Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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De volta em meio à revolta

protestos

Olá amigos, estou de volta para mais uma temporada de posts. Continuo sem tempo, mas vou tentar escrever alguns posts nos próximos meses, dentro das minhas possibilidades, claro. E como não poderia ser diferente, vamos começar falando sobre os protestos que tomaram conta do Brasil nos últimos dias, eventos que deixaram muita gente perplexa, inclusive colunistas que tiveram que mudar de opinião em um curto espaço de tempo.

É um movimento estranho. Diferente de outros grandes movimentos que tinham líderes e uma causa principal, este movimento é difuso, com muitas bandeiras e muitas delas contraditórias. Incluem radicais de esquerda, radicais de direita, libertários, ativistas da causa gay, todas as classes e idades, pessoas bem informadas, mal informadas, adolescentes brincando de revolucionários, pessoas querendo tomar cerveja e até bandidos mais interessados em saquear lojas. Em comum apenas a indignação e o sentimento de frustração com o “Brasil potência”, pintado na publicidade petista que, infelizmente, é bem diferente da realidade. Tudo tem limites e o PT apostou demais na passividade dos brasileiros. O resultado está aí…

Entre os mais velhos, que lutaram para derrubar os militares, é muito estranho ver esta nova movimentação, agora contra os políticos que substituíram os militares. Chega a ser irônico, para não dizer trágico. Mas afinal, o que de fato está acontecendo? Quem ganha e quem perde com tais protestos? Eles representam uma nova etapa de conscientização da população brasileira? Quais seus possíveis desdobramentos?

Bom, antes de tentar responder a estas perguntas, devo dizer que tenho um sentimento ambíguo sobre o movimento (ou seria “os” movimentos?). Se por um lado, regozijo ao perceber que mais pessoas estão percebendo os males que o PT semeou (e que agora está colhendo os frutos), por outro tenho medo dos desdobramentos da crise que já há algum tempo estamos alertando aqui, e que pode ser acelerada com a continuação dos protestos. Vamos começar então pela parte negativa.

O lado ruim

Desde o início me mostrei cético em relação aos protestos. A causa era absurda. Passe livre não existe nem em países comunistas. O que dizer então do Brasil? Ou seja, tínhamos um bando de rebeldes sem causa, com um propósito mais político (desgastar o governo de São Paulo) que realmente pela redução das passagens. Aliás, estes não são nenhuma novidade, pois desde 2005 que esta turma está em ação, porém sempre sem maiores repercussões.

Mas dessa vez o tiro saiu pela culatra, graças à truculência da polícia paulista. As imagens da ação desastrada da tropa de choque revoltaram muita gente no Brasil inteiro, extrapolando o movimento para todos os demais estados. Uma reação desproporcional, sem dúvida. Tanto que para justificar tal mobilização, as pessoas começaram a incluir outras pautas ao protesto. E foi aí que o feitiço virou contra o feiticeiro. Os líderes de esquerda radical do Movimento Passe Livre ficaram à reboque da massa revoltada. Foi nesse momento também que jornalistas começaram a mudar de opinião sobre o movimento. Como sempre, os de esquerda passaram a enxergar mais uma “tentativa de golpe da direita reacionária”. Os demais, por sua vez, viram finalmente o eco de sua indignação chegar às massas, mesmo que por vias tortas. Ou seja, através de um movimento originalmente de esquerda. E então ninguém entendia mais nada. O governador do SP do PSDB começou a dividir a berlinda com o prefeito do PT, recentemente apoiado pelo próprio Movimento Passe Livre ,nas últimas eleições. Ao mesmo tempo o governo federal tornava-se o principal alvo dos protestos.

Com a repercussão negativa da ação da polícia paulista, o governador Geraldo Alckmin prometeu não usar a tropa de choque nas novas manifestações, o que encorajou ainda mais os vândalos em suas investidas cada vez mais audaciosas.

A esta altura a violência dos vândalos no RJ já superavam a barbárie paulista. E aos poucos mais e mais relatos de violência foram sendo mostrados ao vivo pela TV em outros estados. E aqui mais um efeito negativo dos protestos: o cultivo do ódio à polícia. Os vândalos, em maior número, encurralaram policiais em órgãos públicos e até mesmo em agências bancárias saqueadas e depredadas sob o olhar assustado de policiais que tiveram que contar com ajuda de manifestantes do bem para fugir do local. Realmente uma cena assustadora que coloca os pilares da democracia em cheque e que deveria dar um freio ao movimento.

Ao perceber que perdeu o controle dos protestos, o Movimento Passe Livre resolveu então tirar o time de campo, contentando-se com os 20 centavos, antes ironizados. Horas depois o mesmo grupo voltava atrás na decisão, prometendo novos protestos. Por que mudaram de ideia? Realmente difícil entender. Aliás, como também foi difícil entender o porquê da militância petista fincar suas bandeiras vermelhas no movimento, inclusive colocando seus militantes em perigo. Certamente para marcar posição, tentar passar a imagem de que sempre estiveram a favor dos tais movimentos sociais, como aliás tentou a própria presidente, ao dizer na manhã da terça-feira (18/06) que o Brasil teria acordado mais forte. Acontece que agora o PT não é mais estilingue e sim vidraça. Não colou. A nova marca apartidária dos protestos prevaleceu.

Quanto ao retorno dos líderes do MPL, tenho uma suspeita para a volta tão rápida. Estariam eles agora aproveitando os holofotes do movimento para se candidatarem nas próximas eleições? O que posso falar da minha experiência quando militei no movimento estudantil, na época do Fora Collor, é que a maioria dos líderes da época tornaram-se políticos. Veremos…

Economicamente, os protestos também já começam a contabilizar prejuízos. Não apenas materiais, mas até mesmo a influenciar negativamente a percepção dos investidores estrangeiros, que a cada ano ficam mais pessimistas com o Brasil. A imprensa internacional finalmente percebeu o que muitos de nós já sabíamos. O governo do PT estava mais fundamentado no marketing do que realmente em bases sólidas.

A continuar os protestos violentos, certamente nossos indicadores vão continuar piorando mais rapidamente, o que poderá servir como álibi ao governo, no futuro, caso o país mergulhe de fato em uma recessão, o que não está muito longe, infelizmente. Neste caso, o movimento também pode sair pela culatra, pois no final todos nós sofreremos as consequências. No pior cenário, a desordem pode abrir caminho para um novo “salvador da pátria” (ou a volta de um) ou, quem sabe, até mesmo legitimar a volta das forças armadas. Difícil, mas não impossível.

O lado bom

Nossos políticos precisavam dessa chacoalhada. O PT não inventou a corrupção, mas é fato que desde que chegou ao poder acabou com a referência de ética politica que tínhamos, ou que achávamos que o PT representava. Como se não bastasse, institucionalizou o “toma lá dá cá” no jogo político. A prova disso é que partidos antes nanicos, sem nenhuma expressão, sem nenhum bandeira específica que justifiquem suas repugnáveis existências, são hoje os que mais crescem. E por que isso acontece? Porque seus votos são negociados descaradamente no balcão de negócios que se tornou o Palácio do Planalto. Por não se apegarem a nenhuma ideologia, votam em qualquer coisa que o governo queira. São os mais fiéis.

Não por acaso, o número de ministérios do governo petista chegou ao incrível recorde de 39. Apesar de imoral, esta é a parte legal das negociatas, pois, como hoje sabemos, existem os métodos obscuros. Os mensaleiros que o digam.

Portanto, está cada dia mais claro para a sociedade que as ideias foram relegadas para o segundo plano. Os poucos projetos aprovados pelo governo tiveram seus votos “negociados” previamente com a base aliada.

Enfim, o protesto serve para dar um basta na prepotência petista. Admira-me não ter acontecido antes. Na verdade não aconteceu porque os ventos da economia eram favoráveis e ninguém ousava desafiar a popularidade de Lula. Mas para quem acompanha os debates na web percebe claramente que os argumentos do exército petista não se sustentam.

Enfim, o clima finalmente mudou para o PT. Certamente agora a ideia absurda do líder do partido, Rui Falcão, de “botar o povo nas ruas” para protestar contra a decisão do STF pela condenação dos mensaleiros fica ainda mais descabida. Certamente agora terão que pensar duas vezes antes.

Um outro ponto positivo dos protestos é que eles trazem à tona a discussão sobre o custo e a distribuição dos impostos. Observem que entre todas as reivindicações existe algo em comum: o orçamento. É a partir do dinheiro subtraído do próprio povo pelo governo que são distribuídas as verbas para cada setor que os manifestantes exigem maior atenção. Portanto, quando os manifestantes dizem “queremos mais saúde, mais educação, passagens mais baratas, etc.” eles estão forçando o governo a otimizar seus gastos para atender a tais demandas. Na pior das hipóteses, as discussões sobre os impostos que incidem sobre os serviços vêm à tona, o que já é muito salutar, pois as pessoas precisam entender que governos não são fontes inesgotáveis de recursos. Alguém tem que pagar a conta, e este alguém é o próprio contribuinte.

Se a razão prevalecer, a conclusão óbvia é que precisamos de menos estado, pois quanto maior o estado, maior a corrupção e menos eficientes os gastos públicos.

Enfim…

Acho que o recado da população já foi dado. Seria muito salutar para nossa democracia que o movimento desse uma parada. A presidente entendeu o recado, foi a TV, prometeu algumas ações. De última hora, como sempre, mas ainda assim temos que lhe dar um crédito, para o bem geral da nação.

O que é preciso ficar claro para a população é que a maior parte dos problemas que o governo hoje enfrenta são decorrentes das omissões de Lula, que preferiu surfar na onda de crescimento mundial da última década, sem fazer as reformas importantes que hoje Dilma tenta remendar de última hora. Não reduziu o custo Brasil, não construiu novos portos, nem aeroportos, nem deixou a iniciativa privada construir, nem mesmo construiu um só estádio para a copa.  O “novo modelo” do governo petista foi pelo estímulo ao consumo, via crédito, provocando uma falsa sensação de riqueza na população, mesmo sabendo que um dia a conta iria chegar. Chegou. Agora as ruas estão lotadas de carros, o Brasil importa ainda mais combustíveis, nossos programas de biocombustíveis foram enterrados e agora importamos álcool dos EUA. De quebra, as famílias estão endividadas  como nunca antes na historia deste país e a economia não mais responde a estímulos.

Portanto, a revolta que hoje explode nas ruas tem muito a ver com as horas e horas perdidas nos engarrafamentos. É neste momento que o cidadão comum vê a publicidade do “Brasil potência” no rádio e na TV, espremido em coletivos lotados, chacoalhando em estradas esburacadas, em pé durante horas e horas e percebe então o cinismo do discurso oficial, a distância entre o mundo real e da publicidade. Aliás, a publicidade que tenta pegar carona no discurso populista do Brasil lindo e maravilhoso da copa foi quem fez a convocação: “vem pra rua”. A população finalmente foi.

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20 Responses to De volta em meio à revolta

  1. marco antonio says:

    Legal seu poster como sempre seus artigos sao mto didaticos,precisos e esclarecedores,parabens.

  2. Maravilhosa sua análise, seu ponto de vista corrobora com o meu e é muito pertinente ao momento que vivemos hoje e, principalmente, nos faz refletir sobre o engodo e a decepção que foi o governo do PT.
    Fiz uma análise no face e cheguei a uma conclusão.
    Diante das decepções que temos vivenciado, desde a redemocratização do nosso pais e com estas manifestações que vivenciados atualmente, entendo que nunca mais a política no Brasil será a mesma.
    Assim espero!
    Parabens!

    • Amilton Aquino says:

      Certamente, Sávio. O povo descobriu a força que tem. A parte boa é que os políticos ficarão mais atentos. A parte ruim é que a massa é incontrolável.

  3. Sandro says:

    Li vários ótimos textos sobre os protestos, mas nenhum abarcava todos os lados da questão!

    • Amilton Aquino says:

      É mais um sintoma do radicalismo a que nossa sociedade foi empurrada nos últimos anos pelos discurso petista do “nós contra eles”. Infelizmente.

  4. Fabiano Oliveira says:

    Realmente pude ter uma VISÃO PANORÂMICA destes últimos dias. Excelente texto. Parabéns.

  5. Alan Patrick says:

    Olá Amilton,

    Fiquei contente quando li na minha caixa de email que vc tinha voltado.

    Quanto ao texto, parabéns pela sua clareza na expressão das ideias!

    Quanto a parte que vc escreveu: “Passe livre não existe nem em países comunistas. Quem dirá no Brasil?” Só ressalvo que a aqui no Brasil tem sim algumas cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, onde o passe e livre. O sistema de transporte nessas cidades e mantido pelos impostos da população.

    Vou deixar algumas perguntas que gostaria de saber sua visão:

    1) A PEC 37, o que vc pensa desse projeto?
    2) Vc nota que o apartidarismo demonstrado por alguns manifestantes, seria sintoma de uma crise de representatividade na política brasileira?
    3) A melhoria dos serviços públicos se faz com mais Estado ou menos Estado?

    • Amilton Aquino says:

      Olá Patrick! Também fico feliz em recebê-lo novamente em nosso blog. Suas participações são sempre bem vindas, mesmo quando discordamos. Sobre as cidades que vc mencionou que disponibilizam transporte gratuito são exceções das exceções. São cidades com rendas per capta muito elevadas e com pouca população. Pensar algo parecido para um país como o Brasil é realmente uma utopia. 1) Sobre a PEC 37, sou contra. Precisamos de mais investigação. Um projeto que retira o poder de investigar do Ministério Público só interessa a quem não quer ser investigado. 2) Sim, acho que vivemos uma crise de representatividade. A polarização entre PT e PSDB, alimentada por Lula, fez muito mal a nossa política. Perceba que o PSDB veio da parte boa do PMDB que entrou em decadência na era Sarney. O DEM veio da parte boa do PDS que se recusou a apoiar Maluf nas eleições de 1985. Estes partidos foram pintados por Lula como o que há de pior na nossa política. Acontece que o pior, de fato, ou seja, tudo que sobrou da velha política patrimonialista, corporativa ou mesmo sem nenhuma bandeira, como a maioria desses partidos nanicos, foram cooptados pelo PT. Daí a revolta da população. 3) Com menos estado. A regra geral é quanto mais estado, mais corrupção e menos eficiência. Claro que sempre surgem alguns países que parecem contradizer um pouco esta regra, como os escandinavos, por exemplo. Porém, no geral, os países com estados mais enxutos são os mais bem sucedidos.

  6. Parabéns pelos seus comentários!
    O que o PT não entende é que os 88.152.999 eleitores que não votaram em Dilma no primeiro turno tem o direito de se manifestar.
    As vezes eu vejo como se a esquerda que sempre esteve na rua e sempre pedia a participação popular, agora ficou receosa com essa participação.

  7. Débora Ferraz says:

    Feliz demais pela volta de seus posts! Você consegue expressar e por em palavras nossas ideias… Parabéns Amiltinho! Não pare, viu? No aguardo (e ansiosa) pelos próximos!!!

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado Débora! Obrigado Fabiano e todos os internautas que ajudaram a bater nosso recorde de audiência neste domingo. Abraço!

  8. André Santos says:

    Do ponto de vista histórico, a investigação sociológica tem averiguado certas motivações “externas” que, se não operam propriamente como causas, têm todavia um efeito imediato no desencadear das revoluções: as guerras perdidas (os casos da Alemanha, Itália e Rússia, após a Primeira Grande Guerra Mundial), a impopularidade de medidas econômicas (a política financeira desastrada que precedeu a Revolução Francesa), as reformas sociais malogradas (o decreto que instituiu a SUPRA – Superintendência da Reforma Agrária – e que se propunha a fulminar o latifúndio no Brasil às vésperas de 31 de março de 1964), a política tributária injusta (a opressão fiscal que precipitou na Inglaterra as revoluções parlamentares do século XVII) e assim por diante.

    Agora vocês devem entender que nada é por conta do acaso, o Brasil não tem uma liderança política a ponto de entender isto, assisto a tudo de longe e sinto que estamos a deriva e que infelizmente oportunistas de plantão irão se infiltrar para tirar proveito da situação da atual conjuntura política brasileira…Que Deus nos ajude.

    • Amilton Aquino says:

      Olá André! Acho que, apesar de toda a revolta, estamos distantes de uma revolução de fato. Ainda bem, pois sou cético a estas mudanças bruscas. Com raras exceções, as revoluções sempre terminaram pior do que começaram. Por isso fico com um pé atrás quando vejo cenas de vandalismo dos últimos dias. No mais, acho que já podemos contabilizar algumas vitórias, como a derrota da maldita PEC 37 hoje à noite. Abraço!

  9. André Luiz says:

    Estou cético que esses protestos vão se reverter em votos contra o governo federal.
    A melhor forma de protestar seria nas urnas, o que já deveria ter sido feito em 2010, apeando o PT do governo.
    Entretanto há uma crise de representatividade, como afirmado acima, e as pessoas não sabem para que lado caminhar. Dessa forma votam no PT que já está aí.
    Além disso há de se falar no Bolsa Família, que atende mais de dez milhões de famílias, e representa, eu acredito, um diferencial de votos. São pessoas que dependem do assistencialismo e associam o benefício ao governo federal.

  10. Berlin Carvalho says:

    Meu amigo,

    Os últimos movimentos nas ruas do Brasil tem demonstrado uma falta de objetividade nas reivindicações. De início quem estava ditando as regras era o FACEBOOK, que meio que tocava o berrante e a boiada ia atrás. Mas, com o decorrer e a frequência dos protestos foram aparecendo alguns líderes insatisfeitos com os pedidos que foram atendidos, então eles Resolveram pedir mais. E estão indo as ruas pedindo de tudo, de coisas juridicamente impossíveis, como Dilma vetar uma PEC, a exibição do último episódio da Caverna do Dragão. As reivindicações tem que acontecer, é claro, mas que sejam pedidos possíveis de serem atendidos. Pude constatar que nem todos sabem o que querem, e se encaixam na boiada, ao conversar com um jovem que estava pronto para ir as ruas protestar. Ele a caráter, com camisa e máscara de “V FOR VEDETTA”, que ele nem se quer sabia o que significava. Porém, existem pessoas que sabem o que querem e é a manipulação das massas como pode ser constatado com a escolha do ícone dos protestos, V de VINGANÇA. “V” é um personagem criado por Allan Moore, que busca se vingar do Estado utilizando diversos meios entre eles o Anarquismo. A história foi criada quando a Inglaterra vivia os momentos do Capitalismo Neoliberal, sob o comando da então primeira ministra Margareth Tatcher, e a decepção com o regime Socialista da URSS, devido as barbáries do Stalinismo. Tudo isso me leva a crer que existem alguns integrantes desses movimentos que pensam e muito, já que a atual conjuntura nos leva a uma Anarquia e deve ter muita gente feliz com tudo isso. Mas, quem? Deixo pra você pensar…
    Vejo que estás colocando a culpa de todos os desastres do país em um único partido, o PT. Respeito a sua opinião, mas não concordo com tudo. Atribuir todas as mazelas só ao PT é esquecer que os governantes que antecederam as administrações petistas não eram pessoas santas. Usarei outro filme como exemplo para descrever o que acontece no Brasil. Quem já assistiu Tropa de Elite, que apesar de ser ficção, lembra que existe um sistema montado e é justamente esse “sistema” que tem que ser combatido. No sistema, os atores mudam, mas o enredo é o mesmo. Para que isso seja provado basta olhar os escândalos das administrações desde de a Redemocratização até agora. Todos, sem exceção, foram envolvidos em escândalos monstruosos. Basta olhar a história.

    • Amilton Aquino says:

      Grande amigo! Para quem não sabe, amigo de infância. Ehehehhe! Olha só que coisa maravilhosa a web. Agora estamos aqui debatendo política. Um grande prazer tê-lo aqui. Concordo com todas as suas observações sobre a bagunça que tornaram-se os protestos, inclusive com muitos oportunistas aproveitando o momento para barganhar melhorias corporativistas, como, por exemplo, o famigerado Paulinho da Força, que já está preparando uma greve geral. Não acredito na tal “democracia direta” que muitos do movimento professam. Acho que tal pressão popular pode trazer muitas conquistas, mas pode também estimular ainda mais o populismo, afinal é muito fácil aprovar leis. O difícil é conseguir fechar a conta no final.

      Sobre a culpa no PT, a crítica é mais dirigida ao partido por duas razões: 1) é o partido que está no poder. Portanto tem mais responsabilidades; 2) Ao repetir no poder o que criticava quando oposição o PT foi sim o maior responsável pela desilusão política que observamos hoje, pois passou a imagem de que político é tudo farinha do mesmo saco; 3) O PT estimulou um acirramento desnecessário com o PSDB, promovendo a política do “nós contra eles”, dividindo a sociedade e estimulando o ódio entre os seus apoiadores e os seus críticos; 4) O PT tentou de todas as formas proteger seus corruptos e os de outros partidos, como, por exemplo, Sarney; 5) Lula não só ameaçou o Ministério Público de castração de poderes, como tentou criar controles externos ao judiciário e a imprensa; 6) O PT institucionalizou a política do “toma lá dá cá”. Cooptou quase todos os partidos, apenas para isolar a oposição, pois, apesar da imensa base de apoio, nunca promoveu as reformas necessárias para reduzir o famigerado “custo Brasil” que tornaria nossa economia mais competitiva. Poderia citar mais razões, mas vou parar por aqui. Abraço!

  11. Leo Paz says:

    Grande Amilton. Parabéns pela postagem.
    Compartilho de sua opinião, afinal, como xepeiro, cara pintada, e conteporâneo seu na CEU – UFPE, não esperava outro raciocínio vindo de sua parte. Aliás, acredito que da maior parte de todos os que viveram esta fase de transição da ditadura para a democracia, os quarentões de hoje, seja mais ou menos este, o sentimento. Abraço grande

    • Amilton Aquino says:

      Grande Leo! Bons tempos aqueles, apesar da falta de grana! Bom vê-lo por aqui também. Abraço!