Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo (Eça de Queiroz)

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Os desafios do pós-Lula (investimentos)

Lula e a carga tributária

Dando sequência a série de três artigos sobre os desafios do próximo Governo, traçamos aqui mais um diagnóstico em diversas áreas que necessitam de investimentos urgentes para que o país continue a crescer pelo menos no mesmo ritmo atual, na casa dos 7, sem dúvida um bom ritmo, porém ainda muito abaixo da média dos demais emergentes.

Se não leu o primeiro artigo desta série, clique aqui.

Educação

Apesar do Governo Lula ampliar substancialmente o número de vagas nas universidades e nas escolas técnicas, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 200 melhores do mundo (nossa melhor colocação é a PUC/SP na humilhante 235ª posição). Este dado revela um dos problemas crônicos da nossa educação: a baixa qualidade. E é justamente aqui onde encontra-se um dos grandes gargalos para o crescimento da nossa economia, pois nossas empresas já começam a ter dificuldades para contratar mão-de-obra qualificada, o que, por sua vez, reduz nossa competitividade em um mundo onde a inovação tornou-se uma necessidade e quando nossa indústria perde competitividade com o Real sobrevalorizado.

Outro dado que mostra a nossa deficiência nesta área é o fato de continuarmos no mesmo patamar de registro de patentes que tínhamos no início da década. No mesmo período, a China, que estava no mesmo patamar do Brasil, multiplicou seu número de patentes por 17, enquanto que a Índia multiplicou por 7.

O próximo Governo, portanto, tem a missão de reverter este quadro tanto para o ensino superior e técnico, como também (e principalmente) para o ensino fundamental, que ficou em segundo plano no governo atual.

Saúde

Esta é uma das áreas que menos avançaram nos últimos anos. Continuamos vendo as cenas de hospitais super lotados, transformando corredores em ambulatórios. E olha que os planos de saúde duplicaram o número de clientes nos últimos anos, o que teoricamente significaria uma diminuição na procura pelas emergências públicas. Pior: o atendimento dos planos de saúde tem piorado a cada dia (aproximando-se muito do deficiente atendimento da rede pública), devido à grande procura e a ineficiência da ANS, a exemplo de todas as demais agências reguladoras aparelhadas por conveniências políticas.

Saneamento

Metade da população brasileira não tem rede de esgoto e água tratada. Este quadro tem uma relação direta com os demais indicadores de saúde, que colocam o Brasil ainda muito aquém até mesmo em relação aos nossos vizinhos latino-americanos. O mais curioso nesta área é que o Governo, ao invés de facilitar os investimentos na ampliação da rede de esgotos e água tratada, aumentou o PIS e o Cofins sobre saneamento de 3% para 7%, trazendo para os cofres públicos mais de R$ 2 bilhões, dinheiro que deveria ser investido nesta área tão carente.

Segurança

Contrastando com o bom momento da nossa economia, a violência continua sendo uma mancha na nossa reputação. O Brasil aparece na modesta 83ª posição no ranking dos países mais pacíficos do mundo, em uma lista de 121 nações, encabeçada pela Noruega. O combate ao crime organizado, portanto, é um dos nossos maiores desafios, principalmente quando o país se prepara para sediar os dois principais eventos esportivos do mundo. Certamente, o Governo Federal terá que tomar a frente na guerra contra o tráfico, o principal financiador da violência do Brasil, além de combater a corrupção nas polícias estaduais.

Portos

Este é um dos maiores “gargalos” para o crescimento da nossa economia. O próprio Ministério da Agricultura estima que 20% da safra de grãos (cerca de 20 milhões de toneladas) estão sendo embarcados em portos bem mais distantes de qualquer programação logística. Um exemplo disso é que grande parte da produção de soja do Centro-Oeste e do Nordeste estão percorrendo milhares de quilômetros via terrestre, até serem embarcadas pelo congestionado porto de Santos. Como resultado desta anomalia logística, o preço da saca de soja sobe de R$ 3 a R$ 4, o que torna inviável sua exportação para alguns países. Como se não bastasse, esta é uma das áreas mais burocratizadas do país, além de uma das mais “aparelhadas” por sindicalistas.

Aeroportos

É visível o colapso dos aeroportos brasileiros, tanto para o transporte de passageiros quanto para o transporte de cargas. Em 2008, por exemplo, o aeroporto com maior vocação para transporte de cargas do país (Viracopos – SP) já operava em 140% de sua capacidade de importação. Em exportação, Confins (MG) atingiu 130% e Salvador, 113%. Daí uma das razões para os cada vez mais freqüentes atrasos. Assim como nos portos, falta espaço de armazenagem, câmaras frigoríficas e pessoal para liberar as cargas em tempo razoável. É, sem dúvida, uma das maiores preocupações para a Copa de 2014.

Estradas

1/3 dos 76,4 mil quilômetros de estradas sob a gestão pública estão em estado ruim ou péssimo. Eis aqui mais um fator que aumenta o famoso “custo Brasil” que deverá receber pesados investimentos nos próximos anos, pressão esta que será ainda maior com o aumento expressivo de veículos que deverá continuar batendo recordes sucessivos. O problema é que tanto o governo tucano quanto do PT tem cedido a tentação de repassar tais investimentos para a iniciativa privada, o que representa mais pedágios para o contribuinte.

Ferrovias

O PAC 2 prevê, até 2014, R$ 71 bilhões de investimentos público e privado nas ferrovias. O problema é que este valor é 270% superior a tudo que foi investido na área 2004 a 2008. E aí fica a interrogação: será possível?

Pré-sal

Só o tempo vai dizer se o modelo de partilha implantado pelo PT será melhor ou pior que o modelo atual, responsável pela triplicação da produção da Petrobrás. Até aqui, no entanto, os resultados não têm sido positivos, pois mesmo com toda expectativa de ganhos futuros do Pré-sal e com a maior capitalização da história, as ações da Petrobrás caíram mais de 20% desde que o Governo iniciou os esforços para sua capitalização. Aliás, a empresa já vem dando sinais negativos há algum tempo. Desde a crise de 2008 o Governo concedeu vários empréstimos à empresa, além do já gigantesco orçamento de R$ 80 bilhões previsto para 2010 (valor 1,5 vezes superior ao orçamento da saúde, vale salientar).

De concreto até aqui só a certeza do alto custo (e de riscos) da exploração do petróleo do Pré-sal e a necessidade de mais recursos. O próximo Governo, portanto, terá aqui mais uma imensa responsabilidade. Se o Pré-sal vingar de fato, teremos aqui um grande reforço nas receitas do Governo. Caso contrário, a Petrobrás poderá perder mais alguns bilhões em ações, o que pode contaminar diversos indicadores econômicos do país.

Copa do mundo

Dados oficiais da Fifa mostram que o custo de realização da Copa foi multiplicado por 11 entre 2004 e 2010. Como resultado, a copa da África do Sul foi a mais cara da história, assim como a do Brasil deverá bater um novo recorde. Segundo ONGs sul-africanas, o dinheiro gasto no mundial seria suficiente para construir 12 milhões de casas (algo como 12 programas “Minha Casa, Minha vida”). Por outro lado, a Fifa arrecadou US$ 3,2 bilhões em renda com o evento e sem pagar um centavo sequer em impostos a África do Sul.

Claro que existe um ganho de imagem para o país que não está computado aqui, mas certamente este ganho só será computado no futuro. No presente, no entanto, o que temos é mais um grande desafio para o próximo governo, pois até agora, três anos após o anúncio do Brasil como sede, quase nada foi feito. Das promessas de construção de estádios pela iniciativa privada, até agora nada foi firmado, de forma que todo o investimento vai terminar caindo nos cofres públicos, o que, por sua vez, vai significar mais dívida para o futuro.

Olimpíadas

Assim como a copa, o próximo governo terá aqui também mais uma enorme pressão para o aumento do endividamento. A julgar pela experiência do Pan do Rio, que teve os gastos previstos multiplicados por dez, certamente teremos nas olimpíadas também gastos muito acima dos R$ 27 bilhões programados inicialmente. E tudo isso em nome de mais publicidade para o Brasil, objetivo este já alcançado de forma mais eficiente com a copa (já que terá várias sedes), há apenas 2 anos antes.

PAC / PAC 2

O governo Lula vai terminar com pouco mais da metade do PAC 1 concluído, mas já lançou o PAC 2, com um orçamento três vezes superior ao primeiro, uma bagatela de R$ 1,6 trilhão, o equivalente a dívida interna atual. A julgar pela experiência do primeiro, que teve várias outras obras anexadas, além de orçamentos aumentados ao longo dos últimos três anos, é de se esperar que o PAC 2 atinja os R$ 2 trilhões no final. De onde virá tanto dinheiro e em que governo será concluído é um mistério.

Setor energético

Um dos maiores empecilhos para o nosso crescimento é a geração de energia. Nos oito anos de Governo Lula a capacidade instalada foi de 32 mil MW, número superior aos 24 mil MW instalados na era FHC. O problema é que percentualmente em relação ao PIB, o Governo Lula investiu 39% (FHC investiu 43%). Ou seja, se no Governo FHC uma seca prolongada foi capaz de nos levar ao apagão, hoje este risco é ainda maior.

Modernização das forças armadas

O anúncio da compra dos caças, que ajudou a desviar as atenções da mídia durante a crise do Senado, ficou só no anúncio. Vai ficar para o próximo governo mais um compromisso já capitalizado politicamente por Lula, uma bagatela de US$ 4 bilhões. Como se não bastasse, o anúncio da modernização da frota da Aeronáutica chamou a atenção para a necessidade de modernização também do Exército e da Marinha, mais uma pressão por gastos no próximo governo.

CONCLUSÃO

Assim como na macroeconomia, o Governo Lula foi pródigo em repassar para o sucessor grandes responsabilidades de execução de projetos já lançados e capitalizados politicamente. Além de dificultar a reforma tributária, já que a demanda por gastos públicos será ainda mais elevada, Lula coloca o próximo presidente numa camisa de força, pois, seja qual for o novo ocupante do Palácio do Planalto, dificilmente conseguirá atender todas as expectativas criadas, o que reforçará o mito Lula na campanha presidencial de 2014.

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89 Responses to Os desafios do pós-Lula (investimentos)

  1. Ricardo carvalho says:

    Analise isenta e bem intencionada, sem os pendores políticos de outras que vejo dioturnamente na rede.
    Por isso a assino.
    Parabéns

  2. Pingback: Tweets that mention Os desafios do pós-Lula (investimentos) « Visão Panorâmica -- Topsy.com

  3. Dan says:

    Amiltom Aquino, a origem a inflação que corroeu a renda das famílias brasileira até a metade da decada de 90 foram os altos gastos no governo militar no chamado milagre brasileiro né?
    Te pergunto: a longo prazo esses gastos elevados do governo nos chamados PACs podem nos fazer voltar ao processo inflacionário?

    • Olha Dan,

      Não só o endividamento via PAC, como também o endividamento recorde do Banco Central que não está sendo contabilizado como dívida. A confirmação desta suspeita tive hoje através da sugestão de um link de um leitor, embora já tivesse lançado a questão em debate no sétimo post da série sobre a dívida pública. Esta é uma bomba ainda maior que poderá ter graves conseqüências, não só aqui como em outros países do mundo que repetem as operações de maquiagem das contas públicas através dos títulos em poder do BC, a bagatela de R$ 669 bilhões que não estão sendo computados como dívida. Sugiro que leia primeiro o post 7 neste blog e depois um artigo de um PHD norte-americano sobre as falsificações dos BCs: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=593.

  4. aliancaliberal says:

    Feliz por vc retornar a postar eu vi seu blog e tinha como ultimo post janeiro,(seu blog e um dos melhores que ja vi no meu humilde conhecimento),e estava lendo o conteudo mas triste pela dada antiga.
    Mises,ayn rand e visãopanoramica livrando o mundo do obscurantismo.

  5. Olá, Amilton.
    Li quase todo seu blog. Parabéns! Nunca tinha visto uma comparação entre Lula e FHC que não fosse pela propaganda do governo petista. Sempre soube que Lula é um cara de pau como “nunca antes na história desse país”. Agora, me explique uma coisa: por que tanta gente, aparentemente madura e inteligente (economistas, artistas, etc.) caem no “conto do ex-operário”, como dizia Brizola?
    Será que estão apenas enganados pela propaganda petista? Ou será que, mesmo conscientes das mentiras do PT, eles continuam a votar nele por mero desprezo à Direita que, como sabemos, não é flor que se cheire?
    Como você bem disse, é difícil lutar contra o “deus” Lula. É como dar murro em ponta de faca.

    P.S. Outra interrogação: Por que FHC aparece tão pouco na mídia para defender seu governo e ajudar a desconstruir a imagem do governo “espetacular” do Lula?

    • Olá Gilx,

      Suas perguntas já trazem a resposta. Em uma campanha tão polarizada é natural que existam intelectuais e artistas de ambos os lados, pois o dilema é escolher entre o menos pior. Veja que nestas eleições a Marina ficou com a maioria dos artistas e intelectuais justamente por se apresentar como uma alternativa aos dois pólos da disputa. No segundo turno não tem jeito.

      O que mais me espanta é ver que ainda hoje existam intelectuais e artistas altamente engajados nesta disputa ridícula. Digo ridícula porque não deveríamos mais engolir esta velha retórica que divide esquerda e direita, até porque do discurso do PT da oposição só sobrou a defesa dos mais pobres (e mesmo assim de forma eleitoreira), pois na prática se mostrou muito mais parecido com tudo o que criticava, inclusive na corrupção.

      Quanto a FHC, o PSDB errou muito tanto no governo quanto na oposição. No governo não soube explicar a população o porquê do alto endividamento, além de não informar sobre a importância para o futuro de algumas de suas realizações. Na oposição, o PSDB praticamente abandonou FHC, deixando Lula totalmente à vontade para desconstruir sua imagem. Só agora no final da campanha é que Serra tem sido um pouco mais enfático na defesa do legado de FHC, mas ainda assim de forma muito incompetente.

      É incrível que nos debates ele deixe a Dilma fazer aquelas ridículas comparações descontextualizadas. Ele quebraria tais bravatas com apenas cinco argumentos:

      1) Apesar da inflação, a arrecadação do governo aumentou 10 vezes nos últimos 16 anos, enquanto que a população aumentou apenas 23%. Ou seja, o governo tem hoje incomparavelmente mais dinheiro para investir. Portanto, não faz mais que sua obrigação.

      2) Durante todo o governo FHC o PIB mundial aumentou de US$ 30 para US$ 33 trilhões, enquanto apenas nos seis primeiros anos da era Lula pulou para US$ 60 trilhões, sendo que houve um descolamento dos investimentos dos países do primeiro mundo para os emergentes. Ou seja, qualquer que fosse o governo herdaria tal cenário.

      3) Lula é o primeiro presidente desde o final do regime militar que assume o governo sem ter como principal desafio o combate a inflação e com uma política econômica já definida. Ou seja, pôde se dedicar exclusivamente a ações mais propositivas, como investimentos, ações estas, diga-se de passagem, dão muito mais popularidade que as ações de saneamento da economia implementadas por FHC.

      4) Apesar de todo este cenário positivo, o governo atual continuou aumentando a dívida interna em uma proporção superior a era FHC, época caracterizada pela luta constante contra a inflação e com o dólar valorizado, em meio a uma sucessão de crises internacionais e a necessidade urgente de reformas na nossa economia. Resultado: pagamos hoje 35% do nosso orçamento em juros o com a rolagem da dívida.

      5) Apesar da urgência de reformas, o governo Lula vai terminar o segundo mandato sem colocar em prática nenhuma das seis grandes reformas prometidas no discurso de posse do primeiro mandato, mesmo o presidente contando com um popularidade recorde e com o apoio do maior partido do país, o PMDB.

      É por essas e outras que não podemos mergulhar fundo em nenhuma destas campanhas, pois se de um lado temos um governo populista, que faz tudo parecer muito melhor do que realmente é, do outro temos uma oposição incompetente, que permitiu que as mentiras de Lula fossem repetidas durante todos estes anos, a exemplo do suposto pagamento da dívida externa. Aliás, esta era para ser uma das mentiras mais combatidas neste segundo turno. No entanto, o que temos? Um povão que acredita que a dívida externa foi paga (quando o que foi pago foi uma ínfima parcela do FMI e do Clube de Paris). Aliás, a dívida externa nunca esteve tão alta (hoje mais de US$ 300 bilhões). E cadê a oposição?

      É por estas e outras que não me envolvo na campanha do Serra, mesmo tendo um viés para votar nele, já que luto contra o pupulismo de Lula. Voto, mas voto consciente de que terei que criticá-lo muito, se for eleito, pois até agora não conseguiu enxergar o óbvio.

  6. Sandro says:

    Aquino,
    Ótima resposta, como sempre!
    Apenas um comentário sobre a tua colocação:

    “É incrível que nos debates ele deixe a Dilma fazer aquelas ridículas comparações descontextualizadas. Ele quebraria tais bravatas com apenas cinco argumentos”

    No meu ver, seria muito difícil a oposição fazer isso num debate televisivo, pois, além da restrição de tempo, é praticamente impossível converter esse raciocínio numa linguagem que o nosso povo iletrado entendesse, no sentido de ser lesado por este governo!
    Também, quanto aos intelectuais que apóiam este governo, tenho minhas dúvidas sobre os conhecimentos de economia de alguns deles e, de outros, sobre suas pretensões políticas, como cargos em uma “nova” administração!
    Abs
    Sandro

    • Olá Sandro,

      Não precisava falar tudo de uma vez. Ele poderia dar uma ou outra pincelada neste e outros ítens sempre que houvesse uma comparação descontextualizada. Isto serviria não só para diminuir o mito Lula, como também para questionar a ética daqueles que fazem tais comparações.

      Para tornar mais claro, Serra também poderia fazer uma analogia com um pai de família que sustentava uma família com 4 pessoas com um salário de mil Reais e, 16 anos depois, tem seu salário elevado a 10 mil, sendo que sua família ganhou apenas mais um membro e mesmo assim continua comprometendo a maior parte do salário com o cartão de crédito. Ou seja, temos aqui um péssimo administrador.

      Abraço

      • Sandro says:

        Nas palavras do Demétrio Magnoli no Roda Viva 16/09:

        “Grande parte do eleitorado vive naquilo que eu chamo de esfera da necessidade, ta certo, e a esfera da necessidade faz com que determinados temas institucionais, políticos, relativos à democracia, extremamente importantes, gravíssimos, pareçam um tanto temas esotérico, quando voce tem que terminar o mês com aquela grana. Eu não acho que isso é incompreensível, eu acho que isso é racional também, e acho que isso é uma parte da fotografia do Brasil!”

  7. Dan says:

    Amilton, concordo com o Sandro. Acho que a maior dificuldade é fazer com que a maioria da população entenda, em muito pouco tempo, o que realmente aconteceu em, termos conjunturais, na economia mundial nos dois governos.

    • Olá Dan,

      Também acho que agora é um pouco tarde para isso. Mas preferia ver o Serra sendo mais verdadeiro. Poderia até perder, mas que usasse tal espaço para combater a mentira.

  8. Sandro says:

    Amilton,

    O problema é que verdade é um conceito muito relativo! para ti e para mim, que tivemos acesso a educação, a “verdade” é uma, para a grande maioria da população é outra!
    Fazendo uma comparação com a disciplina de marketing: hoje temos que ter um produto para cada público, praticamente não tem mais como se fazer um que agrade a todos, pois as pessoas são diferentes e tem maneiras diferentes de suprir suas necessidades/desejos , assim como os eleitores, que tem diferentes graus de entendimento. E, nós, infelizmente, somos a minoria dos eleitores!

  9. Dan says:

    Caro Amiltom, sugiro a leitura desse post de Reinaldo Azevedo sobre privatizações.
    Trata de um pedido de plebicito para reestatização da Vale e veja o que o relator, o deputado José Guimarães do PT, diz sobre a proposta.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-que-o-pt-esconde-o-pt-fez-a-mais-entusiasmada-defesa-da-privatizacao-da-vale-e-provou-o-bem-que-a-decisao-dos-tucanos-fez-ao-pais/#comments

  10. Olá, Amilton.
    Conversando com um petista sobre o tal pagamento da dívida ao FMI, Ele disse ser economista e me falou que eu estava equivocado. Disse que a dívida externa não foi paga. O que o PT fez, segundo ele, foi ter reservas de dólares superiores ao valor da dívida interna. Ou seja, se o governo quiser (segundo ele) pode quitar a dívida a qualquer momento. Só que se ele quitar, fica sem nada no caixa, ou seja, não é vantajoso para o governo quitar a dívida externa.

    Quando usei dados do seu blog, de que o que aconteceu de fato foi uma troca de títulos da dívida externa, com juros de 4%, por títulos da dívida interna, com juros entre 8% e 12%, ele me disse que eu não sabia o que era dívida interna. Falou que os dados que levei em consideração são referentes a toda a dívida interna tanto do governo, quanto das empresas privadas. Ou seja, grande parte do aumento não foi graças ao governo e sim graças às empresas privadas.

    Segundo ele, é normal a dívida aumentar conforme aumenta a taxa de inflação. O que é preocupante é ela aumentar em porcentagem em comparação ao PIB. Ele concluiu:”Já que tivemos inflação desde 2002, é lógico que a dívida aumentou. Estranho seria se não aumentasse. Porém, o PIB cresceu a uma taxa maior, o que mostra que do ponto de vista econômico o governo Lula foi muito bom, ao contrário de FHC que vendeu várias empresas e ainda assim aumentou a porcentagem da dívida em relação ao PIB”.Quando FHC deixou a presidência a dívida interna do setor público estava em 44,56% do PIB. Em agosto de 2010 ela está em 50,96%. Ou seja, o aumento foi claramente menor que o aumento do PIB, o que mostra uma economia “saudável”. Esses dados, segundo ele, são do IPEADATA.

    Ele não me convenceu de que era um economista, mas um simples petista militante. Como sou leigo em economia, indiquei-lhe o seu blog. Espero que ele leia este post, pois você está bem mais credenciado para rebater esses malabarismos com os números que os petistas tanto fazem.

    • Olá Gilx,

      Esta suposição de que o Brasil poderia quitar a dívida com as reservas é uma balela. Vou publicar aqui um pequeno trecho sobre as reservas no primeiro post da minha última série:

      “Ao contrário do que muita gente pensa, as reservas cambiais não são uma “poupança” como o Governo tenta vender a idéia. Se fosse, certamente o Governo usaria pelo menos 1/3 dos atuais cerca de US$ 275 bilhões para quitar uma parte de dívida interna, que é hoje um dos principais entraves para o nosso crescimento sustentável.

      Elas são o resultado das transações de bens e serviços realizadas pelos brasileiros com o exterior, assim como o fluxo de capitais entre o país e o exterior (empréstimos, financiamentos, aplicações, investimentos diretos, etc), além do acúmulo de dólares comprados pelo BC, operação esta cada vez mais freqüente uma vez que o excesso de dólar no mercado valoriza o Real e dificulta nossas exportações.

      O problema é que existe um custo para manter as reservas (hoje estimado pelo Bradesco em US$ 27 bilhões anuais) e o Brasil já ultrapassou em quase 1/3 o valor considerado ideal pelos especialistas. Ou seja, o Governo vai ter que encontrar outras formas de valorizar o dólar, pois o custo das reservas já se tornou um grande problema, tanto que alguns economistas já começa a chamar nossas reservas de “dívida invisível”.

      Sobre a parte da dívida externa referente às empresas privadas, ela sempre existiu. Ela é hoje de US$ US$ 80,916 bilhões, valor bem inferior aos US$ 228,6 da união. Logo, a dívida externa continua batendo recordes, chegando em agosto a US$ 309,510 bilhões.

      Sobre o percentual da dívida em relação ao PIB esta é mais uma cortina de fumaça para esconder o problema da dívida. O governo calcula o percentual com a dívida líquida, que é puxada para baixo pela enxurrada de dólares que invadiu o país a partir de 2006. Se considerar a dívida bruta, o percentual de endividamento sobe de 41% para 65% do PIB. E olha que estou falando segundo a nova contabilidade da dívida instituída a partir de 2007. Se utilizássemos a mesma metodologia da era FHC, só a dívida interna hoje já estaria beirando os R$ 2,5 trilhão (números disponíveis no BC). Se somarmos a isto o valor da dívida externa, sem as deduções das reservas, claro, este percentual chega próximo aos 82% do PIB.

      Mas o pior é perceber que o Governo Lula continuou aumentando dívida bruta em um percentual bem acima do ritmo da era FHC, época em que o governo teve que assumir um valor equivalente a metade da dívida deixada por estados e municípios. Em economia, nos momentos de bonança, o governo deve aproveitar para reduzir o endividamento e aumentar a poupança interna (que é bem diferente de “reservas”), algo que o governo Lula passou muito longe. Agora já começamos a sentir os efeitos da irresponsabilidade com o problema do câmbio.

  11. aliancaliberal says:

    Um cliente chega ea coversa vai pra politica.
    -Eu vou votar na dilma pq ela pagou a divida externa
    -A divida externa não foi paga ,o brasil ainda deve uns 300bilhões.
    -Quem te disse isso.
    -o banco central.
    -ta errado
    -como assim eo banco central que fala isso não eu.
    -o lula disse que pagou a divida externa
    -não foi a divida externa foi o debito com o FMI o resto ainda continua devendo.
    -quem disse?
    -o banco central
    -eles estão enganados então.
    nesta hora desisti fazer o que EU TENTEI ,mudando o ditado contra burrice(força) não ha argumento.

  12. Dan says:

    Caro Amilton, passo o link de uma análise Rodrigo Constantino sobre a bomba que o atual governo armou na economia brasileira. Acho que a análise dele bate muito com a sua.

    Recomento a todos participantes do blog.

    http://www.youtube.com/watch?v=IE_ZT55T1Kc

    • Obrigado Dan por mais esta contribuição. É o que dizemos aqui o tempo todo: o governo Lula é imediatista. Está mais preocupado em criar números fantásticos agora, mesmo que este números não sejam sustentáveis a médio e longo prazo. Vamos torcer para que a Dilma ou o Serra consigam reverter este processo. O pior é ter que aguentar ele (Lula) nos bastidores gabando-se pelo fato do sucessor (seja Dilma ou seja Serra) não conseguir continuar aumentando o mínimo no mesmo ritmo, etc. etc. Só mesmo a educação para salvar a população desse tipo de político, mais empenhado na autoglorificação do que com o bem do país.

  13. Ana Paula says:

    Prezado Aquino,

    Seria muito sensato da sua parte, trazer as fontes de dados de seus argumentos toda vez que trouxer informações ao leitor..é muito fácil falar de números sem comprová-los. Vou trazer aqui várias contra-argumentações de muita coisa que voce afirmou em seu blog (mas note, todas com fontes confiáveis, viu). Abraços.

    • Prezada Ana Paula,

      Para checar os dados que posto aqui basta copiar a parte que vc tem dúvida e colar na busca do Google. Pesquise também, vai ser bom para vc. Minha intenção aqui é informar e não enganar. Se vc tem contestações, faça-as.

  14. Ana Paula says:

    Tópico 1: Não é verdade que houve “aparelhamento da máquina administrativa” na Era Lula;

    Você já deve ter ouvido por aí, tantas vezes, que o PT e o governo Lula “aparelharam o Estado”, usando dos cargos em comissão para empregar amigos, apaniguados e militantes, certo?

    Pois bem, então lhe perguntamos: quantos são esses cargos em comissão no Poder Executivo federal? São 200 mil, 80 mil, 20 mil? Você faz ideia de qual é esse número preciso?

    Primeiramente, acesse este documento aqui: o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, última edição, de julho deste ano.

    Vejamos: na página 33, você pode ver que há hoje, no Executivo federal, um total de 570 mil servidores civis na ativa.

    Os ocupantes de DAS (cargos de direção e assessoramento superior) são 21,6 mil (página 107).

    Porém, os de recrutamento amplo, ou seja, aqueles que foram nomeados sem concurso, sem vínculo prévio com a administração, são quase 6 mil (página 109), ou pouco mais de 1% do total de servidores civis. Se você considerar apenas os cargos que são efetivamente de chefia (DAS 4, 5 e 6), não chegam a mil e quinhentos.

    Parece bem menos do que se diz por aí, não é mesmo? Agora vamos lá: para que servem esses cargos? Não custa dizer o óbvio: em democracias contemporâneas, o grupo que ganha o poder via eleições imprime ao Estado as suas orientações políticas. Em alguns países, o número de comissionados é maior (caso dos EUA); em outros, menor (como na Inglaterra). É natural que seja assim.

    O que dizem os estudos internacionais sérios sobre a máquina administrativa brasileira? Vá aqui e baixe um estudo da OCDE sobre o tema. No Sumário Executivo, você verá que o Brasil não tem servidores públicos em excesso, embora o contingente de servidores esteja em expansão e ficando mais caro; que há necessidade de servidores sim, para atender às crescentes demandas sociais; que uma boa gestão de RH é essencial para que isso se concretize; e que o governo federal deve ser elogiado pelos seus esforços em construir um funcionalismo pautado pelo mérito.

    Vamos então falar de meritocracia? O que importa é que o governo Lula perseguiu uma política de realização de concursos e de valorização do servidor público concursado sem precedentes. Basicamente, com os novos concursos, a força de trabalho no serviço público federal retomou o mesmo patamar quantitativo de 1997. A maior parte dos cargos criados pelo PT, porém, foi para a área de educação: para as universidades e institutos técnicos já existentes ou que foram criados. Volte no Boletim Estatístico e veja a página 90, sobre as novas contratações em educação. Houve muitos concursos para Polícia Federal e advocacia pública, além de outras áreas essenciais para o bom funcionamento do Estado.

    O governo Lula regulamentou os concursos na área federal (veja os arts.10 a 19 deste Decreto), recompôs as carreiras do ciclo de gestão, dotou as agências reguladoras de técnicos concursados (veja a página 92 do Boletim Estatístico), sendo que nos tempos de Fernando Henrique, elas estavam ocupadas por servidores ilegalmente nomeados.

    • Ana Paula,

      Quando vc questionou as fontes, pensei que vc se referia aos itens deste post. Só depois percebi que vc fez um apanhado geral de outras postagens, o que prova que vc tem lido nosso blog. Obrigado então pela audiência. É sempre bom ter opiniões contrárias por aqui, pois isso só enriquece o debate.

      O problema é que vc postou tudo de uma só vez justamente numa semana em que vou estar muito ocupado com o vestibular do IME. Portanto, vou ter que ser mais sucinto do que de costume.

      Sobre o aparelhamento da máquina, isso é visível na troca de cargos por apoio políticos nas estatais, ministérios e todas as esferas da administração pública. Concordo com seus argumentos sobre a necessidade de ampliar os quadro do serviço público, especialmente na educação, o que de fato ocorreu. O problema é que estes dados tem subido proporcionalmente acima do PIB. No início do governo o funcionalismo público representava 14% do orçamento do governo, agora são 18%. Se aumentou a proporção para o pagamento do funcionalismo então significa que diminuiu para outros setores. E aí então entramos em outra discussão: o tamanho do Estado e suas conseqüências para o futuro. Hoje, por exemplo, os 10% dos aposentados do setor público representam mais da metade do déficit da previdência. Isto acontece por dois motivos: 1) Os aposentados do setor público têm aposentadorias bem maiores que a média geral da população; 2) A contribuição previdenciária do setor público é de apenas 11%, enquanto que do setor privado a contribuição ultrapassa os 30% (o funcionário contribui com 11% e as empresas com 20%).

      Portanto, este quadro de expansão dos gastos fixos (que são difíceis de cortar em um momento de crise, por exemplo), comprometem o nosso futuro, aliás, como já está acontecendo em vários países europeus.

      Além do mais, existem dados oficiais que apontam sim este inchaço. Por exemplo, quando assumiu, estavam lotados na Presidência 2.133 servidores. Ao se encerrar o primeiro mandato de Lula, já eram 3.346, número duas vezes maior que os servidores de Obama.

      Na Casa Civil quase triplicou o número de funcionários, entre outros vários exemplos. Para ver a matéria publicada no estadão, clique aqui.

      Enfim, este aumento de gastos explica o porquê do governo atual mesmo tendo as receitas aumentadas em 1000%, quando comparado ao primeiro orçamento de FHC (enquanto que a população cresceu apenas 25%, com inflação de 90%, no mesmo período) ainda continuar fazendo malabarismos contábeis para fechar as contas.

  15. Abbud says:

    Amilton, este site é para ajudar a comprovar o que voce muito bem comprovou em seus posts mas ainda nem todos conseguem enxergar.

    http://pt-br.governobrasil.wikia.com/wiki/Arquivo:Resumo_visual03.png

    É um resumo de indicadores aonde o mais importante é o ultimo, o IDH, com FHC o IDH do Brasil subiu muito mais do que com o fanfarrão LULA, e o IDH é o indicador mais completo e abrangente de desenvolvimento que temos, o que prova que o plano real foi muito mais eficiente no desenvolvimento do que qualquer outra açao populista ou assistencialista de LULA.

    Abraços

  16. Ana Paula says:

    Tópico 2: Não é verdade que “houve mais corrupção no governo Lula do que no FHC”; Pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;

    Muitos eleitores revelam a sua insatisfação com o governo Lula enumerando casos como o mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios. Porém, uma memória que não seja curta pode se lembrar de casos como SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc, para ponderar que mais do que exclusividade deste ou daquele governo, escândalos de corrupção são um mal da nossa cultura política.

    Cientistas sociais sabem que é muito difícil “medir” a corrupção. Como a maior parte dela nunca vem à tona, não chega a ser descoberta, noticiada e investigada, nunca se tem uma noção clara do quanto um governo é realmente corrupto. O que importa, então, é o que um governo faz para combater essa corrupção. E nisso, o governo Lula fica muito bem na fita.

    Vamos começar pela Polícia Federal. Logo no início do governo, foi feita uma limpeza no órgão (até a revista Veja chegou a publicar uma elogiosa reportagem de capa). Desde então, foram realizados uma série de megaoperações contra corruptos, traficantes de drogas, máfias de lavagem de dinheiro, criminosos da Internet e do colarinho branco (veja uma relação dessas operações aqui). Só em 2009, foram 281 operações e 2,6 mil presos. Desde 2003, foram quase dois mil servidores públicos corruptos presos. Quem compara os números não pode negar que a PF de FHC não agia, e que a PF de Lula tem uma atuação exemplar.

    • Ana Paula,

      É perceptível a melhora na Polícia Federal. Mas isso não é apenas fruto dos investimentos e concursos realizados. Hoje a tecnologia é muito superior, o que torna as operações da PF muito mais eficazes. Ou seja, não foi só aqui que esta melhora ocorreu. Tanto que o índice de corrupção do país não tem melhorado, ficando estagnado nos 3,5 pontos em uma escala de 0 a 10, encabeçada pela Dinamarca, que conseguiu a nota de 9,2. Aliás, temos até caído em posições nos últimos anos, apesar de do índice permanecer o mesmo, o que significa que outros países estão avançando mais que nós nesta área. Por exemplo, em 2006, o Brasil aparecia na 70ª posição na lista dos países mais corruptos do mundo, segundo a ONG Transparency International. Em 2007, subiu para a 72ª posição e em 2008 para a 80ª posição.

  17. Ana Paula says:

    continuação tópico 2…

    E a Controladoria-Geral da União? Inicialmente, FHC criou a tímida Corregedoria-Geral da União. Foi Lula que, a partir de 2003, realizou concursos públicos para o órgão e expandiu sua atuação. Hoje, a CGU é peça-chave no combate à corrupção. Graças ao seu trabalho, quase 3 mil servidores corruptos já foram expulsos. A CGU contribuiu no combate ao nepotismo e zela pelo emprego das verbas federais via sorteios de fiscalização. E o Portal da Transparência, você conhece? Aquele “escândalo” do mau uso dos cartões corporativos só apareceu na imprensa porque todos os gastos das autoridades estavam acessíveis a um clique do mouse na Internet.

    Vamos ficar nesses casos, mas poderíamos citar muitos outros: o fortalecimento do TCU como órgão de controle, um Procurador-Geral da República que não tem medo de peitar o governo (o do FHC era chamado de “engavetador-geral da República”, lembra-se?), o Decreto contra o nepotismo no Executivo Federal. Numa expressão, foi o governo Lula quem “abriu a tampa do esgoto”.

    Se uma pessoa acreditar menos numa mídia que é claramente parcial, e mais nas evidências, a frase “o governo Lula foi o mais republicano da nossa história” deixará de parecer absurda. Que tal abrir a cabeça para isso?

    • Como vc mesmo falou, FHC criou a Corregedoria-Geral da União. Naturalmente criar um órgão é muito mais difícil, já que exige investimentos em infra-estrutura (prédios, carros, mobília, projeto, estatuto, etc.). Portanto, Lula não fez mais que sua obrigação ao contratar mais gente e melhorar as condições de trabalho. Méritos para ele, méritos para FHC. Agora o que não podemos é ficar comparando números entre tais governos como se estes fossem estáticos, como se o PIB da era Lula fosse o mesmo da era FHC.

      Os sites que mostram os gastos do governo, assim como do poder legislativo são uma evolução natural da tecnologia que a cada dia torna-se mais accessível. Estranho seria se o governo negasse este recurso a população.

      Agora, dizer que Lula é republicano, aí é demais, amiga. Se tivesse um pingo dessa qualidade não faria um décimo das barbaridades que tem feito nesta campanha, por exemplo.

  18. Ana Paula says:

    Tópico 3: Não é verdade que “a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC”;

    Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o leitor do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações com o exterior para pagar as contas do governo.

    Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, o dólar, que valia pouco mais de um real, valorizou subitamente para quatro reais. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição – que teve um custo altíssimo para o país – e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como “populismo cambial”). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um “cavalo-de-pau” na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

    Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão “genial”, que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco, hoje apoiador de Serra, discorde disso).

    • Ana,

      Esta é uma das maiores falácias do PT. Antes do Plano Real, sete outros planos haviam derrotado a inflação nos primeiros meses, mas nenhum deles sobreviveu. Ou seja, derrubar a inflação com uma engenharia econômica qualquer é a parte mais fácil. Todos os outros funcionaram nesta primeira parte. O mais difícil sempre foi resolver os problemas advindos desta brusca mudança e eliminar a memória inflacionária que permaneceu anos e anos no subconsciente coletivo, colocando em xeque o Real a cada nova notícia ruim da economia. Neste cenário, desvalorizar o Real seria o mesmo que jogar lenha na fogueira. Ou seja, o país não estava ainda preparado para adotar o câmbio flutuante. Antes de desvalorizar o Real, o Governo precisava antes desindexar a economia o máximo possível, eliminando os chamados “gatilhos salariais”, dando tempo necessário para contratos indexados expirarem e, principalmente, provando à população desconfiada (e ao PT que jogava no time do quanto pior melhor) que este não seria mais um plano fracassado.

      Quando estourou a crise asiática, em 1997, aí é que ficou ainda mais complicada a desvalorização, pois naturalmente todos os indicadores foram afetados por esta crise. Desvalorizar o Real neste cenário poderia ser a pá de cal que faltava para sepultar mais uma tentativa de estabilização. Depois veio a crise da Argentina e da Rússia, até que finalmente o Governo se convenceu que não dava mais para esperar e então mudou o regime cambial para o que vigora até hoje.

      Lógico que se o Governo tivesse uma bola de cristal para saber que em 1997 seria iniciada uma série de crises que perduraria até 2001 teria feito a desvalorização gradativa antes deste período, mesmo correndo o risco de colocar lenha na fogueira. Mas, infelizmente, este não foi o caso e tivemos realmente que pagar juros altíssimos para segurar os investidores.

      Hoje é fácil dizer que seria melhor fazer isso ou aquilo, mas o fato é que o Brasil resistiu à onda de quebradeira que contaminou vários países candidatos a emergentes. Chegamos bem perto de quebrar também, mas não quebramos.
      Portanto, este discursinho fácil de que o cambio fixo foi uma manobra eleitoreira é mais uma calúnia do PT. Aliás, FHC não precisava de nenhuma manobra para se reeleger, tanto que ganhou no primeiro turno. E aqui para nós, teria sido um desastre se Lula tivesse assumido em 1998. Teria pegado aquela sequencia de crises e FHC teria voltado em 2003 facilmente. Talvez até hoje estivesse ainda no poder.

      A mesma crítica, inclusive, pode ser feita ao Governo Lula, pois passou todo o primeiro governo com a mesma média de juros de FHC no período pré Crise Lula, de 18%. Os juros só começaram a baixar lentamente a partir de 2006 quando chegou uma enxurrada de dólares na nossa bolsa, aumentando nossas reservas e turbinando todos os demais indicadores econômicos. E, ao contrário das outras crises, na crise de 2008 o Governo Lula foi obrigado a acelerar a baixa dos juros para atenuar os efeitos da recessão. E se não fosse a crise, portanto, Lula iria terminar o governo com a Selic na cãs dos 14 ou 15%. Ou seja, Lula teria baixado em oito ano 3 ou no máximo 4 pontos percentuais em relação ao período FHC antes da “Crise Lula”.

      Os demais posts respondo no decorrer da semana, pois como vc pode ver, a hora já está bem avançada.

      Abraço

  19. Ana Paula says:

    Agora entendi pq não estou conseguindo postar direito no seu blog:
    É que sempre que cito um dado eu coloco um link com a fonte da informação e o sistema do blog não reconhece e simlesmente retira todos os links mencionados…mas enfim, vou continuar postando sem as fontes, mas se precisar de qualquer uma delas me avise que lhe envio ok… abraços
    Continuação tópico 3:
    Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior< E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores<, com redução da dívida pública< A alta do preço das commodities no mercado externo< favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas – e deu certo, puxando o crescimento do PIB o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo

    Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

    Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

    E quando bateu a crise? Aí o governo Lula foi exemplar. Ao aumentar as reservas em dólar desde o princípio do governo, dotou o país de um colchão de resistência essencial. Os aumentos reais do salário mínimo e o bolsa família possibilitaram que o consumo não se retraísse e a economia não parasse – o mercado interno segurou as pontas enquanto a crise batia lá foraE, seguindo o receituário keynesiano – num momento em que os economistas tucanos sugeriam o contrário – aumentou os gastos do governo como forma de conter o ciclo de crise. Deu certo. E a receita do nosso país virou motivo de admiração lá fora
    No meio da pior crise global desde a de 1929, o Brasil conseguiu criar milhões de empregos formais. Provamos que é possível crescer, num momento de crise, respeitando direitos trabalhistas, sendo que a agenda do PSDB era flexibilizá-los para, supostamente, crescer

    • Ana Paula,

      Quando falamos que a política econômica de Lula é a mesma de FHC é porque a base é a mesma, porque em nenhum momento o Governo Lula precisou lançar nenhum pacote econômico; porque Lula é o primeiro presidente desde o final da ditadura que não teve como principal objetivo de governo derrotar a inflação.

      E não me venha com aquela conversa mole de que a inflação estava descontrolada no final do governo FHC, porque o que houve foi um repique inflacionário, assim como a piora dos demais indicadores, como conseqüência do medo do mercado de que Lula alterasse a política econômica. Bastou ele assinar a famosa carta aos brasileiros e tudo voltou ao normal. Isto é fato.

      Das poucas mudanças que ocorreram na política econômica na era Lula (e deveriam ocorrer muito mais, vale salientar, basta ver o post “Os desafios do Pós-Lula”), algumas como o aumento das reservas, por exemplo, foi iniciada a partir do aumento dos preços das commodities. Ou seja, não tem nada a ver com o governo. Quando o dólar começou então a cair (também não tem nada a ver com o governo), o BC aproveitou o momento para iniciar a troca de dívida externa por dívida interna. Quando então a partir de 2006 comeram a chegar bilhões e bilhões via bolsa e tesouro aí então a coisa ficou ainda mais fácil.

      A expansão do crédito é um mérito da equipe econômica, mas é também uma conseqüência natural da evolução da nossa economia, assim como o aumento das reservas, a redução do risco país, entre outros indicadores. Assim como é difícil assoviar e chupar cana, é igualmente difícil reduzir a liquidez do mercado para conter e inflação e ao mesmo tempo aumentar a moeda em circulação via crédito. Na era FHC não foi possível, pois o ambiente econômico foi muito turbulento. A partir de 2003 o mundo experimentou seis anos e meio de crescimento ininterrupto, sem crises. Como diz o provérbio, tudo tem seu tempo.

      Os aumentos reais do salário mínimo foram iniciados na era FHC e continuados na era Lula. Méritos para os dois. Se Lula aumentou mais é porque a nossa economia ganhou mais musculatura, afinal existe um efeito cumulativo. Não fez mais que sua obrigação.

      Quando bateu a crise, claro que o Brasil estava muito melhor. Afinal, ao contrário de FHC que nunca passou mais de dois anos sem se defrontar com crises, Lula só veio enfrentar sua primeira crise no final do governo. Claro que as reservas foram importantes (e elas só foram possíveis devido a bolha da economia global que fez o PIB mundial duplicar em apenas sete anos, além da gradativa desvalorização do dólar), mas dessa vez o Brasil, ao contrário de vários países fortemente atingidos pela crise, contava agora com um sistema financeiro sólido, saneado no governo anterior. E vale salientar que a origem da crise foi justamente na desconfiança do mercado em relação ao sistema financeiro, o que transformou o Brasil em um dos principais destinos para os apavorados investidores europeus e americanos, desconfiados com a saúde dos seus bancos. Ou seja, a crise, que a princípio parecia um desastre para nós (e de fato foi nos três primeiros meses), terminou por se transformar em um fator positivo para o país, pois nos colocou em evidência no cenário mundial também pela saúde do nosso sistema financeiro.

      E eis que Lula, como sempre, aproveitou para fazer suas tradicionais bravatas para defender seu modelo ideal de Estado grande, deturpando as teorias anticíclicas de Keynes para justificar sua sede gastar cada vez mais.

      Ora, em todos os países atingidos pela crise os governos agiram em cinco frentes:

      1) Socorro ao sistema financeiro, a origem do problema.
      O Brasil, no entanto, não precisou se preocupar com isso, pois o único reflexo que chegou aqui desta crise foi o respingar da AIG no Unibanco, algo que foi facilmente contornado com sua compra pelo Itaú;

      2) Socorro a grandes empresas.
      Com exceção da Petrobrás, que inexplicavelmente sofreu mais que a Vale na Crise, o Governo também não precisou desembolsar grandes quantias para socorrer empresas, nem mesmo com a Sadia que perdeu bastante dinheiro com a disparada do dólar nos meses iniciais.

      3) Redução de juros
      Bem menos que o primeiro mundo, mas seguimos o que todos estavam fazendo e baixamos finalmente 5 pontos da Selic. Ou seja, aqui a crise também foi benéfica para o Brasil, pois evitamos pagar alguns bilhões de juros com esta redução;

      4) Concessão de crédito.
      Também aqui o governo brasileiro também acompanhou as medidas adotadas em vários países. Não inventou nada;

      5) Redução de impostos.
      Também nenhuma novidade já que esta também foi uma medida fartamente usada em todo mundo.

      E eis que Lula surge citando Keynes! Puxa, o “cara” que fala na TV o tempo “voltar pra trás” conhece as teorias anticíclicas de Keynes! Das duas uma: ou ele não é tão desaculturado quanto tenta parecer ou então ouviu alguém falar e repetiu o discurso bonitinho. Em qualquer das hipóteses a única certeza é que ele é um personagem, que é interessante para manter sua popularidade estes traços característicos das camadas mais populares, nem que para isto tenha que falar errado em pleno guia eleitoral.

      Amanhã concluo as respostas aos seus demais comentários.

      Abraço!

  20. Ana Paula says:

    Você ainda acha que tucanos são ótimos de economia e petistas são meros imitões?

    Então vamos ao argumento mais poderoso: imagens valem como mil palavras.

    Dedique alguns minutos ao vídeo abaixo, e depois veja se você estaria feliz se Serra fosse presidente quando a crise de 2008/2009 tomou o Brasil de assalto:

    http://www.youtube.com/watch?v=Ig9pE6qwzxw&amp;

    • Ana Paula,

      A oposição (e especialmente o DEM) errou feio em ficar tirando onda da marolinha. A crise de fato era grave e o governo fez bem seu papel de tentar tranqüilizar o máximo a população. Eu mesmo cheguei a mandar um email para o site do DEM criticando aquela publicidade ridícula na TV, pois via naquela atitude a mesma atitude que o PT teve quando o Plano Real foi lançado e tantas outras iniciativas do PSDB. Este é apenas mais um lamentável exemplo de oportunismo das oposições, de jogar no time do contra. O PT foi especialista nisso e, pode ter certeza, que se voltar à oposição vai continuar fazendo, lamentavelmente. O PSDB infelizmente parece que andou aprendendo também alguns vícios do PT.

      Agora, neste episódio vale diferenciar o que é gasto e o que é investimento. O que os economistas aconselharam, e estavam corretos, foi o corte de gastos ou, no mínimo, não elevar os gastos fixos, algo bem diferente dos financiamentos essenciais em momentos de recessão. Felizmente, como já disse no outro comentário, por aqui e em todos os demais emergentes, a crise de 2008 foi apenas um susto. Passada a fase de perplexidade inicial, tudo voltou ao normal e os emergentes voltaram a crescer forte, agora numa condição superior a da antes da crise, pois tornaram-se agora a “locomotiva” da economia mundial (puxados pela China, claro).

  21. Ana Paula says:

    Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula “enfraqueceu as instituições democráticas”; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;

    Mostramos no tópico 2 que os órgãos de controle e combate à corrupção se fortaleceram no governo Lula. Além deles, os outros Poderes continuaram sendo independentes do Executivo. O Legislativo não deixou de ser espaço de oposição ao governo (que Artur Virgílio não me deixe mentir, e lhe impôs ao menos uma derrota importante>. O Judiciário… bem, além de impor ao governo derrotas, como no caso da Lei de Anistia<, está no momento julgando o caso do mensalãoo que dispensa maiores comentários.

    E a imprensa? Ela foi silenciada, calada, em algum momento? Uma imagem vale por mil palavras –

    O que se vê, na verdade, é o oposto. Foi o Estadão, que se diz guardião da liberdade, quem censurou uma articulistapor escrever este texto, favorável ao voto em Dilma

    Neste vídeo, uma discussão sobre as verdadeiras ameaças à liberdade de expressão<http://www.youtube.com/watch?v=6wTIRvRLn84&feature=player_embedded

    • Uma das coisas que me mais me deixam abismado hoje é ver pessoas até bem informadas se comportando como torcedores apaixonados. E por que chegamos a este ponto? Porque temos um presidente populista que promoveu a radicalização, a divisão da nossa sociedade. E quando isso começou? A partir do episódio do Mensalão. Depois que percebeu que não dava mais para botar o escândalo para debaixo do tapete, Lula saiu daquele ar melancólico inicial de “eu não sabia” (chegou até a pensar em se afastar da política, lembra?) e então começou o jogo de desqualificar a imprensa, a oposição e, principalmente, FHC, como nova estratégia. Daí a coisa só vem piorando a ponto de chegarmos a ver coisas inéditas na nossa democracia recente, como, por exemplo, a censura ao Estadão (sim, Ana, ainda hoje está censurado), a censura a jornalistas, como Jabor, por exemplo; a ameaça pública do presidente da república ao Ministério Público; as tentativas de criação de mecanismos de controle da imprensa, do MP, do Judiciário; o surgimento de blogueiros alugados para fazer o trabalho sujo, como o do PHA, Azenha, Nassif e etc.; a tomada de posição de jornais e revistas; um presidente transformado em cabo eleitoral; um presidente que desrespeita as leis; um presidente que desdenha a justiça; um presidente que se coloca acima da lei, etc. etc.

      O caso citado pelo vídeo é apenas mais um capítulo deste desfile de absurdos. Compare esta campanha de 2010 com a de 2002 e perceba os passos que demos para trás.

  22. Ana Paula says:

    Sobre democracia, é impossível não abordar um tema que foi tratado à exaustão neste ano de 2010: o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3.

    Muito se escreveu sobre seu caráter “autoritário”, sobre a “ameaça” que ele representaria à democracia. Pouco se escreveu sobre o fato de ele ser não uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros. Não se falou que se tratava de uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo. Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema. E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC.

    Duvida? Leia este texto
    http://terradedireitos.org.br/biblioteca/gazeta-do-povo-programa-de-lula-sobre-direitos-humanos-e-parecido-com-o-de-fhc/&gt; e este aqui
    http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=correio&idcorr=84&gt;.
    Ou ainda, veja com seus próprios olhos: neste link, os três PNDH’s http://www.dhnet.org.br/dados/pp/pndh/index.html

    • Ana Paula,

      Procurei rapidamente na versão do PNDH 1 alguma coisa relativa ao controle da imprensa e não encontrei nada. A única coisa que encontrei que mais se aproxima do assunto visa “garantir a imparcialidade, o contraditório e direito de resposta na veiculação de informações, de modo a assegurar a todos os cidadãos o direito de informar e ser informado”. Ou seja, nada mais democrático. Algo bem diferente daquele “ranking dos meios de comunicação que mais desrespeitam os direitos humanos” do PNDH 3.

      Se vc encontrar alguma referência a controle da imprensa no PNDH 1, por favor, poste aqui, pois isso representaria uma guinada radical de FHC na direção das esquerdas totalitárias.

  23. Ana Paula says:

    Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

    Quem acompanhou as eleições de 2004 e 2008 para a Presidência dos Estados Unidos sabe quais golpes baixos o Partido Republicano – aquele mesmo, conservador, belicista, ultrarreligioso – utilizou para tentar desqualificar os candidatos do Partido Democrata. Em 2004, John Kerry foi pintado como o “flip flop”
    http://www.youtube.com/watch?v=8DhzEtdeqSQ
    o “duas caras”. Em 2008, lançaram-se dúvidas sobre a origem de Obama: questionaram se ele era mesmo americano, ou se era muçulmano, etc
    http://argemiroferreira.wordpress.com/2008/10/31/obama-mccain-e-os-boatos-mais-sordidos
    Em comum, uma campanha marcada pelo ódio, pela boataria na Internet, pela disseminação do medo contra o suposto comunismo dos candidatos da esquerda e a ameça que representariam à democracia e aos valores cristãos http://www.idelberavelar.com/archives/2008/09/abaixo_do_pescoco_tudo_e_canela_como_os_republicanos_vencem_eleicoes.php

    Você nota aí alguma coincidência com a campanha de José Serra, a partir de meados de setembro de 2010?

    Não?

    Então vamos compilar algumas acusações, boatos e promessas que surgiram nas ruas, na internet, na televisão e nos jornais, com o objetivo de desconstruir a imagem da candidata adversária, ao mesmo tempo em que tentam atrair votos com base em mentiras e oportunismo.

    Campanha terceirizada:
    Panfletos pregados em periferias associaram a candidatura de Dilma a tudo o que, na ótica conservadora, ameaça a família e os bons costumes
    http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/04/dilma-aborto-maconha-prostituicao-casamento-gay-tai-a-prova/

    Panfletos distribuídos de forma apócrifa disseram que Dilma é assassina, terrorista e bandida, com argumentos dignos da época da Guerra Fria
    http://rsurgente.opsblog.org/2010/10/10/campanha-de-serra-abraca-agenda-fascista-da-guerra-fria-e-da-ditadura-militar/&gt;;
    E você acha que isso foi iniciativa isolada de apoiadores, sem vínculo com o comando central da campanha? Sinto lhe informar, mas não é o caso: é o PSDB mesmo que financiou e fomentou esse tipo de campanha de baixo nível
    http://www.rodrigovianna.com.br/geral/exclusivo-dona-da-grafica-e-do-psdb.html

    • Incrível como vc só vê a campanha rasteira do lado de Serra. Pergunta a qualquer um dos beneficiados do Bolsa Família hoje sobre o que vai acontecer se Serra se tornar presidente. A resposta é única: vai acabar com o Bolsa Família. Poderia citar vários exemplos de “conspirações” absurdas criadas e alardeadas pelo baixo escalão da campanha de ambos os lados, o que corrobora com o que expus nos comentários anteriores.

      E o que dizer da mentira deslavada no guia eleitoral e até em discursos oficiais? A coisa chegou ao ponto de Lula dizer com todas as letras: “pagamos a dívida externa”! É aquela história: uma mentira repetida várias vezes…

      Claro que o alinhamento do PT com a turma de Chaves faz com que todos os níveis de conservadores migrem para Serra, o que não significa que este seja de direita ou que concorde com todos os argumentos que são divulgados na net em seu favor. Como o próprio Lula já falou para o jornal Valor, em um dos seus raros momentos de sinceridade, pela primeira vez temos uma eleição sem um candidato de direita.

      Agora já que vc tenta atrelar a imagem de Serra aos republicanos, vc não acha estranho o fato de Lula ter sido tão amiguinho de Bush e se afastar agora de Obama?

  24. Ana Paula says:

    Promessas de campanha oportunistas:

    – O PSDB criticou o Bolsa Família durante boa parte do governo Lula; mas agora, José Serra propõe o 13º do Bolsa Família
    – O PSDB defende a bandeira da austeridade fiscal e da contenção dos gastos públicos – foi no governo FHC que se criou o “fator previdenciáriomas para angariar votos, Serra prometeu um salário mínimo de 600 reaise reajuste de 10% para os aposentados
    – O PSDB criticou o excesso de Ministérios criados por Lula, mas nesta campanha, Serra já falou que vai criar mais Ministérios

    – O DEM do vice de Serra ajuizou ação no STF contra o ProUni, mas agora diz que defende o programa

    – O PSDB se pintou de verde para atrair os eleitores de Marina no 1º turno, mas é justamente o partido de preferência da bancada ruralista e dos desmatadores da Amazônia

    • Pois é Ana, da mesma forma que Lula criticava o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, quando era oposição. Da mesma forma que votou contra o mesmo fator previdenciário, que agora defende; da mesma forma que criticava a CPMF quando oposição e, quando governo, fez tudo para torná-la permanente, etc., etc.

      É por estes e outros exemplos que votei na Marina no primeiro turno, pois ela falava justamente destas contradições eleitoreiras. Espero sinceramente que ela continue neutra e ganhe mais musculatura para a próxima campanha, assim como espero que mais brasileiros se conscientizem de quão absurda se tornou esta disputa e rejeite esta polarização da nossa sociedade promovida pelo nosso populista presidente.

  25. Ana Paula says:

    Bem Sr. Amilton,

    Sei que será bem difícil “contra-argumentar” diante de tantos fatos e evidências, fatos que talvez até mesmo o senhor disconheça.Espero poder ter contribuído para abrir um pouco mais seus olhos em relação a suas convicções, Sr. Amilton.

    Grande abraço,
    Ana

    • Como pode ver, contra-argumentei todos os seus comentários. De novo mesmo só esta sua afirmação de que na primeira versão do PNDH 1 teria mecanismos de controle à imprensa. Ficaria grato a vc se me mostrasse onde está este capítulo, pois realmente não encontrei.

      Obrigado por sua participação. Acho que nosso debate contribuiu para deixar as pessoas mais críticas em relação a ambos os lados dessa disputa insana.

  26. Olá, Amilton.
    Sou do Piauí, um dos estados mais pobres da nação. O governo e a população costumam dizer que Lula foi mais sensível para com o Nordeste. Sinceramente, não vejo essa “sensibilidade” petista no Piauí, por exemplo. Guaribas, a cidade-símbolo do fracassado Fome Zero, se resumiu apenas em dar o bolsa Família àquele pobre município. Para completar, o governo daqui também criou naquela época o Sêde Zero, que também acabou dando em nada. E o mais curioso: Meu Estado foi governado pelo petista Wellington Dias por dois mandatos, de 2003 a 2010. Mesmo com essa “dobradinha” (governo e presidente do PT), o Piauí melhorou muito pouco. O MEC, por exemplo, considerou a educação pública estadual entre as piores do país.
    Mas o PT sempre bravata que o PSDB nunca se importou com o Nordeste, e que este estaria pior caso Serra tivesse ganho em 2002.
    Fazendo um exercício especulativo, você acha que Serra (ou outro tucano) tem mesmo essa má vontade para com o Nordeste, ou é pura retórica de palanque? O PT realmente pensa melhor nos menos favorecidos? Programas como o Bolsa Família, apenas empurram o problema com a barriga?
    Você concorda com o saudoso, polêmico e irônico economista Roberto Campos que:

    “Quem se preocupa sinceramente com os pobres deve buscar, obsessivamente, elevar a demanda de mão-de-obra através de medidas como:
    1) A privatização de empresas estatais, pois o governo falido perdeu a capacidade de investir.
    2) A eliminação de restrições ao capital estrangeiro, que geraria empregos e traria tecnologia.
    3) A diminuição dos encargos sociais e burocráticos, que oneram o custo da contratação.”
    “Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las…”

    Enfim, caso Dilma vença, você concorda que essas políticas assistencialistas (Bolsa família, Prouni,etc) não resultarão em nada a longo prazo? E que o ideal, seria o Estado mínimo, como Campos sempre defendia?

    • Olá Gilx,

      Não deu para te responder ontem, então vou tentar ser bem rápido, pois tenho várias outros comentários para comentar.
      Por objetivo eleitoreiro ou não, temos que reconhecer que o nordeste foi a região mais beneficiada nos últimos anos. Este é, de fato, um dos maiores méritos do governo Lula.

      Não acredito que num eventual governo do PSDB a região recebesse a mesma atenção, até porque o nordeste tornou-se a tábua de salvação para Lula depois do escândalo do mensalão. Sem poder mais negar o que todo mundo já sabia, ele então decidiu apostar no populismo, manipulando as populações menos favorecidas para se contrapor a “direita golpista”, que na verdade é toda a parcela da sociedade, incluindo parte da mídia, que passou a fazer a oposição ao presidente.

      Roberto Campos, tem uma certa razão, mas peca pelo extremismo. Não acredito que o Estado mínimo seja a melhor solução, como também não considero o “Estado Forte”, como quer Lula, sustentável a médio e longo prazo. O Estado deve ser liberal, mas não pode deixar o mercado agir sozinho. Deve dispor de mecanismos para regulá-lo, promover políticas anticíclicas, já que o capitalismo alterna sempre momentos de crescimento e de crise, além de promover políticas de inclusão social.

      Com relação estas últimas, acho que estas devem sim continuar. No entanto, devem ter contrapartidas como, por exemplo, o compromisso das famílias em manter as crianças na escola, algo que existia nos programas originais do PSDB e que foram suprimidos do Bolsa Família.

  27. Leandro Maciel says:

    Amilton, crie um partido… assim q vc o fizer eu me filio a ele…rs… algo como partido pelo brasil…rs..

    serio, vc expoe muito bem os fatos… e o mais interessante é q ao conferir os dados dá pra constatar q vc busca os mesmos em fontes mais seguras e nao somente em qq blog por ai… isto faz toda a diferenca nos seus artigos…

    gostaria de sugerir algo interessante, apesar de chato, acredito q sua missao sera melhor cumprida se vc conseguir desmistificar o assunto, ou explicá-lo de forma mais simples para os leigos… o povo q eu vejo nas ruas, e q vota no PT, nao consegue entender nada do q está escrito aqui… pior, se eu mandar alguns lerem a preguiça nao vai deixar…rs…

    entao acredito q vc conseguiria aumentar sua audiencia se o conteudo fosse mais popular, digo nao assuntos, mas a forma de abordá-los.

    ah, to ainda mais eu fã… puxa to lendo seus artigos desde as 8 hrs da manhã..rs.. e nao cansei…rs…

  28. Leandro Maciel says:

    esqueci de outra sugestão, pro pessoal entender q vc nao é PSDB ou PT, mas brasil:
    tente criar um artigo citando as coisas boas e ruins de cada governo, q possam ou nao ser comparadas.

    eu gostaria muito de confirmar se estou bom com assuntos atuais e historicos…rs..

  29. Leandro Maciel says:

    Oi Amilton,

    segue mais um material para suas analises: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/governopt/

    confesso q nao li tudo pq só de ver a cara do lula ja fico enjoado…rs… mas como brasileiro, e patriota vou tirar um tempo pra rever estes fatos… 🙁

  30. Alan Patrick says:

    Amilton,
    1) A “Lei de Responsabilidade Fiscal” define que os recursos públicos devem ser prioritariamente usados para pagar juros ao sistema financeiro,em detrimento de todos os demais gastos do Estado,ou seja, a “Lei de Responsabilidade Fiscal”prioriza o pagamento de juros para o grande capital e constitui grande entrave para os investimentos públicos. Essa lei ao invés de se chamar “Lei de Responsabilidade Fiscal”, deveria se chamar “Lei que define que pagar juros ao sistema financeiro é mais importante do que investir em serviços essenciais.”

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      Como vc postou muitos assuntos, vou ter que responder por etapa, afinal estou com agenda bem complicada esta semana.
      Vamos então ao primeiro ponto.

      Se vc quer defender o PT, não use este argumento, pois este está mais para o PSTU, PSOL ou PCO, os quais criticam o PT justamente por beneficiar o capital financeiro, afinal os bancos, que já faturavam muito na época de FHC, hoje são os campeões de lucro. Apesar disso, o PT de hoje felizmente está um pouco mais maduro, pois não só parou de criticar a LRF como até aqui não cedeu (ainda) às pressões dos governadores para “flexibilizar” esta grande conquista do povo brasileiro.

      A lei trata de um princípio básico da responsabilidade fiscal. Vc não deve gastar mais do que arrecada. Isto vale para vc e vale para o Estado. Dinheiro não nasce em árvore. Se o governador ou presidente desrespeitar esta regra básica, das duas uma: ou ele gera dinheiro sem lastro (o que resulta em inflação no futuro), ou pede dinheiro emprestado ao mercado (também criando problemas para o futuro). Portanto, se pede dinheiro emprestado, tem que pagar. Afinal, entre os financiadores dos empréstimos do governo existem milhões de pequenos poupadores como eu, que investimos um pouco das nossas economias em títulos do Tesouro.

      Nossa sofrida experiência já foi mais que suficiente para dar esta elementar lição aos nossos governantes de que não se pode gastar mais do que se arrecada, pois quase metade da dívida gigantesca deixada por FHC veio do repasse das dívidas dos estados e municípios, da época em que não havia a LRF. Antes do Plano Real, não custa lembrar, era um dos principais “combustíveis” da hiperinflação.

      Vale lembrar também que hoje pagamos o equivalente a 40% da arrecadação em pagamento de juros e serviços de rolagem da dívida pública, uma herança maldita da época em que gastávamos mais do que arrecadávamos. Hoje o PT, apesar dos recordes sucessivos de arrecadação, continua gastando mais do que arrecada, valendo-se de malabarismos contábeis para “fechar” as contas. Não sei se vc sabe, mas no ano passado, apesar do recorde de crescimento do PIB, fecharíamos o ano com um rombo de R$ 35 bilhões, caso o governo não tivesse vendido antecipadamente 60 bilhões de barris que ainda estão no fundo do mar. Tudo bem, fechou as contas, mas a Petrobrás vai ter que trabalhar dobrado para dar conta da grana “extra” que entrou. Outra forma de bancar os déficits do governo lulista é com a com a venda de títulos não contabilizados na dívida para repassar ao BNDES para este financiar mega empresas, especialmente as construtoras. A conta, mais uma vez, vai para o futuro. Não custa lembrar também que o governo Lula deixou mais de R$ 137 bilhões de restos a pagar para Dilma. Pode demorar, mas um dia a conta chega. Talvez então vc veja Lula com outros olhos.

      • Alan Patrick says:

        Amilton,
        A Lei de Responsabilidade Fiscal foi uma imposição do FMI ao Brasil e,sinto que preciso enfatizar, que ela não impõe limites para os gastos públicos com o pagamento de juros e demais serviços da dívida pública ao sistema financeiro,mas apenas limita os investimentos públicos em serviços essenciais para o desenvolvimento nacional.Aliás,e bom que se diga,que o gasto crescente do Estado brasileiro e justamente com o pagamento de juros e demais serviços da dívida pública a instituição financeira: o que e com certeza o gasto público mais estéril é de menor efeito benéfico para o conjunto da sociedade.

        O economista Paulo Kliass, fez uma interessante observação no seu artigo intitulado “A carga ideológica do conservadorismo” sobre essa questão da “responsabilidade fiscal”:
        “Porém(e sempre tem um porém),o pulo do gato surge com o conceito mesmo do “superávit primário”.Que vem a ser uma forma matreira e esperta de retirar um tipo muito especial de gasto público: os gastos de natureza financeira. Ou seja,os gastos que o Estado realiza que estão relacionados com o pagamento de juros e demais serviços da dívida pública.Assim,aqueles mesmos que defendem com todo ardor a “seriedade e a austeridade na condução da política fiscal”- leia-se,contenção dos gastos públicos,são os mesmos que criaram o conceito de “superavit primário” e não mais apenas o tradicional de “superavit fiscal”. Ué,mas não se trata de apenas um outro adjetivo para designar o mesmo fenômeno? Não! quando se calcula o superávit primário não estão incluídas as despesas financeiras. Moral da estória: a autoridade econômica deve ter toda a liberdade e a obrigação para gastar e honrar todos os compromissos com o setor financeiro,associados ao pagamento do volume astronômico de juros previsto no orçamento. Depois de calculadas e efetuadas essas despesas sem nenhum tipo de constrangimento,aí sim. Vamos,então,começar a avaliar a necessidade de austeridade na condução das contas públicas,pois afinal o nível de despesas está muito exagerado,o país não suporta esse volume de gastos e blá-blá-blá.”

        O que disse o economista Paulo Kliass pode ser sintetizado dessa forma: o gasto com juros é nobre e intocável. Os demais devem ser cortados.
        Para encerrar,segue o link de um artigo que faz uma análise crítica em relação a “lei de Responsabilidade Fiscal”:http://www.varican.xpg.com.br/varican/Beconomico/artigo_lrf.htm
        Abraços!

        • Amilton Aquino says:

          Alan,
          Vc continua com a visão equivocada de demonizar tudo que venha do FMI ou dos EUA, sem, no entanto, analisar de fato a natureza do que foi proposto. Se veio do FMI, é ruim e ponto final. Muito simples!

          Vamos falar em português claro. Se eu vou emprestar dinheiro a um amigo que está com a corda no pescoço, preciso antes me certificar se esta pessoa terá condições de me pagar (a não ser que eu esteja disposto a fazer filantropia, o que não é o caso). Ora, se meu amigo está com a corda no pescoço é porque andou gastando além das suas receitas. Portanto, se ele continuar no mesmo ritmo certamente meu empréstimo vai escorrer pelo ralo, pois além de não resolver o problema, vai tornar a dívida ainda maior, o que tornará o retorno do meu dinheiro quase impossível. Lógico que não vou entrar nessa, a não ser que meu amigo se comprometa em ajustar suas despesas às suas receitas. Temos aí a Lei de Responsabilidade Fiscal. O FMI exigiu o óbvio. Mais uma vez, esta é uma regra básica da boa administração que serve para mim, para vc e para os governos: NÃO SE PODE GASTAR MAIS DO QUE AS RECEITAS!

          Agora vamos aos juros. Como vc deve saber, qualquer empréstimo tem juros. E os juros do FMI até que não são os mais altos. Aliás, são bem menores que os da dívida interna, cujos juros são definidos pelo próprio governo. Portanto, vc deve saber que para antecipar a última parcela do empréstimo do FMI que nem chegamos a usar já que a Crise Lula rapidamente se dissipou quando o PT se comprometeu a dar continuidade à política econômica do governo anterior . No entanto, para desviar o foco da crise do Mensalão e, ao mesmo tempo criar um factóide às vésperas das eleições de 2006, o governo Lula vendeu títulos da dívida interna para quitar a última parcela da dívida do FMI. Ou seja, trocou uma dívida com juros de 4% ao ano por outra de 12%. O governo pesou o “custo-benefício” de pagar juros mais elevados, porém faturar politicamente. A conta, como sempre, foi para o bolso do contribuinte.

          Portanto, os governos sabem do custo dos juros e se fazem dívidas devem também pesar o custo-benefício do endividamento. O problema, como o próprio ensaio que vc citou descreve, é que os governos tendem a perpetuar este mecanismo, pois pagar dívidas significa reduzir o potencial de crescimento e investimento do presente para criar melhores condições para o futuro, futuro este que nem sempre coincide com o mesmo partido que está no poder. Mas o problema não é apenas político. Existe também o fator inflacionário que também deve ser considerado. Aliás, reproduzo aqui o parágrafo do ensaio que vc citou que descreve bem a situação que tende a se perpetuar:

          “O Banco Central resgata títulos da dívida pública que estão em poder das instituições financeiras e, para isso, ele tecnicamente emite moeda. Em seguida, ou ao mesmo tempo, considerando que há excesso de moeda em circulação, ele emite novos títulos para tomar emprestada a moeda excedente. Estes títulos fazem aumentar a dívida pública e, conseqüentemente, cresce o déficit do Tesouro Nacional por causa dos juros. O déficit, agora maior, é financiado com novos títulos da dívida pública, que geram mais gastos com juros, e mais déficit, etc”

          E como se interrompe este ciclo pernicioso? Primeiro, o governo deve atacar quaisquer resquícios de pressões inflacionárias que ainda existam (e isto infelizmente o governo Lula não fez, pois não concluiu o processo de desindexação da economia iniciado pelo governo FHC). Segundo, através de um gradativo pagamento maior que a rolagem da dívida. E é aí onde entra o superávit primário. Aliás, um dos maiores méritos do governo Lula foi justamente no início do primeiro mandato quando a equipe econômica aumentou a meta do superávit primário, ou seja, mostrando ao mercado que estaria disposto a ir além do que teria ido o governo FHC para reduzir o endividamento.

          E como se consegue o superávit primário essencial para interromper este ciclo vicioso? Através do ajuste fiscal. Aliás, o próprio ensaio que vc citou enfatiza isso:

          “A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada para ser a peça principal deste aparato, consolidando o princípio de que a política monetária faz a dívida, mas cabe à política fiscal a responsabilidade pelo pagamento dos juros”.

          Não só o pagamento dos juros, como também da própria dívida, vale salientar.

          Enfim, uma coisa é vc agir “politicamente” dizendo que os “gastos sociais” são mais importantes que o pagamento das dívidas. Este foi o discurso do PT da oposição. No governo, o PT até as vésperas das últimas eleições cumpriu bem as metas de superávit primário, um dos fatores decisivos para a redução do risco país. Com a desculpa da crise de 2008 a postura do PT infelizmente mudou. Como resultado, a dívida aumentou em ritmo mais acelerado, já que o superávit primário foi diminuído. Resultado: a Dilma agora está pagando o pato pela irresponsabilidade cometida para elegê-la.

          • Silverlight says:

            Amilton, existe sim outra alternativa alem das que vc citou. A moratoria da divida. A Argentina decretou a mortatoria e se de muito bem, pois forçou os credores negociar, o que fez reduzir a dívida substancialmente.

          • Amilton Aquino says:

            Silverlight,
            A moratória é o atestado de falência de um país. Portanto, só deve acontecer em momentos extremos, o que não é o nosso caso. De fato a Argentina conseguiu algumas renegociações vantajosas. Mas, a que preço? Teve que passar anos e anos na penúria, sem crédito, com investimentos minguados, até que chegou a conclusão de que precisava negociar com os credores e aí chegou finalmente ao acordo que vc citou.

            Já tivemos uma experiência de moratória no governo Sarney e os resultados não foram nem um pouco compensadores, tanto que tivemos que renegociar também.

            Além do mais, grande parte dos credores de nossa dívida pública é de pequenos investidores, como eu ou vc. Se o governo de repente apontar qualquer ação na direção de mudar qualquer regra que ele próprio definiu que venha a imputar algum prejuízo aos investidores, vai chover milhões de ações contra o governo. Ou seja, a dívida poderia ser multiplicada com os custos adicionais de indenizações, além da perda de crédito do governo, com implicações diretas no risco país e demais indicadores econômicos.

  31. Alan Patrick says:

    2)Sobre as privatizações, o governo FHC a realizou as pressas e sem planejamento algum. O fato de terem sido privatizadas empresas estratégicas da economia brasileira a preço de banana, e de ter surgido monopólios e oligopólios privados após as privatizações,demonstra a falta de planejamento que houve no programa de privatizações da era FHC.
    O apagão elétrico também foi consequência da falta de planejamento e da ação privatista do governo FHC no setor elétrico.
    Sugiro que vc assista este vídeo que aprofunda a questão da privatização da Vale do Rio Doce na era FHC http://www.youtube.com/watch?v=4iAvZycbY5w&feature=player_embedded

    • Amilton Aquino says:

      Alan,
      Primeiro vamos deixar uma coisa aqui bem claro. Nunca concordei com a privatização de empresas de setores estratégicos, como do setor elétrico e de mineração, pois, apesar da indiscutível superioridade da administração privada, tais setores têm uma característica que vai de encontro a um princípio elementar do capitalismo que é a competição. Não dá para ter competição entre empresas de abastecimento d’água ou energia, por exemplo. Ponto final. Para mim esta é uma questão que nunca mudou. Já fui questionado sobre este assunto aqui pelo Gilx, e lhe dei uma reposta com estes mesmos argumentos.

      Feitos estes esclarecimentos, vamos adiante. Entre o querer e o poder existe uma diferença bem grande, assim como entre a ideologia e a realidade. Não vou justificar a privatização da Vale nem do setor elétrico, pois também considero que foram mal feitas e já afirmei aqui que houve corrupção, como em tudo neste país, infelizmente. No entanto, entendo a opção de FHC, pois o governo não tinha dinheiro para fazer os investimentos que o país precisava. Pelo contrário, precisava urgentemente de dinheiro para abater a enorme dívida que se avolumava pelas razões que já discutimos aqui. Portanto, quando vc não tem dinheiro para investir, então não resta outra alternativa a não ser recorrer ao setor privado. Aliás, isto não é um “privilégio” de FHC, pois Lula (e agora a Dilma) também se defrontaram com um dilemas bem menores e a solução foi a mesma, apesar de estarem em situações bem mais confortáveis do que FHC. Ou seja, agora é muito fácil dizer que a Vale foi vendida muito abaixo do preço que valia. Porém, na época os preços de ações de um modo geral estavam muito baixos devido às privatizações simultâneas que aconteciam em todo mundo, principalmente no Leste Europeu. É aquela velha lei da oferta e da procura. Quando existe muita oferta, o preço cai. E foi o que ocorreu.

      Olhando por este ângulo, portanto, as privatizações do Brasil não foram das piores. Comparando com a Rússia por exemplo, que vendeu 133 MIL empresas e arrecadou US$ 9 bilhões, os US$ 67 bilhões arrecadados no Brasil com a venda de algumas dezenas de empresas pode até ser considerado um “negócio da China”.

      Apesar de tudo, felizmente a privatização da Vale foi bem sucedida e hoje cumpre um papel importante na nossa economia, pois é a nossa maior exportadora, é a segunda que mais recolhe impostos ao governo, emprega seis vezes mais (60 mil) e, o mais importante, a Vale investiu no Brasil só nos seus primeiros seis anos de privatizada mais que o dobro que a Vale estatal investiu em desde que foi fundada.

      Portanto, os petistas gostam de fazer firula com esta história de privatização, mas nos bastidores a história é bem diferente, tanto que recentemente o PT rejeitou a proposta do PSOL de reestatizar a Vale. O porquê disso basta comparar os balanços da Petrobrás e da Vale. A primeira, mesmo com todo oba-oba do Pré-sal, depois de receber um aporte recorde de capital com a venda do petróleo que ainda está no fundo do mar teve um lucro de apenas R$ 35 bilhões no ano passado, enquanto que a Vale, sem contar com nenhuma ajuda do governo, nem vendas de minério que ainda estão no subsolo, lucrou R$ 30 bilhões!

      Outra diferença: a Vale investiu US$ 14 bilhões no Brasil no pior ano da crise, enquanto que a Petrobrás foi socorrida três vezes pelo Governo através da Caixa e do BNDES. Isto sem falar no “orçamento” recorde da Petrobrás que aumenta a cada ano (R$ 80 bilhões, foi o último).

      Quanto ao Apagão, devo lhe lembrar que os investimentos do governo FHC e Lula foram equivalentes (com uma leve vantagem para FHC), quando consideramos a proporção em relação ao crescimento do PIB. Portanto, se não tivemos um apagão mais sério na era Lula não foi porque este fez um investimento maior no setor ou planejou melhor, e sim por dois motivos: 1) não tivemos na era Lula uma seca tão séria quanto na era FHC; 2) Depois do apagão da era FHC o país investiu em várias usinas termoelétricas, reduzindo assim nossa vulnerabilidade aos períodos de seca. Vale lembrá-lo também que até o apagão de FHC, os rios da Amazônia nunca haviam secado. Ou seja, agora é muito fácil criticar, mas na época ninguém poderia prever que algum dia veríamos seca na Amazônia.
      Abraço!

      • Alan Patrick says:

        Amilton,
        Se o governo FHC realmente não tinha dinheiro para investir no país então como vc explica o fato das privatizações terem sido financiadas pelo BNDES(com dinheiro público portanto)???
        Aliás,e muito estranho dizer que o governo da época não tinha dinheiro,sendo que um banco público estava financiando empréstimos de longo prazo para grupos privados adquirir empresas estratégicas e altamente lucrativa da economia brasileira(o que no final acarretou em prejuízo para os cofres público).

        • Amilton Aquino says:

          Alan,
          Primeiro, o BNDS financiou parte, não o todo. Segundo, o BNDES não doou dinheiro, emprestou. Isto, no entanto, não significa que o governo tenha dinheiro. Se o banco não tem caixa para bancar tais empréstimos, o Tesouro emite títulos e passa para o BNDES. Aliás, o governo do PT tem usado e abusado deste artifício, transformando o BNDES num verdadeiro orçamento paralelo, uma vez que não contabiliza mais tais títulos como dívida. Se vc não sabe, Belo Monte será construída por empresas privadas com dinheiro do BNDES. Portanto, o PT não pode mais criticar o PSDB com este argumento, pois repete a mesma prática.

          • Alan Patrick says:

            Amilton,
            No governo FHC o BNDES foi utilizado para financiar as privatizações,algo que apenas beneficiou grupos privados,já no governo Lula o BNDES foi utilizado com outro objetivo:financiar o desenvolvimento social e econômico do Brasil.
            Os investimentos do BNDES nas obras do PAC e solavanco para o desenvolvemento nacional,e a construção de Belo Monte, além de gerar(segundo os dados)cerca de 20 mil empregos diretos e 50 mil indiretos,também vai contribuir para atender a crescente demanda energética do país.
            Abraço!

          • Amilton Aquino says:

            Alan,
            Por que será que o governo do PT, tão empenhado a exaltar o Estado, está recorrendo à iniciativa privada para construir hidrelétricas, aeroportos e até estradas? A resposta é bem simples. Já está faltando dinheiro para o governo tocar sozinho os investimentos que o Brasil necessita. Agora raciocina um pouco: se hoje, o Brasil depois de ter se tornando um dos BRICs, com todos estes anos acumulando recordes de arrecadação (com uma população que aumentou muito pouco), não tem dinheiro nem para investir em setores estratégicos, imagina então na década passada, quando o Brasil era a bola da vez na série de crises que assolou os emergentes, num momento em que as reservas eram baixas e que o dólar só subia…

            Vc já teve várias provas da diferença entre o discurso do PT e a realidade. Para nossa sorte, o PT só assumiu o governo depois que o Brasil tinha se tornado um dos BRICS, graças às reformas da era FHC, justamente no ano em que a economia mundial começou a acelerar. Se tivesse assumido em 1998, pode ter certeza que hoje vc não teria a mesma opinião sobre o PT.

          • Amilton Aquino says:

            Alan,
            Acabei de receber um link do amigo Sandro que cai muito bem no assunto que estamos tratando. Como vc deve saber, o BNDES, que deveria financiar o desenvolvimento nacional, está também sendo usado para financiar projetos venezuelanos, equatorianos, bolivianos, etc. E olha que já deveríamos estar escaldados, pois já levamos três calotes. No entanto, advinha o que Chaves estava fazendo ontem em Brasília???? Segue o link: http://coturnonoturno.blogspot.com/2011/06/cpi-do-bndes-ja.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

          • Alan Patrick says:

            Amilton,
            O governo do PT mostrou que quando o Estado se torna o principal indutor dos investimentos,e a iniciativa privada também e estimulada a investir, os efeitos dessa parceria é mais benéfica para a economia do que a simples prática dos governos anteriores de privatizar e de delegar para a iniciativa privada o papel de trazer os recursos necessários em infraestrutura.
            Sobre o governo FHC, vale ressaltar que o governo dele tinha sim dinheiro em caixa para investir no país, mas sua administração preferiu privilegiar o pagamento de juros para o grande capital do que investir no desenvolvimento nacional. Como vc mesmo fala existe uma grande diferença entre a ideologia e a realidade, e a herança(realidade) do governo FHC em 2002 para o país foi o alto desemprego, aumento da miséria, aumento da concentração de renda, apagão elétrico, recessão econômica,arrocho salarial,perda de direitos sociais,sucateamento das universidades federais,criminalização dos movimentos sociais, “Lei de Responsabilidade Fiscal”(Lei que define que pagar juros ao grande capital e mais importante do que investir em serviços essenciais),inflação em 12,5%, país ajoelhado diante do FMI…
            Portanto, um país agonizante e ajoelhado para o FMI, esse foi o legado do governo FHC ao Brasil.

          • Amilton Aquino says:

            Alan,

            Em alguns momentos, pensei que vc tinha aberto os olhos para algumas coisas, mas pelos seus últimos argumentos, percebo que voltou a andar em círculos, com a superficialidade típica dos militantes petistas, mais interessados em marcar posição do que realmente aprender alguma coisa.

            Perceba que todos os seus “argumentos” do seu último comentário já foram exaustivamente debatidos aqui e sempre que aprofundamos o debate em cada um dos temas citados, vc ficou sem argumentos. Então agora vc reúne todos os chavões petistas, coloca em um ou dois parágrafos de forma genérica e pronto! Ou eu respondo também de forma genérica, e ficamos então na superficialidade do senso comum, ou vou ter que escrever umas cinco ou dez páginas para tentar contextualizar cada um dos chavões que vc citou, repetindo tudo que lhe expliquei mais de uma vez. Não adianta falar que a renda per capta mundial dobrou na era Lula, depois de ficar os oito anos da era FHC estacionado nos US$ 5,2 mil dólares. Não adianta dizer que o Brasil cresceu menos que nossos vizinhos latino americanos. Não adianta dizer que o Brasil cresceu a metade da média dos demais BRICS. Não adianta dizer que pela primeira vez na história os emergentes tornaram-se o destino preferencial dos investidores, a partir de meado da última década. Não adianta dizer que o preço das commodities dobraram já nos primeiros anos do governo Lula, etc, etc. Para os petistas cegos tudo é obra do Lula. Foi ele quem mudou o mundo!!!!

            Já sugeri a vc mais de uma vez a leitura de pelo menos os últimos posts da série sobre a dívida pública, para ver se evoluímos neste tema. E qual o seu contra-argumento? Nenhum. Só os chavões de sempre.

            Sobre o neoliberalismo citei os sete pontos do Consenso de Washington que o governo FHC aderiu e que Lula deu sequencia, mas só FHC é “neoliberal”, no sentido mais pejorativo do termo, claro.

            Portanto, se quer debater, vamos debater cada um dos temas, de forma aprofundada, um de cada vez. Vc quer começar por que tema?

          • Alan Patrick says:

            Amilton,
            Um bom exemplo de como o governo Lula deu de goleada no governo FHC está na geração de empregos formais, só para vc ter uma ideia, no governo Lula foram gerados mais de 14 milhões de empregos com carteira assinada, enquanto no governo FHC foram gerados apenas 5 milhões de empregos(ou seja, no governo Lula a geração de empregos foi praticamente o triplo do governo anterior). Aliás, vale lembrar, que o aumento do desemprego e o crescimento da informalidade no governo FHC foi um fato marcante. No governo Lula por outro lado, o crescimento do emprego formal foi uma grande conquista, sendo que os investimentos do PAC contribuiu para gerar milhões de empregos no país. Vale ressaltar, que o crescimento do emprego formal no país, contribuiu para que o governo arrecadasse mais impostos, o que possibilitou que o governo aumentasse os investimentos públicos no país.
            Para complementar meu comentário, segue um link que TALVEZ abra um pouco seus olhos em relação ao (des)governo FHC http://www.economiabr.net/colunas/borges/regressao_do_trabalho.html

          • Amilton Aquino says:

            Muito bem, Alan, vc escolheu um dos temas mais favoráveis ao governo do PT. Ok. Vamos lá então.

            Primeira coisa que tem que ficar bem clara é que os dos 14 milhões de empregos gerados na era Lula, apenas uma parcela ínfima foram gerados pelo Estado. A esmagadora maioria foram criados pelas empresas privadas que vivem o bom momento proporcionado pelos diversos fatores que já debatemos aqui exaustivamente, dos quais o governo do PT contribuiu muito pouco, vale salientar.

            Segundo, vc tem que levar em consideração os contextos enfrentados por cada governo. Na década de 90, o Brasil passou por um período de reforma na economia para criar o ambiente propício ao crescimento, em um ambiente de instabilidade entre os emergentes. Foi exatamente por causa dessas reformas que o Brasil foi indicado aos investidores estrangeiros já em 2001 (portanto, por causa das reformas de FHC), quando o Brasil foi citado pela primeira vez como um dos BRICs. Quando Lula assumiu não precisou mudar nada. Só efetuar pequenos ajustes na política econômica implementada a duras penas contra a oposição ferrenha do PT, vale salientar, e receber os dólares tanto dos investidores quanto das commodities valorizadas com o crescimento da China. Portanto, o mundo cresceu mais a partir do ano 2003 e o Brasil foi a reboque da China. Portanto, nada mais natural que surjam também mais empregos.

            Terceiro ponto. Quando FHC assumiu, o PIB brasileiro era de R$ 350 bilhões e entregou um PIB de R$ 1,48 trilhão. Se eu quisesse fazer aquelas continhas canalhas que os petistas gostam de fazer quando querem queimar o filme de FHC, dizendo que este multiplicou a dívida por 10, poderia dizer que FHC multiplicou o PIB 4,2 vezes, enquanto que Lula, usando o mesmo raciocínio, teria aumentando pouco mais de duas vezes já que deixou o governo com um PIB de 3,3 trilhão. Faço esta continha também canalha para apenas para lhe mostrar como o “triplo” de empregos gerados na era Lula são relativos, afinal eles têm muito ver com o efeito cumulativo do crescimento do PIB ao longo dos últimos anos, enquanto que a população tem crescido a um ritmo cada vez mais lento. Ou seja, desconsiderando a inflação de 200% nos últimos 16 anos, o nosso PIB foi multiplicado por 10, enquanto que nossa população aumentou apenas 16%. E o que é que isso significa? Mais renda per capta, mais dinheiro circulando na economia e, portanto, mais emprego. Neste contexto, o quase triplo de empregos gerados na era Lula não é tudo que a publicidade oficial diz que é.

            Sobre o PAC, que vc acredita ser o “motor” do governo Lula. Ora, dos pouco mais de quinhentos bilhões de investimento prometido ainda pelo PAC 1, R$ 216 bilhões eram de empresar privadas e R$ 209 de estatais. Ou seja, investimentos que aconteceriam com ou sem PAC, algumas obras, inclusive, que já haviam iniciado antes mesmo do governo Lula (veja a blitz da Kátia Abreu sobre a Dilma: http://www.youtube.com/watch?v=0j6HljJl0o0). Isto explica o porquê, mesmo após dois anos de lançamento do PAC, o percentual de investimento do governo Lula continuava nos mesmos 9% deixados por FHC. Tudo bem que aumentou para 1,2% no ano eleitoral de 2010 (por coincidência, claro), mas ainda assim muito longe de justificar os bilhões e bilhões do PAC alardeados desde que foi lançado. Isto explica também a diferença de números do balanço final do PAC entre os números divulgados pelo governo (67%) e da ONG Contas Abertas, que apontava 19% de execução no encerramento do governo Lula. Afinal, há números para todos os gostos, já que muitas obras privadas que entram na conta a sociedade não tem nem como saber. E não esqueça que os empregos criados pelas obras do PAC são temporários. Acabou a obra, acaba o emprego.

            Sobre o artigo que vc indicou, nenhuma novidade. Só reforça o que tenho dito aqui. Para mim, o desemprego da era FHC foi decorrente de um contexto histórico desfavorável, uma época de reformas na nossa economia, de crises, de dólar alto, de poucos investidores, de baixo crescimento internacional, enfim uma época em que nossas empresas ainda se adaptavam à globalização. Portanto, nada mais natural que o aumento do desemprego em um ambiente de instabilidades. Aliás, 5 milhões de empregos gerados até que não foi mal, diante das circunstâncias. Para vc, no entanto, é mais fácil acreditar que FHC é masoquista, que adora ser odiado pela população, que teve como propósito único prejudicar os “trabalhadores” e enriquecer ainda mais os ricos, tudo sob orientação do FMI, claro!

            Não passa pela sua cabeça que a flexibilização das leis trabalhistas aumenta a competitividade das nossas empresas e facilita novas contratações. Tanto é que Lula teve 8 anos para revogar a flexibilização que FHC aprovou e até agora continua tudo como antes. Por que será? Será que ele esqueceu os “trabalhadores”? Ou ele se convenceu que a flexibilização ajudou a criar os milhões de emprego que ele comemora?

            Não só não revogou como a única proposta que surgiu até agora foi já no governo Dilma. E qual foi a proposta? Substituir o fator previdenciário pelo aumento da idade mínima para aposentadoria. E olha só que ironia: esta foi justamente a proposta inicial de FHC, a qual teve que ser substituída pelo fator previdenciário, devido à forte reação da sociedade e da oposição. O que aconteceu, afinal? Será que Lula ficou mau como FHC? Não, ele apenas capitalizou mais um ônus assumido por FHC, como tantos outros, vale salientar.

            Reformas na era Lula? Só a mini reforma da previdência, ainda do primeiro mandato. E mesmo assim até hoje não foi sancionada. E sabe por que? Porque, ao contrário de FHC, que teve coragem de assumir ônus de reformas impopulares para criar melhores condições para o futuro, Lula só se preocupou com a própria popularidade, empurrando com a barriga as bombas que deixou para a sucessora.

          • Alan Patrick says:

            Amilton,
            Apesar dos fatos e das evidências ser frontalmente contrária ao seu discurso,vc continua tentando vender a fantasia de que as reformas do governo FHC foi o fator que proporcionou o desenvolvimento e o crescimento do emprego formal que temos atualmente. Sendo que as reformas neoliberais do governo FHC estagnou nossa economia, aprofundou o desemprego, elevou o trabalho precário(terceirização), aumentou a concentração de renda e reduziu direitos sociais. Isso e fato. E tem outra, e muito fácil ficar responsabilizando os desastres do governo FHC ao contexto adverso(e não citar os efeitos desastrosos da política neoliberal que ele seguiu aqui no país). Como já citei, o Brasil no governo FHC estava ajoelhado diante do FMI, sendo que esse órgão internacional ditava nossa política econômica, impondo arrocho salarial, privatizações, “Lei de Responsabilidade Fiscal”(lei que define que pagar juros ao grande capital e mais importante do que investir em serviços essenciais) e etc.
            Portanto, o legado de FHC ao Brasil foi sua administração ter tornado o Brasil mais desigual e submisso ao estrangeiro.

            P.S.Como preciso sair urgente no momento vou deixar para complementar meu comentário amanhã.

          • Amilton Aquino says:

            Alan,

            Como já havia previsto, é impossível aprofundar alguma questão com alguém quem confunde indicadores com ações do governo. Por falta de argumentos, vc recorre sempre às mesmas generalizações de sempre. Ou seja, ler este seu comentário não é muito diferente do seu comentário do dia 07/06, o qual critiquei justamente pelas suas generalizações. Portanto, não vou perder tempo comentando generalizações. Posto então novamente um trecho da minha resposta ao seu comentário anterior, pois ele critica justamente o seu superficialismo que mais uma vez se repete. Segue:

            “Perceba que todos os seus “argumentos” do seu último comentário já foram exaustivamente debatidos aqui e sempre que aprofundamos o debate em cada um dos temas citados, vc ficou sem argumentos. Então agora vc reúne todos os chavões petistas, coloca em um ou dois parágrafos de forma genérica e pronto! Ou eu respondo também de forma genérica, e ficamos então na superficialidade do senso comum, ou vou ter que escrever umas cinco ou dez páginas para tentar contextualizar cada um dos chavões que vc citou, repetindo tudo que lhe expliquei mais de uma vez. Não adianta falar que a renda per capta mundial dobrou na era Lula, depois de ficar os oito anos da era FHC estacionado nos US$ 5,2 mil dólares. Não adianta dizer que o Brasil cresceu menos que nossos vizinhos latino americanos. Não adianta dizer que o Brasil cresceu a metade da média dos demais BRICS. Não adianta dizer que pela primeira vez na história os emergentes tornaram-se o destino preferencial dos investidores, a partir de meado da última década. Não adianta dizer que o preço das commodities dobraram já nos primeiros anos do governo Lula, etc, etc. Para os petistas cegos tudo é obra do Lula. Foi ele quem mudou o mundo!!!!”

            Fico esperando então comentários mais consistentes!

  32. Mario Bross says:

    Quando a Vale foi privatizada ela era a maior do mundo. Hoje é só a segunda. A Petrobrás está a caminho de se tornar a maior do mundo. Aguarde para ver.

    • Amilton Aquino says:

      Mário,

      Há controvérsias sobre a posição da Vale quando privatizada. De qualquer forma, vc esqueceu de um detalhe: a Vale hoje é a segunda porque a primeira, a BHP Billiton, é o resultado da fusão de duas outras gigantes, a australiana Broken Hill Proprietary Company e a inglesa Billiton, a maior exploradora de diamantes do mundo.

      Quanto a Petrobrás, realmente ela ruma ao primeiro lugar, pois nenhuma outra empresa em todo mundo conta com um “orçamento” como a Petrobrás. Aliás, um orçamento que não pára de crescer: em 2010 foram R$ 60 bilhões; em 2011, R$ 80 bilhões. Isto sem falar nos empréstimos através do BNDES.

  33. aliancaliberal says:

    Amilton, vc é moderado e eu sou um pouco menos. Sobre o estado dominar setores estratégicos tem a seguinte consideração a se fazer, não seria a agricultura o setor mais estratégico da economia e mesmo assim não esta na mão privada? Não tem coisa mais importante que o alimento para o povo e pq confiamos na iniciativa privada para conduzir este setor importantíssimo e não no estado?

    Da mesma forma a iniciativa privada pode conduzir os setores energético e de infra-estrutura, apenas devemos manter a concorrência e abertura do setor. Eu ate brinco com a esquerda propondo a estatização da agricultura, peço para criarem a agrobrás. Lógico sabemos bem o que acontece quando o estado estatiza a agricultura, fome. Lembra da fome que aconteceu na Etiópia nos anos 80-85 um dos motivos foi a ascensão de um governo coletivista que ao estatizar a agricultura e ainda por cima impedir o êxodo piorou muito a situação que já era ruim.
    …………..
    Sobre o preço da venda da Vale as esquerdas esquecem-se de comparar o preço da Vale com a Rio Tinto e com a BHP Billiton, ao fazer esta comparação vera que o preço de venda foi muito boa, especialmente se lembrar que foram vendidos apenas 27% das ações, não foi vendida a Vale como diz a esquerda e sim parte das ações.
    …………..
    Sobre a privatização do setor energético uma consideração que poucos fazem: as empresas privatizadas têm que dar mais lucro operacional do que o lucro financeiro daí a taxa de juros vigente influencia as tarifas.
    A questão é vc convencer alguém a investir no setor produtivo e não no setor financeiro com estes juros que temos hoje no país, por isso a aparente vantagens abusivas que o governo dá.

    Por sinal isso seria matéria de estudo.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,

      A diferença é que na agricultura existem milhões de produtores, enquanto que no setor elétrico ou de abastecimento, por exemplo, só pode existir uma empresa. E aí ocorre aquela situação que vc bem descreveu. As empresas pressionam para aumentar os preços e as agências sempre terminam cedendo, pois o governo é também um dos culpados pelos altos preços, tanto com a alta carga tributária, quanto com as altas taxas de juros. Quem paga no final, como sempre, é o consumidor.

  34. aliancaliberal says:

    Amilton, eu entendo os monopólios naturais, mas hoje, com o desenvolvimento de novas tecnologias, este conceito já não representa a realidade.

    Da uma olhada na CPI da tarifa eletrica, que o governo tratou de defenestrar, mas teve alguns méritos nas suas investigações.

    A California que tem o PIB maior que o Brasil, consome e produz 40% mais energia que nós, e o preço da energia é muito mais barata que a nossa e toda ela é privada.

    • Amilton Aquino says:

      Liberal,
      Acho que temos que diferenciar a produção de energia (que pode haver competição) e a distribuição de energia que, por natureza, é um setor monopolista. No primeiro caso, quanto mais gente houver produzindo energia melhor, seja por iniciativa privada ou pública. Quanto à distribuição até admito que a iniciativa privada entre, porém como concessão, com um contrato que coíba qualquer iniciativa de abuso. O que não pode é uma sociedade inteira ficar refém de uma única empresa, a qual fica com um poder de coerção abusivo.

      Não conheço bem a realidade da Califórnia, mas pelo pouco que sei lá existe muito investimento de empresas na geração de energia. Recentemente o Google investiu U$ 55 milhões em um centro de geração de energia eólica. Acho que aí está a explicação para a redução do preço, além da muito menor carga tributária, claro.

  35. Alan Patrick says:

    3)Na política econômica o governo Lula deu continuidade a algumas ideias de estabilização econômica que eram seguidas pelo governo anterior, mas não considero que isso significa que o governo Lula apenas deu continuidade a mesma política econômica do governo tucano, já que a estabilidade econômica e desejo tanto de governos de direita como de esquerda.

    A diferença fundamental que vejo na política econômica do governo Lula para o de FHC, esta no fato de que o Estado foi fortalecido e se tornou o principal indutor do desenvolvimento econômico no governo Lula,enquanto no governo tucano o Estado tinha um papel mínimo e era delegado para a iniciativa privada o papel de principal agente do desenvolvimento econômico. Outra diferença esta no fato que o governo Lula retomou o papel do Estado brasileiro em investir em infraestrura, algo que deixou de ser feito pelo Estado desde o final da década de 70. O fortalecimento do mercado interno também ganhou espaço na política econômica do governo Lula e foi um fator que contribuiu para atenuar o impacto da crise financeira de 2008/2009 sobre a economia brasileira.

    Este link traz um artigo com mais detalhes sobre as diferenças entre a política econômica do governo Lula e a do FHC http://botekovermelho.blogspot.com/2010/05/qual-diferenca-entre-politica-economica.html

    • Amilton Aquino says:

      Olá Alan,
      Já que o seu tópico 3 foi baseado no artigo do Leandro Paterniani, então vou tecer meus comentários diretamente sobre o artigo.

      A primeira coisa que me chama bastante atenção é que o autor tentar diferenciar o governo FHC do governo Lula em apenas cinco aspectos. Ora, isso é muito pouco quando falamos de um intervalo de 8 anos. Se compararmos o primeiro e o segundo mandato de FHC, por exemplo, encontraremos muito mais que isso, da mesma forma que se compararmos o primeiro e o segundo mandato de Lula também encontraremos muito mais diferenças, pois a realidade vai impondo novos desafios que exigem novas respostas, ao mesmo tempo que alguns problemas vão sendo equacionados ou pelo menos tendo suas importâncias diminuídas. Nada mais natural. Portanto, ao tentar salientar as diferenças entre o governo Lula e FHC, o Leandro consegue apenas enfatizar ainda mais uma continuidade que tenta refutar. Vamos então aos cinco pontos abordados.

      1) O papel do Estado
      Primeiro vamos deixar uma coisa bem clara. A diferença que o autor do artigo estabelece entre o papel do estado na economia no governo petista em comparação ao governo FHC, na verdade pode ser aplicada também em comparação aos dois mandatos de Lula, pois este ímpeto estatizante até a crise de 2008 era restrito apenas a alguns incentivos a algumas áreas específicas, como a indústria naval, nada mais. A partir da crise, a ala mais à esquerda do PT ganhou mais espaço, uma vez que as ações intervencionistas dos diversos governos do primeiro mundo no momento mais crítico da crise acabaram dando mais força a ala mais à esquerda do PT.

      Segundo o artigo, “o Estado, que tinha uma participação tímida na economia, passou a ter um papel de maior destaque, não apenas regulando, mas também planejando e investindo”.

      Papel maior? Certamente, afinal o estado ficou muito mais pesado, motivo pelo qual o governo Lula, apesar de todos os recordes de arrecadação, terminou o segundo mandato com déficit nas contas, totalmente dependente da entrada de capital externo para equilibrar as contas, ao mesmo tempo que a entrada de dólares aprofunda também o problema cambial. Mais regulado? Nem tanto, afinal as agências reguladoras foram todas loteadas entre os partidos da base aliada. Mais planejado? Só se for para o próximo governo, pois o governo Lula passou boa parte do segundo mandato comemorando copa, olimpíadas, trem-bala, compra de caças, Pré-sal, PAC 1, PAC 2, etc. etc. No entanto fez muito pouco, deixando quase tudo para a Dilma resolver em tempo recorde, sob pressão e, como todos prevíamos, com obras superfaturadas, já que agora o governo vai ter que pagar o preço que as empreiteiras cobrarem.

      2) Políticas Setoriais
      Este “diferencial” está mais para uma variação do primeiro item. Nos próprios argumentos do autor do artigo já encontramos a reposta para este suposto diferencial. Vejamos:
      “Enquanto o governo FHC ficou mais focado na política macroeconômica, desenvolvendo um rígido processo de ajuste fiscal, o governo Lula deu uma atenção especial a determinados setores, especialmente aqueles ligados à infra-estrutura e à construção civil.”

      Ora, primeiro se faz o ajuste fiscal e se ajusta a macroeconomia. Depois, o estado pode implementar políticas setoriais, aumentar o crédito, investimentos, etc. Não dá para assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. Combate à inflação e crédito, por exemplo, são antagônicos. Não dá para conquistar tudo ao mesmo tempo.

      E mais uma vez o autor recorre à crise de 2008 para tentar salientar este suposto diferencial citando a redução de IPI para automóveis e eletro-eletrônicos, como exemplos de “políticas setoriais”. Ora, os incentivos não são novidade. Em várias outras crises a indústria automobilística já recorreu ao governo fazendo chantagem com a ameaça de desemprego. Portanto, no máximo, a redução do IPI pode ser considerada como uma medida de combate à crise, e não como “política setorial”.

      Para finalizar este item, não poderia deixar de citar o trecho “solucionou boa parte dos gargalos existentes”. E os aeroportos? E os portos? E a internet? E os apagões?

      3) Exposição cambial e dívida pública
      De fato, o ex-tucano aliciado pelos petistas, o Henrique Meireles, se empenhou em mudar o perfil da dívida, embora não tenha conseguido reduzir o endividamento como deveria, já que tivemos um momento tão propício, com a valorização das commodities, o crescimento contínuo nos seis anos e meio iniciais de governo, sem crises externas, com risco país diminuindo, inflação controlada, arrecadação crescente, etc.

      No entanto, o objetivo legítimo de reduzir a exposição ao dólar terminou saindo pela culatra, pois o dólar na era Lula entrou em uma trajetória decrescente em todo mundo. Ou seja, na prática o governo trocou dívida externa a juros baixos por dívida interna a juros três vezes maior.

      Vale salientar que, para camuflar o endividamento interno o governo Lula mudou a contabilidade da dívida, o que reduziu em mais de R$ 700 bilhões o endividamento oficial. Além do mais, o governo tem usado o BNDES como uma espécie de orçamento paralelo que joga dinheiro no mercado sem ser contabilizado como dívida (o que, por sua vez, aumenta a pressão inflacionária). Resultado: o governo Lula terminou o segundo mandato gastando o equivalente a 40% do orçamento em rolagem de dívidas e pagamento de juros, um índice 10% superior ao ano de 2007.

      4) Inflação e política monetária
      Sobre este item não preciso falar muito, pois um dado já diz tudo:
      Inflação de 8 anos de FHC: 101%
      Inflação de 8 anos de Lula: 103%

      Detalhe: FHC governou oito anos com a inflação pressionada pelo dólar, enquanto que a inflação só não subiu mais na era Lula porque o dólar entrou em trajetória decrescente (em todo mundo, vale salientar). Ou seja, mesmo com um aliado (o dólar) no combate a inflação, o governo Lula repassou para a sucessora um repique inflacionário que deveria ter sido atenuado, caso o governo completasse o processo de desindexação da economia. Muito pelo contrário, o governo Lula deixou para a Dilma mais indexação com sua política de aumento do salário mínimo. Nem mesmo a redução da meta de inflação o governo Lula foi capaz de deixar como legado. Uma pena, pois se tivesse reduzido pelo menos um ponto percentual, hoje o problema seria bem menor.

      5) Melhor percepção de risco
      Ora, este item não é nenhuma ação do governo Lula, é sim o resultado da percepção do mercado em relação ao bom cenário do Brasil (e todos os demais emergentes) na década de 2000 com a mudança do eixo econômico para os países emergentes e com a ausência de crises entre 2002 e meados de 2008. Aliás, a crise de 2008 só fez salientar ainda mais a posição dos emergentes, uma vez que houve um aumento do risco dos países do primeiro mundo. Só para citar um exemplo, pela primeira vez na história, os títulos da dívida norte-americanas foram rebaixados.

      Mas os petistas preferem acreditar que tudo isso foi obra de Lula. Não me surpreenderei se algum dia me defrontar com algum livro do MEC dizendo que “Lula mudou o cenário mundial”.

  36. aliancaliberal says:

    Um dos grandes enganos nas análises dos governos FHC e Lula é achar que FHC foi pró mercado e Lula pró estado.
    Isso se deve a maciça propaganda a la Goebbels do PT sobre o governo FHC, a acusação de que FHC seria um desmantelador do estado não procede pelo simples fato que a intervenção estatal na economia se agravou no governo FHC em comparação ao governo Lula .
    As privatizações do governo FHC foram incompletas o estado não deixou de atuar em nenhum setor da economia e ainda pior aumentou a participação do estado.
    Aumentou a carga tributária só isso já seria o bastante para condená-lo como estatizante, aumentou a interferência do estado na gerencia das empresas por meio das agencia, ANVISA e a ATT, por exemplo, infernizam a vida das empresas com buRRocracias sem comparações no mundo ocidental.
    A liberdade econômica foi reduzida no período FHC isso pode ser visto nos índice de liberdade econômica divulgadas a época.
    Ouve sim grandes avanços no período FHC ao estabilizar a moeda e promover certo grau de responsabilidade fiscal, manter e ampliar a abertura comercial, mas isso não é suficiente para definir o governo FHC como pró mercado.
    Fhc foi um governo intervencionista em maior ou menor grau assim como Lula da mesma forma foi.Ambos anti-mercado anti-liberdade ecnômica, ambos reduziram a concorência, ambos ficaram devendo mais liberdade e não somente econômica, liberdades civis ficaram longe das agendas, liberdades individuais foram reduzidas mas isso é conversa para outro dia.

    • Amilton Aquino says:

      Discordo, Liberal. Não acho que o governo FHC ampliou a atuação do Estado. As privatizações são a prova disso. Aumentou sim a carga tributária, mas não porque queria investir mais no social ou aumentar o poder do Estado, e sim para honrar os gastos crescentes com a dívida pública. As agências reguladoras foram criadas como resposta às críticas de que a sociedade ficaria refém dos eventuais monopólios criados com a privatização de grandes estatais. O fato é que o PT ocupou a posição social democrata que antes ocupava o PSDB, jogando este do centro-esquerda para o centro-direita. Mesmo assim, o PSDB ainda pode ser considerado social democrata.

      Concordo que as reformas não foram concluídas a ponto de termos um ambiente mais propício para os negócios, com mais liberdade econômica. Mas isso deveria ser conquistado progressivamente com as reformas trabalhistas e fiscais. O problema é que o PT não deu sequencia às reformas.

  37. aliancaliberal says:

    Blz, Amilton nem é necessário graduarmos o “nível” de intervenção do governo FHC, o que importa primariamente desconstruir a imagem de super liberal de FHC o que somente aconteceu na cabeça dos coletivistas.

    Falam da por exemplo que a Vale foi dada de graça por 3 bilhões, mas esquecem que a Rio Tinto valia 15 Bilhões e a Vale 10 bilhões e o que foi vendido correspondia “apenas” 27% das ações onde chegamos aos 3 bilhões.

    Tomei como base da minha afirmação o artigo do Mises sobre o PIB e PPR , Produto Privado Remanescente
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=297

    • Amilton Aquino says:

      Obrigado por mais esta contribuição, Liberal. O artigo é bem longo. Vou ler com mais calma neste fim de semana.
      Abraço!

    • Alan Patrick says:

      Liberal,as reformas do neoliberalismo teve seu ínicio no governo Collor e se aprofundou no governo FHC. Aliás,vale ressaltar que o próprio FHC no ínicio do seu mandato afirmou que sua missão seria “acabar com a era Vargas”. As privatizações(financiadas pelo BNDES),e prova que houve diminuição do papel do Estado na economia no governo tucano.

  38. aliancaliberal says:

    Allan, houve redução do estado em alguns setores e aumento em outros. Na soma deu mais interferencia do estado. Vc nota isso no aumento dos gastos publicos, não somente no “social”. Outra, fazer privatização com dinheiro publico e mantendo se ainda atuante no setor, é contraditório.
    “capitalismo tipo BNDES” ou seja, sem risco e com lucro garantido.

    Conluio governo-grandes empresas não é capitalismo e sim fraude.

    • Alan Patrick says:

      Liberal, no governo FHC o Estado tinha como prioridade o ajuste fiscal e o controle da inflação. Concordo com vc que houve aumento dos gastos públicos, mas a maior parte desses gastos eram destinados para o pagamento de juros e demais serviços da dívida pública ao grande capital(portanto,o gasto crescente do Estado não era no social ou nos investimentos em infraestrutura, mas apenas na remuneração do sistema financeiro). Dito isto, vale lembrar que, apesar do pagamento da dívida pública ter sido priorizada no governo FHC, o percentual da relação dívida/PIB que era de 30% em 1995, foi aumentada para 55% em 2002!
      Aliás, as medidas neoliberais do governo FHC(privatizações,arrocho salarial,diminuição dos direitos sociais e a prioridade no pagamento dos juros ao grande capital em detrimento do social), foi justamente o que o mercado esperava do Estado.

      • Amilton Aquino says:

        Alan,
        O primeiro ano do governo Lula foi de arrocho total. Aliás, o governo chegou inclusive a aumentar o superávit primário para pagar dívidas. Só depois que os indicadores macro-econômicos começaram a dar sinais de melhora é que o governo pode “lançar” o Bolsa Família, já que o Fome Zero não saiu do zero. Portanto, não se trata de uma questão de priorizar o setor financeiro em detrimento dos gastos sociais, e sim de um pré-requisito básico, pois se vc não paga as dívidas tem que decretar moratória. Se decretar moratória, agrava a crise. E aí nem mesmo dinheiro para o social vai ter. Esta é uma das lições básicas que o PT aprendeu no primeiro governo (apesar de andar esquecendo no segundo). Vc, como militante, já devia ter se conscientizado disso e parar de ficar repetindo as bravatas que só funcionam com leigos.