Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 19)

Conclusões Finais

Como vimos ao longo da nossa série, medidas keynesianas têm sido usadas tanto por governos de Direita quando de Esquerda. O motivo é simples: o keynesianismo tem um forte apelo popular que se molda perfeitamente aos anseios dos políticos oportunistas. Ao aumentar o tamanho do Estado, os donos do poder não só reforçam as políticas paternalistas que os perpetuam no poder, como jogam para os futuros sucessores a conta da megalomania dos seus governos.

Este foi o motivo do fracasso das duas grandes oportunidades que perdemos de entrar no clube dos ricos. Primeiro com JK que, para realizar o capricho de construir Brasília, endividou o país e precisou fabricar moeda para “fechar as contas” no final do seu governo.

Os militares, apesar de conseguirem conter a escalada inflacionária deixada por JK e piorada por seus sucessores, cometeram o mesmo erro, endividando ainda mais o país com os petrodólares abundantes no mercado internacional. O resultado de mais uma aventura keynesiana foi uma dívida externa imensa e uma nova escalada inflacionária ainda maior que protelou nosso crescimento sustentável por mais duas décadas.

Mais recentemente, a partir da crise de 2008, um novo surto de keynesianismo surgiu no governo do PT. Seus efeitos negativos ainda não são sentidos devido à posição privilegiada dos países emergentes no cenário atual. Mas certamente poderíamos estar em uma posição muito mais privilegiada, menos juros, menos inflação e com menos dívida caso o governo Lula tivesse tido no segundo mandato a uma postura pelo menos semelhante a que teve no primeiro.

O keynesianismo, portanto, é apenas mais um “ismo” (ao lado do nacionalismo e do populismo) que foram (e ainda são) usados e abusados tanto pela Direita quanto pela Esquerda ao longo da nossa história, dando suporte as mais variadas metamorfoses políticas.

Duas dessas metamorfoses, e não por acaso, originaram os mais populares políticos da nossa história, responsáveis diretos pelos caminhos trilhados pela Esquerda e pela Direita no Brasil: Getúlio Vargas e Lula.

Metamorfoses Políticas

E assim como Keynes depois de morto virou ídolo da Esquerda, Getúlio Vargas, que quando vivo perseguia comunistas, foi transformado em um dos gurus da Esquerda brasileira, tendo sua herança política disputada entre o PDT de Leonel Brizola (até a década de 90 o segundo maior partido de Esquerda do país), e o seu real partido, o PTB, criado por Getúlio Vargas e que hoje se apresenta como social-democrata, apesar de não passar de mais uma legenda de aluguel.

Uma das razões da metamorfose de Getúlio é óbvia: o suicídio. Uma das poucas “virtudes” da morte é o seu poder de redimir as pessoas, mesmo que estas tenham em seu “currículo” a morte de centenas de pessoas, como é o caso de Getúlio Vargas. De quebra, teve também o poder de acabar com a oposição, que fechava o cerco com a comprovação de que o atentado ao jornalista Carlos Lacerda teria sido ordenado pelo chefe da guarda de Getúlio. E aqui temos uma grande diferença entre Vargas e Lula. O primeiro não teve a cara-de-pau de dizer que “não sabia”. Se o episódio fosse hoje, o desfecho certamente seria bem mais simples: a demissão do subordinado e, no máximo, uma prisão temporária cheia de mordomias com a promessa de refiliação ao partido do governo quando a poeira baixar. Alguém já viu este filme?

Outra razão da metamorfose de Getúlio foi a implementação da legislação trabalhista, que lhe rendeu o slogan de “pai dos pobres”. Como vimos no post 2 desta série, a instituição dos direitos trabalhistas era uma tendência mundial. As leis trabalhistas que serviram de base para a CLT já havia aprovadas desde a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) , realizada em 1919, sendo adotada por diversos diversos países. Ou seja, mais cedo ou mais tarde chegaria ao Brasil. Getúlio estava no lugar certo, na hora certa (assim como Lula).

Ainda aproveitando o contexto global que praticamente paralisou as economias centrais, Vargas teve a grande oportunidade de impulsionar a industrialização do Brasil pela política de substituição de importações e adotou as mesmas medidas keynesianas propostas pelo New Deal, de Roosevelt. Portanto, não inventou nada, apenas seguiu a onda, assim como diversos outros países.

E quando o nazismo que Getúlio simpatizava entrou em rota de colisão com o mundo, nosso populista presidente rapidamente tratou de pregar a neutralidade, tornando-se também um aliado no final da II Guerra Mundial, quando Hitler já havia se transformado no inimigo número um do mundo. Portanto, de colaborador de Hitler na perseguição a comunistas, Vargas passou também a criar nossos próprios campos de concentração, para onde eram enviados os alemães simpatizantes dos nazistas. Este, inclusive, é um dos segredos que tentam abafar com o projeto de segredo eterno para os arquivos oficiais, defendido por Fernando Collor e Sarney recentemente.

E como sempre acontece, a grande população não percebe os contextos mundiais que favorecem ou prejudicam governos, mas percebem rapidamente a melhora ou piora no seu dia-a-dia. Tanto Getúlio quanto Lula, populistas natos, usaram muito bem tais contextos, mudando de lado quando conveniente, evocando o nacionalismo, tanto para promover a auto-glorificação dos seus governos quanto para radicalizar a disputa eleitoral, colocando seus opositores na condição de “inimigos da nação”.

A caracterização de ambos os períodos da nossa história (era Vargas e era Lula) pode ser muito bem resumida na descrição perfeita de populismo, segundo o Wikipedia:

“A política populista caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um “modo” de exercício do poder, através de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático (caudilho), supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional (e não racional) com o “povo”. Isso implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio (legitimidade para si) através da simpatia daquelas. Esse pode ser considerado o mecanismo mais representativo desse modo de governar.”

Tirando o autoritarismo que felizmente não tem mais espaço no Brasil, temos a perfeita descrição do modo lulista de governar.

Mas, diferente de Vargas que migrou da Direita para a “Esquerda”, Lula percorreu a trajetória inversa. De radical esquerdista nos anos 80, passando pelo Lula “paz e amor” das eleições de 2002 ao Lula coronelista das eleições de 2010, capaz de lotear todos os cargos do governo da sua sucessora com partidos de todos os espetros ideológicos, inclusive das mais escancaradas legendas de aluguel.

Das ideologias ao “toma-lá-dá-cá”

A metamorfose política, no entanto, não é privilégio de políticos populistas. Os partidos também mudaram bastante desde o período imperial. Apesar da Esquerda ainda não ter força no Brasil, os partidos do Brasil Império tinham bandeiras bem definidas. Havia os conservadores monarquistas, os liberais que pregavam uma maior força ao parlamento e até os defensores da volta de Dom Pedro I.

O primeiro partido de Esquerda do Brasil só veio a ser criado em 1922. Surgia o Partido Comunista Brasileiro, defensor da luta armada. Como contraponto aos radicais do PCB, surgiu o PC do B, uma ala mais moderada que pregava um comunismo mais adaptado à realidade brasileira. Ironicamente, o PCB de Luis Carlos Prestes foi abandonando as bandeiras comunistas até se transformar no atual PPS, de Roberto Freire. Para quem não lembra, o PPS, que apoiou Lula em sua primeira eleição, migrou para oposição já no segundo ano do governo do PT.

Os remanescentes dos partidos do império e da república do café-com-leite formaram a Ação Integralista Brasileira (AIB), com inspiração claramente fascista.

Proibidos durante o Estado Novo de Vargas, os partidos políticos voltaram à legalidade a partir do final da II Guerra Mundial. Perseguidos pelo ditador, os esquerdistas brasileiros sobreviveram na clandestinidade. Da AIB surgiu o Partido da Representação Popular (PRP), que procurou se desvincular do fascismo escondendo-se na bandeira do nacionalismo. A ala da Direita favorável ao investimento do capital estrangeiro (portanto menos “nacionalista” e mais “entreguista”) abrigou-se na União Democrática Nacional (UDN). Dos conservadores adversários de Vargas, surgiu o Partido Social Progressista (PSP). Entre os conservadores apoiadores de Vargas, surgiu o Partido Social-Democrático (PSD), que elegeu seu sucessor, o general Gaspar Dutra, e mais tarde iria levar JK ao poder. Da veia populista de Getúlio, surgiu o Partido Trabalhista Brasileiro (o atual PTB), um partido identificado com os sindicatos que figurava mais ao centro-direita no espectro ideológico. De dissidentes do PTB surgiu o Partido Trabalhista Nacional (PTN) que mais tarde iria eleger Jânio Quadros. Como alternativa moderada ao PCB, surgiu o Partido Socialista Brasileiro (o atual PSB), partido que fez oposição a Vargas.

Portanto, temos aí mais uma semelhança entre os governos Vargas e Lula: a base heterogênea. O PCB, o PCdoB e o PSB, os partidos mais à esquerda da época correspondem ao PSOL, PSTU e PCO, os atuais partidos mais à esquerda da atualidade e que, também fazem oposição ao governo do PT. O PSD apoiador de Vargas equivale às forças de direita, hoje representada principalmente pelo PMDB. Entre os apoiadores de centro-esquerda de Vargas, o PTB equivale ao que é hoje o PSB, o PDT e, ironicamente, o próprio PT, que migrou para o centro no espectro ideológico.

Com o Golpe Militar, todos os partidos foram dissolvidos e seus integrantes foram obrigados a se agruparem em dois blocos. O primeiro, a Aliança Libertadora Nacional (ARENA) absorveu os apoiadores do golpe, proveniente dos extintos partidos de Direita. O segundo, o Partido Democrático Brasileiro (MDB), reunia os políticos contrários ao golpe, provenientes dos partidos de centro-esquerda.

Com a abertura política em 1979, a ARENA originou o Partido Democrático Social (PDS), que englobava os políticos mais à direita liderados por Paulo Maluf, e o Partido da Frente Liberal (PFL) uma dissidência mais moderada liderada por Marco Maciel que resolveu apoiar Tancredo Neves nas eleições de 1985. Mais tarde o PDS mudaria de nome para PPB e mais recentemente para PP, um dos partidos mais fiéis da base do governo do PT. O PFL, por sua vez, mudou também de nome e hoje se apresenta como Democratas (DEM).

Do antigo MDB do regime militar surgiu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), até hoje o maior partido brasileiro e que é também um dos mais heterogêneos, pois engloba dissidentes do antigo PDT, como Pedro Simon, por exemplo, até políticos das alas mais direitistas da ARENA, como José Sarney. Aliás, este último é o maior ícone do partido da atualidade, afinal sua “habilidade” em migrar entre os pólos ideológicos tornou-se uma “marca” do partido que nunca mais saiu do poder desde 1985. Os descontentes com os rumos do PMDB fundaram o Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB) que chegou ao poder 1995 com Fernando Henrique Cardoso.

Também originário do MDB e de exilados políticos do regime militar (boa parte do antigo PTB), surgiu o Partido Democrata Trabalhista (PDT), liderado por Leonel Brizola. Dois anos depois, em 1981, a filha de Getúlio Vargas refundou o PTB, iniciando uma disputa na justiça pela “herança política” do antigo caudilho. Da ala mais à esquerda e do movimento sindical surgiu o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. E da ala mais moderada da esquerda ressurgiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB), em 1985. No ano seguinte, surgia também o Partido Verde (PV), uma nova dissidência da esquerda.

Foram estes os principais partidos que protagonizaram a mais disputada e ideológica eleição da história recente do Brasil, em 1989. De um lado as forças de esquerda lideradas por Lula. Do outro, Fernando Collor, o “caçador de marajás” das Alagoas que surgia como um meteoro de um partido minúsculo, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN), que hoje corresponde ao Partido Trabalhista Cristão (PTC), que hoje integra a base do governo do PT.

Como dissidência do PT, surgiu o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), em 1994, e o Partido da Causa Operária (PCO), em 1997. No primeiro governo Lula, inconformados com a manutenção da política econômica do PSDB, surgiu mais uma dissidência dentro do PT que originou mais um partido de esquerda: o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Da união de dois partidos anões de Direita (PRONA e PL) surgiu o Partido da República (PR), mais um integrante da base de apoio do governo do PT que recentemente foi o pivô da crise no Ministério dos Transportes. Da Igreja Universal do Reino de Deus surgiu, em 2003, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), que se auto-proclama “o partido mais fiel a Lula”.

Mais recentemente uma dissidência do DEM formou o Partido Social Democrata (PSD) que já se prepara para aderir também à base do governo do PT, nosso mais novo exemplo de migração ideológica.

Ou seja, a oposição hoje está restrita a míseros três partidos. Se considerarmos que o PSDB foi formado por dissidentes da ala mais à esquerda do PMDB, que o PPS é originário do primeiro e mais radical partido de esquerda brasileiro e que o DEM é resultante da ala mais à esquerda (ou pelo menos mais moderada) do antigo PDS, então concluímos que as forças mais à direita da política brasileira hoje apóiam o lulismo.

A “nova ordem” da política brasileira

A tendência de adesão dos partidos políticos brasileiros ao governo não é nova. O PMDB é o grande ícone desta infeliz característica. Porém, desde que Lula começou a ostentar níveis consideráveis de popularidade, não só o adesismo foi ainda mais intensificado como ficou escancarado e institucionalizado um outro infeliz traço da nossa política: o “toma-lá-dá-cá, principalmente a partir das eleições municipais de 2008, quando as reeleições de milhares de prefeitos foram reforçadas com verbas do PAC que, por sua vez, alavancaram a candidatura da presidente Dilma Roussef à presidência.

Como resultado, dos onze partidos que hoje integram a base de apoio do governo Dilma, apenas cinco são originariamente de Esquerda ou Centro-Esquerda (PT, PCdoB, PDT, PSB e PMDB, sendo que este último há muito tempo é considerado de Direita). Os outros seis são de Centro-Direita, já que hoje nenhum partido brasileiro quer assumir o rótulo de Direita. São eles: PTN, PR, PSC, PRB, PTC e PP.

Ou seja, se contarmos o PMDB como de direita e a iminente adesão do PSD de Gilberto Kassab ao governo, a base de apoio do governo do PT será formada por quatro partidos que ainda se auto-proclamam de Esquerda e oito que se dizem de “Centro”. Existe também a possibilidade do PV também aderir ao governo, mas assim como o PMDB, o partido também perdeu completamente a identidade.

E então chegamos ao lamentável quadro atual da nossa política, onde o governo é constantemente chantageado pelos partidos da base, quando os ilustres parlamentares se acham “injustiçados” pelo não cumprimento de algumas benesses prometidas durante a campanha eleitoral. O mérito dos projetos a serem votados não é o mais importante, e sim os “acordos” que são feitos para colocar para funcionar o “rolo compressor” do governo no Congresso.

E assim, pela primeira vez na nossa história um ministério foi todo formado a partir de “cotas”. Cota da presidente eleita, cota do ex-presidente, cota do PMDB, cota do PT, cota do PRB, etc.

Os corruptos indignados com Dilma que iniciou uma “faxina” sem querer, movida pelas denúncias da “imprensa golpista” já alertam a presidente sobre o “perigo dela não se reeleger” caso continue a “faxina” ou a mudar “a regra do jogo” definida por Lula. Pressionada pelos partidos cooptados por Lula e aconselhada por este para acabar com a “faxina” a presidente recuou, prometendo a faxina apenas na pobreza.

Com a nova postura, a presidente mata mais uma tentativa de moralização da nossa política que já contava com adesão de instituições da sociedade civil como a OAB e até de uma ala da oposição que chegou a oferecer a apoio a presidente.

Claro que estas práticas já existiam antes da Esquerda chegar ao poder no Brasil. No entanto, “nunca na história deste país” a falta de ética e a cara-de-pau ficaram tão escancaradas.

E o mais lamentável disso tudo é que tivemos um presidente com o apoio quase que total da nossa população, que poderia dar um passou na direção da melhoria da nossa política, caso não tivesse colocado as eleições como prioridade. Lula defendeu corruptos, negou o quanto pôde tudo o que foi comprovado primeiro pela imprensa e depois pela justiça na crise do mensalão, ameaçou o Ministério Público, institucionalizou os cidadãos de primeira e segunda classe ao defender o indefensável Sarney, inocentou réus confessos, como Delúbio Soares, e, finalmente e mais lamentavelmente, boicotou um movimento de reação da sociedade que cobrava decência dos políticos na Crise do Senado, em 2008.

Lula não apenas mudou o foco da imprensa com o factóide da compra dos caças e com a antecipação do lançamento do projeto do Pré-sal, como também mobilizou sua base para esvaziar todas as tentativas de CPI. E quando a decisão de investigar ou arquivar as denuncias chegaram ao “Conselho de Ética”, este estava devidamente preparado para rejeitar todas as representações contra Sarney, já que este foi quase que totalmente formado por suplentes de senadores, pessoas que não receberam nenhum voto para estarem no Senado e, portanto, dispostas a assimilar o ônus das impopulares decisões para não prejudicar a aliança PT/PMDB.

Com sua altíssima popularidade, Lula não precisava descer tanto. Já estava no fim do seu segundo mandato e poderia ficar acima das disputas políticas, a exemplo do seu antecessor Fernando Henrique que mesmo em meio a “Crise Lula”, em plena campanha eleitoral, em 2002, teve a atitude de vir a público para acalmar o mercado, dizendo que “o candidato Lula tinha todas as condições de assumir a presidência”. Uma “traição” ao seu candidato Serra, diriam aqueles que pensam mais no jogo político que nas instituições, mas FHC foi além. Quando Lula já despontava em primeiro lugar nas pesquisas foi capaz de levar o candidato de oposição consigo ao FMI para assinar conjuntamente o empréstimo que ajudou a combater a Crise Lula e, posteriormente, a fomentar a bravata do “pagamento da dívida externa”, que, na verdade, foi o pagamento da parcela do FMI, um dinheiro que nem chegou a ser usado já que a crise arrefeceu assim que o novo presidente aliciou um tucano do mercado financeiro para a presidência do BC e escolheu um petista não ortodoxo para o ministério da Fazenda prometendo continuar a política econômica do seu antecessor.

Lula, ao contrário de FHC, praticamente passou todo o segundo mandato fazendo comícios, desde o lançamento do PAC e da sua “mãe do PAC”, seu plano B para voltar em 2014, “caso Dilma resolva NÃO concorrer à reeleição”, como fez questão de salientar recentemente o ex-presidente. Ou seja, se ela desistir, ele está na área.

Aliás, com suas cada vez mais constantes aparições, Lula mais uma vez desmente uma de suas inúmeras bravatas, já que, quando presidente, havia dito que “iria mostrar a FHC como um ex-presidente deveria se comportar”, criticando o seu antecessor por escrever artigos criticando o governo petista por alguns dos motivos citados aqui. Lula não só não cumpriu o que prometeu, como foi além ao interferir nas “negociações” com os partidos aliciados na precoce crise política que a Dilma enfrenta, a qual Lula tem responsabilidade direta já que os quatro ministros que caíram já nos primeiros seis meses de governo fizeram parte de sua “cota”, vale salientar.

Mas o ex-presidente é previdente. Ele sempre prega uma no cravo e outra na ferradura, pois, no futuro, se for criticado por algum motivo, ele pode citar uma outra afirmação na direção que lhe convier. E assim, contrariando a própria promessa de “se comportar como um ex-presidente”, ele fez uma outra promessa justamente na direção contrária, dizendo que ao sair da presidência iria se “dedicar de corpo e alma para aprovar a reforma política”. Isso para tentar se desculpar pela hecatombe que promoveu na política brasileira, ao subverter a ética, os valores e as já tênues diferenças entre partidos de “esquerda” e “direita”.

E como sempre acontece, quando a coisa se complica e pode causar algum desgaste ele sai de fininho, pois a reforma política, uma das primeiras pautas da presidente Dilma, até agora não contou com nenhum “esforço” do ex-presidente, apesar dos petistas fecharem em bloco pela aprovação da lista fechada, já que esta beneficiaria “os candidatos indicados por Lula”.

Moral da história

O que a história nos mostra é que a clássica disputa entre Esquerda e Direita a cada ano faz fica mais tênue. O PT no poder teve que abraçar as bandeiras do PSDB, mostrando muito mais continuidade do que de rupturas.

O que sobrou das antigas divergências políticas? Mais estado ou menos estado na economia.

Suécia, Dinamarca e Noruega são bons exemplos de economias com forte presença estatal que funcionam muito bem. Da mesma forma temos economias liberais com menor presença do estado que também funcionam muito bem, como, por exemplo, o Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Holanda, etc.

O que estas economias têm em comum? Eficiência nos gastos públicos e baixa tolerância à corrupção. Na Suécia, os políticos moram em pequenos apartamentos sem nenhuma ostentação (ver vídeo). Será que algum dia isso será possível no Brasil?

Não apenas a história nos mostra que os níveis de corrupção na administração pública são maiores que na iniciativa privada, como também que esta última é mais eficiente em todos os aspectos. É fato.

Portanto, estas conclusões são mais que suficientes para concluirmos que o melhor caminho para o Brasil é o de um Estado menor ou, pelo menos, que não aumente além do nível atual.

De uma forma ou de outra o PT vai acabar chegando a esta conclusão. Já deu um primeiro passo na privatização de alguns aeroportos. Mas até lá certamente vamos pagar um ônus pesado pelos erros cometidos principalmente no final do governo Lula.

Por enquanto, cabe a nós eleitores demonstrar nossa repulsa pela retórica do xingamento que tem caracterizado a disputa entre PT e PSDB nos últimos anos. Não podemos mais aceitar como natural os conchavos políticos, a troca de votos por cargos, a manipulação de dados, as comparações descontextualizadas, a mentira deslavada. Os votos dos nossos parlamentares devem ser motivados pelo mérito do que está sendo votado e não porque os partidos fazem ou não parte da base de apoio do governo. Não podemos fazer parte da disputa como torcedores de futebol, ficando incondicionalmente de um lado ou de outro da disputa.

Uma utopia? Talvez. Mas certamente uma direção que poderia ocupar o vácuo deixado pelo esvaziamento ideológico dos partidos.

Por fim, é preciso exercitar um dos princípios básicos da democracia: a alternância de poder. Não podemos achar normal “projetos de poder” de 10, 20 ou trinta anos. A história já nos mostrou que quanto maior o tempo de permanência no poder, maior o nível de corrupção, seja em governos de Esquerda ou de Direita.

Portanto, mais do que nunca vale a frase da Eça de Queiroz, que é também o slogan do nosso blog:
“Porque políticos são como fraldas. Devem ser trocados frequentemente. Pela mesma razão”

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62 Responses to Esquerda x Direita (parte 19)

  1. aliancaliberal says:

    Belo texto, sintese da politica brasileira.
    ……
    Eu estou conseguindo explicar o mal que é o estado usando uma metáfora comparando a economia com uma piscina.

    Pense numa piscina cheia de água, o governo recolhe com um balde parte da água e coloca noutro ponto da piscina e diz que esta “investindo” na economia.Ora o governo não gera riqueza pq se produzisse algo não precisava cobrar impostos.

    “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito.
    O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar.” [ Roberto Campos ]

    Se ele SEMPRE nos da menos que nos tira, é uma alocação de recursos errôneos, e alocação de recursos errôneos é um causador de miséria, recursos que são usados de forma errônea retiram “forças” da sociedade para ações que não se sustentam e falta onde são necessárias.

    Isso provoca uma irracionalidade na aplicação de recursos escassos.

    A corrupção, a falta de alinhamento do que a sociedade necessita (e paga) são fatores que pioram esta alocação de recursos escassos.

    Gastar dinheiro dos outros com os outros nunca foi a melhor forma de administrar os recursos escassos é isso que o estado faz, e pensa que sabe usar o dinheiro dos outros melhor que os próprios “outros”.

    • Amilton Aquino says:

      Boa a metáfora da piscina. A única justificativa do governo para tirar dinheiro de um lugar e colocar noutro é apenas distribuir renda, reduzir as desigualdades. O problema é como isso é feito. Com raras exceções, tais política tem servido mais para aliciar eleitores e desviar recursos do que realmente distribuir renda e reduzir desigualdades.

  2. Gilx says:

    Amilton,
    É por isso que ainda continuo sendo um grande admirador de Robertos Campos, não só pela suas ironias ácidas e inteligentes aos economistas keynesianos e políticos populistas, mas principalmente pela incrível visão lúcida que tinha sobre a nossa economia e a mundial.

    • Amilton Aquino says:

      Sem dúvida um liberal muito a frente do seu tempo. Tem algumas manchas no seu currículo, como ter votado em Maluf, por exemplo, mas tem muito crédito.

  3. Gustavo Vasconcelos Jacobina says:

    Caro Amilton, mais uma vez parabéns por esta capacidade extraordinária de sintetizar acontecimentos políticos recentes colocando sempre a lógica e a verdade como alicerce.
    Sabe Amilton, na minha humilde opinião nós Brasileiros e outros “povinhos do terceiro mundo” esta história de país em desenvolvimento é coisa de “politicamente correto”, arre!!!,mas vamos ao pensamento , nós confundimos e Lula e o pt mais ainda , política com jogo, onde o jogador se utiliza das peças a sua disposição ao seu bel prazer para ganhar a partida,o que é uma forma super equivocada de interpretar politica do nosso povo,( se meu rei tá em cheque,sacrifico minha rainha, meu bispo, mato meus peões, etc.. o que importa são os fins , não os meios,ah, pobres tolos que somos que ainda não aprendemos que num jogo as peças não tem sentimentos,num jogo o perdedor perde só a alegria de não ter ganhado, o vencedor a satisfação de vencer, mas a política meus amigos, temos todos nós brasileiros que aprender que somos as peças e os jogadores ao mesmo tempo, E ISSO FAZ TODA A DIFERÊNÇA.mas nem lula nem o psdb quer saber destas “pequenas diferênças.abraços e obrigado pelo texto.Gustavo.

    • Amilton Aquino says:

      Caro Gustavo, obrigado pelos elogios. O que mais me incomoda nisso tudo é justamente a perda de referenciais dos dias atuais. Me dá nojo ver os comentários “politizados” dos leitores nos grandes portais. Diante das inúmeras denúncias de corrupção, seja do lado do governo ou da oposição, os leitores eleitores (peões do xadrez) se limitam a desqualificar o outro lado com outras denúncias, ou até mesmo a imprensa que, bem ou mal, ainda insiste em desvendar os meandros da nossa política podre. No mínimo, tais eleitores deveriam moderar as palavras e diminuir a adoração cega aos respectivos “reis” do jogo político.

  4. Leonardo says:

    A política como sabemos e marcada por interesses, algo que me levou após a leitura do texto a questionar: a quem interessa esta ideia de “Estado mínimo”? Será que a maioria da população que sobrevive ganhando salário mínimo, não tem acesso a serviços de saúde e educação de qualidade, iria melhorar suas condições de vida caso o Estado fosse “mínimo”? Por que o neoliberalismo defende que o Estado diminua os gastos sociais(e aumente os gastos com juros da dívida pública…)se o que mais a sociedade precisa, como no caso brasileiro, e de investimentos em educação, saúde e infraestrutura para combater a desigualdade social e se desenvolver? em suma: a quem interessa o neoliberalismo?

    Na questão da corrupção, vale lembrar que além da corrupção política, também existe a corrupção midiática, que é protagonizada pela “grande imprensa”, como a Folha de São Paulo, Rede Globo, Veja e Estadão. Aliás, alguns destes orgãos de imprensa, tem todo um passado de apoio a ditadura militar que ocorreu de 1964 a 1985, a Rede Globo por exemplo nasceu e construiu seu império durante a ditadura militar ao fazer a propaganda ideológica do governo golpista. A Folha de São Paulo emprestava seus carros de entregar jornais para os torturadores transportarem presos políticos e etc. A corrupção midiática atualmente se restringe a manipulação dos fatos e a sua tentativa golpista de tentar derrubar governos que não compactuem com seus interesses de poder. E por essas e outras, que a corrupção midiática deve ser tão combatida quanto a corrupção política.
    O financiamento público de campanha seria um bom ínicio para começar a diminuir a corrupção política no país(além da punição dos criminosos de “colarinho branco”), já a corrupção midiática, só sérá combatida quando os meios de comunicação forem democratizados e a população se tornar mais crítica em relação aos conteúdos que são oferecidos pela “grande imprensa”.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Leonardo,

      Ter um Estado menor não é sinônimo de privar a população de educação, saúde e segurança, sejam elas públicas ou privadas. Como afirmei nas conclusões finais, mais importante que as disputas ideológicas é a EFICIÊNCIA nos gastos dos recursos públicos (ou melhor, o dinheiro do povo que o Governo toma). Num país onde a ética dos políticos tem se mostrado cada ano mais sínica, esta eficiência certamente é mais fácil ser conseguida com um estado regulador que com um estado empresário.

      Aumentar ainda mais o nosso Estado significa aumentar o poder de barganha do governo para formação de “alianças” para se perpetuarem no poder (além de reforçar o populismo, claro). Para os políticos oportunistas significa mais cargos para serem partilhados em troca de apoio. Para o governo, mais gastos, mais dinheiro escorrendo pela ralo da corrupção e por fim mais impostos nos bolsos do contribuinte. As últimas eleições já mostraram isso.

      A longo prazo, a conseqüência final do aumento do Estado pode levar ao engessamento da economia, tanto pelo aumento dos gastos sociais, quanto pelo nível de endividamento, problema hoje enfrentado pela Europa, vale ressaltar. No final, todos perdem.

      Seria muito bom que todos os países do globo oferecessem simultaneamente todos os benefícios que os Estados europeus oferecem aos seus cidadãos. Mas a realidade não é esta. Na prática, a Europa fica com uma enorme desvantagem competitiva no mundo globalizado, o que aumenta o déficit público que, por sua vez, leva ao aumento do endividamento que, por sua vez, cobra a fatura na crise atual.

      Não precisa ir muito longe para chegar a esta conclusão. Basta ver nossos recordes sucessivos de arrecadação nos últimos anos e que nunca são suficientes. A solução do governo sempre é a criação de novos impostos, como agora estão tentando ressuscitar a CPMF. E aí nossa economia vai sendo engessada. Enquanto estamos na crista da onda, temos a sensação errônea de que tudo vai bem. Mas se a onda quebrar, todos os números positivos da economia serão contaminados, criando um pessimismo que leva a uma crise difícil de ser equacionada, já que para reduzir gastos é bem mais difícil. A Grécia que o diga. Já passamos por isso antes duas vezes e já conhecemos o desfecho.

      Em economia não existe mágica, Leonardo. Não se trata de ser ou não neoliberal. Tanto nas nossas finanças pessoais quanto na administração pública, a regra número um é gastar menos que as receitas. Se devemos, temos que economizar para pagar. Caso contrário a dívida continua se avolumando até levar-nos à falência.

      Veja os 10 pontos propostos pelo Consenso de Washington considerada a “cartilha” do neoliberalismo e vc vai ver que estão todos corretos. Os cinco primeiros podem ser resumidos em um ajuste fiscal, imprescindível para equilibrar as contas. Os cinco restantes tratam de ajustes necessários a nova realidade imposta pela globalização. Perceba que os críticos do neoliberalismo nunca contestam cada um dos 10 pontos, mas apenas ficam naquela crítica superficial e panfletária do ponto 8 (privatização de estatais ineficientes). Veja bem, o CW não sugere privatizar TODAS as empresas estatais e sim as INEFICIENTES. A diferença é bem grande, mas a disputa política sempre coloca a coisa entre “defensores do patrimônio público” x “entreguistas”.

      Quanto à imprensa, vamos separar duas coisas bem distintas. Uma é o apoio que a imprensa deu ao golpe militar. Não era uma questão de opção. Quem era contrário fechava as portas. Claro que neste meio muitos veículos vestiram a camisa dos militares por questão ideológica mesmo, o que é perfeitamente compreensível já que existia a possibilidade real do Brasil ser transformado em uma enorme Cuba, o que felizmente não aconteceu. Se a revolução tivesse acontecido, certamente hoje teríamos um conceito bem diferente da esquerda. Os militares seriam as vítimas e não os algozes. E pelo histórico do comunismo no poder, pode ter certeza que o número de desaparecidos seria muito maior.

      Sobre o posicionamento recente da imprensa, aí temos uma outra questão, pois ela é conseqüência do acirramento político dos últimos anos, alimentada pelo populismo de Lula, principalmente a partir do mensalão. Veja os jornais e revistas antes do Mensalão e vc vai ver que esta briga com a imprensa não existia. Muito pelo contrário, Lula foi ovacionado pelos meios de comunicação. A fábula do torneiro mecânico que se tornou presidente foi cantada em verso e em prosa meses depois de sua posse. Só depois do Mensalão é que a coisa começou a mudar, pois a partir das primeiras críticas, Lula falou pela primeira vez em “controle da mídia”. Daí então a coisa só se acirrou, a ponto de chegarmos ao lamentável espetáculo de xingamentos que hoje predomina nas seções de comentários dos grandes veículos de comunicação, muitas vezes puxado pelos próprios colunistas, como o PHA, por exemplo, o sumo sacerdote dessa nova categoria de “jornalismo”. Neste novo contexto, Lula assumiu de vez sua veia populista, sempre empenhado em dividir nossa população entre seus apoiadores (que gostam do Brasil) e seus opositores (a elite que quer destruir o Brasil). Ora, tem que estar muito cego para engolir este discurso. Infelizmente a tática tem funcionado.

      Portanto, qualquer postura da mídia em se contrapor a este populismo lulista é absolutamente legítima. Concordo com vc quanto à necessidade da população se tornar mais crítica. No entanto, não vai ser nos blogs financiados pelo governo (PHP, Nassif, Azenha, etc.) que o eleitor encontrará informação idônea.

      De qualquer forma, partidária ou não, é da imprensa que tem surgido a maior parte das denúncias de corrupção que vemos todos os dias. O que não pode acontecer é o cidadão relevar tais denúncias porque estas foram publicadas por veículos que “apoiaram a ditadura” há 40 anos atrás ou que hoje se identificam mais com a oposição. O governo já tem um marketing poderosíssimo e agora está novamente empenhado em controlar a imprensa, assim como fizeram nossos vizinhos chavistas. Se conseguirem, pode ter certeza que as coisas vão piorar ainda mais, pois por trás do discurso teórico de “democratização dos meios de comunicação” virão embutidos mecanismos reais de controle da informação. E olha que o governo já tem usado e abusado do seu mecanismo mais eficiente até o momento, que é o direcionamento de verbas publicitárias para veículos “amigos”.

      Quanto ao financiamento público de campanha, discordo. Este seria o ideal, caso não houvesse corrupção. Mas como aqui a corrupção é generalizada, o financiamento público será apenas um dinheiro a mais para os políticos corruptos. Os caixas-dois vão continuar existindo assim como os “financiadores de campanha” e a compra de votos. No final, como sempre, quem vai sair perdendo é o cidadão, que terá que arcar com mais esta despesa. Pior, os caciques dos partidos serão ainda mais fortalecidos se a proposta de lista fechada do PT for aprovada. O que vai ter de político pagando para entrar na lista, vai ser uma beleza. Os cacique vão ganhar de todos os lados. Dos candidatos que vão pagar para entrar na lista e do Estado, caso a proposta de financiamento público seja aprovada. Veremos.

  5. aliancaliberal says:

    Ao senhor Leonardo, não é uma questão de estado minimo ou maximo (fascista) e sim na correta alocação de recursos escassos, esta é a diferença entre o publico e privado um não sente o disperdicio o outro sim.
    Fazer mais com menos nunca passa na cabeça do administrador publico.
    ………
    Para o Amilton e demais recomento estes videos que descrevem mitos sobre capitalismo.
    Ser pró capitalista não significa ser pró-empresas tanto é assim que muitas empressas não desejam o capitalismo muito pelo contrário.
    Estas usam do estado para garantir mercados e lucros sem risco, o nosso capitalismo tipo BNDES.

    Três mitos comuns do capitalismo

    http://www.youtube.com/watch?v=9zg69kXiE2U

    O custo de vida está realmente subindo?

    http://www.youtube.com/watch?v=8ktkXMBZcLk

    Os três maiores mitos sobre a Grande Depressão e o New Deal

    http://www.youtube.com/watch?v=N0D-0CLQlM8

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,
      Muito bons os vídeos. Faço apenas duas ressalvas. A primeira quando o cara fala em “voltar atrás com a regulamentação”. Ora, a falta de regulamentação do Estado foi justamente uma das razões (não a principal) que levaram a crise de 2008/2009.

      A segunda ressalva é com relação a II Guerra mundial, pois acho que esta foi sim a grande responsável por tirar os EUA da grande depressão, tanto que ao final da guerra os EUA acumularam quase todo o ouro da época. Não foi apenas a indústria bélica que teve um grande impulso, mas toda a cadeia vinculada a ela. Os EUA passaram a exportar muito nesta época. Para uma economia que cambaleava, foi um grande impulso.

      De fato o capitalismo, mesmo com seus problemas, ainda é nossa única opção. No entanto, existem hoje alguns paradoxos na economia mundial que precisam ser solucionados. O primeiro é sair deste circulo vicioso de endividar os estados para “dar fôlego” às economias. A crise de agora já é conseqüência do endividamento de 2008, como, aliás, alertamos aqui na época. Talvez por isso sejam tão comuns as crises em W. Não conheço nenhuma tese que dê suporte a uma impressão que tenho de que as famosas crises em W são resultantes das ações keynesianas. Ou seja, chega a crise, o governo joga dinheiro na economia para movimentá-la, cria um ambiente de recuperação e logo o mercado tem um novo surto de pessimismo devido à deterioração das contas públicas decorrente do aumento dos gastos para combater a crise anterior. Temos que enterrar Keynes definitivamente.

      Um outro problema que tem ser urgentemente solucionado é a questão da moeda padrão, já que o dólar está cada ano mais desacreditado e sem lastro e não existe nenhuma outra capaz de ocupar o seu lugar. A solução talvez seja os países se unirem para criar uma cesta de moedas, mas isto exige um esforço em conjunto das nações, o que está muito difícil no momento atual, já que todos estão tentando equacionar seus problemas que são urgentes, em meio a uma instabilidade monetária que coloca agora o Euro em cheque.

      O terceiro é a questão das reservas fracionárias dos BCs do mundo todo. O dinheiro fictício que se encontra nos bancos, criados a partir da garantia de dívidas, é uma ameaça séria ao futuro. Os BCs precisam, no mínimo, não permitir que aumente ainda mais a alavancagem que hoje já é absurdamente alta.

      O quarto e maior desafio do capitalismo atual, na minha opinião, é diminuir o ritmo de crescimento e ajustá-lo a um ritmo sustentável, que seja capaz de se ajustar a um mercado consumidor global cada ano mais saturado. Ou seja, no futuro, quando os mercados emergentes ficarem saturados como os das economias avançadas, as empresas não poderão mais promover a corrida que hoje ocorre em busca de novos mercados do terceiro mundo. Teremos que mudar o foco da produção de riquezas, pois os novos ricos não poderão continuar produzindo lixo nos mesmos padrões que os ricos atuais produzem.

      Um quinto ponto é a questão do aumento da expectativa de vida e da diminuição do ritmo demográfico. Cada vez mais a população vai ficar mais velha. Teremos a maioria da população aposentada. Algo terá que ser feito para evitar o colapso da economia mundial.

      Acho que a humanidade terá que repensar alguns valores, movimentar mais a indústria do lazer (especialmente do turismo) e reduzir a produção de bens duráveis.

  6. Luis says:

    Prezado Amilton, não tive tempo de ler toda a série de posts por estar finalizando meu mestrado, mas gostaria de se possível que comentasse alguns temas, ou desenvolvesse. Não é como uma prova, nem tem “iscas” como o seu ilustre comentador quis, são apenas alguns tópicos que gostaria de ouvir (ler) sua posição para complementar minha leitura. Caso já tenha tratado de algum em seu blog, me desculpe a redundância, e pode me apontar para o post específico.

    1º – Gostaria que comentasse acerca do status “natural” do ser humano enquanto “trader” ou “homo economicus”. Será que você não suporta muito pesadamente sua visão acerca do capitalismo, buscando naturalizar o mercado na vida social desde os primórdios da civilização? A imperfeição natural dos seres humanos seria a ganância proveniente do natural instinto de maximização dos lucros? Me parece muito mais que a ascenção da economia de mercado capitalista está relacionada diretamente com a produção de mercadorias em larga escala (industrialismo) e a formação de um mercado consumidor num determinado período histórico (séc XVI – XIX)? Em especial devido a recentes teorias antropológicas, questionando a visão de que na Idade Média, antiguidade e pré-história vivíamos como gorilas, relativizando a idéia de que a sociedade capitalista trouxe mais felicidade com o aumento do padrão de vida – em especial com a medicina e o consumo de bens materiais felicidade como nunca antes vista.

    2º – A) Gostaria de saber o que você tem a dizer sobre os escândalos de corrupção sobre o governo FHC e como você se posicionou na época; B) e também acerca do tratamento diferenciado da mídia a estes escândalos, se comparado com os escândalos atuais – em especial o da PGR (engavetador da república) e das privatizações (privataria). Não haveria aí um tratamento diferenciado? Gostaria de ouvir uma opinião de alguém que viveu na época e tem sua bagagem crítica e intelectual, visto que na “era FHC” meu principal interesse era cavaleiros do zodíaco e lego.

    3º Assim como hoje a recuperação da história brasileira, especialmente da ditadura e do golpe, desconstrói a memória de esquerda, há também um movimento no sentido contrário, de desconstruir a memória de direita acerca da URSS, por exemplo, buscando uma visão mais imparcial e que busca recuperar elementos políticos e sociais de sua trajetória. Isto obviamente ganha um contorno ideológico na medida em que serve, para alguns, como uma comparação dos números entre que matou mais – o estado comunista ou o mercado capitalista. É a velha história: pode dizer o que quer, mas morre de fome, ou pode tema a barriga cheia mas a boca fechada? Meu ponto específico aqui é, num olhar mais amplo, qual sua opinião acerca da produção da exclusão social no capitalismo, tanto a nível nacional como global?

    4º – Por último, se puder comentar a (suposta) tendência global de oposição ente o crescimento do poder financeiro e a democracia, como eles tendem a solapar esta? Qual sua visão sobre este tema?

    Desde já agradeço a atenção e as respostas, e aproveito para elogiar vossa paciência e atenção com aqueles que aqui comentam. É um excelente exemplo de postura democrática.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Luis,

      Obrigado pelas considerações. Infelizmente a semana foi bem difícil, com muitas idas e vindas ao hospital e só agora pude parar um pouco para escrever. Vou responde hoje ao primeiro tópico, deixando os demais para a segunda-feira.

      1) Seria muito bom que a teoria do “homem bom” de Rousseau fosse verdadeira, mas infelizmente as coisas não são bem assim. Desde as mais tenras idades, as crianças já apresentam índoles bem diferentes, algumas nitidamente más. Portanto, esta mania de “vilanizar” a sociedade para justificar a maldade humana tornou-se uma marca da esquerda nos últimos séculos, pois este discurso legitima a tentativa de reformar a sociedade. Está aí um dos motivos da vilanização do capitalismo, como um ente com vida própria, capaz de escraviza o ser humano e promover todas as desgraças possíveis.

      Desde os primórdios, o ser humano busca sempre em última instância a felicidade. Primeiro, precisamos satisfazer nossas necessidades básicas. Se temos comida, algum conforto no nosso lar, podemos aumentar nossos horizontes de “prazeres” através das artes, nas relações humanas, na religião, etc. Esta seria a ordem natural das coisas. Primeiro caçamos (trabalhamos), depois nos divertimos (comemos, transamos, apreciamos a música, etc.). O surgimento do dinheiro torna tudo mais complexo, pois potencializa o acúmulo de riquezas. É aí que surge o “homem economicus”, bem antes do capitalismo. O poder que ele traz é um “atalho” para se conseguir a tal felicidade mais rapidamente e mais intensamente. Claro que seu poder de sedução não tem o mesmo efeito sobre todas as pessoas. Alguém que consegue ter prazer em entender as coisas ou apreciar a arte certamente não precisa de muito dinheiro para ser feliz. No entanto, alguém que sofre algum tipo de discriminação por alguma deficiência, por exemplo, pode encontrar na acumulação de riquezas uma “solução” para os seus problemas e/ou uma forma de se “vingar” dos seus opressores com o poder que o dinheiro lhe traz. Claro que isso é uma deturpação da felicidade, que tem mais a ver com as falhas do caráter humano do que com qualquer ente capitalista.

      O capitalismo, assim como o surgimento do dinheiro, também potencializa tais modificações na sociedade, pois amplia os meios de produção em série, servido como trampolim para as pessoas mais “espertas” e materialistas chegarem ao poder. É o conjunto dessas relações humanas que produziu o capitalismo (e não o contrário). Portanto, continuo achando que a crítica ao capitalismo deve ser estendida ao ser humano como um todo. Não dá para ter um sistema perfeito, quando somos imperfeitos. Somos nós que temos vida e damos vida ao sistema. Esta constatação, no entanto, não significa que devamos ficar passivos, achando tudo natural. Devemos criticar sim, porém a crítica deve ser realista, tendo em vista sempre a sustentabilidade principalmente no futuro.

      Embora existam oligopólios em vários setores da economia global, o grosso da economia é feito por pequenas e médias empresas. Em última instância, todos são movidos pelos próprios interesses. E como, diria Adam Smith, é o conjunto desses interesses individuais que cria a economia de mercado que conhecemos e que nos proporciona produtos de melhor qualidade e menor preço.

      O capitalismo trouxe mais felicidade à humanidade? Não diria o capitalismo propriamente, até porque mais riqueza material não é sinônimo de mais felicidade. É até certo ponto. Existe um ponto de inflexão que o dinheiro traz mais problemas que soluções. De um modo geral, as condições de vida hoje são bem melhores que há alguns séculos. A melhoria resulta do progresso natural da humanidade. O capitalismo é apenas mais um aspecto deste processo. Seu efeito “colateral” é que ele potencializa as diferenças entre os seres humanos.

      Abraço e até segunda-feira!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Luis,

      Continuo com a agenda complicada, mas vou respondendo de acordo com minhas possibilidades. Segue o segundo item das questões por vc colocadas:

      2) Como já falei no meu perfil, simpatizei com o primeiro governo FHC até o momento em que foi iniciada a campanha para aprovação da reeleição. A partir de então comecei a ficar um tanto apático em relação à política, apatia que só aumentou com a piora da economia, o risco da volta da hiperinflação na crise de 1999, as privatizações, etc. Nesta época não acompanhava a economia da mesma forma que acompanhava a política. Além do mais o governo do PSDB não se esforçava muito para explicar suas ações para a população. Resultado: vi a dívida interna se multiplicar em ritmo quase exponencial, o que me fez mudar totalmente minhas primeiras impressões sobre o governo do PSDB. A partir de então iniciei uma fase de reaproximação do PT. Digo “reaproximação”, pois desde as eleições de 94 havia me decepcionado com algumas posições do PT, principalmente com sua descarada torcida pelo fracasso do Real. Os jovens não sabem o que é hiperinflação. Eu sofria suas conseqüências desde a adolescência. Era o principal problema do Brasil, uma amarra que não nos permitia dar um passo firme em direção ao futuro. O Plano Real foi o divisor de águas do Brasil. Não entendia, e ainda hoje não entendo, como os políticos podem colocar seus interesses partidários acima dos interesses da nação. Passado o mais duro teste do Real, em 1999, e com ele o alívio de que esta não seria mais uma tentativa frustrada de estabilização, comecei a ficar cada vez mais crítico ao PSDB, principalmente depois que Lula abrandou seu discurso e parou de criticar o Real. A conclusão que cheguei é que o PSDB já tinha dado sua contribuição e agora era hora de mudar, dar uma chance ao PT, o partido que “exalava” ética, o que, infelizmente, foi um grande engano.

      Quanto à imprensa, sinceramente nunca percebi esta parcialidade explícita de hoje. Muito pelo contrário, meus ídolos do jornalismo, como Ricardo Kotscho, por exemplo, eram todos de esquerda e trabalhavam nos veículos que hoje são acusados de conspiração, engrandeciam sempre o exemplo ético do PT, criticavam a ditadura e seus remancentes (Maluf, principalmente), detonaram Fernando Collor . Aliás, foi esta mesma imprensa que criou o mito Lula, colocando-o sempre no pedestal da ética, acusando os “300 picaretas”, etc e etc. Em comum com os dias atuais só mesmo as denúncias de corrupção nos mesmos veículos de comunicação, quando o PT fazia a festa propondo uma CPI atrás da outra. A própria revista Veja, o veículo hoje mais descaradamente engajado em combater o Lulismo, usava a expressão “engavetador-geral da República” que vc citou para ironizar o Brindeiro.

      Infelizmente não tenho tempo para fazer uma pesquisa detalhada sobre o conteúdo da Veja nos governos de FHC e Lula, mas pelas capas dá para ver que a revista promoveu tanto um quanto outro. Cheguei, inclusive, a procurar pesquisas sobre a cobertura da imprensa nas eleições no Google não encontrei nada que justificasse o “golpismo” apregoado pelo PT nos últimos anos, notadamente a partir das primeiras críticas que recebeu no escândalo do mensalão. Segue o link das três pesquisas que encontrei aleatoriamente, as primeiras que apareceram na pesquisa no Google: http://visaopanoramica.net/2009/08/15/lula-e-a-%E2%80%9Cmidia-golpista%E2%80%9D-parte-2/

      Quanto às privatizações, fui contra na época, mas hoje percebo o quanto foram importantes para o salto que o Brasil nos últimos anos. Houve corrupção no processo? Certamente, como em tudo no Brasil. Mas este é justamente um dos principais argumentos a favor da privatização, pois uma vez nas mãos da iniciativa privada, não teremos mais que nos preocupar com barganhas de servidores públicos, nem por conchavos políticos por cargos de chefia. Se hoje o “toma-lá-dá-cá” está institucionalizado com as poucas estatais que temos, imagina como seria se tivéssemos mais cargos para barganha política…

      Aliás, minha avaliação sobre o segundo governo FHC mudou bastante nos últimos anos, principalmente depois que conheci os motivos da alta expressiva da dívida interna (segue o link: http://visaopanoramica.net/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/). O senso comum diz que FHC fez um primeiro governo melhor que o segundo, sendo que Lula teria feito um segundo mandato melhor que o primeiro. Para quem observa as ações efetivas dos governos, a avaliação é justamente o contrário. Foi no segundo governo FHC que ocorreram as principais reformas que credenciaram o Brasil a se tornar o destino dos investidores internacionais, como as privatizações, a lei de responsabilidade fiscal, a implantação do tripé da atual política econômica, além da criação dos principais programas sociais e mecanismos de regulação e avaliação da saúde e educação. Não custa lembrar que o Brasil foi citado como um dos BRICs ainda no governo FHC. No primeiro governo Lula, foi feito um ajuste fiscal no primeiro ano, o aumento do superávit primário para reduzir o endividamento e a única tentativa de reforma do governo do PT, a mini reforma da previdência, que até hoje não foi sancionada, vale salientar. Depois do mensalão, infelizmente, tudo virou um oba-oba, o país passou a andar na inércia da China e o acirramento político contaminou os debates.

      No decorrer da semana, comento os dois itens restantes.
      Abraço!

    • Amilton Aquino says:

      Olá Luis,

      Seguem os dois últimos tópicos. Lamento não poder me aprofundar mais, por pura falta de tempo.

      3) Embora o capitalismo aumente a concentração de renda, ele também foi o responsável pelo aumento da mobilidade social. Como bem lembrou o colega Liberal no comentário abaixo, até o surgimento da burguesia, a ascensão social era algo quase impossível. Séculos depois, o que observamos? Que a mobilidade social continua ainda mais intensa, não apenas entre pessoas, como também entre nações. Veja o que aconteceu com o mundo em pouco mais de uma década: os emergentes estão entrando no clube dos ricos e os antigos ricos estão agora precisando de empréstimos dos emergentes. E mesmo entre os mais pobres, as condições de vida estão melhorando. Além dos confortos proporcionados pelos eletrodomésticos, hoje é cada vez mais difícil ver alguém morrer de fome, apesar do aumento da demanda por alimentos, decorrente da ascensão social dos mais pobres nos últimos anos. Claro que ainda morrem pessoas de fome, mas em muito menor escala. Se isto ocorrer hoje no Brasil, certamente vai causar muito mais repercussão. Há alguma décadas, no entanto, isto ocorria com freqüência nas zonas rurais do Brasil e não rendia nem nota em jornal.

      4) Claro que a concentração de renda aumenta o poder dos mais ricos, mas isto não significa que os mais ricos tenham como objetivo solapar a democracia. Em alguns países, como a China, por exemplo, acontece justamente o contrário. Os ricos chineses estão migrando para os EUA a procura justamente de democracia. A sociedade chinesa está ficando cada dia mais exigente e em algum momento, o autoritarismo chinês vai cair da mesma forma que estão caindo as ditaduras árabes.

      Abraço!

  7. aliancaliberal says:

    Eu vou meter um pouco na conversa.
    “Em especial devido a recentes teorias antropológicas, questionando a visão de que na Idade Média, antiguidade e pré-história vivíamos como gorilas, relativizando a idéia de que a sociedade capitalista trouxe mais felicidade com o aumento do padrão de vida”.

    Para os nobres o capitalismo foi um desastre, para os pobres foi um “milagre”, os nobres odiavam o capitalismo pq tinham que conviver com a “gentália” trabalhadora na cidade e pq eles e os latifundiarios perderam seus empregados para o capitalista da fabrica que pagava melhor.
    Existe um mito que o trabalhador rural estava em melhor condição que o trabalhador da “fabrica”, este mito foi difundido na época pra impedir a perda de mão de obra barata rural para a industria.
    As industrias tinham como clientela não os nobres mas os pobres, exemplo as roupas de algodão eram vendidas para os pobres não para a nobreza que não usava roupas de algodão e sim de seda.

    • Amilton Aquino says:

      Grande Liberal, boa contribuição. Veja mais uma ironia da história: os burgueses já foram os revolucionários que desbancaram a nobreza.

  8. aliancaliberal says:

    Sobre o “pig” falar somente na corrupção do governo petista, isso é aquela coisa de torcida de futebol o arbitro “so marca falta contra nós”.
    Video abaixo o exportador de corrupto.
    http://www.youtube.com/watch?v=kC1hFn-Cw78

  9. Gilx says:

    Amilton,
    Sobre a imoralidade do keynesianismo, uma pergunta de cunho moral: é ético o cidadão comum (eu ou você) comprar títulos da dívida pública (como forma de investir nosso capital), uma vez que o governo aumenta com cada vez mais a mesma, como uma bola de neve?

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,

      Não é o comprador de títulos que endivida o Estado, e sim o Estado que coloca títulos à venda. E por que isso acontece? Porque o governo não tem como pagar todos os títulos que vencem a cada mês. A “solução”, portanto, é vender novos títulos e assim estender os prazos de vencimento. E assim as dívidas vão se perpetuando. Se o cidadão brasileiro não compra títulos, os estrangeiros compram. E se ninguém tiver interessado, o governo é obrigado a aumentar os juros para atrair os investidores daqui ou de fora.

      Abraço!

  10. Sandro says:

    Luis e Amilton,

    Sobre aquela questão do senso comum sobre qual governo FHC e do Lula foram melhores, também estive neste senso comum!

    No caso do FHC sempre achei que a simples implementação do Real tivesse suplantado as outras reformas feitas no 2º mandato.

    Sobre o 2º mandato do Lula ter sido superior, era porque tinha a visão que tem a grande maioria da esquerda, olhar para os efeitos e não procurar as causas, ou seja, que, embora aquela bonança toda do 2º mandato, ela não era produzida por este governo, mas sim pela conjuntura externa! Sobre esta ultima afirmação em particular, vide o texto do economista Rodrigo Constantino:

    O BRASIL NA CARONA DA CHINA

    http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=32&Caderno=0&Noticia=354877

    Sobre esta polemica como um todo, vide a entrevista do Economista Eduardo Giannetti da Fonseca para o Roda Viva, pois ele comenta sobre ela em alguma das partes:

    http://www.youtube.com/watch?v=YwKD_lL4vCw

    Ainda, para uma comparação geral entre os números dos governos FHC e Lula, não entre seus mandatos, interessante olhar o site Governo Brasil:
    http://governobrasil.blogspot.com/

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro,

      Até antes do mensalão, tivemos uma situação ímpar na nossa história. A começar pelas eleições, quando, em plena campanha eleitoral, FHC veio a público elogiar Lula dando-lhe todas as credenciais para assumir a previdência, na tentativa de acalmar os mercados em polvorosa com a iminência de vitória do petista. Pouco depois, ambos embarcariam juntos lado a lado para o FMI para assinar o empréstimo que ajudou a debelar a Crise Lula.

      Mesmo antes de assumir, as equipes do futuro governo petista iniciaram uma pacífica transição com as equipes do governo do PSDB, trabalho este que seria elogiado pelo futuro ministro Palocci. Quando Lula assumiu, tivemos mais algumas provas de amadurecimento da nossa democracia quando este convidou um tucano para presidir o BC. Posteriormente alguns petistas ilustres dariam declarações públicas que endossavam tanto a política econômica do governo FHC, até mesmo das ações mais contestadas do governo FHC, como, por exemplo, a quebra do monopólio da Petrobrás.

      O PT ia muito bem. Tanto que iniciou já no segundo ano de mandato as negociações para a mini reforma da previdência, talvez como um mea culpa por ter boicotado a reforma proposta por FHC.

      Nesta época, ainda petista, eu me divertia vendo a oposição fazendo a única coisa que podiam fazer: acusar o PT de continuar a política econômica de FHC. Curiosamente, a maior oposição que o governo Lula enfrentava vinha justamente do PT e de seus dissidentes, que agora acusavam o partido de ter se “vendido” ao capitalismo e blá blá blá. Também nesta época eu já começava a dar meus pitacos na Internet, quando defendia a nova postura do PT e criticava os chamados xiitas comandados por Luísa Helena e Cia.

      E eis que estourou o mensalão e tudo mudou. Num primeiro momento, Lula se mostrou decepcionado, chegando até mesmo a insinuar um possível abandono da carreira política. Mas com o assanhamento da oposição, que agora havia ganhado um discursos de fato, Lula foi também se assanhando e inaugurando o “nunca antes na história desse país”. Foi aí que começou o festival de insanidade que se transformou a nossa política, a ponto de termos hoje tudo politizado, e da pior forma possível.

      Em meio a toda histeria da web e apesar do culto a Lula, percebo que a cada dia mais pessoas estão se conscientizando desses fatos. Se estas pessoas são suficientes para colocar os pingos nos “is” da nossa história, não sei. Só sei que a cada dia fico mais convicto das críticas que tenho feito ao governo do PT desde a crise do Senado, quando Lula defendeu Sarney tão descaradamente, provocando a minha ira e a de muitos outros brasileiros que não mais conseguiram ficar indiferentes aos rumos que a nossa política tomou.

      Abraço!

    • Alan Patrick says:

      De fato, a China foi importante para o crescimento econômico que o Brasil teve nos últimos anos, mas o que vocês dizem sobre a importância do fortalecimento do mercado interno no governo Lula, visto que esse fator também contribuiu para o crescimento da economia nos últimos anos e ajudou a manter aquecida a economia interna diante da crise financeira? Aliás vale lembrar, o fortalecimento do mercado interno foi conquistado graças ao aumento do emprego,do crescimento da renda da população com a política de valorização do salário mínimo(inflação+variação do PIB de dois anos atrás) e com a ampliação dos investimentos do Estado nas políticas sociais.
      Outro ponto que queria questionar tanto o Sandro quanto o Amilton, e saber como vocês vêem a política externa do governo Lula em comparação com a política externa do governo FHC, sendo que a política externa do governo Lula foi muito mais soberana e independente que a do governo FHC que, praticava uma política externa de submissão aos EUA? Por acaso o fato do governo Lula ter priorizado as relações do Brasil com o Mercosul em detrimento da Alca foi mais interessante para o país?
      Outro ponto que queria levantar para a reflexão, e saber se o aumento dos depositos compulsórios por parte do governo, não seria uma alternativa mais interessante que o aumento da taxa de juros(Selic) no combate a inflação, visto que essa medida além de reduzir o crédito, não têm o efeito nefasto de aumentar o gasto por parte do Estado com os juros da dívida pública?

      • Amilton Aquino says:

        Puxa Alan Patrick, já discutimos este assunto várias vezes aqui. Incrível como vc volta a mesma tecla. Bom, pelo menos desta vez vc mostrou um pequeno progresso ao admitir a nossa carona no crescimento da China. Vamos então aos demais pontos.

        1) O processo de valorização do salário mínimo já vinha ocorrendo desde FHC. Mais uma vez Lula apenas continuou, agora com melhores condições já que, como vc mesmo admitiu finalmente, pegou carona no crescimento da China.

        2) O crescimento do mercado interno é apenas uma etapa comum a todos os países que iniciam o processo de crescimento rápido. Isto aconteceu na Europa dos anos 50 e 60, nos Tigres asiáticos, nos anos 80 e 90, na China dos anos 90 e 2000 e, mais recentemente, na América Latina. As políticas de aumento do salário mínimo e de distribuição de renda contribuíram para isto? Claro que sim, mas vale lembrá-lo que ambas as políticas NÃO foram iniciadas no governo Lula. Este apenas continuou e as ampliou. E mesmo assim porque o ambiente econômico melhorou.

        Sobre as políticas externas dos governo FHC e Lula, mais uma comparação injusta para idolatrar Lula. Ora, o Brasil e todos os emergentes melhoraram suas posições na economia global e isto muda tudo. Quando vc está por baixo, precisando de empréstimos vc não muitas opções. No mínimo vc tem que se submeter as regras do credor ou então fica sem o empréstimo. Isto acontece no nosso dia-a-dia e acontece também entre nações. FHC precisou pedir dinheiro emprestado ao FMI? Precisou. Mas vale lembrá-lo que um desses empréstimos foi assinado conjuntamente com Lula!

        Priorizar o Mercosul em relação a Alca? Ora, desde 1994 que se fala da Alca e esta nunca foi implementada. Portanto, priorizar o que?

        Para não me alongar mais neste assunto, cito um trecho de um texto que publiquei há dois anos no comparativo Lula x FHC:

        “Ambos os governos tiveram importantes atuações na política externa. Ambos os presidentes viajaram bastante e aumentaram o prestígio do Brasil no cenário mundial. FHC chamava atenção por ser um intelectual. Lula chama atenção por seu um ex-metalúrgico. Lula, no entanto, conseguiu mais prestígio, pois o Brasil da década de 2000 subiu na escala de importância no mundo globalizado, principalmente após a crise do final de 2008, quando os países ricos, pela primeira vez na história da humanidade, jogaram para os países emergentes a responsabilidade de atenuarem os efeitos da crise mundial, já que estes países vêm mantendo taxas de crescimento muito superiores ao mundo desenvolvido nas últimas duas décadas. Na época de FHC, o G8 decidia tudo sozinho. Na era Lula, surgiram o G14 e o G20, nos quais o Brasil participa ativamente.

        Até o final de 2008, Lula se tornou uma espécie de xodó entre os líderes mundiais. Nos dois últimos anos, no entanto, Lula tem perdido sua grande popularidade internacional pelos equívocos no episódio Honduras, na visita à Cuba, quando ignorou o apelo de presos políticos em greve de fome; ao visitar alguns dos mais sanguinários ditadores africanos e, mais recentemente, no apoio ao programa nuclear iraniano.

        Entre os nossos vizinhos sul americanos, o desempenho do Governo do PT não tem sido melhor, pois nosso país tem sido desafiado sucessivamente pelos nossos vizinhos, que contam com a total complacência do Governo Lula. A começar pela Argentina, que tem descumprido acordos de livre comércio, sobretaxando produtos brasileiros, a Bolívia nacionalizou uma refinaria da Petrobrás; o Equador expulsou do país uma construtora Brasileira (contratada com dinheiro do BNDES); o Paraguai que conseguiu aumentar em 300% o preço da energia vendida ao Brasil e até a Venezuela de Hugo Chaves tem falhado na sua contrapartida para a construção de uma refinaria em Pernambuco.

        Um viés a favor de Lula nesta área são seus esforços no sentido de derrubar barreiras alfandegárias aos produtos agropecuários brasileiros.

        Na primeira versão que escrevi desta comparação, havia dado ponto para o Governo Lula neste quesito. Diante dos últimos equívocos, no entanto, não tenho como manter a mesma posição.

        Conclusão:
        Os cenários são bem distintos. Os países do primeiro mundo caíram alguns degraus no cenário mundial, ao passo que os países emergentes subiram alguns degraus. FHC era apenas um coadjuvante na década de 90. Lula figura como mais um protagonista no cenário mundial, principalmente por fazer parte dos BRICs, grupo dos principais emergentes de onde se destaca a China. Portanto, a política externa brasileira da era Lula cresceu em importância, mas errou bastante ao se comportar de forma passiva diante das audaciosas investidas dos vizinhos sul americanos e de forma ativa ao se aliar a figuras autoritárias.”

        Sobre usar métodos compulsórios para reduzir o crédito e consequentemente a inflação isto me remete a desastrosa medida de Collor de limitar os saques, etc. etc. Se tais medidas forem feitas de forma transparente podem ajudar. Mas, para que vamos usar métodos compulsórios para reduzir crédito de um lado se o governo não pára de estimular o crédito de outro? Esta é mais uma contradição deste governo esquizofrênico que criticamos aqui há bastante tempo. Pelo menos agora vc já está percebendo a necessidade de conter o crédito, afinal não só a inflação assusta, como também o nível de endividamento da população que vai se aproximando do limite. E se chegarmos a este limite, aí sim a coisa vai ficar feia. Se o governo não gastasse tanto, teria menos necessidade de vender títulos, a dívida seria bem menor e, portanto, os juros. É o que alertamos aqui desde o início do nosso blog. Não aproveitamos o bom momento da economia global, agora temos que ficar pisando em ovos. Se a China desacelerar…

  11. Sandro says:

    Amilton,

    Sobre o “continuismo” no 1º mandato do Lula, embora alguma oposição interna de seu próprio partido, vale lembrar uma excelente entrevista que já postei aqui entre o André Singer e o Arthur Giannoti, moderada pelo Mario Sérgio Conti, na qual o Singer comenta sobre a questão do “trancamento” das privatizações pelo governo em exercício. Esta simples razão me leva a pensar sobre se 1º mandato do governo Lula foi mesmo de “continuismo”, ou se esse adjetivo só se aplica a partes da administração. várias reformas que vinham sendo feitas, e prometidas ainda para o 1º mandato do Lula, nunca foram feitas: previdenciária, tributária, trabalhista, sindical, eleitoral…

    http://www.youtube.com/watch?v=_x5LmZxWrSo

    Sobre os elogios do Lula e do Palloci lembro bem daquela entrevista do FHC ao Augusto Nunes da Veja em 2009. O ex-presidente comenta isto.

    Como foi a transição de FHC para Lula (3/15)
    http://www.youtube.com/watch?v=mPajywl23CY&feature=relmfu

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro,

      É fato que a chegada do PT ao poder interrompeu o ciclo de reformas que o Brasil havia iniciado no segundo governo FHC. Mas o que eu procurei destacar no meu último comentário foi o clima político, muito diferente dos dias atuais. Apesar do freio nas reformas, o governo do PT não mudou nada do que havia sido feito e que tanto criticou quando oposição. Em alguns casos, como no superávit primário, por exemplo, até intensificou. Isto para mim já havia significado um grande passo no amadurecimento não apenas do PT, como da nossa democracia. Infelizmente, o mensalão mudou tudo. Se o Plano Real foi o divisor de águas da economia brasileira, podemos dizer que o mensalão foi o divisor de águas para a política brasileira. Para pior, infelizmente.

      Ótimas entrevistas de FHC, Singer e Giannotti. Ajudam a colocar os pingos nos “ís” da história. Já tinha visto as duas. Gostaria de revê-las, mas agora não dá tempo. Fica aqui a sugestão para os internautas que queiram de fato sair do obscurantismo da nossa acirrada disputa política.

      Mais uma vez obrigado pelas ótimas contribuições!

  12. Gilx says:

    Amilton,
    A relação PT/PSDB não foi tão cor de rosa como parece sugerir o seu comentário. Lembre-se que, ao mesmo tempo em que o governo seguia bovinamente, por um lado, a economia do governo anterior, por outro lado o PT tentava desmerecê-lo com a bravata de que havia recebido uma “herança maldita”. Essa explícita atitude da mais pura cara de pau do Lula & cia no início do governo, era apenas o prelúdio do que iria ocorrer no episódio do Mensalão, onde Lula escancarou de vez o seu lado político mais baixo: a desfaçatez e arrogância sem limites.

    • Amilton Aquino says:

      Gilx,
      Não quis pintar de rosa as relações entre PT e PSDB antes do mensalão. Claro que ambos os partidos sempre vão pintar a realidade da forma que melhor lhes convém. Isto acontece até mesmo com partidos aliados, ainda mais entre um partido que tentava se firmar no governo e outro que tinha saído. Natural. Porém, comparar a disputa política de antes e pós mensalão, a constatação é que houve sim um período republicano, sem o populismo sem um populismo claro como nos últimos anos de Lula. Mais uma vez estamos falando de tons de cinza de uma disputa política que insiste em pitar tudo de preto ou branco.

  13. Alan Patrick says:

    Recomendo que vc veja esta charge. A charge mostra de forma ironica, um fato que esta acontecendo na atualidade!
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19058

    • Amilton Aquino says:

      Sempre a mesma visão estereotipada da realidade. A elite de direita má, sempre preparando golpes para escravizar o povo, e a esquerda boazinha sempre preparada para defendê-los (apesar de exterminar 80 milhões de pessoas)! Mas a realidade é bem diferente. Por que ao invés de ficar inventando conspiração, os esquerdistas não explicam o porquê da Europa estar tão endividada? A crise de 2008 apenas agravou um problema que já vinha rolando bem antes. Lembra das previsões dos liberais no auge da Europa que abordei na minha última série? Pois é, eles estavam certos. O modelo europeu de estado de bem estar social está desmoronando e nós vamos no mesmo caminho. A diferença é que a Europa está duas décadas a nossa frente. Resta-nos rezar para que até lá os economistas de esquerda aprendam alguma coisa com a história e mudem o nosso rumo.

    • Sandro says:

      Amilton,

      a conta das mortes do comunismo já deve estar em 95 milhões de pessoas no século XX.

      http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Livro_Negro_do_Comunismo

      Abs

  14. Alan Patrick says:

    Por que a visão da charge e esteorotipada? por acaso o “deus mercado” dos neoliberais não esta impondo medidas recessivas para os países da Europa que estão em crise de uma forma ditatorial? E já não derrubou governantes na Grecia e na Italia por ousarem consultar a população sobre a crise ou por não terem aplicado rapidamente a receita de bolo neoliberal para “salvar” os lucros do grande capital que, foi aliás o grande responsável pela crise e que agora quer que a população pague a conta? A lógica do capitalismo,portanto, vai ficando cada dia mais evidente e difícil de esconder da população,isto é, que o capitalismo e um sistema que privatiza os lucros e socializa os prejuízos!

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      Se vc está endividado, vc gasta mais ou gasta menos? Não precisa responder, pois a resposta todo mundo sabe. Apertar o cinto é chato, né? Mas absolutamente necessário. Pois bem, então agora me diz como resolver o problema da Grécia, por exemplo, que hoje arrecada 100 e gasta 120?

      Só existem duas coisas a fazer: 1) Aumentar os impostos; 2) Reduzir os gastos. O problema é que ambas as medidas agravam a recessão a curto prazo. Portanto a questão que tem que ser colocada não é que medida neoliberal (reduzir gastos e o Estado) ou keynesiana (aumentar gastos e o Estado) a ser adotada e sim “por que a Grécia chegou a este ponto?”

      Se vc tivesse lido nossa última série desarmado de preconceitos esquerdistas já saberia a resposta. Mas como a realidade demora a bater na porta dos esquerdistas fanáticos, então vou desenhar mais um pouquinho.

      Durante décadas os governantes gregos protelaram as reformas que evitariam o quadro atual. Não tiveram coragem de assumir ônus, não quiseram pagar o preço de tomar medidas saneadoras que evitariam os problemas atuais (este filme nos é bem familiar, não?). Pois bem, a expectativa de vida aumentando, a massa de aposentados se multiplicando, assim como a casta de funcionários públicos, a competição global se acirrando, os governos empurrando os problemas com a barriga com mais keynesianismo, enganando a população com Olimpíadas, os corruptos deitando e rolando, o poder de barganha dos pelegos sindicalistas aumentando, os déficits aumentando, a dívida aumentando, o risco país, os juros, etc. etc.

      E como toda dívida que é rolada, um dia as coisas se complicam, as dívidas se multiplicam e a falência chega. A conta finalmente chegou. A Grécia vai empobrecer com governo de esquerda ou de direita, com ajuda ou sem ajuda do FMI, com consulta ou não da população.

      E o pior é que vamos no mesmo caminho. Olha só os números da nossa previdência:
      1) 950 mil servidores públicos aposentados. Déficit: R$ 40 bilhões!
      2) 24 milhões de aposentados da iniciativa privada. Déficit: R$ 35 bilhões!

      Conclusão óbvia: quanto mais funcionário público, mais déficit no futuro. Quanto mais défict, mais dívida. E quanto mais dívida… Bom, a Grécia está lhe mostrando o resultado.

      Mas todas estas coisas são muito complicadas para o entendimento dos esquerdistas fanáticos. Eles preferem resumir tudo numa constante conspiração da direita má tentando oprimir os pobres coitados que os esquerdistas tentam defender. O problema é que quando estes mesmos coitadinhos tem uma oportunidade de enriquecer fazem tudo o que criticam. Que o diga o PT.

  15. Gilx says:

    Amilton,
    Sim, acredito em uma espécie de “conspiração”. Mas é bem diferente do pensamento do internauta Alan.
    No meu ponto de vista é tudo bem orquestrado. Basta fazer uma pergunta simples: quem está ganhando com essas medidas de crédito artificial e farto? FMI, Banco Mundial e cia. ilimitada.
    Esse pessoal, anti-livre mercado e adoradores do mercado de Estado (social-democracia)têm interesse em manter as nações com suas economias “sociais” sempre reguladinhas, pois assim elas estarão sempre à beira do abismo, em constante necessidade de receber pacotes de socorro. E quem lucra no final? Eles, os burocratas imorais dessas instituições que enriquecem com mais e mais políticas keynesianas.

    • Amilton Aquino says:

      Gilx, não acredito que as instituições multilaterais queiram falir nações para lucrarem, até porque a necessidade de crédito hoje é tão grande que o FMI não consegue dar conta nem de 5%. Se a crise se agrava muito, como a grega, por exemplo, os credores perdem, pois a cada dia o calote fica mais próximo. Daí a dificuldade que passam alguns dos bancos até então mais sólidos que conhecíamos. Quem diria que algum dia veríamos um banco suíço em dificuldade? Pois é, no mundo globalizado, uma crise como esta não interessa a ninguém. Nem mesmo a China, que já começa a desacelerar.

  16. Gilx says:

    Amilton,
    Eu exagerei ao dizer que “tudo é bem orquestrado”, mas eu não falei que essas instituições queiram falir nações. Querem apenas que elas “sangrem” e venham pedir socorro. Mas, como nem tudo sai como o planejado, parece que perderam o controle da coisa toda. De qualquer modo, há sempre quem tire proveito das desgraças alheias.

  17. Alan Patrick says:

    Amilton, a crise foi causada pelo grande capital,que aliás contou com a cúmplicidade de governantes que seguiram a ideologia neoliberal de aumentar a desregulamentação do mercado financeiro a partir da década de 70.Além da desregulamentação financeira que foi a causa básica da crise, outro ponto que a agravou foi a injeção de trilhões de dólares do dinheiro público por parte do Estado para salvar bancos de falirem, o que agravou o déficit público dos Estados(veja que as medidas do Estado capitalista foi o de salvar os responsáveis pela crise,que são os bancos, e não o de ajudar a população que agora sofre com o desemprego,com a redução de direitos sociais etc!). Outro ponto a destacar, e sobre a natureza dos gastos do Estado que o mercado quer que o Estado diminua,que são logicamente os GASTOS SOCIAIS e não os gastos com a dívida pública! Portanto, o que o Grande capital esta impondo a população dos países em crise e simples: que a população pague a conta de uma crise que elas não provocaram! Por isso, mais uma vez fica aqui demonstrado que a lógica do capitalismo e basicamente esta: privatizar os lucros e socializar os prejuízos. Segue um artigo, que talvez abra um pouco seus olhos sobre o desastre que são as medidas neoliberais no enfrentamento da crise atual observadoressociais.blogspot.com/2011/11/estados-unidos-o-imperio-em-crise.html
    Sobre o Brasil, talvez seja interessante vc ler o texto no qual o economista Marcio Pochmann diz que o Brasil atualmente esta melhor preparado para enfrentar a crise do que em 2008: http://www.viomundo.com.br/politica/marcio-pochmann-uma-crise-mais-grave-e-mais-ampla.html

    • Amilton Aquino says:

      Alan,

      Continua andando em círculos, só que agora “embasado” pela porta-voz do governo, a Carta Capital, a revista empenhada em embelezar tudo que o PT faz (ou diz que faz) e desqualificar tudo o que o PSDB fez. Quero ver se quando o PT conseguir aprovar sua proposta de controle dos meios de comunicação, se vai policiar também a parcialidade escandalosa dessa revista. Claro que não, né? Para os amigos do rei vale tudo, mensalão, superfaturamento, criação de ONGs fantasmas, etc, etc. Os outros, ah os outros são golpistas!

      Sobre as causas da crise de 2008, você que acompanhou a minha última série sabe que não foi apenas decorrente da desregulamentação financeira. Aliás, a desregulamentação financeira foi justamente decorrente da incapacidade dos EUA garantir a paridade ouro-dólar. E sabe por que isso aconteceu? Porque o governo norte-americano passou a gastar mais do que podia, iniciando uma sucessão de déficits que dura até hoje. E como financiava tais déficts? Fabricando dólar e exportando inflação para o mundo. Portanto, a bagunça financeira que detonou a crise de 2008 tem uma origem fiscal. Ou seja, voltamos ao ponto chave que deveria balizar todo o debate político-econômico e que, por razões políticas, não recebe a atenção que deveria: responsabilidade fiscal. Traduzindo, não gastar mais do que se arrecada. A regra vale para nós, cidadãos, e deveria valer para o Estado. Ponto. Mas infelizmente não é isso que acontece porque um bando de alucinados acha que o Estado é uma fonte inesgotável de recursos.

      Aliás, este é um dos pontos centrais do liberalismo de Mises e Hayek que, nos anos de ouro do capitalismo, quando a Europa surfava nas ondas do keynesianismo, alertavam para os problemas que teríamos no futuro, como de fato está acontecendo. E por que a preocupação? Porque o keynesianismo reinante na Europa sempre esteve fundamentado no crédito. Ou seja, o governo vende títulos para financiar o progresso do presente, jogando a conta para as futuras gerações. Daí o porquê dos europeus estarem tão endividados hoje. Portanto, a crise de 2008 não foi a responsável pelo atual endividamento da Europa e sim um agravante.

      Mas para vc é mais fácil jogar a culpa das dívidas no socorro aos bancos, como se os europeus não tivessem dívidas antes de 2008. Aliás, vc esquece que o governo do PT socorreu o banco de Sílvio Santos, o qual retribuiu a “gentileza” com aquela reportagem da bolinha de papel no Serra, lembra?

      Portanto, vc repete o mesmo discurso vazio e irresponsável de sempre, mais preocupado em rotular do que apresentar soluções reais. O que fazer com a Grécia? O que fez o governo socialista grego? Por que será que ele não adotou o “know-how” do PT para combater a crise? Por que será que ele não criou um PAC grego? Aliás, por que será que o premier socialista renunciou ao cargo?

      A razão é bem simples. Não teve coragem de assumir o ônus das reformas dolorosas que terão que ser feitas. A Grécia chegou a um ponto onde não há mais como empurrar novas contas para as futuras gerações. A Grécia atingiu todos os tetos da irresponsabilidade com o dinheiro público e agora chegou a hora de pagar o preço. Mesmo que perdoem a dívida total da Grécia, no dia seguinte ela já estará novamente endividada, caso não mude a estrutura do seu Estado.

      E o “coitadinho” do povo grego (principalmente sua casta de funcionários públicos) não é tão inocente assim nesta história como vc diz que é, pois durante todo este tempo foi conivente com seus políticos. Aposentaram-se mais cedo que os demais europeus, trabalham pouco e estão sempre prontos para votar nos políticos que oferecem mais “benefícios” estatais. Aliás, ainda hoje os gregos não conseguem aceitar a matemática que mostra a impossibilidade de continuar gastando 20% a mais do que se arrecada. Estava na cara que isso ia acontecer algum dia. E aconteceu.

      Mas pra vc é mais fácil explicar este caos atribuindo a culpa ao ente capitalista que “privatiza lucros e socializa prejuízos”. Apenas mais uma frase de efeito que só serve para passeatas, mas na prática não resolve nada, não explica nada.

      Sobre os artigos que vc citou, nenhuma novidade. Apenas o mesmo blá-blá-blá de sempre com o verniz da Carta Capital. Não tem um único argumento ali que não tenha sido refutado aqui e vc sabe muito bem disso. Pura desonestidade intelectual.

  18. Gilx says:

    Amilton,
    O que o Alan tá fazendo neste site chama-se “trollagem”. O cara tá sempre andando em círculo para que vc dê corda a ele. Esse cidadão não quer ensinar nem aprender, deseja só poluir o seu belo site com politicagem fanática.

    Aqui vai um pequeno trecho para que ele possa enxergar que o capitalismo foi o sistema econômico que mais tirou gente da miséria nos últimos 200 anos:

    CAPITALISMO: A GRANDE INVENÇÃO DA HUMANIDADE

    “A verdade é que, para as massas, a história do último milênio foi uma história de fome, escassez e doenças. Na Inglaterra do século XII, por exemplo, ocorria uma crise de inanição generalizada a cada 14 anos. Do século XIII ao século XVII, a escassez de alimentos aparecia a cada 10 anos. Hoje em dia, a fome não tem qualquer relação com o que chamamos de ‘privações’ – exceto em países da África, onde não há nem resquícios de capitalismo. Esses episódios, comuns à época, mataram dezenas de milhares, e obrigaram as pessoas a comer cachorros e cascas de árvores.

    E mesmo aqueles que não sofriam com a fome, não viviam com conforto. Para a maioria das pessoas, as casas eram minúsculas, com um buraco em seus tetos de junco e palha para permitir que a fumaça saísse. As cidades tinham apenas uma bomba d’água, que era a fonte de toda a cidade. A rede sanitária era precária, e surtos de lepra, escorbuto e tifóide eram coisas comuns e esperadas. As pessoas se consideravam abençoadas quando seu filho conseguia sobreviver ao primeiro ano de vida, ao passo que poucos adultos passavam dos 30 anos.

    Oportunidade econômica era algo desconhecido, assim como a ideia de se ter uma prosperidade material em contínuo avanço. A primeira ruptura nessa longa história de sofrimento aconteceu com o surgimento das sociedades comerciais da Espanha e do norte de Itália, e depois com a revolução industrial na Grã-Bretanha. As pessoas passaram então a fugir em manada do interior em direção às fábricas. Hoje nos dizem que as condições de trabalho nessas fábricas eram deploráveis, com longas e duras horas de trabalho.
    Mas comparadas a quê? A alternativa para a maioria das pessoas era viver como um indigente ou como uma prostituta – ou morrer de fome nas áreas rurais.

    Muito pouca atenção é dada aos heróicos proprietários das primeiras fábricas. Eles geralmente eram pessoas humildes, que incorreram em enormes riscos empresariais e que reaplicavam seus lucros na expansão das fábricas, em benefício dos trabalhadores.

    Eles conseguiram abrir suas fábricas mesmo sob forte oposição das elites já estabelecidas, que não queriam concorrência e que os acusavam de estar enchendo a cidade de “gentalhas” e “ralés”. O único apoio intelectual que esses empreendedores tinham vinha dos economistas liberais clássicos, que perceberam que essa iniciativa empreendedorial representava liberdade e prosperidade para o homem comum.

    O que estava sendo produzido nessas fábricas? Não eram bens para a nobreza, mas vestuários e equipamentos utilizados pelas pessoas comuns para melhorar sua vida diária. Como disse Mises, essa foi a primeira vez na história em que a produção em massa foi feita para as massas”.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=268

    • Amilton Aquino says:

      Pois é Gilx, apesar de todos problemas, o capitalismo está conseguindo inclusive aproximar as nações. Quem poderia imaginar algumas décadas atrás que a China estivesse preocupada com a recessão nos EUA? Fraternidade? Claro que não. Interesses econômicos apenas. Acontece que tais interesses estão se sobrepondo inclusive ao militarismo que predominou até o século XX. Portanto, ainda que a situação econômica se deteriore nos próximos anos, esta mudança no cenário global já é mais que suficiente para comemorarmos.

    • Sandro says:

      Gilx,

      Muito bom este texto!

    • Alan Patrick says:

      Gilx, não projete em mim os vícios que vc carrega em si, visto que politicagem fanática se encontra muito bem exemplificado na sua defesa cega do decadente sistema capitalismo. Além do mais, em nenhum momento busquei ofender ou atacar pessoas aqui no blog, o que e característica de um troll, mas sim busquei contra argumentar ideias que discordo. Se fui redundante em alguns momentos, foi porque queria destacar ou lembrar algumas ideias que são esquecidas por aqui, e não para cansar ou provocar ninguém.
      Sobre o capitalismo, talvez vc saiba que o desemprego decorrente da crise atual já atinge aproximadamente 200 milhóes de pessoas(mais do que a população brasileira,portanto!), ou que apesar de a produção de alimentos ser suficiente para alimentar duas vezes a população mundial, muitas pessoas ainda morrem atualmente em decorrência da fome. Por que isso ocorre? a resposta não e difícil de perceber,isso ocorre porque o capitalismo e um sistema excludente, concentrador de renda e que interessa apenas a 1/3 da população mundial.

      Dito isso,já que parece que minha participação aqui no blog esta incomodando,não vou incomodar mais. De qualquer forma,agradeço o Amilton pelo espaço dado até aqui para os meus comentários e para as respostas que ele deu aos questionamentos que fiz.
      Abraços

      • Amilton Aquino says:

        Alan,

        Como disse no comentário anterior, apesar de às vezes até ficar irritado com a repetição de alguns dos seus argumentos, na verdade eles foram úteis para levar reflexão a muitas pessoas que por aqui navegam. Fique à vontade continuar comentando!

  19. Alan Patrick says:

    Puxa, Amilton! a religião neoliberal te deixou cego mesmo,hein?! A crescente desregulamentação do mercado financeiro, que houve ao longo das décadas de 70,80 e 90 foi sim o âmago da crise financeira de 2008, visto que foi a ideologia neoliberal de eficiência dos mercados, que foi a responsável por retirar as travas que impediam que os bancos assumissem riscos demasiados. O mais interessante disso tudo e notar que os neoliberais que demonizam o Estado,que são a favor do Estado mínimo e que dizem que o Estado gasta demais com o social,são os mesmos que defendem e até consideram uma medida Keynesiana “justificavel”, o fato do Estado agravar seu déficit fiscal quando é para salvar o sistema financeiro. Ora, o fato do Estado ter agravado seu déficit,por ter injetado trilhões de dólares dos cofres públicos para socorrer o sistema financeiro, não foi por acaso uma violação do primeiro dogma da cartilha neoliberal que prega “responsabilidade” fiscal? ou será que esse dogma dos neoliberais só vale pra eles quando o Estado vai gastar no social, e não na hora que o Estado transferi recursos públicos para o grande capital?
    Sobre as soluções para a crise, a receita neoliberal como já destaquei são um desastre para enfrenta-lá,porque só tende a agrava-lá mais. A melhor solução para enfrentar a crise, vale salientar, seria os governos dos países desenvolvidos proteger o salário,o emprego e os direitos sociais dos trabalhadores, isto é, tomar medidas para salvar a população e não apenas ficar se subordinando aos interesses particulares do mercado financeiro, que quer que o ônus da crise seja jogado em cima da população.
    Em relação a minha constatação de que o capitalismo e um sistema que privatiza os lucros e socializa os prejuízos, por acaso o fato do lucro dos bancos ser privado e o prejuízo ser socializado para toda sociedade, quando esta entidade se encontra em crise,não e um exemplo que demonstra que o capitalismo e um sistema que privatiza os lucros e socializa os prejuízos?

    Sobre o marco regulatório, como já comentei uma vez aqui, ele esta previsto na constituição federal de 1988 e ainda não foi implantado porque os barões da mídia, que exercem oligopólio no setor, não querem que os meios de comunicação sejam democratizados, porque sabem que assim perderiam um pouco do seu poder de manipular a opinião pública. Aliás, os opositores do marco regulatório(barões da mídia e seus serviçais), buscam associar a medida com a falsa tese de que ela seria uma forma de censura, cerceamento da liberdade de expressão etc, sendo que os mesmos(barões da mídia e seus serviçais), omitem que o marco regulatório já e previsto na constituição de 1988, como uma forma de democratizar o setor.
    http://www.viomundo.com.br/politica/franklin-martins-ninguem-pode-engavetar-a-constituiçao.html

    • Amilton Aquino says:

      Puxa Alan, a religião comunista te deixou com sérias dificuldades de efetuar os mais elementares cálculos matemáticos! Vou repetir para vc já que, mais uma vez, continua andando em círculos: o Estado grego arrecada 100 e gasta 120! Não existe mais keynesianismo que salve a Grécia. Eles já protelaram todo que tinha para protelar e agora devem fazer a única coisa que resta para almejar algum futuro: equilibrar as contas. Vai ter recessão, desemprego, aumento da miséria, agitação social, etc. e etc. Enfim, todas as conseqüências negativas a que estamos sujeitos quando gastamos mais do que nosso salário. Não existe mágica. Tem uma hora que é preciso enfrentar a realidade. Por isso que o governo socialista renunciou, pois não quis assumir o ônus de tais reformas, aliás, algo comum ao governo do PT, que vai empurrando todas as reformas pendentes com a barriga até que o cenário positivo para os emergentes mude e a bomba estoure também por aqui.

      Como vc fica apenas na superficialidade dos gritos de guerra, então me diga onde a Grécia vai arranjar dinheiro para continuar bancando esta estrutura de estado? Emitindo mais títulos? Não dá, pois para isso vai ter que pagar juros ainda mais altos, pois ninguém quer correr o risco de emprestar para a Grécia. Fabricando moeda? Também não dá, pois a Grécia não tem mais moeda própria e a União Européia já tem fabricado mais moeda do que deveria, vale salientar. Aumentando impostos? Talvez, mas isso vai diminuir ainda mais a competitividade grega, vai reduzir a capacidade de consumo interna, o que, por sua vez, vai provocar ainda mais recessão. Sair do Euro? Talvez, mas isso além de não resolver o problema provocaria uma bagunça ainda maior, pois de posse de um banco central, o governo geraria uma hiperinflação ao fabricar papel moeda sem lastro para atender as reivindicações do funcionalismo público.

      Como vc pode ver, existe uma economia real que tem mais a ver com matemática do que com ideologia. Seria muito bom que a fábrica de moeda do Estado resolvesse todos os nossos problemas, oferecesse saúde de qualidade, educação, aposentadoria aos 40 anos, 20 horas de trabalho mensal, etc. etc. O problema é que tudo isso custa dinheiro e o dinheiro vem do bolso da própria sociedade. Enquanto as pessoas não se conscientizarem da necessidade de otimização dos gastos públicos, vamos ver se repetir casos como este da Grécia. Aliás, alguns desses problemas já nos perseguiram há vários anos e, graças aos esforços de alguns que tiveram coragem de assumir ônus de efetuar algumas reformas, é que conseguimos reverter o círculo vicioso que a Grécia se encontra agora.

      Infelizmente o véu da ideologia cega as pessoas ao ponto de não perceberem coisas tão simples. O que seria de nós hoje se não tivéssemos uma lei de responsabilidade fiscal? Pois é, a Grécia vai ter que criar sua lei de responsabilidade fiscal. Não tem outro jeito. O falso dilema entre soluções keynesianas (esquerdistas) x soluções ortodoxas (direitistas) acabam quando é esgotada a capacidade de endividamento dos Estados, pois afinal o keynesianismo resume-se em acelerar o crescimento do presente com dinheiro emprestado das futuras gerações. Se até lá os governos conseguirem equilibrar as contas e pagarem as dívidas, tudo bem. Caso contrário, vamos ter que continuar vendo o mesmo filme. A Europa é um exemplo disso.

      Bom, isto foi apenas uma introdução. Um choque de realidade para ver se vc aterrisa. Uma pena que vc não responde aos meus questionamentos. Mas, apesar disso, continuo respondendo aos seus porque eles são úteis para levar alguma reflexão a alguns que como vc vêem o mundo pelo ângulo equivocado da luta de classes. Vamos então a algumas considerações sobre seu comentário circular.

      Primeiro vamos deixar bem claro uma coisa. Embora o liberalismo esteja fundamentado na crença (que é também um fato) de que a iniciativa privada é mais eficiente que as iniciativas estatais, NENHUM expoente do liberalismo defendeu a supressão do Estado. A proposta liberal sempre foi concentrar os esforços do Estado naquilo que ele é essencial, tendo sempre como objetivo a otimização dos recursos públicos, o que, por sua vez, se reflete no bem geral da sociedade. Isto não é “privatizar lucros” nem tampouco “socializar perdas”. É sim administrar bem o dinheiro dos impostos em prol do bem geral da sociedade, e não apenas de setores corporativistas.

      Portanto, a bagunça generalizada que houve no mercado financeiro não tem nada a ver nem com o liberalismo clássico, nem com o que vc chama pejorativamente de “neoliberalismo”. Este sim, como vc viu na minha última série, uma tentativa de consertar a bagunça das economias latino-americanas dos anos 90 e, na sua vertente européia, uma tentativa de ajustar a Europa a um mudo cada ano mais competitivo devido a globalização, principalmente com a ascensão dos asiáticos.

      Portanto, a “desregulamentação” que os esquerdistas tentam atribuir ao neoliberalismo é mais uma distorção da verdade. O que o nono item do Consenso de Washington recomenda é a “Desregulação de setores controlados ou cartelizados”. Ou seja, a redução da burocracia (o que significa menos custos para o estado e para os empregadores), flexibilização de leis trabalhistas (que significam mais competitividade e mais emprego), combate aos monopólios (que significa mais competição e menores preços para a sociedade) e, por fim, a criação de agências reguladoras justamente para coibir os eventuais abusos dos setores mais poderosos. Enfim, é justamente o contrário do que vc diz.

      Como já disse antes, a bagunça do setor financeiro não foi decorrente de nenhuma cartilha neoliberal, e sim da irresponsabilidade fiscal dos governantes dos EUA que abandonaram o paridade ouro-dólar, abrindo caminho para a economia dos valores fictícios que teve seu auge na crise de 2008. Ou seja, se os EUA estivessem seguindo os conselhos dos liberais, nunca teria tido déficts, não teria dado o calote no mundo ao abandonar o padrão ouro-dólar, não teria estimulado o consumismo desenfreado para empurrar a inevitável crise para o futuro, não teria permitido que os mercados transformassem dívidas em créditos, etc. etc.

      Sobre a “contradição neoliberal” que vc aponta ao socorrer grandes empresas no momento mais agudo da crise de 2008, mais uma vez vc fica apenas na superficialidade e desconversa quando apontamos exemplos de atitudes idênticas tomadas por governos ditos de esquerda. Vamos lá, responda. Como vc explica os vários socorros do governo Lula a grandes corporações?

      Vc não quer entender as razões do seu governo para socorrer o Banco Panamericano, mas vou tentar fazer o papel de advogado do governo Lula. Ao evitar a falência imediata do Banco Panamericano, o governo evitou conseqüências em cascata, com desdobramentos em outras empresas que, por sua vez, implicariam em demissões. Como vc pode ver, entre a ideologia e mundo real, o último sempre prevalece. Por isso que governos ditos de esquerda e de direita são cada dia mais parecidos. Só cegos que não vêem isso.

      Vamos para mais uma confusão sua:

      “Ora, o fato do Estado ter agravado seu déficit,por ter injetado trilhões de dólares dos cofres públicos para socorrer o sistema financeiro, não foi por acaso uma violação do primeiro dogma da cartilha neoliberal que prega “responsabilidade” fiscal?”

      Não confunda uma ação keynesiana com liberalismo. Ora, vc já esqueceu, mas quando os governos socorreram montadoras, bancos e seguradoras, o governo Lula ficou endeusando Keynes e o Estado. Em nenhum momento os governos de esquerda se posicionaram contra tais socorros. Agora que os efeitos de mais uma onda de keynesianismo chegaram então vcs vêm com este discursinho fácil de salvar ricos e arrochar os pobres.

      “Será que esse dogma dos neoliberais só vale pra eles quando o Estado vai gastar no social, e não na hora que o Estado transferi recursos públicos para o grande capital?”
      Se todos seguissem a responsabilidade fiscal pregada pelos liberais, nunca teríamos chegado a este ponto, nunca teríamos precisado de medidas keynesianas emergenciais. A responsabilidade fiscal é a base da boa administração. Vale para o cidadão comum e vale para o Estado. O problema é que os esquerdistas acham que o Estado pode fabricar dinheiro indefinidamente.

      Sobre suas “propostas” para enfrentar a crise (proteger o salário, o emprego e os direitos sociais dos trabalhadores) só se vc mudar a matemática, pois como o governo grego, por exemplo, vai “proteger salários” se ele não está conseguindo nem mesmo pagar o funcionalismo público? Como exigir que as empresas garantam emprego e obrigações trabalhistas se o Estado não consegue dar o exemplo? Vamos responda objetivamente e para de fazer firula!

      Sobre a lei de imprensa, o fato de ser prevista na constituição não muda nada. O problema não é a lei de imprensa, que é necessária e já deveria estar vigorando. O problema é a proposta do PT que a cada dia deixa mais claras sua reais intenções de controlar a informação ou pelo menos inibi-la. E sabe por que? Porque o PT não suporta críticas. Não consegue conviver com o contraditório. Não basta derrotar a oposição, o PT quer extingui-la. O PT quer se perpetuar no poder sem se preocupar com denuncias de corrupção. E para isso vale tudo, até mesmo a absurda proposta de criação de um “ranking de empresas que mais pisaram na bola” para eventuais cassações, multas e etc. Ora, quem iria classificar quem está sendo parcial ou não? Isto é ou não uma forma de censura?

      De uma coisa eu tenho certeza. Na aprovação da proposta dos sonhos da lei de imprensa do PT, a revista Carta Capital não teria nenhum problema. Aliás, Carlos Lupi não teria nenhum problema, nem Alfredo Nascimento, nem Wagner Rossi… Enfim, nenhum corrupto que hoje apóia o governo do PT.

  20. Gilx says:

    Alan,
    Não se trata de “defesa cega” ao capitalismo. O capitalismo não é ideologia política, é APENAS um sistema econômico. O mais irônico é que os esquerdistas fazem do capitalismo um espantalho o qual jogam nele todos os males da humanidade. Isso é idiotice, haja vista que esse sistema econômico (capitalismo) é usado tanto pelas social-democracias europeias quanto pela ditadura comunista chinesa para poderem gerar riqueza e fazer a proclamada “justiça social”.

    Me responda uma simples pergunta: que sistema econômico na História da humanidade mais trouxe mais empregos, progresso, tecnologia, diminuição da miséria? Foi o feudalismo, mercantilismo ou o socialismo?
    O capitalismo tem seus defeitos, mas não existe nenhum sistema melhor que possa substitui-lo. Ao contrário do que vc disse, o capitalismo não é excludente, conforme mostra claramente o texto do Mises que mostrei acima. Falando nisso, aqui vai mais um trecho de um texto do Instituto Mises:

    COMO O CAPITALISMO SALVOU A CHINA COMUNISTA

    “Uma comunidade agrícola extremamente pobre em uma pequena aldeia chamada Xiaogang, na província de Anhui, uma das mais pobres da China. Em finais de 1978, não se sabe ao certo a data, 18 agricultores empobrecidos se reuniram. Eles concordaram em fragmentar a terra, ficando cada família com um determinado pedaço, o qual elas iriam cultivar individualmente. Esses agricultores concordaram em não pedir grãos e nem dinheiro para o governo. Eles iriam cumprir as exigências de quotas determinadas pelo governo, porém iriam audaciosamente ficar com as possíveis sobras para então vendê-las. Isso era contra a lei.

    Temerosos com o que poderia acontecer às suas famílias, esses agricultores selaram um acordo entre si: se qualquer um deles fosse apanhado e aprisionado pelo governo, todos os outros da aldeia iriam cuidar de seus filhos até que eles fizessem 18 anos de idade. O acordo foi firmado com assinaturas e impressões digitais.

    E foi assim, de acordo com a história, que tudo começou.

    No ano seguinte, a colheita de grãos foi 6 vezes maior do que havia sido em 1978. Eles conseguiram facilmente cumprir suas quotas, vendendo em seguida todo o excedente — a maioria à beira de estradas. A renda per capita aumentou em um fator de 20. O Secretário do Partido Comunista, Wan Li, que era o responsável pela Província de Anhui à época, ficou sabendo da ocorrência e acabou aprovando o “experimento”.

    A notícia se espalhou rapidamente para outras comunidades por toda a China. As melhorias na produtividade e na produção foram tão impressionantes que o experimento acabou sendo oficialmente aprovado por Deng Xiaoping em 1980. Quatro anos depois, o sistema comunal já havia desaparecido por completo.

    Ao longo da década de 1980, as rendas per capita no meio rural cresceram a uma média de 9% ao ano. Esse poder de compra extra estimulou o surgimento de negócios não-agrícolas. Esses empreendimentos passaram a ser conhecidos como Iniciativas de Municípios e Aldeias (IMA). Eles foram diligentemente estimulados pelo governo, que lhes concedeu alíquotas de impostos mais baixas e facilitou a obtenção de empréstimos. Tendo sido virtualmente excluídos do sistema assistencialista chinês — que existia pelo menos em nome —, os camponeses encararam isso como sendo a oportunidade que tinham para suprir suas necessidades básicas. E eles agarraram-na com veemência — não aos milhares, mas aos milhões”.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=576

    • Amilton Aquino says:

      Ótima contribuição, Gilx. Para quem quer ver realmente, fica claro que ao trabalhar para o governo os agricultores não davam todo o seu potencial. A simples possibilidade de comercializar um possível excedente foi o suficiente para que estes explorassem todo o seu potencial. Agora pergunta a algum chinês se eles querem voltar para o regime anterior…

    • Sandro says:

      Gilx e Alan,

      Só para lembrar, já que o Gilx tocou no assunto China + Capitalismo + eficiencia de mercado:

      Entre os anos de 1958 e 1962 houve uma estatização total da agricultura chinesa, contrariando o trabalho de Mises que diz que:

      “se você abole a economia de mercado, não tem preço, portanto não tem cálculo de preço, portanto não tem economia planificada”

      Essa foi considerada a maior catástrofe já ocorrida na China, e custou a vida de 45 milhões de pessoas, que morreram de fome (em apenas 4 anos)!!! Essa história é descrita no livro “Mao’s Great Famine: The History of China’s Most Devastating Catastrophe, 1958-1962” (A Grande Fome de Mao):

      http://www.amazon.com/Maos-Great-Famine-Devastating-Catastrophe/dp/0802779239/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1323218356&sr=8-1

      • Amilton Aquino says:

        Putz, então somando-se os 95 milhões de assassinados por tiros pelos comunistas com os 45 milhões que morreram de fome na China então podemos concluir que o Comunismo, em menos de um século, teria exterminado da face da Terra pelo menos 140 milhões de pessoas, o que equivale a 28 holocaustos! Já imaginou se fossem criar uma Comissão da Verdade para rever todos estes crimes?

  21. Aliancaliberal says:

    Gilx parabens vc assim como eu gosta do mises.org.br tem muito(muito mesmo)conteudo.

    @ Amilton a gente vai evoluindo os esquerdopatas vão “involuindo”.

    Eu participo quando posso da vida partidária dentro do PT,sim tem gente boa e bem intencionada também lá, e em uma oportunidade ao fim de um evento nosso grupo esperando o ônibus, passava um monte de carro de luxo e dentro deles os palestrantes do partido dos trabalhadores.
    Eu falei:
    Fica dificil sustentar o discurso da luta de classe e do socialismo usufruindo do melhor que o capitalismo pode oferecer.

    • Amilton Aquino says:

      Pois é. Mas as contradições não ficam apenas no conforto em que estes caras vivem. O que dizer do consumismo estimulado pelo governo? A economia desaquece, tome estimulo as montadoras! Investimento em transporte público, nada ou quase nada. A longo prazo, vamos terminar todos endividados, presos em engarrafamentos quilométricos e consumindo o que deveria ser exportado pelo Pré-sal.

  22. Gilx says:

    Pois é, pessoal. É inacreditável que em pleno século XXI nós ainda estejamos discutindo essa velha dicotomia Capitalismo X Comunismo. Como não dá para alguém rever seus conceitos de uma hora pra outra, daqui a pouco veremos o nosso colega Alan regurgitando seu discurso “anti-neoliberal” feito um disco furado.

    Amilton,
    Particularmente, não acredito que o mundo vá se livrar tão cedo da sedutoras e suicidas medidas keynesianas, mesmo com a Espanha dando um recado nas eleições recentes derrotando o partido de esquerda de lá.
    Entretanto, um primeiro passo verdadeiro para acabar com toda essa overdose de expansão de créditos e emissão de dinheiro sem lastro, seria, como recomendam os economistas liberais, a volta do ouro como padrão único.

    • Amilton Aquino says:

      Os europeus chegaram aquele ponto em que não dá mais para reaquecer as economias com mais keynesianismo. E mesmo que houvesse ainda espaço para isso, só teríamos mais do mesmo. Ou seja, protelar a resolução definitiva do problema, a qual só pode ser conseguida com responsabilidade fiscal. Para piorar, a crise está tomando dimensões sistêmicas, quando todos desconfiam de todos os bancos, gerando um pânico generalizado. Nossa esperança é que finalmente os líderes mundiais percebam que não dá mais para tentar salvar o presente jogando mais conta para o futuro. Esta seria a conclusão óbvia a que todos, líderes e cidadãos, deveriam ter chegado há bastante tempo. O que me deixa receoso é que os movimentos populares que surgiram até aqui são restritos apenas a criticar o mercado financeiro. Não existe uma percepção mínima disso que estamos falando. Para piorar ainda mais, o programa político do PT ontem à noite, além de colorir nossa realidade, como já é de costume, ainda tenta pegar carona em tais movimentos populares. Se a bandeira correta da sustentabilidade ocupar o centro dessas movimentações, a esperança de dias melhores é renovada. Porém, se continuarem resistindo aos cortes necessários de gastos, aí a coisa vai piorar, e muito! A Grécia que o diga.

      Quanto a volta do padrão ouro, acho impossível pois não existe ouro disponível na Terra para associar ao dinheiro fiduciário resultante da farra financeira das últimas décadas. A única solução é responsabilidade fiscal e um acordo global que torne o crescimento mundial sustentável. Ou seja, vamos ainda passar por muitas crises nas próximas décadas.

  23. Sandro says:

    Amilton,

    Sobre o total de mortos pelos regimes socialistas é estimado em 95 milhões de pessoas. Alguns já falam em 120 milhões. Aqueles 45 milhões de chineses já estão nestas contas!

    Sobre a comissão da verdade, da uma lida neste texto: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/marighella/

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, Sandro, para os familiares dos esquerdistas todas as honras e glórias e indenizações. Para os familiares dos soldados mortos na guerra ideológica, esquecimento e vergonha. Não importa o fato dos esquerdistas terem lutado por uma bandeira fadada ao fracasso, como a história demonstrou. Não importa o fato de tais esquerdistas hoje aderirem ao capitalismo que antes consideravam o inimigo a ser extirpado. Não importam os fatos, as lições da história. O que importa para os esquerdistas do poder é salientar a parte que lhes interessa: reforçar o estereótipo dos esquerdistas idealistas x militares maus e repressores. Com isso o princípio de igualdade é ignorado, pois os esquerdistas mortos vão se tornando heróis e os soldados mortos vão sendo apagados da nossa história. Nem mesmo o argumento de fazer um contraponto às supostas calúnias do regime militar são aceitáveis, pois desde o início dos anos 80 que os esquerdistas são endeusados como heróis.

  24. Abbud says:

    Amilton seus textos como sempre são muito didáticos e coerentes, parabéns! Estou tentando me atualizar de todos os seus textos, afinal são três anos “hibernando”, para voltar agora para o interessante e importante ano que se inicia em nossa nação. Pode parecer que estamos falando com as paredes, mas nossas ideias, divergentes ou não, quando bem comunicadas, e principalmente multiplicadas e questionadas através da velocidade das redes sociais, convergem para o melhor e podem mudar os destinos do país. É o que diz a teoria, relativamente nova, de “crowndsourcing” (voce com certeza ja deve ter lido algo sobre o assunto, e não terá dificuldades para encontrar textos sobre o assunto). Em outra reposta ma sequencia coloco uma curiosidade entre nossos textos com relação a LULA e GV.

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado, Abbud. Estou com outras séries na fila. O problema é tempo que está faltando. Volto em fevereiro. Abraço!

  25. Abbud says:

    A curiosidade é que em 2010, último ano em que compilei textos e crônicas em meu blog,muito mais modesto e menor do que o seu, fiz uma comparação irônica entre GV e LULA, que resume o que você analisou disponível no link http://abbud-pensabrasil.blogspot.com.br/2010/08/maquina-do-tempo-populista.html, e reproduzidos aqui:

    A máquina do tempo populista

    LULA, o Getulio Vargas as avessas!

    Um foi ditador e depois eleito, o outro foi eleito e quer ser ditador.

    Um foi o pai dos pobres e o outro quer ser o filho do Brasil!!

    Apesar de não ter dado exemplo de democracia, pelo menos GV estudou, se preparou melhor, enfretou uma Guerra mundial ,trabalhou e deixou um legado social e industrial, já LULA… trouxe a copa, os jogos olímpicos, o bolsa esmola…

    Pegamos uma máquina do tempo e voltamos a 1945!

    • Amilton Aquino says:

      O modus operandis dos populistas é bem parecido. Na segunda parte da série sobre o nazismo tem mais algumas semelhanças com um outro populista famoso.

  26. Caledonian says:

    Não acho correto dizer que Getúlio Vargas migrou da direita para a esquerda, ele sempre foi de direita, o fato dele ter feito alguns programas sociais não quer dizer que seriam atitudes esquerdistas. Getúlio era de direita e como um bom direitista também promoveu reformas sociais. Atos sociais não é nenhuma exclusividade da esquerda, até o governo militar de 1964 a 1985 promoveu muitas reformas sociais.

  27. Caledonian says:

    Também concordo com você que os maiores ícones da esquerda querem tomar o legado de GV para si, principalmente Lula que até com Abraham Lincoln teve a desfaçatez de se comparar.
    Muito bom o seu blog, parabéns, para ficar 100% só precisa mudar seu padrão das datas de seus artigos incluindo o ano, tem muitos artigos por você publicado que a gente não sabe se são recentes ou de muitos anos atrás.