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Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

A cada nova crise do capitalismo, Marx é ressuscitado com sua famosa profecia de que o capitalismo irá acabar. Esta, portanto, não é nem a primeira nem a última vez que o expoente máximo das esquerdas será exortado, afinal o capitalismo vive de ciclos de progresso e de crises. Mas como sempre acontece, a cada nova crise o capitalismo se renova e segue adiante e Marx volta ao ostracismo.

Portanto, já antecipando a conclusão, a resposta a pergunta do post é: não. O capitalismo não vai acabar. Certamente vai mudar em alguns aspectos, como já ocorreu nas diversas fases do capitalismo, desde o mercantilismo e industrialismo das fases iniciais, pelo financeirismo do pós-guerra (hoje em crise), chegando ao “capitalismo informacional”, que tem caracterizado as duas últimas décadas como a era da informação.

E o que há em comum em todas estas fases? A liberdade das pessoas de usufruírem dos frutos dos seus trabalhos e/ou investimentos da maneira que melhor lhes convier. Esta é a essência do capitalismo. Ou seja, para acabar com o capitalismo é preciso acabar com sua essência que está diretamente ligada à liberdade, o que, convenhamos, é muito pouco provável que isto venha acontecer algum dia num mundo cada dia mais globalizado.

Além disso o capitalismo não é nenhuma “criação” maquiavélica, como tentam fazer parecer os esquerdistas.  Não tem nenhum mentor.  Ele é o resultado da evolução (ou involução) das relações de troca da humanidade. Ou seja, é parte de um contexto e não o todo.  A idéia de “conspiração” de capitalistas para escravizar proletários é apenas um instrumento de mobilização dos líderes esquerdistas para conseguir apoio das camadas menos favorecidas na luta contra um inimigo imaginário. Aliás, um subterfúgio usado e abusado por todos os ditadores para  justificarem seus tirânicos poderes.

E mais uma vez a história tratou de desmistificar mais esta suposta conspiração. Em apenas uma década, a geopolítica e a economia mundial foi completamente modificada. Quem imaginaria que os EUA unilateral do início da década de 2000, a locomotiva do mundo, chegaria ao ponto de ver seu presidente fantasiado de Mickey tentando atrair turistas para a Disneylandia?

Pois é, os “donos do mundo” já não são mais os mesmos. Aliás, os pobres já não são mais os mesmos. Contrariando o discurso esquerdista de que seria impossível aos países chamados subdesenvolvidos ascender ao status de desenvolvidos, hoje o clube de ricos foi bastante ampliado, com tendência de ampliar ainda mais. Até a miserável África está passando por um boom econômico. O antigo G7 virou G14 e agora G20. Onde estaria então a conspiração capitalista para perpetuar os ricos e pobres?

Portanto, a clássica crítica dos esquerdistas ao capitalismo deve ser mais vista como uma crítica a humanidade, e não propriamente à uma suposta elite maquiavélica e exploradora. Até porque, foi o capitalismo que possibilitou que explorados ascendessem também à posição de “exploradores”. Pouco se fala dos primeiros donos de fábrica, mas o fato é que estes tiveram que lutar contra a elite da época, os nobres, para poder produzir bens para as massas. Afinal, não eram os nobres que compravam as peças de roupas ou ferramentas que os capitalistas produziam.

E da mesma forma que nos primeiros momentos do capitalismo, ainda que em nível de indivíduos, a diferença entre os mais ricos e mais pobres aumente, o fato concreto é que nunca na história da humanidade tantas nações ascenderam ao clube dos ricos. Da mesma forma, nunca na história da humanidade tantos milhões de pessoas cruzaram a linha da pobreza.

Aliás, foi o capitalismo que tirou a humanidade da barbárie do milênio passado. Se hoje a fome no mundo é restrita a alguns países da África onde ainda não há nenhum resquício de capitalismo, na Inglaterra até o século XVII, por exemplo, a fome era a regra e não a exceção. E olha que a Inglaterra era a nação mais rica do mundo. O que dizer então das demais?

Quando começaram a surgir as primeira fábricas, massas de miseráveis migraram dos campos para as cidades dispostas a trabalhar metade do dia em troca de um prato de comida. Ainda hoje os esquerdistas usam as condições deploráveis dos trabalhadores da fase inicial do capitalismo para satanizá-lo. Mas que outra opção estes trabalhadores tinham a não ser viver como indigentes?

Por fim, para acabar com o capitalismo é preciso ter algo para colocar no lugar. Na época de Marx, o socialismo não havia sido ainda implantado e esperava-se que este sistema criado pelas mentes de iluminados viesse um dia a substituir o capitalismo. Mas a história mostrou que tal sistema além de ineficiente, mostrou-se uma verdadeira fábrica de tiranos, sendo responsável pelo maior genocídio de humanidade, que matou entre 65 milhões e 94 milhões de pessoas nas várias tentativas de implantação do sistema socialista.

Portanto, no mundo globalizado, onde a eficiência e a liberdade de expressão caminham de mãos dadas, esperar que um sistema comprovadamente ineficiente e antidemocrático venha substituir o capitalismo é algo completamente desprovido de qualquer lógica.

Seja lá o que venha acontecer nos próximos anos, a certeza é que as relações de produção e troca serão resultantes de erros e acertos da humanidade e não das mentes de alguns “iluminados”. O nome que daremos a este sistema é o que menos importa. O importante é que este sistema possibilite o que o capitalismo tem possibilitado até aqui: liberdade de escolha e mobilidade social.

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26 Responses to Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

  1. Rafael says:
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    Gosto muito dos seus textos, Amilton, você tem uma clareza ímpar e o dom de explicar temas espinhosos com a mesma clareza que um (bom) professor explica as letras a uma criança.
    • Amilton Aquino says:
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      Obrigado, Rafael. É muito bom saber receber estes feedbacks. Abraço!
    • Gustavo Vasconcelos Jacobina says:
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      AMILTON E RAFAEL, NO BLOG DO NASSIF (AVÉ-MARIA…), A ONDA AGORA É O ENCANTAMENTO DE TRES AUTORES QUE LANÇARAM UM LIVRO DEITANDO O PAU NO NEOLIBERALISMO, E ATÉ ADMITINDO A IMPORTÂNCIA DO CAPITALISMO, MAS SEM O VIÉS LIBERAL E NEOLIBERAL. É COMO SE ELES ADMITISSEM QUE ESTIVERAM ERRADOS ESTES ANOS TODOS, MAS PARA NÃO FICAR TÃO EVIDENTE ALEGAM QUE TAMBÉM ADMITEM SUAS IDEIAS DOS LIBERAIS, OU SEJA, OU CAPITALISMO DE ESTADO…TOTALITÁRIO E MERCANTILISTA, DIGAMOS ASSIM.
      • Amilton Aquino says:
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        Esta migração da esquerda para a direita foi uma das conclusões da minha série “Esquerda x Direita”. O irônico é que os países que aderiram mais ao neoliberalismo (os latino-americanos) hoje estão bem, enquanto que os europeus que foram mais tímidos nas reformas “neoliberais” hoje estão afundados.
  2. Gilx says:
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    É preciso especificar qual capitalismo, segundo as viúvas de Marx, irá acabar: o Capitalismo de Livre Mercado ou o Capitalismo de Estado?
    • Amilton Aquino says:
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      Olá Gilx, Não toquei neste assunto de propósito. Vamos falar disso mais especificamente no post “Por que o capitalismo está em crise?”. Abraço!
  3. Abbud says:
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    Ola Amilton, quanto tempo! Estive hibernando dos blogs no último ano, assumi uma nova posição com abrangência mais global especificamente na América Latina, e esta experiência só tem comprovado minhas convicções, e espero poder compartilhar algumas delas com voces. Parabéns como sempre pelos textos, e gostaria de deixar alguns comentários com relação a este tópico. Sendo mais simplista ainda do que voce foi ao afirmar corretamente que, a base do capitalismo é “a liberdade das pessoas de usufruírem dos frutos dos seus trabalhos e/ou investimentos da maneira que melhor lhes convier”, eu diria que não há sistema que funcione se não tiver como base a meritocracia. O que mudará é a relação com o capital, já comentei no passado que o futuro não é nem o capitalismo atual muito menos o socialismo, e sim o que chamo de “Socialismo de Capital”, aonde a sociedade será patrão e empregado ao mesmo tempo (através de participação nas empresas, que tambem teriam participação minoritária em alguns casos do Estado), aonde só não haveria meritocracia ao acesso dos serviços sociais e públicos principalmente educação e saúde, para todos os outros a meritocracia deve a regra fundamental, só assim haverá geração de riqueza sustentável, o que já não ocorre há algumas décadas em grande parte da Europa. Para finalizar uma sugestão de novo tópico relacionado: Até quando a China vai sustentar seu modelo não sendo uma democracia? O mundo estará preparado para quando esse dia chegar? O mesmo chines que começa a gostar de ganhar dinheiro começa a querer ter a liberdade de gastar aonde bem entender, com isso a mágica de baixo custo acaba e a democracia é eminente.
    • Amilton Aquino says:
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      Grande Abbud! Muito bom ter notícias suas, principalmente saber que vc está bem e mais importante. Fiquei realmente preocupado com seu sumiço. Sobre o futuro do capitalismo, acho que além da meritocracia, outra palavra chave é eficiência. Para os governos, otimização dos recursos públicos. Sobre o “socialismo de capital”, acho que os últimos fatos vão um pouco na direção contrária. Te indico um texto (indicado pelo amigo Sandro Tavares) de Stephen Kanitz: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-crise-e-do-capitalismo/61248/ Sobre o futuro da China, seu crescimento já começou a arrefecer. A medida em que os chineses vão ficando ricos, a mão de obra vai também ficando mais cara, apesar deles ainda disporem de um “exército” de reserva que equivale a seis vezes a população do Brasil, o que lhes dá pelo menos umas duas décadas de crescimento rápido. E assim como aconteceu com o Japão, o crescimento vai arrefecendo, as empresas vão procurando novas vantagens competitivas em outros países mais pobres e por aí vai… Quanto a chegada da democracia, certamente vai ocorrer muito antes da decadência. Muitos bilionários chineses já estão migrando para os EUA justamente a procura de liberdade. Mais cedo ou mais tarde, o governo chinês vai perder o controle que tem hoje. Graças ao capitalismo, os chineses também conquistarão a liberdade. Certamente vamos nos aprofundar também sobre este assunto. Abraço!
    • Abbud says:
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      Ola Amilton li o texto, e na verdade não é bem isso que me referia, independentemente do nome, Capitalismo de Estado,democrátio ou Socialismo de Capital, entendo que no Capitalismo do futuro o Estado deve garantir condições iguais de oportunidades e chances de sucesso para todos os cidadãos, independentemente de seu capital inicial. Em outras palavras todos terão as mesmas ferramentas (Educação, Saúde e serviços públicos), quem usá-la melhor (meritocracia) e aumulará mais capital e gerará mais riqueza para o Estado.(que sustentará a capacidade do Estado de manter sua capacidade de investir em saúde, educação e serviços públicos). Não sendo assim os ricos sempre ficarão mais ricos e os pobres mais pobdres, além de haver conflito entre capital e trabalho, que no futuro serão uma coisa só. Abraços
      • Amilton Aquino says:
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        Abbud, Perceba que a economia hoje é feita de expectativas. Qualquer notícia derruba ou aumenta as bolsas excessivamente. Por que isso acontece? Porque existe hoje um número excessivo de “investidores”. Muita gente não quer nem trabalhar. Quer viver apenas de “investimentos”. Esta busca pelo lucro fácil foi uma das causas da crise de 2008. O que o texto do Kanitz revela é que se o capitalismo continuasse mais fiel às suas origens não teríamos tido a crise atual. Se não houvesse esta socialização de ações, nem a delegação do poder de cuidar dos investimentos das pessoas para burocratas, não teríamos tido o efeito dominó que a quebra do Lehman Brothers provocou.
  4. Sandro says:
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    Abbud, Sobre o que comentaste, gostaria de citar mais uns textos, além daquele que o Amilton indicou, do Kanitz: Vantagens da produção na China podem ser bem vistas neste texto do economista Mansueto de Almeida sobre porque os iPhones não são fabricados nos EUA, e no link do NYT que ele indica em seu texto: http://mansueto.wordpress.com/2012/01/23/por-que-os-iphones-nao-sao-fabricados-nos-eua/ Porém, em alguns casos, este modelo já começa a demonstrar esgotamento, mas penso que em casos muito específicos, principalmente porque não tem lugar nenhum no mundo com a quantidade de gente que tem na China, ainda mais se somarmos com a população de seus vizinhos tigres asiáticos! Já a Índia, tem uma vocação mais para serviços do que para produção, pois o idioma inglês os facilita! http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2012/02/empresas-voltam-da-china-para-os-eua-apostando-no-made-usa.html Ainda, sobre a China, saliento novamente aqui no blog um texto do George Friedman, que afirma que a China se partirá em dois por volta de 2020, devido à pressões sociais decorrentes do enriquecimento de sua população, e consequente demanda por mais liberdade! Bom, o que vai acontecer depois… Em relação ao futuro do capitalismo, ou da organização sócio-econômica mundial, tem uma opinião que me chama muito a atenção (começa por volta de 1:15 no vídeo do link abaixo): “Eu não tenho um plano de mundo melhor, e eu já vi todos os planos de mundo melhor, todos sem exceção, sempre terminaram em genocídio. Se for para terminar com um apelo, é: FUJAM DE UM MUNDO MELHOR!” – Olavo de Carvalho http://www.youtube.com/watch?v=tHQ9F3Q5mLI Abs
    • Amilton Aquino says:
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      Ótimas citações, Sandro. Reforçam nossas impressões. Não imaginava que a perda de vantagem competitiva da China já tinha avançado tanto. Mais uma vez, a história nos mostra que o lucro está acima do patriotismo. A China oferece vantagem competitiva, os americanos se mudam para lá. O custo sobe, eles voltam ou, quem sabe, se mudam para o Vietnã. Adam Smith continua atual: o conjunto dos interesses individuais, agora a nível mundial, está levando o progresso também a outras partes do globo. Mas nada é para sempre. A China vai desacelerar, da mesma forma que os EUA, o Japão e todas as demais nações ricas desaceleraram. O eixo de crescimento rápido vai se deslocando para os emergentes até estes queimarem também todas as suas fichas. O que mais me espanta nisso tudo é a incapacidade dos nossos governantes de não perceberem coisas tão óbvias. Ao invés de aprendermos com a história, estamos repetindo os mesmos erros, alimentando a ilusão de que a bolha vai continuar para sempre.
  5. O Anonimador says:
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    Olá, Amilton. Agora, prometendo o que cumpri, trarei a você todos os pensamentos de gente da esquerda, começando com os pensamentos da blogosfera “progressista” (PHA, Azenha e Rodrigo Vianna) mais Carta Capital (revista que glorifica e defende o Lula e a Dilma quase todo santo dia). OBS: Será a minha opinião, mas você também pode dar a sua opinião (pra não perder a graça da piada) 1) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, não aceitam que se façam críticas ou protestos contra o governo Lula-Dilma, pois alegam que se trata de “golpismo” da “midia má” (Globo, Veja, Estadão, etc.) para darem um golpe como em 1964, e acabarem com todos os privilégios da classe menos favorecida do país. 2) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, sempre apoiam protestos quando são realizados em países governados pela “direita” (EUA, Chile, Espanha, Grécia, etc.), mas quando há protestos em países governados pela “esquerda” (Bolívia, Venezuela, Rússia, etc.) dizem que é tudo obra da “midia má”. 3) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, também fazem a mesma coisa em relação ao Brasil. Apoiam manifestações quando são realizados em estados não governados pelo PT (São Paulo, por exemplo), mas quando são realizados em estados governados pelo PT (Bahia, por exemplo) não dizem vírgula nenhuma. 4) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, defende com unhas e dentes, vários governos ditos “anti-imperialistas” como a de Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, com a desculpa de que, como ele é opositor ferrenho de Israel, então ele é contra todo o capitalismo cruel do mundo. 5) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, chegado o dia dos 10 anos dos ataques de 11 de setembro nos EUA, dizem que tudo isso era estardalhaço pra nada e que os EUA mesmos planejaram e executaram o ataque, para invadir o Afeganistão e o Iraque. Mas já repararam que se o ataque foi mesmo planejado pelos americanos, foi um plano suícida. 6) A blogosfera “progressista” e Carta Capital, sempre dizem que a oposição, representada por Reinaldo Azevedo, Gravataí Merengue e até pelo programa Manhattan Connection, da Globo News, estão sendo representados pelos EUA para declararem seu ódio ao Brasil e aos pobres. Mas já repararam que eles apenas falam dos aspectos negativos do governo Lula-Dilma. Então, isso é tudo (não tive mais ideias), mas muito obrigado e até a próxima, mas antes duas perguntinhas a você, Amilton? O que você acha do programa Manhattan Connection (desculpe a pergunta, tá)? a) Não assisto muito, devido às opiniões exarcebadas. b) Não sei lhe dizer. Quando você vai publicar o post “Por que o capitalismo está em crise?” Então, muito obrigado e até logo.
    • Amilton Aquino says:
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      Anonimador, Vc diagnosticou bem. É tudo isso e mais um pouco. A mídia “progressista” absorveu a odiosa mania do PT de criticar tudo e não aceitar crítica, mesmo quando flagrado em contradição. Sobre o programa Manhattan Connection, não assisto. Publico o próximo post no sábado ou no domingo. Abraço!
  6. bruno says:
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    O Brasil precisa de um partido de direita, nos moldes nos americanos…no Brasil todos querem ser de esquerda…..quando é que vamos acordar deste estado de anestesia esquerdista……viva a liberdade economica, menos estado e mais empreendedores….
  7. Francisco says:
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    Calma Amilton Aquino. Não fique tão entusiasmado. Não só o capitalismo americano está apodrecido – como o império romano apodreceu e foi varrido, mas o mundo, até agora, dominado por ele, está-se libertando, num processo de idas e vindas, mas vai-se libertar sim. Por aqui, temos uma contaminação, pelas idéias estapafúrdias adotadas pelos Mantega e o BACEN, de manter essa bendita taxa de juros nas alturas, em virtude de outra idéia mais cínica – a de que ela ajuda a combater a inflação. O bom senso popular, sem depender de grandes estudos em bancos de Universidades, sabe que o melhor método de se combater a inflação é o Estado financiar o setor privado e público nacionais e investir no aumento da produção, aumentando a oferta de produtos. Quanto ao papel do Estado, basta lembrar que as grandes corporações internacionais, responsáveis, junto com seus libertinos Bancos Centrais, pela crise econômico-financeira desencadeada pela bolha derivativa, assim que foram parar no fundo do poço, foram logo mamar na teta do Estado, que lhes injetou trilhões de dólares imediatamente. Está comprovado que os Estados passarão a ter cada vez mais seu papel destacado, não para a libertinagem e para socorrer corporações irresponsáveis, mas puxando a recuperação neste movimento incessante da liberdade do antigo mundo em desenvolvimento – apesar de todo o poderio militar, financeiro, político e ideológico do império. Em suas entranhas, a podridão. Fora, nos tentáculos, bases militares perdulárias, ocupações, bombardeios, destruição, com efeitos corrosivos do próprio organismo central. Os países que não se submeteram à fúria dos falidos, que não valorizaram suas moedas e nem se deixaram invadir por bilhões e bilhões de dólares sem lastro, lá vão crescendo e aumentando sua presença na economia mundial. Esse capitalismo imperial vai dar lugar a algo novo, fruto da criatividade e da vontade dos que têm amor à humanidade e não querem ser escravos do capital financeiro.
    • Amilton Aquino says:
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      Francisco, O meu otimismo tem fundamento nas lições da história. Já seu entusiasmo está em torcer pela queda do império. De fato Roma caiu, assim como os outros impérios que o sucederam. Com os EUA não será diferente. O problema é quem vai suceder os EUA. O mais próximo hoje é a China. Seria este o motivo do seu entusiasmo? Afinal a China se diz comunista, apesar de estar enriquecendo com o capitalismo. Os EUA erraram muito, mas pelo menos os norte-americanos têm a democracia como um dos seus valores fundamentais. Tenho a esperança de que a China seja democratizada nos próximos anos. Caso contrário, vamos substituir um ruim por um pior. Discordo da sua opinião quando fala que o Estado deve financiar o setor privado e público. Para exercer este papel, o Estado tem que ser grande. O problema é que quanto maior fica o Estado, menos eficiente ele vai ficando, além de corrupto, claro. Que o digam os estados comunistas que caíram. Sobre o socorro dos bancos, esta foi uma política keynesiana que os amantes do Estado grande defendem, vale lembrá-lo. Mas ainda assim foi a escolha que restou entre o ruim e o pior. Os trilhões que surgiram para combater a crise são os mesmos que agora cobram a fatura a Europa. Sugiro que leia o post seguinte que fala das razões da crise do capitalismo atual: http://visaopanoramica.net/2012/02/19/por-que-o-capitalismo-esta-em-crise/ Abraço!
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    Para quem já foi até Comunista e de Esquerda tem uma boa lábia para diabolizar a turma da última esquadrilha (a Esquerda). A próposito no processo de evolução e involução da sociedade as coisas podem mudar, da mesma forma que transitamos do comunismo primitivo para a escravidão, passando pelo feudalismo chegamos um dia ao capitalismo. A pergunta é: para quem conhece bem a Doutrina de Marx; por que tem tanta certeza que liberdade e movimentação social só existe no capitalismo? Por que tem tanta certeza que a humanidade viverá eternamente no Capitalismo? Como bom “intelectual e sábio” que é deveria ao menos recordar que a história da humanidade só vem sendo escrita há dez mil anos, ou melhor, a humanidade só tem consciência de sua existência há dez mil anos, talvez um pouquinho mais ( 20 mil anos). Mas isto não interessa. O Universo tem 13 bilhões de anos de existência, a Terra 6 bilhões, e acredito que estes dois entes (Terra e Universo) possívelmente vão estar aqui por mais 10 bilhões de anos. Acha mesmo que o capitalismo vai durar tudo isso? Se assim for, não pensou você que isso seria um atestado de irracionalidade da espécie humana? E de aqueles que defendem esta eternidade?(do capitalismo)….risos. Ou você é desses que acredita que aquele processo de evolução e involução depende simplesmente das nossas consciências, hoje atrofiadas. Aquele processo é um fenomeno materialista, ou seja, natural, no bom sentido filosófico e científico da palavra ( é como dizer que 2+2=4) um fenômeno que não depende de consciência alguma. Tchau…! Boa sorte! E não precisa morrer de medo, vai passar muito tempo, sim, para o Capitalismo desaparecer ou sumir. Até lá já deu tempo para você (para sua felicidade) e eu (para minha infelicidade) nos transformarmos em pó. Ah…Li o “Quem Sou Eu”. Pareceu-me tímido ao tomar uma verdadeira posição política ( ou ideológica). Quem lhe escreve é um esquerdista convito e que tem como ideologia política o Marxismo Lenenismo e filosofia de vida o Materialismo Dialéctico e Histórico. Um abraço!
    • Amilton Aquino says:
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      Prezado Nelo, Acho que meu texto deixa bem clara minha opinião. Pouco me importa o nome do sistema político econômico que teremos no futuro, contando que este assegure direito de expressão, propriedade e mobilidade social. Até aqui o capitalismo foi o sistema que mais se aproximou disso. Se o comunismo for capaz de garantir estes e outros princípios algum dia, ótimo! Voltarei a ser comunista. O problema é que em todas as experiências comunistas que assistimos, os traços mais marcantes foram: autoritarismo, corrupção e ineficiência. Apesar de tudo, admiro sua persistência! Abraço
    • Abbud says:
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      Nelo, talvez os seres humanos estarão preparados para o comunismo somente daqui a milhões de anos, talvez nunca, por que a meritocrácia é o que faz a nossa sociedade ainda pouco evoluída andar para a frente, como no comunismo não há mérito em nada, ou seja todos são iguais não importa se fiquem em casa dormindo ou trabalhem com eficiência, logo só estaríamos preparado para este sistema quando toda a sociedade tenha evolução suficiente para trabalhar para o bem dela mesma de forma incodicional e por livre arbítrio, o que voce deve concordar que esta muito longe de acontecer. Abraços
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    Nem li ainda, mas lerei. Ainda estou em estado de êxtase, quando encontro um blog legal fico lendo tudo de uma vez. O que não é muito bom. Mas a ideia do fim do capitalismo é inimaginável, (quase) impossível.
  10. Julio says:
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    o Capitalismo já está em declínio, e as nossas próximas gerações irão estudar o declínio e depois a queda do capitalismo, só acompanhar as manifestações atuais decorrentes no mundo inteiro, o povo está se voltando contra o governo, em busca de igualdade, aos poucos se inicia uma revolução, após isso uma reforma, pode anotar ai meu chegado, nada nessa vida é pra sempre :D
    • Amilton Aquino says:
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      Júlio, o mesmo se dizia em 29, quando a crise foi muito mais grave e ainda havia a ameaça comunista em plena ascensão e totalmente imune a então crise. De fato o sistema atual está bem doente. E a doença vem de longe, desde que os governos da antiguidade começaram a falsificar moeda, passando pelos ourives da idade média, pela invenção das bolsas de valores na Holanda, os malditos hedges, também na Holanda, que deram o caráter de aposta das bolsas de valores de hoje, a institucionalização da alavancagem de moeda sem lastro com a criação dos bancos centrais, etc. Enfim, é muita falcatrua atuando contra este ente que vc chama de capitalismo, que na verdade é apenas o resultado da evolução de trocas da humanidade. Para ser sincero acho até admirável que o sistema atual, lastreado em moeda falsa, ainda não tenha caído em um crise ainda maior que a de 29. E apesar de todos estas falcatruas, é também admirável que inda existam sim bons exemplos de países que conseguem conciliar livre mercado com baixos níveis de pobreza e corrupção. Normalmente são países com altos índices de liberdade econômica. Ou seja, a julgar pelas lições da história até aqui as melhorias não virão de um grupo de iluminados como já aconteceu nas diversas experiências socialistas, mas do ambiente de liberdade econômica que já encurtou o caminho de vários países da pobreza ao primeiro mundo nas últimas décadas, apesar dos espertalhões de sempre. Portanto, muito mais realista do que ficar sonhando com regimes utópicos que sempre terminam em ditadura, é educar a população para entender o que está errado no mercado financeiro e apontar para uma gradativa reforma do sistema. Já existe um grupo de economista que apontam nesta direção. A Escola Austríaca está sempre apontando os problemas do sistema atual, mas, infelizmente, o mainstream econômico ainda os acha muito “radicais” (Hoje bem menos, felizmente). Quem sabe no futuro, esta visão venha a ocupar também uma posição no mainstream! Seria um bom começo… A humanidade é mesmo assim. Só aprende errando.
  11. Felipe says:
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    o problema de ser um seguidor do capitalismo , é pensar que quem o critica é socialista, assim são julgados aqueles que questionam esse sistema econômico, que segundo o texto é o salvador da humanidade, e também segundo seus seguidores, na verdade o problema está quando temos um líder que pense por nós, o socialismo nunca será a solução para tirar o planeta das mãos dos empresários , dos políticos,da mídia que eles controlam, da elite econômica em geral o capitalismo mexe com as pessoas, o consumismo seria a solução dos problemas da vida,e a ostentação é a base do ´´sucesso´´ , o próprio sistema que oferece soluções é também o causador dos problemas,regra de três, como a violência da cidade , favelas, miséria, um sistema que não,permite que você plante e colha seu alimento,um sistema que vive de ostentação e consumismo, que colocou no lugar da vida a preocupação em ganhar dinheiro, criou uma sociedade que paga ao rei o tributo e espera dele a solução dos problemas que ele mesmo criou,onde o medo de fracassar é o que move a maioria, ficar igual a um humano que vive nas ruas como um miserável,julgado miserável , mau visto porque não é ´´´trabalhador´´,isso para os seguidores é ordem , é muita inocência pensar que quem nasce na favela terá as mesmas chances de ´´sucesso´´financeiro de quem nasce filho de empresário, você deixaria sua empresa que cresceu graças aos funcionários, a um deles quando se aposentar ? , ou deixaria ela a seu filho para dar continuidade na herança da família, o capitalismo é mais ou menos isso, os de baixo esperando que os de cima os recompensem por seus esforços,mas eles não recompensarão porque o que vale é a competição é permanecer no topo chegar até lá, o debaixo tentar guardar um dinheiro para ser empresário, e não conseguir devido ao aumento de preços é ser escravo do dinheiro ,para usufruir daquilo que o dinheiro oferece, tudo para ostentar ,consumir ,ser o melhor… é claro que esse texto que escrevi é muito superficial,o capitalismo não é de todo ruim , o que eu quis focar é que o capitalismo atual ,nos ensina que ordem é isso que vivemos, e que não há vida fora dessa suposta ordem…essa é uma opinião minha como escrevi superficial .
    • Amilton Aquino says:
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      Olá Felipe! Churchil falou certa vez que a democracia é o pior regime político, exceto todos os outros. Eu diria o mesmo do capitalismo. Tem falhas, tem muita coisa a se criticar, mas é, de longe, a melhor opção em comparação a todas as “soluções” revolucionárias que foram tentadas até hoje. Me incomoda também o consumimos desenfreado, a ostentação e a correria do dia a dia contemporâneo. Mesmo assim prefiro o capitalismo com todas as suas falhas a qualquer solução mágica vinda da mente de qualquer minoria que se acha iluminada. A história está aí para provar que tais soluções conduzem sempre ao autoritarismo. Sempre vai haver pessoas viciadas em ganhar dinheiro. Não invejo tais pessoas, mas, diferente de vc que as vê como exploradoras inescrupulosas, vejo nelas um papel importante de criar empregos, por exemplo. Não tenho o menor talento para ser empresário, portanto prefiro ter um salário fixo e fazer algo que gosto. Não invejo os donos da empresa em que trabalho. Percebo que trabalham demais e têm responsabilidade imensamente maiores que as minhas. Enfim, o capitalismo me permite que eu possa escolher uma vida mais simples, rejeitando boa parte do que o capitalismo tenta me vender. Se mais pessoas pensarem assim, certamente o capitalismo terá que se ajustar a demanda das pessoas. Mas este é um processo lento, que depende mais da consciência de cada um e não de um grupo político que quer a todo custo moldar os destinos da humanidade. Enfim, o capitalismo é cheio de virtudes e falhas, assim como o caráter humano. Quer melhorar o capitalismo, então melhore o caráter humano. Mas isso tem que ser feito com convencimento, muito debate e não com imposição. Abraço!