Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 7)

Chile

O berço do Neoliberalismo

Embora o Chile seja considerado o berço do que se convencionou chamar pejorativamente de Neoliberalismo, na prática, as idéias liberais, esquecidas durante a era áurea do keynesianismo, não foram tão bem aplicadas como normalmente se acredita.

Para começar, os chamados Chicago Boys, o grupo de ex-alunos da Universidade de Chicago que comandaram a economia chilena durante a ditadura Pinochet, seguiram a variante Monetarista do liberalismo, uma corrente que tinha como guru Milton Friedman, que acreditava que seria possível manter a estabilidade de uma economia usando apenas instrumentos monetários, principalmente o controle do fluxo de moeda. Em outras palavras, o monetarismo, apesar de se opor ao keynesianismo, repetia um dos seus principais erros: tentar corrigir as distorções da economia com medidas paliativas.

Ora, quem conhece um pouco a idéias do Liberalismo Clássico ou da Escola Austríaca de Mises e Hayek sabe o quanto o artificialismo de tais medidas resulta em distorções futuras na economia. Além do mais, os Chicago Boys, apesar de teoricamente serem contrários ao keynesianimo, na prática, continuaram repetindo tais medidas ainda muito em moda entre os regimes militares da época, tanto que as privatizações só vieram a ocorrer a partir da segunda metade da década de 80, já sob influência do “thatcherismo”.

Apesar de tudo, eles implementaram na economia chilena algumas medidas ortodoxas, comuns ao liberalismo clássico, as quais serviram de base posteriormente ao muito falado, mas pouco conhecido, Consenso de Washington, um conjunto de recomendações, formuladas em 1989 por instituições financeiras (entre elas o FMI e o BIRD) para recuperar as economias em crise. Sobre este assunto vamos falar num post específico. Por enquanto, vamos voltar à economia do Chile, pós-golpe de estado, em plena crise mundial do Petróleo, em 1973, quando a economia chilena encolheu 5,6%. Poucos países do mundo registraram um resultado tão negativo. Aliás, foi neste ano que o Brasil conseguiu seu recorde de crescimento do PIB: 14%.

No caso do Chile, havia um componente a mais na crise: a queda no preço do seu principal produto de exportação, o cobre, responsável por mais de 40% das exportações do país. Resultado: enquanto os demais países latino americanos aceleravam suas economias com mais keynesianismo, turbinados agora com “um pouco de inflação” e petrodólares, o Chile mergulhava numa segunda grande depressão, em 1975, quando o preço do cobre chegou ao seu nível mais baixo e a economia chilena encolheu mais 12.9 %!

Num cenário tão desfavorável, os Chicago Boys conseguiram um razoável sucesso, pois a economia chilena finalmente voltou a crescer. Primeiro com tímidos 3,5% em 1976. Depois com taxas acima de 8% até o final da década, quando o 2º choque do petróleo veio novamente jogar água no barril do chope chileno.

Nesta época todos os países latino americanos já haviam iniciado uma vertiginosa escalada inflacionária que viria a se tornar o principal problema a ser enfrentado por tais países nas décadas de 80 e 90. Foi então que os Chicago Boys, seguindo a cartilha do monetarista Friedman (que achava que tudo poderia se resolver com artifícios monetários), experimentaram fixar o câmbio, um terrível erro que viria a ser tentando em outros países, inclusive no Brasil.

Com a escalada inflacionária, o cambio foi ficando cada dia mais artificial até que em 1982, com o estouro da Crise da Dívida Externa, deflagrada pela moratória do México, o governo de Pinochet se viu obrigado a desvalorizar o peso chileno, algo semelhante ao que aconteceu no Brasil em 1999. Como lá ainda não havia um PROER, o sistema bancário entrou em colapso, houve uma corrida aos bancos, o PIB novamente bateu o próprio recorde negativo (-13,6%) e o desemprego chegou a 19,6%. Cerca de 30% da população passou a depender de programas assistenciais para sobreviver. Um desastre!

Portanto, o “milagre chileno” só veio acontecer a partir de 1985, quando o novo ministro da fazenda, Hernán Büchi (o único dos Chigago Boys que ironicamente não havia estudado na Universidade de Chicago), iniciou uma nova fase de ajustes, entre as quais revogava várias medidas keynesianas adotadas por seus antecessores.

Apesar da pequena guinada ortodoxa, o novo ministro da fazenda chileno também não abandonou o intervencionismo. Uma das suas principais cartas na manga para estabilizar a economia foi a desvalorização artificial do peso, com o objetivo de facilitar as exportações. Aos poucos, a economia chilena foi reagindo e o governo iniciou uma gradual redução das tarifas alfandegárias. O Chile finalmente pôde entrar numa fase de estabilidade e crescimento sustentável que o tornou um modelo a ser seguido, conforme as orientações do Consenso de Washington, em 1989, quando o Chile cresceu 10.6%. Sobre este assunto vamos falar num post específico. Por enquanto, vamos falar um pouco da trajetória do Brasil no mesmo contexto enfrentado pelo Chile.

O Brasil na era da “Estagflação”

A mudança do cenário mundial com a crise do petróleo deteriorou as finanças da maioria dos países subdesenvolvidos, fato determinante para a decadência dos regimes militares de direita, apoiados pelos Estados Unidos.

Numa tentativa desesperada de contrabalançar os efeitos negativos do aumento do preço do petróleo, o governo Geisel criou o Pró-alcool e lançou o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PNAD), algo parecido com o PAC de Lula.

Nesta época, por volta de 1975, o preço do barril tinha dado uma arrefecida e os petrodólares dos emergentes produtores de petróleo começaram a ficar novamente abundantes no mercado. E aí tivemos mais corda para nos enforcar no nosso novo ímpeto keynesiano.

Aos poucos, o perfil da dívida externa, que até o final dos anos 60 era predominantemente privado, começa a se tornar predominantemente estatal. Necessitando de mais recursos para tocar Itaipú e vários outros grandes projetos deixados por Médici (e outros iniciados com o II PND), o governo Geisel não só continuou buscando recursos externos, como ainda incentivou às empresas estatais a também capitalizar recursos no exterior.

Quando o preço do barril estourou novamente, em 1979, o nosso então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsem, que já havia comandado o novo ímpeto keynesiano do PNAD II, resolveu finalmente adotar medidas ortodoxas para combater a nova crise, agora já sob o governo de João Batista Figueiredo.

Mas como sempre ocorre, um ajuste recessivo provoca reações de diversos setores. E como o país vivia um momento de abertura política, com o retorno dos exilados da ditadura, a pressão da opinião pública levou a substituição de Simonsem pelo “desenvolvimentista” keynesiano Delfim Neto. E mais uma vez a história se repete: recuperação econômica à curto prazo, aumento da dívida pública e inflação a médio e longo prazo, combustíveis para novas crises no futuro.

Ao final do governo Figueiredo, apesar da recuperação verificada em 1984, a inflação aumentou de 45% para 230% ao longo de seis anos, o que levou o governo a implementar o chamado “gatilho salarial” semestral. Se a inflação disparava, o salário era “corrigido”. Iniciávamos, um pernicioso processo de indexação da economia, que tornaria ainda mais árduo o desafio dos próximos governos para domar a inflação.

A dívida externa, por sua vez, ultrapassou a casa dos US$ 100 bilhões já em 1982, o que levou o governo a recorrer ao FMI, pouco depois do México. Dessa vez não deu para adiar os ajustes. O governo teve que se render às medidas ortodoxas propostas três anos antes por Simonsem, comprometendo-se a seguir as recomendações do FMI, entre as quais a principal foi o controle do déficit público.

Felizmente os ajustes deram resultados e, no último ano do regime militar, o país conseguiu crescer acima dos 7%, equilibrou as contas e, claro, pagou todas as parcelas acordadas com o FMI.

Mas nem tudo foi ruim na era Figueiredo. Além de ser um dos responsáveis por o Brasil ter se transformado num dos maiores exportadores de alimentos do mundo, Figueiredo implantou também o maior programa de habitação da história do Brasil, construindo quase 3 milhões de casas populares.

O esforço do governo para tentar melhorar sua desgastada imagem, no entanto, viria a complicar ainda mais a recuperação do país nos anos seguintes, pois a escalada inflacionária criaria sérias distorções nos financiamentos da casa própria, o que, por sua vez, levou milhões de mutuários à inadimplência. O final desta história terminou como um enorme “esqueleto” do BNH que teve que ser incorporado à dívida interna no governo FHC.

No próximo post, vamos falar sobre o neoliberalismo na Europa. Até sábado!

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40 Responses to Esquerda x Direita (parte 7)

  1. Gilx says:

    Amilton,
    No terceiro parágrafo parece que há uma ambiguidade:

    “Ora, quem conhece um pouco a[s] idéias do Liberalismo Clássico ou da Escola Austríaca de Mises e Hayek sabe o quanto o artificialismo de tais medidas resulta em distorções futuras na economia”.

    Que artificialismo é esse? O keynesianismo ou o monetarismo, citados no parágrafo anterior? Dá impressão que o artificialismo a que vc se refere são as ideias do Liberalismo Clássico ou da Escola Austríaca.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,

      Alterei o parágrafo para torná-lo mais claro. Obrigado pela dica. Chamo de artificiais as medidas que tentam corrigir os problemas da economia através de artifícios ou medidas paliativas que têm efeitos aparentes, à curto prazo, porém criam distorções no futuro. A melhor maneira de se resolver um problema é atacando o cerne do problema. No caso do controle da inflação através da redução da moeda em circulação, como propuseram os monetaristas, o efeito colateral é a recessão. Aliás, tivemos algo parecido aqui, quando Collor congelou parte da poupança dos brasileiros. Conseguiu controlar a inflação num primeiro momento, provocou recessão e, no final, a inflação voltou.

  2. Sandro says:

    Amilton,

    Falando em Chile, uma coisa que já vi comentarem mais de uma vez em eventos foi que, embora este país tenha sido bem sucedido com as medidas “liberais” que implementaram, para o Brasil não serviriam, devido ao seu tamanho e da maior complexidade do nosso país. Lembro que a economia chilena esta baseada em apenas cinco produtos: Vinhos, pesca, frutas, cobre e serviços.

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Olá Sandro,

      De fato, cada país tem sua realidade e nem sempre medidas bem sucedidas em um dão certo em outros. No entanto, podemos afirmar que o equilíbrio nas contas públicas é um pré-requisito para o crescimento sustentável, a médio e a longo prazo. Esta é uma das lições do Chile.

      Se hoje o país pode se gabar dos melhores indicadores socioeconômicos da América Latina, o caminho trilhado até os dias atuais foi tortuoso, cheio de idas e vindas. Ou seja, o Chile foi apenas o precursor de alguns experimentos de estabilização que foram testados pouco depois em vários países, entre eles o Brasil. Foi um verdadeiro laboratório.

      Entre erros e acertos, a lição que fica do Chile é justamente a preocupação com o futuro. Desde o ano 2000, o país poupa 1% do PIB para as épocas de vacas magras. Foi esta prudência que permitiu ao Chile crescer 5,5% no mesmo ano em que sofreu um dos mais devastadores terremotos de todos os tempos, sem precisar pedir um centavo ao FMI. E é esta prudência que tem faltado ao Brasil, como alertamos aqui o tempo todo.

      Sobre o fato de algumas economias dependerem de poucos produtos de exportação, na verdade isto não é uma vantagem. Pode até ser uma maldição, como aconteceu com a Holanda, na década de 70, quando o país descobriu uma grande fonte de gás natural e passou a ser um grande exportador. Sua moeda se valorizou, as importações aumentaram e o país passou por um processo de desindustrialização, devido à desvantagem cambial. Ou seja, o Brasil nos últimos anos deu passos largos nesta direção, processo este que poderá ser ainda mais intensificado com a receita extra do Pré-sal.

      Portanto, as economias mais competitivas e estáveis são justamente as mais diversificadas. O Chile tem tentado diversificar sua economia, pois aprendeu com a crise de 1975 que não poderia basear sua economia apenas na exportação de cobre. Sua competitividade na área de serviços hoje reflete o progresso do país alcançado com o processo de abertura de sua economia.

  3. aliancaliberal says:

    “O Chile tem tentado diversificar sua economia,” o que o Chile e o Brasil têm que fazer é achar a sua vantagem comparativa com os outros países.
    Por exemplo, creio que nosso país tentar fazer uma indústria de micro eletrônica não teria se vantagem comparativa com a China por exemplo.
    Mas em outros setores o Brasil tem muitas vantagens.
    Cada um tem que procurar a sua vocação natural e investir nisso, isso serve tanto para países como para pessoas.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,

      Concordo plenamente que o Brasil tem que explorar bem suas vantagens competitivas. Aliás, esta tem sido a base do nosso desenvolvimento nos últimos anos. Afinal, são os altos preços das commodities no mercado internacional que têm sustentando nossa, cada ano mais capenga, balança comercial. No entanto, nossas vantagens competitivas nos setores agro-mineradores não podem inibir o desenvolvimento de uma indústria tecnológica. Aliás, temos o exemplo da Embraer para provar que podemos também competir nesta área. E a Índia? Quem diria, há uma década atrás, que este país, autêntico representante do terceiro mundo, poderia se tornar hoje uma referência tecnológica em informática?

  4. Adriano Souza says:

    Amilton, andei pesquisando as taxas de crescimento do Chile e percebi que deram uma arrefecida na década de 2000. Também percebi que o Chile tem sido sempre mais vulnerável as grandes crises internacionais. Como explicar esta contradição?

    • Amilton Aquino says:

      Adriano,
      Sobre a redução do crescimento do PIB esta é uma fase prevista para todos os países que passam por um rápido crescimento durante duas ou três décadas. Este prazo pode variar em função do tamanho da população do país que entrou no circulo positivo do crescimento da economia, mas sempre chega. Todos os países do primeiro mundo já passaram por esta fase. A China, devido a sua imensa população, deve ainda ter fôlego para mais umas duas décadas de crescimento rápido, pois ainda tem muita gente a ser incorporada ao seu já imenso mercado consumidor.

      No caso do Chile, acho um pouco cedo para entrar nesta fase, mas pode ser uma opção mais segura. Crescer menos, porém de forma mais sustentável e contínua. O Brasil, por exemplo, optou pelo crescimento a todo custo e o resultado estamos vendo agora com os diversos gargalos e dilemas enfrentados hoje pela Dilma.

      Além do mais, como o Liberal já citou aqui, a taxa de crescimento do PIB nem sempre representa um crescimento real (ver o artigo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=297).

      Sobre a aparentemente maior vulnerabilidade do Chile às crises internacionais acho que vc se refere à crise de 2008, já que as outras já foram explicadas no artigo acuna. Neste caso, o Chile sofreu mais que os demais países latinos pelos mesmos motivos que os países europeus, pois quanto maiores os laços comerciais com o foco da crise (no caso os EUA), maiores as consequências.

      Abraço!

  5. aliancaliberal says:

    Amilton, o país que tem a sua linha de produção mais curta sente menos as crises do que paises que tem a estrutura de capital longa.

    Quanto maior a distancia do inicio da produção e o consumo, mais investimento necessita para finalizar o produto, assim em um momento de crise um agricultor de arroz pode mudar para digamos milho. Agora um produtor de alta tecnologia trocar de setor a coisa já dificulta.

    Uma “fundição” de silicio custa 2 bilhões de dolares e muito conhecimento especializado imagina mudar o rumo desta industria.
    ………..
    Por isso paises desenvolvidos sentem mais a crise do que os subdesenvolvidos.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,

      Pelo que entendi , vc acha que devemos nos limitar a exportar produtos primários. Claro que não. Vc é um cara bem informado e sabe que há gente competente (e competitiva em diversas áreas) em todas as nações e que os Estados não devem limitar a iniciativa privada em nome uma pretensa vantagem competitiva em determinadas áreas.

      De fato, uma cadeia longa é mais difícil de administrar e mais vulnerável a crises. No entanto, um país que se limite a exportar produtos primários fica ainda mais vulnerável, pois depende da cotação de preços muito mais voláteis.

      Quanto a afirmação de que “os países desenvolvidos sentem mais as crises do que os subdesenvolvidos”, depende da natureza da crise. Ela vale para as grandes crises com foco no nos países centrais. A série de crises que atingiu os emergentes dos anos 90, por exemplo, quase não foi sentida pelos países ricos. Esta última, no entanto, foi justamente o contrário.

  6. Gilx says:

    Amilton,
    Após esta série Esquerda x Direita, tenho algumas perguntas a você:
    Qual é, hoje em dia, sua “filosofia político-econômica”, uma vez que você deixou de ser esquerdita/petista?
    Você acredita que o velho PT dos anos 80 ainda é o mesmo?
    Eles têm mesmo um projeto de poder, tal como Chávez na Venezuela?
    Dilma é apenas um “boi de piranha” para uma eventual crise econômica e possível volta de lula?

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,

      Sobre minha atual filosofia político-econômica, me identifico mais com a escola austríaca. Acho que o Estado deve ser mais eficiente, ter austeridade com os gastos públicos, algo bem diferente do que ocorre hoje no Brasil.

      Sobre o PT dos anos 80 ele não existe mais. Amadureceu seus equivocados pontos de vista sobre a economia, mas deu uma completa guinada naquele que parecia ser seu principal diferencial: a ética. Perdeu a grande chance de melhorar a política nacional e, de quebra, detonou a estrutura partidária já capenga que tínhamos.

      Sobre o projeto de poder do PT, este sempre foi uma retórica oportunista e totalmente equivocada, tanto que teve que ser abandonada quando chegaram ao poder. Com a crise de 2008 e a momentânea “ressurreição” de Keynes, o PT deu uma pequena guinada de volta a sua antiga postura, ressuscitando a velha idéia de aumentar o tamanho do Estado. Diria que este é hoje o “projeto” do PT, além de permanecer o máximo de tempo possível no poder, claro. Não vejo algo tão radical como o que vemos na Venezuela, mas ainda assim muito prejudicial ao nosso país.

      Não vejo a Dilma como um “boi de piranha” para volta de Lula. Ela foi a melhor solução que ele encontrou para não deixar o poder voltar para a oposição, afinal a permanência no poder se tornou o maior projeto do PT, acima inclusive dos interesses do país.

      Lamento não poder me aprofundar muito agora nas respostas. Continue acompanhando e participando da série. Abraço!

  7. Sandro says:

    Amilton,

    Sobre o PT no governo, ontem estive conversando com o executivo chefe de um grande multinacional estrangeira e ele me comentou que era um projeto de 20 anos.

    Já o Olavo de Carvalho não é tão “otimista”, pois ele afirma categoricamente, em vários de seus programas semanais, que “depois que o PT assumir o poder, eles nunca mais vão sair”

    Eu particularmente acredito em uma permanencia mais longa que a da opinião do executivo, porém não ao ponto da opinião do Olavo, embora este ultimo tenha um embasamento multidisciplinar, principalmente dos fatos históricos, muito sólido na formação do seu pensamento!

    Porém, existe um cenário, provindo de um exemplo histórico, que provavelmente já estaria muito perto de ser o nosso aqui no Brasil: a “mexicanização da política” ou “ditadura perfeita” ou ainda “sistema de dominação hegemonica de um partido” como exemplificou Mario Vargas Llosa na discussão com Octavio Paz no seguinte video:

    http://www.youtube.com/watch?v=kPsVVWg-E38

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro,

      Existe de fato uma tendência de mexicanização da política brasileira. A quase unanimidade criada em torno de Lula levou os políticos pelegos de direita a migrarem para sua base, de modo que pouco restou da oposição. O PSD de Kassab é o passaporte para mais uma leva de políticos oportunistas que perderam as esperanças de voltar ao poder via oposição e agora resolveram aderir ao governo. O que vai sobrar? A união do PSDB e do DEM!

      Diante do show de incompetência mostrado pela oposição nos últimos anos não tenho também muita motivação para defendê-los. Embora discorde de muita coisa do PT, percebo que demos um salto de qualidade com a Dilma (em relação a Lula, claro). Se ela conseguir equacionar pelo menos os mais graves problemas decorrentes da irresponsabilidade do seu padrinho, vou me dar por satisfeito.

      De uma certa forma, está sendo educativo este governo da Dilma, pois a cada dia vão aparecendo as contradições decorrentes da irresponsabilidade do Lula.

      Abç!

  8. aliancaliberal says:

    “vc acha que devemos nos limitar a exportar produtos primários.” não, Amilton não desejo que o país se torne apenas produtor de itens primários.
    O que devemos fazer é diversificar os itens que produzimos, mas sem reservas de mercado e outras artificialidades.
    Nos EUA a produção agricula é a uma das maiores do mundo (se não é a maior do mundo).

    • Amilton Aquino says:

      Neste caso, estamos de acordo. Saliento apenas que a agricultura norte-americana recebe muitos subsídios.

  9. aliancaliberal says:

    Amilton sobre a inflação atual não sei pq o governo não admite que temos que fazer um ajuste fiscal.
    A desculpa da inflação esta caindo sobre a demanda aquecida, mas sabemos o que houve foi o desvio do capital de investiemnto para o consumo, desta forma a produção não andou junto com a demanda.
    E pensar que a belgica já esta há 1 ano sem “governo” e a sociedade não sente falta do governo.

    • Amilton Aquino says:

      Pois é Liberal, lembra daquela nossa discussão sobre o impacto inflacionário desses dólares que estão aportando por aqui? O Tombini admitiu ontem que parte deste dinheiro está circulando na economia, alimentando o processo inflacionário.

      Mas o pior ainda está por vir. De acordo com a política salarial deixada por Lula a previsão de reajuste para o salário mínimo no próximo ano é de, no mínimo, 14%, o que representa um acréscimo de mais R$ 9 bilhões circulando na economia (e realimentando a inflação) e um déficit de quase R$ 10 bilhões na previdência. Se a inflação não desacelerar até lá, vai ficar muito difícil segurar os preços, pois quanto maior a inflação, maior o reajuste do mínimo.

      Pode ter certeza que o governo vai vir com alguma proposta esdrúxula para reduzir a inflação. Lembra daquela proposta de Mantega de retirar do cálculo da inflação o preço dos alimentos? É daí pra pior!

  10. aliancaliberal says:

    Amiltom, o pior não é isso, eu estava procurando outras fontes de informção para não ficar somente com uma visão dos fatos, procurei em sites de universidades os cursos de economia e seus textos, rapaz a coisa ta feia.

    Ta tudo “dominado” pela ideologia, o mesma retórica que leio nos sites politicos esquerdistas.

    Tenho que ler muito ainda, baixei muita coisa mas já no primeiro texto a citação de marx como um axioma, e o uso do termo neoliberalismo que é um pejorativo criado pela esquerda.

    • Amilton Aquino says:

      Faz tempo de que alertamos aqui sobre o fato do governo não ter concluído o processo de desindexação da economia iniciado por FHC. Mas como sempre acontece com governos populistas, tarefas impopulares são sempre empurradas com a barriga. O governo Lula não só não fez o que deveria fazer, como indexou ainda mais a economia com a nova política salarial.

      O governo tenta se esquivar dizendo que o problema é mundial, acontece que nossa inflação só é menor que a da Rússia e da Índia entre os países desenvolvidos e emergentes.
      Se não tivesse se endividado ainda mais para promover um desenvolvimento artificial com o famoso PAC, hoje teríamos menos pressão inflacionária, menos juros e menos dívida. Este é o preço que Dilma tem que pagar por sua eleição. E nós, cidadãos, entramos com o bolso, como sempre.

  11. Sandro says:

    Sabem, eu sou bastante cético, mas tem uma frase do Livro dos Espíritos, acho até que era do proprio Kardec, quero dizer, “sem incorporações”, que nunca esqueci:

    “Se voce esta andando na rua e um cego esbarra em voce, voce é que pede desculpas, mas se alguém de boa visão esbarra em voce, voce logo diz: olhe por onde anda senhor!”

    Acabo de ver esse texto, publicado no Estadão, ou seja, no PIG, e de um escritor de prestigio internacional, e nao pude deixar de lembrar do Kardec (incorporado ou não)!

    BUUU

    Luis Fernando Verissimo – O Estado de S.Paulo
    Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

    – É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

    – A nova classe média nos descaracterizou?

    – Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada…

    – Buuu para o Lula, então?

    – Buuu para o Lula!

    – E buuu para o Fernando Henrique?

    – Buuu para o… Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!

    – Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

    – Sim. Não. Quer dizer…

    – Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

    – Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

    – Por quê?

    – Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

    – Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

    – Acho, mas…

    Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110428/not_imp711779,0.php

    É a legitima comparação de bananas com maças! Um cara com o acesso à informação que teve, utiliza o espaço que tem na mídia para colocar mais lenha na fogueira, E NA ERRADA!!!

    Depois quando o Olavo de Carvalho diz que no Brasil não tem intelectual os caras ficam brabos, enchem o peito com ares ufanistas e saem vociferando como metralhadoras a cartilha dos “redutos de formação de rebanho da rede” (AQUINO, A, 2011) 😉

    É triste, infelizmente!

    • Amilton Aquino says:

      Já tinha lido um texto semelhante a este num email, desses que circulam pela rede. Será que o Veríssimo plagiou? De qualquer forma, o cara perdeu muitos pontos comigo. Difícil entender como alguém com acesso a informação pode ter uma visão tão simplista da realidade.

      Será que ele não percebe que embarcou na estratégia do Lula, de desqualificar a oposição e a mídia, para sustentar sua versão de que “o Mensalão nunca existiu”? Isto depois da choradeira inicial, dizendo que “não sabia de nada”, que “foi traído”, de cogitar até abandonar a política por causa do escândadalo. Certamente ele não acompanhou, no ano passado, a confissão do Lula, perante o STF, admitindo que sabia do Mensalão e que, portanto, passou todos estes anos mentindo descaradamente a população e estimulando o acirramento ideológico para desfocar o cerne da questão. Acirramento este que o Veríssimo agora faz questão de colocar ainda mais lenha na fogueira, mesmo depois de ver a nossa já raquítica oposição destroçada. Talvez porque se identifique os regimes de partido único.

      Certamente um intelectual desses é muito ocupado e não tem tempo para estudar os conceitos mais simples da economia. Certamente ele não leva em consideração que o ritmo de crescimento da nossa população na última década foi de 1,17%, enquanto que a média de crescimento do PIB ficou na casa perto dos 4%. Uma ninharia comparada a média dos demais emergentes (e até a América Latina que cresceu a uma média de 4,5%), mas o suficiente para tornar o país muito mais rico.

      Ele prefere continuar acreditando que a economia cresce por causa de Lula e não o contrário. Realmente, para este caso, a generalização do Olavo se aplica muito bem. Não me considero nenhum intelectual, mas sobre política e economia debateria com muito prazer com este senhor.

  12. Gilx says:

    Com relação ao L.F. Veríssimo, todos que o conhecem um pouco sabem que o escritor tinha uma antipatia pessoal por FHC. O ex-presidente chegou até desdenhar dizendo que, Veríssimo por Veríssimo, preferia o pai dele (Érico Veríssimo).
    Em 2005, L.F. Veríssimo chegou a “matar” sua famosa criação (a Velhinha de Talbaté), decepcionado com a crise do mensalão.

    “Famosa por ser “a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo”, como definido pelo próprio autor, Verissimo contava que, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, sempre se pensava antecipadamente em como a velhinha iria responder.

    Em 25 de agosto de 2005, em tempos de crise do “mensalão”, a velhinha teve o seu falecimento anunciado pelo seu criador, na crônica intitulada Velhinha de Taubaté (1915-2005). Ela teria morrido em frente à TV, decepcionada com o quadro político brasileiro, em especial com o seu ídolo, Antonio Palocci”.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Velhinha_de_Taubat%C3%A9

    • Amilton Aquino says:

      Ele faz parte da maioria da população brasileira que se conformou com a corrupção. Mais uma herança do Lula. O raciocínio é bem simples: como todos são corruptos, então fechemos os olhos para este “detalhe”, e votemos naquele que “rouba mas beneficia o povo”, uma variação do malufismo que dizia, “rouba, mas faz”. Não por acaso, Maluf hoje apóia Lula.

  13. Alan Patrick says:

    Muito interessante este texto do Luis Fernando Verissimo!
    No governo Lula mais de 30 milhões de pessoas ascenderam para a classe média e 20 milhões sairam da miséria,além das pessoas de baixa renda ter tido mais oportunidade de cursar uma universidade,algo que e devido as políticas socias implantadas no governo Lula. A elite não consegue ver e nem engolir isto, e prefere acreditar que tudo são frutos do governo fracassado e submisso ao FMI de FHC.
    Uma pergunta:se a economia brasileira estivesse sendo apenas impulsionada pela economia mundial como alguns sustentam,então o que explica que a economia brasileira tenha voltado a crescer durante o período em que a economia mundial ainda estava em crise?
    Minha resposta para essa questão:os investimentos do PAC,o mercado interno fortalecido e a maior liberação do crédito contribuiram para manter a economia brasileira aquecida e consequentemente isso atenuou os efeitos da crise de 2008/2009 por aqui.
    Portanto a economia brasileira e a inclusão social cresceram na gestão Lula devido as medidas tomadas pelo governo e não são resultados da “mão invisivel” do mercado.

    • Amilton Aquino says:

      Estou de saída agora, então não vou poder comentar seu comentário. Aliás, nenhum argumento é suficiente para quem não quer abrir os olhos. Talvez com o tempo e com os cada vez mais freqüentes dilemas que a Dilma está tendo que enfrentar por causa da irresponsabilidade de Lula, talvez entre alguma coisa na sua cabeça. Abraço!

  14. Alan Patrick says:

    Na questão da corrupção o governo Lula se diferenciou dos governos passados em um ponto essencial:no governo Lula a corrupção foi mostrada e combatida,enquanto nos governos anteriores ela ocorria e ficava debaixo do tapete. O governo FHC por exemplo abafou dezenas de CPIs, foi acusado de ter comprado parlamentares para aprovar uma emenda que permitia a possibilidade de sua reeleição presidencial, e até hoje o destino do dinheiro arrecadado das privatizações continuam uma incógnita.A mídia tradicional fechou os olhos para os casos de corrupção que houve de 1995 a 2002, e fez um grande alarde(de forma sensacionalista) sobre o “mensalão” e outros escândalos que envolvia o governo Lula(o que demonstra que a mídia tradicional tem lado).

    • Amilton Aquino says:

      “no governo Lula a corrupção foi mostrada e combatida,enquanto nos governos anteriores ela ocorria e ficava debaixo do tapete”

      Alan, este é mais um discursinho do PT para tentar se esquivar do escândalo do Mensalão, isto quando admitiam que ele havia existido, pois noutra frente havia os que jogavam no “se colar colou” com os menos informados, atribuindo tudo única e exclusivamente a um “golpe de direita” ou da “mídia golpista” para derrubar o governo. Lula militou em ambas as frentes, dependendo do público e da circunstância política, claro.

      Na prática, o governo Lula também abafou várias CPIs. Quando não conseguia engavetá-las, como no caso da CPI da Petrobrás, por exemplo, tratara de esvaziá-las com sua tropa de choque. Aliás, não só com as CPIs, como tiveram a cara-de-pau de formar uma “comissão de ética” totalmente formada por suplentes de senadores para engavetar todas as investidas contra Sarney. Isto sem falar das novas comissões da CCJ e da “reforma política” formada por mensaleiros e políticos do calibre de Paulo Maluf!

      Sobre a compra de votos por FHC, vale lembrá-lo que esta nunca foi comprovada, apesar de todos os esforços do PT na CPI do Mensalão. O máximo que se chegou na ocasião foi a acusação do senador Maguito Vilela (PMDB-GO) dizendo que tinha recebido uma proposta de propina de uma construtora. Desafiado a citar nomes, o senador desconversou. Falou que “todo mundo sabia”, mas não foi capaz de citar nenhum dos senadores que “sabiam” nem o suposto corruptor.

      De concreto mesmo só ficou comprovado a compra de quatro deputados pelo então governador do Acre Orleir Messias Camel, do PCdoB, o que não revela nenhuma conexão com FHC, uma vez que todos os governadores estavam interessados na aprovação da emenda.

      E vale lembrá-lo também que as gravações que deram origem a denúncia foram obtidas pelo Estado de São Paulo. Aliás, não só o Estadão, como a Folha, a Veja e todos os demais veículos que hoje são chamados de “PIG” exploraram exaustivamente os escândalos da era FHC. Dá uma olhada nas capas da Veja e depois retorna aqui.

      Se o escândalo do mensalão teve mais repercussão é porque se esperava muito mais do PT, afinal a ética na política sempre foi uma das suas principais bandeira. “Foi”, o verbo está no passado.

      Sobre as privatizações, a mesma coisa. O PT fala, fala e não é capaz de provar nada. Poderia fazer um favor ao Brasil em punir os supostos culpados e recuperar o suposto “dinheiro roubado”. Mas não fazem nada. Apenas continuam nas bravatas.

      E por falar em “PIG”, por que será que até hoje ninguém resolveu investigar o enriquecimento meteórico do filho de Lula?

  15. Alan Patrick says:

    Amilton, não sou petista e nem sou filiado a nenhum partido, apenas defendo o projeto do PT(crescimento da economia com distribuição de renda) porque considero que ele e o mais correto para avançar o Brasil. O Brasil teve avanços significativos durante a gestão Lula, como a geração de mais de 14 milhões de empregos com carteira assinada,diminuição da miséria, maior respeito internacional,criação do Fundo Soberano(algo inimaginavel no governo tucano),implantação do ProUni,criação de 14 novas universidades federais e etc.
    Contra esses fatos não há argumentos.
    Ah, e os dilemas que a Dilma esta enfrentando são devido ao cenário internacional adverso que temos atualmente e não porque foi deixada uma “herança maldita” pelo governo Lula.
    Se for demonstrado que estou errado não vou sentir vergonha de mudar de idéia,até porque não sou dogmático.
    Abraços!

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      Vc tem todo o direito de simpatizar com o projeto do PT. O que vc não pode é ficar cego em relação aos erros do governo, só porque este diz que o outro errou mais. Seja um eleitor consciente, não partidário panfletário.

      Que houve progressos, é óbvio. Conquistamos a estabilidade econômica para crescer, aproveitando nosso bônus demográfico, que permite que cresçamos mais rápido que os países desenvolvidos, cuja população já se encontra envelhecida e os mercados saturados. O governo Lula partiu do ápice que o governo FHC chegou. Nossa população cresce a pouco mais de 1%, enquanto o PIB cresce a quase 4%. Ou seja, existe um efeito cumulativo a cada ano que vai nos tornando mais ricos. Isto cria mais empregos, aumenta nossa renda per capta, reduz o risco país, etc. etc. A pobreza reduziu aqui, na Ìndia, na China, no Perú, na África do Sul, em Angola e em todos os países emergentes, que foram beneficiados com o redirecionamento dos fluxos de capitais, principalmente a partir de 2006.

      Sabe aquele ditado de diz que não é possível assoviar e chupar cana? Pois é, amigo, realmente seria impossível a FHC criar um fundo soberano quando não tínhamos ainda uma macro-economia estável. Tudo a seu tempo. Lula teve a sorte de suceder FHC, de ser o primeiro presidente desde o final dos anos 70 a ser eleito sem ter como principal desafio o combate à inflação. Nada mais natural que tenha também seus méritos, afinal passou oito anos no poder. Isso FHC sempre reconheceu. Aliás, FHC deu até uma força a eleição do Lula quando, em plena Crise Lula, tentou tranqüilizar o mercado, afirmando que Lula “tinha todas as condições de assumir o país” (será que foi aí que o PSDB de Serra resolveu abandonar FHC?). Isso depois de Lula passar oito anos falando bobagens, sendo contrário a tudo que passou a defender quando se tornou governo. O mínimo que poderia fazer era pedir desculpas por tanta baboseira que falou e se aproximar de FHC, que não só lhe pavimentou o caminho, como ainda lhe deu o aval para assumir a presidência, inclusive ao levar Lula ao FMI para assinar o famoso empréstimo que mais tarde este iria transformá-lo na “dívida externa”.

      FHC, portanto, pensou mais no país do que na eleição, o que não ocorreu em nenhum momento com Lula, pois este só veio a reconhecer os méritos de FHC após a eleição da Dilma. Isto depois de ter acirrado os ânimos durante todos estes anos, mentindo descaradamente a população, dizendo que o mensalão tinha sido um golpe da direita, tentando confundir a dívida do FMI com a dívida externa e, principalmente, praticando seu esporte predileto: denegrir FHC e promover o seu próprio culto.
      Sobre a herança de Dilma, sugiro que leia as séries “Os desafios do pós-Lula
      e “E agora Dilma?

      Vc vai ver que não é de hoje que alertamos sobre um monte de coisas que vemos hoje confirmadas. Aliás, depois que escrevi estas séries veio à tona mais uma bomba de Lula para Dilma: R$ 137 bilhões de restos a pagar, segundo relatório da ONG Contas Abertas.

      Abraço!

  16. Sandro says:

    Alan Patrick,

    Te sugiro dares uma olhada no site http://governobrasil.blogspot.com/ que contem vários dados comparando os governos Lula e FHC por área, todos com links diretos para as fontes oficiais de onde foram tirados.

    Ainda, da uma lida nos dois ótimos textos aqui deste blog comparando estes dois governos:

    http://visaopanoramica.net/2009/07/19/contextualizando-o-governo-lula/

    http://visaopanoramica.net/2009/08/05/comparacao-fhc-x-lula/

    Abs

  17. Alan Patrick says:

    Sandro, entrei no site que vc me sugeriu e não encontrei por exemplo a comparação da geração de empregos que houve durante o governo Lula e a do FHC. Sobre essa área sugiro que vc leia o artigo http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17029
    O desemprego no final do governo FHC não era de 6,17%(dez/2002) como esta constando nesse site, o desemprego em 2002 estava em torno de 10%. Para mais informações sobre a questão do trabalho na era FHC sugiro que leia: http://www.economia.net/colunas/borges/regressao_do_trabalho.html
    Os demais dados da comparação das outras áreas vou checar as fontes com mais calma,para mim os números desse site estão bem duvidosos.
    De qualquer forma valeu pela sugestão!
    Abraços!

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      São duas realidades completamente distintas. É como vc tentar comparar a sua experiência de hoje com a sua experiência dez anos antes. Embora se trate da mesma pessoa, sua atual condição é muito superior, pois ela é o resultado do acúmulo de experiências ao longo dos anos. Portanto, é uma grande bobagem ficar comparando não só o desemprego como os demais índices dos governo FHC e Lula. Os números isoladamente não traduzem a realidade. Eles precisam ser contextualizados. Fico impressionado como as pessoas não conseguem entender algo tão simples.

  18. Alan Patrick says:

    Apenas uma correção, o segundo site que sugeri, na verdade é: http://www.economiabr.net/colunas/borges/regressao_do_trabalho.html
    Peço desculpa pelo meu erro na digitação.
    Abraços!

  19. aliancaliberal says:

    Alan Patrick não acredite cegamente no que os governos (todos) declaram na maioria das vezes é só propaganda para eleger se.

    14 novas universidades federais essa é uma das maiores “falsas verdades” que o PT tenta pregar.

    Das 14 somente uma é realmente nova e ainda está fase de implantação não tem ou não tinha professores, as demais são apenas fusões, incorporações ,e desmembramentos de campus de outras universidades, não foi construída uma universidade nova com prédios e professores. Apesar da propaganda nos oito anos do governo Lula formou-se menos alunos de ensino superior do que no período FHC.

    Eu quando vejo a Dilma anunciar 6000 creches em quatro anos, oito milhões de alunos no ensino técnico já sei que é uma “falsa verdade”.
    Se em oito anos foram apenas 150,000 alunos em cursos técnicos como ampliar para 8 milhões em 4.

    • Amilton Aquino says:

      Só complementando, Liberal, embora o governo se gabe das 14 universidades, o que temos verificado é que houve uma total falta de planejamento, pois 30% das vagas do ProUni sobram e servem apenas para o embolso das universidades particulares, como foi mostrado domingo no Fantástico. Por outro lado, as universidades públicas continuam funcionando precariamente, inclusive com vagas ociosas. Aqui em Pernambuco, por exemplo, tem cursos que a concorrência é menos de um aluno por vaga. Seria muito mais racional o governo ter investido no aperfeiçoamento das existentes, além, claro, de planejar melhor e fiscalizar os recursos do ProUni. Não adianta universalizar ensino de baixa qualidade. Os países que hoje crescem rápido como a Índia e a China investiram principalmente em qualidade. Os resultados são visíveis. A Índia, hoje virou uma referência em informática e já tem até marcas de automóveis. A China nem se fala. A diferença pode ser medida no número de patentes destes países. Enquanto que permanecemos no mesmo patamar de registro de patentes que tínhamos no início da década, no mesmo período, a China, que estava no mesmo patamar do Brasil, multiplicou seu número de patentes por 17, enquanto que a Índia multiplicou por 7. E, apesar de sermos uma das maiores economias do mundo, não temos uma única universidade entre as 200 melhores. A que mais se aproxima é a PUC, na posição 235º.

      Além do mais, é este acumulo de políticas assistencialistas que vão inviabilizando o Estado. Cada governo que entra quer deixar sua “marca” e cria novos programas que se somam aos já existentes. E ai os custos do Estado vão ficando cada vez maiores, até chegar ao ponto que a Europa chegou e ter que recuar, como vimos no post 8 deste série. O problema é que os esquerdistas pensam que o Estado é uma fonte inesgotável de dinheiro. O resultado já estamos vendo, pois o Brasil para financiar os gastos atuais depende cada vez mais de recursos externos. Se o cenário mundial mudar e estes recursos deixarem de vir, vai ser um desastre.

  20. Alan Patrick says:

    Liberal,já consultei varias fontes e todas elas confimam que foram criadas 14 novas universidades federais durante o governo Lula. Não sei em que fonte sua afirmação está baseada, e seria bastante grato se vc a citasse. sugiro que vc entre no link http://noticias.cefet-rj.br/2010/11/26/expansao-presidente-lula-entrega-campi-de-univesidades-e-institutos-federais/ para ver a lista(fonte do MEC) das 14 novas universidades federais.
    Ah, e não se esqueça que durante o governo FHC as universidades federais estavam bem sucateadas e quase tiveram que parar por falta de recursos.
    Recentemente estive conversando com o coordenador da UFPR, é ele comentou que as universidades públicas estavam passando atualmente pelo seu melhor momento em termos de investimentos. Talvez seja por isso que tantos reitores tenham declarado seu apoio pela continuação da política implantada pelo governo Lula http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/reitores-das-universidades-federais-educacao-no-rumo-certo.html
    Sobre o ProUni, ele tem contribuido para incluir milhões de jovens nas universidades. Tenho por exemplo um colega(de baixa renda) que conseguiu a bolsa integral pelo ProUni para estudar direito na PUC-PR.
    Claro, concordo com o Amilton de que a educação(basica e superior) tem muito o que avançar no quesito da qualidade,mas pelo menos a oportunidade de estudar atualmente e bem maior do que antigamente.

  21. Alan Patrick says:

    Amilton, o maior gasto para o estado brasileiro e a dívida pública,que suga mais de 40% do PIB brasileiro. Os gastos(investimentos!) com políticas de distribuição de renda,educação,saúde e etc, não chegam nem perto do valor que e destinado para o pagamento da dívida pública!
    Por que o governo não começa a corta gastos diminuindo o valor do orçamento que e destinado para a dívida pública?
    Aliás,o Estado tem a obrigação de investir o dinheiro arrecadado dos impostos do povo em políticas socias,educação,saúde,segurança e etc.

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      Mas é justamente isso que criticamos aqui o tempo todo. Se o governo Lula pelo menos diminuísse pela metade a emissão de novos títulos da dívida pública, hoje não estaríamos com este peso extra nas costas. E que peso! A dívida seria muito menor, os juros seriam bem menores, não atrairíamos tantos capitais especulativos, o câmbio estaria menos pressionado, teríamos menos pressão inflacionária, etc. etc.

      Respondendo a sua pergunta, o governo não pode deixar de pagar os serviços da dívida, caso contrário esta continua aumentando e, portanto, pressionando todos os demais indicadores que citei acima. O problema é que o governo faz superávit primário que FHC deixou para pagar a dívida e, no dia seguinte, emite novos títulos para bancar os seus gastos crescentes. E assim vai empurrando a dívida com a barriga para o próximo governo. Resultado: já pagamos no governo Lula R$ 1,4 trilhão de serviços da dívida e mesmo assim a dívida bruta pulou de pouco mais de R$ 800 bilhões para R$ 2,4 trilhões!

  22. Nemo says:

    Alan,
    No site http://pt-br.governobrasil.wikia.com/wiki/Universidades_Federais há link para a lei de “criação” de cada uma das 14 Universidades. Leia e veja que a realidade é diferente da propaganda eleitoral oficial.