Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 8)

Thatcher_1670807cA ascensão do “neoliberalismo” na Inglaterra

Como vimos no post 5 desta série, o estado de bem estar social europeu, o chamado Welfare State, deu seus primeiros sinais de crise já no início dos anos 70. Apesar das ainda altas taxas de crescimento, as projeções para o futuro mostraram-se insustentáveis, com base no aumento da expectativa de vida da população, assim como a redução da natalidade. Na Inglaterra, especialmente a decadência era mais evidente. Os sucessivos governos de esquerda engessaram a Inglaterra, de modo que sua economia chegou a ser ultrapassada pela Itália e ser apenas um pouco mais da metade da França.

Foi neste contexto que a conservadora Margareth Thatcher assumiu o poder, em 1979. Já influenciada pelos experimentos dos Chicago Boys do Chile, que comemoravam quatro anos de crescimento em ritmo acelerado, a nova primeira-ministra deu início a uma série de reformas com o objetivo de evitar o colapso da economia inglesa com o aumento inercial dos gastos sociais.

Aliás, anos antes de chegar ao poder, Thatcher já apresentava seu cartão de visitas cortando a distribuição de leite gratuita nas escolas britânicas quando, ironicamente, ocupava o cargo de Secretária de Estado para Assuntos Sociais. A “dama de ferro”, como seria conhecida posteriormente, enfrentava os primeiros protestos a sua política de redução do Estado britânico. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 7)

Chile

O berço do Neoliberalismo

Embora o Chile seja considerado o berço do que se convencionou chamar pejorativamente de Neoliberalismo, na prática, as idéias liberais, esquecidas durante a era áurea do keynesianismo, não foram tão bem aplicadas como normalmente se acredita.

Para começar, os chamados Chicago Boys, o grupo de ex-alunos da Universidade de Chicago que comandaram a economia chilena durante a ditadura Pinochet, seguiram a variante Monetarista do liberalismo, uma corrente que tinha como guru Milton Friedman, que acreditava que seria possível manter a estabilidade de uma economia usando apenas instrumentos monetários, principalmente o controle do fluxo de moeda. Em outras palavras, o monetarismo, apesar de se opor ao keynesianismo, repetia um dos seus principais erros: tentar corrigir as distorções da economia com medidas paliativas. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 6)

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O início da decadência norte-americana

Desde o fim da II Guerra Mundial, quando ficou estabelecida a conversibilidade 35 dólares por uma onça de ouro (cada onça equivale a 28,349 gramas), os EUA tornaram-se os credores do mundo. No entanto, o ápice dos EUA paradoxalmente marca também o início do seu declínio. O aumento constante dos gastos do estado, especialmente com armamentos, com o financiamento de guerras em diversos continentes e, posteriormente, com a corrida espacial, começou a minar a saúde da economia norte-americana.

Aos poucos, os EUA começaram a financiar os seus crescentes déficits fabricando moeda sem lastro. Enquanto isso, a economia e a sociedade norte-americana foram se acostumando ao dinheiro fácil, tanto que, já na década de 60, passaram a consumir mais do que produzir de fato. Os EUA, que ficaram ricos exportando, aos poucos, foram transformando-se em meros importadores, o grande shopping center do mundo, para onde todos os países queriam exportar. A nova situação acelerou ainda mais o ritmo do crescente déficit norte-americano, o que, por sua vez, fez com que o governo fabricasse ainda mais dólares, sem lastro em ouro. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 5)

keynes2A decadência do keynesianismo

A rápida recuperação europeia do pós-guerra até hoje é vista como a prova incontestável da eficiência das medidas keynesianas no “aprimoramento” do capitalismo (ou na “salvação do capitalismo”, mérito reivindicado pelo próprio Keynes).

De fato, os bilhões de dólares do Plano Marshal investidos na recuperação européia e japonesa foram importantes, mas não foram a verdadeira causa da fantástica recuperação do bloco capitalista nas décadas 50 e 60.

Claro que os milhares de empregos gerados nas obras públicas de recuperação da infra-estrutura destruída pela guerra foram decisivos para o “milagre europeu”. No entanto, a base do rápido crescimento da chamada “era de ouro” do capitalismo foi a forte demanda de consumo reprimida pela guerra.

Se considerarmos que a população europeia tinha um nível educacional muito acima da média mundial e agora contava com crédito norte-americano para dar o start inicial na recuperação da economia, foi criado então ambiente ideal para o rápido crescimento: forte demanda interna + mão-de-obra qualificada + crédito. Leia mais

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Esquerda x Direita (parte 4)

keynesO ápice do keysianismo e da Social-democracia

Desde o início do século XX a Europa já ensaiava alguns passos na direção do que hoje é chamado de Estado de bem-estar social, caracterizado por significativos investimentos do Estado em saúde, educação e seguridade social.

Os Sociais-democrata, defensores de tais ideais, surgiam inspirados nos mencheviques russos, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista poderia ocorrer democraticamente, sem ter necessariamente que passar por revoluções. Vertente esta que foi derrotada pelos bolcheviques de Lenin, que achavam a revolução imprescindível, vale relembrar.

A nova vertente européia dava uma guinada para a direita, pois não queria mais abolir o capitalismo, e sim torná-lo mais igualitário (ou menos desigual) através de uma gradual reforma legislativa. Leia mais