Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Esquerda x Direita (parte 1)

esquerda-direita-300x224Olá amigos, a partir desta semana iniciamos um nova série que considero essencial para nos situarmos na dicotomia “Esquerda x Direita” que a cada dia torna-se mais confusa e tênue.

A nova onda vermelha

Até meados de 2008, a dicotomia “estado maior x estado menor” estava andava meio fora de moda, não apenas pela derrocada do mundo comunista, mas principalmente pelo triunfo da globalização, inclusive sobre os governos que perderam o controle do processo, diga-se de passagem. Os norte-americanos que o digam.

A partir da crise de 2008, irradiada do coração do capitalismo, alguns governos de esquerda aproveitaram um momento que não ocorria desde os anos 30 para tentar ressuscitar algumas bandeiras até então meio esquecidas.

A principal delas, a da ampliação do papel do Estado na economia, ressurgiu como “verdade histórica”, agora com o elegante verniz do economista britânico John Maynard Keynes, elevado agora a condição de “novo expoente” das esquerdas.

Nos jornais, vários artigos foram publicados enaltecendo Keynes e até Lula, que já confessou que não lê jornais, apareceu citando o economista britânico! O estranho disso tudo é que os conceitos da política macroeconômica keysiana não só foram usados nos principais países capitalistas ao longo do século XX, como foram também um dos expoentes da política econômica da extrema direita brasileira que governou o país no regime militar e tornou nossa economia uma das mais fechadas do mundo.  Quem tem mais de quarenta anos lembra certamente da publicidade oficial da época, exibida até nos cinemas, mostrando as maravilhas do Brasil das grandes estatais e dos mega-projetos como Itaipú, Transamazônica e Carajás, ponte Rio-Niteroi, entre outras.

Qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência. Os resultado da megalomania governista dos keysianos do regime militar, no entanto, todos conhecem: duas décadas perdidas de inflação e estagnação. Claro que há todo um contexto a ser considerado no panorama dos anos 70 que ajudam a explicar o nosso mergulho na crise, de forma que não dá para jogar toda a culpa nas políticas keysianas. No entanto, estudando outros casos onde políticas semelhantes foram adotadas, podemos jogar um pouco mais de luz sobre este antigo debate ressurgido das cinzas.

De qualquer forma, soa muito estranho ver hoje Keynes ser coroado como o “Novo Marx” das esquerdas. Da mesma forma que soa estranho ver hoje figuras conhecidas do regime militar, como o renomado economista e agora deputado Delfin Neto, por exemplo, prestando reverência a Lula por sua “contribuição a nossa economia”. Em uma de suas palestras chegou a afirmar que “Lula é o único economista que presta no Brasil”!

Tudo bem que isso já faz algum tempo. Ultimamente ele já anda um pouco mais crítico, principalmente quanto a política de juros e aos crescentes gastos do governo. De qualquer forma, fica aqui o registro.

Mas afinal, Keynes é de direita ou de esquerda?

Para responder esta pergunta temos que voltar aos primórdios do capitalismo e falar de alguns nomes importantes que influenciaram o pensamento econômico dos séculos seguintes, dentre os quais o expoente máximo da Direita, Adam Smith, considerado ainda hoje o pai da economia moderna, e o expoente máximo da esquerda, Karl Marx, simplesmente o pai do comunismo.

Resumindo as idéias do escocês Adam Smith, ele acreditava que “a riqueza das nações resultava da atuação dos indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse, promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica”.

Smith pregava também a menor intervenção possível do Estado na economia, pois acreditava que a competição entre indivíduos e/ou empresas regulavam os preços e, consequentemente, o mercado como um todo.

Claro que ele exagerou um pouco na sua premissa, mas apesar de ter escrito dois livros clássicos da economia moderna, não precisava ir tão longe para explicar algo tão simples e que faz parte do nosso dia-a-dia.

Brincadeirinha! A coisa é bem mais complexa do que parece, tanto que vários outros expoentes do liberalismos surgiram no século XX, como Ludwig von Mises, Friedrich August von Hayek e Milton Friedman, por exemplo, que escreveram algumas centenas de páginas sobre diferentes vertentes do liberalismo.

O fato é que, três séculos depois de Adam Smith, o seu liberalismo (mesmo com todas as variações existentes) é o que mais se aproxima das experiências dos países mais ricos, inclusive por nós em nosso melhor momento econômico das três últimas décadas, apesar do novo ímpeto estatizante do governo.

Mas, voltando aos primórdios do capitalismo, as idéias de Smith tornaram-se a bíblia da nova classe de burgueses que emergia e já começava a ameaçar a aristocracia secular formada por senhores feudais e religiosos.

Por incrível que pareça, nesta época os conceitos de Esquerda e Direita já existiam. A Direita era representada pelos apoiadores da monarquia absolutista e, claro, sentava à direita do rei. A Esquerda que contestava o estado absolutista naturalmente sentava à esquerda do rei.

Portanto, a primeira ironia da história da disputa entre esquerdistas e direitistas é que o casamento entre o liberalismo de Adam Smith e a emergente burguesia da era pré-capitalista tinha muito mais a ver com a Esquerda da época que com o conservadorismo da Direita monarquista!

Só depois da Revolução Francesa que a coisa começou a mudar. O primeiro contraponto ao liberalismo inglês surgiu, claro, na França inspirado no ideal de igualdade, liberdade e fraternidade, que inspiraram também a Revolução Francesa, sem dúvida um dos momentos mais importantes da história da humanidade.

O esquerdismo, portanto, já nascia com o charme francês. Os pioneiros do socialismo utópico, Saint-Simon, Louis Blanc e Proudhon, encantavam por imaginar uma sociedade ideal, mas pecavam por não indicar os meios para alcançá-la.

Já no século XIX surge então o alemão Karl Marx com o seu socialismo científico, que tentava viabilizar o socialismo como uma fase de transição para a verdadeira “revolução proletária”.

Marx teve como ponto de partida a crítica ao capitalismo, que dava ainda seus primeiros passos e que até então não havia trazido um progresso real a humanidade. Ele acreditava que a lógica capitalista tinha um componente autodestrutivo que o levaria a sucessivas crises e, consequentemente, conduziria a sociedade promover uma revolução quase que natural, quando surgiria então um “novo regime sem classes”.

Claro que, com idéias tão radicais, a obra de Marx não teve muita repercussão quando em vida. Só após sua morte, e com o aprofundamento das contradições capitalistas, é que suas idéias começaram a repercutir no meio intelectual.

A esta altura já era “charmoso” ser de esquerda, pois, de fato, historicamente o pensamento esquerdista demonstrava uma maior preocupação com o bem estar dos menos favorecidos. Os liberais capitalistas, ao contrário, foram cada dia mais sendo associados à exploração, inimigos do bem geral da sociedade, um mal a ser extirpado.

Tais ideais encantaram também um nobre russo chamado Vladimir Lenin. Influenciado também por um outro russo, chamado Tchernichevski, Lenin não só liderou a primeira revolução comunista que pôs finalmente o “proletariado no poder” como acrescentou ao novo regime uma característica que se tornaria um padrão entre os partidos de esquerda: a centralização e a “regência de intelectuais de formação teórica marxista”. O resultado deste filme todos viram na TV nas duas décadas finais do século XX, assuntos que abordaremos mais adiante e que nos ajudarão a responder a pergunta central da nossa série: afinal, Keynes é de direita ou de esquerda?

Abraço e até a próxima semana.

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30 Responses to Esquerda x Direita (parte 1)

  1. Samara Lima says:

    Muito boa a iniciativa. Nada como o tempo para colocar um pouco de luz sobre o obscurantismo decorrente do radicalismo.

  2. aliancaliberal says:

    O grande erro comum entre Marx e Smith – erro que mudou o mundo para sempre.

    Ocorre que Karl Marx herdou de Adam Smith um erro extremamente básico, um erro que possui monumentais consequências e que mudou o mundo para sempre.

    Em seu famoso tratado sobre a riqueza das nações, Adam Smith nos diz que, em condições primitivas ou em cidades pequenas, aqueles indivíduos que vão ao mercado para vender seus produtos (sejam eles produtos agrícolas, parte do seu rebanho ou mesmo produtos manufaturados) ganham, nesse processo de venda, um salário. Isto é, a renda auferida por esses indivíduos que vendem bens no mercado é o seu salário.

    Salário? Grave erro. Aquilo que é obtido por alguém que sai da autossuficiência agrícola para vender seus produtos no mercado não é um salário, mas, sim, um lucro. Ou um prejuízo. Lucros ou prejuízos são obtidos apenas por empreendedores. Por definição, portanto, essa pessoa poderia ser um agricultor ou um profissional liberal qualquer em alguma cidade.

    Um salário só passa a existir quando uma pessoa contrata uma outra, pagando-lhe regularmente uma quantia fixa. Podemos chamar isso de ‘o pacto do capitalismo’, pois significa que o empregado agora faz parte do risco empreendedorial assumido pelo capitalista. Em troca, o empregado recebe uma renda fixa (diária, mensal etc.) — ou seja, um salário.

    Empregados assalariados não têm possibilidade de auferir lucros, porém — e ainda mais importante — estão livres de prejuízos. Com efeito, os empregados têm mais chance de receber renda do que o capitalista. O fazendeiro, por exemplo, deve pagar os salários de seus empregados mesmo que tenha havido uma geada no dia anterior à colheita. Os empregados, por sua vez, estão isentos do ônus do prejuízo.

    Assim, o problema — brilhantemente ensinado pelo professor George Reisman — é que o erro compartilhado por Smith e Marx gerou a ideia de que, para obter lucros — a famosa “mais-valia” exploradora —, os capitalistas tinham de manter para si parte do salário de cada empregado. A realidade é outra. A realidade é que a riqueza é criada por aquele indivíduo que sabe como transmitir suas visões, arriscar recursos e reconhecer oportunidades — tudo isso ao mesmo tempo em que ele cria uma renda regular para terceiros durante esse processo.

    O capitalismo cria uma classe média mundial. Antes dos capitalistas, todos tinham de assumir por completo todo o risco de uma dada atividade. Já hoje, podemos delegar os riscos para aqueles que são mais ambiciosos e mais capacitados para atividades empreendedoras, já sabendo que, no final do mês, receberemos nossos contracheques. Tal arranjo é infinitamente mais produtivo e eficaz. Em última instância, é ele quem elimina a pobreza.
    fonte : http://migre.me/42gqP

    • Amilton Aquino says:

      Boa contribuição, Liberal. Nunca tinha olhado o capitalismo por este ângulo (“podemos delegar os riscos para aqueles que são mais ambiciosos…”), mas sempre me incomodei com os sindicalistas profissionais que insistem em pintar os patrões como inimigos, exploradores. Na verdade são eles que impulsionam o progresso. Ao empregado cabe a escolha de se acomodar com seu salário, sem maiores riscos, ou se aventurar como empreendedor.

      Realmente a diferença entre salário e lucro é enorme. Smith cometeu o erro e Marx o replicou, já que sua obra foi elaborada como contraponto ao liberalismo de Smith.

      Certamente vamos trocar muitas idéias sobre o tema.

  3. aliancaliberal says:

    Eu tinha 12 anos era 1980 estava na sexta serie estava na aula de geografia e já estava a tempos pensando sobre a “dita” exploração dos capitalistas sobre os trabalhadores ,quando veio a “descoberta” de tudo que esta escrito acima , eu sem nunca ter lido Marx e Smith .
    Eu falei sobre minha “descoberta” a todas as professoras que com a mediocridade típica dos funcionários públicos estaduais me ignoraram ou não entendiam mesmo o que estava falando .
    Quase rodei aquele ano faltei muitas aulas, minha mãe me perguntava pq não queria ir na escola eu não tinha resposta ,agora eu sei o pq ,é pq a escola não serve para educar e sim para formar cidadãos medíocres , para normatizar.

    • Amilton Aquino says:

      Realmente, Liberal, este é um daqueles casos de que uma mentira repetida várias vezes termina adquirindo o status de verdade, tanto que a maioria das pessoas (onde eu me incluo) não percebeu que a principal premissa que levou a elaboração da teoria marxista (a exploração do trabalhador) não era totalmente verdadeira.

    • “Para normatizar”. Exatamente. Escola tenta normatizar. Estou com alguns anos a mais do que a vez que vc fez a “descoberta” e compreendo muito bem. Infelizmente o problema é bem grave, nem uma “reinvenção” no modo de dar aula resolveria; já que o problema está lá nos professores mal preparados a receber e discutir as ideias dos alunos.

  4. Sandro says:

    Amilton,

    Em relação à parte do teu texto:

    “Os resultado da megalomania governista dos keysianos do regime militar, no entanto, todos conhecem: duas décadas perdidas de inflação e estagnação.”

    Segue transcrição de trecho referente a ditadura militar brasileira e suas consequências para o país do podcast semanal do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho do dia 16 de fevereiro de 2011.

    Então, não nego a obra que eles fizeram na economia, que eles restauraram a economia brasileira. Hoje o Lula se gaba de ter tirado da miséria 30 milhões de pessoas! Foi esse exatamente o número de pessoas que, 20 anos (30?) antes o regime militar tirou da miséria, quer dizer, numa população muito menor e ninguém fica elogiando por causa disso! Então, não podemos deixar de reconhecer a obra econômica, mas a obra de deseducação política e de deformação estética que os milicos fizeram no Brasil foi uma coisa que deixou uma marca, quer dizer, ali foi o ato inaugural da imbecilização!

    Também, uma frase curiosa, e penso que certeira, do Elio Gaspari em sua obra A Ditadura Escancarada sobre o mesmo período:

    “O Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais, co-existiam negando-se. Passados mais de trinta anos, continuam negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o outro.”

    Outro autor, Larry Rohter, DEU NO NEW YORK TIMES, que fala que não tem nenhuma afeição ao governo militar, e que chegou a entrar em conflito com eles várias vezes, mas tem que se destacar que “um dos poucos méritos da ditadura militar foi que ela teve uma visão estratégica para o Brasil e, diferentemente de alguns governos pós-1985, sabia pensar a longo prazo.” E reconhece que algumas vezes houve falhas nessa visão, como é o caso do programa nuclear. Mas cita o Proálcool como um golpe de gênio, alem dos investimentos na Embrapa, Embraer, Petrobras e Fapesp casos de extremo sucesso!

    No livro HISTÓRIA DO BRASIL, do Boris Fausto, ele analisa o milagre sobre “aspectos”:

    Vulneráveis: excessiva dependência do sistema financeiro e do comércio internacional, além da necessidade cada vez maior de contar com produtos importados, sendo o petróleo o mais importante.

    Negativos: a natureza social – distribuição de renda, e abandono dos programas sociais pelo Estado.

    O autor, porém, destaca que no período de 69 a 73, o país cresceu a uma média de 11,2%, tendo chegado a 13% em 73!!! Mais adiante ele ressalta que os números brutos do governo Geisel apresentaram resultados satisfatórios, crescendo a uma média de 6,7% a.a. e ressalta como ponto negativo a crescente divida interna!

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, de fato as realizações do período militar ficaram diminuídas por causa do processo de vilanização da direita, ainda mais depois do escancarado apoio dos EUA. A esquerda, por outro lado, passou por um processo de vitimização que se transformou em capital político para a ascensão ao poder, inicialmente dos partidos de centro-esquerda, como o antigo PMDB e PSDB, e principalmente do PT de Lula.

      Talvez, se a revolução comunista se concretizasse no Brasil na década de 60, hoje a situação fosse invertida. A esquerda seria vilanizada não só pela tirania típica dos regimes comunistas, como também pelo fracasso do comunismo. A direita, por outro lado, poderia hoje ter o capital político de “heróis da resistência”, como, aliás, são vistos hoje os chamados “dissidentes” do regime cubano, os mesmos que Lula infelizmente comparou a criminosos comuns em sua visita a ilha de Fidel.

      Certamente vamos ter a oportunidade, ainda nesta série, de discutir um pouco mais também sobre este assunto.

  5. Muito interessante. Um pouco acadêmico, é claro, mas interessante. Vou acompanhar o desenvolvimento do assunto. Abraço.

  6. Sandro says:

    Amilton,

    um ponto que me chamou bastante atenção no livro do Boris Fausto, História do Brasil, ainda sobre o período do “milagre econômico” foi:

    “Os salários dos trabalhadores de baixa qualificação foram comprimidos, enquanto empregos em áreas como administração de empresas e publicidade valorizaram-se ao máximo. Tudo isso resultou em uma concentração de renda acentuada que já vinha de anos anteriores. Tomando-se como 100 o índice do salário mínimo de janeiro de 1959, ele caíra para 39 em janeiro de 1973. Esse dado é bastante expressivo se levarmos em conta que, em 1972, 52,5% da população economicamente ativa recebiam menos de um salário mínimo e 22,8%, entre um e dois salários. O IMPACTO SOCIAL DA CONCENTRAÇÃO DE RENDA FOI ENTRETANTO ATENUADO. A expansão das oportunidades de emprego permitiu que o número de pessoas que trabalhavam, por família urbana, aumentasse bastante. Por outras palavras, ganhava-se individualmente menos, mas a redução era compensada pelo acesso ao trabalho de um maior número de membros de uma determinada família.”

    Em relação a esse fato, me recordo de comentário do filósofo Olavo de Carvalho em um de seus recentes podcasts semanais, fazendo uma crítica ao modo como o governo Lula tirou os mesmos 30 milhões da miséria, afirmando que na época do milagre econômico foi com emprego, e agora com políticas assistenciais como o Bolsa Família!

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, não encontrei dados para confirmar a afirmação do historiador que vc citou, mas qualquer que sejam estes números, acho que evoluímos pouco socialmente no regime militar se considerarmos que foi nesta época quando tivemos as mais altas taxas de crescimento da nossa história recente. Se considerarmos também que existe uma relação direta entre o crescimento do PIB e o nível de desemprego, um resultado minimamente satisfatório para a época seria termos atingido o estágio de pleno emprego, o que não ocorreu. Aliás, o índice de desemprego no regime militar foi até maior que os registrados nas décadas de 50 e 60, quando estivemos mais próximos do pleno emprego.

      De qualquer forma , é muito difícil comparar os números de hoje com os do regime militar. A começar pela série histórica atual iniciada apenas em 2002. Mais recentemente o critério para medir o nível de desemprego é “não ter procurado emprego nos últimos 30 dias”. Ora, não precisa ser muito inteligente para ver o quanto é falha tal pesquisa.

      Além do mais, como vc mesmo citou em um outro momento, os número do próprio IPEA (órgão hoje muito contestado por fazer pesquisas com o objetivo de promover o governo) mostram que, apesar do índice geral de desemprego ter caído, “para os mais pobres, situados no primeiro decil da classificação feita pelo órgão (correspondente aos 10% com menor rendimento), o índice de desocupados avançou de 23,1% em 2005 para 33,3% em 2010, quando se verificou uma redução em relação ao ano anterior, quando a taxa ficou em 37,9%”. O seja, a o desemprego entre os 10% mais pobres aumentou quase 50% em apenas cinco anos.

  7. aliancaliberal says:

    Este texto é a dor em vida para os coletivistas.

    O salário representa a produtividade marginal do trabalho ou seja , vc recebe não pela sua importancia e sim pela sua raridade.
    São conhecidos como bens de produção ou bens de capital, os equipamentos e instalações — ou seja: bens ou serviços necessários à produção de outros bens ou serviços .
    …………….
    Os verdadeiros amigos e inimigos dos assalariados
    ……………..

    Quanto maior o respeito pelos direitos de propriedade e pela liberdade econômica dos empreendedores e capitalistas, maior o grau de poupança no sistema econômico, e, consequentemente, maior a demanda por mão-de-obra em relação à demanda por bens de consumo, e, consequentemente, maiores serão os salários em relação aos lucros. Ao mesmo tempo, quanto maior a demanda por bens de capital em relação à demanda por bens de consumo, maiores serão os incentivos para se desenvolver e introduzir produtos e métodos de produção mais aprimorados.

    O resultado dessa combinação é uma contínua acumulação de capital e uma crescente produtividade da mão-de-obra. O efeito do aumento progressivo da produtividade da mão-de-obra, no capitalismo, é um aumento progressivo da oferta de bens de consumo em relação à oferta de mão-de-obra, e, por conseguinte, uma redução progressiva nos preços dos bens de consumo em relação aos salários. (No cenário atual, em que há um constante aumento na quantidade de dinheiro, há também um crescente aumento na demanda monetária tanto por mão-de-obra quanto por bens de consumo. No cômputo final, os salários aumentam mais rapidamente que os preços. De um jeito ou de outro, o resultado é um aumento nos salários reais.)

    O aumento nos salários reais, resultado da poupança e da inovação de empreendedores e capitalistas, significa uma crescente capacidade dos assalariados em trabalhar menos horas por mês e de prescindir do trabalho de suas crianças. Mais ainda: tal postura dos empreendedores e capitalistas significa uma melhora crescente nas condições de trabalho, melhora essa que não é coberta pelo aumento da eficiência produtiva, significando um gasto a mais para os patrões. Nesse sentido, a poupança e a inovação dos empreendedores e capitalistas são de fato as responsáveis por todas as melhoras nas condições dos assalariados — algo que é tipicamente, e de modo completamente errôneo, atribuído aos sindicatos e às legislações trabalhistas.

    Sim, há momentos em que os patrões de fato tratam seus empregados desrespeitosamente, chegando até a tratá-los como se fossem essencialmente algo sem valor. Porém, o que provoca tais condições é um excesso de oferta de mão-de-obra disponível em relação à quantidade de mão-de-obra demandada. Em tais condições, um empregador não precisa temer a perda de um empregado, pois este pode imediatamente ser substituído por outros desempregados. Sendo assim, o empregado estará sempre disposto a tolerar abusos, simplesmente por medo de ser demitido e não ser capaz de encontrar outro emprego.

    Porém, o que provoca essa situação é justamente o fato de os salários serem mantidos muito acima da relativa demanda por mão-de-obra. Isso surge naturalmente em um ambiente em que há um sistema bancário de reservas fracionárias, cuja expansão do crédito é sempre seguida de uma contração financeira e os salários quase nunca caem até o nível requerido por essa contração econômica. Se os salários pudessem cair livremente, a quantidade de mão-de-obra demandada aumentaria, igualando-se à oferta disponível. Nesse ponto, a escassez de mão-de-obra seria sentida e o empregado deixaria de ser algo instantaneamente substituível por outros desempregados. Ademais, ele estará em condições de encontrar outros empregos, e dessa forma não aceitará sofrer abusos.

    A solução, novamente, é o livre mercado. E, ironicamente, na medida em que os sindicatos e as leis do salário mínimo impedem o ajuste dos salários à demanda por mão-de-obra — e, por conseguinte, impedem o avanço natural do mercado a uma situação de pleno emprego —, ambos são responsáveis pelos maus tratos dos trabalhadores, algo de que seus defensores sempre reclamam. (Situação idêntica acontece com usuários de serviços públicos monopolizados pelo governo, que sempre são tratados como objetos sem valor. Como a demanda é sempre maior que a oferta, e qualquer “cliente” pode ser instantaneamente substituído por outro, os usuários têm de resignadamente tolerar abusos, pois não têm para onde mais ir.)

    A redução nos salários necessária para eliminar o desemprego serve para aumentar a produção ao mesmo tempo em que reduz os custos de produção. Serve, portanto, para reduzir os preços. Também elimina o fardo de os trabalhadores terem de sustentar os desempregados. Como resultado, é praticamente certo que tal medida resultará em um aumento do salário líquido real.

    Texto completo http://migre.me/433jh

    • Amilton Aquino says:

      Olá Liberal, este seria o mundo capitalista perfeito. Infelizmente, na prática, o mais próximo que chegamos disso foi a experiência dos tigres asiáticos. O problema é que não dá para tomar estes países como referência pois suas economias tem muito a ver com a cultura asiática, muito voltada a poupança e a produção para exportação. Em escala global, portanto, tal modelo seria impossível, pois não dá para todo mundo ser superavitário. Seria necessário encontrar um equilíbrio entre os ultra competitivos asiáticos e as decadentes economias ocidentais para construirmos um capitalismo global realmente sustentável. Da forma como estamos caminhando, vamos passar por várias outras crises, infelizmente.

  8. aliancaliberal says:

    Só para completar e já abusando mas é importante ver o mecanismo de redução de horas trabalhadas em um sistema capitalista sem a necessidade de que sindicatos ou governos interfiram.
    ………
    Ainda nos primórdios da Revolução Industrial, a produtividade da mão-de-obra ainda era tão baixa, que muitas pessoas precisavam trabalhar 80 horas por semana para poder ganhar o bastante para sustentar a família.

    Duas gerações depois, a produtividade aumentou a tal ponto — graças ao aprimoramento dos bens de capital introduzidos por empreendedores e capitalistas –, que esse trabalhador passou a ter duas opções: manter as 80 horas semanais, mas ganhando o dobro do que ganhava há duas gerações (por causa da maior produtividade), ou escolher empregos de 70 ou 60 horas semanais que agora pagavam quantias maiores do que pagavam os empregos de 80 horas de duas gerações anteriores.

    Embora os empregos de 80 horas por semana pagassem mais que os empregos de 70 ou 60 horas, estes últimos agora ofereciam o suficiente para a maioria das pessoas dispostas a aceitá-los.

    À medida que mais trabalhadores foram optando pelos salários relativamente menores pagos pelas jornadas mais curtas, a concorrência no mercado de trabalho levou a uma redução do número de horas da semana média de trabalho. Sempre que os empregadores tinham de concorrer entre si para conseguir mão-de-obra, a oferta de jornadas menores era um poderoso meio de recrutar mão-de-obra. E foi assim que as horas de trabalho foram sendo reduzidas, sem nenhum decreto governamental.

    O desejo dos trabalhadores por jornadas menores fez com que fosse mais econômico para os empregadores oferecer essas jornadas menores. Isso porque, na medida em que os trabalhadores foram optando por jornadas menores, eles ficaram mais dispostos a aceitar empregos cujos salários eram proporcionalmente menores do que a redução nas horas de trabalho.

    Exemplo: um trabalhador, ao preferir uma jornada de 60 horas ao invés de 80 horas (redução de 25%), aceitou fazê-lo por salários que eram mais do que 25% menores do que os salários pagos nas jornadas de 80 horas. Isso quer dizer que, em termos de custos unitários de produção, um empregador que oferecesse uma jornada menor iria correspondentemente ter custos unitários menores do que empregadores que exigissem jornadas maiores.

    Isso representou uma redução de custos maior do que a que ocorreria caso o trabalhador pudesse apenas aumentar sua produtividade com uma jornada menor, mas sem a correspondente redução salarial de 25%.

    E tudo isso, lembre-se, não é apenas teoria; são fatos reais.

    http://migre.me/433jh

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, discordo sobre esta questão da redução das horas trabalhadas. A história nos mostra que este foi um processo longo e doloroso, fruto de vários embates entre trabalhadores e patrões. Neste caso específico, a autoregulação capitalista só funciona nos países que estão na crista da onda. Onde houver excesso de mão-de-obra certamente vai haver exploração. Neste caso, é imprescindível uma legislação. O ideal é que esta fosse global, pois assim colocaria todos em pé de igualdade. Infelizmente, ainda hoje temos registros de jornadas de trabalho que estão mais próximas dos tempos da escravidão do que realmente da era da globalização.

  9. Sandro says:

    Amilton,

    Só como referência, o livro fonte é:

    BORIS, Fausto. História do Brasil. EDUSP, São Paulo: 2000 p. 487

    Sempre li comentários que este seria o melhor livro de história do Brasil.

    Acerca dos dados do IPEA que eu havia citado, mostrando que o desemprego entre os mais pobres tinha aumentado 50% nos últimos 5 anos, será que não foi justamente por causa das políticas assistencialistas: entre trabalhar e ganhar pouco e não trabalhar e ganhar quase o mesmo é melhor ficar em casa, ou no máximo fazer uns bicos sem carteira assinada?!

    Abs

    • Amilton Aquino says:

      Sandro, certamente sua hipótese se aplica a muitos casos. No entanto, acredito que o peso maior neste número é o fato de que o mercado de trabalho exigir cada vez mais especialização e, portanto, um maior nível de educação. Neste ambiente, a parcela mais pobre tende a fica ainda mais marginalizada.

  10. Gilx says:

    Amilton,
    Se não for pedir muito, você poderia mostrar dados/exemplos sobre como o IPEA, que é “hoje muito contestado por fazer pesquisas com o objetivo de promover o governo”? Falando nisso, por que mudaram as regras para medir a dívida pública a partir de 2007?
    Se até os números da economia estão sendo maquiados pelo marketing institucional, aonde é que vamos parar com tantos sofismas?????

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx, todo mundo sabe que os dados estatísticos podem obter vários significados de acordo com o tratamento e o objetivo que são “trabalhados”. O que esperar então de um órgão aparelhado, subordinado a um governo populista? Pesquisas do tipo “Ipea acredita que Brasil será uma das Maiores Economias do Planeta” ou “IPEA mostra que inchaço da máquina pública é mito” são apenas alguns dos exemplos de pesquisas feitas para agradar o chefe.

      Com relação à mudança na metodologia da contabilidade da dívida pública, escrevi um post específico, o qual pretendo atualizar brevemente com novas informações. Segue o link: http://www.visaopanoramica.net/2009/10/10/lula-e-a-divida-publica-parte-7/

  11. aliancaliberal says:

    “Liberal, discordo sobre esta questão da redução das horas trabalhadas”,”Isso surge naturalmente em um ambiente em que há um sistema bancário de reservas fracionárias, cuja expansão do crédito é sempre seguida de uma contração financeira e os salários quase nunca caem até o nível requerido por essa contração econômica.”
    ……
    Vc deu referencia aos tigres asiaticos eles não são um exemplo de capitalismo de livre mercado, o estado interferiu muito tanto que entraram em crise.
    Este modelo capitalista teve pleno exito na Inglatera, Alemanha, paises baixos,EUA.
    ……..
    http://www.youtube.com/watch?v=3bofJMwOdAQ da uma olhada no video e a segunda parte se tiver tempo veja o primeiro e terceiro.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal, como vc bem disse, o ambiente para a redução de horas trabalhadas induzida pelo próprio mercado depende de um equilíbrio econômico muito difícil de ser conseguido. Em um ambiente onde sobra mão de obra, sem legislação trabalhista, certamente temos exploração.

      Sobre os exemplos atuais de capitalismo mais bem sucedidos, os EUA e os europeus também tiveramseus momentos de intervenção estatal, tanto que os nórdicos são hoje a referência para os esquerdistas modernos. A Inglaterra cambaleia já algum tempo, os EUA nem se fala, de forma que na Europa hoje só restam a Alemanha e os países baixos.

      Ou seja, a rigor não temos ainda nenhum exemplo de país que tenha de fato seguido o liberalismo proposto pela escola austríaca.

      Quando cito os asiáticos é porque são eles hoje os mais competitivos do mundo globalizado.

      Sobre a Ayn Rand, de fato foi uma mulher muito a frente do seu tempo. Vendo hoje a entrevista parece ainda mais atual, pois seus temores se concretizaram.

  12. aliancaliberal says:

    O estatismo é enraizado em nossa cultura mesmo eu ainda me vejo as vezes pensando em mecanismos estatais de controle, dificil largar um “vicio” de anos.
    ………..
    O salário minimo não deixa de ser um controle de preços e sabemos que controlar preços em uma economia sempre gera distorções.
    ………
    A sua preocupação sobre a exploração em cima dos trabalhadores tambem é a minha ,mas quando vejo que alguem que recebe 13000 reais ao ano (salário minimo) depois de descontados todos os impostos (incluindo os compulsórios)leva pra casa 7000 ao ano e ao consumir incide a carga tributária de 35% o que significa que os 7000 se tornam 4000,ou seja recebe 13000 e na realidade é 4000. Os numeros são apenas representativos .
    ……….
    Eu já perguntei a diversos contadores e não obtive resposta ,quanto o estado “rouba” do trabalhador eo que efetivamente ele leva pra casa.
    Se vc chegar e perguntar a um trabalhador quanto ele paga de INSS ele vai dizer que paga 8% e o patrão paga 22%(não sei exato e pq varia), na verdade o empregador não paga este imposto ele apenas deixa de dar ao trabalhador e dá para o governo ,sai do trabalhador este dinheiro não do empregador,para o empregador não faz diferença pagar para o empregado ou para o governo o custo é o mesmo.
    …….
    Parece me que isso sim é exploração.
    ………
    Não achei nenhum estudo sobre isso ,sobre a “mais valia estatal”.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Aliança, de fato são tantos vícios que começamos a achar normal coisas absurdas, como, por exemplo, o fato de quase todos os países deverem somas astronômicas, mesmo os mais ricos. É claro que existe algo errado nesta equação. Os políticos, fazendo populismo com dinheiro público, agigantam os gastos do Estado, tornando a soma que retira do cidadão através dos impostos sempre insuficiente. E aí fabricam receitas extras através da emissão de títulos e assim vão jogando a conta para os nossos filhos e netos. Depois que a crise chega, a culpa é do capitalismo.

      De fato, tanto a tributação de produtos como de salários passa despercebida pela maioria da população. O problema, no entanto, não é a tributação e sim o percentual de tributação e o retorno obtido pelo cidadão. Se o nível de tributação é alto, como nos países nórdicos, por exemplo, mas o cidadão tem serviços de qualidade, o imposto é justificado, o que está muito longe da nossa realidade.

      Quanto à questão do INSS, o percentual que vc citou está correto. E aí temos mais uma distorção, pois no caso dos funcionários públicos, os 22% que eram para serem pagos pelo patrão (no caso o Estado) à Previdência (que também é Estado), acabam como peça de ficção, pois entram naquele truque contábil de que um crédito anula um débito e ponto final. Na prática, o financiamento da aposentadoria dos funcionários públicos recai mesmo sobre as costas do contribuinte da iniciativa privada. Como resultado, temos os 10% de aposentados com funcionários públicos ocasionando metade do déficit da Previdência. Portanto, quanto mais funcionários públicos, mais rombo na Previdência.

      Mas como ninguém está nem aí para o Estado, continuamos alimentando o sonho de garantir um emprego estável em alguma repartição pública qualquer. Assim fingimos trabalhar, garantimos o nosso futuro e o resto que se exploda.

  13. Priscila Lima says:

    Apenas um registro para fazer justiça. Faltou citar Friedrich Engels como co-autor do socialismo científico, tanto que alguns historiadores preferem referir a “Marx-Engels” quando citam suas teorias. No mais, achei interessante muito oportuna a abordagem. Vou indicar a amigos 🙂

  14. aliancaliberal says:

    Em resumo 8%+22% de INSS + 4% de FGTS = 34% de descontos antes de receber e 35% depois de receber o salário= semi escravidão estatal 69% da renda do trabalhador fica com o governo.

    • Amilton Aquino says:

      Resumiu bem, Liberal. E olha que a tendência é de aumentar ainda mais os “35% depois”, pois não custa lembrar que o governo já se mobiliza para a volta da CPMF. Se todo mundo tivesse consciência disso, talvez as coisas fossem diferentes. Os parlamentares de oposição poderiam contribuir com aprovação de uma lei que incluísse nas embalagens dos produtos o percentual que esta indo para o governo.

  15. Aurélio says:

    Sou professor de história e senti falta do registro histórico da orígem das terminologias “esquerda” e “direita”, as quais foram utilizadas pela primeira vez na França, onde os membros do Terceiro Estado se sentavam à esquerda do rei enquanto os representantes da nobreza se sentavam à direita. No mais, o artigo está ótimo.

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado Aurélio pela sugestão. Como o foco da série é a economia, então este detalhe acabou sendo ofuscado. Vou ver uma forma de encaixar também esta informação no texto. Abraço e volte sempre.

  16. Alan Patrick says:

    A origem e os objetivos da Direita e da Esquerda:
    “A noção política de esquerda e a de direita teve início na revolução Francesa de 1789 e,de certo modo,manteve-se até hoje. A esquerda é favorável às transformações sociais profundas(reforma agrária,distribuição de renda mais igualitária,ensino público de altíssimo nível,socialismo em vez de capitalismo etc.),reivindica a ampliação dos direitos para os trabalhadores. Os social-democratas(socialistas reformistas) eram de esquerda, os comunistas eram de extrema esquerda. Os anarquistas eram de extrema esquerda, embora não tomassem parte das eleições. O centro é uma espécie de direita moderada. É o caso, por exemplo , dos liberais que defendem o capitalismo e as instituições tradicionais. A direita é conservadora , repudia mudanças sociais profundas e afirma que as medidas a favor dos trabalhadores prejudica a nação. A extrema direita defende ditaduras violentas e o fim dos direitos mais elementares do povo. Os fascistas são de extrema direita. O racismo,o darwinismo-social, o etnocentrismo, a ideologia do destino manifesto são versões dos ideais políticos de direita.”
    Fonte:Nova História Crítica
    Autor:Mario Schamidt

    • Amilton Aquino says:

      Allan, o trecho que vc citou é de um livro para alunos da sexta-série. Como vc deve saber, quando falamos para crianças, temos que simplificar, generalizar um pouco as coisas. Daí a forma infantil como o autor descreveu em apenas um parágrafo as várias vertentes de pensamento dos três últimos séculos!

      Não sei se vc sabe também, mas o historiador que vc citou ficou mais conhecido por ter sua obra reprovada pelo próprio MEC por vários erros conceituais. Isto, apesar do descarado objetivo de enaltecer o pensamento de esquerda, como fica nítido no pequeno trecho citado por vc.

      Mas o problema não é apenas deste “historiador”. A maioria deles se deixam levar pelo idealismo e acabam reforçando o estereótipo de que os esquerdistas são os bonzinhos, que defendem educação pública de “altíssimo” nível, que querem melhorar o mundo e os direitistas são um bando de mau-caráter que querem apenas manter seus status e explorar cada vez mais o pobre do trabalhador!

      Que os ideais de esquerda são nobres e desejáveis não se discute. O problema são os meios de se chegar a tais objetivos. Eu posso ser ético, desejar um mundo melhor e igualitário, mas seu eu não acreditar nos meios defendidos pelos esquerdistas para se conquistar tais ideais sou tachado de direita. Não existe meio termo. Se não for de esquerda, o sujeito tem que ser obrigatoriamente de direita, reacionário, conservador, etc, etc.

      Como a história demonstrou, até aqui os esquerdistas erraram mais que acertaram, de forma que a cada ano abraçam mais bandeiras liberais. A discussão não é mais a dicotomia capitalismo x socialismo. O que sobrou foi a dicotomia entre duas vertentes capitalistas: ortodoxos x heterodoxos. Ou seja, liberais clássicos x keyenesianos.

      Mesmo assim os esquerdistas continuam se achando os donos da verdade.