Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Balanço do primeiro ano do governo Dilma (parte 1)

O governo Dilma começou com uma saia justa, tendo que tomar medidas contrárias aos rumos até pouco tempo defendidos pela até então candidata. Com um repique inflacionário, taxa Selic em alta, câmbio supervalorizado, queda de competitividade da indústria, endividamento crescente, déficit recorde em transações correntes, R$ 137 bilhões de restos a pagar do governo Lula, além de mais um recorde de déficit previdenciário.

Tudo isso, tendo que iniciar as obras da copa e das olimpíadas já em ritmo de desespero, já que o governo Lula não deixou nem mesmo uma pedra fundamental encaminhada. A situação só não era pior por causa dos altos preços das commodities que continuaram altos no mercado internacional, turbinando assim nossas exportações. Mas governo e mercado sabiam que o ritmo frenético do final do governo Lula não era sustentável e que o crescimento deveria recrudescer. Primeiro, por causa do repique inflacionário, decorrente de um esforço extra para aquecer a economia e criar o clima de euforia que ajudaria na eleição da candidata. Segundo, pela falta de estrutura para aguentar um crescimento na casa dos 7%. Terceiro, pelo aumento do nível de endividamento da população decorrente da ampliação do crédito nos últimos anos. E quarto, pelos sinais de agravamento da crise européia, entre outros fatores menos relevantes.

E foi o que aconteceu.  De um crescimento de 7.5% em 2010, terminamos 2011 com um crescimento de 3%, contrariando a projeção inicial do governo de crescimento entre 4,5 e 5%. Não é nenhuma tragédia, como na Europa, mas ainda assim um crescimento muito abaixo da média dos países emergentes, inclusive dos latino-americanos, onde só conseguimos crescer mais que a caótica Venezuela, afundada em uma grave crise fruto das aventuras populistas do caudilho Chavez.

Diante de um quadro tão desafiador, o governo Dilma não teve outra alternativa a não ser admitir uma das principais críticas da imprensa e da oposição: o governo Lula gastou além do que deveria, aumentando assim a dívida pública, a pressão inflacionária e, consequentemente, a taxa Selic. A solução amarga do aperto fiscal que o governo Lula protelou teve que vir já no primeiro ano de governo Dilma, com o anúncio de corte de R$ 50 bilhões no orçamento inicialmente previsto.

Mas o cenário econômico não foi o principal assunto do primeiro ano do governo Dilma. A constante queda de ministros foi, de longe, o fato mais marcante. Nunca na história deste país um governo mudou tanto de ministros em tão pouco tempo. E mais uma saia justa do governo Dilma, pois a quase totalidade dos ministros substituídos integravam a chamada “cota pessoal de Lula”, pois, como já apontamos em posts anteriores, pela primeira vez na nossa história tivemos um ministério todo formado por cotas. Cota de “indicados” pela heterogênea base de apoio do governo, do ex-presidente e até a própria presidente que teve seu poder subtraído ao ponto de escolher alguns poucos ministros para a inflada máquina administrativa do PT que chegou a incrível marca de 38 ministérios, sendo que alguns, como o da Integração Social, por exemplo, chegou a inacreditáveis 70% de cargos comissionados!

Mas os maus exemplos não terminaram com o ano que se foi. Mal 2012 começa e já nos deparamos com uma nova crise, agora no ministério da Integração Nacional, que traz à tona mais uma mazela da política brasileira institucionalizada no governo Lula: o uso político dos ministérios para beneficiar as “bases eleitorais” dos titulares dos cargos. As desculpas são as mesmas, assim como as tragédias que se repetem a cada ano. Aliás, esperava-se que o governo da Dilma, marcado pela maior tragédia natural da nossa história (as enchentes do Rio de Janeiro), tomasse alguma iniciativa de mudar alguma coisa na prevenção de enchentes.  Passados doze meses, Pernambuco aparece como o maior beneficiário das já pífias verbas do ministério da Integração Nacional.  Devo esclarecer que Pernambuco é o meu estado, mas não posso concordar que um estado que tem a população equivalente a da capital do Rio de Janeiro receba 90% das verbas destinadas à prevenção de enchentes.  E mesmo assim tais verbas são apenas uma fração do que foi prometido, afinal, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, dos R$ 508,5 milhões previstos em 2011 para o Programa “Prevenção e Preparação para Desastres”, apenas R$ 28,9 bilhões foram gastos.

E aí, mas uma vez, os fatos ficam para o segundo plano.  As eleições de 2014 tornam-se o centro das discussões nos intermináveis debates na Internet, afinal o ministro acusado é do mesmo partido do bom governador de Pernambuco. E como o governador Eduardo Campos está cotado para substituir Dilma em 2014 ou em 2018, então mais uma vez a “imprensa golpista”, comandada pela Globo,  já está preocupada em desconstruir a imagem do governador, possível candidato a presidente daqui há sete anos. Portanto, para os discípulos lulistas, qualquer crítica sobre este assunto é politicagem e ponto final!

Popularidade

Apesar do cenário desfavorável, o governo Dilma demonstrou habilidade em driblar as adversidades, tanto que sua popularidade surpreendentemente supera tanto a de Lula quanto a de Fernando Henrique no primeiro ano de governo.

Mas como explicar tal popularidade em meio a uma sensível queda no ritmo de crescimento, com uma incomoda inflação, tendo que cortar gastos, em meio ao agravamento da crise mundial e tendo que enfrentar uma crise após outra com seus ministros?

A primeira explicação foi a imagem de “faxineira” que a presidente adquiriu, fama esta alimentada pela própria imprensa. A cada novo ministro demitido, os analistas políticos aplaudiam a presidente, ressaltando a diferença de postura em relação ao ex-presidente Lula, que havia se notabilizado nos últimos anos por sua complacência com corruptos ilustres, entre os quais um dos mais notáveis, o famigerado Sarney, para quem Lula veio a público pedir um tratamento “diferenciado” diante da enxurrada de denúncias contra ele e a sua família, não custa lembrar.

Incomodados com a crescente popularidade da presidente entre os desafetos políticos, o PT logo identificou a nova “conspiração da direita” em promover a discórdia entre a presidente e o ex-presidente. E eis que o até então surpreendentemente silencioso Lula dos três primeiros meses do governo Dilma ressurgiu das cinzas no aniversário do PT, discursando com seu entusiasmo de costume, com o claro objetivo de se reaproximar da presidente, afirmando enfaticamente que “fazia parte do governo e que o sucesso da Dilma era o seu sucesso”. Visivelmente desconfortável na ocasião, a presidente se limitou a acenar, mas nem mesmo discursou.

Entre as providências tomadas pelo PT, o termo “faxina” teve que ser abolido das entrevistas, afinal pegava muito mal para a imagem do mito Lula a fama de faxineira da nova presidente, até porque a quase totalidade dos ministros que caíram foram indicados pelo próprio Lula, sendo que alguns dos esquemas que vieram à tona remontavam ao governo anterior.

Nas redes sociais, os críticos de Lula, inclusive eu, ironizávamos a inusitada situação, afinal não precisou nem mesmo a oposição chegar ao poder para que os podres do governo Lula viessem à tona. Também de olho nas “conspirações da direita” nas redes sociais, o PT recorreu a um artifício usado por Sarney na Crise do Senado, em 2008, quando este contratou um exército de jornalistas e estudantes de jornalismo para defendê-lo.

Mas nada disso teria acontecido se a “imprensa golpista” não tivesse publicado as denúncias que colocaram a presidente na saia justa de ter que demitir os ministros de Lula. Logo, os petistas articularam-se para atacar a fonte dos problemas (ou seja, a imprensa), retomando as discussões para a aprovação de sua polêmica proposta de lei de imprensa, assim como a chamada Comissão da Verdade, a fim de  polarizar a cada dia mais tênue dicotomia entre direita e esquerda. Ou seja, o PT repete a fórmula adotada no escândalo do mensalão, pois a polarização além de mudar o foco das discussões, une as esquerdas e isola a oposição, já que ninguém quer ser enquadrado com o rótulo de “direita”. De quebra, o PT estanca a aproximação que começava a ocorrer entre a presidente e FHC, desde o aniversário de 80 anos do ex-presidente, quando Dilma reconheceu publicamente aquilo que Lula passou oito anos negando. Nas palavras da presidente, “o acadêmico inovador, político habilidoso, ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica”.

Ma a aproximação durou pouco. Com as “providências” do PT e com a nova onda de acirramento político, Dilma escolheu seu lado. Aos poucos, a presidente foi se rendendo às investidas do PT e foi também aderindo às recomendações do partido. Rechaçou publicamente o termo “faxina” do seu vocabulário e passou a ser mais complacente com seus ministros, mesmo com o festival de absurdos do caso do atrapalhado ministro Lupi, que chegou a questionar a autoridade da presidente para demiti-lo, com a lamentável bravata de que só sairia do ministério abatido à bala. De um lado, Lula cobrava dos denunciados uma postura mais “casca grossa” para não se deixar derrubar pela “imprensa golpista”. Do outro, a presidente cada dia mais incomodada por ter que demitir um ministro após outro, o que, para os petistas, significava “fazer o jogo da imprensa golpista”. E assim Dilma chegou ao último escândalo do ano comportando-se exatamente como Lula queria. Indiferente às denúncias contra o ministro Pimentel, defendendo-o, inclusive, com o incrível argumento de que as denúncias remontavam a um período em que o ministro ainda não era ainda ministro. Ou seja, não basta mais provar que os políticos são corruptos. Agora a corrupção tem prazo de validade e, na nova ótica da presidente, prescrevem com a mudança de governo.

Apesar de tudo, o balanço final da presidente no trato com o problema da corrupção é positivo, afinal sua base de comparação é com o presidente Lula, o político que inocentou as velhas raposas do Congresso (raposas aliadas, claro), institucionalizou o “toma-lá-dá-cá” na troca de cargos por apoio, valorizando assim a “atuação” dos partidos de aluguel, os quais tiveram crescimento exponencial nos últimos anos graças ao “mercado dos votos” institucionalizado pelo PT.

Portanto, além da óbvia associação ao popularíssimo Lula, o segundo mais importante fator que explica a popularidade da presidente é a percepção da população de que esta é menos tolerante com a corrupção que seu antecessor, apesar dos deslizes diante das últimas denúncias.  Vamos acompanhar daqui por diante.

O terceiro fator que contribui para a popularidade da presidente são as notícias constantes de crise nos países ricos, o que valoriza ainda mais nossa ascensão no cenário global como um dos emergentes.

O quarto fator é bem curioso, pois parte da popularidade da Dilma apontada nas mais recentes pesquisas vêm de eleitores que votaram em Serra ou em Marina. Lamento decepcionar alguns dos meus leitores, mas devo esclarecer que me enquadro neste time e explico o porquê: o sucesso de Dilma é a única maneira de evitar que Lula volte em 2014. Um eventual fracasso da Dilma levaria a um clamor pela volta de Lula, revigorando o viés populista do governo do PT, que felizmente arrefeceu um pouco com o estilo mais sóbrio da presidente Dilma.  Portanto, entre os males, o menor. Viva a Dilma!

Além do mais, o fato do Brasil não ter piorado em 2012 já é motivo suficiente para comemorarmos, pois, como vimos na série “Desafios do Pós-Lula”, a Dilma pegou um verdadeiro abacaxi e até aqui tem descascado razoavelmente bem.

No próximo post faremos uma análise rápida do que o atual governo conseguiu diante de cada um dos desafios apontados na série. Até lá!

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24 Responses to Balanço do primeiro ano do governo Dilma (parte 1)

  1. Gilx says:

    Também concordo. Entre o ruim e o péssimo, eu ficaria com o ruim (Dilma).

    • Amilton Aquino says:

      Pois é Gilx, aos poucos vamos nos tornando uma nova Argentina. Lá a unanimidade burra do peronismo transformou um dos países mais ricos do mundo até os anos 50 em apenas mais um típico país latino afundado em crise. Aqui o lulo-petismo vai dominando tudo. Se continuar assim, só vai nos restar torcer para Eduardo Campos brigue com o PT e forme um novo bloco de oposição.

  2. Luiz Carlos Vasconcelos says:

    KKKKKKKKKKK! chorem, demotucanos! é o que resta a [email protected]

    • Amilton Aquino says:

      Para pessoas hipnotizadas como vc não adiantam os argumentos, apenas a disputa eleitoral. Vc se acha parte do time vencedor e isso é o que importa. Todo o resto são apenas detalhes. Quem não faz parte do time é apenas resquício que deve ser destruído. Lamentável!

    • Andrë Santos says:

      Luz a sobriedade do relato do primeiro ano de Dilma, nos coloca além do cabo eleitoral que vc deve ser, a postura no blog nunca foi do quanto pior melhor, somos todos brasileiros e não importa o partido, porém, prá vcs do PT, não existe patriotismo e sim partidarismo. Seria cômico se não fosse trágico.

      • Amilton Aquino says:

        Pois é, André. Tenho uma família para tomar conta. Quando o país entra em crise sou um dos primeiros que sofre na pele. Abraço!

  3. Marcio Santos says:

    E o Aécio, onde está ele? Será que vamos ter que apostar nossas fichas em mais uma candidatura fadada a derrota de Serra?

    • Amilton Aquino says:

      Pois é Márcio, para quem esperava ver o Aécio assumir uma posição de protagonista, pelo menos entre a oposição, até aqui uma grande decepção. Surpreendentemente, o Serra é quem está aparecendo mais, publicando artigos lúcidos e pertinentes. Pessoalmente não acredito que Serra consiga ultrapassar seu teto eleitoral atingido na última eleição. Aliás, acredito cada vez menos no PSDB. Para um partido que tenta se apresentar como uma alternativa permitir que um de seus deputados apresente um novo projeto de “lei de mordaça” é algo impensável. O mínimo que poderíamos esperar era a expulsão de tal deputado. No entanto, o PSDB se limitou a apresentar a uma nota dizendo que não apóia a proposta. Agindo assim, como ter moral para criticar o viés autoritário do PT?

  4. Livio says:

    Amigo Amilton,

    Também sou um dos que se surpreenderam positivamente com o primeiro ano da “presidenta”.

    Infelizmente, já estou desiludido quanto a chance de qualquer governo vindouro, por iniciativa própria, decidir ter a corrupção como meta efetiva de governo, ao invés de promessa vazia de campanha.

    Acompanhei o assombro das denúncias do deputado estadual Roque Barbieri em SP, não vi nenhuma surpresa, tanto no conteúdo das denúncias, como também nas reações dos acusados, e principalmente, na pizza servida, com os auspícios da assim chamada bancada de oposição.

    Um pouco mais velho, e não é difícil lembrar dos arroubos e denúncias dos então oposicionistas petistas contra os “acordos” legislativos do Governo do FHC. Um pouco mais, e dá para lembrar dos cinco anos do Sarney, da farra da república de Alagoas, do “centrão”… Todos assíduos governistas desde então, independente do estandarte do partido que está ocupando a cadeira do presidente.

    Tenho certeza, certeza absoluta, que caso o Serra tivesse vencido, ele lideraria uma “coalizão” para garantir o progressos nesses tempos difíceis de crise internacional, com a pronta adesão de praticamente toda a bancada do PMDB, PPB, PV, PTB e todos os demais adesistas que hoje são “governistas de primeira hora”.

    Por que corrupção não é denúncia em si, mas os cupins que devoram às escondidas. Quando alguém vê serragem no pé do móvel, é sinal que eles já comprometeram irreversivelmente as estruturas.

    Então, o silêncio é o que mais me assusta. Silêncio obsequioso quando se falam de “problemas executivos” em alçadas estaduais. No poder judiciário.

    Não, a solução da corrupção não está em eleger a oposição. E está aí, a prova – quando os petistas foram eleitos, ao invés de expulsar, simplesmente cooptaram os corruptores, e só sobrou para reclamar quem estava mamando nas tetas deles, e que ficaram, pobrezinhos, sem ter o que mamar.

    Admiro que ainda acredite em políticos.

    Eu, prefiro acreditar em corregedoria, contabilidade e auditoria – conceitos quase alienígenas em administração pública.

    • Amilton Aquino says:

      Lívio, compartilho com vc as mesmas desilusões, mas não sou tão pessimista. Não acho que todos os políticos sejam corruptos, mas certamente o poder corrompe. Por isso acho imprescindível que mudemos sempre o grupo do poder, pois quanto mais tempo na máquina, mais entranhada fica a corrupção. Estamos vivendo na privilegiada era da informação. Se não arranjarem um meio de inibir a plena manifestação dos cidadãos, acho que mais cedo ou mais tarde vamos colocando alguns pingos nos “is” da história. A própria experiência administrativa vai separando o que é discurso e o que é realidade, quando vemos situação defendendo pontos que antes criticava quando oposição. Só lamento a memória curta das pessoas em não perceberem estes detalhes e continuam xingando uns aos outros por causa destes crápulas. Se não tivéssemos um ambiente tão acirrado, certamente hoje teríamos um debate mais proveitoso. É com esta esperança que continuo por aqui, dando minha pequena contribuição, juntamente com tantos outros colegas que dedicam preciosos momentos na árdua tarefa de conscientização.

  5. Gilx says:

    Amilton,
    Cada vez mais parece se concretizar os “vaticínios” do Olavo de Carvalho: o país será tragado de vez pela Esquerda e suas variáveis. Direita, de fato, nunca houve neste país; Capitalismo de livre mercado, idem.
    Infelizmente, toda a nossa cultura, todo nosso modo de pensar é essencialmente autárquico: o Estado é tudo! Basta ver que tanto a Esquerda quanto a “Direita” sempre tiveram presidentes estatistas e intervencionistas: Getúlio, JK, Regime Militar, Collor, FHC, Lula.
    Lembra da Indústria naval, que Lula teria “ressuscitado”? Pois é, mais um delírio nacionalista que mostrou-se fraudulento:
    “o então presidente Lula, com Dilma no palanque, exibia no Porto de Suape, em Pernambuco, o primeiro navio petroleiro construído no Brasil em catorze anos. Tudo teatro eleitoral. Tão logo a platéia se foi, a embarcação voltou ao estaleiro e de lá nunca mais saiu. O que poucos sabiam até agora é que o vistoso casco do João Cândido – um portento planejado para transportar 1 milhão de barris de petróleo através dos continentes e que custou à Petrobras 336 milhões de reais (o dobro do valor de mercado) – escondia soldas defeituosas e tubulações que mal se encaixavam. Corria o risco de desfazer-se em alto-mar.”
    É o que dá trocar as leis do mercado pela ideologia.
    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/chega-ate-quando-certa-imprensa-vai-insistir-em-dizer-a-verdade-ou-o-navio-apedeuta-do-apedeuta/

    • Amilton Aquino says:

      De fato o estatismo e intervencionismo sempre estiveram presentes nos governos brasileiros. Mesmo na era Collor, o período onde o estatismo começou a perder espaço de fato, o intervencionismo sempre esteve presente como um fantasma a inibir a iniciativa privada (que o digam os milhões de brasileiros que tiveram suas economias confiscadas). Na era FHC, tanto o intervencionismo quanto o estatismo diminuíram, mas o famigerado “custo Brasil” aumentou ainda mais com a escalada da carga tributária. Na era Lula, não só a carga tributária continuou a aumentar, como também o estatismo e, principalmente, o intervencionismo tiveram um novo impulso. Portanto, o verdadeiro capitalismo de livre mercado (com baixa estatização, intervencionismo e carga tributária) de países modernos como a Nova Zelândia, por exemplo, de fato nunca existiu por aqui. Por esta ótica, concordo plenamente com o Olavo.

      Sobre o fiasco do petroleiro que está sendo fabricado em Pernambuco, concordo plenamente com todas as críticas, embora reconheça os pontos positivos para Pernambuco. A Petrobrás e seus acionistas arcam com o prejuízo, Pernambuco fica com o lucro. É uma forma macro de transferência de renda. Não é à toa que Pernambuco ostenta os maiores índices de crescimento do país. Se nos próximos anos desenvolvermos tecnologia suficiente para tornar nossa produção de navios pelo menos 60% menos ineficiente, talvez a iniciativa beneficie o país como um todo. Até lá, o estaleiro de Pernambuco é mais um trampolim para Eduardo Campos se lançar candidato a presidente.

  6. Aliancaliberal says:

    Ola e saudades.
    Um fora de pauta mas no contexto politico deste ano
    o contraponto do implicante para o livro privataria tucana.
    http://www.implicante.org/blog/dossie-do-dossie-as-mentiras-do-livro-do-amaury/

    • Amilton Aquino says:

      Grande Liberal! Seja bem vindo!
      Já tinha lido alguns artigos sobre o livro e a cada dia vou formando minha opinião também sobre este assunto. Já deu para perceber que não procuro me aprofundar muito nas entranhas da corrupção, né? A razão é simples: não coloco a mão no fogo por ninguém, nem da situação, nem da oposição. Vou continuar acompanhando a análise do Implicante e depois posto aqui minhas impressões. Abraço!

  7. Eder says:

    Amilton Aquino,

    O seu texto esta bom, apenas senti que faltou vc comentar sobre o aumento real do salário mínimo deste ano e a importância deste fator para melhorar a distribuição de renda no país, e como essa melhora da renda dos cidadãos pode ajudar no enfrentamento da crise mundial,já que pelos cálculos do Dieese com o novo mínimo em vigor, a previsão e de que serão injetados na economia 47 milhões de reais.

    Outro ponto que gostaria que vc comentasse, e sobre a questão do Brasil ter se tornado a sexta maior economia do mundo, tendo ultrapassado a Inglaterra. Como vc se explica o paradoxo do Brasil ser a sexta maior economia do mundo e estar na décima colocação na classificação de país com pior distribuição de renda do mundo? ou o paradoxo do Brasil ser a sexta maior economia do mundo e estar na 84 posição do ranking da ONU no índice de desenvolvimento humano?

    • Amilton Aquino says:

      Eder,

      Este é o primeiro post de três. Ou seja, ainda vamos falar bastante sobre diversos temas e certamente também sobre o aumento do mínimo. No entanto já te adianto que o aumento do mínimo também traz problemas, tanto que já nos primeiros dias de governo a Dilma já se mostrou disposta a mudar a política salarial acordada entre Lula e as centrais sindicais. E por que ela quer mudar? Porque ela já percebeu que à longo prazo tal política vai acelerar o processo de desindustrialização que está em curso.

      Sobre o aquecimento da economia com o aumento do mínimo, teremos aí mais um grande abacaxi para a Dilma descascar, pois nossa economia não pode aquecer muito, pois já estamos no teto da meta de inflação. Se a inflação aumenta, o BC aumenta os juros, se os juros aumentam, a economia desaquece e a dívida aumenta. Isto sem falar no aumento do défict previdenciário decorrente do aumento do mínimo. É como se o governo estivesse acendendo uma fogueira e ao mesmo tempo jogando água para controlar o fogo. É por isso que, apesar de sermos um dos mais importantes emergentes, nossa média de crescimento nos nove anos do comemorado governo do PT não chega a 4%, percentualmuito abaixo de todos os outros emergentes.

      Mas como o Brasil pôde chegar ao posto de sexta maior economia do mundo com um crescimento tão baixo? A explicação é simples: o Brasil tem uma das maiores populações mundiais e uma das maiores riquezas naturais do planeta. Os países que o Brasil tem ultrapassado no ranking das maiores economias têm populações bem menores e envelhecida, escassos recursos naturais e economias estagnadas, já que suas rendas per captas já estão no teto. Neste contexto, os emergentes surgem como a nova fronteira do desenvolvimento mundial. Não à toa, pela primeira vez na história, os emergentes ultrapassam as economias avançadas no montante do PIB mundial.

      Mas a regra que vale para nós, vale para os outros também. Da mesma forma que o Brasil, mais populoso, vai ultrapassando as economias européias, vamos perder uma posição para a Índia que, embora muito mais pobre e desigual, tem uma população maior que a nossa e cresce bem mais rapidamente.

      Portanto, o valor final do PIB é apenas um indicador. Infla o nosso ego, mas está longe de resolver nossos problemas crônicos, como vc bem citou. Apesar do nosso sucesso, vamos precisar de mais duas décadas no ritmo de crescimento atual para chegar à renda per capta de Portugal, um dos mais pobres da União Européia.

      Em relação ao IDH, aí é que a coisa fica ainda mais difícil. Vamos ter que ralar muito para se equiparar aos ricos de hoje.

  8. Aliancaliberal says:

    O que acontece se o governo reduzir muito a SELIC ?

    A inflação sobe, devido a inércia da expansão da base monetária – “impressão de dinheiro”, praticada pelo governo. Mesmo que parasse agora a expansão, o efeito ainda seria sentido por muitos anos.

    O governo expande a base monetária (gerando inflação) para absorver os ganhos de produtividade da economia e assim obter renda para financiar seu orçamento.

    Para isso deve haver um sincronismo entre os ganhos da economia e a politica expancionista do governo. A falta desta sincronia gera: ou inflação ou redução da atividade economica, devido a perda de receita inflacionária. O governo terá que compensar por tributação e/ou aumentar o financiamento por intermédio do mercado ,absorvendo (ainda mais) a poupança que seria usada para investimento.

    Em uma economia com uma quantidade de moeda fixa, tende-se a ter uma redução dos preços devido a dinâmica do processo concorrencial. Se houver aumento de preço por quebra de produção ou demanda (ex: o arroz) o gasto a mais em um produto reduzirá a compra de outro produto (ex: o açúcar) desta forma não há o aumento generalizado de preços.

    O mito de que desenvolvimento gera inflação, tem como base a afirmação de que o aumento da demanda gera aumento de preços generalizados o que é falso,somente pode acontecer o aumento generalizado de preços em economias baseadas no desenvolvimento e investimento por expansão monetária (falsa poupança), pq o aumento de preço por demanda é compensada com a expansão monetária e não pela redução de consumo em outra area, como seria em uma economia onde a base monetaria seja fixa.

    E pq o governo usa este artificio de “imprimir dinheiro” em vez de aumentar os impostos de acordo com sua necessidade orçamentária?

    Pq aumentar impostos não é uma ação que a população aceita bem, normalmente o politico é punido na próxima eleição. Assim os governos preferem usar um meio indireto e pouco transparente de financiar seu orçamento o “imposto inflacionário” do que perder a eleição futura.

    Base Monetária:

    Julho de 1994: $6.495.066

    Abril de 2009: $132.422.172

    Variação percentual: 1.938%

    M1:

    Julho de 1994: $10.075.566

    Abril de 2009: $196.087.946

    Variação percentual: 1.846%

    um aumento médio de 22% ao ano.

    A Base Monetária = a soma de todas as cédulas e moedinhas emitidas pelo Banco Central mais as reservas compulsórias que esses bancos mantêm depositadas no BACEN.
    M1 = a soma de todas as cédulas e moedinhas em poder do público mais todos os depósitos à vista.

    A Base Monetária é a única variável sobre a qual o BACEN tem controle direto. Daí podemos mensurar o grau de devassidão com a qual essa variável é tratada.

    Já o M1 é a variável de maior liquidez – isto é, seus componentes são aqueles que estão prontamente disponíveis para uso imediato do indivíduo. Daí o M1 ser considerado por muitos a medida mais fiel do dinheiro realmente disponível na economia. M2, M3 e M4 estão além desse escopo.

    • Amilton Aquino says:

      Excelente contribuição, Liberal. Não conhecia estes dados comparativos da expansão monetária de 1994 a 2009. Em outras palavras, os bancos centrais são mais uma forma dos governos roubarem a população.

      No caso do Brasil, a expansão da nossa demanda gera sim inflação, pois além do governo expandir nossa base monetária (via BC ou via BNDES), a inclusão no mercado de consumo de milhões de brasileiros a cada ano leva a um descompasso entre consumo e a oferta de produtos.

  9. Rinaldo Rodrigues says:

    Vamos ver se o governo Dilma começa, mesmo… porque até agora foi somente tentando se livrar e sofrendo com a herança maldita do seu mestre Lula. Ainda tem todas as promessas de campanha que deverão ser cumpridas – 1 milhão de creches, escolas técnicas, 1 milhão ou 2 de casas populares…
    Mas ainda bem que o povo já não se lembra mais de tanta lorota.

    • Amilton Aquino says:

      A ironia é que Lula falou tanto da herança maldita de FHC e deixou este abacaxi para a Dilma. E olha que ele governou numa época privilegiada, a década que tirou os emergentes do ostracismo e os colocou no centro da economia mundial.

  10. Sandro says:

    Matéria de Capa da edição atual da The Economist:

    The Rise of State Capitalism

    http://www.economist.com/node/21542931

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, não li todos os artigos ainda, mas, mesmo sem querer, a revista está dando mais um mote para os adoradores do Estado, além da já tão falada “ressurreição de Marx”. A revista faz uma constatação correta: o capitalismo de estado ganhou espaço nos últimos anos. No entanto, isso não é causa e sim fruto de um contexto único na história da humanidade. A verdadeira causa das transformações que estão ocorrendo estão relacionadas à entrada em massa de milhões de pessoas no mercado de consumo, puxados pela China e demais grandes emergentes. E por que isso aconteceu? Por causa da globalização. A capacidade de produção aumentou nos últimos anos muito mais rapidamente que a capacidade de consumo dos países ricos, cujas populações estão envelhecidas e com custos de mão de obra nas nuvens. A solução, portanto, para as grandes empresas foi migrar para os emergentes. A China, com seu grande mercado consumidor, virou um grande oásis de oportunidades. Desde então, este país se tornou um “modelo” de capitalismo de estado que agora entrou em moda entre os emergentes. Mas isso não torna as empresas “estatais” mais competentes que as privadas. Torna-as mais poderosas por terem um braço do estado, principalmente no momento em que o mundo rico entra em crise. A longo prazo suas ineficiências virão à tona em forma de dívidas. Em duas ou três décadas o crescimento frenético de hoje dos emergentes vai arrefecer e aí as ineficiências virão à tona. Disso tenho absoluta certeza.

  11. O Anonimador says:

    Olá novamente, Amilton,

    sei que é um pouco fora de pauta, mas tive que trazer isso aqui pra você responder. aqui vai:

    Você se lembra que ainda essa semana eu falei pra você sobre o caso do provável “estupro” no BBB não é. Você me falou que não acredita que a Rede Globo pode sair do ar por causa disso, mas no entanto, hoje encontrei no site do Folha de S. Paulo (se quiser outras fontes, procure no Google) uma notícia na qual algumas pessoas foram protestar contra a conduta da Rede Globo sobre esse caso, o que pode ser mais um trunfo para a Rede Record, os “bispos” da Igreja Universal e a blogosfera “progressista”. E agora, o que você acha disso.

    PS: NÃO ME ESPERE PRA COMENTAR, POIS AINDA TENHO VÁRIAS OUTRAS PERGUNTAS (NÃO SÉRIAS, É CLARO) PRA VOCÊ.

    • Amilton Aquino says:

      Continuo achando que isto não vai dar em nada, o que não impede que os “progressistas” e seguidores da Universal façam estardalhaço em torno do caso. Isto já era esperado. Agora o que eu não esperava era que o Ministério das Comunicações ameaçasse a Globo com uma lei tão ultrapassada como a do Código Brasileiro de Telecomunicações.

      Segue um trecho de reportagem publicada no Terra:

      “Já foi solicitada à TV Globo a gravação da programação veiculada nos dias 14 e 15 de janeiro de 2012, para degravação. As imagens serão analisadas e, se estiverem em desacordo com as finalidades educativas e culturais da radiodifusão e com a manutenção de um elevado sentido moral e cívico, não permitindo a transmissão de espetáculos, trechos musicais cantados, quadros, anedotas ou palavras contrárias à moral familiar e aos bons costumes, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico (art. 38, alínea “d” do Código Brasileiro de Telecomunicações – Lei n˚ 4.117/62 – c/c art. 28, item 12, alíneas “a” e “b” do Regulamento dos Serviços de Radiodifusão – Decreto n˚ 52.795/63), será instaurado Processo de Apuração de Infração neste ministério, cujas sanções cabíveis incluem a interrupção dos serviços (Parágrafo único do art. 63 e multa nos termos do art. 62 do mesmo Código).”

      Ora, se formos usar o código de fato, 90% da programação da TV brasileira terá que sair do ar. É claro que isso é inconcebível, mas a ameaça do governo a Globo já é um alerta de que este pode usar os “meios legais” como arma na guerra contra a “mídia golpista” , ainda que estes meios legais estejam totalmente ultrapassados. Chavez já fez isso na Venezuela, vale lembrar.