Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 10)

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A Globalização

Conceitualmente, a Globalização é um processo de integração econômica, cultural e política impulsionado pela necessidade de expansão dos mercados consumidores. Ou seja, embora o termo “globalização” tenha se popularizado a partir dos anos 90, tal fenômeno acompanha a evolução da humanidade, sendo intensificado em momentos importantes da história como na época das grandes navegações, no pós-guerra e no pós-comunismo.

Apesar das “teorias conspiratórias”, trata-se de um fenômeno espontâneo, decorrente da evolução da economia global. Não tem nenhum mentor. É o resultado da ação de vários agentes econômicos e políticos, que se interligam cada vez mais rapidamente com a redução das distâncias proporcionada com a evolução dos meios de transporte e de comunicação.

Com o surgimento do capitalismo, o processo de globalização teve um forte impulso. Em sua primeira fase, no Capitalismo Comercial, a globalização foi caracterizada pelo colonialismo e pelo mercantilismo, que explorou principalmente o comércio com a Índia (no início), mas predominou com a colonização das Américas.

No Capitalismo Industrial, que vigorou até o final da primeira guerra mundial, o processo de globalização se caracterizou pelo neocolonialismo da África e da Ásia, não apenas pelas nações que iniciaram o processo de colonização (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda), mas também pelas demais nações européias (Bélgica, Alemanha, Itália e Dinamarca) que se lançaram mais tardiamente na conquista de novos mercados ao redor do mundo.

Na terceira fase do capitalismo, o Capitalismo Financeiro, a globalização perde o seu braço colonizador e passa por uma gradativa transição, caracterizada pela diminuição do peso do setor secundário (industrial) nas economias e pelo crescimento do setor terciário (serviços), especialmente o mercado financeiro, setor este que viria a provocar a segunda pior crise da história do capitalismo recente. Sobre este assunto vamos falar em um post específico.

A revolução globalista asiática

Ao contrário do que muita gente pensa, o processo de globalização, tal como conhecemos hoje, não começou nos EUA, e sim na Ásia, mais precisamente em uma fábrica japonesa: a Toyota. O Toyotismo, como ficou conhecido o novo modelo de produção industrial japonês, foi criado para substituir o decadente fordismo norte-americano.

Diferente do fordismo, que apostava na mecanização extrema dos meios de produção, com o objetivo de reduzir ao máximo o tempo de produção (mesmo que para isto fosse necessário comprometer um pouco a qualidade e a variedade dos produtos), o toyotismo apostava em uma mecanização mais flexível, que valorizava a constante qualificação dos funcionários como meio de conseguir uma melhor qualidade dos produtos, o mínimo de falhas possível e uma maior variedade de modelos. Surgia o padrão japonês de qualidade.

Embora o toyotismo tenha sido pensado para produzir para a exportação, o pequeno mercado consumidor japonês foi o fator que motivou a Toyota a diversificar ao máximo seus modelos (ajustados aos gostos dos clientes) e a produzir apenas o necessário, na quantidade necessária e no momento necessário, evitando ao máximo o encalhe de mercadoria. Tal modelo foi uma das razões para o fantástico crescimento do Japão na era de ouro do capitalismo, superando inclusive a também fantástica recuperação européia entre os anos 50 e 60. O Japão se tornava o novo motor da globalização mundial e o precursor do modelo capitalista asiático, fortemente voltado às exportações, com uma forte vocação para poupança.

À medida que a economia japonesa crescia e a mão-de-obra ficava cara, o toyotismo entra numa segunda fase, caracterizada pela descentralização da produção, possibilitando que algumas partes dos seus produtos fossem fabricadas em outros países asiáticos, com mão-de-obra mais barata, porém não menos qualificada.

A Coréia do Sul, que já tinha sido uma grande compradora de veículos japoneses na guerra com a Coréia comunista, foi um dos primeiros países a receber investimentos japoneses na busca de maiores vantagens competitivas. E, apesar de remeter lucros às matrizes japonesas, os coreanos foram beneficiados com a transferência de tecnologia proporcionada pela descentralização da produção. A Coréia do Sul se tornava um dos primeiros emergentes do mundo globalizado.

Convencidos da importância da educação no novo mundo que se desenhava, os coreanos investiram pesado em educação. E assim foi sendo criado um círculo virtuoso do desenvolvimento, pois a mão-de-obra especializada dos asiáticos agora acelerava a evolução da informática e esta, por sua vez, acelerava o processo de inovação e automatização da indústria. E assim como o Japão, a Coréia iniciava uma fantástica trajetória de crescimento rápido que a levaria do terceiro ao primeiro mundo em pouco mais de 30 anos, tornando-a uma referência da produção de automóveis e eletro-eletrônicos.

Mas a Coréia não estava só nesta jornada. Paralelamente, Cingapura, Taiwan e Hong Kong tiveram trajetórias semelhantes, os quais formaram o primeiro grupo de emergentes do mundo globalizado, os chamados “tigres asiáticos”, os quais serviriam de inspiração décadas mais tarde a um novo grupo de emergentes, os BRICS.

A decadência ocidental

E como vimos nos posts 5 e 6 desta série, tanto a Europa quanto os EUA começaram a sentir os efeitos da competitividade asiática já nos anos 70. Aos poucos, a indústria européia e norte-americana foi perdendo importância, ao passo que o setor financeiro foi crescendo. Os bancos europeus tornaram-se os paraísos dos petrodólares dos anos 70, turbinados com o aumento de mais de 1000% do preço do petróleo em menos de uma década.

Nos EUA, o fim do padrão ouro-dólar, em 1973, decretou também o fim da regulamentação do setor financeiro. A bagunça estava criada: os EUA fabricando moeda sem lastro para compensar seus déficits comerciais crescentes, o mercado financeiro livre para especular e os petrodólares sendo emprestados pelos bancos europeus e norte-americanos para financiar a farra keyenesiana dos ditadores latino-americanos.

O diagnóstico da decadência européia levou tais governos a reformarem suas economias, com o objetivo de torná-las mais competitivas. Surgia o irmão mais novo da globalização, o “neoliberalismo” e com ele, um freio no gastos crescentes do estado de bem estar social europeu, que tornava-se um peso cada ano maior com a inversão da pirâmide social e a nova realidade imposta pela crescente globalização e com a crise mundial do petróleo, a partir de 1973.

Embora os asiáticos tenham sido os maiores beneficiados do processo da globalização, aos poucos, as mais competitivas empresas norte-americanas e européias foram também absorvendo os conceitos do toyotismo.  E foi na Europa que surgiu também o volvismo, um aprofundamento das inovações introduzidas pelos japoneses na fábrica da sueca Volvo, onde os funcionários adquirem uma importância ainda maior que no toyotismo, tornando-se quase co-empreendedores. Aliás, este é o conceito que se tornou mais comum nas gigantes da Internet de hoje, como Google e Facebook, por exemplo.

Voltando aos anos 70, as empresas européias e norte-americanas que conseguiram se adaptar a este novo mundo se agigantaram e cruzaram também as fronteiras do mundo desenvolvido em busca de novos mercados emergentes.  Apesar da reação, os países ocidentais têm perdido cada ano mais espaço na economia global. Além dos novos emergentes asiáticos, a partir da década de 2000, a América Latina finalmente voltou a crescer de uma forma mais consistente, assim como alguns países africanos, a última fronteira do subdesenvolvimento.

Como reflexo deste novo mundo, o antigo G7 (grupo dos sete países mais ricos) vem perdendo importância a cada ano, ao passo que o G20 (G7 mais emergentes) vem tomando para si os rumos da nova economia global.

A “era da informação”

Além da dimensão econômica da globalização, um dos traços mais característicos das duas últimas décadas é o crescimento da indústria da informação. A globalização cultural, intensificada no pós-guerra com a divulgação do “way of life” norte-americano, principalmente através do cinema, tinha apenas uma via de transmissão da informação: de cima para baixo.

Com a popularização dos PCs e da Internet, principalmente a partir da década de 2000, a informação ganhou também a possibilidade de interação. Não só os meios tradicionais de comunicação ganharam um mecanismo de feedback, como o público também adquiriu a possibilidade de se tornar também emissor de informações. É neste novo mundo globalizado que estamos aqui dando a nossa pequena contribuição.

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34 Responses to Esquerda x Direita (parte 10)

  1. Sandro says:

    Saliento que O MUNDO É PLANO é um dos livros sobre globalização mais discutidos nos últimos tempos. Em contraponto a ele, sugiro o vídeo de 2min da Thunderbird School of Business: http://www.youtube.com/watch?v=Tu-hjbqvukY

    Recentemente o autor lançou outro livro que talvez se possa chamar de continuação, não tenho certeza, pois não li: Quente, Plano e Lotado.

    Abs

  2. Pedro Paulo Galindo Morales says:

    Hamilton , Muito bom seu texto é uma verdadeira aula de história e reflexão sobre como nossas atitudes podem colaborar com esse mundo.

    Pedro Paulo Morales

  3. Amilton Aquino says:

    Estou saindo agora, mas vou ver o vídeo à noite. Obrigado por mais esta contribuição!

    Obrigado também ao Pedro pelos elogios. Volte sempre!

  4. aliancaliberal says:

    Amilton temos tb o volvismo.
    “operário tem um papel completamente diferente daquele que tem no fordismo, e ainda mais importante que no toyotismo: aqui é ele quem dita o ritmo das máquinas, conhece todas as etapas da produção, é constantemente reciclado e participa, através do sindicatos, de decisões no processo de montagem da planta da fábrica (o que o compromete ainda mais com o sucesso de novos projetos).”
    …………..
    A nova economia é e será baseada na inovação como fator de competividade, preços e qualidade serão apenas fatores essenciais, sem preço e qualidade uma empresa não precisa de concorrentes, ela mesma já cava sua sepultura.
    Nesta economia baseada em inovação, o trabalhador tem que mudar a sua postura perante a empresa, deixa de ser um “escravo” e passa a ser um “empreendedor” da empresa.
    E inovação somente vem de gente, dai vc vê empresas com as maquinas mais avançadas indo a falência (aviação) pq esqueceram do capital humano.
    E achar um trabalhador “empreendedor” é muito raro, e consequentemnte o salário acompanha esta raridade.
    Em nosso país pensar em trabalhador “empreendedor” com a nossa cultura trabalhista escravista é quase uma utopia.

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado Liberal por mais esta contribuição. Dei uma alterada no texto para citar também esta importante inovação introduzida pela Volvo, a qual está na raiz do sucesso das grandes empresas de tecnologia dos dias atuais, especialmente aquelas ligadas à Internet, onde a inovação é o principal diferencial. Estes novos “trabalhadores” não têm mais horário a cumprir. Muitas vezes são eles quem ditam as regras, pois, para as empresas, o que importa é a produtividade, a inovação que vêm destes novos empregados-empreendedores.

      Realmente esta nova mentalidade vai demorar a predominar no Brasil. Na Suécia, o sucesso do volvismo tem a ver com as características particulares daquele povo, considerado o mais inovador do mundo. Não é a toa que os suecos são os campeões “per capta” de patentes.

      Apesar de tudo, já começamos a ver alguns indícios de mudanças por aqui também. Aqui em Pernambuco, por exemplo, temos o Porto Digital, um pólo de tecnologia que produz softwares para grandes empresas, inclusive multinacionais como a Motorola. No Cesar, uma das empresas do Porto Digital, um dos diretores que tive o prazer de conhecer, Sílvio Meira, muitas vezes vai trabalhar de sandálias havaianas e não está nem aí para detalhes comuns a empresas tradicionais que reforçam as antigas relações patrão-empresário. Para Sílvio, o que importa é o que vem da mente de sua equipe, e isto independe do tempo que eles passam na empresa, e sim do grau de comprometimento e motivação que têm com os projetos.

  5. Sandro says:

    Liberal,

    Apesar de ser graduado em administração de empresas em uma boa universidade, nunca tinha ouvido falar no modelo sueco como “volvismo”, pelo menos não com este termo!!! Que vergonha! ainda bem que ainda nao morri e posso continuar aprendendo! já estou pesquisando sobre o assunto! Obrigado!!!

    Em relação a sua afirmação:

    “Em nosso país pensar em trabalhador “empreendedor” com a nossa cultura trabalhista escravista é quase uma utopia.”

    Gostaria de acrescentar o dado de que o Brasil é, se não me engano, o país com maior número de empreendedores do mundo, visto que as pessoas quando perdem o emprego só lhes resta, muitas vezes, abrir o negócio próprio. Claro que nos ultimos anos, com o aquecimento da economia gerando um quadro de baixo desemprego, esse cenário esta mudando, fazendo com que a sua afirmação tenha mais sentido.

    Gostaria de somar a esta informação o fato de que o Brasil é um dos paises que tem a maior mortalidade de empresas no mundo. Segundo estudo do Sebrae divulgado com certa periodicidade, o numero de empresas que fecham no 1º ano acho que é mais do que 60%, e até o 5º ano uns 95%+.

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, é por estas e outras que sou otimista com o Brasil, pois com tudo contra e nossas empresas conseguem sobreviver. Confesso que estou até surpreso com a pouca desindustrialização verificada até aqui, mesmo com um câmbio tão desfavorável. Ainda bem!

  6. Sandro says:

    Amilton,

    Em relação ao processo de desindustrializacao do Brasil, outro dia estava discutindo exatamente sobre isso com executivo de uma grande multinacional. Ele disse que este cambio vai fazer o pais regredir cerca de 30 anos no setor industrial!

    Em relação a composição das exportações brasileiras, as commodities já passaram dos 60% há algum tempo, e várias fabricas estão fechando em varias partes do pais!

    Na semana passada, a Azaleia, tradicional industria calçadista brasileira, fechou sua fabrica na cidade de Parobe-RS, deixando 800+ desempregados e criando um rombo na economia da cidade!!!

    Se continuarmos como esta, R$ 1,55 = US$ 1, nossa industria vai para o beleleu

    • Amilton Aquino says:

      Olá Sandro,
      De fato, o processo de desindustrialização já está ocorrendo. Minha surpresa é que ele não esteja acontecendo mais rapidamente. Não só a nossa pauta de exportações revela a diminuição do peso da nossa indústria. Se vc tentar listar as marcas nacionais de indústria tecnológica que vendem para o exterior, o quadro fica ainda mais preocupante, pois só sobra a Embraer. Ou seja, vamos a cada ano nos tornando meros exportadores de commodities. E olha que fomos bastante beneficiados nos últimos anos com a valorização destes produtos. Caso o quadro mude, teremos grandes dificuldades. Aliás, basta a China diminuir seu ritmo de crescimento para que a coisa desande por aqui. E o pior disso tudo é que vamos esgotar nosso bônus demográfico antes de chegarmos ao primeiro mundo, crescendo num ritmo muito aquém da nossa capacidade. Qualquer emergente na mesma fase que estamos cresce a um ritmo quase o dobro do nosso.

  7. aliancaliberal says:

    “Azaléia, tradicional indústria calçadista brasileira” e estes 800 serão absorvidos por outras empresas competentes que existem em parobé.
    O cambio esta sendo usado como desculpa para incompetência de empresas brasileiras que somente conseguem sucesso por meio de subsídios do estado. O cambio “valorizado” tira parte deste subsidio indireto e expõe à realidade da nossa economia, o custo Brasil fica bem exposto na nossa cara, leis trabalhistas, juros altos, carga de impostos altíssimos apesar da declaração de ser “apenas” 35%, interferência do estado na vida e na economia da sociedade, algumas questões culturais como a vergonha que é trabalhar coisa que deveria ser orgulho, a estatolatria, falta de envolvimento nas questões da sociedade e da política.
    Os Estados Unidos os produtos tem um valor menor que o equivalente no Brasil, apesar de ser em dólar daí não se justifica muito a desculpa do cambio “valorizado”.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Liberal,
      Concordo contigo que muitos setores estão usando o câmbio valorizado para obter compensações do governo. Mas não dá para ignorar que está muito difícil competir com os asiáticos com câmbio desfavorável e com o “custo Brasil” que vc tão bem descreveu.

  8. aliancaliberal says:

    Se um calçado chines custa 20 reais e um nacional custa 40, vc criando barreiras para os chineses vc penaliza os pobres que não vão poder adquirir um sapato.

    A pergunta é pq pelo menos não é 25- 30 reais o calçado tirando a questão do cambio.è isso que o governo e nossa sociedade deve se perguntar e resolver, e não só ficar no cambio.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, ninguém hoje consegue competir em condições de igualdade com a China. Eles têm uma combinação imbatível: mão-de-obra barata, qualificação, investimento em inovação, infra-estrutura e câmbio favorável. Desses itens apenas o primeiro chegamos um pouco mais perto, porém quando consideramos o custo de empregar no Brasil, também perdemos de goleada neste item. Portanto, baixar o preço dos produtos não é uma questão de vontade. Isto depende de fatores que estão além do empresário, entre os quais o mais pesado é o chamado custo Brasil. O câmbio, como vc mesmo disse, só veio tornar esta nossa deficiência mais evidente. Quem poderia reduzir esta desvantagem competitiva seria o governo. Porém o nosso popular presidente, que teve todas as condições do mundo para reduzir estas distorções, não soube aproveitar os sucessivos recordes de arrecadação para turbinar o potencial da nossa economia. Preferiu usar os recursos extras para tornar Estado ainda mais pesado com vistas às próximas eleições.

  9. Sandro says:

    O cambio apreciado deveria servir para compensar essas deficiências, custo Brasil, enquanto não se consertam elas! E com o pré-sal dando frutos vamos para o beleléu com cambio ainda mais apreciado, vai ser exatamente a doença da vaca holandesa!!!

    o Brasil, em vez de se juntar aos EUA para forçar a China a apreciar o Yuan, resolveu se meter onde não devia, reconhecendo o pais como economia de mercado em troca de apoio deste para a bendita cadeira permanente no conselho de segurança da ONU que, sinceramente, não consigo entender qual a razão para querer esse posto!

    Muitos, se não todos, empresários, dirigentes de entidades, altos executivos, todo mundo da área com quem eu falo me diz a mesma coisa: Cadeira no conselho de segurança da ONU pra que?!!?!?

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Também tenho este temor em relação ao Pré-sal. Aliás, mal holandês já está acontecendo com as commodities, afinal são elas que têm segurado nosso boom econômico até aqui. E mesmo assim estamos com um déficit crescente. Ou seja, se os preços das commodities despencarem a coisa vai ficar bem difícil, principalmente num momento em que os gastos com a copa e com as olimpíadas vão se multiplicando.

      Sobre a tão falada cadeira no Conselho de Segurança, acho que só serve para enaltecer o ego lulista, pois na prática, significa mais responsabilidade, gastos militares e a constante possibilidade de entrarmos em guerra. Só a vaidade para justificar tal aspiração.

  10. Sandro says:

    Sobre as reformas para diminuir o custo Brasil, indico que dêem uma olhada no texto:

    País “não precisa de reformas”, diz Setúbal
    http://advivo.com.br/blog/luisnassif/roberto-setubal-e-as-reformas?page=5

    O que acham?! Já ouvi comentários de que os banqueiros não querem as reformas porque eles ganham em cima da ineficiencia do Estado!!! Infelizmente! Ano passado ainda, vi uma nota de um jornalista do RS que tinha ido a SP fazer umas visitas durante o período eleitoral, e tinha constatado que “a banca” estava com a Dilma, pois o Serra seria muito desenvolvimentista para eles, levando o lucro que eles têm com as altas taxas de juros, etc, etc!!!

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, claro que os banqueiros não querem mudar nada, afinal os bancos são as empresas que mais faturam no Brasil. Fazer uma reforma tributária, por exemplo, exige uma reflexão sobre quem deve pagar mais ou menos. Claro que isto não interessa ao Setúbal. Porém concordo com ele de que as reformas não devem ser feitas de uma só vez. Acho que podem ser feitas de forma gradativa, estabelecendo prazos de transição.

  11. Sandro says:

    a propósito, fugindo um pouco do tema “globalização”, deem uma olhada nisso:

    O adeus de Bresser-Pereira ao PSDB
    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-adeus-de-bresser-pereira-ao-psdb

    Viramos num México politicamente falando?!?!?!

    • Amilton Aquino says:

      Lamentei bastante a saída do Bresser do PSDB. Realmente estamos caminhando na direção do México, uma “democracia” sem oposição. Entendo as razões do Bresser, mas acho sua atitude um tanto covarde. Antes de sair de supetão ele poderia dar uma importante contribuição para corrigir os rumos do PSDB. O fato do PT hoje ocupar a posição social-democrata antes ocupada pelo PSDB não impossibilita que outros partidos sociais-democratas existam.

  12. Gilx says:

    Amilton,
    Levando-se em conta seu passado como militante esquerdista, é impressionante como você escreve tão bem sobre políticas econômicas de forma serena, sempre buscando ser imparcial. Quem lê seus artigos pela primeira vez, diz logo que você é um “direitista” ou um “manipulado do PIG”.
    Vc disse que se decepcionou com FHC no governo, e depois, mais ainda com Lula no poder. No primeiro caso, sua decepção deveu-se à guinada de Fernando Henrique ao “neoliberalismo”, contrariando velhos ideais esquerdistas. No segundo caso, veio a frustração do governo PT que, não só seguiu a política econômica de FHC, como queimou a maior bandeira petista: a ética na política.
    Muitos que se decepcionaram com o PT, procuraram refúgio ideológico na velha esquerda utópica e até burlesca: PSTU, PCO, PSOL, etc. Você, porém, procurou buscar uma visão mais economicista e menos ideológica das coisas. Penso que essa mudança (abandonar antigos ideais políticos e pessoais) tenha sido algo penoso para vc, não?

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,
      Obrigado pelos elogios. Acho que a compreensão melhor da economia nos dá uma visão mais realista, menos ideológica. Este amadurecimento foi acontecendo a partir da observação constante da diferença entre o discurso e a realidade, além da constante guinada dos governos de esquerda à direita quando chegavam ao poder. Foi aí que comecei a me questionar sobre o porquê disso. E foi procurando as respostas a partir de muita observação e pesquisa que comecei a rever meus conceitos e a aprender a ser mais flexível e não me deixar me envolver apaixonadamente por qualquer corrente política.

      É importante deixar bem claro que revi também minha decepção com o segundo governo FHC. Hoje percebo que foi justamente no impopular segundo governo de FHC que ocorreram as principais alterações na nossa economia que pavimentaram a estrada de Lula.

      De fato, é um processo penoso, que exige humildade para voltar atrás em alguns pontos, mesmo depois de tão acalorados debates. Mas é gratificante fazer justiça e combater a mentira.
      Abraço

  13. aliancaliberal says:

    Mudando de assunto na verdade retornando.
    Como ficou aquela coisa de não contabilizar a divida em mãos do BC, aquela “história” do irmão mais novo e velho não cola como vc mesmo concluiu.
    ………..
    “Imagine o seguinte: o irmão mais velho empresta ao mais novo $ 100. Na contabilidade do mais velho ele tem $ 100 a receber do mais novo e na contabilidade do mais novo ele tem $ 100 a pagar ao mais velho. Você concordaria que a família não está nem $ 100 mais rica porque o irmão mais velho contabilizou $ 100 no seu ativo, nem $ 100 mais pobre porque o irmão mais novo deve $ 100? Isto é, quando você consolida o balanço patrimonial da família, os $ 100 do ativo cancelam os $ 100 do passivo e o balanço consolidado reflete que a família não ficou nem mais rica, nem mais pobre.”
    ……….
    Já entrei em “combate” contra petistas mais não pude ir adinte por falta de sustenção argumentativa, uso o Ricardo Bergamini como apoio mas mesmo assim não é suficiente, talvez não exista nada que seja suficiente para “cegos” da paixão ideológica.
    …..
    Eu me sinto como Copérnico tentando argumentar contra a teoria geocêntrica, da uma insegurança pode todos estarem errados?E pq ninguem questiona isso?.
    …….
    “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.(não sou religioso mas gosto da filosofia cristã)

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,

      Também me espanta muito o fato de que ninguém questionar isso. Mas a explicação é que o artifício contábil, por incrível que pareça, não é uma exclusividade do governo Lula. Muitos outros países estão usando este malabarismo para fabricar dinheiro do nada. Digamos que esta é a forma moderna que os governos encontraram para substituir a impressora de moeda. O governo Lula percebeu a possibilidade dessa “renda extra” e preparou a mudança da metodologia da contabilidade da dívida. Observe que a diferença entre a dívida bruta segundo a antiga metodologia (R$ 2,4 trilhões) corresponde a soma da dívida interna da nova metodologia (R$ 1,7 trilhão) somada ao total de títulos em poder do BC (R$ 700 bilhões). Vc não acha muita coincidência?

      Observe também que até 2006 os títulos em poder do BC vão diminuindo até serem zerados. Quando ocorre a mudança da metodologia da contabilidade da dívida, já no ano seguinte aparecem R$ 292 bilhões de títulos em poder do BC! Por que será que ninguém questiona isso? Independentemente de ser legal ou não, uma soma tão expressiva em apenas um ano deveria pelo menos repercutir na imprensa, principalmente depois de ter sido gradativamente zerada. Mas pode pesquisar no Google e vc não vai encontrar absolutamente nada.

      Segue um link interessante do IMB que vai lhe ajudar a entender a mutreta: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=593

  14. Sandro says:

    Sobre a ambição do Brasil para uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU.

    Outro dia vi na web que este livro seria lançado. Pelo que pesquisei, seria o material mais atualizado sobre o tema no momento.

    11/04/2011 – 22:04
    BRASIL E A ONU – A Editora FGV lançou o livro Campanha Permanente – o Brasil e a Reforma do Conselho de Segurança da ONU

    o Conselho de Segurança da ONU, de João Vargas. Após anos na sombra, a reforma do Conselho de Segurança da ONU voltou à agenda global. Nessa obra, o diplomata João Vargas mostra um panorama geral dos principais argumentos, linhas interpretativas e idéias por trás das ambições do Brasil de conseguir um assento no principal foro de segurança coletiva. O texto dá ao leitor ferramentas para refletir sobre os custos e benefícios dessa possível conquista. O livro faz parte da série Entenda o Mundo, que traz ao público análises sobre os grandes temas em evidência das relações internacionais.

    Link para a página da editora, onde tem o livro para vender, custa 17 reais:
    http://www.editora.fgv.br/?sub=produto&id=424

    Pelo que vi o capítulo 3 seria o mais interessante:

    Capítulo 3

    A posição do Brasil sobre a reforma do Conselho de Segurança

    A eficácia pela representatividade – o argumento legitimador geral

    A influência nos rumos da ordem – o argumento legitimador doméstico

    Sustentáculos da candidatura – o argumento credencial

    Nação em prol do continente – o argumento regional

    A política externa brasileira e a compreensão da ordem internacional

    Abs

  15. Aliandro says:

    @aliancaliberal

    Caro Liberal, se vc tivesse uma empresa veria que não é tão fácil baixar os preços assim. Neste país, tudo é contra o empreendedor.

  16. aliancaliberal says:

    @Aliandro
    Sim eu sei, mas ai que esta a coisa não podemos ficar reféns do cambio. A sociedade não pode mais aceitar de bom grado o que o estado esta nos fazendo e continuar sendo gado.

    A questão é que grandes empresas não ligam para impostos ligam sim é para a concorência, elas apenas repassam ao consumidor.

    Não serão os empresários que vão fazer algo, a ação tem que partir do consumidor-contribuinte.

  17. aliancaliberal says:

    Qual foi a resposta para a questão da divida externa?

    “De onde viria então o fantástico valor de US$ 273,8 bilhões negativos da dívida externa? Eis aí mais uma pergunta que estamos encaminhando ao BC.”

    • Amilton Aquino says:

      Até hoje só recebi um email automático, dizendo que a pergunta foi encaminhada para o setor responsável.

      Agora o que mais me espanta nisso tudo é que, apesar da dificuldade de se entender as diferentes versões da dívida, nenhum veículo de comunicação se dispõe a fazer um trabalho sério de investigação. Poderiam, pelo menos criar algo didático, pois um dos maiores fluxos de internautas ao nosso site é justamente sobre a polêmica se a divida externa, se foi paga ou não, afinal Lula falou em rede nacional com todas as letras que “quitou” a dívida externa. Como todos podem ver, o “PIG” está realmente empenhado em derrubar o lulismo!!!

  18. aliancaliberal says:

    Quando eu reproduzo algo técnico ou de instrução, fundamento econômico sobre os assuntos petinentes para o nosso país em posts e comentários não da “ibope”.

    Quando eu faço um comentário politico contra os governos petistas, sou executado.

    O que desejam é a polarização da politica assim não precisa se discutir soluções para as mazelas do Brasil.

    Parecem que foram doutrinados se verem a palavra “reforma administrava” vem uma enchurada de criticas, o mesmo para “reforma trabalhista”etc..

    • Amilton Aquino says:

      Pois é, Liberal, algum dia a sociedade brasileira vai perceber o custo do populismo lulista. A história está repleta de exemplos de países que passaram por processos semelhantes de acirramento ideológico, seguido de uma hegemonia de um grupo político que passa décadas no poder. Aos poucos, vai se formando uma casta que vai sugando cada vez mais o estado até a situação ficar insustentável.

  19. aliancaliberal says:

    Da uma olhada nos comentários la no nassif sobre seu artigo, coloquei la e foi pra “frente” do site.

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-varias-interpretacoes-sobre-a-divida-externa#more

    • Amilton Aquino says:

      O ruim de ler estes comentários é que fico com a língua coçando para responder. Infelizmente não tenho tempo para me envolver em mais polêmicas. Costumava participar de vários desses debates em alguns portais, mas tive que concentrar meus esforços no blog por falta de opção. De qualquer forma, fiquei surpreso de ver o Nassif publicar o artigo. Já percebi pelos relatórios de visitas um pico na visualização da página “Quem sou” e nos demais artigos da série da dívida, o que demonstra que uma parcela dos internautas do Nassif se interessou pelo conteúdo. É um alento.

      Ah, obrigado pela citação!

  20. aliancaliberal says:

    vou colocar os outtros posts e tentar aguentar o tranco, eu não tenho ainda “capacidade” para contra atacar.

    • Amilton Aquino says:

      Pode ficar à vontade. Acho que vc se saiu bem. Sua capacidade aqui é muito bem vinda. 😉