria alternativas ou mudanças estruturais que pudesse existir paralelamente.

        Fala que nenhuma experiência Marxista deu certo, mas não compreende (e reforço isto) que Marx nunca defendeu a Revolução Comunista ser iniciado e propagada em um país tão atrasado (onde a burguesia ainda não tinha desenvolvido seus meios-de-produção) como a Rússia. E ainda fala que deu tudo errado, mas se esquece que os números sociais de Cuba pré e pós Revolução são brutal. A não ser que para você os índices sociais não importam, mas sim apenas os econômicos, por mais que eu tenha sérias restrições ao sistema político cubano, é inegável que no período em que a economia mundial não era dependente única e exclusivamente da economia americana, Cuba se beneficiou enormemente. É óbvio que desde quando a URSS começou a dar os problemas sintomas de decadência, Cuba sofreu as com o bloqueio econômico, imposto pelos EUA por ter desafiado o capital americano. E se tu vier com o papo de “olha os EUA, Canadá, Espanha, Alemanha e blá blá blá… são capitalistas e são melhores do que Cuba”, comete o gravo erro de conjuntura geopolítica, como se Cuba não estivesse no hall de países fornecedores de matérias-primas no cenário de “Divisão Internacional do Trabalho” – sim, conceito Marxista, mas utilizado por diversos economistas de Estados nacionais capitalistas. Se compararmos as condições da população de Cuba com países vizinhos e que tem uma conjuntura histórica semelhante a sua (Rep. Dominicana, Haiti, Guatemala e cia ltda), vamos ver quem teve melhores condições sociais ao longo dos últimos 50 anos.

        Enfim… o assunto não é esse. O que estou querendo dizer é que você é um típico seguidor de pessoas como Olavo de Carvalho. Este fala em “Idiota Útil”, como se todo e qualquer esquerdista fosse seguidor das idéias socialistas por ser um burro alienado pelo marxismo cultural, mas ao mesmo tempo defende a idéia de Olavo de Carvalho sem nunca ter lido as referências bibliográficas minimas para ter suas idéias minimamente levadas a sério sobre o que foi o nazismo. Não vou entrar nem no mérito da questão de ter entrado em arquivos, verificado documentos e dados sociais/econômicos/culturais e etc de fontes primárias do período, já que você até agora apenas se restringiu ao plano pseudo-ideológico do nazismo e não em suas práticas em si. E por isso despreza o trabalho de autores que dedicaram suas VIDAS para compreender o período e que após ANOS E ANOS de estudos e discussão com diferentes correntes, sustentam a idéia de que o nazismo foi, na prática, de extrema-direita. Você passa a idéia de que estes, que dedicaram a vida estudando sobre o tema, não tem “autoridade” ou apenas mentem somente pelo fato de você não concordar (mesmo que nunca tenha se preocupado em ter estudado o tema). Rasga a história, coloco-a no lixo por pura pretensão ideológica e sequer se dispõe a expor provas DOCUMENTAIS sobre sua posição (colocando apenas trechos pré-selecionados por outros autores). Fala do “Mein Kampf” como se tivesse ampla autoridade no assunto, mas se quer o leu.

        Enfim, com todo respeito, nem eu nem você somos gabaritados o suficiente para formular novas teorias a respeito do nazismo meu nobre. O Nazi-fascismo não é ciência política, não é filosofia… o nazi-fascimo é história e para compreende-lo é necessário buscar fontes documentais para sustentar uma tese. Ao contrário de você, foi isso que autores de diferentes correntes (não apenas os Marxistas, como eu já falei diversas vezes e você, propositalmente, parece não compreender para continuar a colocar a “culpa” de posicionar o nazismo à extrema-direita apenas neles) fizeram. Dedicaram sua vida estudando o nazismo para compreende-lo e após anos de estudos, pesquisas e debates, coloca-lo à direita. Ao contrário de você que, arbitrariamente através de uma pseudo-filosofia que carece de estudo aprofundado sobre o tema, coloca o nazismo à esquerda, quem o colocou à extrema-direita (novamente friso, não foram apenas os autores marxistas), o fez com respaldo.

        Enfim… perceba que você está seguindo e fazendo exatamente o que Olavo de Carvalho quer: reproduzindo suas idéias sem buscar nas fontes históricas algo que respalde suas idéias, ficando apenas no mundo das idéias. É um pseudo-racionalismo que despreza a academia, mas ao mesmo tempo não busca provas materiais que sustentem seus argumentos. Parodiando seu “mestre” fica a questão: quem, neste caso, está sendo um “Idiota Útil”?

        Inclusive, se Hitler, Mussolini, Vargas, Franco ou Salazar estivessem vivos hoje e lessem seu texto posicionando-os à esquerda, acho que você iria diretamente para a câmara de gás ou prisão… e Stalin tivesse vivo, tu iria pro Gulag rsrsrsrs

        • Amilton Aquino says:

          O cara chega aqui botando a maior banca, dizendo que iria detonar meus argumentos. Depois de vários comentários, o que vc conseguiu? Vamos espremer seu último comentário. O que vai sobrar é a sua tentativa desesperada de tentar me desqualificar. Ou seja, vc volta ao início, quando chegou aqui, apelando para sua autoridade de seu diploma de historia, porém, da mesma forma que chegou: sem argumentos. Não tenho obrigação de ler “O capital” ou “Mein Kampf” ou qualquer obra que vc considere obrigatória. Vc é o historiador aqui. Eu sou um simples programador blogueiro. Portanto, o que qualquer um poderia esperar era que vc destroçasse meus argumentos. E o que se viu foi justamente o contrário. Respondi com lógica a cada uma de suas tentativas de argumentação frustradas. Você não. Mudou de assunto, escorregou e, por fim, voltou a apelar à falácia da autoridade. Portanto, de que adiantou ler tantas obras se não consegue nem mesmo sintetizar um mínimo delas? Vamos la´! Continuo esperando. Traga argumentos. Prove que minha análise está errada. Só não me venha se esconder nas asas de fulano ou beltrano que “dedicou sua vida” ao estudo do nazismo e que afirma que o nazismo foi de “extrema direita” porque foi e ponto. Está mais parecendo o novo comercial da Schin: Por que? Por que sim! Ehehehehehhe! Ora, não me interessa a cor da cueca de Hitler ou qualquer outra informação irrelevante que vc leia em tais livros de forma “aprofundada”. O fato concreto é que justifico objetivamente porque considero o nazismo de esquerda, enquanto que vc o máximo que conseguiu até agora foi tentar relativizar o contexto histórico da época. Foi para isso que vc passou cinco anos na faculdade? Apenas para engolir as informações distorcidas pela visão marxista da realidade? Onde está a tua capacidade crítica?

          Olha, eu poderia mentir, dizer que li todas as “obras indispensáveis” que vc tanto se gaba de ter lido e vc nem teria percebido. Não o fiz por honestidade intelectual. Como já disse antes, meu tempo é escasso. Tenho que definir bem as minhas prioridades. E, a julgar pelos argumentos que vc trouxe até aqui, “O capital” e “Mein Kampf” vão continuar na fila, pois tenho obras muito mais importantes para ler antes. Quem sabe quando eu me aposentar e resolver voltar à academia para fazer um curso de história. Que tal? Seria bem divertido, não?

          Enfim, como não vc não tem mais “argumentos” sobre o nazismo, então resta-lhe se agarrar a outros assuntos para tentar esticar o debate. E aí vc continua levantando bola. Eu poderia perder algum tempo para te trazer alguns dados sobre a Cuba dos anos 50. De cabeça, posso te afirmar que Cuba já tinha um dos padrões de vida mais elevados da América Latina nos anos 50, fato reconhecido pelo próprio Che, caso vc não saiba. Não por acaso, havia mais cubanos em férias nos EUA do que o contrário. E os estrangeiros não iam para lá apenas de férias. Em pouco mais de duas décadas, cerca de 100 mil europeus mudaram para a ilha. Além de disputar com Las Vegas o turismo dos jogadores, a ilha era rota de shows das maiores estrelas da época. Sinatra, Nat King Cole e Carmem Miranda são apenas alguns exemplos. Mas nada disso importa para os fanáticos comunistas, não é? O importante é educação. Ok, então vai um número que lembro bem: a Cuba dos anos 50 investia 23% do orçamento em educação. Nada mal para um país capitalista que durante todo este tempo foi pintado como um bordel norte-americano. E se tivesse continuado bordel, quem sabe a ilha tivesse hoje uma renda per capta semelhante à de Porto Rico. Ah! Esqueci. Indicadores econômicos não valem. Então segue o IDH do bordel que sobrou dos EUA no Caribe: 0,942. Ou seja, muito elevado. Não por acaso, a maioria dos porto-riquenhos quer que o país seja anexado aos EUA. Mas o importante é resistir ao imperialismo iaque! Cuba está caindo aos pedaços. A culpa é do famigerado bloqueio dos EUA. Mas, sabe o que é na prática o bloqueio? Significa que os EUA não podem comercializar com Cuba. Ok, mas Cuba tem o mundo inteiro para comercializar. Por que reclamar da falta de comercialização com o seu arqui inimigo? Enfim, o embargo só serve para arrumar uma desculpa para a ilha estar caindo aos pedaços, com prédios com pintura dos anos 50, carros dos anos 50, eletrodomésticos dos anos 50. Enfim, o que sobrou do “bordel” norte-americano. Mas o que vale é ter a cabeça erguida. Não se dobrar ao imperialismo ianque! Ok. Então por que será que Cuba não rejeita a ajuda dos EUA? Vc não sabe, mas de 1992 a 1999, os Estados Unidos enviaram mais ajuda humanitária a Cuba que todos os então quinze membros da União Europeia e a América Latina. É o que resta a ilha de Fidel. Viver da caridade. Na década de 90 foram os EUA, na década de 2000 a Venezula, e agora o Brasil. Por acaso vc já ouviu falar dos U$ 5 bilhões que Lula “emprestou” secretamente aos cubanos e angolanos? Pois é, amigo. Tem muito mais coisas sobre Cuba que vc nem sonha. Mas qualquer comparação com outros países vai dar margem a mil relativismos. Que tal comparar então experiências comunistas em um mesmo povo? Que tal comparar a Alemanha Ocidental e a Oriental? Que tal comparar a Coréia do Norte e a Coréia do Sul? Cara, comunista não devia mais abrir a boca para falar deste assunto. Não há uma ÚNICA experiência bem sucedida! Ponto! Incrível como ainda hoje tenhamos que falar desse assunto. Só mesmo o fanatismo religioso marxista para manter esta discussão.

          E vc continua batendo na tecla Olavo. É o que lhe resta: apelar à falácia ad hominem e a ao apelo à autoridade dos historiadores que “dedicaram suas vidas” e blá blá blá! Embora vc não saiba, tenho grandes discordâncias com o Olavo. O Sandro Tavares que sempre está por aqui é testemunha. Como vc já deve ter percebido, não engulo qualquer informação fácil. Sou extremamente crítico, até mesmo com a escola austríaca, a corrente que eu mais me identifico. Então, não venha me colocar o rótulo de “idiota útil” porque este já pertence aos marxistas gramscistas que estão espalhados por aí. Eu faço justamente o contrário. Procuro chamar a atenção desses idiotas inúteis com algumas reflexões que proponho aqui, já que estes coitados mostram-se incapazes de ter algum pensamento próprio. E já que vc falou dos “historiadores que dedicaram suas vidas aos estudos” e tal, então vou fazer um paralelo com os milhões de filósofos, historiadores, sociólogos de todo mundo que dedicaram suas vidas ao marxismo e que finalmente acordaram (o Olavo foi um deles, viu?). Portanto, a pergunta que não quer calar continua: por que será que marxistas tornam-se liberais, mas nunca o contrário?????

    • Amilton Aquino says:

      Já tinha visto este vídeo, Sandro. Aos poucos as peças vão se encaixando. O apedeuta, apesar de não ter ideologia nenhuma, já nesta época surfava na onda que lhe trazia mais ibope.

  11. Sandro says:

    Falando em mais-valia, Böhm-Bawerk tornou-se famoso por ser o primeiro economista a refutar de forma completa e sistemática a teoria da mais-valia e da exploração capitalista. Segue link para o livro dele:

    http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=33

    • Amilton Aquino says:

      Bem lembrado, Sandro. Agora pergunta a algum estudante de economia hoje se ele já ouviu falar deste cara?

  12. Sandro says:

    Tem temas aqui que já foram tratados nas discussões de outros posts, como o diferenças fundamentais entre direita e esquerda! Colo aqui um dos meus comentários de lá:

    “Direita e esquerda passaram por inúmeras variações e combinações ao longo dos últimos séculos. Mas, onde quer que se perfilem com força suficiente para hostilizar-se mutuamente no palco da política, essa distinção permanece no fundo dos seus discursos: direita é o que se legitima em nome da antigüidade, da experiência consolidada, do conhecimento adquirido, da segurança e da prudência, ainda quando, na prática, esqueça a experiência, despreze o conhecimento e, cometendo toda sorte de imprudências, ponha em risco a segurança geral; esquerda é o que se arroga no presente a autoridade e o prestígio de um belo mundo futuro de justiça, paz e liberdade, mesmo quando, na prática, espalhe a maldade e a injustiça em doses maiores do que tudo o que se acumulou no passado.” – Olavo de Carvalho http://www.olavodecarvalho.org/semana/051031dc.htm

    • Amilton Aquino says:

      Exato. Neste ponto o conservadorismo e o liberalismo se unem, pois são fruto da evolução da humanidade e não da mente de iluminados que desejam, via governos autoritários, moldar o mundo conforme suas utopias.

  13. João Nicácio says:

    Sobre o texto, concordo plenamente. Na atual definição de esquerda-direita que vem se consolidando, de mais-menos estado já por si só colocaria o nazismo e o fascismo entre a esquerda ou centro esquerda. O fascismo, no máximo de centro.

    Concordo com ambos, o liberalismo já foi de esquerda, dependendo de tempo-espaço para se ter uma definição.

    Infelizmente, essa dicotomia foi regida ultimamente pelo marxismo que logo se considerariam de esquerda e todos os adversários seriam de direita. Hoje em dia é fácil ver resquícios de que, se não sócio-comunismo, já é automaticamente é de direita. Realidade que a direita, a brasileira principalmente, é muito amplo, visto o contraponto ser apenas o marxismo e afins, do conservadorismo ao liberalismo ou libertarianismo, e ainda gente empurrando os sócios democratas, que quando governaram, tomaram mais atitudes de esquerda do que de direita que a atual gestão (e não achemos ruim as medidas, ruim mesmo é essa atual gestão o fazer para fins escusos, privilegiar uns em prol de outros, formar cartel, roubar o povo etc). Aproveitando-se desse contraponto a todos os ideais, oportunamente, a esquerda cultural, fonte de “saber”, empurrou um filho bastardo para além dos limites até então formados sobre política, o nazi-fasci foi ficar bem longe de onde deveria.

    Pois num é que ganharam no “grito”!? No que se caracteriza a esquerda atual: apenas ser socialista e afins, daí todo o restante é de direita. Até mesmo seus irmãos mais novos e bastardos.Como já aconteceu da BBC emitir um documentário informando que a Coréia do Norte é de “extrema direita” como o Fascismo. Mesma tática adotada com a Alemanha, que devido a fragilidade econômica Hitler conseguiu subir no controle, do mesmo jeito que Lênin na Rússia. Agora se um país sócio-comunista não ruir sozinho ele será execrado? Quando vai acontecer com Cuba? Mesmo o capitalismo limitado (ou como alguns direitistas falam: capitalismo de estado, uma mistura prostibulenta do capitalismo com intervenção estatal, resultado dos ideais socialistas mais flexíveis), sendo dominante na Alemanha Nazista não convencem aos mais iletrados que o capital não estava tendo valor nenhum para quem não o tivesse em prol do governo. Ou fosse contra os ideais do governo, como os judeus, que mesmo a maioria deles sendo ricos não escapariam do holocausto. No próprio fascismo, berço das leis de trabalho e dos sindicatos consolidados. Quem hoje não é mais apoiadores do Socialismo Internacional no Brasil se não os sindicatos ou centrais únicas?

    Verdade mesmo é que o Espectro político talvez nem devesse ser uma dicotomia, linear. Creio que deveria ser mesmo algo bidimensional ou até mesmo tridimensional. Bidimensionais como prega Eysenck (interessante, apesar de não concordar totalmente recomendo a leitura deste: http://translate.google.com.br/translate?sl=en&tl=pt&js=n&prev=_t&hl=pt-BR&ie=UTF-8&u=http%3A%2F%2Fwww.ditext.com%2Feysenck%2Fpolitics.html) e outra como Hannah Arendt resume em algo adimensional. Insisto que mesmo com essas formas de se visualizar, ainda assim o nazi-fascismo estariam bem próximo aos seus irmãos mais velhos do que o antigo liberalismo e conservadorismo. A tabela Eysenck, por exemplo, a tentativa de unidimensiona-lo na diagonal implicitaria nessa proximidade.

    Agora, para ser unidimensional, deveria ser adotado o conceito realmente de mais-menos estado, que eu acho mais coerente. Aí ficaria por exemplo até mesmo os países conservadores religiosos como o Irã (A única religião que eles acham que podem coexistir com a deles, Marxistas), bicinhinho de estimação de muito esquerdista, atestamente no seu devido lugar. (O Vaticano escaparia por uma linha tênue, mas o mais importante seria viés de liberalismo no seu estado).

    Creio que um governo de centro para centro direita, seria o ideal. Mas a desgraça do Nazi-fascismo acho que foi pegar o que o capitalismo poderia proporcionar de bom com o que o socialismo poderia proporcionar (se eu colocasse “de ruim” seria redundante).

    Agora, acho que comeu mosca quem falou que não há nenhuma comparação a ser feita de Hitler e Lula e depois falou que Hitler só subiu no poder devido a DEMAGOGIA. Não há melhor representação associativa, abrangente, boa, certeira, conceituante, completa, distópica, exata, fiel, homérica, pura, simples,e perfeitamente perfeita de DEMAGOGO senão a representação de Lula no Brasil. A partir do momento que um governante tem um conjunto de problemas, ou inventa-os, e tenta solucionar com medidas que sabe que não irão ser efetivas, a não ser para seu ambicioso plano de demagogia, “tenemos”, um ser que irá avassalar seu próprio povo movido por uma sede incontrolável de poder perpétuo. Lendo isso devagar, será que realmente não dá para comparar os dois em nenhum momento?

    • Amilton Aquino says:

      Ótimas colocações Nicácio. Só faço uma ressalva: o único momento em que o liberalismo pode ser considerado de esquerda (unicamente por ser contrário ao status quo vigente) foi no início da Revolução Francesa. Ou seja, quando Hitler apareceu para a política, o liberalismo já era de direita há mais de um século. Esta exceção não pode ser utilizada como relativismo para tentar justificar o “direitismo” do nazi-fascismo.

      • João Nicácio says:

        Falha minha. Realmente esqueci de comentar que o Liberalismo foi de esquerda (enquanto os conservadores sempre foram direita), mas como exceção no início da Revolução Francesa, tanto que demonstrara já que era contra regimes totalitários, característica impregnada de regimes sócio-comunistas. Em nenhum momento quis citar que o Nazismo era de Direita, o que não é.

        Saliento que nazifasci foram formas levemente mais amenas que o sóciocomun, em relação ao poder e abrangência do estado sobre a vida. A melhor justificativa que já vi para afirmar que Nazifasci era de direita era que eram anti comunistas. Pura besteira. Na verdade, Hitler fez um releitura da teoria socialista (não marxista), e ele acreditava que o marxismo fosse o socialismo deturpado. Então mea verdade, não era aquele socialismo imperial ou internacional, mas sim o socialismo nacional. No entanto, não justifica dizer que não tinha nada a ver com o socialismo soviético. Apenas não era do mesmo galho da árvore genealógica, mas da mesma raiz, como bem exposto por você. Dessa planta, não se compartilha o Liberalismo clássico, nem faltando um pulo de grilo se chega perto. Só ter sensíveis diferenças entre Socialismo Nacional, Socialismo Democrata e Socialismo Marxista não os torna diametralmente opostos num espectro político (a não ser que você esteja no Brasil, ai qualquer coisa que não seja Marxista, automaticamente é “direita fascista”).

        “No que se refere” ao ‘Nacionalismo’, nem como diferença deveria ser utilizado. O Nacionalismo é impregnado desde que uma nação seja uma nação. Obviamente que o patriotismo exagerado e indecente da Alemanha os impeliram a arrasarem povos distintos dos deles por ondem passavam. Mas que fique claro que a URSS daquela época e todos os outros países também tinham seus amores pelo Estado e a Nação. Agora se a Alemanha provocou o terrível holocausto com os Judeus, Ciganos, Negros etc defendendo a “raça” ariana; a URSS, China, Vietnã etc, criavam suas próprias versões de Holocausto a fim de refinar a “raça” proletária.

        Finalizando,dizer que “Apesar de o [Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães ter o] nome socialista [e trabalhadores] ser utilizado, o conceito socialista do nazismo é radicalmente oposto ao conceito do socialismo marxista como é compreendido hoje” (Wikipedia) só mostra que o tratamento do dizente foi subdimensionada. Porque cargas d’água, um liberal, ou conservador iria colocar o nome “Socialista” e “Trabalhadores” (sinônimo de “Proletário”) no seu partido!???

        • Amilton Aquino says:

          Pois é, Nicácio. O “argumento” mais forte dos historiadores marxistas é este mesmo. Os nazistas eram seus inimigos mais ferozes, logo eram “extrema direita”. Parece mais coisa de criança. Eehehehhehheheh!

  14. Abbud says:

    Confesso que não conseguir ler todas as discussões mas gostaria de colocar algumas opiniões adicionais minhas:

    Perfeito o seu comentário quando diz que é um equívoco (bastante comum eu diria) dizer que o Chile ou qualquer outro país que fica mais rico, fica mais desigual e portanto necessariamente o pobre fica mais pobre. Na maioria dos casos incluindo o Chile os pobres ficaram menos ricos que os mais ricos, e isso não é ruim, ruim é o que prega o socialismo ou o comunismo , aonde a sociedade tende a mediocridade produtiva sem mérito e ao inerente empobrecimento geral da nação. Com o conhecimento básico de qualquer pessoa hoje, é muito óbvio deduzir que o Socialismo e o Comunismo nunca darão certo, basta saber que uma das origens do pensamento comunista é a ideia de que com a revolução industrial, não teria mais sentido a exploração do trabalho pelo capital, uma vez que não seria mais necessário tanto trabalho, já que se tinham máquinas e os recursos eram supostamente “ilimitados”, o que hoje claramente sabemos que é um bobagem pois os recursos continuam limitados, o trabalho e o mérito são poderosas molas de progresso e riqueza, enquanto que o socialismo poderoso incentivo a mediocridade e somente viável em regimes ditatoriais. “Na natureza humana não há progresso sem trabalho e meritocracia”

    Com relação a Social democracia, é muito simples explicar, ela pressupõe Estado forte no social e liberal no mercado tendo como base o regime democrático, preferencialmente na modalidade Parlamentarista, ou seja, para a Social Democracia o Estado foi feito para regular e fomentar a atividade econômica, e garantir serviços públicos de Saúde, Educação ,Transporte Urbano, Judiciário e Segurança e nada mais que a Iniciativa privada possa fazer de forma muito melhor e eficiente, e é essa a diretriz básica do PSDB, comprovada na prática quando estiveram no poder. Já o PT tem como premissa a valorização da classe trabalhadora, com o Estado forte em todos os setores da sociedade, admitindo desde que controlado pelo Estado a participação de capital privado, ninguém sabe ao certo se são comunistas, socialistas, parlamentaristas, presidencialistas ou democratas, pois no final o objetivo é a perpetuação no poder mesmo que para isso tenham que navegar em diferentes ideologias, atualmente são adeptos do regime populista latino!

  15. Pingback: A Outra História da Ditadura – Parte 2 | Imagenaria

  16. adrianouriel says:

    Isso mesmo. Sem falar que, durante anos, União Soviética e Alemanha lutaram juntos contra o resto da Europa, chegando ao absurdo de dividirem entre eles as nações conquistadas, como polônia e outros. Hitler se inspirou no Marxismo de Lênin e Stalin, responsável pela morte, de 6 a 10 milhões de Russos e Ucraniamos, para fundar seu Nazismo, mas Hitler interpretou as ideias de Marx diferentes de Stalin, e por isso diferenciou a filosofia assassina.
    Veja mais nesse doc:
    https://www.youtube.com/watch?v=5kcjH-b7a1E

  17. adrianouriel says:

    Lembrando que os maiores genocídios da história foram praticados por esses regimes comunistas/socialistas/marxistas, segue a contagem de corpos (por alto):
    – LENIN/STALIN – COMUNISMO RUSSO: ENTRE 6 E 10 MILHOES DE RUSSOS E UCRANIANOS.
    – GENERAL POL POT DO CAMBOJA – KHMER VERMELHO, MATOU MAIS DE 3 MILHOES DE CAMBOJANOS.
    – MAO TSE TUNG DA CHINA, CERCA DE 10 MILHOES DE MORTOS EM SEU COMUNISMO VERMELHO..
    – HITLER, DO PARTIDO NACIONAL SOCIALISTA DOS TRABALHADORES, MAIS DE 6 MILHOES DE JUDEUS E OUTRAS MINORIAS COM SEU NAZISMO.

    – Sem falar em outros não tão assassinos, mas igualmente insanos, Fidel Castro que afundou Cuba em meio século de miséria e totalitarismo, e o da Coreia do Norte de loucos comunistas em pleno século 21….

    Deveriam ser presos esses que defendem esse regime e esses ideiais Marxistas, expondo suas bandeiras vermelhas manchadas de sangue, com um Martelo e uma foice que simbolizam mais a aniquilação de inocentes do que tudo..

    • Amilton Aquino says:

      Concordo plenamente. Em regimes democráticos deveriam ser proibidos partidos comunistas, pois o autoritarismo está na essência deles.

  18. Luis Gonzaga Laier says:

    Penso que as grandes tragédias e holocaustos tem pouca chance de se repetir e envolver muitas pessoas em embates e sistemas repressivos, mas a esquerda esta fazendo a nível capilar um número de mortos muito maior, ao imputar sempre a definição de problema social, subtraindo a realidade de taxar como crime, o assalto, a queima de bens públicos e particulares em manifestações.
    Quanto a afirmação acima discordo.
    Se o regime for democrático, deve permitir partidos comunistas, socialistas etc., não deve permitir a imposição de nenhuma especie, à liberdade individual e ao direitos do cidadão.

    • Amilton Aquino says:

      Luiz, penso que deixar partidos comunistas atuarem livremente em regimes democráticos é a mesma coisa que permitir partidos nazistas. Tais partidos usam a democracia para, caso cheguem ao poder, subvertê-la. De qualquer forma, respeito sua opinião. Abraço!

  19. Historiador says:

    Confesso que, como historiador, me assustei um pouco com as afirmações aqui levantadas, Mas vamos la, voce nao é historiador e tem todo o direito de ter suas duvidas, assim como eu nao sou medico e nao entendo nada de medicina, por exemplo. O primeiro grande erro que voce cometeu foi confundir sistemas economicos e sistemas politicos. Comunismo e Capitalismo, por exemplo, sao sistemas economicos e podem ser geridos por diferentes sistemas politicos, por exemplo, sistemas autoritarios, ou seja, as semelhanças que voce apontou, e que realmente existiram, dizem respeito a ambos possuirem sistemas politicos centralizados. Vou te dar um bom exemplo, mais contemporaneo, que o ajudara a entender melhor este ponto.As ditaduras militares latino americanas, como hoje sabemos sem duvida patrocinadas pelos EUA, foram saudadas pela direita durante anos e apresentadas pela direita como motores do desenvolvimento latino americano, quato a isto, acho que nao temos duvida, correto? Bom, talvez a ditadura mais sangrenta da america latina, a de Pinochet, tambem é vista como responsavel por dar as bases economicas para o Chile, visto como um dos, se nao o mais, estavel pais Latino Americano. O governo de Pinochet, com seu punho de aço e perseguição aos comunistas (mas nao seriam só os comunistas que estabeleciam perseguição e ditadura??) tambem foi a patria latino americana que melhor aplicou a politica neo liberal na america latina, alias, ele “importou” os famosos “chicago boys” (economistas da Universidade de Chicago que baseavam seus estudos sobre a escola neo liberal austriaca e, obviamente, em Hayek) para auxiliarem no desenvolvimento da nova economia chilena.Acho que, com este exemplo, ficou bastante claro a diferença entre um sistema economico e politico e como podemos ter governos autoritarios ou democraticos, tanto de esquerda quanto de direita. O Nazismo tem peculiaridades claras da extrema direita e, assim como o comunismo na URSS, foi catastrofico para a historia humana. Outra coisa importantssima de se registrar é que, tanto direita quanto esquerda possuem uma gama enorme de ideias e doutrinas que podem ser mutio diferente uma das outras (veja a enorme diferença entra anarquistas e o comunismo sovietico, alias, se voce estudar um pouquinho de historia da Revolução Russa, vera que os primeiros criticos da Revolução forem esquerdistas que, por sinal, foram mortos ou expulsos do pais).
    Quanto ao uso do termo “socialismo” por Hitler, ele mesmo explica o porque do uso do nome em seu livro Mein Keimpf, e deixa claro que o uso tem muito mais ver com propaganda do que com politica.
    O texto tambem incorre em varias imprecisoes historicas, como a atribuição do nascimento do anti semitismo a esquerda(?!). O anti semitismo é algo que acontece ha seculos e, infelizmente, tornou se mais grave e com conotação racial com o desenvolvimento da biologia e de certas teorias raciais, infelizmente, foi um mal do seculo XIX. Alias, se racismo e o Anti-semitismo tem a ver com comunistas, poderiamos dizer que os Estados Unidos, no auge da Guerra FRia e em plena perseguição macartista aos comunista, tambem era comunista, ja que os EUA viviam em anos de segregação racial na qual negros era excluidos da sociedade americana, assim como judeus, (Voce sabia que um navio com judeus, durante uma fuga no começo da perseguição Hitlerista tentou atracar nos EUA e nao obtiveram permissao, por seram judeus?)
    Bom, espero ter contribuido em algo para o debate. Desculpe os diversos erros de portugues que possam aparecer, escrevi isso de forma muito rapida pois vi que, como historiador, tinha o dever de jogar luz ha algumas questoes. Obrigado pelo espaço,

    • Amilton Aquino says:

      Olá Historiador! É sempre bom passar pelo crivo de especialistas. Já passaram dois por aqui e não conseguiram mudar uma linha do que está escrito aí em cima. Então vamos ver se vc tem argumentos mais sólidos. Vamos ao primeiro ponto abordado por vc, a suposta confusão que faço sobre sistemas políticos e econômicos. Ora, tal distinção é e sempre foi mais clara para os liberais. Os liberais sempre defenderam um estado mínimo, enxuto que não se intrometesse nas questões privadas e deixasse a economia o mais livre possível. Os conservadores um pouco menos. Para a esquerda, no entanto, o grande objetivo sempre foi colocar a política acima de tudo, inclusive da economia. Não por acaso, todas as experiências socialistas até aqui fracassaram redondamente, afinal entre a teoria e a prática existe um grande fosso. No caso do nazismo, esta tendência de esquerda também fica muito clara, pois ele “estatizou” os cidadãos e colocou a economia para trabalhar em função do Estado. Ou seja, quanto mais socializante, mais coletivista, mais interventor na economia, mais poderes autoritários serão necessários para colocar tais políticas em prática, afinal muitas dessas políticas exigem retirar de alguns para dar para outros, por exemplo, atos autoritários em suas essências. Portanto, esta diferença fundamental entre esquerda e direita fica muito clara e vc, sem querer, reforçou meu argumento.
      Quando vc recorre a Pinochet para tentar colocar em pé de igualdade as ditaturas de esquerda e de direita, vc esquece que os Chicago Boys foram apenas alguns rapazes que foram convidados por Pinochet para organizar a economia chilena. Não foram eles que deram um golpe de estado ou comandaram o regime, mas, em um contexto de guerra fria, procuraram colocar em prática suas teorias, mesmo que estas fossem limitadas pela histórica tendência ao intervencionismo dos militares. Isto foi o mais próximo que os liberais chegaram de um regime ditatorial em toda a sua história de luta contra o autoritarismo, luta esta responsável pelas maiores conquistas institucionais que hoje conhecemos, entre as quais o constitucionalismo e a separação dos poderes. E, não por acaso, a herança dos liberais na economia chilena foi a única coisa que sobrou de bom da ditadura de Pinochet, tanto é que o país continua sendo o mais próspero e estável do continente.
      Vc citou “tanto direita quanto esquerda possuem uma gama enorme de ideias e doutrinas que podem ser mutio diferente uma das outras”. Nisso concordo com vc. Acontece que quem define quem é de direita é a esquerda, por exclusão. Ou seja, tudo que não é de esquerda é automaticamente de direita. E aí cabe tudo, inclusive os militares intervencionistas. Já fui de esquerda e hoje sou de direita, mas não esta direita intervencionista e autoritária que a esquerda tenta nos rotular a todo momento. Sou um liberal moderado, conservador em alguns pontos da política. Enfim, existem diversos tons entre o preto e o branco. No entanto, a esquerda populista e/ou autoritária trabalha sempre para esconder as diferentes nuances e salientar o preto e o branco, afinal é o discurso fácil que conquista as mentes da massa: a luta do “nós” contra um poderoso inimigo conspiracionista, aliás, mais uma característica bem marcante do nazismo, não?
      Você citou: “os primeiros criticos da Revolução forem esquerdistas que, por sinal, foram mortos ou expulsos do pais”. Nada mais comum entre os esquerdistas que almejam o poder permanente. O partido que chega ao poder quer moldar a sociedade às ideias que defende ou simplesmente ao seu projeto de poder. E para isto vale tudo, inclusive matar companheiros que discordam de algum ponto importante. Stalin matou vários companheiros de revolução, inclusive Trotski. E tais exemplos não se restringem apenas à esquerda totalitária. Basta ver o caso de Celso Daniel.
      Com relação ao termo “socialista” no nome do partido “Nacional-Socialista” se vc ler os seguintes posts desta série vai ver que não foi um acidente semântico. O socialismo e seu coletivismo intrínseco está na essência do nazismo, inclusive nas diretrizes do partido. Já citei alguns pontos aqui nos posts seguintes e pretendia escrever um específico sobre tais diretrizes, mas encontrei um post de Lucinao Ayan que mostra que dos 25 pontos do partido Nacional-Socialista, 6 são neutros, 1 poderia ser chamado de centro-esquerda, 1 de direita, e os 17 restantes são plenamente esquerdistas. Ver aqui: http://lucianoayan.com/2012/07/15/sera-o-nazismo-de-extrema-direita-not-so-fast-junior/
      Vc citou “O anti semitismo é algo que acontece ha seculos e, infelizmente, tornou se mais grave e com conotação racial com o desenvolvimento da biologia e de certas teorias raciais”. Também concordo e se vc leu os posts seguintes vai ver que retornei a Idade Média para falar desse assunto, citando que o antissemitismo existia em várias partes da Europa e não apenas na Alemanha. Ressalto apenas neste texto que alguns dos principais teóricos socialistas apoiavam sim tais ideias, algo que é escondido pelos livros de história que chegam as escolas que sempre pintam os esquerdistas como os mocinhos da história.
      Vou ficando por aqui respondendo no tom que vc escreveu. Mas já percebi alguns tons mais ásperos no seu último comentário. Vou ter que sair agora mas te adianto que vou responde-los o mais rápido que puder. Peço apenas que mantenha o nível. Se precisar, danço conforme a música, mas particularmente prefiro o debate sóbrio como foi este início. Abraço!

      • historiador says:

        Poxa,li o texto do Lucian e voce se baseou nele? Caracas o cara coloca varios pontos nacionalistas como neutro?? Toda politica nacionalista e xenofoba eh de direita e isso eh o b a ba da diferenciaçao de.direita e esquerda. As politicas de esquerda sao ant xenofobas e visam sempre a derrubada de barreiras politicas contra a entrada de imigrantes, por exemplo, enquanto as politicas de direita tenta conter estas entradas de forma mais Hhhdireta, como o bush com.os mexicanos nos eua, ou o crescimento da direita nos paises europeus justamente tentando barrar a entrada de africanos e arabes no continente. A ideia de patria eh central na cultura da direita, eh a ideia de raiz, identidade, pertencimento. E onde foca o mais classico slogan deus,patria,familia?! Se esses pontos basicos sobre direita e esqierda ainda nao estao claros,essa discussao fica muito mais complicada. Tem uma hora que juro, nao sabia se esse lucian tava falando serio ou brincando, qdo colocou a politica expansionista de hitler como neutro mas com.tendencia a esquerda pois era levada a cabo.pelo estado??!tds as politicas expansionistas modernas sao levados a cabo por estadosnaçoes e seus governos, ou foi a iniciativa privada que declarou guerra ao iraque e ao afeganistao? Alias a maior potencia capitalista do mundo eh a que possui o maior orçamento militar, os eua! E o colonialismo ingles, a maior potencia capitalista do seculo XIX, foi feita por quem? Outro erro extremamente basico, nomesmo ponto,hitler deixa bem claro que pretende formar colonias. Na historia de toda esquerda no poder, que vimos muita merda, mas nenhuma delas foi fazer colonias. Os hovernos de esqierda nunca, nem sequer uma unica vez, fizeram colonias. Expandiram sim fizeram.muitas guerras, mataram muita gente mas nunca fizeram colonias, pelo contrario, ajudaram a libertar algumas. Colonia eh um lugar sem.ligaçao espacial com.o.territorio do Colono. O comunismo nunca fez colonias, e no fim das contas, por causa da derrota que sofreram, nem.os nazistas conseguiram,ja que foram derrotados antes de montarem colonias no leste, como planejava hitler. O que de certa forma me.chocou neste texto, foi a total falta de conhecimento do tal Luvian sobre a propria politica que ele segie, de direita, nao saber valores basicos como as identidadres nacionais,eh o mesmo que nao saber o conceita da direita, enqto tal. Outra coisa que me.chamou atebçao eh qdo ele coloca, de uma forma simplista e qse infantil, marxistas e obamistas do mesmo lado. Seria obama uma marxista?! E mais engraçado, ele fala que marxistas e humanistas estao do mesmo.lado, e isso eu concordo com.ele, e como colocar um humanista no mesmo saco dos nazizistas, ja que os nazi foram de esquerda e os himanistas tbm…seriam os nazis humanistas?!os mesmo humanistas que sao a favor de casamento gay e denunciam a xenofobia e os nacionalismos da atual extrema doreita europeia?! Neo ateus, tbm sao de esiqerda, e por tnto, nazistas?!seria franco, mussolini e hitler ateus?! Teriam eles enganado a igreja catolica e se aproximado dela por engano, enqto na urss o ateismo imperava? Me desculpe amigo, mas esse texto foi alem das minhas capacidades e nao pude chegar ate o fim do texto dele. Me desculpe,mas voce çerece textos muito melhores. Ja vi textos seus bem.embasados e nao eh possivel q vc tenha se baseado neste texto para falar que nazismo eh de esquerda. Esperaca eu que ao menos a noçao de nacionalismo.estivesse bem assentada p vc cm.de doreita, ja que eh um dos pilares mais antigos e importante da politica direitista. Abraço

        • Amilton Aquino says:

          Olá Historiador! Vamos considerar os pontos que vc citou como de direita. Ainda assim teríamos 4 de direita, 4 neutros, 1 dúbio e 16 de esquerda. Vc pode até questionar alguns outros pontos, mas ainda assim a maioria permanecerá de esquerda.

  20. Historiador says:

    Tive a oportunidade de ler alguns posts, sao muitos rs por isso só li alguns, e vi que um grande problema e que pode gerar uma serie de confusoes, é voce atribuir a direita apenas o neo liberalismo. Volto a repetir, tanto na direita como na esquerda existem diversas vertentes. Com certeza o Hitler nao era neo liberal, mas nem por isso deixa de ser de direita, da mesma forma que os sociais democratas por Republica de Weimar nada tem de ver com o regime stalinista, mas nem por isso deixam de ser de esquerda. O que as pessoas nao entendem é que, infelizmente, regimes ditatoriais ou regimes democraticos que perseguem pessoas, existiram e podem existir dos dois lados, o que é muito triste. Quanto ao Narloch, desculpe mas como historiador é um otimo jornalista, Os erros historicos dele sao enormes e, nao é por que ele é de direita, temos historiadores pessimos de esquerda tambem. Mas tem um programa, que nao me recordo, mas pode encontrar no Youtube, no qual ele esta com um historiador da UFSCAR e ambos condenam a historia ensinada nas escolas, extremamente antiquada e, com certeza, com certa influencia marxista dogmatica, que acho pessima, mas, enquanto o doutor da USCAR falaa que devemos parar de endeusar mocinhos na historia, Narloch concorda e, de repente, solta a perola, de que deveriamos aabar com os herois como a esquerda cria e, no final do dialogo, deixa escapar, mas eu prefiro a historia da direita. Como alguem que pode fazer um livro pode ser tao imparcial, Para mim, ler Narloch, é tao pessimo e deprimente quanto ler um texto de historia de um membro antiquado do Partido Comunista Brasileiro, por exemplo, Quer entender de historia? Va a textos academicos, va ler pessoa doutoradas que estudaram, ao menos, por 20 anos algo, para depois publicar, este é o mlkhor conselho que posso te dar amigo.

    • Amilton Aquino says:

      Historiador, eu sabia que fatalmente ao escrever esta série as diferenças entre esquerda e direita viriam à tona. Por isso me antecipei e comecei a escrever uma outra, quase simultaneamente, sobre as diferenças fundamentais entre esquerda e direita. Vou tratar deste assunto no próximo comentário, já que vc retornou a ele de uma forma mais aprofundada no seu comentário de hoje, de modo que neste vou me ater às suas restrições ao Narloch. Primeiro, devo esclarecer que seus livros não são minhas únicas fontes. Segundo, vamos combinar que ele não inventou nada do que escreveu. As teses defendidas estão todas baseadas em pesquisas de historiadores. Revisionistas, mas historiadores com muitos anos de estudo, como vc prefere. Apenas deu um tratamento jornalístico com umas pitadas de sarcasmo e ironias. Terceiro, já no prefácio do primeiro livro, o cara já deixa bem claro que não deseja ser imparcial, e sim um contraponto, uma provocação ao mainstream esquerdista que domina o meio acadêmico. Se a “pérola” dele que vc cita é ser sincero o suficiente para dizer que prefere a narrativa do ponto de vista da direita, devo-lhe dizer que compartilho da “pérola”, afinal já fui de esquerda e se hoje tenho mais identificação com a direita é porque refleti muito sobre ambos os argumentos, a ponto de mudar de opinião e admitir publicamente que estava errado nos meus pontos de vistas anteriores.

  21. Historiador says:

    Creio que terei de começar em estagios mais elementares da discussao, mas antes, um pequeno adendo sobre a questao do uso do termo socialismo por Hitler. Eu nao me basei em fontes secundarias e sim no proprio livro do Hitler, ele é bem enfatico no porque no uso do nome, e creio que, quanto a isso nao ha discussao, Aconselho, inclusive, que voce a leia o livro, pois para o entendimento do nazismo, é fundamental que se leia a obra principal de seu criador.
    Creio que, para esclarecermos certos pontos, teremos que entrar numa discussao mais ampla do que é direita e do que é esquerda. Direita e esquerda, enquanto conceitos gerais, sao muito mais amplos do que simplesmente seus aspectos politicos ou economicos, na verdade, antes mesmo de entendermos o que significam esses conceitos, ja nos “filiamos” a este ou aquele lado, pois direita e esquerda diz respeito ao modo que vemos o mundo e, como consequencia, ao modo que, depois, veremos assuntos como poltica e economia e, com o tempo, a forma como desenvolveremos, com mais conhecimento, leituras, estudos etc estes conceitos.Norberto Bobio, filosofo poltico italiano, em um livro chamado “Direita e Esquerda”, conseguiu, de forma imparcial, colocar muito bem uma diferença fundamental no modo como ambas veem o mundo: a natureza e a cultura. É obvio que nao se limita só a isso, e, sinceramente, creio que nao precisamos do Norberto Bobbio para percebermos isso (de qualquer forma é uma boa sugestao de leitura), mas este é um ponto central: a direita tende a ver o homem com um ser mais natural e, a esquerda, como ser cultural. Esse é um ponto chave para entendermos o porque da crença da esquerda na igualdade entre os homens e o porque da crença da direita na impossibilidade da mesma. Um esquerdista vai acreditar na mudança do homem, como ser cultural e fruto do seu contexto e meio, ja a direita acredita numa “natureza” humana que impossibilitaria essa mudança. É exatamente por isso que, quando alguem de direita escuta falar em direitos humanos e suas historias dentro do sistema carcerario, por exemplo, sobe-se o sangue, e podemos escutar frases do tipo “tem que matar este vagabundo” ou “gosta de bandido leva para casa”. Voce nunca ira encontrar alguem de direita numa manifestação pedindo melhores condições de vida para presos, porque, em sua visao de mundo, aquele sujeito é o responsavel por varias mazelas da sociedade, é alguem que nasceu “torto”, que nao tem mais jeito (nos casos mais extremos) pois nasceu mal. Ja alguem de esquerda veria este sujeito, de forma geral, como fruto do meio e, obviamente que nao apenas vitima de um sistema opressor, mas ainda assim uma vitima. Quanto a este ponto creio que nao ha duvidas, correto? Creio que concordamos. Diga-se de passagem, este discussao, sobre os direitos humanos, é assunto garantido para varias discussoes entre direitistas e esquerdistas. Dito isto, gostaria de acrescentar mais uma coisa, que me parece de extrema importancia para a discussao, a diferenciação entre liberalismo economico e liberalismo cultural. No Brasil, por enorme influencia dos EUA, ligamos esta palavra, quando estamos numa discussao politica, diretamente ao liberalismo economico, quando na verdade a palavra liberalismo, por ela mesma, tem significados diferentes em lados opostos do Atlantico. Na Europa, por exemplo, um liberal, como voce disse ser, poderia ser alguem a favor da liberação da maconha, do aborto, do casamento homossexual etc. Com certeza os liberais economicos (como voce disse ser) nao se enquadram neste ultimo grupo sendo, antes, defensores de valores tradicionais ligados a igreja, propriedade da terra, tradição, sangue, familia etc, por isso, no geral, todos os liberais ECONOMICOS, que sempre sao de direita, tambem sao conservadores no sentido cultural (obvio que com diferença de grau, para os dois lados). Alias, como voce bem deve conhecer, o “slogan” classico da direita, seja ela neo liberal ou nao, é o famoso “Deus, Patria, Familia”.
    Posto isto, voltemos ao fascismo e, mais especificamente, ao nazismo. O nazismo foi, antes de tudo, uma politica higienica e estetificante. Higienica porque visava a “limpeza” etnica em favor da chamada raça ariana e do povo alemao e esteficante porque ligava a vida a questao de estetica (inclusive a politica). A higienização da sociedade, que começou a nivel macro, com a segregação entre alemaes e judeus, e foi se especificando, ate chegar ao nive micro (genetico) e a questao da nao aceitação de qualquer resquicio sanguinio do judeu ligava-se, diretamente tambem, a questao da beleza, do modelo alemao, geralmente ligado ao loiro ariano, de olhos azuis e alto, que apareciam por todos os lados nos cartazes do Reich. Esta obsessão pelo estetico foi responsavel, por exemplo, pela filmagem do primeiro video esportivo do mundo, no qual mostrava-se um homem (outro ponto especifico do nazi-facismo, a questao da virilidade) de porte atletico, em seu momento de esplendor masculino, com um corpo esbelto, resistente e, ao mesmo tempo, forte. O modelo classico tinha sido restabelecido, tudo lembrava, na Italia e na Alemanha, o paradgma classico da perfeição greco-romano. Por isso que artistas impressionistas, surrealistas entre outros foram expulsos da Alemanha e figuras como Picasso eram detestada no mundo fascista (diga-se de passagem Picasso era um comunista que odiava os fascistas e era odiado por eles), pois representavam o feio, o nao perfeito, o nao simetrico, o relativo (o cubismo de Picasso nada mais eh do que a total relativização do olhar de quem ve a obra. As figuras “distorcidas” mostram, uma mesma figura, vista de varios angulos). Neste modelo ideal de homem, de genotico (a raça) e de fenotipo ( a estetica) alemao, outra caracterstica importantissima, é o masculino e o viril.O mundo alemao é belico, é forte e é viril. A mulheres estao totalmente relegadas ao papel de reprodutoras e devem ser orgulhosas por darem a luz ao perfeito homem ariano. Hitler era enfatico, em seus pronunciamentos, sobre a questao do papel secundario da mulher como reprodutora, e sobre o papel central do homem e da virilidade na nova sociedade alema, o que, de certa forma, acabou virilizando a mulher alema, a certo ponto em que o discurso nazista foi obrigado a deixar claro que, apesar da superioridade masculina, de forma alguma, a mulher deveria deixar de ser feminina, alias, nada mais indigesto para os nazista, depois da questao judaica e racial, do que a questao homossexual (que foram perseguidos desde o começo do regime). Hitler deixava claro, em varios discursos,que a mulher tem que ser sempre feminina (apesar de que, culturalmente, com a supervalorização da virilidade, elas buscavam o tempo todo estar mais proximas aos valores viris, o que criou um certo paradoxo). Valores intermediarios eram inaceitaveis no nazismo. Nao existia o meio alemao, o meio perfeito, o meio homem, o meio forte, a meia guerra etc. Estas questoes eram pontos centrais na cultura nazista. A Alemanha nazista baseava-se em valores conservadores e, como tal, tinha uma visao de mundo branco e preta e nao multicor (e aqui nao estou falando do que é melhor ou pior, apenas constatando um modo de ver o mundo, nao estou colocando juizo de valor), eles eram, culturalmente, totalmente dualistas. Existia o alemao e o nao alema, o homem e a mulher, o perfeito e o imperfeito, o belo e o feio, o bem e o mal (obvio que esta questao de bem e do mal nao existia soh no nazismo, podemos encontra la na URSS tanto quanto na Alemanha nazista ou na america de Bush, na maniqueista visao arabe crista – e ai vemos valores religiosos que irao perspassar grande parte da historia da direita – e em tantos outros lugares). Aquilo que era tido como “ambiguo”, ou seja, que nao era alemao, ja que o alemao era o modelo ideal sem relativismos (é sempre o belo, é sempre o mais forte etc) era o inimigo. O judeu era odiado por nao ser alemao e ser um povo sem patria, Hitler deixou claro em varios discursos o enorme odio que sentia dos judeus por eles viveram vagando por diversos paises, sem patria, da mesma forma os ciganos, mesmo sem representarem perigo algum, foram duramente perseguidos, por representar um povo sem patria, um povo “ambiguo”, que nao era nada, pois nao possui um estado e ficava “vagando sem rumo”, alem disso a perseguição aos homossexuais, que eram sexualmente ambiguos, nao eram homem nem mulher, nao representavam a natureza humana, assim tambem foram mortos os deficientes qe, mesmo sendo alemaes, nao podiam ser alemao, ja que a raça ariana é forte e bela, e, no mundo dicotomico de Hitler, o alemao que era deficiente, nao era alemao, e assim tambem foram perseguidos os comunistas, mas nao soh eles, pois Hitler, logo depois de fechar o Partido comunista, tambem fechou, anos depois, o Partido Social Democrata Alemao (Diga-se de passagem, o maior expoente da Social Democracia Alema e maior autoridade marxista da epoca, Kautsky, rompeu com a II Internacional Comunista justamente por sua revisao reformista e democratica – mas nao seriam todos os esquerdistas ditadores?- diga -se de passagem, foi o mesmo Katsky, um dos primeiros intelectuais a se opor totalmente a concepção cientifica de raça e apontar o preconceito contra o judeu). O Partido Social Alemao foi dissolvido devido ao fato de ainda representarem alguma ameaça no dividido parlamento Alemao.
    A questao religiosa tambem é fortemente marcada nos fascismos e, se na Alemanha nao é tao marcada como na Italia e na Espanha, ainda assim pudemos ver coisas absurdas como a tentativa de estabelecimento de cultos pagas por Himmler (numa volta as origens germanicas pre crista) e a fuga de nazistas, quando da ofensiva aliada e russa, atraves do vaticano, na famosa Operação Odessa, responsavel por parte da bem sucedida fuga de alguns nazista para a America Latina, por exemplo. No caso italiano temos a forte ligação de Mussolini com o papo, tendo o ultimo criado o vaticano e concedido autonomia total ao papa naquela regiao. Com o Tratado de Latrao, Mussolini pos fim a uma antiga intriga entre Italia e Igreja catolica, na qual o papa, com a perda de seus poderes seculares, com o advento dos estados modernos, se dizia prisioneiro em suas proprias terras. Mussolini, ao dar o Vaticano ao papa, selava uma parceria com o mesmo e impedia um maior atrito entre seu estado recem criado e a importante igreja catolica, para seu partido e os italianos em geral. Quanto ao fascismo espanhol de Franco, a ligação entre igreja catolica e ditadura foi tamanha que o franquismo tambem é conhecido como nacional-catolicismo, tendo a igreja Catolica como sua principal aliada e base do Regime por toda sua existencia.
    O assunto é muito extenso e extremamente complexo, em linhas gerais, creio que ja deu para entender algumas questoes basicas. O nazismo foi uma tentativa extremamente conservadora de retomar os valores basicos socio-culturais, a Patria, o alemao, o homem e a virilidade, os valores familiares (a tradicional familia do homem cabeça da casa, e a mulher reprodutora e responsavel pelos afazeres domesticos), o classico e o belo, o simetrico etc. Lembremos que a Alemanha estava esfacelada pela 1 GM e a grande Depressao americana, que tinha atingido em cheio a fragil economia alema, carente de recursos externos, sobretudo americanos, e o homem, enquanto figura viril, via sua imagem destroçada, com a fragilidade demonstrada na 1 GM frente as novas tecnologias militares, o movimento feminista, o auto indice de desemprego etc. A figura tradicional do homem, como provedor da familia, estava abalada, assim como a imagem da nação alema. Hitler criticou fortemente a burguesia alema e o capitalismo transnacional, que tinham, segundo ele, acabado com o verdadeiro alemao, orgulhoso e belico, forte, ariano etc. Hitler, assim como todo o povo alema, estava totalmente descontentes com o rumo que a Alemanha tinha tomado nos ultimos anos, vemos muito claro isso pelo Parlamento, que era dividido entre nazistas de um lado e comunistas do outro. Ambos receberam a maioria dos votos dos alemaes nos anos de maior crise, pois contestavam, cada um a sua forma, a desastrosa politica alema dos ultimos anos, e prometiam uma nova era e, os dois extremos, puderam crescer com a crise quando, um povo desesperado, sem orgulho e faminto, queria e ansiava por algo diferente. Hitler queria, acima de tudo, restabelecer o antigo alemao, trazer de volta os antigos valores familiares e patrioticos, e ai o odio ao comunismo, que era totalmente contrario aqualquer politica nacionalista, antes pregavam valores internacionais (como dizia Hitler, os internacionais judeus) e valores totalmente diferentes com relação a familia, com medidas como voto feminimo, legalização do aborto logo depois da Revolução e etc.
    É claro que podemos ver cenas como Mussolini membro do partido Socialista e essas mudanças eram comum na Europa em crise desta epoca. Os dois extremos ganharam muito força, numa população miseravel e desesperada por mudança, mas isso nao quer dizer que ambos sao a mesma coisa, de forma alguma, so quer dizer que uma população desesperada e pouco instruida buscava formas extremas, de direita ou esquerda, de mudarem a situação. Mussolini pouco sabia o que significava comunismo, mas se juntou, como desempregado, assim como milhares, a um partido que prometia algo totalmente novo e, assim que entendeu melhor o Comunismo, sai com odio e foi formar seu proprio partido. Mussolini é aquele neo nazista brasileiro, que tem mistura entre branco, negro e indio, e nada sabe sobre nazismo, mas se filia ao movimento, sem nem ao menos ter idea do quao bizarro é um brasileiro, em um pais mestiço, tudo que o nazismo odiava, ser membro de uma organização que prega a nao mestiçagem da raça e a superiordade de um unico povo, o ariano. Eh bizarro, mas acontece o tempo todo, por total falta de conhecimento. Desculpe o texto extremamente longo, espero ter jogado um pouco de luz nesta discussao.
    Quanto aos Chicago Boys nao terem culpa de Pinochet ter feito a ditadura, concordo totalmente com voce, mas uma coisa nada tem de ver com a outra, a discussao foi que, nada impede um governo autoritario usar politicas neo liberais. Alias, o pais que mais representa o capitalismo e sua politica, os EUA, apesar de nunca terem tido uma ditadura, possuiam leis, nos estados do sul, como as Leis de Jim Crow, na qual segregava a população em lugares publicos, como por exemplo onibus, impedindo negros de sentarem em locais de brancos. Mesmo sem ser uma ditadura, o Estado contrlava, de forma racista, ate coisas elementares como o direito de ir e vir, e nao por isso deixaram de ser capitalistas (obviamente que nao no sentido moderno neo liberal, mas ainda assim totalmente capitaliestas e com uma economia modelo de livre mercado), como disse, conservadorismo e capitalismo, muitas vezes se complementam.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Historiador! Boa parte do que vc postou neste comentário já foi discutido aqui, de modo que vou ser mais objetivo. Vamos aos argumentos. Primeiro, vc diz que me baseei em fontes secundárias. Ora, se os princípios do partido Nacional-Socialista são fontes secundárias, então não sei mais em que podemos nos basear. Se uma afirmação de Hitler pode anular todos os princípios do partido, então fica difícil chegar a qualquer conclusão. Ora, Hitler, como todo populista, está repleto de discursos contraditórios. Uma hora ele diz que o liberalismo é inimigo a ser batido. Depois, diz que o inimigo é comunismo. Mais a frente une-se a Stalin, depois o trai. Ou seja, um autêntico camaleão que molda o discurso à plateia, a exemplo de tantos outro populistas oportunistas que conhecemos como Lula, por exemplo. Portanto, para entender o nazismo é preciso um olhar muito mais abrangente que envolve não apenas a esfera política, como também a econômica (e não de forma isolada), suas origens, seus princípios, mesmo que estes tenham sido flexibilizados ao longo do tempo, como aconteceu com o PT, por exemplo, como estratégia para chegar ao poder e, depois, retomar algumas bandeiras, como estamos vendo agora e como fez o nazismo. Por isso chamo a atenção para um detalhe que os historiadores marxistas adoram esconder, o fato de que o Nacional-Socialismo é herdeiro do chamado Socialismo Conservador, que assim ficou conhecido por ter rejeitado o socialismo cientifico de Marx, que pregava o socialismo como um caminho para a construção do comunismo. Ora, os socialistas utópicos, que originaram o socialismo conservador já existiam antes de Marx. E o fato de terem rejeitado o que considero um delírio de Marx não os coloca na direita. Este é ponto central de toda esta discursão, afinal o Nazismo foi jogado para a direita sob a ótica marxista, desconsiderando a existência do ponto de vista do socialismo conservador. No entanto, os tais valores de hierarquia, ordem, família, nação continuaram fazendo parte do repertório dos socialistas conservadores. E isto não pode ser motivo para jogá-los no campo da direita, afinal surgiram por rejeitar o capitalismo, como uma tentativa de construir uma outra alternativa, mais humana, menos desigual, etc., etc. O Nacional-Socialismo descende desta forma de ver o mundo. Os atuais critérios para definir quem é de esquerda e de direta, a exemplo do Bobbio, enfatizam demais tais aspectos que, até o nazismo ofuscar a existência dos socialistas conservadores, eram também comuns à esquerda anterior a Marx. Além do mais, algumas nuances dos conceitos de esquerda e direita tem variado ao longo do tempo. Hoje, por exemplo, a causa gay é uma bandeira da nova esquerda. Até bem pouco tempo, no entanto, os gays eram perseguidos por diversos regimes comunistas, inclusive em Cuba. Daí a minha iniciativa de estudar vários conceitos de esquerda e direita (inclusive o do Bobbio) e listar aqueles atemporais, os mais elementares que persistem deste Rosseau. O resultado, vc pode conferir aqui http://visaopanoramica.net/2013/09/13/diferencas-fundamentais-entre-esquerda-e-direita/ Perceba que, com exceção do primeiro ponto, nos demais o nazismo enquadra-se sim no campo da esquerda. Mas mesmo que admitamos como principal critério para avaliar o espectro ideológico do nazismo a tríade “Deus, Pátria, Família” (o que é bastante questionável, uma vez que o nazismo não tinha como valor fundamental a família, muito menos o cristianismo), ainda assim os traços esquerdistas do nazismo o colocariam, no máximo, no centro do espectro ideológico, algo muito distante da “extrema-direita” que os historiadores com viés marxista costumam rotular o nazismo. Aliás, não é recente a constatação de alguns historiadores que classificam o nazismo como uma “terceira via”, justamente por se encontrar no centro do espectro ideológico. Isto, quando se leva em conta que o tal conservadorismo usado para justificar o nazismo como de direita foi exclusivo da direita, abstraindo totalmente o fato de que os socialistas conservadores eram tolerantes a estes.
      Quanto a sua afirmação de que “nada impede um governo autoritario usar politicas neo liberais” concordo em parte. Embora não seja o ideal, o poder de geração de riquezas do liberalismo consegue transpor até mesmo o autoritarismo. A China é o mais recente exemplo disso.

  22. Historiador says:

    Bom dia, amigo, soh uma explicação, fonte secundario, nao no sentido de serem sem importancia, de forma alguma, fonte secundaria significa, apenas, que nao é uma fonte direta. Por ex, o Main Kempf é uma fonte primaria, por que vem diretamente do ator politico da epoca, enquanto obras sobre o nazismo, por ex, sao fontes secundarias, por sao fontes que estudam as fontes primeras, e nao sao fontes primarias como tal. Mas, obviamente, como nao estudioso da area, voce nao tem obrigação de saber estas coisas, me desculpe por nao ter explicado antes. As fontes primarias, numa discussao deste porte, sao totalmente necessarias e fica dificil qualquer tipo de discussao sem elas, por exemplo, voce citou sobre as mudanças de Hitler, e citou a aliança Hitler Stalin, ora, se tivesse lido o livro dele saberia que ele reserva, ao assunto espaço vital e Russia, grande parte do seu livro. Defende ja em 1923 a invasao da Russia, por ser a terra de pessoas inferiores (os eslavos), comunistas e ainda com alta concentração de judeu. Defende que o alemao, povo superior e ariano, nao pode, de forma alguma, ficar confinado em uma terra tao pequena, enqto eslavos, povo inferior e comunista, nao poderia ter um espaço tao grande. Na verdade, no leste, veriamos a constituição das colonias, e nao na Europa Central. Hitler é enfatico, em seu livro, sobre a importancia da invasao da Russia. Ora, Hitler ja planejava invadir a Russia muitos anos antes de toar o poder e nao escondeu isso de ninguem, alias, publicou um livro sobre suas intenções (nessas horas que eu falo que fontes primarias sao fundamentais). O porque o pacto com a Russia? Hitler nunca, repito, nunca teve a intenção de invadir a Europa Ocidental e tentou, por algumas vezes, se aproximar do primeiro ministro ingles, Chamberlain e fazer uma aliança (diga se de passagem, em seu livro, hitler elogia diversas vezes o povo ingles e anglo saxao e os trata como irmaos. Seria o unico povo, que em suas origens sao “barbaros”, que Hitler elogia e trata como co irmao), mas nao foi bem-sucedido. Hitler, ao anexar territorios de maioria alema foi avisado, por diversas vezes, por França e Inglaterra, que, se continuasse, seria declarado guerra. Quando Hitler invadiu a Tchecoslováquia, foi o ponto final e as potencias ocidentais ameaçaram Hitler, “mais uma pais e a guerra sera declarda”, foi ai, e só ai, que ele se aproximou de Stalin e fizeram um pacto, pois Hitler sabia que, ao invadir a Polonia (futura colonia) e seguir para a Russia, as potencias ocidentais declarariam guerra, pois ja sabiam da intenção dele de anexar a Polonia. O Pacto entre sovieticos e alemaes nada mais foi do que um pedido de espera, Hitler queria invadir a Russia, isso era fundamental na politica de espaço vital nazista, e Stalin precisava de mais tempo para armar seu exercito, pois ja sabia da intenção de Hitler. Ambos dividiram a Polonia e Hitler, entao se voltou a guerra para o Ocidente. A Alemanha, apesar de sua força, devido a seu tamanha e recem saida da crise, nao tinha recursos materiais (belicos, combustiveis etc) e nem humanos para manter uma guerra longa e em varias frentes, por isso soh aceitava, num primeiro momento, a guerra de uma unica frente, por isso invadiu a Polonia e, quando as potencias Ocidentais declararam guerra, se voltou totalmente para o Ocidente. As conquistas foram esmagadoras, mas Hitler ficou barrado na ilha inglesa, a qual nao conseguia invadir. Em !941, vendo sua força area perder grande numero de seu contingente, desiste da invasao da Inglaterra (a qual, na verdade, nem queria estar em guerra. Quem declarou guerra a Alemanha foi a Inglaterra, e nao a Alemanha) e, mesmo com os apelos de seu Estado Maior, sobre a incapacidade qe a Alemanha tinha de declarar guerra a um pais tao grande como a Russia e da total incapacidade da Alemanha, por fatores materiais e humanos, de sustentar uma guerra em duas frentes e tao longa, como poderia ser na Russia, Hitler declara a guerra a Russia. Mal sabiam os generais alemaes, em sua maioria nao nazistas e que pouco sabiam sobre Hitler, que a Russia sempre foi a obsessao hitlerista. Fui tao alema para explicar algo bem simples e que agora deve tr começado a fazer senti para voce, o por que o pacto entre URSS e Alemanha? Nada tem a ver de ideologico, é puramente jogada politica, assim como Lenin, um comunista, pediu dinheiro emprestado a maior potencia capitalis, os EUA. Isso faria dele um capitalista, ou os Eua comunistas? Ninguem seria tao infantil de afirmar isso. Hitler sempre deixou claro que a Russia seria invadida, justamente por ter uma população inferior e comunista (leia Main Kempf). Quanto a critica ao liberalismo por Hitler, nao, repito, nada tem de estranho e ja tinha explicado isso antes. Hitler era um nacionalismo exacerbado e, como todo alemao, revoltado com tudo que era internacional. Hitler odiava tudo que era de fora, a começar pelo Tratado de Versalhes no final da 1 GM, que impos duras sançoes e multas a Alemanha, alias, toda a nação alema era revoltada com o Tratado e, ainda mais depois da Grande Depressao, uma crise internacional qe atingiu a Alemanha em cheio, tudo que dizia respeito ao estrangeito e transnacional foi odiado por Hitler e pelo alemao em geral. Hitler nunca deixou de ser capitalista, mas via o capitalismo finaceiro internacional como um dos culpados, assim como o comunismo (para Hitler a Republica de Weimar, dirigida pelo Sociais Democratas, era comunista) como culpados pela situação da Alemanha. Mas, como ja disse algumas vezes, Direita nao se resume a neo liberalismo, assim como esquerda nao se resume a comunismo, e isso acho que é ponto pacifico certo?! Ou teremos que entrar numa discussao sobre as tendencias dentro de cada um. Quanto aos socialistas conservadores, voce quer mesmo entrar nesta questao e querer achar neles a resposta para o Nazismo. Como voce mesmo afirmou, eles eram o oposto do marxismo cientifico, esta me dizendo que os extremos opostos habitam o mesmo lugar e, o Nazismo esta proximo do comunismo porque foi baseado numa ideia que era oposta ao proprio comunismo (baseado no cientificismo de marx)?! Bom, falar sobre uma epoca em que o conceito de direita e esquerda estava se formando e usar isso para explicar o nazismo é o mesmo de que eu falar que todo o capitalismo é escravista porque o capitalismo, durante seu desenvolvimento, teve uma fase escravista! Nao rola ne? Ou roal, se voce quiser podemos discutir sobre isso. Por favor, se quer mesmo voltar a uma epoca que nao existia direita e esquerda para justficar algo atual, podemos fazer, só que dai vou ter que chamar os capitalistas de escravistas, coisa que eu nao concordo, porque em determinado momento foram escravistas.
    Outra coisa, citou o caso de Cuba e eu concordo totalmente com voce sobre a perseguição aos homossexuais, e essa é uma grande critica que todos temos, seja de direita ou esquerda. De qualquer forma (e ai temos qe entender historicamente do que falamos) a homofobia em Vuba, assim como todos os paises latinos e catolicos é marcante. Alias, somos a cultura do macho man e da Igreja catolica, nao poderia ser diferente. Nao forma os comunistas que criaram essa perseguição ao homossexual em Cuba, mas concordo que naa fizeram para acabar com isso, exatamente nada, e seguiam o preconceito que existia antes. Para entender isto, temos que muito, mais muito alem do entendimento da Revolução Cubana, e entendermos a origens do machismo latino americano.
    O problema do seu topico é que voce falou, falou e falou e em nenhum moemento combateu ou contra argumentou, historicamente, o que eu disse. Alias, fez afirmações como, a familia nao era cenbtral no nazismo, e soh! Afirmou sem justificar, sem argumentar, fez uma afirmação que nao sei de onde veio, sem embasamento algum, A familia era tema central no nacional socialismo meu caro. Para voce ter uma noção, tinha escolas de como maes, garotos e garotas deveriam se portar. Era na familia, na vida privada, que o nazismo se reproduzia e se solidificava na mente das pessoas. Era na familia que o pai e a mae lia livros nazistas de ensinamento e cantava musicas de facil memorização e com chavoes nazistas (era quase um rito de decorar). Atraves da juventude hitlerista, o nazismo educava as crianças do ser nazista, complementado com a educação escolar e a familiar. As muleres, atraves das associações oficiais, lhes eram ensinadas como ser uma boa esposa e uma boa mae, e como realizar trabalhos domesticos, como de alfaitaria, por exemplo. A familia nao só era importante, como foi peça fundamental para o enraizamento do nazismo. Voce falar o absurdo de que a familia nao era tema central na politica nazista, me demonstra que pouco e quase nada voce sabe, historicamente, alem de artigos e pesquisa no google, sobre nazismo. Quanto ao “Deus”, como te expliquei, realmente o nazimos nao possuia uma forte caracteristica crista, como os facismos italiano e espanhol (de qualquer forma voce simplesmente ignorou o que eu falei sobre a religiosidade nestes fascismos, sendo que o nazismo nada mais foi do que um fascimo com as paculiaridades da cultura alema, diga se de passagem voce muito bem sabe disso pois, quando foi citar a ligação entre nazismo e comunismo, usou-se, em posts anteriores, como pude notar, do exemplo de Mussolini, que, alias, prontamente ja expliquei o motivo), de qualquer forma, isto nao impdiu de eles serem escondidos dentro do proprio vaticano, ou voce tambem nao leu o que eu escrevi sobre a operação Odessa (agora imagine Roma ajudando os comunistas, ateus, a fugirem da URSS?¹). Mais importante é que “Deus”, na triade classica da direita, é Deus, e nao Cristo, no geral quer dizer cristao, pois no Ocidente é a maior religiao, de qualquer forma, a ideia de eus na direita, esta ligado a ideia de que existe uma força maior, que dirige o mundo e que, com certeza, por isso, temos uma moral para seguir, pois como existe Deus, tambem existe a moral universal, ja que, o homem foi criado por Deus e isto, na direita, ou acaba ou diminui muito, a ideia de relativismo (e ai teriamos que voltar a questao da dicotomia bem e mal e etc, que explica o pq direitistas geralmente nao gostam de humanistas, com seu relativismo e pq esuqerditas se ligam a questoes, por ex, dos direitos humanos. Novamente, entramos na discussao entre direita e esquerda entre natureza e cultura e valores eternos e relativos). O nazismo era, se nao fanaticamente catolico, totalmente religioso e mistico, que baseava-se na vida tendo algo acima que a conduz, e tendo seus valores universais. Deu o exemplo do Himmler, simplesmente o nazista mais importante depois de Hitler, e sua insana busca pelos rituais religiosos pagas. Fica muito dificil argumentar, se voce pouco ou quase naa fala sobre o nazismo em si, sua politica sua pratica etc. Em nenhum momento, repito, em nenhum momento, voce se aprofundou minimamente sobre as praticas nazistas, a politica nazista, a cultura nazista. Voce simplesmente afirmou certas coisas, sem explica las, sem se apronfudar. É como quando voce pergunta a uma criança se existe papai noel e ela diz que sim, mas nao sabe nada sobre ele, só sabe que existe. De verdade, espero ter ajudado alguma coisa, mesmo sem ter mudado em nada seu pensamento, sobre algumas qestoes historicas nazistas. Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Historiador, vc confunde falar muito com argumentar de fato. Vamos espremer o que vc escreveu aqui. Uma tentativa de justificar a aliança entre Hitler e Stalin, uma tentativa de atenuar a crítica de Hitler ao liberalismo, uma tentativa de atenuar a perseguição a homossexuais em Cuba, uma tentativa de colocar a família no centro do nazismo, uma tentativa de ocupar o lugar de Deus na tríade conservadora com os delírios de Himmler. Ou seja, apenas nuances de assuntos periféricos. Diante da impossibilidade de refutar os argumentos que aponto que caracterizam o nazismo como de esquerda, vc divaga. E ainda fica se achando porque não tenho refutado cada linha que vc tem escrito. Ora, se não refutei tudo que vc escreveu é porque as considero irrelevantes ou simplesmente porque concordo com boa parte, apesar de tais argumentos atenuarem alguma coisa, mas não refutarem de fato as ideias que defendo aqui. Nada do que vc falou até agora vai mudar o inequívoco perfil de esquerda do manifesto do partido nazista. Isto sem falar de questões centrais como, por exemplo, o objetivo de moldar a sociedade à ideologia de um partido totalitário que se acha a síntese de como tudo deve ser, uma ideologia que dilui a individualidade em um coletivo, uma ideologia baseada na construção de uma hegemonia da opinião pública à moda gramsciana, com marketing agressivo (quase idêntico ao soviético, vale salientar), que instiga o ódio contra inimigos internos e/ou externos, uma ideologia que se sobrepõe a economia e que a coloca para trabalhar em função do Estado, etc. etc. Diante da impossibilidade de refutar o irrefutável, então só lhe resta apelar à falácia do apelo a autoridade ou escrever laudas e mais laudas sobre assuntos periféricos. Da mesma forma, ao tentar valorizar a importância do caráter conservador da família no nazismo, vc esquece que o nazismo chegou ao ponto de socializar a prole, “fabricando” bebês em série, algo que tem tudo a ver com os valores conservadores, não? Ora, vc como historiador, conhecendo o perfil manipulador de Hitler, nunca te passou pela cabeça que o uso da família por Hitler tinha muito mais a ver com seus esforços de uniformização da sociedade (característica nitidamente de esquerda) do que de fato pelos valores de fato da família?
      Ao tentar, sem sucesso, relativizar o socialismo conservador com o pífio argumento de que na época os conceitos de esquerda e direita ainda não estavam suficientemente amadurecidos, mais uma vez vc me dá mais argumentos. Primeiro, vc deturpa minhas palavras, dizendo que eu afirmei que os socialistas conservadores eram o oposto do marxismo cientifico. Nunca afirmei isso. Afirmei que eles eram sim socialistas e que apenas não compraram a conversa fiada (como ficou provado pela história) do comunismo. Foram menos burros que os “científicos”, mais realistas. Não por acaso a nova esquerda é muito mais próxima do que foi o socialismo conservador do século XIX ou mesmo do Socialismo Fabiano do que do socialismo “científico” de Marx. Mesmo esperneando, os esquerdistas do século XX tiveram que se render ao empirismo conservador que tolera, mesmo a contra gosto, a economia de mercado, a família, as religiões e até o nacionalismo! E por que tiveram que engolir estes sapos? Porque todas as tentativas de implementar o socialismo marxista fracassaram. E o que isto quer dizer? Que o período áureo da revolução russa que serviu de parâmetro antagônico para jogar o nazismo para a direita (na ótica marxista, que fique bem claro) foi um acidente da história, um breve período onde tentaram uma engenharia social que abolisse Deus (substituindo pelo deus Estado, claro) e que flexibilizasse (mas não abolisse, uma vez que seria muito difícil) as fronteiras dos países pela “união dos proletários do mundo” e, claro, da família que muitas vezes representava um obstáculo aos delírios revolucionários. Ora, então o nazismo é acusado de ser de direita (mesmo tendo as principais características de esquerda) por não embarcar no acidente histórico do delírio marxista? Sim. É esta a questão central de todo este debate, pois se analisarmos o nazismo no período anterior a Revolução Russa ou nos dias atuais ainda assim ele seria de esquerda. Aliás, nos parâmetros atuais seria ainda mais de esquerda. Não é à toa que a cada ano mais pessoas atentam para este fato, pois as características de esquerda são tão marcantes que falam por si. Sobre sua provocação para debater os conceitos de esquerda e direita ao longo dos tempos, acho que se vc leu meu post que te indiquei que fala das diferenças fundamentais entre os dois polos já dão um bom indício de que já na época do socialismo conservador já tínhamos sim como diferenciar muito bem ambas as correntes. Embora toda a discussão gire sempre em torno da dicotomia esquerda x direita, está muito claro que desde o surgimento dos liberais clássicos o pensamento político está dividido em torno de três vertentes principais: liberalismo, conservadorismo e socialismo (desconsiderando os insignificantes delírios anarquistas de ambos os extremos). Claro que a esquerda vai sempre jogar conservadores e liberais no mesmo saco. No entanto, ao estudarmos a evolução dessas três vertentes ao longo da história vemos que tanto os conservadores quanto os socialistas se aproximaram dos liberais. E a ironia disso tudo é que tal aproximação aconteceu por causa da essência do conservadorismo: o empirismo resultante dos erros e acertos da humanidade ao longo do tempo, tanto no campo político quanto no econômico. Ou seja, os exemplos mais bem sucedidos que temos hoje estão muito mais próximos das ideias defendidas pelos liberais e conservadores do que pelas ideias mirabolantes do socialismo “científico” de Marx. Logo, um conservador de hoje diverge radicalmente de um conservador do século XIX, por exemplo, muito mais tolerante a autoritarismos que os conservadores atuais. O mesmo, no entanto, não se pode dizer da esquerda que, apesar da clara guinada à direita, ainda é complacente com regimes autoritários. Claro que neste período a esquerda também mudou, evoluindo a social-democracia ou substituindo a ditadura do proletariado pelas “democracias autoritárias” à moda bolivariana, ancoradas no populismo e no gramscismo que tenta a todo momento manipular a opinião pública para conseguir o aval para continuar colocando em prática seu objetivo central, que é promover um maior “igualitarismo”, mesmo que para isto tenha que avançar sobre os direitos individuais de uma minoria.
      Enfim, até aqui seus argumentos não fizeram nem cócegas. Vou escrever mais um post da séria brevemente enumerando os pontos em comum entre socialismo, capitalismo e nazismo e, pode ter certeza, vai ficar ainda mais difícil para vc refutar, como ficou impossível refutar os 16 tópicos (maioria esmagadora) de ideias esquerdistas do manifesto do partido nazista. Voltei de viagem agora e estou um pouco sem tempo no momento, mas pode ter certeza que responderei a cada um dos seus comentários, pois para mim, além de divertido, é muito útil passar por o crivo de um historiador, ainda mais gratuitamente. Abraço!

  23. Historiador says:

    Eu falei muito, e argumentei ainda mais. Voce, ao contrario, continua a nao argumentar, a nao se apronfundar, a simplesmente falar que eu estou errado ou dizer que concorda mais isso nao é importante. Esse post é sobre o nazismo e voce quase nao falou sobre ele. Voce demonstrou, neste post, que nunca leu ou leu muito pouco livros sobre nazismo, pois todo seu conhecimento advem de blogs e Wikipedia . Voce em nenhum momento, ao contrario do que eu fiz, foi alem de dizer coisas como ” O nazismo foi assim, foi assado”, afirmações sem nenhuma argumentação historica sobre o tema, sem nenhum aprundamento, simplesmente afirmações. Se falei tanto sobre o pacto entre Alemanha e URSS, ou sobre ataque ao liberalismo no Reich, foi porque voce, e nao eu, citou estas questoes no post anterior e, como tal, rebati, de forma concisa e simples. A questao da invasao da URSS foi escrito pelo Hitler anos antes da invasao da mesma e antes mesmo dele chegar no poder. Se voce entendesse um pouco sobre nazismo, eu nao precisaria explicar coisas tao elementares e obvias, ja que foi escrita pelo proprio autor, Ai nao precisa ser interprete e o trabalho do historiador se torna muito mais simples, ele afirma, categoricamente e justifica, que inadira a Russa por espaço vital e escolhe a Russia pela inferioridade do povo. A ideia do Hitler era matar os judeus e passar a usar os eslavos e comunistas como escravos, e isso ele deixou bem claro, esta amplamente documentado (alias, que belo comunista Hitler era).
    Voce disse que pontos como familia e religiao eram secundarios, perifericos (?!), no post acima escreveu: “(Historiador, voce fez) uma tentativa de colocar a família no centro do nazismo, uma tentativa de ocupar o lugar de Deus na tríade conservadora com os delírios de Himmler. Ou seja, apenas nuances de assuntos periféricos”, sendo que, um post antes, havia dito “Mas mesmo que admitamos como principal critério para avaliar o espectro ideológico do nazismo a tríade “Deus, Pátria, Família” (o que é bastante questionável, uma vez que o nazismo não tinha como valor fundamental a família, muito menos o cristianismo) “. Voce se contradiz o tempo todo. Primeiro admite aceitar a triade como argumento, depois dizendo que familia e cristianismo sao assuntos perifericos?! Em nenhum momento voce questionou a triade como criterio de direita e esquerda, antes, ressaltou que o criterio poderia ser aceito, mas questionou, nao o criterio, mas sim minhas afirmações sobre familia e cristianismo no Reich, e depois, quando rebati e argumentei longamente, voce me diz qe foram assuntos perifericos. Voce sofre de amnesia ou ago do tipo? Voce em nenhum momento rebateu o que eu falei sobre religiao, soh falou que o Reich nao era tao religioso assim, sem argumentar, sem gastar uma unica linha para justificar seu argumento. Nao rebateu a operação Odessa, os cultos de Himmlr, nem se quer se deu ao trabalho de argumentar contra o nacional-catolicismo espanhol ou o Tratado entre Mussolini e o Papa. Creio que, de forma simples, pude demonstrar irrefutavelmente, o papel da religiao nos fascismos europeus, e nao porque sou genio, mas porque seus proprios criadores deixaram claro a ligação com a Igreja, esta na historia, nao fui eu que inventei, Diga-se de passagem, nos pontos colocados pelo Luciano, que tanto cita, pontos centrais do nazismo, um deles se refere, especificamente, ao cristianismo no Reich. E voce falou que a religiao nao era importante no Reich? As vezes é dificil entender se faz essas coisas de proposito ou se realmente nao percebe o que fala. Alias, especificamente sobre o fraquissimo texto do Luciano, voce disse que eu nao refutei o texto dele pois é irrefutavel? Perai, eu fui la e refutei todos os primeiros cinco pontos (e voce aceitou de forma cabal, ao escrever, no ultimo post, que eu nao havia refutado os 16 pontos restante da esquerda, e nao mais os 17 pontos que havia falado antes. Voce ja tinha incorporado minha refutação e mudado a contabilização dos pontos), e, se nao refutei o resto, como deixei claro, foi porque, ao ler os primeiros, de tao francos, os refutei e sai da pagina. Mas, pela sua inssistencia voltei la e tive que ler coisas como:

    8. Qualquer imigração adicional de não-alemães deve ser previnida. Nós exigimos que todos os não-alemães que entraram no país desde 2 de Agosto de 1914 sejam forçados a deixar o Reich imediatamente.

    Neutro. Esta medida era contextual, em um período que a Alemanha passava dificuldades após a Primeira Guerra Mundial. Uma medida abjeta, diga-se, mas que não é diretamente sustentada nem pela filosofia de direita e nem a de esquerda.

    Voce ta falando serio?????A restrição ao imigrante, tao aprofundada nos EUA por Bush e tao discutida na Uniao Europeia pela extrema direita europeia, que vem ganhando força na Europa, é neutro????Alias, é medida contextual, como afirma Luciano???Em que mundo este sujeito vive??Nao só nao era medida contextual como era o ponto mais central do Reich!!!Ele sempre deixou claro que o Reich é somente para alemaes, devido ao nacionalismo e racismo (ou daqui a pouco voce vai falar que o nacionalismo e o racismo tambem eram temas perifericos para o nazismo?). Ele perseguiu imigrantes durante todo o regime e a xenofobia imperava por todos os lugares no Reich. Tema mais central que nacionalismo e racismo nao teve na Alemanha e o cara fala que ele fez isso porque a Alemanha passava necessiade?? E voce ainda quer que eu discute mesmo sobre isso. Voce quer mesmo ter que contabilizar novamente, como ja fez, ponto por ponto?? Desculpe, mas seria ate nao polido da minha parte desmoraliza-lo em seu proprio blog, ja que foi tao aberto a me receber aqui. De qualquer forma, te convido a ler os comentarios, na pagina do Luciano, nao pelas crticas, isto pouco importa, mas pelos comentarios da pessoas do tipo “vou mostrar para meu professor” e coisas do tipo, me desculpe a pergunta, mas este Luciano esta no colegial? Ou as pessoas que acompanham o blog sao, na sua maioria, oriundas do ensino medio? Porque nao é possivel que, alguns comenarios ali, tenha sido escrito por alguem maios de 18 anos. Alias, ato interessantissimo é que, em um comentario, uma pessoa diz ter refeito o grafico de direita e esquerda e pedia sugestoes ao Luciano, dizendo coisas do tipo

    “os conservadores adeptos do liberalismo moderno são a direita “stricto sensu”? As tais “ditaduras de direita” (Pinochet, Médici, Franco, Salazar), estariam no centro? E os partidos da Internacional Democrata Centrista seriam a centro-direita?”

    e a resposta do Luciano foi concordar com tudo e ainda acrescentar:

    “As ditaduras latino-americanas seriam uma esquerda moderada, ou centro-esquerda, e eu catalogaria os partidos da Internacional Democrata Centrista como centro-esquerda também, pois são baseados em idéias socialistas”

    Primeiramente o cara concordou com a questao de obvia de que conservadores adeptos ao liberalismo (economico) sao direita “strict senso”. Mas nao teria voce dito que nos, de esquerda, confundimos isto e colocamos, de forma errado, conservadores e liberais no mesmo saco????????? O Luciano, discorda de voce! Alias, a coisa mais obvia no mundo é que o liberalismo, a la america que voce tanto gosta, diz respeito especificamente a esfera economica e a nao interferencia do Estado no mercado, e se complementa, na esfera socio-economica e cultural, com o conservadorismo. O partido que liderou todo o tempo a Apartheid sempre foi o Partido Conservador, e nem por isso baseava sua economia estritamente no livre comercio. Assim como o maior icone do neo liberalismo de todos os tempos, Margaret thacher, pertencia ao secular Tory, que nada mais era do que o Partido Conservador ingles. Mais a frente ele vai alem e corrigi o companheiro do post, que havia dito que as ditaduras latino americanas eram de centro, ele corrigi “As ditaduras latino-americanas seriam uma esquerda moderada, ou centro-esquerda (…)” e ainda continua seus delirios colocando a social democracia exatamente no mesmo nivel. Estaria o FHC, que tanto lutou contra a ditadura e fugiu do pais, no fundo, vestido de militar? Teria sido ele, na ditadura, um espiao a serviço da ditadura? As ditaduras latino-americanas seriam de centro esquerda? Mas, voce, posts acima, nao teria dito “a herança dos liberais na economia chilena foi a única coisa que sobrou de bom da ditadura de Pinochet”? Pinochet foi de esquerda? E ainda tive que ler perolas do tipo, apos um comentario que o acusava de russofobico por criticar os filmes russos e nao gosar, sem nunca ter visto, sua resposta foi “Agora não gostar de filme russo é “russofobia”. Também não gosto de filme indiano. indianofobia? hahaioahaohaohaohaoa” Voce tem certeza que ele tem mais de 18 anos? Primeiro pelas risadas infantis, e, mais importante, ele nao entendeu em nada, que o comentario contra ele disse que ele tem fobia de filmes russos foi pq ele nao gosta mesmo sem conhecer e ele, nao entendendo, rui e corroborou o argumento do comentarista ao falar que tambem nao gosa de filmes indianos (provou o ponto de vista do comentador, ao demonstrar que, mesmo sem conhecer, critica e nao gosta de coisas, como no caso dos flmes indianos tambem. A nao ser que ele seja algum especialista de cinema e ja tenha assistido varios filmes indianos, ja que os mesmo nao sao passado e encontrado no Brasil). O mesmo Luciano, no mesmo comentario solta a perola

    “O fascismo, pelo estado inchadíssimo (e mesmo que capitalista), é de esquerda.”

    Mas nao teria voce dito, por varias vezes, que o nazismo é anti capitalista? Por varias vezes voce se utilizou de discursos de Hitler dizendo que ele era anti capitalista e que a uniao com grandes empresas nao signifiava que ele fosse capitalista. O Luciano nao concorda com voce. Todos estes textos foram extraidos diretamente da pagina dele, é só ir la e dar uma olhada. Desculpe, mas voce ja me demonstraou nao ser estupido como o Luciano, entao, por favor, comece a buscar fontes melhores, leia livros academicos, lei diversos livros, leia livros que se critiquem mutamente e pare de buscar explicaçoes em blogs de colegiais, e para de subestimar minha inteligencia com estes blogues. Se gastei tanto tempo, foi por sua insistencia em colocar este blog no assunto e como irrefutavel. Nao queria entrar na discussao do blog deste cara que nao conhece, mas voce fez questao de cita-lo por diversas vezes.

    No final das contas, minha intenção nunca foi mudar sua opiniao, que ja esta enraizada, antes tentar trazer algumas questoes historicas, ate mais do que filosoficas, sobre o nazismo. Fico feliz, no final das contas, por ver temas que eram irrefutaveis, e que tanto debateu em posts anteriores, se tornarem refutaveis e, que, em muitas vezes, temas tao delicados, tenha havido consenso. Temas como a impossibilidade da existencia do autoritarismo com neo libealismo, tao central e inabalavel em seu discurso, ver cair por terra e ler voce escrever “Quanto a sua afirmação de que “nada impede um governo autoritario usar politicas neo liberais” concordo em parte. Embora não seja o ideal, o poder de geração de riquezas do liberalismo consegue transpor até mesmo o autoritarismo. A China é o mais recente exemplo disso.” Diga-se de passagem, voce disse que concordava em partes e logo em seguida justificou o pq concordava em partes, “embora nao seja o ideal”. Ou seja, a unica coisa que fez com que voce nao concordasse totalmente comigo foi sua opiniao de que nao seria o ideal, logo, a sua unica restrição foi uma opiniao e juizo de valor, o qual nao pedi (alias, em nenhum momento escrevi o que eu prefiro ou nao, tentei fazer apenas uma analise, sem preferencias), na analise restrita do caso, e nao com questao a opiniao, voce concordou totalmente com o fato da coexistencia dos dois, se isso é melhor ou nao, ai é outra historia e pouco me importa, como historiador, estou soh tentando analisar o momento. Tambem concordou na minha refutação de pontos antes visto como irrefutaveis na analise de Luciano, O engraçado é que concordou em dois pontos centrais na sua analise para sustentar o esquerdismo dos nazi-fascismo. Primeiro, baseava-se na ideia de que na direita, de livre mercado e neo liberal, nao poderia haver um estado intervencionista e poderoso, apenas democracia (Ora, apesar das ditaduras latino americanas nao serem totalitarismo, estavam ha anos luz de distancia de serem democraticas) depois concordou comigo que Pinochet tive uma politica economica neo liberal (se nao foi perfeita é pelo simples ato de que, pratica e ideias nao podem ser exatamente iguais, e acho que isso nao preciso explicar, é meio obvio), segundo, baseou toda a sua analise do nazismo de esquerda nos conceitos irrefutaveis de Luciano e, mais uma vez, concrdou comigo sobre alguns pontos. Mas nao seriam irrefutaveis? E antes que fale qe eu estou distorcendo e que nao concordou pq escreveu a palavra “suposto que esteja certo”, soh escreveu porque admitir completamente seria doloroso demais, se acha que minha refutação foi incorreta, seria facil, era soh refuta-la, ja qe foi voce mesmo qe pediu para que eu lesse o texto e refutasse o “irrefutavel”. Entre alguns outros pontos “enores”que voce ambem disse ter concordado comigo.
    E, para finalizar, o momento em que voce simplesmente corroborou todos os meus argumentos. O momento em que voce afirmou, com todas as letras, a total oposição da esquerda a valores centrais da direita, e que eles tiveram que se submeter, mesmo a contra gosto, a questoes da direita:

    “Mesmo esperneando, os esquerdistas do século XX tiveram que se render ao empirismo conservador que tolera, mesmo a contra gosto, a economia de mercado, a família, as religiões e até o nacionalismo! E por que tiveram que engolir estes sapos? Porque todas as tentativas de implementar o socialismo marxista fracassaram.”

    Ora, tirando a economa de mercado, voltamos a Triade! A triade que voce, no começo do post, havia dito que eram assuntos perifericos (familia e reliagiao). De maneira exata, e com seu “consentimento” nesse trecho, gastei muito tempo e energia nestes temas centrais e te mostrei como a triade era peça fundamento nos fascismos europeis. Quanto a nacionalismo, acho que como principal marca do fascismo, nao precisamos discutir, o que é a coisa mais obvia do seculo XX. Quanto a religiao, te deu inumeros dados historicos e, ao inves de filosofar muito, fui para a patica e trouxe alguma questoes essesnciais sobre a ligação de religiao e fascismos. Quanto a familia, como voce mesmo disse, foi usada de forma total por Hitler. Ora, a politica se usa de instrumentos, e um dos instrumentos da direita é a familia. O fato de voce falar que o Hitler usou a familia apenas como instrumento nao muda em nada, alias, é exatamente o que penso. Os politicos se usam de instrumentos, sejam de esquerda ou direita e hitler, assim como toda a direita mais conservadora, se usou da familia sim, concordo com voce e voce corroborou com meu ponto. Assim como a Igreja, historicamente se usou da familia para propagar seus valores oras, isso eh o obvio. Ate hoje por vezes escuto minha mae escutar radios cristaos e escutar coisa do tipo “a mulher tem que cuidar do lar, o homem é a cabeça da familia, a mulher tem que respeita-lo e cuidar dos filhos” etc etc etc, ora, o que seria isso senao o uso da familia como instrumento de propagaçao do cristianismo, por exemplo. Alias, essas palavras nao sao exatamente o que hitler instrui as mulheres a fazer????Faz o seguinte, escute com seus proprios ouvidos, ligue o radio e sintonize na Radio imaculada Conceição, a radio oficial dos catolicos no Brasil.
    Desculpe me mas encerro por aqui, ja perdi muito tempo com discussoes de blog enquanto poderia estar lendo.

    • Amilton Aquino says:

      Historiador, sem falsa modéstia, se tem uma virtude que sei que tenho é a capacidade de processar informações e estruturá-las. Por isso meu texto é enxuto, conciso e fácil de entender. Você, ao contrário, divaga, divaga e não ataca as questões centrais em que me baseio para afirmar que o nazismo tem mais a ver com a esquerda que com a direita. Citei alguns desses pontos no último comentário, mas vc nem sequer tocou neles. Por que? Porque vc sabe que são irrefutáveis. Então o que sobra pra vc? Apelar ao seu diploma, tentar me diminuir, esmiuçar questões periféricas que o máximo que podem chegar é supervalorizar o lado “conservador” do nazismo, como se isso fosse suficiente para apagar todas as características claras e irrefutáveis de esquerda. Mas afinal, o que é este lado “conservador ” do nazismo? Ser tolerante a valores seculares comuns a todas as civilizações como as religiões, a família e um maior apego a terra natal ou sua cultura? Ora, se vc entendeu o meu último comentário, ficou claro que a única ideologia capaz de tentar destruir estes traços culturais básicos foi o marxismo. E o autoritarismo desta tentativa foi tão abjeto que depois que Nikita Kruschev abriu a caixa de pandora de Stalin a chamada a esquerda teve que se reinventar, recuar e tornar-se também tolerante a estes traços “conservadores”. Por acaso, a nova esquerda também passou a ser de extrema direita por passar a tolerar estes traços culturais básicos de todas as civilizações? Ou seja, o marxismo foi a exceção da história. E é com base nesta exceção, fruto de um delírio utópico de Marx, que vcs de esquerda continuam querendo jogar o nazismo para a direita, repetindo esta mentira deslavada de que este foi o regime mais extremado de direita que já existiu! Ora, se tem características de esquerda e direita como vc mesmo admitiu no seu primeiro comentário, no mínimo vc tem que admitir que nunca poderá ser classificado como “extrema-direita”. No máximo centro-direita, centro-esquerda ou a tal terceira via como querem alguns, classificação esta que discordo. Este é um ponto resolvido, correto? Então, vamos espremer mais uma vez este seu enorme comentário e ver o que sai daí. Mais do mesmo sobre o pacto entre Alemanha e URSS, tentativas fracassadas de encontrar contradições em minhas palavras (já volto a este tema) e o resto do texto para malhar o Luciano. Aliás, não só o Luciano, como comentaristas do seu blog. Como o cara não está aqui para se defender, então funciona como cortina de fumaça para divagar, divagar e fugir dos temas centrais. Então vamos começar pelo Luciano. Cara, esquece o texto dele. Atenha-se apenas ao documento do partido nazista, classifique cada um dos itens entre esquerda, direita ou neutro e vc vai chegar a mesma conclusão. Certamente vamos divergir em algum ponto específico, mas te garanto que a maioria é de esquerda sim, assim como os pontos centrais do nazismo, entre os quais o Estado como o agente condutor da sociedade, invadindo todas as esferas individuais. Existe algo mais esquerdista do que isso? Vc fez uma grande confusão com a contabilidade dos itens. Os itens que vc questionou estão classificados pelo Luciano como Neutros. Corrigi de acordo com suas ponderações (com as quais concordo e, portanto, não tenho o que refutar), e a contabilidade subiu de um de direita para quatro. Ou seja, não muda muita coisa no final. Pronto, e lá se foi um 1/3 do seu enorme texto! Mais uma vez vc divaga, divaga e eu com um ou dois parágrafos dou um xeque-mate! Não vou entrar nas discussões dos leitores do Luciano, apesar de ter uma visão bem madura sobre as diversas nuances dos espectro ideológico, como vc já deve ter percebido. No entanto, a parte que me toca, já que falamos de Pinochet, tenho um post específico sobre o Chile que mostra que, apesar dos Chicago Boys, o governo militar interveio mais do que deveria na economia. Não tanto quanto Geisel, mas interveio (ver aqui: http://visaopanoramica.net/2011/04/23/esquerda-x-direita-parte-7/)
      Sobre a aliança entre a Alemanha e a URSS, o fato de Hitler ter como plano invadir a Rússia também não muda nada. Como afirmei nos posts desta série, nazistas e comunistas já viviam se matando nas ruas durante toda a década de 20. Stalin e Hitler eram duas raposas esperando apenas o melhor momento para atacar. Agora o fato de ambos almejarem o poder não apaga os traços de esquerda do Nacional-Socialismo, da mesma forma que o PSOL e o PT, por exemplo, embora se engalfinhem em determinados momentos e, em outros, possam se aliar para combater um inimigo comum. Hitler, portanto, fez o pacto inicial justamente com quem tinha mais afinidade. Se depois traiu Stalin, é porque julgou que poderia conquistar tudo sozinho e, portanto, não precisaria mais dividir. Acontece o tempo todo com pequenos marginais que assaltam juntos e depois terminam se matando. O pacto inicial entre eles, no entanto, exige uma similaridade de caráter, ou melhor, de falta de caráter. O próprio Goebbels ressaltou as semelhanças entre os dois regimes, mostrando inclusive sua admiração por Lenin e dizendo que este só seria superado por Hitler! Não há nada que vc possa falar que vai mudar isso. Está tudo muito bem documentado. Agora sobre minha supostas contradições. Cara, uma simples expressão explica toda a confusão que vc faz. Observe que fiz uma suposição de que mesmo que eu admitisse a tríade como principal critério (o que não admito), e que a religiosidade e a família fossem inquestionáveis (o que não é verdade, basta ver aberrações como a socialização da prole, por exemplo, algo que nem mesmo Stalin foi capaz de imaginar), ainda assim tais traços “conservadores” seriam muito pouco diante de tantas características de esquerda, pelo simples fato de que religiosidade, família e patriotismo são valores comuns a maioria das civilizações! Se nunca tivesse existido a porcaria do marxismo, estes traços tidos hoje como “conservadores” não despertariam a mínima atenção neste tipo de discussão. Se ainda repercutem é porque o delírio marxista que amplificou tais diferenças, as quais hoje não fazem mais tanto sentido, uma vez que agora temos esquerdistas nacionalistas, religiosos e até xenófobos! Basta chegar um número alto de imigrantes que o discurso já começa a mudar, mesmo nos governo de esquerda. Veja o caso dos ganeses, por exemplo, que vieram para a copa e não querem mais voltar para Gana. O governo já mudou o discurso até então tolerante que vinha tendo com os haitianos. O que mudou? A questão econômica está pesando. Com a economia cada dia mais fraca e mais gente para disputar emprego, então a questão da imigração sai um pouco da esfera política e passa a pesar mais a questão econômica. Até mesmo em países historicamente mais receptivos a imigração, como a Suécia, por exemplo, a própria sociedade está cobrando um controle. Por fim, vamos ao seu “balanço” da nossa conversa que traz muita deturpação. Ora, ficou bem claro no meu comentário que os Chicago boys foram convidados para organizar a economia chilena. Eles não deram nenhum golpe e não tiveram nenhuma responsabilidade nas atrocidades de Pinochet. E isto foi o mais próximo que os liberais chegaram de um regime autoritário. Para eles, o objetivo era colocar a economia para funcionar e conseguiram, não por causa do autoritarismo, mas apesar dele. Afinal, desde que o governo, mesmo que autoritário, ofereça um mínimo de condições para o funcionamento do livre mercado, o progresso acontece. Não sei o porquê de vc está contando vantagem sobre este assunto. Esta minha opinião nunca mudou e ela está bem expressa no post que escrevi sobre o Chile e que indiquei acima. Vc quer colocar o nazismo e o regime de Pinochet no mesmo nível, mas esta não cola. O regime nazista foi totalitário. O regime de Pinochet foi autoritário. É bem diferente. O nazismo influía diretamente nas decisões das empresas. No Chile, não. Neste havia liberdade e segurança jurídica para os empreendedores nacionais e internacionais. A nível de indivíduo, o estado de Pinochet também não interferiu (a não ser no caso dos ativistas de esquerda, claro). Portanto, não venha forçar a barra para dizer que é tudo a mesma coisa porque não é. Muito menos que mudei de idéia sobre este assunto porque não mudei. O liberalismo sempre lutou pelo constitucionalismo, pela democracia e todo o arcabouço institucional que permitiu que chegássemos onde chegamos. Sempre esteve do lado correto. É fato. A esquerda é que sempre fez merda desde o princípio. E para finalizar, o ápice da suas deturpações! Amigo, quando digo que a tríade conservadora é um assunto periférico é porque religião, família e patriotismo são comuns a qualquer civilização. O patriotismo, o patriotismo é apenas a expansão da família em um nível maior. Ora, o que é comum, trivial nunca foi nem poderá ser o centro, o principal. O que é comum é comum. Passa até despercebido. Mais uma vez repito, se tais assuntos periféricos foram alçados ao centro das discussões, a culpa é dos historiadores marxistas que durante todos estes anos tentaram exacerbar este traços para criar um antagônico totalitário de “direita” a altura de Stalin e assim equilibrar o show de horrores promovido no século XX pelas desastradas tentativas de engenharia social pela via sociológica, no caso do marxismo, ou pela combinação entre a sociologia e a biologia, no caso do Nacional-Socialismo. No mais, obrigado por sua participação. Acho que ela foi muito útil para quem passar por aqui tirar suas próprias conclusões. Da minha parte te garanto que vou continuar lendo, apesar de passar a maior parte do meu dia vendo códigos de programação, sempre acho um tempinho para contribuir com estes debates, afinal tais idéias influem diretamente nas nossas vidas. Tenho filhos e me preocupo muito com o futuro deles, ainda mais quando vejo repetir aqui a trajetória dos novos populistas de esquerda que tomaram conta da América Latina na última década. Abraço e volte sempre!

  24. Historiador says:

    Ola amigo! Devido ao fato de ter escrito algumas inverdades, resolvi voltar para pontua-los. Quanto a questão da tríade, creio que já falei muito e não vou mais me aprofundar nisto, se você acha que são assuntos periféricos, é seu direito, o que queria era simplesmente mostrar como os fascismos (e, consequentemente o nazismo), estão mergulhados na tríade. O nacionalismo é, simplesmente, a peça central e mais importante dos fascismos e, sobretudo, da sua versão alemã, nazista. Creio que isto nem se discute. Quanto a questão da família, foi ela, juntamente as escolas, clubes e associações nazistas, que deram toda a sustentação do regime, e foram responsáveis por criar cidadoes nazistas e, a religião, conservadora, seria a primeira grande aliada destes regimes, com sua enorme base de fieis, ávidos por manterem as tradições e os bons costumes familiares. Se você não entende a peça central que isto foi para o regime, os valores conservadores familiares, patrióticos e religiosos, bem como a ideia central do medo do diferente e do relativo, com sua volta a masculinidade, aos modelos clássicos, a obsessão ao corpo sadio etc, você demonstra que pouco leu sobre o nazismo especificamente. Talvez você seja cartesiano e acredite nas ideias inatas, acredite que o conhecimento venha de dentro, da alma, compartilhada com Deus e, portanto, precisaríamos apenas de um bom método para alcançarmos a verdade eterna. Não sou cartesiano, portanto acredito que só com muita leitura, trabalho de campo e pesquisas, conseguiremos entender melhor o mundo. Leia, mas leia muito sobre este tema.
    Quanto ao Pinochet, como já havia repetido texto acima, você corroborou, totalmente, o que eu havia falado. Voce desde o começo se baseia na ideia de que uma economia neo liberal não funciona em um regime totalitário. Ora, você concordou, por duas vezes, que Pinochet foi neo liberal, logo, sua conclusão máxima e defesa de que ambas não existem conjuntamente, caiu por terra por motivos históricos óbvios. Voce falou que não foi culpa dos Chicago Boys a instauração da ditadura. Poxa, mas isso é obvio, eles não eram políticos! E pouco me importa quem instaurou ou não, minha discussão é saber se podem ou não existir um estado neo liberal e autoritário, se foi Joao ou Maria quem fez, não me importa, ele existiu, e ponto! Voce falou que “apesar” do autoritarismo o neoliberalismo existiu. Isso é questão de opinião e também, repito, pouco me importa quem g=fez ou se você gosta, me importava, e muito, mostrar que existe sim, e muito, a possibilidade de um Estado autoritário implantar medidas neo liberais. Alias, ao contrario de que você falou, um estado autoritário PODE, repito PODE (PODE, de possibilidade!) auxiliar na economia neo liberal, afinal, por motivos óbvios. Um Estado autoritário pode calar a oposição, controlar um parlamento (se existir), abafar as novas ideias e impedir, como estados de economia de mercado tao bem já fizaram na pratica (EUA e a Africa do Sul do apartheid), mesmo não sendo ditaduras, a manifestao através de greve e protestos e, assim, permitir que o mercado seja totalmente livre das amarras do Estado. Uma economia liberal pode muito bem existir, e melhor existir, num lugar onde amarra a oposição e a contestação e deixa a economia sem amarras nenhuma. Diga se de passagem, governos de Regan e Tatcher, o modelo de neo liberais, foram implacáveis com a oposição e com greves, protestos e coisas do tipo. De qualquer forma, minha intenção não era me aprofundar neste assunto e dar minha opinião, era só demonstrar que ambos podem existir juntos, se é mais eficaz ou não, este não é o assunto e pouco me importa. Eles podem coexistir, ponto pacifico, e acabou-se a velha ladainha da impossibilidade da existência dos dois juntos e de que o neo liberalismo soh funciona em governos constitucionais. O Chile e nenhum pais Latino americano tinham governos constitucionais. E este assunto se encerra, já foi longe demais se ambos concordamos do neo liberalismo ter existido no Chile mesmo sendo um governo autoritário. Se é mais eficaz ou não, repito, pouco importa, temos opiniões diferentes mas que em nada muda o principal. Outra coisa, você afirmou sobre mim “Vc quer colocar o nazismo e o regime de Pinochet no mesmo nível, mas esta não cola. O regime nazista foi totalitário. O regime de Pinochet foi autoritário.”, ora, isso demonstra que, ou você não leu o que eu escrevi ou tem seríssimos problemas com interpretação de texto, pois, no meu utlimo texto havia escrito “Ora, apesar das ditaduras latino americanas nao serem totalitarismo, estavam ha anos luz de distancia de serem democráticas”. Qualquer pessoa que já tenha lido um paragrafo sobre a historia do século XX sabe que existiram regimes totalitários,e outros autoritários. Leia melhor o que escrevo antes de rebater
    Quanto a Luciano, você tem toda razão em afirmar que ele não esta aqui e não é justo termos falado tanto, mas você se esqueceu que foi você que insistiu, em diversas vezes, para nos atentarmos a Luciano?! Quem veio com o texto dele foi você e não eu e, novamente, mais uma vez, seu embasamento foi rebatido. Primeiro quando falou que neo liberalismo soh existia em governos liberais, depois quando falou que o texto de Luciano era irrefutável e pediu para eu o lesse. Ora, logo de inicio, nos primeiros pontos, já refutei com enorme facilidade, porque é um texto colegial. Alias, como você pode achar um blog qualquer de alguém que fala qualquer coisa e coloca-lo na frente de um historiador???Tem uma coisa que se chama “veracidade de documento” . A primeira coisa que um historiador faz é ver a veracidade do documento e o embasamento do mesmo, isso é o obvio e o mínimo. Descobriu-se, por exemplo, que Fustel de Coulange (no qual ainda se usam nas escolas primarias e em cursos de ensino superior que não são de Historia, por ex, em Direito), que possui o livro “A Cidade Antiga”, escrito séculos atrás, simplesmente inventou s fatos do livro. Os livros que ele cita, ou não existiram, ou, quando foram checar, não estava escrito o que ele havio dito que estava. Fustel simplesmente acordou de “madrugada” e escreveu um livro. Alias, ele pode ter acertado, em seus sonhos, algumas caracterisiticas da sociedade grega (o que é improvável, mas não impossível), mas, ao saber que ele simplesmente mentiu e escreveu coisas advindas da sua cabeça, sem documentação e embasamento histórico, obviamente que este tipo de material não foi mais usado no meio acadêmico. Da mesma forma, outro exemplo interessante, foi quando o professor da federal do Rio, Dr. Fragoso, revolucionou o estudo de Brasil colonial ao escrever um belíssimo texto no qual afirmava, com argumentação clara e ampla, que o governo colonial brasileiro se sustentava, ao contrario do que sempre se afirmou, com seu mercado interno, apenas e unicamente. Sua tese foi tao revolucionaria e famoso que saiu em revistas pelo Brasil. Ora, alguns mestrandos da Unicamp não digeriram bem esta historia e, anos depois, lançaram suas teses de mestrado que estremeceu os pialres do estudo de Brasil colonial. Demostraram, por a mais b que o professor Fragoso havia errado nos cálculos e que se baseou, portanto, em números totalmente errados. Ou seja, tudo o que falou, baseava-se em dados inexatos. A partir deste momento, e como o professor nunca contra argumentou (porque não tem como, ele realmente errou nos calculos), nenhum outro acadêmico passou a considerar este texto, pois perdeu totalmente a sua autoridade. (Alias, este é o mundo acadêmico que você falou dominado por marxistas e ideias uniformes?? Eh para rir ne?) Na academia você passa pelo crivo de pessoas que estudaram por anos e dedicam suas vidas a isso, não a textos de Lucianos, que sai do blog e vai programar computador. Isto tem um nome, trabalho profissional. Com isso, o que me propus não foi ficar colocando pingos nos is de Luciano, acha que vou ficar corrigindo texto de Lucianos na internet. Não sou professor de primário para colocar pontos nos is dos textos de alunos. Propus-me, apenas, e de forma bem sucedida já que você concordou com o que eu falei ”Corrigi de acordo com suas ponderações (com as quais concordo e, portanto, não tenho o que refutar)” que o texto que você me mandou, como irrefutável e no qual baseava-se muitas de suas ideias, na verdade era um texto totalmente refutável, como você mesmo viu e concordou, e que não merecia nem a minha e nem a sua consideração. Se você quiser posso refutar ponto por ponto, mas seria uma perda de tempo absurda, tendo visto que já acabei com a aura de texto irrefutável, é fraco demais. Alias, grande parte dos pontos se referem ao extremo nacionalismo do nazismo e de suas consequência, coisa alias que, segundo Luciano, era contextual. È para rir ou chorar?
    Quanto ao ultimo ponto, este é bem mais complexo. Voce afirmou que a esquerda passou a tolerar estes valores conservadores “Por acaso, a nova esquerda também passou a ser de extrema direita por passar a tolerar estes traços culturais básicos de todas as civilizações?” Realmente as vezes acredito que vivemos em outro mundo. Muito ao contrario do que você falou, a esquerda não passou a tolerar estas questões, mas antes, nunca denunciou com tanta veemência. A esquerda nunca se engajou tanto, qualitativa e quantitativamente, em questões como feminismo, homossexualismo, patriarcalismo etc (denunciando, inclusive, coisas conservadoras dentro da esquerda, ou o não combate pela mesma, como o machismo em Cuba. Os esquerdistas, e não os direitistas fram os primeiros a denunciar. Alias, a direita soh denunciaria hipocritamente, já que eles adorariam viver num mundo sem homossexuais). Na verdade não foi a esquerda que vem aceitando mais os conservadores, o contrario, o mundo vem aceitando muito mais o libertarismo de esquerda. Alias, você pode imaginar uma parada gay nos tempos dos seus avos? Voce poderia imaginar tantas mulheres trabalhando fora e, inclusive, sustentando a família? E pais cuidando de bebes? E a legalização das drogas em vários países? E o estrondoso aumento de ateus na segunda metade do século XX? Voce poderia imaginar, há 50 anos atrás, novelas, peças e livros tendo o homossexual como personagem central, na qual antes soh existiam como excessoes, como “O Bom Crioulo”(diga-se de passagem, quando eu estudava no ensino medio, e era de direita, sem saber o que era direita, mas porque fui criado assim, me recusei a ler este livro pois falaa de homossexual. Hoje luto e espero por um mundo que libere o casamento gay e a adoção. Quem estava mais perto das ideias nazistas? O Historiador de direita ou o de esquerda?!) Voce poderia imagina, há anos atrás, alguém poder ser preso por falar a palavra “macaco”? Muito, mas muito ao contrario do que você diz, a esquerda cada vez mais luta contra este modelo conservador. O que mudou é que, cada vez mais, as pessoas estão sendo menos conservadoras, inclusive entre a direita. Meus avos e meus pais são de direita, mas estão há anos luz de distancia um do outro. Meu pai é muito menos conservador que meu avo foi, por exemplo. Nunca se denunciou tanto o preconceito, ate em instituições conservadoras, a destruição do meio ambiente em nome do progresso econômico e o patriacarlismo. Em que mundo você vive meu amigo? E, para terminar, você afirmou que “Ora, se vc entendeu o meu último comentário, ficou claro que a única ideologia capaz de tentar destruir estes traços culturais básicos foi o marxismo”. Ora meu amigo, eu não sou marxista e nunca fui, e posso contar nos dedos meus professores que eram. A maioria era de esquerda, mas raríssimos marxistas. Não estamos mais na década de 70 Amilton. Sei da importância histórica de Marx na denuncia, por exemplo, do Estado hegeliano, que era visto como fruto místico de uma razão que transcendia tudo, Acho que hoje, ate direitistas concordam que o estado não é fruto da razão, antes é fruto de outros interesses, inclusive econômicos e de mercado. Marx foi o primeiro a mostrar isso. Do mais, li muitas coisas que não concordo dele ( e temos que lembrar o obvio de que ele foi um homem do século XIX, imerso em ideias daquele século) e, seu método, o legado mais importante de sua obra, é algo que nunca utilizei nem pretendo. Não gosto do materialismo histórico, é dogmático e restrito. Odeio a ideia de super estrutura e infra estrutura e a ideia de que a esfera econômica determine as outras esferas. Diga-se de passagem, no meu mais importante trabalho da faculdade, a relação dos EUA com Cuba no momento da independência cubana da Espanha (tema que eu escolhi na matéria de America Latina Independente), tive como ponto central criticar historiadores marxistas que colocavam o fator econômico como principal. Meu trabalho criticava isso, em nome de uma abordagem muito mais multidirecional e que via fatores políticos como mais importante. Minha visão de capitalismo, diga-se de passagem é muito mais Weberiana do que marxista, e nem preciso te dizer que Weber, em seu livro “Etica Protestante e Espirito do Cpitalismo”, faz uma obra critica a ideia de capitalismo e seu desenvolvimento nos marxistas. Ora, não sou marxista e carrego, como pontos fundamentais, critica a esta tríade. Não meu amigo, isto não é um “delírio” só de marxistas.
    Nossa diferença fundamental, e o fato como de cara nos reconhecemos, um como de direita e outro como de esquerda, muito mais do que economia de mercado, é a forma como vemos o mundo. Quando você ve alguém que, por exemplo, fala sobre a importância dos direitos humanos, você pensa “esse cara é de esquerda, comuna” e quando alguém de esquerda ve argumentos extremamente xenófobos e raciais, por ex, ele já pensa “esse cara é coxinha”. Ora, não foi preciso falar de livre comercio, isso é apenas a consequência de algo muito mais essencial. Voce escreveu algo que chama muito atenção e que, de cara, já te colocaria na direita “Ser tolerante a valores seculares comuns a todas as civilizações como as religiões, a família e um maior apego a terra natal ou sua cultura?” Comuns a todos civilizações??? Não meu caro, esses valores não são comuns a todas as civilizações, pois não são valores naturais, que nascem com o ser humano, são valores culturais e, pode ter certeza, específicos de determinadas sociedades, como “hora e data” de nascimento, pois são culturais, foram criados e desenvolvidos num processo histórico. Nacionalismo, família, cristianismo, religião, patriarcalismo, machismo, tudo isto não nasce com você. Essa diferença fundamental te torna de direita e te aproxima, muito mais do que eu, ao nazismo (de forma alguma estou falando que é nazista), mas esta crença na determinação do natural (para Hitler o alemã já nascia alemã, ele era ariano e todas as suas características eram de nascença). Mal sabia Hitler que a Alemanha, em seu processo extremamente recente de unificação, foi unificada por Bismarck muito mais a “ferro e sangue”, como disse ele, do que por qualquer sentimento nacional e anterior, do ser alemão. As pessoas, de forma geral, não queriam perterncer a nenhum pais chamado Alemanha, antes se viam muito mais ligadas a seu principado. Assim como família e outros valores conservadores, e passaríamos dias aqui, foram valores criados culturalmente, Esta meu caro, é a diferença na essencia entre direita e esquerda.
    De qualquer forma, agradeço pelo espaço qe me concedeu, e a forma democrática como aceitou meus argumentos. Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Historiador, seja bem vindo, de volta! Quanto a tríade, acho que estamos bem resolvidos. Para vc é uma questão central, para mim, periférica. Para mim as questões centrais são aquelas que estão na essência da esquerda e que estão também na essência do nazismo, entre as quais a diluição do indivíduo no coletivo, entre outras que continuam intactas, vale salientar. Quanto a questão de Pinochet também estamos resolvidos. Respondê-lo seria repetir minha última resposta que está claríssima. Além do mais este assunto não tem a menor relevância quanto ao nazismo porque um regime foi totalitário e o outro autoritário, o que faz toda diferença. Para existir o liberalismo precisa sim de regras claras, das garantias do direito à propriedade, de uma segurança institucional mínima que torne o ambiente seguro para negócios. Caso contrário, o investidor vai colocar o pé no freio, como aliás acontece hoje no Brasil. No auge da guerra fria, do ponto de vista dos empresários era mais seguro investir em países com regimes militares do que em países com a iminente ameaça de uma revolução a qualquer momento. Vc como historiador sabe muito bem desse contexto. Quanto ao texto do Luciano, vc continua fazendo confusão. Não é o texto do Luciano que é irrefutável. É irrefutável o indiscutível perfil de esquerda do manifesto do partido nazista. Já disse. Esquece o texto do Luciano. Anote num papel cada ponto e vc vai chegar a mesma conclusão. Certamente não com a mesma veemência que ele, mas vai chegar a mesma conclusão, que a maioria dos pontos são sim de esquerda. Sobre as veracidade dos documentos, aí é o seu papel de historiador. Quanto à questão da mudança da esquerda vc faz mais confusão. Quando falo que a esquerda mudou teve que ficar mais tolerante a partir de meados do século passado, o falo em relação ao abandono da luta armada para chegar ao poder e, pela força do Estado, tentar suprimir valores religiosos, como por exemplo. É a partir da “democratização” da esquerda que ganham força, gradativamente, as bandeiras do politicamente correto que abrange todas as minorias possíveis (que quando somadas dão uma grande maioria e, portanto, mais votos, claro), só que agora pelas vias gramscistas em lugar da imposição de um estado totalitário. Ou seja, a esquerda dilui suas bandeiras em diversos movimentos (para todo gosto), de forma dissimulada e disfarçada, mas sempre com o claro objetivo de subverter as bases da cultura judaico-cristã-ocidental, que tem se mostrado um grande empecilho à implementação do socialismo no ocidente. Muita gente que milita nestes movimentos nem mesmo tem noção de que são de esquerda e terminam sendo simpáticos também a outros movimentos similares por osmose. Não por acaso, a esquerda conseguiu até mesmo subverter o termo “liberal” nos EUA. Tem um trecho de um artigo do David Hhorowitz, um dos pais da “nova esquerda”, que sintetiza bem este objetivo mal caráter enganador esquerdista: “O povo americano nunca vai adotar conscientemente socialismo. Mas, sob o nome de “liberalismo”, eles vão adotar cada fragmento do programa socialista” (http://www.discoverthenetworks.org/viewSubCategory.asp?id=1217). Ou seja, a esquerda engana, manipula, usas as pessoas e depois a esquerda fica pousando de monopolizadora das virtudes! Não, amigo. Já fui de esquerda e hoje sou de direita, mas não deixei de ser humano, de me sensibilizar com a miséria alheia. A diferença é que hoje sou mais realista. Hoje entendo que para cada “conquista” do trabalhador tem um custo e que este deve ser muito bem avaliado para que, no futuro, a sociedade não termine escravizada pela própria sociedade. Vide o problema das aposentadorias na Europa hoje. Se tivessem pensado um pouco mais pragmaticamente no passado, sem o ranço esquerdista para atrapalhar, hoje as coisas não estariam tão ruins. Sobre o predomínio do marxismo na academia, vc é inteligente o suficiente para poder diferenciar um marxista autêntico, aquele que bate no peito e diz que vai morrer marxista, de alguém que defende idéias com viés marxistas, muitos sem mesmo se dar conta. Este caso do nazismo ser de “direita”, por exemplo, é a prova do que estou falando. Claro que o nazismo está à direita do stalinismo, mas daí jogá-lo para a extrema-direita é um delírio marxista que tornou-se senso comum na academia. No entanto, como mostramos aqui, quando avaliamos cada ponto, vemos que a coisa não é bem assim… Sobre a questão cultural, mais confusão. Em nenhum momento falei que a religião, a família e o patriotismo são inatos, falei que são comuns a maioria das civilizações. Claro que vc vai encontrar variações, algumas exceções, uma sociedade matriarcal, por exemplo, mas no geral a religiosidade, os laços de família e de grupos sociais são sim comuns até mesmo nas civilizações mais primitivas. De qualquer forma, foi bom conversar com vc. Acho que enriqueceu o debate. Apesar das ironias comuns neste tipo de discussão, conseguimos manter o nível. Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Ótima sugestão, Sandro. Já assisti. Aliás, tenho no meu acervo de DVDs. Mostra como o nazismo cooptava tudo, pelo medo, inclusive a igreja. Recomendo também.

  25. Sandro says:

    Façam o teste!

    The Political Compass
    http://www.politicalcompass.org/

    • Amilton Aquino says:

      Já fiz e fiquei novamente no centro-direita. Um pouco mais à direita que no teste do site da Veja.

  26. Yuki Nagata says:

    Amigo, seu texto é bem fundamentado, e carregado de uma paixão empolgante ao escrever, raro ver quem argumente tão bem assim.
    Mas caem por terra suas convicções que o Nazismo seja de esquerda pelas seguintes verdades históricas:
    Hitler fez a primeira campanha em massa para privatização de diversas empresas estatais as passando para o capital privado, entendendo esse era mais competente para uma exploração econômica.
    A meritocracia era quase uma religião.
    Existiu certa interferência estatal em assuntos privados, como acontece em qualquer regime que tenta tirar uma nação da crise, como ocorreu na Alemanha naquela época, não é novidade alguma uma maior intervenção estatal durante uma crise desenfreada, pois é papel do governo resolver problemas a nível nacional. Isso nem perto chega de tornar o Nazismo um regime de esquerda.
    Por fim, basta ler o livro Minha Luta daquele pirado do Hitler, e não importa quantos autores socialistas se busque por ai, dá para ver que apesar de um lunático, Hitler foi de Direita, só que ele defendia que quem estivesse no topo dessa direita, destruísse os que na opinião dele estavam lá abaixo.
    A separação de pessoas de acordo com pseudo ciência genética a fim de se livrar de “elementos ruins a sociedade” provém da eugenia social tradicionalmente defendida por lunáticos de direita.
    Qualquer desses pontos conseguem expressar bem que o Nazismo foi um regime de Direita com algumas políticas de esquerda.
    Porém o fato é que, independente do Nazismo, políticos de esquerda tem que rever seus conceitos, Coréia do Norte, China e Cuba, as grandes vergonhas do mundo atual, o são graças a regimes hediondos de esquerda. Os países governados por partidos ligados ao Foro de São Paulo, estão sempre entre os piores no ranking de desenvolvimento.E por fim, foram regimes de Direita que construíram países como a Suécia, Noruega, Dinamarca, Inglaterra, Holanda e Japão. (Não menciono os USA porque eles ficam devendo em certos indicadores sociais, mas ainda sim estão anos luz na frente do Brasil). Investimento bruto em educação e economia próspera acabam a longo prazo com desigualdades sociais, é uma receita do tipo tiro e queda. Chances iguais permitem que as pessoas com o tempo criem por si só sociedades bem melhores de se viver. Agora, esse rancor revolucionário que tenta mudar tudo sem pensar nas consequências, tenta fazer algo da noite para o dia desconsiderando a realidade. Não, realmente não é uma boa ideia.
    Direita pode aprender uma ou duas coisas com a esquerda, mas lhe é infinitamente superior, e o fato do Nazismo foi sim de Direita, não muda esse fato, até porque ao contrário das propagandas modernas, basta olhar uns números simples, e logo se vê que o comunismo foi algo muito pior e mais violento.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Yuri! Obrigado pelos elogios. Infelizmente estou sem tempo agora para escrever, inclusive coloquei um aviso no blog informando a temporada que vou ter que ficar desligado dele, só esqueci de desabilitar os comentários. De qualquer forma, sua opinião é bem vinda. Vou escrever ainda mais dois artigos desta série onde vou colocar mais alguns argumentos que sustentam a tese de que o nazismo está mais próximo da esquerda que da direita, tese que a cada dia ganha mais adeptos, a ponto de virar verbete do wikipedia. Aliá, deixo aqui como sugestão: http://pt.wikipedia.org/wiki/Compara%C3%A7%C3%A3o_entre_nazismo_e_stalinismo Abraço e até a volta!