Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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E agora Dilma? (parte 1)

charge_clayton_dilmaOlá amigos internautas! Estou de volta para mais uma temporada de posts. Logicamente, minha reestréia vai ser dedicada a um balanço dos últimos três meses em que fiquei sem postar, especialmente sobre a estréia da nossa presidente.

Que me desculpem os fãs de Lula, mas vou começar expressando minha alegria de não ter que ver mais todos os dias o “cara” promovendo o próprio culto. Se bem que a alegria pode ser passageira, já que ele já deixou claro que pretende voltar, além de ainda ter que agüentar seus inevitáveis “pitacos” no governo da sua pupila. De qualquer forma, quatro anos de férias de Lula é um consolo.

Mas a volta de Lula pode não ser tão fácil quanto ele pensa. Aos poucos, as nuvens da economia vão mudando e em todos os pontos de piora ficam cada dia mais evidentes as falhas e omissões do governo anterior, o que coloca a nova presidente numa situação delicada, pois, apesar de ter sido conduzida ao Planalto por Lula, está tendo agora que tomar medidas que vão de encontro aos rumos até pouco tempo defendidos por ela.

Primeiras diferenças

Apesar de muito cedo ainda para uma avaliação, até aqui o balanço é positivo. A primeira grande diferença em relação a Lula é o silêncio da nova presidente. Claro que qualquer que fosse o candidato eleito falaria menos que Lula, característica esta que lhe rendeu uma vergonhosa coletânea de frases infelizes. Neste quesito, portanto, ponto para a Dilma, pois para um presidente melhor falar menos, pensando muito bem antes de falar bobagens. E até aqui, os poucos pronunciamentos da nova presidente foram bons e sensatos. Tudo bem que ainda estamos no início do governo, na chamada lua-de-mel dos cem dias, período em que o presidente ouve mais do que fala, mas certamente parte deste silêncio tem a ver com o constrangimento de Dilma em ter que admitir que as principais críticas dos opositores de Lula estavam corretas, como veremos a seguir.

Tão estranho quanto o silêncio da Dilma é o súbito silêncio de Lula. Depois de um final de governo cheio de lágrimas e intermináveis comícios de despedida, o ex-presidente continuou nas manchetes com os escândalos da renovação do passaporte especial o um filho e até com sua hospedagem nas férias, bancada com dinheiro público.

Surpreendentemente, o presidente só veio a falar quase um mês depois. E pasmem! Ele finalmente descobriu que os “companheiros” sindicalistas são oportunistas! Claro que um ataque de sinceridade desses tem um motivo. Mas vamos deixar para falar deste tema um pouco mais adiante.

Por enquanto, vamos registrar a preocupação demonstrada pelos petistas em “defender o legado de Lula” na cerimônia de aniversário do PT, ocasião em que Dilma só chegou ao final e nem sequer discursou, apesar de Lula fazer questão de ressaltar que se sente “parte do governo” e que sua união com a presidente é “indissociável”. Como sempre, a culpa é da imprensa, os mexeriqueiros de plantão que já estão empenhados em semear a discórdia entre Lula e Dilma. Em outras palavras, o PT está preocupado com o que eles já estão chamando de “desconstrução da imagem de Lula” ou com o “novo golpe da direita”.

Mas por que tanta preocupação. Os petistas não têm certeza de que fizeram um bom trabalho?

Primeiras divergências

A preocupação faz sentido, pois embora a nova presidente tente manter a imagem de continuidade do governo Lula, até por conta da popularidade altíssima do “cara” a quem ela deve sua eleição, as divergências já começaram antes mesmo da posse. Agora vejo que não foi à toa a “brincadeira” de Lula, no dia 2 de dezembro, falando de seu futuro fora da presidência a algumas rádios comunitárias, quando afirmou: “Só terei de ter cuidado para não fazer oposição ao governo, porque por toda a vida fiz oposição”. Fica aqui o registro e vamos aguardar o desenrolar dos fatos.

Ora, todo mundo, com um mínimo de conhecimento de economia e algum desprendimento da acirrada disputa eleitoral estimulada pelo agora, ufa!, ex-presidente, sabia da necessidade de conter os gastos para resolver a maioria dos problemas econômicos que já vêm dando sinais há algum tempo. Nada mais natural, afinal sempre depois de uma grande farra alguém tem que arrumar a casa. Só mesmo Lula e a sua prepotência alimentada pelos bajuladores de plantão para negar e adiar algo tão óbvio.

Apertando o cinto

E eis que a verdade começa a aparecer. Felizmente uma das primeiras mudanças de rumo apontadas pela equipe econômica da nova presidente foi justamente o corte dos gastos. Em outras palavras, Dilma reconheceu como procedente uma das principais críticas feitas ao lulismo, principalmente nos três últimos anos: o governo gasta muito, mais do que deveria. E pior: aumenta os gastos acima do ritmo do crescimento do PIB.

Lula, como era de se esperar, tratou logo de mostrar sua contrariedade publicamente, fazendo as costumeiras bravatas e desmentido seu ainda ministro da Fazenda. Foi divertido ver o Guido Mantega, o antes defensor incondicional dos gastos crescentes do Governo Lula, dividido entre a futura chefe, que já acenava em pisar no freio, e o futuro ex-chefe, defendendo a continuidade da “festa” da gastança.

E eis que chegou o dia D do cortes: R$ 50 bilhões dos orçamentos dos diversos ministérios, auditoria nas aposentadorias, suspensão de concursos, adiamento do chamado de concursados já aprovados, etc. E apesar da promessa de corte (e mesmo que o governo consiga colocá-lo em prática, o que é outra história) mesmo assim os gastos do governo para este ano serão superiores pelo menos 2,5% superiores aos gastos recorde do ano passado, ano de crescimento elevado e inflado pelas verbas eleitoreiras.

Ué? Mas que corte é este então? Bom, o corte é em relação à previsão de orçamento para este ano, algo já bastante vago. Aliás, como vagas são também as medidas anunciadas pelo governo. Nenhum corte significativo, inclusive dependendo de uma maior “otimização dos gastos”, o que, por conceito, já deveria ser uma rotina de qualquer governo responsável. Em outras palavras, o governo Dilma admite, mesmo sem querer, que o Governo Lula não “otimizava” seus gastos. Ou seja, não apenas gastava demais, gastava  mal também.

Vendo agora este ataque súbito de austeridade do governo que se diz continuação do anterior, alguns eleitores da Dilma devem estar se perguntando:  Não estava tudo tão bem? O Brasil não está emprestando dinheiro para o FMI? Como é que agora estamos pedindo míseros R$ 800 milhões ao Banco Mundial para socorrer os desabrigados da chuva? Cadê nossas reservas de US$ 300 bilhões? Não servem para nada?

Esquizofrenia econômica

De volta ao mundo real, para quem leu a nossa série “Os desafios do pós-Lula” (aconselho que leia, pois continua muito atual), apontávamos como desafio mais urgente medidas para conter a valorização do Real, o que de fato ocorreu já na primeira semana do novo governo. No entanto, todas as medidas tomadas até aqui, apesar de corretas, têm se mostrado insuficientes, pois tentam aliviar os sintomas sem atacar as reais causas do problema. O fato é que o problema é estrutural e tem a ver com a irresponsabilidade do governo anterior na condução da nossa economia, mais preocupado com os holofotes do que com o real futuro do país.

Claro que existe aí um componente externo que tem puxado o valor do dólar para baixo em todo mundo, mas certamente em poucos países existe a contradição estrutural tão flagrante como a que verificamos aqui. Ora, se por um lado o governo agora faz de tudo para retirar dólares do mercado com as várias medidas anunciadas, por outro, joga mais lenha na fogueira, pois criou um estado “forte”, que a cada ano precisa de orçamentos cada vez mais “robustos”  e cada ano mais dependente do ingresso de capitais externos para contrabalançar os déficits crescentes nas transações correntes.

Déficit crescente

Que o país se tornaria deficitário em transações correntes já se sabia há muito tempo. Mas o governo, mais preocupado em jogar para a torcida, continuou aumentando os gastos e a dívida. E eis que mais uma previsão se concretiza: fechamos 2010 com um déficit recorde de US$ 47,518 bilhões. E olha que o resultado poderia ter sido ainda pior, pois em dezembro o Brasil recebeu US$ 15,4 bilhões de investimento estrangeiro direto, quase o triplo do esperado pelo mercado. Além disso, o Brasil tem sido amplamente beneficiado nos últimos meses com a disparada dos preços das commodities no mercado internacional, o que reforça substancialmente nossas exportações e ajuda a diminuir nosso déficit recorde.

Tais déficits sucessivos nos remetem a previsão de uma grave crise cambial prevista por um aliado de Lula, ainda na campanha eleitoral. Lembram do Ciro Gomes? Pois é, poucos meses depois de sua bombástica entrevista, demos passos largos nesta direção. Claro que a crise ainda pode ser revertida, mas, pelo andar da carruagem, tudo se encaminha para a concretização da previsão.

Tudo ao mesmo tempo agora

Pior para a Dilma, que vai ter que colocar em prática tudo o que Lula já capitalizou politicamente, num cenário cada vez mais complicado, com pouquíssima margem para lançar novos programas. Copa do Mundo, Olimpíadas, o Pré-sal, Minha Casa Minha vida, trem-bala, compra de caças, PAC 1, PAC 2… Enfim, pressão para todos os lados para jogar mais dinheiro no mercado, o que, por sua vez, significa mais pressão inflacionária, que significa juros mais altos, que significa aumento no custo da dívida. E assim se fecha o circulo vicioso que se retroalimenta.

Nosso consolo é que os ventos continuam favoráveis aos países emergentes, além de a economia norte-americana esboçar uma recuperação. Cabe a Dilma, portanto, aproveitar os ventos favoráveis e fazer tudo o que Lula deixou de fazer, apesar de surfar no melhor momento da nossa economia desde o “Milagre Brasileiro” do regime militar. Nem mesmo para o nosso compromisso mais urgente (a Copa do Mundo) Lula foi capaz de fazer alguma coisa. E olha que ele teve três anos para, pelo menos, melhorar nossa infra-estrutura de aeroportos.

Mesmo com sinais claros de que tais problemas econômicos viriam a ocorrer, o “cara” teve ainda insensatez de lançar um novo “Programa de Aceleração do Crescimento” (para acelerar o que já estava acelerado???), três vezes maior que o primeiro, sendo que este não havia concluído nem 20% do programado, segundo a ONG Contas Abertas. Tudo isto quando a economia já estava superaquecida, dando sinais de aumento inflacionário. Resultado: mais demanda por dólares no mercado, justamente o contrário que o governo tenta fazer com as medidas paliativas anunciadas nos últimos meses.

Pelo menos, teoricamente, a programação do PAC 2 é mais coerente com as necessidades de infra-estrutura do país. Se o PAC 2 não virar também um uma moeda de troca de apoio político de prefeitos e governadores, como foi transformado o PAC 1, menos mal. Mas, tomando como base a desastrosa gestão do PAC 1, gerida pela própria presidente, nada leva a crer que com o PAC 2 será diferente. A esperança é que, assim como em relação aos gastos públicos, a presidente mude de rumo, aprendendo com os erros do seu antecessor, os quais a cada dia ficam mais evidentes.

Aliás, são várias outras mudanças de rumo apontadas pela presidente, temas que serão discutidos no próximo post, assim como as trágicas convergências. Até lá!

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23 Responses to E agora Dilma? (parte 1)

  1. Milton says:

    ..só pelo começo do seu texto vejo que você reconhece que Lula pode voltar, e que portanto é soberana a democracia, e portanto deve respeita-la. Que graça tem ficar na janela vem a banda passar?… e pior ficar atirando pedras.

    • Amilton Aquino says:

      Milton,

      Criticar o que o governo faz de errado não é atirar pedra, e sim um exercício democrático de cidadania. Se vc também o exercesse certamente não estaria agora “na janela, vendo a banda passar”.

  2. Gustavo vasconcelos Jacobina says:

    Amilton, parabéns em primeiro lugar pela sua tão lúcida como sempre visão do momento econômico e político Brasileiro, eu como empresário e autônomo tenho a mesma visão e complemento que um dos maiores desastre do governo Lula foi não acreditar no empreendedorismo popular dos brasileiros, inprescíndível para controlar as contas do governo. e explico porque, os EUA, a china, a coréia , Japão e todos os países que alcançaram o desenvolvimento foi com uma política de incentivar o empreendedorismo individual e coletivo e deixar o mercado resolver seus problemas para obter lucro, ficando o governo apenas na estruturação destas diretrizes, basta ver que a maioria das ações do governo lula só deram certo com o empreendedorismo individual, bancos, vele, ambev, gerdau, friboi,privatização de rodovias , só para ficar nos mais conhecidos da mídia.

    Como pode um país recolher 35% 0u 40 % do trabalhador e cidadaõs produtivos e taxas o salario em até 100% , ou seja num salário de R4 545,00 como temos hoje o governo fica com outros R$ 545,00, alegando que são encargos sociais para saúde , educação, previdência etc, ora , qualquer economista sabe que nunca o governo sozinho cobnseguirá prover todas estas necessidades da população sem o dinamismo tecnológico e a ânsia de lucratividade e sucesso do mercado atravéz dos seus em,preendedoras, então o que se propôe nos circulos liberais democraticos (e isso é um sacrilégio para os socialistas) é que o governo para de tomar o dinheirodo trabalhador para fazer sua poupançã(FGTS), para de legislar com o 13% salario que é para o trabalhador ter dinheiro no final do ano para o papai noel, e pare de dar 33% de aumento para os trabalhadores aproveitar suas férias.

    Sei que a esta altuira do texto já tem 99% dos assalariados chamnado minha pobre maezinha de todos os nomes obsenos, mas não sabem eles que este paternalismo lhe custa caro no bolso seu e do país, além de aumentar o poder do governo sobre a população e aumentar a corrupção (quem melhor pode gerir seu dionheiro é voce mesmo, isso é fato), nós liberais propomos que se faça o seguinte , que o governo continue a cobrar seus de 7,5% a 40% de Imposto de renda e tafifas em geral , mas deixe que cada trabalhador gerencie seus rendimentos, para começar vamos fazer o seguinte, acabar com o FGTS, que remunera pessimamente o trabalhador, e que o governo empresta mal a juros subsidiado um dinheiro que não é dele, Inss , acabar também , porque o governo cobra uma porcentagem altíssima do trabalhador e do empregador e presta um serviço de saúde péssimo , ruim e caro para os cofres públicos e gera mais corrupção, acabar com o 13%, e ter o seu valor dividido por 12 e pago incorporado ao seus rendimentos mensais, para que o trabalhador tenha a escolha de quando deve gastar seus ganhos e não ficar esta correria no mes de dezembro com preços altíssimos , gastando-se como se o mundo fosse acabar em 31 de dezembro , fazendo a festa dos comerciantes de presentes e bebidas, e acabasse também o adicional de férias de 33% no ato das fperis e o dividisse por 12 tambem e se pagasse mensalmente ao longo do ano, meanteríamos o pis e outras conquistas de divisão de lucros que o empregador tenha .

    aí meu caro Amilton o salario minimo e quase todos os outros salários pasariam a valer o dobro , o salario mínimo ficarioa em r$ 1.090,00, o trabalhador escolhe seu plano de saude ideal, ( como já ocorre hojem, porque é a 1ª coisa que o trabalhador faz para não depender com sua família do inss,(ah!)),e faria sua poupança ou não, e seria o gerente dos seus próprios rendimentos, o governo que preste conta do rendimentos de outras formas de impostos da sociedade.

    A verdade innefrutável é que temos um sistema paternalista que “trava” o empreendedorismo”e faz com que nossos trabalhadores ainda vivam na segurança da “casa de mamae”, se é que me entende,o funcionarismo publico já é uma forma que discutirei mais tarde com vc pois é um sistema de trabalho diferenciado, mas que pode ser mudado muitas das suas características para se tornar mais empreendedor (a exemplo da remuneração por qualidade , implantada pór Serra em S. P. na educação), está provado Amilton pela história que o homem so trabalha com vigôr e inteligencia em busca da sua própria vantagem, é inerênte aos humanos (Só os franciscanos, se prestam a viverem em celas e sem salario) mesmo assim a igreja já não encontra mais individuos dispostos a esta vida .

    Onten comprei uma bóia de piscina para meu filho por r$ 1,99 e fiquei impressionado como pode uma bóis custar tão pouco e ser feita do outro lado do mundo, porque o Brasileiro não consegue fazer a bóia aqui no Brasil e vender, pelo menos pelo mesmo preço, ganhando no frete e na taxa de importação, que dobra o valor do produto? e esta resposta que DILMA deve fazer nestes 4 anos do seu governo, e parar de prometer o que não pode dar, a cidadãos e cidadãs àvidos por benefícios do governo. e para terminar adivinha o que eu quero que ele seja quando crescer???? funcionário público federal claro. é a elite dos “filhinhos da mamãe” porque estão tão perto dela e mamam no mesmo peito. abraços Gustavo.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gustavo,

      Não tenho uma visão tão liberal quanto vc, mas concordo com a sua crítica ao nosso estado paternalista, que chegou ao auge agora com Lula. Já tentei ser empresário também e sei o quanto é difícil, o quanto é caro e burocrático contratar. Seria muito bom que todos os socialistas e sindicalistas, que vêem os empresários como inimigos, passassem pela mesma experiência. Duvido que continuassem com a mesma opinião.

      Com a perda de competitividade da nossa indústria decorrente da desvalorização do dólar, agora fica mais evidente a omissão do governo anterior na desoneração da folha salarial. Vamos ver como a Dilma vai se comportar em mais um dilema deixado por Lula.

  3. aliancaliberal says:

    O geverno continua a omitir a divida em mãos do bc hoje é de 703 bilhões de reais,ainda não achei uma resposta para estes 703 bilhões não serem declarados.
    ………
    Sobre o governo Dilma estou preocupado com o fato da oposição ser tão incompetente ,parece que somete existe esquerdista no brasil ,apesar da maioria do povo ser conservador de direita.Falta projeto , falta alternativa ,ai o que sobra é o que o povo tem que votar.
    …….
    O governo ta solto sem fiscalização um perigo em vista.
    ……….
    O silêncio de Dilma me preocupa ,sabe quando criança fica quieta, ta fazendo arte com certeza.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Aliança,

      Vou escrever mais um post específico sobre estes títulos em poder do BC. Esta é a forma “moderna” que alguns países encontraram para fabricar dinheiro. Não faz sentido o Tesouro passar título para o BC para o BC revender.

      Quanto à oposição, realmente estamos muito mal servidos. O PSDB está divido, o DEM e o PPS se esfacelando. Pior, o PSDB agora deu para fazer politicagem com o mínimo. Igualzinho ao PT da oposição. Falta sinceridade.

  4. Christian says:

    Estranho esta manifestação da ‘mídia/blogs’ de tentar desconstruir os 8 anos de Lula elogiando aquela que, durante a campanha era tida como ‘poste’…
    Não seria mais uma contradição ?
    Surpreendi-me na semana anterior, quando, como de súbito, a Globo começa a mostrar o PAC, através do estaleiro de Rio Grande e da transposição do SF…Pelo que a mídia falava, isto era ficção…
    É mais que óbvio que um tecnocrata usa das ‘armas’ que tem, enquanto um político usará ‘armas’ distintas. O carisma de um será substituído pela ação e muito trabalho de outro, lembrando que Dilma fez isto nos bastidores de Lula, promovendo aquilo que muitos ainda consideram de ‘factóides’…
    O pior é que existem os que idolatram aquele que produziu elevadas taxas de juros, viveu uma ‘crise’ atrás da outra, dilapidou o patrimônio público, sucateou as autarquias, entregou o país com inflação em ascendência e sem reservas internacionais. Grandes obras e investimentos: não lembro de nenhum…lembro que criticaram muito a operação tapa-buraco do metalúrgico (por que tínhamos as estradas naquelas condições ?).
    Caro Aquino, poupe-me do seu preconceito evidente (apesar do seu histórico mencionado no blog…). Não sei para quem vc. trabalha/serve, mas, please, não me mande mais e-mails ? Continue assistindo palestras do sociólogo/economista…Aproveito para mandar o link abaixo que ilustra bem a atitude do Brasil, perante o resto do mundo na época do FHC : http://www.youtube.com/watch?v=MeAOen8vyiQ

    • Amilton Aquino says:

      Christian,

      Não critiquei a Dilma ainda porque ela ainda não deu motivo. Aliás, tenho sim algumas críticas a fazer, mas vou dar mais um tempo, afinal está ainda no início e o balanço é positivo. Se a imprensa agora elogia Dilma é porque ela tem tomado ações que vão de encontro ao que pregava no governo, afinal em suas primeiras ações ela, além de confirmar algumas das nossas previsões (devido a irresponsabilidade de Lula) , tem feito o que Lula deixou de fazer por pura politicagem, e que cobrávamos o tempo todo, vale salientar. Aliás, é sempre assim. A mídia sempre elogia os presidentes no início do governo. Certamente vc não lembra, mas o endeusamento de Lula começou aí. Vc não lembra das incontáveis reportagens exaltando o torneiro-mecânico que se tornou presidente?

      Voltando a Dilma, ela está ainda há um pouco mais de um mês de governo e ela já admitiu a nossa principal crítica ao governo Lula ao lançar um pacote para reduzir gastos, já acena em uma mudança na política internacional e na política do mínimo. Não estou inventando nada. Estou relatando fatos. Infelizmente a sua idolatria a Lula não o deixa perceber o que realmente aconteceu e que está acontecendo. Prefere reduzir todos estes fatos a “conspirações” de um ente qualquer. Ou a culpa é do FHC, ou da Globo ou da direita.

      Não recebo nada de ninguém para escrever nem faço parte de nenhuma conspiração. Escrevo de acordo com a minha consciência, no pouco tempo que me resta. Escrevo porque tenho sede de justiça e muito me incomoda ver um farsante como Lula ser idolatrado por pessoas como vc.

      Quanto ao vídeo que vc sugeriu, não vi nenhum “puxão de orelhas”. FHC propunha a criação de um mecanismo internacional para o controle de fluxos de capitais e Bill Clinton se esquiva de qualquer responsabilidade. Aliás, se Clinton tivesse acatado a sugestão, talvez o primeiro mundo não tivesse em crise hoje. Mais preocupado em criar um desenvolvimento a qualquer custo, Clinton estimulou o mercado imobiliário muito além do que deveria, iniciando a bolha que levou os EUA à crise de 2008. Se Clinton citou o Chile como exemplo, é porque este país já estava com sua política macroeconômica bem definida nesta época. Aliás, vale lembrá-lo que os petistas de hoje nem gostam de falar do Chile, pois este país continua sendo a referência administrativa na América Latina. Nenhuma novidade.

      E outra coisa que deve ser considerada é que os EUA da época estavam por cima, enquanto que o Brasil era apenas um candidato a emergente, status este que só veio a ser conquistado no final de FHC, quando o Brasil foi citado pela primeira vez com um dos BRICs. Bem diferente de hoje onde até um Zé Mané como Chaves desafia os EUA.

      E aqui pra nós, que ediçãozinha tendenciosa! Aliás, como tudo que vem do PT. O cara tem que colocar legenda a cada momento para tentar induzir o espectador.

      Além do mais o contexto do Brasil era outro bem diferente, amigo. Se Lula estivesse sido eleito em 1998 não teria sido muito diferente. Aliás, vale lembrá-lo que o próprio Lula, juntamente com FHC, assinaram o empréstimo ao FMI.

      Abraço e pode ficar tranqüilo. Já deletei seu email da minha lista.

  5. Gilx says:

    Olá, Amilton.
    Que bom ver você de volta.
    Muito tempo se passou desde o meu primeiro post aqui no seu site (‘Os desafios do pós-Lula – investimentos’). Minha grande indagação era por que a oposição era tão medíocre quanto às mentiras deslavadas do Lula e seu governo. Não muito conformado, procurei mais respostas na net para esta minha grande inquietação. Curiosamente, encontrei uma boa resposta em seu próprio site, que tinha um link para o jornal eletrônico “Mídia sem máscara”, do filósofo Olavo de Carvalho.
    A princípio, me pareceu inacreditável, dado a visão dos fatos políticos por parte de Olavo de carvalho ser bem “pertubadora”. Mas eu não consigo ver outro motivo: PT e PSDB são mesmo farinha do mesmo saco, não só corruptamente, mas principalmente política e ideologicamente. No Brasil, não existe mais oposição de direita de fato. Estão todos envolvidos em jogar o nosso país, tal como o resto da américa latina, no maldito sistema socialista, ou seja: mordaça na Imprensa, aparelhamento e aumento do Estado sobre a economia de mercado.
    Por que no governo FHC, o MST cresceu e se fortaleceu? Por que FHC quase nunca, em 8 anos, rebateu as bravatas de Lula contra seu governo semi-liberal? Por que a grande imprensa não desmascara de vez o envolvimento do PT com as Farcs? E o Forum de São Paulo, fundado por Fidel e Lula, que abriga toda a escória esquerdista da América?
    Amilton, somente vendo o nosso cenário político dentro desse contexto internacional do “establishment”, é que posso entender melhor como funciona a tal “ordem mundial”, bem explicitada por Olavo. Claro que muitos acusam o filósofo de extremista de direita, mas o que vejo são apenas argumentos ad hominem. Até o momento, não encontrei melhor explicação para tanta omissão da nossa “oposição” para com esse governo esquerdista/populista que aí se encontra, rindo de tudo e de todos com seus 80% de aprovação popular.

    Sinceramente, não acredito mais que o Brasil vai se livrar dessas ideologias socioloides, seja do PT, PSDB, PDT, PPS, PV, etc. Precisamos urgente de um choque liberal verdadeiro. Mas como? Não temos mais partidos de direita genuínos. O que temos é o DEM, que faz a população pensar (com razão) que direita é sinônimo de corrupção.

    • Amilton Aquino says:

      Olá Gilx,

      Antes de mais nada devo esclarecer que não concordo com tudo que o Olavo fala. Aliás, discordo bastante, tanto que retirei o link do meu site. Mas acho importante ter um contraponto como o dele, principalmente porque ele tem coragem de mexer na ferida, de falar de assuntos que tornaram-se tabu no Brasil, principalmente quando envolvem a dicotomia esquerda x direita.

      Aliás, pretendo escrever uma série sobre esta dicotomia que remota aos primórdios do liberalismo de Adam Smith e do comunismo de Marx até os dias atuais. Acho que está na hora de fazermos um balanço dos acertos e erros de cada uma dessas duas correntes de pensamento.

      Voltando a nossa realidade política, o fato é que o falso triunfalismo de lula na presidência desestruturou a oposição. O PSDB, que foi o partido que mais acertou na elaboração e na execução do seu programa, além de perder alguns dos seus principais nomes como Covas, Sérgio Mota e Montoro, ainda cometeu o erro de não defender o legado de FHC, deixando o PT livre para desconstruir sua imagem.

      O PT então se apoderou das idéias do PSDB, que, por sua vez, ficou sem bandeira e sem uma grande referência, já que FHC foi escondido. E aí chegamos ao lamentável estado atual da nossa política, a ponto de o toma-lá-dá-cá ser institucionalizado. Quem já viu um ministério ser formado através de cotas? Cota de Lula, cota do PDMB, cota do PT, PSB, de Sarney e, pasmem, até “cota pessoal da presidente Dilma”!

      E quando esperávamos do PSDB uma reviravolta na sua postura, eis que o partido fica ainda mais dividido e pior: agora ensaia alguns passos oportunistas do PT da oposição, como, por exemplo, a defesa de um salário mínimo de R$ 600, mesmo sabendo que isto prejudicaria bastante as finanças públicas e seria um combustível a mais na tendência inflacionária dos últimos meses. Ou seja, o PSDB agora está fazendo o que o PT fazia na oposição: jogar no time do quanto pior melhor para poder lucrar politicamente.

      Nós, como eleitores, não devemos aceitar este tipo de comportamento e cobrar dos nossos políticos honestidade na defesa de suas bandeiras.

      Não perca a esperança. À longo prazo, a tendência é que o nível de educação do país melhore. Certamente muita gente vai perceber, aos poucos, a oportunidade que perdemos na era Lula de fazer pelo menos uma das grandes reformas que estão pendentes.

  6. aliancaliberal says:

    Antes de tudo tem que se fazer uma reforma na moral e na ética ,ja estamos perdendo a noção do certo e errado pelo exemplar dado pela presidencia, o prejuizo que Lula deu nem vai ser tanto o econômico vai ser mais pela desmoralização da nossa sociedade ,vai demorar anos pra recuperar o estrago feito.
    …..
    Olavo de Carvalho tem muitos defeitos exagerado ,prepotente , etc mas é uma das poucas vozes no Brasil que realmente opôe-se ao esquerdismo , na fragilidade de nossa oposição e a perca de rumo da direita abrir mão de seus conhecimentos é dar mole pro “inimigo”.
    …….
    O contraditório de marx é dado por Mises ,assim como o contraponto de Keynes é Hayek ,e falando nele hayek, se não viu, da uma olhada nesta apresentação sobre a macroeconomia baseada na estrutura do capital .
    …….
    http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=27
    ……..
    Não adianta somente criticar sem dar alternativas este é o grande erro da oposição ,não declarar o que vai fazer para resolver as questões nacionais.O PSDB praticamente afirmou vai continuar tudo como está.
    …….
    Mais do mesmo não ganha eleição.
    ……..
    Na falta de projetos nacionais Lula portou-se como um PREFEITO FEDERAL ,tanto que tratou os deputados como vereadores ,e deu cesta basica(bolsa familia) como aqueles coroneis do interior dão pra comprar voto.

    • Amilton Aquino says:

      Alô Aliança!

      Concordo plenamente com tudo que vc falou. Mas, calma! Não pretendo escrever um tratado sobre economia. 😉 Coloco o Smith como contraditório de Marx porque ambos são contemporâneos e Smith foi quem primeiro defendeu a idéia de que o mercado se auto-regula. Keynes, Mises e Hayek já são desdobramentos dessas teorias.

  7. Christian says:

    Não considero Lula o salvador da Pátria e muito menos o antecessor. Para mim a classe política não tem credibilidade, porém não posso deixar de enxergar avanços. Quanto ao papel do Estado, creio que está sendo melhor desempenhado agora, com uma política mais social, do que a idéia do Estado mínimo e neoliberal. Não me venha com a idéia simplista de que tudo o que vemos agora é fruto do Real, quando sabemos que a verdade não é esta…sem controles a economia rui rapidamente…
    É claro que estamos avançando passo-a-passo e, felizmente, Lula, continuou com os controles macroeconômicos…mas a inflexão para o lado social foi visível…
    Quanto a falsa realidade de 1998 que levou à reeleição, sem comentários. Por acaso, estava em Lua-de-mel em janeiro de 1999 e vi argentinos no Brasil, felizes e contentes com a maxi-desvalorização do Real….fruto de uma irresponsabilidade eleitoreira como a que o Sr. indica sobre o ano anterior…
    Não idolatro o antigo Presidente, mas expurgo veementemente o FH…
    Quanto a teorias de conspiração, não sou adepto, mas o papel de alguns órgãos da imprensa, no ano passado, beirou o ridículo, sem contar o ‘papelão’ desempenhado pelo candidato do PSDB.
    Com relação ao empréstimo do FMI, se não tivéssemos feito, teríamos quebrado totalmente, mais uma amostra da atitude irresponsável e péssima gestão do Estado…inclusive, se me recordo, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi uma exigência do FMI e não uma bela criação tupiniquim….

    Até +,

    • Amilton Aquino says:

      Christian,

      É óbvio que houve avanços, afinal o que se esperar de um país com um potencial como o nosso, com uma demanda reprimida por duas décadas de inflação e que finalmente combina estabilidade macroeconômica com um ambiente internacional altamente favorável?

      Que o Brasil cresceria em importância no cenário mundial isto já era previsto desde os anos 60. E tal previsão só não se concretizou antes porque os militares cometeram o mesmo erro que Lula: inchar o Estado num momento de abundância de dólares no mercado internacional, achando que tal situação duraria para sempre. O cenário mudou com a crise do petróleo e aí tivemos que amargar duas décadas de estagnação e inflação galopante.

      As conseqüências da irresponsabilidade de Lula em não aproveitar o bom cenário internacional para promover as reformas pendentes da nossa economia já começamos a sentir.

      Compare os cenários:

      – Durante os 8 anos de FHC o PIB mundial subiu de US$ 30 trilhões para US$ 33 trilhões. Entre 2003 e 2008, o PIB mundial pulou de US$ 33 trilhões para US$ 60 trilhões!

      – O dólar só subia na década de 90, como reflexo do poderio norte-americano que pousava como única superpotência. Hoje o dólar desvalorizado em todo mundo, refletindo a decadência dos EUA.

      – O dólar valorizado pressionava a nossa inflação e forçava o governo a aumentar os juros da dívida, uma vez que o dólar era na época uma modalidade de aplicação concorrente dos títulos do Tesouro. Hoje o dólar barato ajuda a conter a inflação.

      – O Brasil da década de 90 tinha como principal desafio combater a inflação e criar a condições macroeconômicas para o crescimento. O Brasil dos anos 2000 tem a doce missão de crescer!

      – A série de crises dos anos 90 e início de 2000 atingiram principalmente os países do 3º mundo e os emergentes. A única crise que Lula pegou diminuiu o poder dos países do primeiro mundo e fortaleceu a posição dos emergentes que foram promovidos a “locomotiva do mundo”.

      – A América Latina toda em crise nos anos 90. A América Latina toda crescendo acima da média mundial nos anos 2000!

      – O Brasil da década de 90 era um candidato a emergente. O Brasil dos anos 2000 foi elevado à condição de emergente quando ainda em 2002 foi citado pela primeira vez como um dos BRICs (certamente não foi por causa de Lula, certo?)

      Bom, vou ficar por aqui, mas poderia citar vários e vários outros fatores que custaram caro a FHC e que pavimentaram o caminho para Lula, mas vou ficar por aqui para não me tornar repetitivo. Aliás, basta dar uma passada nos posts anteriores que vc vai ver todos estes assuntos debatidos a exaustão.

      Quanto à redução da pobreza, este também é um fenômeno que acontece em vários outros emergentes, fruto do ambiente econômico favorável e das políticas de distribuição de renda implantados em vários países.

      Quanto à reeleição de FHC ele não precisava segurar câmbio para isso, tanto que venceu no primeiro turno com folga. Hoje é fácil dizer que deveria desvalorizar antes da crise da Ásia de 1997. Só que na época ninguém esperava que os tigres asiáticos fossem sucumbir naquele ano. Desvalorizar o Real em plena crise era jogar combustível na fogueira e poderia levar o Brasil ao mesmo destino da Argentina ou da Rússia, tornando-se mais um foco de crise a se irradiar pelo mundo.

      Portanto, o socorro do FMI foi apenas uma conseqüência do ambiente instável da época. Não foi só o Brasil que recorreu ao FMI. Com exceção do Chile, quase toda a América Latina foi socorrida. Aliás, temos aí mais uma diferença de cenários, pois hoje o FMI socorre países ricos. Hoje a América Latina procura os credores para quitar suas dívidas. Até a Argentina, que deu vários calotes no FMI e no Clube da Paris finalmente fechou acordos para quitar suas dívidas!

      Além do mais, vale lembrá-lo que o empréstimo assinado por Lula foi decorrente do medo do mercado de que o falastrão fizesse alguma bobagem na economia. Tanto que teve que aliciar um tucano para ficar no BC. Se vc ver os indicadores econômicos do Brasil no início de 2002, vai ver que a recuperação econômica começaria já naquele ano, se Lula não tivesse subido nas pesquisas. Até os juros que tinha chegado a recorde de 46% no auge da crise de 1999 recuaram para 18%.

      Por fim, a Lei de Responsabilidade Fiscal, embora tenha sido aprovada só no final do segundo mandato de FHC, na verdade sua discussão começou ainda no início do primeiro governo, quando as dívidas dos estados e municípios começaram a estourar, quando os governos estaduais perderam a mamata do “imposto inflacionário” que recolhiam através dos bancos estaduais na época da hiperinflação. Sobre este assunto, sugiro que leia o seguinte post: http://www.visaopanoramica.net/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/

      E mesmo que sua aprovação fosse de fato uma exigência do FMI, nada mais natural, afinal quem empresta quer receber. E para pagar as dívidas é necessário ajustar as contas, certo?

      Ah, e por falar em FMI, por que será que Lula, mesmo faltando dinheiro aqui, empresta uma merreca ao FMI? Ora, se o FMI é o explorador que Lula diz que é, por que emprestar dinheiro ao explorador? Das duas uma: ou Lula não vê o FMI como explorador, como faz questão de fazer parecer nas suas costumeiras bravatas, ou então empresta o dinheiro que nos falta só para se vangloriar. Sobre este assunto sugiro também que leia o seguinte post: http://www.visaopanoramica.net/2009/08/29/lula-e-a-divida-publica-parte-1/

      Portanto, amigo, não se trata de idolatria à FHC, e sim fazer justiça. Dar a César ao que é de César. Aliás, como tantos e tantos petistas já reconheceram (e até mesmo o próprio Lula em um lampejo de sinceridade admitiu recentemente – depois das eleições, claro). Talvez por desconstruir a imagem de FHC é que agora Lula está tão preocupado com a “desconstrução da sua imagem”.

  8. aliancaliberal says:

    Destruição Criativa

    Durante os anos de FHC o país passou por um processo de “Destrição Criativa” ,a economia passou de inflacionária a para estavel ,iniciou se a concorencia dos produtos importados etc. muita coisa mudou e a economia dinamicamente adaptou se como sempre e demora alguns anos até as inovações estarem a plena vapor .
    …………
    Joseph Schumpeter (1883-1950), o mais influente pensador que se debruçou sobre a matéria e quem melhor conseguiu explicar a lógica da dinâmica capitalista ao decretar que inovação é a principal força propulsora do desenvolvimento econômico e industrial.
    ………
    Ele cunhou a extraordinária metáfora “destruição criativa” para designar o constante processo de transformação que fomenta o progresso por meio da eliminação de agentes e produtos defasados, em um cenário de seleção em que só os agentes inovadores se sobressaem e conseguem sobreviver. Esta é, segundo Schumpeter, a essência do capitalismo e ocorre, notadamente, através da introdução de um novo bem ou tecnologia no mercado ou da descoberta de um novo meio de produção ou de prestação de um serviço.
    ……..
    “Destruição criativa” na forma de inovação, portanto, se dá na substituição do walkman pelo discman e deste pelos modernos MP3 players; ou na substituição do telégrafo pelo telefone tradicional e deste pelo serviço de discagem gratuita via internet. Não importa o mercado. Quando a empresa ou o produto inovador chega, a tendência é que eles simplesmente “destruam” seus concorrentes ou então os obriguem a inovar, sob pena de serem suplantados. Absolutamente justificável, pois, que uma empresa recém-criada como a Skype atraia tanta atenção ou que a Apple e o Google sejam freqüentemente citados como dois dos maiores ícones do capitalismo da atualidade.

    • Amilton Aquino says:

      Boa contribuição, Liberal!

      Foram anos turbulentos aqueles. Como sempre, as empresas inovadoras prevaleceram e ganharam o mundo, além de turbinarem os cofres do governo, claro. Só lamento o fato de empresas como a Gradiente e a Gurgel, por exemplo, terem falido. Se tivessem se modernizado, talvez hoje tivéssemos uma montadora realmente nacional e uma grande marca de eletrônicos.

      Uma pena também que, mesmo depois de tantas provas da importância da inovação para a economia, ainda estejamos investindo 1,1% do PIB neste quesito.

  9. aliancaliberal says:

    Amilton a resposta disso esta aqui http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=27
    …………..
    Parece complicado mais nada que atenção não resolva.Esta apresentação é tão importante que poderia ser um programa de governo .
    …….
    Nossa economia é “consumista” e deveria ser “producionista” esta é a grande questão.

    • Amilton Aquino says:

      É mesmo fantástica esta apresentação, Liberal. Ela responde, pelo menos, na teoria, um dos maiores desafios do capitalismo: manter um crescimento sustentável. Digo em tese, porque a nível global acho impossível encontrar este equilíbrio, afinal se todo mundo se tornar “producionista” certamente vai sobrar produto no mercado.

      Acho que a cada ano este equilíbrio fica mais difícil difícil justamente pela velocidade em que as economias se transformam. Afinal, quem diria que em apenas uma década, a geografia econômica do planeta fosse toda alterada?

  10. aliancaliberal says:

    Amiltom ai entraria em cena a divisão de trabalho e as vantagens comparativas ,o Brasil no mundo é o lugar que tem a melhor produtividade em criar gado para corte por exemplo , outro país se torna o melhor produtor de semicondutores e assim por diante.
    http://www.youtube.com/watch?v=6WH1V_mKC-g

    • Amilton Aquino says:

      Muito ilustrativo o vídeo, Aliança. Aliás, na economia temos vários exemplos da vantagem comparativa. No entanto, hoje as coisas estão muito misturadas e nem sempre a vantagem comparativa prevalece, principalmente quando entra o protecionismo em campo.

      Um país com vocação tecnológica como os EUA, por exemplo, além de estar perdendo mercado a cada ano com o surgimento de novas potências, está vendo suas grandes empresas migrarem para outros centros. Depois de que um mercado mostra sinais de estagnação, o capital migra para outros mercados mais promissores, com maiores potenciais de crescimento. E assim, a cada ano, vamos vendo novos países entrando no clube dos ricos para, no futuro, passarem pelos mesmos problemas que estão passado os tradicionais ricos de hoje. Se este processo vai abranger todos os países do globo, é uma incógnita, pois temos aí variáveis culturais e religiosas a ser consideradas. Mas a julgar pelos surpreendentes ventos de mudanças no mundo árabe, temos aí um bom motivo para ser otimistas.

      De qualquer forma, com todos os problemas que constatamos hoje, o capitalismo ainda é hoje a única opção que temos. Resta-nos, portanto, aperfeiçoá-lo. Neste caso, um mundo baseado nas vantagens comparativas seria um mundo perfeito. Não é fácil, mas é sempre bom ter pelo menos uma utopia a seguir.

  11. aliancaliberal says:

    O capitalismo não está completamente desenvolvido, ele está na fase de desenvolvimento e expansão.
    Um exemplo de setor que ainda é mercantilista é o setor financeiro ,com o sistema de reservas fracionárias praticamente uma fraude,os bancos podem “criar” dinheiro do nada.

    O intervencionismo estatal provoca uma alteração no risco moral da economia , silvio santos e outros grandes empresáris sabem que serão salvos de qualquer dificuldade então eles arriscam ficam inresponsaveis em suas ações.

    http://www.youtube.com/watch?v=yMYPB2tLxc4&feature=player_embedded

    • Amilton Aquino says:

      Realmente este é um dos grandes desafios do capitalismo, Aliança. Desde a série de crises dos anos 90 que se fala da necessidade de criação de algum mecanismo de controle do fluxo de capitais especulativos. Infelizmente, depois que as crises passam todas estas propostas são esquecidas. Talvez agora que os EUA sentiram na pele o que o Brasil sentiu nos anos 90 alguma coisa seja de fato colocada em prática. O problema é que existe aí uma polêmica discussão sobre o aumento do intervencionismo do Estado.

  12. Amanda Costa says:

    voltei de viagem exausta depois de passar sete horas no aeroporto. enquanto via na tv o governo admitindo que não daria tempo para concluir as obras dos aeroportos para a copa, lembrava desta série de artigos que tinha lido aqui. a minha indignação que já era imensa ficou ainda maior pois percebo que tantas pessoas nos alertaram sobre o governo de faz de conta de Lula. se agora está um caos, imagina como vai ser na copa. te vira nos trinta agora dilma!