Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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E agora Dilma? (parte 3)

dilma_cortando_gastosOlá amigos, nesta terceira e última parte sobre nossas impressões sobre os primeiros dias do novo governo, vamos falar de mais alguns dilemas que a nova presidente está tendo que enfrentar por causa do populismo do seu antecessor, que pensou mais nas eleições do que realmente no bem do país.

Como prevemos aqui, as “faturas” da farra eleitoral começaram a chegar. Se você não leu ainda os posts anteriores, clique nos links: parte 1, parte 2.

.Juros aumentando

E como também era previsto, os nossos juros voltaram a subir. Pior: com uma tendência de alta para os próximos meses, o que significa que vamos continuar no pódio das taxas de juros.

Temos aqui um dos principais fatores para o aporte maciço de dólares para o nosso país nos últimos anos, pois enquanto no primeiro mundo os juros praticamente zeraram, aqui já voltamos à casa dos dois dígitos já na primeira reunião do Banco Central do novo governo. Resultado: mais dólares no mercado, o que significa mais queda da moeda norte-americana, que significa mais valorização do Real, que significa mais queda na nossa competitividade, que significa mais déficit nas transações correntes, que, por sua vez, podem nos levar a uma grave crise cambial.

Mas porque nossos juros continuam os mais altos do mundo já que nossa economia vai tão bem? (ou pelo menos parecia tão bem?). E eis que o ciclo se fecha e voltamos à questão inicial tratado no primeiro post desta série: os juros são altos porque o governo gasta muito, muito mais do que deveria, como aliás o novo governo já admitiu.

Sem dinheiro para quitar os títulos da dívida pública que vencem a cada mês, o governo lança novos títulos no mercado atraindo os “investidores” com altos juros e vai empurrando a dívida com a barriga, apesar desta continuar consumindo o maior “orçamento” do governo, superando inclusive a problemática previdência, que por sinal, tem um rombo cada vez maior a cada ano.

O Tesouro, por sua vez, é pressionado a “repassar” recursos para o BNDES, que, por sua vez, é pressionado a “repassar” recursos para a iniciativa privada tocar os mega-projetos do Governo, que, por sua vez, aumenta nossa dívida bruta (que já está na casa dos R$ 2,4 trilhões), que, por sua vez, volta a pressionar os juros para cima, pois exigem mais pagamentos de juros no futuro e a emissão de novos títulos para renovar os vencidos. E assim se fecha mais um círculo vicioso na nossa economia. Isto sem falar no aumento da pressão inflacionária provocada pela entrada no mercado do dinheiro financiado pelo próprio governo, que já fica com o prejuízo de pegar dinheiro à vista no mercado a juros de mais de 10% e emprestar a 5%, a prazos a perder de vista. Isto se não levar calote.

Indústria perdendo competitividade

E como previam os especialistas, as medidas tomadas para conter a entrada de dólares no país pouco adiantaram. O dólar continua subvalorizado e alguns setores da indústria já começam a jogar a toalha. A Azaléia, por exemplo, vai transferir sua produção para a Índia, pois hoje é mais barato produzir lá e exportar para o Brasil.

E aqui vem à tona mais um erro do governo Lula, pois no momento da bonança, quando deveríamos ter reduzido o chamado “custo Brasil” para aumentar a competitividade da nossa indústria e se preparar para a crise cambial que há muito tempo se desenha, o governo remou na direção contrária, defendendo a alta carga tributária para financiar o “estado forte” que emergiu da crise de 2008. E olha que a coisa não ficou ainda pior porque a oposição conseguiu sua única vitória sobre Lula, ao derrotar a proposta de recriação da CPFM, a mesma que o PT tanto criticou quando oposição. Se tivesse reduzido o chamado “custo Brasil”, hoje a indústria teria um pouco mais de fôlego para suportar o câmbio desfavorável.

Mas o governo tenta esconder a realidade com os números recordes de 2010, quando a indústria cresceu 10,4%, um resultado superior inclusive ao elevado crescimento do PIB, que já foi recorde. O problema é que tanto o resultado final do PIB, quanto o crescimento da indústria estão inflados pela demanda reprimida durante a crise de 2008. Em outras palavras, o crescimento recorde de 2010 só ocorreu porque houve uma retração de 0,2% na economia no auge da crise internacional. Durante a crise as pessoas adiam as compras e esperam o cenário melhorar. Como a China e a Índia continuaram crescendo em ritmo acelerado, mesmo no momento mais agudo da crise, o Brasil rapidamente retomou o ritmo crescimento, a partir do momento em que as pessoas decidiram voltar às compras, trazendo consigo toda a demanda reprimida por meses de crise. E aí então chegamos aos números recorde de 2010.

O que eles escondem, no entanto, é que mesmo com os 10% de crescimento da indústria em 2010, o nível de produção ficou ainda 2,4% menor que a época pré-crise, no primeiro semestre de 2008. Pior: a indústria apresentou uma gradativa e constante desaceleração no fantástico ano de 2010, com perspectiva de desacelerar ainda mais em 2011.

Mudanças na política salarial

Uma das vantagens da vitória de Dilma nas últimas eleições foi que caiu no colo dela a responsabilidade de resolver o abacaxi do mínimo. A nova presidente já percebeu que a política salarial acordada entre Lula e as centrais sindicais (passando por cima do congresso, diga-se de passagem) joga ainda mais lenha na fogueira da inflação, além de complicar ainda mais as contas públicas. Resultado: Dilma em seu primeiro discurso no Congresso já avisou que pretende aprovar uma nova política salarial “de longo prazo”.

É interessante observar, no entanto, que a política de Lula estava prevista para vigorar até 2023! Se o problema da política de Lula, portanto, for o “prazo” então deduzimos que a nova proposta de Dilma deverá se estender a pelo menos 2030! Brincadeirinha. O “longo prazo” aqui tem outra semântica. Veremos.

E aqui temos mais um “ponto de inflexão” entre os governos Dilma e Lula, apesar do PT continuar negando (aprenderam com Maluf) e jogando a culpa pelas “divergências” na “mídia golpista”.

Mudança na política externa

Ainda é cedo para comemorar, mas os primeiros passos da nova presidente no quesito política internacional foram bem sucedidos. Além de censurar o amigo iraniano de Lula, Dilma também ousou contrariar uma decisão que já havia sido tomada por seu antecessor desde o dia 7 de setembro de 2010: a compra dos jatos aos franceses.

A presidente foi além e já ensaia uma reaproximação com os EUA, reabrindo, inclusive, a possibilidade de acordo com os norte-americanos para a compra dos jatos.

Não vamos entrar no mérito da questão ideológica de se posicionar contra ou a favor dos EUA, mas o que não dá para entender é o porquê do Lula se dar tão bem o Bush, que esnobava o Brasil, e se afastar de Obama, que chegou, inclusive, a encher a bola do “cara”, do Brasil e dos demais emergentes na recuperação da economia global, além de estar tentando melhorar a postura dos EUA em relação ao mundo.

Lamentáveis pontos em comum

Mas as “mudanças” param por aí. Na sua essência, o novo governo continua com a equivocada idéia de aumentar a participação do Estado na economia. E mesmo que a presidente mude de idéia sobre este assunto terá grandes dificuldades em lidar com o PT, cujos tentáculos estão cada ano mais enraizados na máquina pública.

E como conseqüência do agigantamento do Estado, o governo continua com o seu apetite em aumentar a nossa já altíssima carga tributária, tanto que já colocou o bloco na rua para ressuscitar a CPMF, a mesma que tanto combateu no governo FHC.

Vale lembrar que o Brasil já é campeão de carga tributária na América Latina (35% do PIB), enquanto que a média dos nossos vizinhos é de 24%. A diferença, aliás, é um dos motivos do Brasil, mesmo com toda a publicidade lulista, crescer em ritmo inferior a média da América Latina nos últimos anos.

Um outro ponto lamentável do governo Lula que parece intacto é a maquiagem das contas públicas. Como se não bastasse a mudança da contabilidade da dívida pública, a inclusão de “receitas extras” para fechar as contas e as trocas de títulos entre estatais, o governo Dilma, além da absurda proposta de retirar os alimentos do cálculo da inflação, agora já anuncia também a retirada das obras do PAC do superávit primário. Assim, o governo ganha mais “fôlego contábil” para continuar aumentando os gastos, sem contaminar os números da dívida.

Por fim, e não menos lamentável, o novo governo já começa com escândalos de corrupção antes mesmo da nomeação.

O triunfo do “toma-lá-dá-cá”

A votação do mínimo deu uma prévia do que veremos nos próximos anos. O governo mobilizando sua bancada para votar em bloco e aprovando tudo que quer (afinal de nada vale a opinião dos congressistas e, por extensão, da população) e a oposição tentando faturar politicamente alguns temas “populares”. Ou seja, PSDB e DEM tentam agora se espelhar no Lula, fazendo politicagem com o mínimo.

Aliás, a própria formação da equipe do novo governo foi algo inédito na nossa história. Pela primeira vez, tivemos “cota do presidente eleito”, “cota do ex-presidente”, “cota do PMDB” e até “cota de Sarney”. Uma verdadeira institucionalização do “toma-lá-dá-cá”.

O mais lamentável disso tudo é que Lula teve todo o apoio popular que precisava para exigir do congresso uma postura menos pelega. Não pode nem usar a desculpa da “governabilidade” para justificar suas relações escusas com os “partidos aliados” porque em seus oito anos a única votação importante que promoveu foi a mini reforma da previdência, ainda no primeiro mandato, e que nem sequer colocou em prática, diga-se de passagem. E olha que Lula prometeu cinco grandes reformas no discurso de posse do primeiro mandato.

Como resultado, Sarney continua por cima, intocável, protegido por Lula e por Dilma. Seus pupilos continuam dando as cartas nas jóias da coroa, as estatais. Os mensaleiros estão todos de volta, não só ocupando cargos importantes no novo governo, como também no congresso, pois agora vão dividir com Paulo Maluf o comando da comissão que vai cuidar da reforma política!!!

Não custa lembrar que Lula prometeu que, quando deixasse a presidência, iria se dedicar “de corpo e alma” à tal reforma!

Conclusão

Todos dilemas que Dilma se defronta hoje poderiam ter sido evitados, ou pelo menos atenuados, caso Lula fosse mais responsável com os gastos públicos e menos preocupado com sua popularidade. Hoje teríamos menos pressão sobre a dívida, menos pressão sobre o Real, menos pressão inflacionária, menos pressão sobre os juros, menos pressão sobre a balança comercial, menos pressão sobre a indústria, menos déficit em transações correntes e, por fim, um congresso menos ruim.

Provavelmente teríamos tido um crescimento inferior aos registrados em 2008 e 2010, porém mais consistente e sustentável. Não precisaríamos agora pisar no freio do crescimento, do crédito, da inflação, das importações, nem dos gastos. E certamente hoje não estaríamos na iminência de pagar um grande mico na Copa, já que, pela primeira vez na história, a FIFA ameaça colocar em prática um plano B, caso o Brasil não consiga cumprir os prazos.

O fato é que, por ter tido muita sorte ao remar a favor do vento da economia global, o governo Lula se acostumou a planejar tudo da forma mais otimista possível, sem considerar os reveses comuns ao capitalismo, e sempre contando com arrecadações recordes.

Enquanto o cenário externo esteve favorável, a economia brasileira continuou crescendo e atendendo a sede de gastos do governo. Agora que o cenário mudou um pouco, as irresponsabilidades do governo anterior começaram a vir à tona.

E a coisa só não está pior porque o cenário para os países emergentes continua muito favorável. Além de continuar pegando carona no crescimento da China, o Brasil continua contrabalançando seus déficits com a valorização das commodities.

Para os próximos anos, o governo conta com o aumento da produção de petróleo para fechar as contas. Ou seja, se tudo der certo, vamos continuar no limite dos gastos públicos e nos enganando, achando que estamos no rumo certo até que os ovos da galinha de ouro cessem e caiamos na real, como, aliás já aconteceu a tantos outros países. Lembram da Grécia emergente do final dos anos 90?

E o pior é que daqui a pouco vai começar a aparecer apoiadores de Lula criticando Dilma justamente por ela ter que fazer o que ele protelou. Aliás, já tivemos o primeiro exemplo disso na aprovação do mínimo, quando as centrais sindicais se posicionaram contra o governo.

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10 Responses to E agora Dilma? (parte 3)

  1. Gilx says:

    Amilton,
    Já que vc não quis (para evitar digressões no assunto do post) entrar no mérito da questão em relação à ideologia do PT quanto ao EUA, gostaria que falasse um pouco aqui sobre isso nos comentários.
    Por que o governo Lula foi tão próximo ao republicano Bush e se afastou do democrata Obama que, em termos comparativos, seria a “esquerda” americana?

    • Amilton Aquino says:

      Gilx, a aparente contradição tem a ver com a inversão do panorama mundial que aconteceu na última década. Os EUA do início dos anos 2000 eram a única superpotência do mundo pós-comunismo. Entrar em rota de colisão com os norte-americanos, portanto, não era um bom negócio pra ninguém, principalmente para um país como o Brasil que tentava entrar de fato no clube dos emergentes.

      A parir da crise de 2008 tudo mudou. Os países do primeiro mundo afundaram e os emergentes assumiram o papel de locomotiva do mundo. O PT aproveitou a crise no coração do capitalismo para justificar sua sede de aumento do poder do estado sobre a economia e Lula, no auge da popularidade, se sentiu com prestígio suficiente para tentar retomar um pouco da sua postura anti-americana dos tempos de oposição, afinal esta foi uma das formas que o PT encontrou para se diferenciar um pouco do PSDB, pois até então o “sucesso” petista dependia única e exclusivamente das políticas econômicas implantadas pelo PSDB, principalmente a medida em que as eleições se aproximavam.

      Aliás, esta mudança de postura de Lula serve também para desmistificar a crítica que os adoradores do “cara” frequentemente fazem a FHC, ao comparar as posturas dos dois presidentes em relação aos EUA. Ou seja, o grau de prestígio do governo está diretamente ligado ao desempenho da economia. Ou seja, se Lula tivesse sido presidente em 1998 teria tido uma postura ainda mais passiva em relação ao primeiro mandato, algo bem parecido com o que criticam em FHC.

  2. aliancaliberal says:

    Brasil é um país anomico?

    anomia social

    O desenvolvimento económico depende de variáveis sociológicas, uma das quais é o nível de anomia de uma sociedade. O conceito foi difundido pelo sociólogo norte-americano Robert K. Merton, a partir do de estrutura social, onde existe um nível de anomia. Por estrutura social entenda-se a configuração da organização interna de qualquer grupo social. A anomia social, como já Émile Durkheim recordava, refere-se pois ao grau em que as partes que compõem a estrutura social estão integradas. A estrutura social é determinada, em boa parte, pelas metas a atingir pelos indivíduos (ser rico, famoso, culto…) e pelas regras para as atingir (leis, costumes…).
    ………..
    A anomia surge quando as normas de conduta estabelecidas como regras pela sociedade para se alcançar metas sociais não estão devidamente integradas nestas. A anomia ocorre pois quando os indivíduos se sentem incitados a violar as normas para poder alcançar as metas. Também poderá surgir anomia social, ainda segundo Merton, quando a cultura der mais importância ao alcance das metas (os valores que definem as metas) do que às normas sociais ou regras para se atingirem aquelas de modo legítimo (valores que definem as normas sociais). Assim, quando os grupos sociais aceitam aquele que atinge as metas sociais, mesmo matando ou por outros meios ilícitos, está-se a fomentar o estado de anomia na sociedade.
    …….
    O termo anomia é assim usado para explicar os desvios face às normas sociais por parte de certos grupos (condutas desviadas anormais), como no caso dos Estados Unidos, onde Merton aplicou a sua teoria. Nos países menos desenvolvidos, porém, a conduta desviada dos valores da sociedade é mais norma do que exceção. Nestes, o nível de anomia social é maior do que nos países mais desenvolvidos, onde há mais falhas nos sistemas judiciais e maiores possibilidades de se “burlar” as leis, embora o mesmo não deixe de ocorrer no mundo desenvolvido. A corrupção aumenta também a anomia social, que é por isso causada pela falta de capacidade de travar, pela sociedade, aqueles que violam normas para alcançar metas.
    ………
    Também se pode entender por anomia social quando nos referimos a situações em que as instituições sociais utilizadas para que se faça cumprir as leis falhem nos seus objetivos, como as polícias, os tribunais, as prisões. Quanto maior for a incapacidade das instituições para fazer com que se cumpram as leis maior é o grau de anomia social. Quando não se consegue cumprir a lei, não há integração possível entre as metas e as normas sociais, surgindo a anomia social.

    Fonte :http://migre.me/40bx0

    A ascensão do PT ao poder não iniciou mas agravou muito o estado anomico , esta desmoralização do nosso país vai levar anos para ser revertido.
    ………
    um exemplo claro disso o cidadão que trabalha não terá qualquer aumento de salario(salário minimo) ,a pessoa que não trabalha receberá entre 19% a 47% de aumento (bolsa familia),qual o recado que está sendo dado a o povo?.

    Aquele que cumpre a lei moral é punido ,aquele que não cumpre será beneficiado.Quanto mais tentar seguir essa lei, mais a sofrerá; quanto mais violar, mais lucrará.

    “Os honestos pagavam, e os desonestos lucravam. Os honestos perdiam, os desonestos, ganhavam. Com esse tipo de padrão do que é certo e errado, por quanto tempo os homens poderiam permanecer honestos?”ayn rand a revolta de atlas.

    • Amilton Aquino says:

      De fato Aliança, Lula não só dissolveu os partidos políticos, como ainda piorou nossa anomia social, que Durkheim tão bem descreveu. Com exceção da Polícia Federal, todas as instituições pioraram nos últimos anos. Hoje, mais do que nunca, para o povão vale o bordão popular que consagrou Maluf: “rouba, mas faz” ou do Robin Hood: “rouba e distribui com os pobres”.

  3. Tere Moreira says:

    Vocês está certo. Vamos pagar o maior mico na Copa do Mundo. Ontem (domingo) estive no aeroporto do Galeão, apesar da maioria das pessoas terem viajado na sexta e no sábado, o aeroporto estava lotado. Na tinha lugar para estacionar, as filas eram enormes e muito atraso. Passando pela Linha Vermelha o cheiro era horrivel. Eles não vão conseguir limpar tudo até a Copa.

  4. Luiz Carlos says:

    Sr. Amilton Aquino, em apenas 40 segundo Joelmir Beting mostra CINCO motivos irrefutáveis porque foi melhor votar em Dilma em vez do Serra:
    http://www.youtube.com/watch?v=PIc6t_UOBp8

    Contra fatos não há argumentos.

    • Amilton Aquino says:

      Sr. Luiz Carlos, os números citados por Joelmir já foram bastante debatidos aqui. O problema é que a maioria das pessoas confunde os resultados da economia com os resultados do governo. O governo Lula não fez nenhuma reforma para melhorar nossa economia. As poucas reformas que tivemos foram feitas antes de Lula. Os resultados, no entanto, foram colhidos pelo “cara”, que ainda teve a sorte de governar o país em um momento em que o PIB mundial duplicou em apenas seis anos, bem diferente da era FHC, onde o PIB mundial aumentou de US$ 30 trilhões para US$ 33 trilhões. Ou seja, governou na inércia.

      Pode ter certeza que, qualquer que fosse o presidente no lugar de Lula os números que o Joelmir citou não seriam muito diferentes. Aliás, poderiam sim ser melhores, caso o presidente fosse realmente um estadista e não um populista.

      E apesar de ser um crítico de Lula (e ter votado no Serra), não tenho o menor problema em admitir as vantagens de eleger a Dilma, motivos que citei aqui antes mesmo da eleição (leia a série “Os desafios do pós-Lula”: http://www.visaopanoramica.net/2010/10/10/os-desafios-do-pos-lula-macroeconomia/). Aliás, são os mesmos motivos que me motivaram a escrever esta nova série, pois, como vc pode ver, ela agora está tendo que arrumar a casa bagunçada por Lula no esforço de elegê-la. Se tivéssemos o Serra hoje no Lugar da Dilma realmente teríamos problemas ainda maiores, pois, além de ter que cumprir a promessa eleitoreira do aumento do mínimo para R$ 600, este teria que fazer o que a Dilma está fazendo agora: cortar gastos, reduzir crédito, aumentar juros, suspender concursos, etc. Ou seja, o Sr. e tantos outros brasileiros que acreditaram na propaganda lulista hoje estariam detonando Serra na Internet e talvez até nas ruas, já que a militância do PT é muito bem paga para isso. Portanto, a eleição de Dilma tem um “cunho pedagógico” para uma parte dos eleitores que têm uma noção de economia. Basta abrir a cabeça e sair da trincheira ideológica acirrada por Lula para desviar o foco dos reais problemas do seu governo.

      E já que vc sugeriu um vídeo do Joemir citando algumas melhorias dos números da nossa economia (o que para vc é a prova da “competência” de Lula, o que não é verdade), aproveito e cito também um outro vídeo onde ele critica o mesmo Lula que vc acha que ele queria elogiar: http://www.youtube.com/watch?v=dODTR0jBlGI&NR=1&feature=fvwp . Como vc pode ver, uma coisa são números. Outra coisa é o contexto dos números. Da mesma forma, um trecho de um comentário não revela a real opinião do interlocutor.

    • Amilton Aquino says:

      Sr. Luiz Carlos, primeiro vamos deixar bem claro uma coisa: criticar Lula ou Dilma não significa necessariamente defender Serra. Também tenho uma postura crítica ao Serra e ao PSDB. Leia o post que lhe indiquei e verás que as críticas são anteriores as eleições.

      Agora com relação a “fantástica” descoberta do WikiLeaks nenhuma novidade, amigo. Desde que foi lançada a proposta de partilha do governo, o PDSB se posicionou contra a mudança do marco regulatório, uma vez que o modelo implantado pelo PSDB deu muito certo, fato este reconhecido inclusive por integrantes do PT. Não sei se vc sabe, mas a produção de petróleo da Petrobrás triplicou dez anos depois da quebra do monopólio.

      Portanto, amigo, a questão do tamanho do estado é hoje uma das poucas diferenças PT e PSDB. Ou seja, nada mais natural que o partido que vença as eleições faça prevalecer sua visão de Estado, desde que os contratos sejam respeitados, claro.

      Agora vamos desmistificar o teor “conspiracionista” que o PT aplica a tudo que vem da oposição. Ora, se a Chevron tinham ou tem interesse em investir no Pré-sal é óbvio. É uma empresa privada que visa o lucro, como tantas outras que investiram no Brasil nestes últimos anos, inclusive com contratos assinados já na gestão do PT. Nada mais natural numa economia capitalista. E a nossa é capitalista, apesar dos xiitas esquerdistas do poder.

      Nossa produção de petróleo iria aumentar ainda mais rapidamente (assim como a arrecadação), a Petrobrás continuaria no salutar ambiente de competividade, o que continuaria impulsionando seu progresso, como aliás ocorreu até aqui. Além do mais o nosso país não precisaria continuar se endividando para capitalizar a Petrobrás já que a empresa não tem o capital necessário para explorar o Pré-sal sozinha (pelo menos com a expectativa de retorno que o PT espera para equilibrar o crescente déficit das contas públicas).

      Então por que agora remar na direção contrária da história? Parafraseando o ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra, “entre a ideologia e a realidade, venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

  5. aliancaliberal says:

    Os Petistas tomam conhecimento dos fatos sempre pela boca do partido, não interessa o assunto, após isso TODOS passam a replicar o que o “chefe mandou” não tem capacidade critica de questionar os “porquês”.
    ……………..
    Veja esta questão do petróleo o artifício do medo, vai entregar de bandeja o nosso petróleo como se os cidadãos fossem os reais donos do petróleo.
    …….
    Para não “entregar” o petróleo só se não exportar, deixar somente para consumo interno, de qualquer forma estaremos vendendo um produto que acabará no futuro.