Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Por que o capitalismo está em crise?

crise_europeiaAntes de responder a esta pergunta, precisamos antes falar de dois princípios básicos essenciais a qualquer empreendimento:

O primeiro é a eficiência. O empreendedor procura tornar seu produto mais atrativo, tanto pela melhoria da qualidade ou pela oferta de um menor preço, deixando ao consumidor a analise final do custo-benefício do seu produto.

O segundo é o equilíbrio nas finanças. Não se deve gastar mais do que se arrecada. Com exceção de alguns momentos cruciais onde a certeza do lucro no futuro compense o risco da obtenção de um financiamento, o objetivo de todo empreendedor é acumular riquezas.

É assim desde sempre. Até mesmo antes do surgimento do capitalismo. Eficiência e equilíbrio nas finanças, portanto, valem tanto para o açougueiro da esquina, quanto para as grandes corporações e governos.

Quando analisamos estes dois princípios de forma macro nos três últimos séculos de capitalismo, a primeira conclusão é de que o princípio da eficiência  foi obtido com louvor, afinal a riqueza gerada desde então foi incomparavelmente maior que tudo que havia sido produzido desde os primórdios da humanidade, tornando possível a aquisição de produtos de alto valor agregado inclusive para as classes menos favorecidas.

O problema, portanto, está no segundo princípio: o equilíbrio nas finanças. Endividados sempre existiram, mas foi com o aparecimento dos primeiros ourives (ou seja, muito antes do capitalismo) que começou a se formar um dos “cânceres” da economia atual. Tais ourives foram os primeiros “banqueiros” da história. Se no início eles apenas avaliavam e guardavam o ouro dos seus clientes, aos poucos começaram a emprestar a terceiros, confiando que os verdadeiros donos dos metais preciosos nunca viriam resgatar seus bens todos de uma só vez.

Ao longo da história da humanidade, tal mecanismo foi sendo “aperfeiçoado”. Os ourives, agora com o novo status de banqueiros, passaram a ter cada vez mais influência nos poderes constituídos. E assim foi legalizada a atividade de alavancagem dos bancos, inicialmente definidos na razão de 9/1. Ou seja, os bancos podiam emprestar nove vezes mais que seus depósitos nos bancos centrais. Detalhe: a alavancagem hoje chega a incríveis 29/1!

Está aí, portanto, uma das razões das instabilidades verificadas no capitalismo desde a crise de 1929. O capitalismo, sob a omissão dos governos, foi transformado em um grande cassino, onde alguns privilegiados banqueiros além de emprestarem dinheiro dos outros e dinheiro que não existe, mais recentemente passaram a transformar dívidas (hipotecas) em novos “produtos” de consumo para investidores.

O quadro foi ainda mais agravado quando os EUA começaram a fabricar dólares sem lastro, a partir da década de 60. Por terem o controle da moeda global, o império exportou sua inflação para o mundo e passou a consumir mais do que produzir, acumulando déficits sucessivos ao longo das últimas décadas.

Paralelamente, as grandes empresas, em busca de mais crédito, começaram a abrir seus capitais para investidores. E assim um outro princípio clássico do capitalismo (aquele que aconselha “coloque todos os seus ovos numa cesta, e cuide bem de sua cesta”) foi sendo substituído por “diversifique seus investimentos e não coloque tudo numa única cesta”.

Em outras palavras, milhões de pessoas em todo mundo passaram a delegar a terceiros a responsabilidade de administrarem suas economias em fundos de todos os tipos, muitos criados a partir de dívidas. Com isso, o capitalismo repete, de certa forma, a fracassada experiência comunista, onde os cidadãos abrem mão de sua individualidade repassando ao governo e/ou banqueiros a responsabilidade de administrá-la.

Mas quem melhor que você para zelar por seus bens? Será que um banqueiro tem a mesma preocupação que você ao fazer apostas arriscadas com o seu dinheiro? Será que os governos são tão eficientes na otimização dos recursos que eles não suaram para conquistar?

Em âmbito individual, este novo axioma do capitalismo moderno (a diversificação dos investimentos) traz mais segurança para o investidor, não resta dúvida. O problema é que, em escala global ele contribui para tornar o ambiente econômico mais instável. Daí o comportamento de manada verificado nas bolsas de valores a cada notícia divulgada, principalmente quando tais notícias se referem a algum grande banco.

E aí finalmente chegamos à crise de 2008. Como começou? Com a quebra de um banco norte-americano. A interligação de ativos entre as empresas provocaram uma reação em cadeia que logo chegou a Europa. Passados quatro anos, os EUA esboçam uma reação, enquanto a Europa continua afundada em crise, sem perspectiva de melhora. E por que a Europa sentiu mais a crise?

A resposta nos remete a principal causa da crise do capitalismo atual: o endividamento estatal. Desde meados da década de 70 ficou claro que a Europa teria dificuldades no futuro. Além do acirramento da competição global com a ascensão dos asiáticos que não estão nem aí para o “estado de bem estar social”, os europeus começaram a apresentar déficits nas contas públicas, decorrentes de anos e anos de acúmulos de benefícios sociais que levaram a Europa a se tornar um modelo de capitalismo para os países do antigo terceiro mundo. Além disso, a queda da natalidade e o aumento da expectativa de vida dos europeus provocaram uma explosão de déficits previdenciários. E o que acontece quando os governos têm déficits? Aumento da carga tributária e aumento da dívida pública, já que poucos governantes tem a coragem de aplicar o remédio amargo do liberalismo clássico: o corte de despesas. Aliás, a primeira providência que qualquer cidadão responsável tomaria ao perceber que suas contas entraram no vermelho.

Apesar de algumas tentativas de reduzir os déficits crescentes nas décadas de 80 e 90, os europeus continuaram a emitir títulos de suas dívidas públicas para honrar seus déficits. Portanto, quando a crise financeira iniciada nos EUA atravessou o Atlântico, já pegou os europeus bastante endividados, quadro este que só veio a piorar com os esforços dos governos para estancar o contágio do sistema financeiro.

Mas como arranjar dinheiro quando já estamos endividados?  Contraindo mais dívidas a juros mais altos. E assim a Europa entrou num círculo vicioso semelhante ao que os latino-americanos enfrentaram três décadas atrás.

E o que fazer quando estamos endividados? 1) renegociar as dívidas; 2) trabalhar mais; 3) diminuir os gastos; 4) vender algum patrimônio. Estas providências servem para o cidadão comum e para empresas, mas, por razões ideológicas, são contestadas em relação aos Estados. E por que isso acontece?

Desde a crise de 1929, o inglês John Maynard Keynes subverteu a lógica natural do capitalismo ao recomendar o aumento do gasto público para gerar empregos nos momentos de crise.

O raciocínio estaria correto se, após as crises, os governos quitassem os empréstimos contraídos para estimular as economias.  Mas, como os governos quase sempre estão mais interessados na permanência no poder que com as futuras gerações, tais dívidas vão se acumulando até chegarem ao ponto em que não dá mais para rolar as dívidas, como é o caso da Grécia, hoje.

Aliás, não só a Grécia. Portugal, Itália e Espanha e França trilham na mesma direção. E o que há em comum entre estas nações? Foram elas quem mais relutaram em fazer reformas “neoliberais” para conter a expansão dos gastos desde os anos 80, quando o modelo de “bem estar social” deu seus primeiros sinais de esgotamento. Será coincidência?

Claro que não. A Grécia, assim como Portugal e Espanha, tiveram anos de rápido progresso quando ingressaram na União Européia. Tiveram tempo suficiente para reformarem seus estados obesos e ineficientes. Mas não aproveitaram os ventos favoráveis (como o Brasil não aproveita agora, vale salientar). Enquanto as nações mais sólidas como a Alemanha, por exemplo, aumentavam a idade mínima de aposentadoria, procuravam otimizar os gastos governamentais e aumentar sua competitividade, os gregos continuavam indiferentes vendo o seu enorme contingente de funcionários públicos (20% da população) se aposentar com todos os privilégios negados a maioria da população.

Apesar de todas estas evidências, os gregos (principalmente os funcionários públicos) ainda relutam em tomar o remédio amargo dos ajustes fiscais necessários para equilibrar as finanças do Estado. Preferem fazer greves e atribuir a culpa aos alemães e ao FMI, que estariam exigindo o sacrifício dos “trabalhadores gregos” com reformas “neoliberais” (qualquer semelhança não é mera coincidência). Entra governo de direita, de esquerda e a novela continua a mesma: a conta não fecha. A situação é tão dramática que mesmo que a dívida grega fosse integralmente perdoada hoje, no dia seguinte eles já estaria contraindo uma nova dívida, pois seus gastos superam as receitas. Uma simples questão de matemática que só pode ser resolvida com redução de gastos, não com discursos.

A lição vai ser dura, mas os gregos, portugueses, italianos, espanhóis (e por extensão os europeus e todas as demais nações que trilham na mesma direção) terão que aprender com sofrimento uma lição básica do capitalismo clássico: o valor do equilíbrio nas finanças públicas.

Diante do que foi exposto acima, podemos resumir então as razões da crise do capitalismo atual em sete itens:

  1. O endividamento dos Estados decorrente de décadas de superposições de políticas keynesianas;
  2. A perda de competitividade dos norte-americanos e europeus em relação aos novos emergentes que contam com vantagens competitivas inerentes ao processo de desenvolvimento, principalmente a mão-de-obra barata e mercados consumidores em expansão;
  3. O sistema de reservas fracionárias dos bancos centrais que permitiu aos bancos emprestarem 30 vezes os valores de seus patrimônios;
  4. O estímulo dos bancos e governos ao crédito fácil, uma armadilha para o endividamento que estimula a economia no presente e cobra a fatura às gerações futuras, como ocorre hoje na Europa e nos EUA;
  5. A omissão dos governos ao permitirem que o sistema financeiro transformasse dívidas em “produtos”;
  6. A migração de parte da população do setor produtivo para a especulação financeira. Muita gente hoje não quer mais trabalhar. Querem viver apenas de “investimentos” ou das benesses do Estado;
  7. A fabricação de dólares sem lastro pelos EUA, o que na prática significa a exportação de inflação para o mundo e o aumento das importações norte-americanas, responsáveis pelos déficits sucessivos nas últimas quatro décadas.

Observe que das sete causas principais, todos são decorrentes de erros de governantes e/ou da ambição humana. Ou seja, não são falhas deste “ente” capitalista que os esquerdistas acostumaram-se a acusar pelas desgraças da humanidade. Aliás, os principais erros (endividamento, perda de competitividade, corrupção) são muito semelhantes aos cometidos pelos líderes socialistas que transformaram o sonho de Marx em pesadelo.

Portanto, não pode existir sistema perfeito se a humanidade não é perfeita. A reforma do capitalismo passa antes pela reforma dos Estados, a curto prazo,  e do ser humano, a longo prazo. Os cidadãos das nações em crise devem conscientizar-se de que não dá mais para empurrar as dívidas para as próximas gerações, como seus antecessores fizeram até aqui. Demorou, mas chegou a hora de pagar a conta e aprender, de uma vez por todas, que os Estados não são fontes de riquezas inesgotáveis como os esquerdistas acreditam.

É hora de sepultar de uma vez por todas a guerra ideológica que tanto mal trouxe a humanidade no último século e que, de certa forma, contribuiu para a atual crise do capitalismo. Vai demorar, mas talvez algum dia a humanidade perceba que a ideologia que vale a pena é a ideologia da ética e da moralidade, requisitos essenciais para a boa administração para qualquer instância de poder em qualquer sistema político-econômico, requisitos estes que, infelizmente, têm faltado aos nossos governantes.

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56 Responses to Por que o capitalismo está em crise?

  1. Maria says:

    Imprimir dinheiro em excesso não desvaloriza a moeda, o que estimula as exportações e desestimula as importações? E o dólar não esteve sempre muito valorizado? É possível as duas coisas?

    • Amilton Aquino says:

      O caso dos EUA é único. Eles são os donos da bola. Ao fabricar moeda eles exportam a inflação que geraria na economia local para o mundo, pois o dólar é a moeda global. Foi esta a causa da “estagflação” dos anos 70, algo totalmente contraditório: recessão com inflação.

      Com mais moeda e sem sofrer com os problemas normais que qualquer outra economia sofreria (como vc questionou), os EUA passaram a consumir cada vez mais, tornando-se o grande shopping center do mundo. Daí o início dos déficits sucessivos, agravados com a corrida militar, claro.

    • Decio Erthal says:

      Maria, leia o livro “Crash”, do Alexandre Versignasi. Vc entenderá tudo isto, de maneira clara e até divertida.

  2. Carol says:

    Ótimo post.

    Tudo está de maneira muito clara.

    Merece compartilhamento…

  3. bruno says:

    Brilhante artigo, nada a acrescentar…..

  4. aliançaliberal says:

    Belo texto .
    Uma sugestão: o que é inflação?
    Explicar o mecanismo que gera a inflação e como este processo gera desigualdade social(neutralidade da moeda)e os mitos que cercam a inflação.

    • Amilton Aquino says:

      Boa sugestão, Liberal. Lembro que vc publicou um texto muito bom sobre o assunto. Acho que será muito útil para aqueles que acreditam que o Estado é uma fonte de recursos inesgotáveis.
      Abraço!

  5. Excelente texto. Uma explicação clara e elucidativa de um tema muito complicado. Obrigado!

  6. Se não estou enganado, nem todos os países têm o lastro da moeda em dólar. Alguns, como Inglaterra por exemplo, o lastro é em ouro. Por isso a crise ainda não afetou os ingleses.

    No mais, excelente texto. Parabéns!

    • Amilton Aquino says:

      Guilherme,

      O dólar tornou-se a moeda padrão depois da II Guerra Mundial, quando a Inglaterra passou oficialmente o “bastão imperial” para os EUA, ocasião em que o padrão Libra/ouro foi substituído pelo dólar/ouro. O acordo vigorou até o início da década de 70 quando os EUA assumiram que não podiam manter mais a paridade da moeda com o ouro.

      O fato da Inglaterra sentir menos a crise que outros europeus tem duas causas principais. Primeiro por não ter aderido ao Euro. Segundo, por ter reduzido o Estado nos anos 80. Mesmo assim a Inglaterra também está em crise.

      Abraço!

  7. O Anonimador says:

    Tenho aqui uma pequena dúvida:

    Depois de ter lido seu texto, ao que entendi o tamanho do estado não justifica o tamanho dos problemas. Mas, como você pode explicar o fato que alguns estados de bem-estar social (Austrália, Noruega, Nova Zelândia, entre outros) não terem entrado na crise de 2008. Ou será que estou enganado e eles entraram em momentos de crise (se for acho que foi temporário).

    • Amilton Aquino says:

      Anonimador,
      Com exceção de alguns africanos, a crise atingiu a todos. Não se fala muito dos países nórdicos, mas estes também sofreram e ainda estão sofrendo. A Finlândia, por exemplo, no auge da crise teve uma redução do PIB de 8,2%, maior inclusive que a Irlanda e a Islândia, economias mais diretamente ligadas ao sistema financeiro e que dominaram as manchetes nos primeiros momentos. Outros ícones do bem estar social, como a Suécia e a Dinamarca, recuaram quase 5% e por aí vai. Os países que vc citou (Austrália, Noruega, Nova Zelândia) de fato sofreram pouco, mas desses três, com exceção da Noruega que tem um estado de bem estar social bem abrangente financiado pela indústria do petróleo, Austrália e Nova Zelândia estão mais alinhados a Holanda, um dos europeus mais resistentes até aqui, cujos benefícios sociais e são menos expressivos que seus compatriotas nórdicos. A Austrália nem chegou a entrar em recessão no momento mais crítico, mas a explicação tem a ver a exportação de commodities para a China. Ou seja, as mesmas razões que seguraram o Brasil até aqui. A Nova Zelândia foi um dos países que aderiram com mais entusiasmo a reformas neoliberais dos anos 90.

      Os nórdicos são sempre citados como modelo de bem estar social e realmente são os países que mais se aproximaram de um capitalismo ideal. Mas tais estados só são possíveis porque tais países têm os menores índices de corrupção, além de serem ultra-eficientes na competição global. Com isto, eles conseguem compensar um pouco as ineficiências inerentes a administração pública. Mesmo assim já tem político na Suécia propondo aumentar a idade mínima para aposentadoria para, pasmem, 75 anos! Certamente estão traumatizados com o ponto em que chegou a Grécia.

  8. Eder says:

    Amilton Aquino,

    se o Estado de um determinado país reduz seus gastos na economia produtiva, inevitavelmente o crescimento econômico de tal país será reduzido, não é mesmo? Portanto,como os Estados endividados da Europa(Grécia, principalmente) podem reduzir seu endividamento se a economia desses paises não esta crescendo e os ajustes fiscais praticados até o momento só esta agravando a recessão econômica e o desemprego?

    • Amilton Aquino says:

      Eder,
      Para o ponto que a Grécia chegou não tem saída fácil. Já tentaram estimular a economia grega com diversos empréstimos, mas a crise só se aprofundou. Isto acontece porque o problema é estrutural.Não é mais uma questão de escolha. A Grécia não tem mais como adquirir mais recursos para estimular sua economia. Ninguém quer emprestar a um país quebrado. Vai ser uma verdadeira tragédia, mas eles vão terminar sendo deixados para trás pelos europeus. Vão voltar para o dracma, terão suas dívidas já astronômicas multiplicadas (o que não vai fazer muita diferença, já que o calote já é certo), mas terão um pouco mais de “flexibilidade” para ganhar algum fôlego, como, por exemplo, a desvalorização do câmbio, que aumentaria as exportações. Certamente vão entrar numa hiperinflação, pois de posse da fábrica de moeda novamente, vão tentar “honrar” seus compromissos mais imediatos com o imposto inflacionário. Esta será também a oportunidade de iniciarem um debate sobre os custos do estado grego. Salários terão que ser cortados. Os políticos terão que dar exemplos de austeridade cortando os próprios privilégios…

      Enfim, os gregos pagam agora o preço da omissão ao não exigirem de seus governantes as reformas necessárias no momento em que o país estava usufruindo do bônus do crescimento rápido quando entraram no Euro. Preferiram pousar de primeiro mundo, com mais gastos, olimpíadas, etc. Então, por que reclamam agora?
      Além do mais, quanto maior o aperto fiscal for feito agora, maior será a recessão, mas também mais rápida será a recuperação. Ficar remediando com mais empréstimo só vai prolongar o sofrimento por mais tempo. O keynesianismo tem limites e a Grécia já ultrapassou todos.
      Abraço!

    • Ou seja, o Brasil segue agora o mesmo erro cometido pela Grécia em meados de 2004 quando sediou as Olímpiadas, não é?

      • Amilton Aquino says:

        Existem muitos pontos em comum, sim, embora estejamos bem distantes ainda do caos onde a Grécia mergulhou. A parte ruim de uma fase de crescimento rápido é que a população fica extasiada com o próprio sucesso e esquece de cuidar da sustentabilidade de tal crescimento. Ficaria muito feliz se nossos políticos tirassem alguma lição dessa tragédia grega…

    • Eder says:

      Amilton Aquino, mas os empréstimos que a Grécia e outros países Europeus receberam não foi investido na economia produtiva, no intuito de estimular o crescimento econômico e gerar empregos,mas sim foi destinado ao pagamento dos serviços da dívida para credores e especuladores.
      Na sua resposta a minha pergunta, vc disse: “Além do mais, quanto maior o aperto fiscal for feito agora, maior será a recessão, mas também mais rápida será a recuperação.”
      Como assim mais rápida a recuperação, se a austeridade praticada aumenta o desemprego(o que reduz a arrecadação do governo), reduz o crescimento econômico e arrocha salários, isto é, adota medidas que aprofunda a crise econômica por mais tempo? A Grécia, por exemplo, se seguir religiosamente o pacote de austeridade,segundo a fé de alguns, terá sua relação dívida/PIB reduzida de 160% para 120% até 2020, o que convenhamos não é nenhuma recuperação, além do que, como o país vai reduzir a relação dívida/PIB se a economia do país continuar a encolher?
      A melhor alternativa que vejo que esta sendo feita para enfrentar a crise até o momento, são os movimentos que estão exigindo uma auditoria da dívida, porque esta evidente que esse endividamento do Estado não foi para beneficiar a população, mas sim para beneficiar o acumulo de capital no sistema financeiro. Por que não cortar o pagamento da dívida ao invés dos salários dos trabalhadores, se caso se comprove que os políticos marionetes do sistema financeiro, endividaram o Estado para beneficiar o sistema financeiro em detrimento da população?

      • Amilton Aquino says:

        Eder,

        Até aqui a maior preocupação dos europeus foi evitar a contágio da crise e assim preservar o Euro. No começo das crises, a primeira preocupação é sempre evitar o pessimismo do mercado. Portanto, nada mais natural que até aqui o dinheiro dos empréstimos tenham sido canalizados para o pagamento de juros.
        O problema é que a situação da Grécia era muito pior do que os números revelavam, afinal foram anos e anos de dados falsificados. Hoje ninguém mais tem dúvidas que a Grécia vai terminar num monumental calote. Portanto, quanto mais emprestam dinheiro para a Grécia, mais pioram a situação, pois apenas protelam algo inevitável.

        A Grécia vai precisar de um default para iniciar uma recuperação. É num momento crítico como este, que se criam as condições extraordinárias para se tomar também atitudes extraordinárias, como a redução drástica do estado, por exemplo, a diminuição do número de políticos, de salários de funcionários públicos, etc. Atitudes que, apesar de aprofundarem a crise nos momentos iniciais, ajudam a pavimentar o futuro.

        Sobre minha afirmação que lhe pareceu estranha (“quanto maior o aperto fiscal for feito agora, maior será a recessão, mas também mais rápida será a recuperação”), vou citar um exemplo bem recente que ilustra esta aparente contradição. Logo após a recessão de 2009, quando nossa economia encolheu 0,3%, no ano seguinte nosso crescimento foi o recorde do governo Lula: 7,5%, sendo que em alguns meses de 2010, o ritmo de crescimento beirou os 9%. Como explicar tão rápida recuperação (além da mãozinha do governo para fazer um PIB gordo no ano das eleições, claro)?

        1) Quanto maior a queda, menor o patamar de comparação. Ou seja, qualquer crescimento no ano seguinte pode parecer muito maior do que realmente é, criando um efeito psicológico positivo.

        2) Durante a crise, as pessoas tentam diminuir os gastos, o que aprofunda ainda mais a crise no momento mais agudo. Mas é justamente esta demanda reprimida que acelera a recuperação após os períodos mais críticos.

        Sobre contestar os juros da dívida, vale ressaltar que grande parte dos credores são cidadãos comuns que compram títulos da dívida pública como uma alternativa a poupança, com juros definidos pelo próprio governo. Se os juros são altos é porque o governo está sempre precisando de mais recursos. Como a arrecadação nunca é suficiente, então o governo vende títulos da dívida a juros atrativos para compensar os déficits do estado obeso. Ou seja, fecha-se um circulo vicioso que culmina com a crise que assistimos hoje.

        Os gregos devem avaliar seus custos, chamar técnicos em gestão para ajustar o número de funcionários aos padrões internacionais, definir uma regra geral de cortes de salários de forma gradativa onde quem ganha mais paga mais, etc. Enfim, os gregos precisam recuperar o tempo perdido nos últimos anos, quando protelaram as reformas que agora cobram a fatura da irresponsabilidade dos políticos e da omissão da população grega.

  9. Belo texto! Compartilhado!
    Mas ainda persiste uma dúvida. Você disse que não pode existir sistema perfeito se a humanidade não é perfeita, o que eu concordo. Mas não acha que o capitalismo suscita nas pessoas essas mazelas como principalmente a ganância, e em consequência a falta de ética, corrupção, etc? Porque ao meu ver, se busca criar a necessidade do consumo, principalmente através da publicidade, para essa roda não parar de girar. Ele estimula as pessoas a se preocuparem consigo mesmas, porque é uma competição tanto entre pessoas, empresas ou países. Mas gostaria de deixar claro que não sou a favor do socialismo também, mas penso que talvez precise acontecer algo muito grande para despertar nesse líderes de nações, ou na própria população, essa visão que você expôs no texto.
    Novamente Parabés, e desculpe pelas merdas que vim a dizer,rs.
    abraço

    • Amilton Aquino says:

      Adriano,
      De fato, o consumismo desenfreado é um sintoma da encruzilhada em que estamos chegando. O maior desafio do capitalismo, na minha opinião, é tornar-se auto-sustentável. Com uma produtividade cada ano maior e uma população que cresce menos e envelhece mais rápido, ocorre um descompasso que vai exigir um pé no freio no ritmo do crescimento, além do agravamento dos déficits previdenciários. Vamos precisar reformar os estados, otimizar os recursos, movimentar mais a indústria do lazer para compensar a redução da produção de bens de consumo. Daí a emergência de cultivarmos valores que reformem a humanidade, pré-requisito para este novo mundo.

  10. O Anonimador says:

    Uma outra pergunta:

    Como a Argentina, entrou em crise econômica em 2001-2002? Será que você pode me ajudar a entender, por favor?

    • Amilton Aquino says:

      Anonimador,
      A Argentina é um exemplo para nós brasileiros de tudo que não se deve fazer. A Argentina que até os anos 50 era considerada um país europeu na América Latina, que já foi uma das maiores economias do mundo, até mesmo maior que o Brasil, hoje tem um PIB equivalente ao do estado de São Paulo. Por que isso aconteceu? Bom, esta é uma longa história que começa com a ascensão do peronismo ao poder. Assim como Lula, o populismo de Perón acabou com os partidos de oposição. Sem ninguém para fiscalizar a turma o poder, a Argentina iniciou o longo processo de decadência que teve seu auge em 2002. Com os bons ventos da economia mundial para os emergentes a partir de 2003, tomou um pouco de fôlego. Mas logo vai mergulhar noutra crise, pois não aprendeu com a própria história.

      Te indico um post que escrevi que faz um paralelo entre os caminhos do Brasil e da Argentina nos difíceis anos 90: http://visaopanoramica.net/2011/05/07/esquerda-x-direita-parte-9/

  11. Rafael says:

    Grande Amilton,

    Eu não sei se aqui é o lugar, mas gostaria de lhe sugerir uma pergunta: se o PIB crescer 7,5%, mas a inflação for de 6%, então faz sentido dizer crescimento de 7,5%?

    Pergunto pois essa dúvida já me acompanha por algum tempo: se toda a produção do país se mantivesse exatamente igual, mas o dinheiro se desvalorizasse 6%, a inflação sozinha já não seria responsável por um baita “crescimento” de 6%?

    obrigado!!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Rafael,
      O cálculo do PIB já embute a perda inflacionária. Vou citar o ano de 2009 cujo crescimento foi zero (ou melhor -0,33) para ilustrar. Em 2008, o PIB brasileiro estava na casa dos R$ 3 trilhões. Um ano depois, mesmo com o crescimento negativo, nosso PIB terminou 2009 na casa dos R$ 3,2 trilhões.
      Abraço!

  12. Miguel says:

    Caramba Amilton, que confusão dos diabos vc conseguiu fazer aqui, hein? Você identifica corretamente bons pontos na sua análise, para em seguida concluir que algumas das causas da crise são os mesmos erros dos “líderes socialistas”, das políticas Keynesianas e da “riqueza inesgotável dos esquerdistas”? Francamente! E depois vc ainda tem coragem de falar em “sepultar a guerra ideológica”? Menos, menos… Se o seu objetivo é sepultar essa guerra ideológica vc mesmo deveria dar o exemplo e baixar a guarda, pois é óbvio que o seu texto está recheado dela.

    É claro que a questão é complexa e também não tenho a pretensão de esgotá-la. Vou fazer apenas algumas sugestões para vc e colocar questões para discussão futura, para os quais também não tenho resposta.

    – Você está correto sobre a questão da alavancagem sobre o compulsório, embora valha a pena citar que há um somatório de uma PG envolvido. O dinheiro emprestado é novamente depositado em outro banco do sistema e, retirado a fração do compulsório, cria-se mais dinheiro para empréstimo. A maior parte do “dinheiro” que temos hoje a nossa disposição para movimentar a economia (mais de 90%, se não me engano) é assim: um dinheiro fictício criado pelos bancos, pelo qual será cobrado juros que obviamente não tem de onde ser pago. Essa é a primeira conta que não fecha. Acho que antes de você falar do equilíbrio nas finanças do estado poderia dedicar algumas linhas sobre esse tema que seria um dos problemas estruturais do sistema, mas que infelizmente, dentro da visão ideológica que domina o texto, vc provavelmente atribuiria a uma viagem dos esquerdistas e comunistas… Espero que vc não seja refratário a um discussão franca sobre essa questão.

    – Me parece, e por favor me corrija se vc tiver outra análise dessa questão, que os juros cobrados sobre um dinheiro que não existe (criado pela alavancagem dos bancos) não tem como ser pago, talvez independentemente até da taxa de alavancagem usada. De onde viria este recurso? A hipótese de estabilidade financeira aqui deveria ser algo mais ou menos assim: a economia real precisaria crescer a uma taxa superior a esta fração, que é retirada de circulação pelos emprestadores, e que sabemos que nunca é totalmente reinvestida na economia.

    – Outra questão relacionada que deve ser discutida: essa política de crescente endividamento funcionou muito bem para o capitalismo (que a propósito, se demonstrou ser um sistema extremamente eficiente na alocação dos recursos, produção etc – concordo com vc) enquanto novos mercados estavam sendo acrescentados. Tanto mercados consumidores quanto de futuros endividados, afinal, um novo endividado que entra no sistema cria mais dinheiro. Porém, não seria o caso de refletir sobre o que acontece quando se chega a um sistema fechado? Quando todo o planeta estiver totalmente integrado economicamente e sem novos mercados a serem conquistados?

    – Talvez vc possa me ajudar a compreender por que devemos entregar o privilégio de criação de dinheiro (de certa forma um bem comum, pois é necessário para todas as relações de trocas da sociedade) a um agente privado. Isso não deveria ser uma espécie de concessão?

    – Entendo a justificativa do agente privado como avaliador “isento” do risco de crédito, como forma de evitar a interferência política do estado (pense na hipótese de que todos os bancos fossem públicos, eu sou amigo do rei e ele me empresta a juros menores). Porém, é de se registrar também que as agências classificadoras de risco, que deveriam ser esses agentes privados isentos, idôneos, imunes às pressões externas, foram sócias dos bancos em grandes golpes nos anos recentes. Sim, pois fazer a avaliação de um ativo e ao mesmo tempo se beneficiar negociando esse ativo pra mim é uma fraude, um golpe, ou vc tem outro nome pra isso? E isso aconteceu com as dívidas da Grécia

    http://www.nakedcapitalism.com/2010/02/so-when-is-a-fraud-not-a-fraud-greece-goldman-edition.html

    Assim como aconteceu com as hipotecas transformadas em produtos como vc falou. O interessante é que ainda hoje a opinião das classificadoras continua sendo considerada seriamente. Por que elas não saíram desmoralizadas depois da roubalheira?

    – Imagino que vc tenha visto Inside Job, o documentário que ganhou o Oscar em 2010, certo?

    http://en.wikipedia.org/wiki/Inside_Job_(film)

    Lá aparece uma questão muito interessante que vc apenas tangencia: no lugar de simplesmente jogar a culpa no governo por ter permitido aos bancos aumentarem a alavancagem, não seria interessante discutir se não houve a “captura” do agente regulador pelo agente financeiro?

    “In 2004, Henry Paulson, the CEO of Goldman Sachs, helped lobby the Securities and Exchange Commission to relax limits on leverage, allowing the banks to sharply increase their borrowing.”

    http://www.sonyclassics.com/awards-information/insidejob_screenplay.pdf

    – O seu item 6 é um belo exemplo de como a guerra ideológica contamina o seu raciocínio. Vc identifica corretamente a migração do setor produtivo para o financeiro. Inclusive a fração do lucros das empresas da economia “real” (que produzem coisas) que provém dos mercados financeiros aumentou enormemente nas últimas décadas (posso procurar a referência se vc quiser). Porém em seguida vc não se segura e fala no mesmo item “das benesses do estado” como se fosse a mesma coisa… ai ai…

    – E finalmente, para voltar a questão da Grécia, sugiro que vc leia esta compilação de editoriais dos jornais alemães que têm um nível de discussão muito acima do que se vê por aqui no Brasil

    http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,814523,00.html

    O interessante é ver que mesmo os jornais “de direita”, “conservadores” etc já não acreditam mais nessa receita que vc repete. Os próprio alemães admitem que o aperto que está sendo imposto aos gregos é muito maior do que os alemães jamais tiveram que fazer. A receita da “troika” (que me parece que vc aprova?) de reduzir o estado, vender patrimônio e todo o arrocho associado, se tudo der certo, vai reduzir a dívida de 160 a 120% do PIB em 8 anos. Só que 120% já era considerado insustentável dois anos atrás. Ai então teremos um país totalmente desestruturado socialmente e o que teremos conseguido? Tudo isso que eu estou falando está no link acima. Vc vai ver que alguns jornais já sugerem que uma das saídas possíveis seria um plano Marshall para a Grécia.

    – Amilton, uma situação hipotética: digamos que o nosso governo desse um golpe no mercado, eles se juntam a uma avaliadora de riscos para dizer que aqui está tudo bem, escondendo informações, enquanto a dívida fica insustentável etc. A avaliadora corrupta ganha milhões na operação. Anos depois tudo é descoberto e agora chegou a hora de pagar a conta: o seu salário será reduzido, seja diretamente ou indiretamente pelo aumento brutal dos impostos. Você seria solidário a este arrocho? “Ah beleza, o meu governo deu um golpe em meu nome, agora vou abaixar a cabeça, aceitar essa dívida e entubar o prejuízo resignadamente.” Não creio que seja muito razoável esperar que os gregos ajam assim tão docilmente.

    Enfim, provavelmente confundi mais do que expliquei. Mas foi você que começou 🙂

    Como disse antes, não tenho a pretensão de explicar “a crise do capitalismo”. Mas se esta for a sua, mesmo que de forma resumida neste post, o que tenho a dizer é que sua análise me parece bastante incompleta e fortemente ideológica.

    abraços,

    Miguel

    • Amilton Aquino says:

      Miguel,
      Acho que vc é quem está fazendo confusão. Meu texto é muito claro, modéstia à parte. Não retiro uma vírgula do que afirmei, principalmente sobre os esquerdistas acreditarem que o estado é uma fonte inesgotável de recursos. Só para citar um exemplo atual, estava lendo agora mesmo sobre a boa proposta do governo de criação do fundo complementar de aposentadoria para os funcionários públicos (Viva! Finalmente o governo do PT reconheceu que precisa fazer algo pela previdência!) Ok. O governo está caindo na real, mas os esquerdistas panfletários não aceitam qualquer alteração que venha subtrair os “direitos” dos servidores públicos. Eles ignoram que os pouco menos de um milhão de aposentados do setor público causam um déficit maior (e crescente) que os demais 30 milhões do setor privado. Como fechar esta conta? Ah, a fonte inesgotável de recursos do Estado cobre, claro.

      Quanto aos seus comentários, concordo com boa parte. Não sei se vc percebeu, muito do que vc escreveu corrobora com o que escrevi resumidamente, afinal não dá para se aprofundar muito em um assunto tão complexo em apenas um post. Sendo assim, vou me ater apenas às discordâncias.

      Sobre a questão ideológica, está claro que hoje NÃO acredito no socialismo. Acredito na democracia, no livre mercado, em governos enxutos, que não gastem mais do que arrecadam, ou pelo menos o mesmo. Se temos alguns exemplos de países capitalistas que mais se aproximam disso e que funcionam muito bem, então me enquadre como quiser. Sigo os melhores exemplos, aqueles que funcionam e não utopias que foram tentadas de todas as formas e fracassaram, todas sem exceção. Quando falo em sepultar a guerra ideológica, é porque não acredito que ainda exista razão de existir. Aliás, nunca teve. Mas, como precisávamos tentar pelo menos por em prática o sonho de Marx, cumprimos esta etapa. E o resultado, todos conhecemos: o genocídio de milhões de pessoas! Portanto, acredito que o debate deve evoluir para um outro patamar, mais racional, menos ideológico.

      Sobre o problema da alavancagem, como mostrei no texto, este começou antes do se convencionou a chamar de capitalismo. Ele é fruto da simbiose entre banqueiros famintos e governantes corruptos. Ambos precisam ser reformados. Os estados e o sistema financeiro.

      Sobre este momento desejável em que todos os mercados estariam integrados e não haveriam mais mercados emergentes para a serem conquistados, a humanidade terá dado um grande passo. Sou otimista e acredito que a cada ano cresce em importância a discussão sobre a sustentabilidade do crescimento. Os novos ricos vão ter que se acostumar com taxas de crescimento cada ano menores, até chegarmos ao mesmo patamar do mundo rico, algo em torno de 2,5%. Com um crescimento neste nível e com a redução da taxa de natalidade, as chances de sustentabilidade aumentam bastante. Além disso, acredito que haverá uma migração natural da economia de produção de bens para a indústria do lazer, esta bem mais sustentável.

      Concordo com vc sobre as agências classificadoras de risco. Mas elas não são “agências reguladoras”. Apenas tentam dar um “ar científico” à especulação. Não faz sentido o Brasil hoje ter uma nota inferior a de Portugal, por exemplo.

      Sobre o item 6, talvez fosse melhor dividi-lo em dois: um sobre a migração de pessoas do setor produtivo para o especulativo e outro para aqueles que procuram garantir privilégios no setor público e garantir assim uma aposentadoria precoce e com um mínimo de esforço possível. O que há em comum entre os dois grupos? O desejo de trabalhar pouco e obter o maior ganho possível. Portanto, a forma como foram colocadas as questões não mudam suas essências. No máximo lhe dá um mote para criticar meu texto. Nada mais.

      Sobre a Grécia, respondi recentemente ao internauta Eder, questionamentos bem semelhantes aos seus (Ver acima). Só complementando, é preciso diferenciar a política de austeridade fiscal que eu defendo em qualquer esfera de governo (inclusive nas finanças pessoais) do plano aprovado recentemente que empresta mais dinheiro para a Grécia. Ou seja, temos mais do mesmo. Mais keynesianismo que só vai prolongar o sofrimento. De fato a Grécia vai precisar de um perdão total das suas dívidas. Mas mesmo que isso aconteça, os gregos também precisaram reduzir seu estado obeso. Está aí a raiz de toda esta espiral de dívidas em que a Grécia chegou.

      Sobre o comportamento do povo grego diante da crise, de nada adiantará protestar, fazer greves ou depredações. Só vai piorar ainda mais a situação. Além do mais os gregos não são tão inocentes assim nesta história. A culpa das agências de risco são apenas a gota d’agua. Se os gregos tivessem diminuído seu estado obeso há alguns anos atrás, certamente não teriam chegado ao nível atual de dívida e certamente não estaríamos aqui discutindo seus problemas. Eles criaram a democracia, poderiam ter usado-a para escolher melhor seus políticos. Agora pagam o preço.

      Abraço

    • Miguel says:

      Amilton, vou fazer uma sugestão pra vc, na boa. Fazia muito tempo que eu não entrava no seu site e o que vejo é que essa questão ideológica que vc diz que deveria estar superada está cada vez mais presente nos seus textos. É estranho vc não perceber isso, mas vc está radicalizando em lugar de baixar a guarda e discutir objetivamente. Vc fala em ser racional e menos ideológico e faz exatamente o contrário!

      Vou te dar um exemplo a partir da sua última resposta: vc fala de Marx e logo associa ao genocídio de milhões de pessoas. What’s the point? É como seu eu falasse dos 20 milhões de mortos no Congo Belga em nome do capitalismo. Será que você não é capaz de entender que existe uma análise econômica do capitalismo de base Marxista, discutindo limitações e contradições, sem que para isso seja necessário defender o comunismo, o socialismo ou genocídio de milhões de pessoas?

      Vejo também que você não topou discutir a questão da estabilidade financeira (viabilidade do sistema a longo prazo) dos juros cobrados sobre dinheiro alavancado e que não são reinvestidos na economia. Uma pena.

      Um crescimento anual de 2.5 a 3% (o que se convencionou aceitar como necessário para o funcionamento do capitalismo) continua a ser um crescimento exponencial. Acho que somente economistas ou loucos são capazes de acreditar sinceramente que um crescimento exponencial seja sustentável dentro de um sistema fechado e de recursos limitados. Mas ok, quanto a isso também não tenho solução e compartilho com vc a esperança de que em algum momento o consumismo desenfreado deixe de ser o motor da sociedade.

      Sobre agências classificadores, releia o que escrevi pois eu não falei em momento algum que elas seriam “reguladoras”. O que eu disse é que o agente regulador (o estado) foi capturado pelo regulado (o mercado financeiro) e retirou as limitações à alavancagem. Culpar simplesmente o estado (axioma: menos estado! menos estado!) é uma análise simplória dessa questão. Concordo com vc: “ambos precisam ser reformados”. Só que os banqueiros “famintos” não vão se reformar sozinhos, eles precisam ser regulados.

      Olha só que detalhe interessante: vc fala que os banqueiros são “famintos” e governantes são “corruptos”. Ora, ora, “faminto” é algo natural, qualquer pessoa sem comida torna-se um “faminto”… os banqueiros não tem culpa de serem famintos, não é mesmo? Por que não chamar banqueiros de “corruptores”? Afinal todo ato de corrupção exige dois agentes, um corruptor e um corrupto. Se o estado é corrupto, quem seria o corruptor? A propósito: o que vc acha da PL 6826/2010?

      Sobre o item 6, muito mais grave que a migração de _pessoas_ para o setor financeiro é a mudança de orientação das empresas que eram produtivas e que passam a ter a maior parte de suas receitas oriundas do mercado financeiro. Isso foi um fenômeno geral na economia, principalmente americana, nas últimas décadas. Associar esse movimento geral da economia àquelas pessoas que querem se aposentar mais cedo é apenas um gancho para vc usar o seu axioma de estado mínimo. Não fui eu quem inventou isso só poder criticar o seu texto. Menos, menos.

      Sobre exemplos de estados capitalistas de livre mercado, governos enxutos e tudo mais, imagino que vc esteja falando de algo assim:

      http://www.cato.org/pubs/tbb/tbb_0207-43.pdf

      Um exemplo maravilhoso e de dar inveja a todos os países… como a Islândia reduziu os impostos para se tornar mais amigável aos negócios e se tornou um grande sucesso, não é mesmo?

      Sobre a Grécia: quer dizer que o pacote negociado para demitir 15 mil funcionários e reduzir salários é keynesianismo? Meu amigo, seus argumentos já foram melhores! Foi por isso que mandei o link do site alemão: o nível da discussão lá tá anos luz a frente, recomendo a leitura. Vai de novo.

      http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,814523,00.html

      abraços,

      Miguel

      • Amilton Aquino says:

        Miguel,
        Vc de novo batendo na mesma tecla. Que coisa repetitiva, chata. Primeiro vc chega aqui e diz que eu fiz uma “confusão dos diabos”. Depois deturpa algumas afirmações minhas. E quando penso que vc vai “explicar” minha suposta confusão, vc coloca várias questões que só corroboram com o meu texto. Te respondo com a maior boa vontade, tentando ser ainda mais claro, mas não adianta. Vc volta à mesma tecla.

        Mas não me surpreendo. Como vc já apareceram muitos aqui. Já se tornou um padrão. O objetivo principal não é contribuir com o debate, e sim desqualificar o interlocutor, pois quando faltam argumentos, então resta tentar enquadrar o interlocutor como representante da “direita golpista”. Daí sua obsessão em apontar a suposta contradição que vc identifica no meu combate ao radicalismo ideológico e o fato do meu texto ter também um invitável viés ideológico.

        Vou desenhar um pouco mais para ver se superamos este assunto. Quando eu digo que precisamos sepultar a guerra ideológica, estou me referindo a velha disputa entre comunistas e capitalistas, uma vez que quase todos os comunistas tornaram-se capitalistas e os dois únicos que restam estão agonizando, com os dias contados. Claro que isso não acaba com a disputa ideológica, pois ainda que todos os remanescentes comunistas abandonassem tal ideologia, ainda assim sobraria o debate atual, entre o que sobrou da guerra entre os dois mundos: estado maior x estado menor. Ou seja, continuaríamos debatendo ideologicamente. Num outro patamar, mas ainda assim ideológico. Nada mal, desde que a razão prevaleça.

        Claro que no mundo da guerra de classes dos esquerdistas fanáticos, se não é de esquerda, só pode ser de direita. E se for de direita, é capitalista, sem escrúpulos. Se é de esquerda, é idealista e ético. Cansei de debater com a tropa de choque petista tentando mostrar que existem outras nuances entre o preto e o branco, mas sempre os debates descambam para a rotulação. Daí a estranheza que meu blog causa em tantas pessoas, pois, apesar dos rótulos, a maioria percebe o esforço que faço para ajudar a colocar os pingos nos “is” nessa irracional disputa. Deu para entender agora ou será que preciso desenhar mais?

        Sobre a sua tentativa de contrapor os 94 milhões de mortos pelo comunismo com os 20 milhões de mortos no Congo, cabe ressaltar que os milhões de mortos na África tinham mais a ver como o colonialismo do que com o capitalismo em si. O capitalismo ainda não existia quando os ibéricos dizimaram nações indígenas inteiras, não só na América, como na África e na Ásia. Ou seja, não foi o capitalismo que dizimou tais pessoas, e sim o colonialismo. Por outro lado, posso te afirmar com toda certeza que se o marxismo nunca tivesse existido, 94 milhões de crimes POLÍTICOS cometidos pelos comunistas não teria acontecido, como também tantos outros assassinatos de militares golpistas de direita que tomaram o poder para frear a ameaça comunista.

        E aí vc vem com seu trunfo! O fato de eu não comentar um trecho do seu texto (com o qual eu concordo, vale salientar) então para vc significa que eu “não topei debater”!!!! Ora, debater o que? Falei no meu comentário que concordava com suas colocações e que elas corroboram com o que afirmei no texto. Tenho convicção que teremos uma crise ainda mais grave no futuro consequencia do artificialismo criado pelo sistema financeiro. Não é a este ponto que vc quer chegar? Pois bem, concordo com vc.

        Sobre a sustentabilidade do crescimento mundial, citei 2,5% (não 3%). Se vc subtrair a taxa de da natalidade entre 1,5 e 2%, até que não é tão exponencial assim. Além do mais vc já deve conhecer minha opinião de que o capitalismo precisa reduzir seu ritmo e substituir parte da produção de bens de consumo pela indústria do lazer. Certamente a taxa de natalidade vai continuar caindo, e a expectativa de vida aumentando para os novos ricos. O crescimento vai minguando na mesma proporção, como já temos observado nos países ricos. Ou seja, os 2,5% que citei poderão recuar ainda mais, chegando ainda mais perto de um equilíbrio ideal.

        Sobre a confusão entre o agente regulador e as agências classificadoras, peço desculpas. É que o seu texto é meio confuso, como vc mesmo admitiu. Desfeito o mal entendido, então vamos aos argumentos.

        Desde que surgiu o que os esquerdistas chamam pejorativamente de “neoliberalismo”, generaliza-se o axioma “menos estado” do liberalismo clássico a “extinção da fiscalização do mercado financeiro”, algo totalmente diferente. Desde os primórdios do capitalismo, nem mesmo Adam Smith, o maior guru do liberalismo, defendeu a omissão ou supressão do papel fiscalizador do estado. Portanto, a simbiose que ocorreu entre o sistema financeiro os políticos não é um axioma do capitalismo, e sim o resultado de séculos (muito antes do surgimento do capitalismo, portanto) de superposição da ambição dos ourives que se tornaram banqueiros com políticos corruptos.

        E aí voltamos a mais uma mania dos esquerdistas de estereotiparem os banqueiros como se estes fossem a personificação do sistema capitalista (que não são). É como se fosse uma doença genética. E aí um “trabalhador” ascende socialmente e se torna um banqueiro e repete as mesmas práticas, da mesma forma que os “cumpanheiros” que subiram ao poder para substituir a aristocracia e se tornaram também aristocratas da pior espécie. Portanto, continuo com a minha opinião muito clara no artigo acima: não pode existir sistema perfeito se a humanidade não é perfeita. A reforma do capitalismo passa antes pela reforma dos Estados, a curto prazo, e do ser humano, a longo prazo.

        Sobe a PL 6826/2010, aprovo toda iniciativa que esteja alinhada a moralização.

        Sobre o item 6, já deixei minha opinião bem clara no comentário anterior. Mas vc continua batendo na mesma tecla porque vc acredita que neste item encontrou algo que me enquadra no time dos odientos defensores do “estado mínimo” que, na sua visão enviesada pela radicalização ideológica, é sinônimo de “estado sem fiscalização”. Menos, menos…

        Sobre a tragédia da Islândia, ela não invalida as outras experiências bem sucedidas. A Islândia teve o azar de basear sua economia em um setor cujo capital é mais fictício do que real e agora paga o preço da aposta, como a Grécia para o preço por não ter reduzido seu estado ineficiente e deficitário. Se a Islândia tivesse atraído outros setores da economia certamente hoje não estaria sentido tanto a crise.

        Sobre a Grécia, o keysianismo a que me referi é acumular mais dívidas para ganhar um pouco de fôlego no presente e jogar a conta para o futuro. Não é isso que o keynesianismo tem feito desde que foi inventado? Se tal medida agora vem acompanhada de algumas medidas de austeridade, isto não retira o caráter keynesiano do empréstimo. E é justamente por causa da superposição de empréstimos que não acredito na atual proposta.

        Sobre o texto que vc sugeriu, já tinha lido e não comentei porque não encontrei nenhuma novidade. Ninguém acredita no acordo firmado. Eu também. A Grécia não tem como pagar a dívida. Bingo!!! A Grécia vai precisar da solidariedade do mundo. Que novidade!

        É esta a discussão que está há “anos luz” a nossa frente? Menos, Miguel. Seu comentário anterior foi melhor!

        Aliás, o melhor de tudo que li no texto que vc indicou está justamente em um comentário de um leitor que aponta a ineficiência grega, a burocracia e a corrupção como as razões do estado atual. Ou seja, o que apontamos aqui o tempo todo. Não há como curar a doença sem atacar as causas. É amargo o remédio? Sim. Tem efeitos colaterais? Tem sim. Mas são estas ações que pavimentam o futuro.

        Mais que o perdão de suas dívidas, os gregos precisam reconhecer que viveram uma bolha e que agora é preciso cortar os próprios salários, trabalhar mais para compensar a perda de competitividade. Fazer greves só vai piorar. Os gregos precisam promover um intenso debate entre representantes de cada setor da sociedade para definir onde e o que será cortado. De onde vêm os maiores gastos da Grécia? Quem são os maiores beneficiados? Quem dará o exemplo?

        Sem austeridade, ninguém vai querer investir na Grécia e a crise só vai piorar, até que uma parte da população migre para outros países e a situação chegue a naquele ponto crítico onde fica impossível piorar. E então a roda começa a girar para o sentido contrário. Que a humanidade aprenda mais esta lição com a Grécia.
        Abraço!

  13. Fernando Corrêa says:

    Quando vc cita que o Brasil não está aproveitando o bom momento, acredito que se refira ao fato de não fazer as reformas necessárias para a redução dos gastos públicos com a previdência, com a máquina estatal inchada e ineficiente e tomando medidas para a redução da dívida pública que só faz crescer. Acredito também, que devíamos aproveitar o momento para importar ou criar tecnologia, aproveitando o cambio favorável numa tentativa de nos tornarmos competitivos para enfrentar a China e a Índia, que com mão de obra farta e barata, utilizando-se também de políticas cambiais de desvalorização da moeda doméstica, estão tomando conta dos mercados.

    Abraços!!!

    • Amilton Aquino says:

      Tudo isso e mais algumas coisas, Fernando. Nosso progresso hoje (que nem é tanto assim, comparado aos demais emergentes) está sendo segurado pela valorização do preço das commodities. Se este cenário mudar, aí sim vamos lamentar muito mais esta oportunidade que tivemos.

  14. Rafael says:

    Amilton,

    Seria possível um sistema financeiro sem Alavancagem?
    Lógico que os populistas nunca concordariam, mas seria?

    Pois a conclusão que tiro disso tudo é que a taxa de alavancagem nada mais é do que a taxa que se infla a Bolha Capitalista.

    Colocar dinheiro que não existe no Mercado é uma irresponsabilidade que até “gera” riqueza e prosperidade, mas uma hora ou outra o Mercado vai corrigir essa distorção e o pior dos mundos seria, então, uma crise de confiança no setor bancário que levaria uma corrida a todos os bancos.

    Já pensou em tal cenário catastrófico?
    Isso piora ainda mais já que em um mercado interconectado a irresponsabilidade de um país prejudicará aos demais (EUA, Europeus e China, por exemplo).

    • Amilton Aquino says:

      Rafael,
      Este é o grande abacaxi que tem que ser descascado. O mais estranho é que quase ninguém fala disso. Nem mesmo os esquerdistas que vivem torcendo pelo quanto pior melhor, na esperança de ressuscitar o comunismo. Para evitar este cenário catastrófico que vc muito bem descreveu, será necessário primeiro estancar os mecanismos de fabricação de mais dinheiro sem lastro. Depois traçar um plano de transição, ainda que este demore séculos para corrigir o artificialismo criado. Infelizmente este tipo de decisão só acontece depois que a desgraça está feita.

  15. O Anonimador says:

    Amilton,

    sem querer abusar de seu conhecimento e opinião, você pode dar sua opinião a respeito desses eventos:

    1) O jornalista e “blogueiro” Paulo Henrique Amorim, concordou em pagar R$ 30 mil de indenização e publicar em dois jornais (Folha de S.Paulo e Correio Braziliense) um pedido de desculpas ao jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo, por tê-lo considerado um “negro de alma branca” (que foi entendido por ofensa racista). Mas, no entanto (não cheguei a ver), ainda tem gente tentando defender PHA e sabe por que? pelo simples fato de Heraldo (por ser negro) ser obrigado a ter aqueles discursinhos típicos da esquerda de que negro sofre preconceito.

    2) Não é só em São Paulo que acontecem “barbaridades”. Para lhe dar um exemplo, no Acre, alguns desabrigados (não sei o número)
    que protestaram contra o corte de energia em áreas atingidas pela
    cheia do rio Acre foram reprimidos pela polícia. Mas militante nenhum vai falar nada porque preferem passar o resto de suas vidas criticando o capitalismo e o PSDB do que ter um dever real pelas pessoas.

    3) Na Venezuela, o “presidente” Hugo Chávez, começa a acusar seu adversário Henrique Capriles de várias coisas (considerá-lo fiel aos EUA e a Israel é uma delas). Mas no meio do caminho, Hugo vai ter de enfrentar o risco de volta do câncer que teve no ano passado. Mas, se quer minha opinião a isso eu darei: se deus quiser o Hugo Chávez pelo menos sai do poder, porque aí ele não pode mais dizer bobagem nenhuma.

    4) Continuando Hugo Chávez, o famigerado “anti-imperialista” diz que os EUA causaram o câncer não só dele mas de outros presidentes (Cristina Kirchner, da Argentina, Fernando Lugo, do Paraguai, e o ex-presidente Lula), além de causar o terremoto do Haiti, em 2010. Mas já reparou que:
    1º- Se os EUA, tivessem tecnologia para causar câncer em pessoas será que isso explica o câncer de Reynaldo Giannechini?
    2º- Se os EUA, tivessem uma máquina de terremotos, como se explica o terremoto do Japão?

    E também tenho uma pergunta: qual sua ideia para o próximo post?

    Até a próxima e abraços do Anonimador!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Anonimador,
      Hoje vou ser bem sucinto, pois nesta semana está bem complicada.

      1) Mais uma na coleção de absurdos do ex-jornalista Paulo Henrique Amorim.

      2) Um erro não justifica outro. Continuo com a mesma opinião sobre o caso do Pinheirinho. O governo de SP, que foi cúmplice ao permitir que a ocupação se tornasse quase um bairro, não deveria tratar o caso apenas do ponto de vista legal. Apesar dos aproveitadores, existe sim uma questão social que deveria ter sido tratada com mais sensibilidade e habilidade.

      3) Para ser sincero, não torço nem para que Chaves morra, muito menos Lula. Isto só ajudaria a mitificar ainda mais estes caras. Prefiro que eles fiquem vivos, caquéticos, mas vivos, para serem desmascarados pela realidade.

      4) Mais um delírio de Chaves. Mais um exemplo de onde a paranóia esquerdista pode chegar. Esta é para rir, não para comentar.
      Sobre o próximo post, vou escrever sobre o assunto do momento: o “capitalismo de estado”.

  16. Sandro says:

    Miguel, Amilton e Fernando,

    O Amilton citou acima:

    “Sobre este momento desejável em que todos os mercados estariam integrados e não haveriam mais mercados emergentes para a serem conquistados, a humanidade terá dado um grande passo. Sou otimista e acredito que a cada ano cresce em importância a discussão sobre a sustentabilidade do crescimento. Os novos ricos vão ter que se acostumar com taxas de crescimento cada ano menores, até chegarmos ao mesmo patamar do mundo rico, algo em torno de 2,5%.”

    Acho bastante interessante ficar meditando sobre esta situação de “todos os mercados integrados, num mundo em que todos tenham um altíssimo nível de vida…”

    Com certeza isso um dia chega, mas vai demorar muito ainda. O Amilton menciona que os emergentes vão crescer bastante e depois se estabilizar em uma taxa em torno de 2,5%! Saliento que segundo o Serasa, nosso crescimento em 2011 foi de 2,6%…

    Sinceramente, ainda falta muito para esse “sistema operacional” chamado capitalismo se esgotar por aqui! Agora, ficar em especulações filosóficas de qual vai ser o “MAC OS” da economia ninguém sabe! Como bem disse o Amilton, todos os outros sistemas alternativos que foram “instalados” deram pau, muito pau, até “congelarem” por completo!!! 🙂

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Assino em baixo. 🙂

    • Abbud says:

      No gancho dos “sistemas operacionais do mundo” e apenas para descontrair e refletir de forma mais divertida, gostaria de fazer um paralelo entre os sistemas operacionais do mundo e dos computadores.

      O sistema operacional Linux seria o comunismo? Feito pela comunidade, de graça, insustentável no longo prazo e que hoje uma pequena fração dos computadores rodam com ele, e mesmo assim os que usam sempre tem uma opção de boot pelo Windows Pirata?

      O Windows seria o sistema capitalista? o mais consagrado, cheio de defeitos, que de tempos em tempos muda a versão para justificar o consumismo e a Microsoft ganhar mais dinheiro?

      O Mac OS seria o Socialismo? um sistema bonito, inovador, confiável, mas que é assim por que somente é acessível para computadores evoluídos e usuários exclusivos?

      O que dizer dos sistemas móveis Android ,Apple e Windows mobile? seriam sistemas desrruptivos que vão substituir os sistemas atuais, ou apenas mudam os hardwares e ficam as mesmas lógicas de sistemas?

      Seria a Grécia um computador com HD lotado e cheio de Vírus?

      Bem,no final eu concordo com o Amilton, o que precisamos no curto prazo é fromatar e trocar o hardware da Grécia, a máquina não aguenta mais, um vírus estadopesado.exe corrompeu a memória e o HD, já quanto a qual sistema operacional utilizar, bem, estes estão evoluindo e mudando constantemente, mas sua performance no final dependem mais da capacitação dos usuários do que deles em si!

      Abraços

      • Amilton Aquino says:

        Abbud,
        Primeiro peço desculpas pela demora. Só agora pude parar um pouco e ver os comentários.

        Quanto às analogias, valeu pela brincadeira, mas faria duas ressalvas.

        1) O Línux é um sistema muito eficiente e estável para ser comparado a o comunismo;

        2) O MAC OS estaria mais para a social-democracia européia, um capitalismo temperado com alguns ideais socialistas. Mas daí a ser comparado com o socialismo, acho um pouco demais.

        No mais, valeu a diversão. 😉

    • Abbud says:

      Ah já ia esquecendo de ressaltar que o Computador Grécia esta ligado em rede e o mesmo vírus esta se espalhando rapidamente!

  17. Sandro says:

    Fernando,

    Já que a “Thatcher” ganhou o Oscar de melhor atriz ontem ;), vale citar esse comentário dela sobre o Brasil numa entrevista à Veja em 1994 (Edição 1330), que responde o teu questionamento:

    “Parece-me bem claro que o Brasil não teve ainda um bom governo, capaz de atuar com base em princípios, na defesa da liberdade, sob o império da lei e com uma administração profissional. Bastaria um período assim, acompanhado da verdadeira liberdade empresarial, para que o país se tornasse realmente próspero.”

    Sobre a China, além da mão de obra barata, da moeda desvalorizada, eles tem uma vantagem competitiva sustentável (como chamamos em administração) que é a quantidade de mão de obra disponível, que não tem em lugar nenhum do mundo! Isso gera um ganho de escala imbatível! Interessante este texto sobre porque os iPhones são produzidos na China e não nos EUA:

    http://mansueto.wordpress.com/2012/01/23/por-que-os-iphones-nao-sao-fabricados-nos-eua/

    Abs

  18. Sandro says:

    Voltando ao assunto do crescimento:

    Quarta-Feira, 29 de fevereiro de 2012
    Brasil cresce abaixo do potencial, diz presidente do Banco Central

    http://www.newscomex.com.br/mostra_noticia.php?codigo=25931

    • Amilton Aquino says:

      Todo este frenesi em torno de um crescimento médio 1,2% a mais que a média de FHC. E olha que com o recuo nestes dois primeiros anos de Dilma, nosso desempenho vai ficando cada vez mais pífio. Não por acaso, ficamos na rabeira entre os grandes emergentes no último ano e, na América Latina, só ficamos a frente do Haiti e da caótica Venezuela de Chavez.

  19. O Anonimador says:

    Olá novamente Amilton,

    mesmo eu tendo um comentário ainda esperando resposta, irei aproveitar uma oportunidade para lhe fazer perguntas sobre as ocorrências que ocorrem nesse mundo:

    1) A Argentina e o Reino Unido disputam há um tempão as Ilhas Malvinas (ou Falklands). A disputa segue tensa no século 21 devido as pressões da presidente argentina Cristina Kirchner. Nisso, que lado você acha que tem razão?
    a- O Reino Unido, pois mesmo que argentinos argumentem que o território foi invadido pelo cononialismo, os habitantes das ilhas preferem se manter como britânicos.
    b- A Argentina, porque o Reino Unido está sendo auxiliado pelos Estados Unidos para manter o capitalismo selvagem.
    c- Nenhuma das opiniões acima.

    2) Você pode me explicar porque alguns países africanos (Níger, por exemplo) tem níveis altíssimos de pobreza? OBS: Pergunto isso porque sempre aparece na internet uns engraçadinhos falando que a fome na África é causada pela globalização e capitalismo.

    3) Os israelenses e palestinos disputam desde 1947 o território da Palestina (inclusive Jerusalém). Quem tem a razão?
    a- Os israelenses, pois os palestinos também mataram pessoas só por causa de territórios.
    b- Os palestinos, pois os israelenses querem matar milhões de pessoas, e o Holocausto nunca existiu (é tudo farsa da CIA).
    c- Nenhum dos dois lados, pois enquanto eles continuarem com violência e nunca aceitarem a paz, não formarei uma opinião clara e objetiva.

    4) Tem muitas pessoas que acreditam que a homofobia é o preconceito contra homossexuais. Mas há pouco tempo descobri que homofobia é, na realidade, um tipo de medo que algumas pessoas tem de gays (mas um menos como uma pessoa que não gosta de determinada comida sem mesmo ter experimentado). Você acha que homofobia é preconceito contra gays ou não?

    5) Vi em seu Twitter um sarcasmo com a invasão da USP no ano passado, na qual dizia “e viva nossos rebeldes sem causa” (na verdade, eu sei que era um link para uma charge de um jornal que criticava os invasores). Na sua opinião:
    a-Sou contrário ao que os esquerdistas fizeram com a USP porque além de hipocrisia (porque a maioria dos alunos esquerdistas usavam e tinham símbolos do consumismo capitalista) os alunos invasores estavam em minoria (só apoiados por PSOL-PSTU-PCO).
    b-Sou favorável a “ocupação” não importa os argumentos contrários.
    c-Não tenho opinião sobre isso.

    Eu e minhas perguntas voltaremos numa próxima oportunidade.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Anonimador,

      1) A questão das Malvinas é um dos resquícios do colonialismo que deveria ser repudiado por todos. Se as Malvinas fossem no nosso litoral, pode ter certeza que também estaríamos bem incomodados com os navios ingleses circulando a área, principalmente depois de uma grande descoberta de petróleo, como parece ser o caso.

      2) A África sempre foi muito pobre. Sempre foi periférica, sendo explorada de todas as formas pelos colonizadores europeus. Foi justamente com o aparecimento do capitalismo que surgiram as pressões para acabar com a escravidão, afinal o escravismo chocava-se com os interesses dos capitalistas. Só nesta década que a África veio de fato a entrar em uma fase de crescimento rápido, justamente por causa da globalização. Muita gente não sabe, mas é na África onde ocorrem os crescimentos mais rápidos da atualidade, até mesmo mais rápido que a China.

      3) Embora ambos os lados tenham culpa no cartório, torço pelo lado mais fraco. Os israelenses perderam o direito sobre a terra a partir do momento em que se dispersaram pelo mundo. Depois de século e séculos aparecer do nada expulsando os palestinos foi um dos grandes absurdos do último século.

      4) Desculpas, mas este tema não tem nada a ver com o nosso blog. Cada um tem o direito de viver como quer, desde que não prejudique ninguém. Conheço gays que são pessoas muito mais éticas e fraternas que muita gente que vive na igreja.

      5) Os alunos de ciências humanas da USP são um dos últimos resquícios do “esquerdismo fanático intelectual” do Brasil. Só o extremismo desta visão deturpada da realidade para explicar aquela patética invasão da reitoria.

  20. Sandro says:

    Amilton e Abbud,

    Não tinha visto a continuação das respostas em relação ao meus post “informático”. Saliento que enquanto escrevia também tive a tentação de comparar o Linux com o comunismo, mas depois pensei que o Linux não era tão ruim assim, alias, que era muito bom em algumas coisas! hehehehe

    Uma ressalva que eu gostaria de fazer é quanto ao uso do termo Linux e software livre. Saliento que para a grande maioria da população, uns 99%, nos quais me incluo, esses termos significam a mesmíssima coisa, ou seja aquele sistema operacional que não roda programa nenhum do windows, não tem os drivers, etc… ah, e geralmente o termo que as pessoas tem em mente é o Ubuntu!

    Abs

  21. Rafael says:

    Amilton,

    Em relação às ilhas, você acha que elas deveriam voltar ao domínio argentino mesmo depois de tantos anos, estando elas a 500 km da costa e cheia de ingleses?

    Mas a expansão territorial do Brasil não foi justamente assim? Ou deveriam as Malvinas formarem um próprio país independente?

    • Amilton Aquino says:

      Bons argumentos, Rafael. No entanto vou fazer duas ponderações sobre eles.

      1) As ilhas são disputadas por franceses, ingleses e espanhóis desde o descobrimento por um holandês. Com independência argentina, os espanhóis abandonaram a ilha, a qual permaneceu desabitada até por volta de 1820, quando a Argentina enviaram colonizadores para ocupar o lugar antes ocupado pelos espanhóis. Só treze anos depois é que os ingleses voltaram à ilha “comunicando” que o império britânico estariam “retomando” o domínio sobre a ilha. Ora, a Argentina acabava da sair da guerra de independência contra a Espanha, como poderia enfrentar o poderoso império britânico? Teve então que engolir a ocupação, apesar de nunca deixar de reivindicá-la.

      2) Se as ilhas ficam distantes da Argentina, em relação à Inglaterra, estão no outro hemisfério da Terra.

      De qualquer forma, seus argumentos são válidos e mostram o quanto a questão é polêmica. Mesmo assim continuo pendendo para a Argentina nesta questão.

    • Rafael says:

      Compreendo o seu ponto também, na verdade eu acho que não há mocinhos nem vilões nessa história toda, afinal o problema remonta a uma época em que o senso de moral e justiça não correspondem aos de hoje, mas o que me incomoda de verdade é que a reivindicação de Cristina tem toda a cara de ser uma distração para o povo argentino.

      abraços,

  22. Sandro says:

    Voltando de novo ao tema do crescimento, agora, o caso chinês… apavorante este video:

    http://www.youtube.com/embed/2yL7t0j_4tQ

    • Amilton Aquino says:

      É realmente assustador, especialmente para nós brasileiros, cuja economia hoje é dependente do crescimento artificial chinês. Ou o Brasil sai dessa dependência o quanto antes ou, quando a bolha chinesa estourar, aí sim teremos uma catástrofe por aqui.

      Já tinha visto uma reportagem do Fantástico sobre o shopping mostrado no vídeo. Um dos primeiros reflexos desta política de inflar o PIB com a “mão visível do estado” aparece no acúmulo de dívidas. Apesar da China estar hoje no seu melhor momento, sendo a maior credora do mundo, seu percentual de dívida em relação ao PIB já está na casa dos 54%. Ou seja, US$ 3,6 trilhões! Isto em dados do HSBC, pois segundo Nouriel Roubini, a dívida real chinesa já passa dos 80% do PIB.
      E assim como os EUA e a Europa, em algum momento as dívidas virão cobrar a fatura, com juros e correções monetárias.

  23. Sandro says:

    Amilton,

    Bom, parece que os EUA vem ai de novo assumindo a liderança em importações do Brasil…

    http://www.newscomex.com.br/mostra_noticia.php?codigo=25963

    Abs

  24. O Anonimador says:

    Amilton, uma pergunta:

    Vi hoje o site do Instituto Millenium, e vi que o site está sendo financiado pelos donos da “midia má” (Veja, Globo, Estadão, etc.) que são acusados de viverem ao constraste do povo que vota no Lula, na Dilma, etc. Não estou acusando nem você nem o IM, mas só uma pergunta:

    Você chegou a repensar a parceria com o Instituto Millenium, quando viu que o site estava sendo mantido pela grande mídia, por causa de haver alguma acusação do tipo “Amilton Aquino é representante da elite burguesa de São Paulo porque o IM é mantido pela Globo, Veja, Estadão, etc.”

    • Amilton Aquino says:

      Logo quando recebi o convite, visitei o site e conferi vários artigos publicados e percebi uma concordância de pensamento, mas, principalmente o objetivo de conscientizar, de chamar atenção para problemas que estão sendo jogados para debaixo do tapete pelo governo atual. Se o IM está recebendo apoio de Veja, Globo, Estadão, etc. pouco importa. O mais importante é o conteúdo veiculado e, até aqui, com algumas exceções (como no caso do Pinheirinho, por exemplo) tenho me identificado com a maior parte dos artigos. Se alguém me convencer que as idéias que tenho defendido estão erradas, aí sim vou repensar a “parceria” que não é nada mais que um link. Mas até aqui, os fatos só têm corroborado com as idéias que tenho publicado aqui desde o início do blog. Um dia desses estava relendo alguns textos mais antigos do blog e percebi que não retiraria uma vírgula. Sendo assim, continuo com o meu pensamento.
      Abraço

  25. Sandro says:

    voltando ao crescimento: Tamo fu..!!!

    THE WALL STREET JOURNAL:
    China se prepara para uma era de crescimento mais lento

    Uma desaceleração no ritmo de investimento em infraestrutura, geração de energia e exportações provavelmente implicará um crescimento mais lento nas importações de aço, concreto, petróleo e outras commodities, potencialmente um golpe para Brasil, Austrália, os países produtores de petróleo do Oriente Médio e outros grandes fornecedores de commodities.

    http://online.wsj.com/article/SB10001424052970203370604577264020806366302.html