Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 2)

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A crise da direita

Apesar do surgimento do comunismo na Rússia, o capitalismo nos EUA experimentava uma nova revolução no início do século XX, com a produção em série iniciada pelo fundador da Ford. Mais uma vez, vale ressaltar, que os ganhos de produtividade ficaram restritos apenas aos patrões. As jornadas de trabalho continuavam muito elevadas, as condições de trabalho precárias e agora o trabalho ganhava um caráter robótico com o fordismo, já que cada funcionário agora era contratado para executar apenas uma tarefa repetida o dia inteiro.

Com o início da I Guerra Mundial, em 1914, o progresso norte-americano foi ainda mais intensificado, pois os EUA passaram a exportar quase tudo para a Europa.

Com o fim da guerra, no entanto, o cenário começou a mudar, tanto que já em 1924 ocorreu uma acentuada queda na atividade econômica. Para contrabalancear os efeitos negativos para economia, os bancos norte-americanos, comandados pelo Federal Reserve (FED), criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que elevou a expansão do crédito em mais de US$ 4 bilhões em menos de um ano. O artificialismo desta e outras ações do governo nos anos seguintes não só protelaram a crise iminente, como jogaram ainda mais combustível na bolha que se formava.

E como sempre acontece, a “fatura” da irresponsabilidade governamental finalmente chegou. Aos poucos as indústrias norte-americanas começaram a ter dificuldade de escoar a produção. Havia mais mercadorias que consumidores e, consequentemente, os preços caíram, a produção diminuiu, o desemprego aumentou e, por fim, as ações das empresas valorizadas artificialmente despencaram, o que levou a quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929.

A mais grave crise da história do capitalismo se estendeu até a II Guerra Mundial, atingindo principalmente os países que tinham relações mais estreitas com os EUA, como Canadá, Reino Unido e Alemanha, como, aliás, ocorreu também recentemente na Crise de 2008.

Na Alemanha, a Grande Depressão teve também uma conseqüência ainda mais nefasta, pois criou as condições necessárias para a ascensão de Hitler ao poder.

Nos países periféricos como o Brasil e a Argentina, por exemplo, a Crise de 1929 foi sentida quase como uma “marolinha”. Assim como na Crise de 2008, num primeiro momento, o impacto foi forte, reduzindo nossas exportações pela metade, principalmente de café, produto responsável por 70% das nossas exportações. A médio prazo, no entanto, a Grande Depressão abriu caminho para a adoção de um modelo econômico centrado na substituição de importações e na intervenção estatal, da mesma forma que a crise de 2008 consolidou a posição dos países emergentes como novos protagonistas do novo cenário mundial.

Enquanto isso, os efeitos negativos da Grande Depressão atingiam seu ápice nos EUA em 1933, quando o então presidente norte-americano Franklin Roosevelt aprovou uma série de medidas, que ficaram conhecidas como “New Deal” (Novo Acordo), com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana e diminuir seus efeitos sobre os mais pobres.

Entre as medidas propostas, destacamos:

  1. A destruição dos estoques agrícolas excedentes, para normalizar os seus preços;
  2. O controle dos preços e da produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria;
  3. Investimento maciço em obras públicas, com o objetivo de gerar novos empregos;
  4. A diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos de trabalho.
  5. Fixação de um salário mínimo, criação do seguro-desemprego e do seguro-velhice para os maiores de 65 anos.

Qualquer semelhança com as políticas adotadas por Getúlio Vargas não é mera coincidência. Aqui também ele ordenou a queima de toneladas de café, instituiu os direitos trabalhistas, aumentou a participação do Estado na economia, etc.

Vale ressaltar ainda que os direitos básicos dos trabalhadores, assim como a instituição da jornada de 48 horas semanais já haviam sido ratificados por uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que contou a participação de 52 países já em 1919. Tanto Vargas quanto Roosevelt, portanto, apenas acataram uma decisão internacional, tanto que apenas três anos após o New Deal, os franceses reduziram ainda mais quatro horas na jornada semanal.

Portanto, Vargas não inventou nada. Assim como Lula, apenas seguiu uma tendência mundial e capitalizou politicamente o bons ventos da economia. Qualquer que fosse o presidente da época, portanto, as ações teriam sido semelhantes, como, aliás, ocorreu em vários outros países. No entanto, para a grande massa, o ditador populista e simpatizante de Hitler, Getúlio Vargas, entrou para a história como o “pai dos pobres”, principalmente depois do seu suicídio, seu xeque-mate na oposição.

Mas, voltando ao coração do capitalismo, o New Deal (adotado também pela Alemanha), serviu de base para Keynes sistematizar sua obra “A Teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, publicado três anos após a divulgação das medidas de Roosevelt, tornando-se uma espécie de bíblia para economistas do mundo inteiro, até meados dos anos 70, quando suas principais teses começaram a ser contestadas. Sobre este assunto falaremos brevemente. Antes, porém, vamos dar uma revisada na trajetória da esquerda na primeira metade do século XX.

A ascensão da esquerda

Voltando um pouco a questão da Revolução Russa, que falamos resumidamente no final do último post, é necessário dizer que tal revolução foi precedida de uma luta interna entre duas correntes de pensamento do Partido Operário Social-Democrata Russo: os mencheviques: que defendiam uma revolução gradativa, esperando o desabrochar das contradições capitalistas para então dar início efetivo à ação revolucionária de uma forma mais pacífica possível; e os bolcheviques, liderados por Lenin, que achavam imprescindível a luta armada para se chegar ao poder e então estabelecer a “ditadura do proletariado”, na qual também estivesse representada a classe camponesa. Tal estrutura seria então conduzida por um único partido, que teria um papel não apenas de conduzir o país, como também para servir de elo de comunicação com as massas e, claro, garantir a unanimidade necessária para sustentar o novo regime. Começava então o estado-policial russo que se expandiu para as demais repúblicas da chamada União das Respúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), criada cinco anos após a Revolução de 1917.

Qualquer semelhança com o governo do PT não é mera coincidência. O populismo, a exaltação do Estado, a manipulação das massas contra o “inimigo capitalista” (ou de “conspirações da direita” ou da “mídia”), as pseudo-democráticas reuniões comunitárias (que servem mais para “legitimar” as ações do governo do que realmente dar voz ao povo) são algumas das características que se tornaram um padrão nos partidos de esquerda que chegam ao poder, democraticamente ou não.

Mas, voltando o início do século XX, com a morte de Lenin, em 1934, uma nova divisão surgiu entre os comunistas liderados por dois companheiros muito próximos de Lenin e candidatos a sua sucessão: Trotski e Stalin.

O primeiro acreditava que o socialismo somente seria possível se fosse construído em escala internacional. Em outras palavras, a revolução socialista deveria ser exportada à Europa e ao mundo. Nesta época, Trotski já percebia que a economia planificada comunista nunca teria o mesmo dinamismo capitalista e, portanto, ao longo do tempo ficaria para trás, como de fato aconteceu.

Já Stalin preferia concentrar os esforços na construção do socialismo na URSS, pois acreditava que a “revolução permanente”, defendida por Trotski, comprometeria a consolidação do socialismo soviético.

Ambos estavam corretos, embora nenhuma das duas correntes tivesse realmente chance de sucesso. Caso a corrente trotskista tivesse vencido, certamente o comunismo teria naufragado já na primeira metade do século XX, pois seria muito difícil (quase impossível) implantar o comunismo em escala global. Portanto, se as idéias de Trotski tivessem prevalecido, certamente a II Guerra Mundial não teria tido Hitler como principal inimigo, e sim o comunismo.

Como venceu Stalin, o comunismo ganhou um pouco mais de fôlego e sobreviveu por quase todo o século XX. Iniciava-se então a fase de maior progresso da URSS e também de maior repressão.

Existem muitas divergências sobre o número de mortos vítimas do stalinismo, mas é certo que o total esteja na casa dos milhões. Stalin não poupou nem mesmo seu ex-companheiro,Trotski, que viria a ser assassinado anos depois, no México, a golpes de picareta na cabeça, por um agente de segurança soviético.

No próximo post, vamos falar do período de maior polarização entre a direita e esquerda, a partir da segunda metade do século XX.

Abraço e até o próximo post.

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26 Responses to Esquerda x Direita (parte 2)

  1. Gilx says:

    Amilton,
    Sobre um trecho em que você fala sobre Vargas:
    “Qualquer que fosse o presidente da época, portanto, as ações teriam sido semelhantes, como, aliás, ocorreu em vários outros países”, muitos economistas costumam dizer o mesmo com Lula:qualquer presidente que pegasse os bons ventos econômicos mundiais entre 2003 e 2008 teria os mesmos resultados do petista (ou até resultados melhores, caso tivesse feito as tão necessárias reformas e não tivesse triplicado a dívida pública com gastos populistas e eleitoreiros).
    Por outro lado, os petistas alegam que o Real foi apenas mais um plano (similar ao Austral argentino, por exemplo) que fez “moda” entre países emergentes nos anos 80/90. É claro que há diferenças. Na Argentina, por exemplo, não houve uma política similar à Lei de responsabilidade Fiscal, que impedia os estados (províncias) de gastarem mais do que uma quantia X)
    A minha pergunta é: que plano econômico tinha o PT(se é que tinha) caso o Real naufragasse em 94, 98 ou 2002? Que eu me lembro, a “espinha dorsal” do discurso econômico petista era sempre a suspensão do pagamento da dívida externa.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,
      De fato, a estabilização viria com ou sem FHC. Ela é resultado de um aprendizado com os planos anteriores no Brasil e no exterior, tanto que vários nomes que participaram do Plano Cruzado, participaram também do Real.

      Mas o mérito de FHC não foi o Plano Real, até porque este foi lançado no governo Itamar. O grande desafio de FHC foi desindexar a economia (um dos principais combustíveis da inflação), promover as reformas que tornaram nossa economia mais competitiva (privatizações, quebras de monopólios, abertura de capitais de estatais, criação de agências reguladoras), administrar os problemas decorrentes da ruptura do processo hiperinflacionário (quebra de bancos, aumento da dívida pública, aumento dos déficits decorrentes da perda do “imposto inflacionário” nas três esferas de governo) e a implantação dos mecanismos de regulação como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a instituição do superávit primário, das metas de inflação e câmbio flutuante. Tudo isso em um ambiente de crises e desconfianças entre os países emergentes e candidatos a emergentes.

      Sobre o plano de governo do PT, a história nos mostrou que era apenas uma peça de ficção. A realidade é muito mais forte que qualquer retórica e o PT do poder é a prova disso, pois ficou mais parecido com os demais partidos, principalmente no quesito corrupção. No entanto, o partido amadureceu em alguns pontos, felizmente. Certamente um governo do PT em 1995, por exemplo, teria apressado esta mudança. Certamente não teria tido a mesma coragem de assumir ônus de reformas impopulares como teve FHC (e certamente nosso progresso tivesse sido ainda mais protelado), mas certamente teria tomado algumas decisões parecidas no combate à inflação.

      A lamentar o fato de termos tido um presidente populista no poder. É por causa dele que ainda estamos aqui, tentando abrir os olhos de quem foi iludido pela máquina de marketing do PT.

  2. Gilx says:

    Amilton,
    Tal como Vargas, Lula soube aproveitar esse “fetiche” (que tanto irritava Roberto Campos) dos brasileiros sobre o produto físico (petróleo, minério de ferro, etc). Enquanto grande parte do povo tiver essa mentalidade “materialista”, dificilmente políticos populistas e estatizadores deixarão de fazer eco entre os eleitores ufanistas ou de viés esquerdista. Embora eu seja um admirador das ideias liberais de Von Mises, dificilmente elas vingarão algum dia em nossa cultura do “Estado forte”.
    Collor, Itamar e FHC fizeram um plano de vôo que nos tiraria das velhas ideias caudilhistas que tanto atrasam a américa latina. Mas infelizmente, veio Lula e voltamos aos velhos conceitos de desenvolvimento autárquico da era Vargas.
    As verdadeiras riquezas (educação, saúde, segurança, justiça e democracia) sempre serão empurradas com a barriga, enquanto houver os Vargas e Lulas da vida com ideais do estado invervencionista, sempre nos fazendo reféns nas mãos de governos assistencialistas!

  3. Sandro says:

    Amilton,

    Sobre o número de mortos na antiga União Soviética, uma das fontes consideradas mais confiáveis é O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Livro_Negro_do_Comunismo):

    “(…) O editor Stéphane Courtois, declara que “…os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo” Usando estimativas não oficiais, apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões, não contando as mortes os decréscimos de população decorrentes da queda das taxas de natalidade. A estatística desagregada do número de mortes dado por Courtois é a seguinte:
    20 milhões na União Soviética
    65 milhões na República Popular da China
    1 milhão no Vietname
    2 milhões na Coreia do norte
    2 milhões no Camboja
    1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
    150 mil na América Latina
    1,7 milhões na África
    1,5 milhões no Afeganistão
    10.000 mortes “resultantes das acções do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder” (página 4).

    O livro defende explicitamente que os regimes comunistas são reponsáveis por um número maior de mortes do que qualquer outra ideologia ou movimento político, incluindo o fascismo. As estatísticas das vítimas incluem execuções, fomes intencionalmente provocadas, mortes resultantes de deportações, prisões e trabalhos forçados.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Sandro, não quis citar números porque, como disse no post, já vi números muito divergentes. Alguns contestam inclusive os 20 milhões de russos mortos segundo este livro, afirmando que tal número passaria dos 50 milhões. Qualquer que seja a versão correta, no entanto, os números são absurdos de qualquer forma. Certo mesmo é que esta foi uma das páginas mais tristes da nossa história e que felizmente está sendo superada pelas principais vítimas, os russos e chineses.

  4. Sandro says:

    Amilton,

    Outro livro recém traduzido para o português, sobre este assunto da repressão no regime soviético, e que tem feito bastante sucesso de vendas nas livrarias nacionais é o SUSSUROS – A VIDA PRIVADA NA RÚSSIA DE STALIN!

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22169678&sid=9272451901332489271691246&k5=181AF1DA&uid=

    SINOPSE:

    Este livro explora a influência da ditadura de Stalin na vida pessoal e familiar dos soviéticos. Como eles viviam? Que tipo de vida privada era possível nos apartamentos comunais abarrotados, onde toda conversa podia ser ouvida? Quais foram as estratégias de sobrevivência, amizades, traições, concessões e acomodações morais que moldaram milhões de vidas?

  5. Sandro says:

    Amilton,

    sobre a tua afirmação:

    “(…) Trotski já percebia que a economia planificada comunista nunca teria o mesmo dinamismo capitalista e, portanto, ao longo do tempo ficaria para trás, como de fato aconteceu.”

    Vale ressaltar:

    O PROBLEMA DO CÁLCULO ECONÔMICO

    O problema do cálculo econômico diz respeito à impossibilidade, nas economias socialistas, de haver uma alocação eficiente dos recursos, em vista da inexistência do sistema de preços livres.
    Essa impossibilidade explica em grande parte a diferença no nível de vida que havia entre países capitalistas e países socialistas, à época da Guerra Fria, fato que levou, em última instância, à derrocada dos governos desses países no final dos anos 80.
    O principal formulador do problema do cálculo econômico foi o economista austríaco Ludwig von Mises. Além dele, também discutiram este tema Friedrich von Hayek, Oskar Lange e Abba Lerner.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_do_c%C3%A1lculo_econ%C3%B4mico

    • Amilton Aquino says:

      A diferença entre o dinamismo das economias capitalistas e comunistas ficaram ainda mais evidentes quando os computadores começaram a aumentar a produtividade das empresas. A comparação entre as duas alemanhas é a melhor ilustração disso tudo. Um mesmo povo, dois países completamente diferentes.

  6. aliancaliberal says:

    A parte da crise de 1929 não foi bem assim.
    ………….
    Embora a Grande Depressão tenha engolido o mundo há muitos anos, ela ainda permanece viva como um pesadelo na memória dos indivíduos velhos o bastante para se lembrar dela e como um espectro assustador nos livros-texto da atual juventude.
    …….
    Até hoje muitos ainda acreditam que a Grande Depressão refletiu o colapso de uma velha ordem econômica que se baseava em mercados desimpedidos, concorrência desenfreada, especulação, direitos de propriedade e a simples busca pelo lucro. De acordo com eles, a Grande Depressão comprovou a inevitabilidade de uma nova ordem baseada na intervenção estatal, nos controles burocrático e político, nos direitos humanos e no assistencialismo governamental. Tais pessoas, sob a influência de Keynes, afirmam que os culpados pelas depressões são os empreendedores, pois estes se recusam egoisticamente a gastar dinheiro suficiente para manter ou mesmo melhorar o poder de compra das pessoas. É por isso que eles advogam vastos gastos governamentais e, sobretudo, déficits orçamentários – o que resulta em uma era de inflação monetária e expansão do crédito.
    ………
    Os economistas clássicos aprenderam uma lição diferente. Em sua visão, a Grande Depressão consistiu em quatro depressões consecutivas que acabaram formando uma só.
    …….
    Em 1924, após uma acentuada queda na atividade econômica, os bancos americanos que pertenciam ao sistema da Reserva Federal [daí o nome em inglês de Federal Reserve System; são bancos sob controle direto do Fed] criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que, por meio das reservas fracionárias, levou a uma expansão creditícia total de mais US$ 4 bilhões em menos de um ano.
    …….
    Essa expansão creditícia do Fed iniciada em 1924 tinha também a intenção de auxiliar o Bank of England em seu declarado desejo de manter a taxa cambial da libra no mesmo nível em que estava antes da Primeira Guerra Mundial.
    …………
    O forte dólar americano e a fraca libra esterlina deveriam ser reajustados às condições pré-guerra por meio de uma política de inflação nos EUA e de deflação na Grã-Bretanha.(este é a principal causa da crise de 1929)
    ……….
    A inflação monetária e a expansão do crédito sempre provocam na economia desajustes e maus investimentos que, mais tarde, inevitavelmente terão de ser liquidados. A expansão monetária reduz artificialmente – isto é, falsifica – as taxas de juros, enviando sinais equivocados aos empreendedores em relação a como e em que eles devem investir. Na crença de que taxas de juros em queda representam um aumento na oferta de capital poupado – algo que só acontece num mercado genuinamente livre, isto é, sem manipulações dos juros por alguma autoridade monetária -, os empreendedores embarcam em novos projetos de produção.

    A criação de dinheiro origina uma expansão econômica. Ela faz com que os preços subam, principalmente os preços dos bens de capital utilizados para a expansão dos empreendimentos. Mas esses preços constituem custos empresariais. Eles vão continuar subindo até o momento em que os empreendimentos deixarem de ser lucrativos. Nesse ponto começa o declínio. A fim de prolongar a expansão econômica, as autoridades monetárias podem continuar injetando dinheiro novo no sistema econômico. Porém, haverá um momento em que, assustadas com as perspectivas de um surto inflacionário, essa injeção será ou interrompida ou reduzida. Com isso, os juros subirão. E a expansão econômica que foi sustentada pela areia movediça da inflação chega a um fim repentino.
    ……….
    A administração presidente Hoover, rejeitando sumariamente a ideia de que ela havia causado o desastre, trabalhou diligentemente para colocar a culpa nos especuladores e nos empresários americanos.
    …………
    texto completo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=376
    ……….
    Como na maioria das crises foi o intervencionismo estatal que provocou e agravou as crises economicas.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Liberal, realmente não conhecia esta versão das razões que levaram a crise de 1929. De qualquer forma, ela não exclui a versão mais conhecida que atribui à crise a superprodução provocada tanto para exportação para a Europa devastada pela 1ª Guerra, quanto pelos ganhos de produtividade decorrentes do fordismo. Obrigado por mais esta contribuição. Já fiz uma alteração no texto para registrar também a crise deste novo ângulo.

  7. aliancaliberal says:

    Não houve uma crise de superprodução.

    Uma das ações do governo americano para resolver a crise que ele mesmo criou, foi acentuar o protecionismo da economia americana, ou seja, redução das importações que logicamente foi seguido pelos demais países do mundo.

    Para exportar vc precisa importar senão como vc e seus parceiros vão interagir economicamente, de onde vão tirar moeda de troca.

    Com este endurecimento das relações entre governos (não entre comerciantes) os setores antes direcionados para o mercado externo entram em crise.

    Como ninguém importava e nem exportava “sobrou” os produtos de exportação no
    Mercado interno, que dá a ilusão de uma crise de superprodução, até a economia se adaptar a esta nova realidade (destruição criativa) demora anos.

    O protecionismo é coisa típica de mercantilismo eles vêem o sistema econômico como um jogo de soma zero (teoria dos jogos), no qual o lucro de uma das partes implica a perda da outra, diferente do capitalismo onde ambas as partes devem ganhar algo ou no mínimo uma delas não deve perder.

    Sem duvida “o melhor governo é aquele que não governa” Lula e Dilma estão ai para provar.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, as grandes crises são resultantes da soma de vários fatores. Certamente o protecionismo agravou a crise, mas foi mais conseqüência do que causa, como, aliás, quase sempre ocorre nestes casos e que felizmente ocorreu em muito menor escala na última grande crise, o que revela que o capitalismo está evoluindo neste aspecto.

      É um processo que se retroalimenta, de forma que fica difícil saber quem causa o quê. Mas o fato concreto é que houve sim um descompasso entre produção e consumo, tanto que toneladas de alimentos foram queimadas para tentar recuperar os preços, mesmo quando existiam milhões na completa miséria.

      Falhou o governo com medidas artificiais que levaram a crise e falhou o mercado que não percebeu os rumos que a economia estava tomando. Na minha humilde opinião, embora hoje esteja de pleno acordo com Hayek no famoso debate com Keynes, não acredito que o capitalismo da época já estivesse suficientemente desenvolvido para conseguir o equilíbrio perfeito descrito pela escola austríaca. Tanto que ainda não havia conseguido “regular” o número de horas trabalhadas nas fábricas, motivo pelo qual se fez necessária luta de classes para se estabelecer algumas regras mínimas para “disciplinar” o mercado.

  8. aliancaliberal says:

    Na historia nada acontece isolado realmente ,poderia se dizer que crise de 1929 deve-se ao fim do padrão ouro ou a criação do fed(1919) ,vai longe a coisa.
    ………
    Antigamente os governos não tinham a “impresora” como arma ,1 dolar era o nome da vigésima parte de uma onça(31 gramas) , as moedas tinham o ouro como lastro e eram intercambiaveis sendo o ouro a referencia.

  9. Priscila Lima says:

    Só para trazer um pouco de descontração ao debate, segue o link do fantástico rap Keynes x Hayek: http://www.youtube.com/watch?v=O5jeXrKvJXU Se as legendas não aparecerem, clique no ícone de legendas. Vale a pena até mesmo para quem nunca ouviu falar de Hayek.

    • Amilton Aquino says:

      Muito bom, Priscila!. Não conhecia. Vi agora e me surpreendi com a qualidade da produção, assim como as “sacadas” geniais dos criadores. As personalidades dos dois economistas revelam bem o teor das duas correntes de pensamento. Fantástico!

  10. Gilx says:

    Bom esse video de Hayek versus Keynes, apesar de eu não gostar de rap. Não obstante, complementa com esse texto de Olavo sobre Keynes:
    “Keynes não salvou o capitalismo. Se o fizesse, seria odiado pela esquerda. O que ele fez foi tornar o capitalismo o mais confortável dos regimes para a elite esquerdista, criando a base econômica da “longa marcha para dentro do aparelho de Estado” planejada por Gramsci”.
    http://www.olavodecarvalho.org/semana/palmas.htm

    • Amilton Aquino says:

      Perfeita a conclusão do Olavo. Realmente é muito estranho ver Keynes hoje como um ícone da esquerda. Há algumas décadas isso seria inimaginável. O mais incrível é ver que este pessoal continua se achando os “donos da verdade”.

  11. aliancaliberal says:

    Duas coisas uma sobre a crise de 2008 e outras sobre a de 1929 .

    Eu tenho a impressão que a crise de 2008 não terminou ela esta sendo realimentada e vai retornar com um efeito devastador, apenas o incio de outra de maiores proporções, eo primeiro tchan apenas (como na propaganda do barbeador).
    …………..
    Um fragmento de um artigo que dá mais luz de como inicou se a crise de 1929.

    Conferência de Gênova

    Nesta conferência, os governos concordaram em estabelecer um “novo e aprimorado” padrão-ouro. Ao invés de restabelecerem um padrão monetário com moedas de ouro totalmente conversíveis domesticamente, o que transferiria a autoridade monetária para os cidadãos, eles fizeram um acordo: ao invés de manterem ouro em seus bancos centrais, os países manteriam títulos da dívida emitidos pelos EUA e pela Grã-Bretanha, os quais renderiam juros.

    A Grã-Bretanha retornou ao padrão-ouro em 1925, mas a uma taxa de câmbio vigente anterior à Primeira Guerra Mundial, como se não tivesse havido nenhuma inflação na quantidade de dinheiro em sua economia. Ou seja, a taxa de câmbio da libra em relação ao ouro ficou artificialmente sobrevalorizada. Essa foi a decisão de Churchill como ministro da fazenda. Tal medida inevitavelmente forçaria a Grã-Bretanha ou a perder suas reservas de ouro ou a contrair sua oferta monetária. O governo não queria nenhuma dessas opções. Assim, Montagu Norman, presidente do Banco Central da Inglaterra, conseguiu persuadir seu amigo íntimo (muito íntimo) Benjamin Strong, presidente do Federal Reserve, a inflar a oferta monetária americana, de modo a evitar que houvesse uma corrida ao ouro do Banco Central da Inglaterra. Strong fez isso até o dia de sua morte, em 1928. O Fed então reverteu essa política já no final de 1928. Ele parou de inflacionar a oferta monetária. Isso estourou a bolha formada na bolsa de valores americana, levando ao crash de 1929.
    ………….
    texto completo http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=935

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, depois da enxurrada de dinheiro jogado pelos bancos centrais no mercado, vamos passar um bom tempo sentido as conseqüências da medidas keynesianas. Todos estão muito endividados e agora e as faturas começam a chegar. A crises da Grécia e os riscos de crash em Portugal, Espanha e Itália são alguns desses desdobramentos. Claro que hoje temos um diagnóstico melhor da crise que pode ajudar a evitar novos surtos, mas certamente o “antigo primeiro mundo” vai perder cada vez mais espaço neste novo cenário que se consolidou a partir da crise, com a ascensão dos BRICs e a aceleração do crescimento da América Latina.

      Sobre a crise de 1929 certamente as medidas artificiais dos BCs da Inglaterra e EUA foram decisivos para a crise. Aliás, este é um dos grandes problemas também da atualidade, já que o dólar está cada dia mais fraco.

  12. Sandro says:

    Prezados,

    Sobre a crise financeira de 2008, indico veementemente que assistam dois filmes: INSIDE JOB, que ganhou o Oscar de melhor documentário este ano, e o CAPITALISM A LOVE STORY, do Michael Moore. Ambos podem ser baixados pela web, bem como as legendas.

    Abs

  13. aliancaliberal says:

    Sandro , Michael Moore é mais um instrumento de alienação ele desvia o foco da realidade para um tipo de teoria da conspiração.
    Michael Moore apenas esta fazendo o seu show de desinformação midiatica, é o tipico burgues socialista que esta dando corda pra aqueles que vão enforca-lo.

    Pq ele não faz um documentário como este que abaixo.
    ……………
    The Soviet Story (A História Soviética) – é um documentário lançado em 2008 sobre o comunismo na União Soviética e as relações germano-soviéticas antes de 1941 escrito e dirigido por Edvins Snore.
    Parte 1 a 6

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=g1FA5VP4SDE

    http://www.youtube.com/watch?v=Ljd4epn0vNQ

    http://www.youtube.com/watch?v=EfSYWMosh7s&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=3pv2IJnUp8Q&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=HBA2jWItXWw&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=U_j28Wf5cYU&feature=player_embedded

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, embora ache o Moore sensacionalista e manipulador, ele tem coragem de tocar nas feridas norte-americanas. Não vi ainda o novo documentário sugerido pelo Sandro, mas a julgar pelo outros documentários acho sim muito pertinentes. Podemos não concordar com tudo que ele fala ou mostra em seus filmes, mas certamente contribui com o debate.

      Quanto ao documentário que vc sugeriu, realmente é algo que deveria ser visto por todos que simpatizam ou um dia simpatizaram com o comunismo, como eu. O nazismo foi não foi nada perto do comunismo. Obrigado a vc e ao Sandro por mais estas valiosas contribuições.

  14. Sandro says:

    Liberal,

    Assim com o Amilton colocou, também não concordo com tudo o que o Moore fala, ou mostra, mas avalio que ele traz questões pertinentes ao debate.

    O proprio filme que ganhou o Oscar, o outro que indiquei, INSIDE JOB (Trabalho Interno – aqui no Brasil) trata do mesmo tema, e praticamente da mesma forma e com as mesmas conclusões, só que vai um pouco além cronológicamente, pois foi produzido um tempo depois, e já coloca a administração do Obama no mesmo balaio da anterior!

    O proprio filme SICKO do Moore me fez (faz!) pensar sobre este assunto de os serviços de saúde serem públicos, pois, nos EUA, os privados parece que não funcionam como os super liberais pregam que deveriam ser! Por outra lado, outro dia li um texto do instituto Mises afirmando que os sistemas de saúde do Canadá, e em outros lugares que ele mostra como sendo o “céu na terra” não seriam tudo aquilo!

    Obrigado pela dica do documentário sobre o comunismo. vou assistir em seguida.

  15. Sandro says:

    Liberal,

    Acabo de assistir ao documentário que indicasse, é aterrorizante!

    ;(

    Abs

  16. aliancaliberal says:

    Trecho de um video onde Olavo de carvalho explica o funcionamento do conservadorismo (aqui no brasil liberalismo), quase da forma que defendo.

    Nos últimos 40 anos vc só vê o debate político encaminhado nas seguintes direções ou vc é favor do controle da economia pelo estado ou vc é a favor da total liberdade de mercado, e vc acha que a simples liberdade economia vai resolver todos os problemas, então ou vc e “progressista” ou vc e um “liberal” na terminologia brasileira, nos Estados Unidos é o inverso chama-se o esquerdista chama-se liberal e o conservador como sendo liberal no Brasil.

    Então só há estas duas correntes só isso que aparece na mídia, porem os Founding Fathers já tinha descoberto a maneira completamente diferente de enxergar o problema.

    O estado deveria interferir muito pouco na economia, mas a liberdade de mercado encontraria seus limites através da função controladora da cultura e da religião, então quer dizer o que deve refrear os abusos do capitalismo não é o estado e a sociedade organizada através das igrejas, das escolas, e da pressão da opinião publica.

    Então esta falsa opção que existe ou é total liberdade de mercado ou é o estado controlando, Jorge Washington e John Adams e tomas Jeferson já tinha descoberto a solução desta questão já faz duzentos anos.

    A gente sabe que se vc libera a economia logo ela se destrói a si mesma através da concessão de monopólios e por outro lado se o estado interfere na economia o que acontece, vc cria uma casta de beneficiados do estado que fica só vivendo através de imposto e a economia vai pro buraco

    O cérebro do mundo esta empacado entre estas duas opções igualmente idiotas vai fazer 40 50 anos, especialmente no Brasil não se discute outra coisa a não ser isso é liberdade de mercado e intervencionismo.

    Founding Fathers já tinham entendido que o elemento controlador da economia não é o estado e a própria sociedade.

    o trecho passa aos 13min deste video
    http://www.youtube.com/watch?v=cq4-MVKAYaU&feature=player_embedded

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, nest ponto estou de pleno acordo com o Olavo e é justamente este o objetivo desta série. A história nos mostra erros de ambos os lados dos dois pólos, sendo que a base do pensamento liberal se mostrou bem mais realista. Vou ver o vídeo mais tarde. Abraço!