Comparação: Lula x FHC

Categories: Comparações Lula x FHC
Escrito por: Amilton Aquino

Charge Lula x FHCComparar os números dos governos Lula e FHC pode levar a conclusões equivocadas, pois ambos os governos enfrentaram realidades bem distintas (ver antes o artigo “Contextualizando o Governo Lula”). Para fazer uma comparação mais justa, citamos as principais ações de cada governo e as comparamos, levando em consideração os respectivos contextos de cada governo.

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POLÍTICAS MACROECONÔMICAS

Os desafios da era FHC

A era FHC foi caracterizada principalmente pela tentativa de estabilização da economia brasileira, condição sine qua non para o início do processo de crescimento verificado na era Lula. Ao contrário do que muita gente pensa, a vitória contra a inflação não ocorreu apenas com o Plano Real, lançado já no Governo Itamar. A inflação, embora controlada, ainda não atingira um nível compatível com as economias estabilizadas, exigindo um longo processo de desindexação da economia e um rígido controle da taxa de câmbio. Não havia ainda um regime de metas de inflação. Os estados gastavam mais do que arrecadavam, pois não havia ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não havia uma política de superávit primário que apontasse para a redução gradativa das dívidas internas e externas. O sistema financeiro apresentava vulnerabilidades, com bancos em crise com a perda dos ganhos com os juros altos da época da inflação, assim como os Estados que apoiavam suas receitas nos bancos estaduais, que também lucravam com o processo inflacionário. O déficit previdenciário crescia descontroladamente e a máquina estatal cada dia ficava mais obsoleta pela ausência de recursos para investimentos, principalmente  nos setores de infra-estrutura, essenciais para o crescimento da economia.

Ou seja, na era FHC não existiam condições mínimas para atrair os investidores estrangeiros. A equipe econômica, portanto, tinha como principais desafios, além de controlar a inflação, promover reformas que mudassem o panorama geral da economia brasileira. Sem dinheiro para investir nas estatais, a solução foi a privatização, principalmente dos setores de telecomunicações e de mineração, com a promessa de reduzir o endividamento crescente com o dinheiro obtido. Infelizmente a corrupção nos bastidores das transações macularam a boa idéia das privatizações. Os resultados benéficos do processo, no entanto, seriam sentidos nos anos seguintes com o crescimento exponencial de tais empresas e o consequente o aumento da arrecadação de impostos e de empregos proporcionado pela rápida expansão desses setores, assim como o aumento significativo de investimentos da iniciativa privada.

Diante das dificuldades em promover uma reforma geral na Previdência (principalmente com a oposição ferrenha do PT), o Governo FHC conseguiu aprovar o impopular “Fator Previdenciário”, medida que diminuiu sensivelmente os déficits sucessivos da Previdência ao retardar a aposentadoria de pessoas que conquistavam o direito precocemente, algumas com pouco mais de quarenta anos de idade. (Ironicamente, no último ano do Governo Lula foi aprovado no Congresso um projeto para acabar com o mesmo Fator Previdenciário. Dessa vez, o PT fez de tudo para barrar o projeto, o qual foi finalmente vetado pelo presidente Lula com o argumento de que tal medida aumentaria o déficit da previdência em R$ 45 bilhões em 2011).

Outra medida importante do Governo FHC para organizar a economia brasileira foi a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo objetivo principal era evitar que estados e municípios continuassem gastando mais do que arrecadavam. Como parte das negociações com os prefeitos e governadores para a aprovação da lei, foram repassados para o Governo Federal R$ 275 bilhões de dívidas dos estados e municípios para o Governo Federal, aumentando sensivelmente os gastos públicos com juros da dívida numa época de grande turbulência entre os mercados emergentes.

Outras medidas saneadoras do Governo FHC foi recuperação dos bancos federais, que entraram em crise com o fim da inflação, a implantação do impopular PROER (que evitou uma crise sistêmica na época e ajudou o Brasil a passar ileso pela crise mundial de 2008), a quebra do monopólio da Petrobrás e a abertura de seu capital, medidas que possibilitaram a triplicação da produção de petróleo do país.

Como antídoto para o crescimento da dívida pública, o Governo FHC implementou o  Superávit Primário, como também os regimes de Metas de Inflação e Câmbio Flutuante, o tripé da atual e bem sucedida política econômica, a qual o PT da oposição tanto combateu.

Como resultado dos esforços de estabilização, o governo FCH multiplicou a dívida interna que pulou de R$ 108 bilhões, em 1995, para R$ 658 bilhões, em 2002 (segundo o IPEA), dos quais R$ 275 bilhões foram decorrentes do repasse das dívidas dos estados e municípios para o Governo Federal; R$ 143,4 bilhões resultante dos chamados “esqueletos”, compromissos assumidos pelos governos anteriores na época da inflação, mas que não tinham sido contabilizados como dívidas efetivas; e R$ 69,5 bilhões decorrente da recuperação dos bancos federais, que entraram em crise com a queda da inflação.  (Para saber detalhes sobre estes números, clique aqui).

Os desafios da era Lula

Apesar de herdar um repique inflacionário de 12% ao ano após a chamada “Crise Lula”, decorrente do medo dos agentes econômicos de que a eminente vitória de Lula provocasse alguma mudança na política econômica deixada por FHC, Lula foi o primeiro presidente, desde o início dos anos 80, que assumiu a presidência sem ter como principal objetivo derrotar o “dragão da inflação”.

Ao assinar a famosa “carta aos brasileiros” (na verdade a “carta ao mercado”), prometendo não alterar os fundamentos da política econômica e ao assinar  juntamente com FHC um empréstimo ao FMI, o ainda candidato Lula acalmou o mercado. A inflação, assim como o dólar que chegou aos R$ 4 e demais indicadores financeiros, aos poucos, foram voltando aos patamares anteriores a “Crise Lula”.

Fora este primeiro “desafio”, o Governo Lula encontrou um período de mais rápido crescimento da economia mundial desde o final da Era de Ouro do capitalismo, sem turbulências de crises e contando com a duplicação do valor dos principais produtos de exportação brasileiros ainda no primeiro mandato. Só para ilustrar a diferença de cenários, a renda per capta mundial, que passou os oito anos de FHC estagnada em U$ 5,2 mil, pulou para U$ 9 mil já em 2008. Considerando o PIB mundial com o valor do dólar de 2005, o PIB mundial pulou de US$ 29 trilhões, em 1995, para US$ 60 trilhões, em 2008. Nos oito anos de FHC, o PIB mundial aumentou de US$ 29 trilhões para US$ 33 trilhões.

Claro que a equipe econômica comandada por Antonio Palloci tem méritos em conduzir bem a política econômica herdada. Mas, fora isso, durante todo este tempo, o governo Lula não fez nada de novo, a não ser estimular alguns setores da economia e as exportações.

A primeira grande crise internacional enfrentada pelo Governo Lula só veio acontecer no final de 2008. Dessa vez, no entanto, o Brasil estava preparado, com boas reservas internacionais e com um sistema bancário sólido, saneado no governo anterior. O Governo fez bem sua parte estimulando setores importantes da economia e o Brasil saiu lucrando da crise, já que faz parte do grupo de países emergentes, os menos afetados pela crise e que, portanto, tornaram-se os principais destinos dos investidores dos primeiro mundo, cujas economias permanecem estagnadas com os juros próximo a zero.

A redução da dívida externa e o pagamento da dívida com o FMI, um dos maiores trunfos do governo do PT nesta área, foi, na verdade uma troca de títulos da dívida externa pela dívida interna – esta última com juros bem mais altos. (Confira aqui artigo sobre este assunto).

Outra ironia da história é que, depois de combater tão veemente a política de Superávit Primário quando oposição, no Governo, o PT não só o manteve como ainda aumentou o percentual de economia para o abatimento da dívida. Aliás, foi a partir do aumento do superávit primário que os números contaminados pela Crise Lula rapidamente se normalizaram. Apesar disso a dívida interna continuou aumentando na mesma proporção da era FHC, chegando a ultrapassar a histórica marca dos R$ 2 trilhões de dívida bruta ainda em 2009.  Isto acontece porque se de um lado o Governo abate a dívida com o superávit primário, do outro, aumenta a dívida emitindo títulos para financiar o próprio défict e os empréstimos subsidiados do BNDES a grandes empresas (inclusive para obras no exterior).

Ao mudar a metodologia de cálculo da dívida pública em 2006, o governo tem mascarado o problema da dívida. Com a nova metodologia, o Governo unificou as dívidas interna e externa,  excluindo do cálculo os títulos em poder do Banco Central e das empresas estatais, além de abater da dívida os eventuais “créditos”  das reservas cambiais (Para saber mais sobre este assunto, clique aqui).

Com toda esta “maquiagem”, o Governo Lula chega ao último ano comemorando a redução percentual da dívida pública em relação ao PIB (43%), usando sempre como comparativo o recorde negativo da era FHC, quando o dólar bateu a casa dos R$ 4, na “Crise Lula”, elevando o percentual da dívida em relação ao PIB para 56,9%. Ou seja, se a comparação fosse feita com base nos números pré Crise Lula, o endividamento deixado pelo governo Lula não seria muito diferente deixado pelo já alto endividamento do governo do PSDB, com a diferença que o governo do PT teve seis anos e meio de cenário favorável para reduzir o endividamento significativamente. Em outras palavras, o percentual de endividamento do Governo Lula está favorecido pelo baixo valor do dólar nos dias atuais, o que, portanto, reduz seus méritos já que a perda de valor da moeda norte-americana é um fenômeno mundial.

Em relação aos gastos públicos, o Governo Lula tem dados sucessivos passos para trás, pois a máquina estatal do PT têm crescido muito acima do crescimento do PIB, o que torna o país vulnerável e engessado, caso os ventos da economia tornem-se desfavoráveis nos próximos anos.

Conclusão:

O governo FHC tem quase todos os méritos sobre a política macro-econômica brasileira. Como efeito colateral do processo de estabilização, o governo FHC deixou uma dívida interna recorde. O governo do PT teve o mérito de conduzir bem tais políticas, mas não deu sequencia às reformas. Ao invés de iniciar um processo de redução da carga tributária, foi na direção contrária, aumentando-a em mais dois pontos percentuais, assim como os gastos fixos da máquina governamental que aumentaram em 38%. Aliás, o governo do PT vai terminar o segundo mandato sem implementar nenhuma das seis reformas prometidas no discurso de posse do primeiro governo.

Quem se saiu melhor?  FHC.

Obs.: este é o item mais importante da comparação, pois dele depende todos os outros. Ou seja, se a economia vai bem, o governo tem dinheiro para investir em todos os demais ministérios.

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EDUCAÇÃO

Em comparação com os governos anteriores tanto o governo do PSDB quanto do PT tiveram boas atuações na educação, apesar dos resultados ainda inexpressivos. Os maiores méritos do governo FHC foram na educação de base. A implantação do Bolsa Escola permitiu uma redução média anual do analfabetismo em torno de 3.5% ao ano, superando a marca do PT que continuou reduzindo, só que em um ritmo de 2.6% (números do primeiro mandato).  Os especialistas atribuem a queda a incorporação do Bolsa Escola ao Bolsa Família no Governo Lula, eliminando as contrapartidas das famílias atendidas no acompanhamento dos estudantes. Outro ponto desfavorável do governo Lula neste ponto é o aumento do porcentual de brasileiros entre 15 a 17 fora da escola, revertendo uma queda gradativa que vinha ocorrendo desde o governo Itamar Franco.

O governo FHC lançou o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamenta) que destina recursos ao ensino fundamental. O governo Lula lançou o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que direciona recursos também para o ensino de base, porém com uma cláusula que repassa as sobras dos valores que não foram aplicados aos professores.

Outra medida importante do governo FHC foi a instituição do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, o qual foi ampliando no Governo Lula que o transformou no principal indicador de qualidade do ensino brasileiro (apesar dos deslizes dos últimos anos).

No ensino superior, o governo Lula foi muito superior. Além de aumentar o número de vagas nas universidades federais e expandir os campos universitários para o interior, criou o Prouni, que financia a entrada de estudantes em faculdades privadas. Claro que tais investimentos só foram possíveis com o crescimento da arrecadação na era Lula, afinal de 1995 até 2010 o PIB do Brasil foi multiplicado por dez, enquanto que o crescimento da população foi de apenas 23% no mesmo período.

Outra marca do Governo Lula nesta área foi a implantação do sistema de cotas nas universidades, uma medida polêmica, mas que ajuda a atenuar a distância dos menos favorecidos às universidades federais.

Conclusão:

Ambos os governos avançaram na educação. O governo FHC avançou mais no ensino de base, enquanto que o governo Lula avançou mais no ensino superior. Os números do governo de PT são mais expressivos, pois houve também maiores recursos investidos, conseqüência direta dos sucessivos aumentos de arrecadação nos últimos anos.

Quem se saiu melhor?  LULA

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SAÚDE

Na saúde, o governo FHC teve uma atuação bem mais expressiva. Deixou sua marca com a regulamentação dos medicamentos genéricos; implantou o Programa Saúde da Família – PSF para atuar na prevenção de doenças nas comunidades; e ganhou projeção internacional com seu programa de combate à AIDS.

O Governo Lula ampliou a atuação do PSF. Deixou sua marca apenas nas implantações da Farmácia Popular e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU.

O atendimento hospitalar, no entanto, não evoluiu em nenhum dos governos. Com raras exceções, as cenas recorrentes de corredores lotados de macas continuam a ser uma triste realidade brasileira.

Conclusão:

O governo FHC com menos recursos fez mais pela saúde no Brasil. Em comparação com todas as outras áreas de atuação do Governo Lula, a saúde é certamente uma das menos expressivas.

Quem se saiu melhor?  FHC

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SEGURANÇA

Em ambos os governos, a segurança pública continuaram relegadas. O governo FHC chegou a propor algumas ações para melhorar a segurança pública (como a unificação das polícias, por exemplo), mas nunca pôs nada em prática. O governo Lula implantou o Sistema Único da Segurança Pública (Susp), mas até agora nenhum resultado prático foi obtido. Um viés a favor do governo Lula são as intenções de investimentos na modernização de aviões das forças armadas (digo “intenções” porque até agora a transação não foi concretizada e, quando for, o compromisso de pagar as aeronaves vai para o sucessor de Lula). No governo FHC houve a compra de um porta-aviões francês fora de linha (ainda hoje o único do Brasil) e a instalação do polêmico Sistema de Vigilância da Amazônia – SIVAM, marcado por um escândalo de corrupção em sua implantação. No governo Lula, o maior destaque foi a melhoria da Polícia Federal, que teve seu contingente de policiais dobrado, assim como melhorias salariais e de equipamentos.

Conclusão:

Como na saúde, ambos os governos também tiveram atuações pífias. Mas o PT conseguiu sobressair um pouco pelas melhorias na estrutura da Polícia Federal.

Quem se saiu melhor?  LULA

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REDUÇÃO DA POBREZA

Em ambos os governos houve uma expressiva redução da pobreza. Segundo a FGV, a redução da pobreza no primeiro governo FHC foi de 5,1%, patamar quase idêntico aos 5,2% do primeiro governo Lula. No governo FHC, a redução foi decorrência do controle da inflação, enquanto que no Governo Lula, da ampliação dos programas assistências, como Bolsa Família. Certamente quando terminar seu segundo mandato, os número do governo do PT serão bem mais expressivos também neste item, decorrente da ampliação do Bolsa Família e da aceleração do crescimento da economia. Mas ainda assim os méritos do governo do PSDB são maiores, pois tanto o Bolsa Família quanto a política econômica são continuações de políticas implementadas na era FHC.

Conclusão:

Embora a redução percentual do nível de pobreza seja praticamente idêntica entre os dos primeiros mandatos de FHC e Lula, os resultados do primeiro são mais expressivos porque a estabilização da moeda melhorou a vida da população como um todo, enquanto a gestão Lula obteve melhora mais significativa para as populações mais pobres. Outro ponto que reduz os méritos do governo Lula é que o Bolsa Família trata-se da unificação e ampliação de programas lançados no segundo governo FHC. Ou seja, os méritos do Bolsa Família são também do governo FHC.

Quem se saiu melhor?  FHC

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POLÍTICA EXTERNA

Ambos os governos tiveram importantes atuações na política externa. Ambos os presidentes viajaram bastante e aumentaram o prestígio do Brasil no cenário mundial. FHC chamava atenção por ser um intelectual. Lula chama atenção por seu um ex-metalúrgico. Lula, no entanto, conseguiu mais prestígio, pois o Brasil da década de 2000 subiu na escala de importância no mundo globalizado, principalmente após a crise do final de 2008, quando os países ricos, pela primeira vez na história da humanidade, jogaram para os países emergentes a responsabilidade de atenuarem os efeitos da crise mundial, já que estes países vêm mantendo taxas de crescimento muito superiores ao mundo desenvolvido nas últimas duas décadas. Na época de FHC, o G8 decidia tudo sozinho. Na era Lula, surgiram o G14 e o G20, nos quais o Brasil participa ativamente.

Até o final de 2008, Lula se tornou uma espécie de xodó entre os líderes mundiais. Nos dois últimos anos, no entanto, Lula tem perdido sua grande popularidade internacional pelos equívocos no episódio Honduras, na visita à Cuba, quando ignorou o apelo de presos políticos em greve de fome; ao visitar alguns dos mais sanguinários ditadores africanos e, mais recentemente, no apoio ao programa nuclear iraniano.

Entre os nossos vizinhos sul americanos, o desempenho do Governo do PT não tem sido melhor, pois nosso país tem sido desafiado sucessivamente pelos nossos vizinhos, que contam com a total complacência do Governo Lula. A começar pela Argentina, que tem descumprido acordos de livre comércio, sobretaxando produtos brasileiros, a Bolívia nacionalizou uma refinaria da Petrobrás; o Equador expulsou do país uma construtora Brasileira (contratada com dinheiro do BNDES); o Paraguai que conseguiu aumentar em 300% o preço da energia vendida ao Brasil e até a Venezuela de Hugo Chaves tem falhado na sua contrapartida para a construção de uma refinaria em Pernambuco.

Um viés a favor de Lula nesta área são seus esforços no sentido de derrubar barreiras alfandegárias aos produtos agropecuários brasileiros.

Na primeira versão que escrevi desta comparação, havia dado ponto para o Governo Lula neste quesito.  Diante dos últimos equívocos, no entanto, não tenho como manter a mesma posição.

Conclusão:

Os cenários são bem distintos. Os países do primeiro mundo caíram alguns degraus no cenário mundial, ao passo que os países emergentes subiram alguns degraus. FHC era apenas um coadjuvante na década de 90. Lula figura como mais um protagonista no cenário mundial, principalmente por fazer parte dos BRICs, grupo dos principais emergentes de onde se destaca a China. Portanto, a política externa brasileira da era Lula cresceu em importância, mas errou bastante ao se comportar de forma passiva diante das audaciosas investidas dos vizinhos sul americanos e de forma ativa ao se aliar a figuras autoritárias.

Quem se saiu melhor?  FHC

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LEGADO ÉTICO

Ambos os governos decepcionaram seus eleitores do ponto de vista ético. Além das várias denúncias envolvendo personagens de diversos escalões do governo e até de familiares (a filha de FHC x filhos de Lula, por exemplo), ambos os governos praticaram o fisiologismo político, os quais se cristalizaram nos escândalos da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, no governo FHC, e no escândalo do Mensalão, no governo Lula.

Outro ponto que depõe contra o PT é o discurso desonesto que tenta desqualificar o Governo FHC com comparações descontextualizadas e a falta de humildade em não reconhecer os erros do passado quando combatia políticas que hoje defende. Ao invés disso, o presidente Lula e, por extensão o PT, adotaram a tática de radicalizar o discurso, dividindo o país entre os “contra” e “a favor” ao presidente Lula (direita e esquerda), uma tática semelhante a de Hugo Chaves, na Venezuela.

O Presidente ainda cometeu graves desvios éticos ao diferenciar cidadãos de primeira e segunda classe no episódio Sarney, ao ameaçar o Ministério Público com uma suposta “castração de poderes”, ao desobedecer à legislação eleitoral e ao negar a existência do Mensalão por seis anos, uma vez que finalmente admitiu a sua existência ao STF.

Ao conquista uma popularidade de 80%, o presidente Lula perdeu a inédita chance de, em um fim de mandato, promover uma reforma política para evitar o fisiologismo verificado nos dois governos. FHC pelo menos teve a desculpa de se aliar ao PFL para poder aprovar as reformas que possibilitaram o “sucesso” do governo Lula. O governo do PT, no entanto, não fez reformas. Portanto, não precisava se rebaixar tanto ao fisiologismo do PMDB.

Conclusão:

Talvez o governo FHC tenha um maior número de escândalos. Porém a decepção com o PT foi mais desastrosa, pois o partido era uma das últimas esperanças do povo brasileiro de uma política ética. Tal desilusão, portanto, afastou muita gente da política e salientou o ditado popular de que “político é farinha do mesmo saco”.

Quem se saiu menos ruim?  FHC

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CONCLUSÃO FINAL

Embora os números do governo do PT sejam bem mais expressivos, o governo FHC tem os maiores méritos, pois criou as condições macroeconômicas para o crescimento consolidado na era Lula.  A FHC coube o ônus de implementar reformas impopulares em um período de grandes turbulências, onde teve que enfrentar sete crises internacionais com uma economia extremante frágil e dependente dos capitais especulativos. O governo Lula, além de não implementar uma única medida macro-econômica, pegou seis anos e meio de crescimento ininterrupto, com as maiores médias de crescimento mundial dos últimos 30 anos, o que influiu diretamente no progresso verificado na economia brasileira, que bateu sucessivos recordes de arrecadação. Lula pecou também por não prosseguir com as reformas (certamente por serem impopulares). Das seis reformas pendentes e prometidas em seu discurso de posse (ainda no primeiro mandato), Lula não conseguiu implementar uma única nos dois mandatos. Além do mais Lula vai terminar o segundo mandato com a dívida interna triplicada, apesar do bom momento da economia mundial e da queda do dólar em todo mundo. Com o crescimento da dívida, o governo Lula pagou em sete anos de governo mais de R$ 1 trilhão em juros. Ou seja, um valor superior ao total da dívida interna deixada por FHC. Com uma dívida tão gigantesca, mais do que nunca o Governo Lula deveria ter um compromisso com a redução de gastos públicos. Mas, ao contrário, o governo Lula tem aumentado os gastos a cada ano, reduzindo cada vez mais a capacidade de investimento do Estado e empurrando a conta da rolagem da dívida para os próximos governos.



302 comentários sobre “Comparação: Lula x FHC”

  1. Yoshio Shubo disse:

    Prezado Amilton, parabéns pela sua iniciativa e também a todos aqueles que participam e se interessam pelos problemas do nosso país. Essa é a primeira vez que eu me interesso por um blog e gostei muito. Acho que as discussões sobre quem foi melhor ou pior, ficam apenas no efeito “Joule”, pois, ambos contribuíram para o desenvolvimento que enxergamos hoje. O FHC preparou o terreno e o Lula plantou e colheu, isso faz parte do desenvolvimento e espero que o próximo presidente faça mais do que os seus antecessores, independentemente do partido. Hoje o meu único receio é se o que foi feito nesses últimos dezesseis anos foram suficientes para garantir um crescimento sustentável com bases sólidas para o desenvolvimento da sociedade. Nós cidadãos interessados por um país melhor, temos sim que aproveitar a oportunidade que um blog como esse gera. Conheço muitas pessoas que criticam o antigo e o atual governo, ficam irritados com a falta de ética, com a falta de comprometimento, ficam irritadas com tanta corrupção. Descontentamento total. Não faltam criticas para o Lula e FHC. Essas mesmas pessoas que julgam e condenam os governos, guiam suas vidas através de ações parecidas. Essas mesmas pessoas que disparam condenações, também falsificam carteiras de estudantes, compram produtos pirateados, andam pelo acostamento, jogam lixo no chão e dão propina quando são parados sem documento do carro. Enfim, sempre que preciso, lançam mão de atitudes e ações incoerentes com o que pregam, para garantir o benefício próprio. O que acontece é a total falta de coerência! Esse é o real problema do Brasil, precisamos nos aprofundar em um debate sobre o comportamento da sociedade e sua responsabilidade com o país, essa mesma sociedade que gera políticos como esses que vemos no picadeiro do horário eleitoral. Prazer em conhece-los!!

    • Meu caro Yohshio,

      São pessoas como vc que eu gostaria que fosse constituída a nossa sociedade. Não o conheço, mas pelo pouco que escreveu, concordo com cada palavra. Pelo que a história nos tem mostrado, deveríamos ter um debate hoje mais racional e menos ideológico. Infelizmente, vamos ter que conviver durante muito tempo ainda com esta irracionalidade, ainda mais agora com a mitificação de Lula. Realmente sua preocupação procede. Nosso crescimento não tem sido o mais eficaz. Estamos desperdiçando duas das janelas mais importantes da etapa do desenvolvimento rápido (etapa esta que todos os países ricos já passaram) que é a incorporação ao mercado formal da população pobre e a expansão do crédito. Vai chegar um tempo em que o desenvolvimento não vai poder mais ser baseado nestes dois pilares e aí vamos lamentar por não ter aproveitado para resolver o problema da dívida e equacionar alguns problemas estruturais que impedem que nosso crescimento seja ainda mais rápido e sustentável. Acho que a eleição está definida e espero sinceramente que a Dilma não se deixe levar pelas alas mais à esquerda do PT. Pelo bem do nosso país, que prevaleça o bom senso,

  2. Rafael disse:

    Amilton, para tudo que é falado que o Governo do FHC não fez, vc tem uma desculpa, era que não tinha recursos para investir, era que o momento economico não era favoravel, entre outras coisas. Assim vc não esta sendo parcial. É claro que os 2 governos tem os pontos fortes e fracos. Mas porque vc não comparou a taxa de juros Selic, que no Governo FHC chegou a 26,32% (nada bom para os banqueiros), no Governo Lula chegou a 8,65% (sendo que o maximo que chegou foi de 19,76% em 2005), porque vc não comparou a facilidade de credito, pois nunca foi tão facil obter credito como é hoje, e a taxa de desemprego que em 2003 (ultimo ano do FHC) estava em 12,3%, sendo que o ano passado ficou em 8,1%.

    Assim como a minha comparação esta sendo tendenciosa, a sua também foi, mas a diferença é que vc propos no seu Blog fazer uma comparação, que tava a entender que seria imparcial.

    Pois uma comparação tendenciosa fica sem credibilidade, e não pode ser usada por eleitores, e só servem para enganar as pessoas.
    Então sugiro que quem ler essas comparações (quanto a sua ou a minha), não usem para decidir seus votos, procurem pesquisar em sites de noticiais, onde tem as informações de todos os governos.

    Abraço
    Até mais.

    • Caro Rafael,

      A taxa Selic reflete a insegurança do ambiente econômico. Não é uma coisa qualquer que o Governo aumenta ou baixa ao bel prazer. Além de frear a inflação ela tem também a função de atrair investidores para financiar a dívida pública. Portanto, a taxa Selic é mais uma prova daquilo que falamos na comparação, pois ela aumenta sempre que há uma crise ou pressão inflacionária. Como a maior parte do período FHC sempre teve crises entre os países candidatos a emergentes como o Brasil, então ela sempre permaneceu alta, ainda mais com o crescente aumento da dívida que o Governo teve que administrar. Sugiro que leia um artigo específico sobre a explosão da dívida interna na era FHC para entender melhor o que estou falando: http://visaopanoramica.net/category/divida-publica/

      Se vc leu o artigo citado, então imagina agora o que seria do Governo atual se tivesse que incorporar à dívida interna em poucos anos um valor correspondente ao PIB! Para quanto iria a taxa Selic, o risco país e demais indicadores econômicos? Pois foi o que aconteceu com FHC.

      E quando finalmente estávamos saindo da sucessão de crises então veio a “Crise Lula”, que elevou a taxa Selic ao recorde histórico de 26% que vc citou e que o PT adota sempre como ponto de comparação,mesmo sabendo que tal índice foi provocado pelo medo do mercado de que Lula alterasse a política econômica que evitou que o Brasil tivesse o mesmo destino dos demais emergente, como a Argentina, por exemplo, que quebrou duas vezes.

      Como vc pode ver, não se pode comparar governos apenas com números , pois este são fruto de um contexto histórico-econômico. A avaliação do desempenho de cada governo deve ser objetiva, levando em conta o que cada um fez ou deixou de fazer, justamente o que estamos fazendo aqui.

    • Rafael disse:

      Caro Amilton,

      Não entendi o final do seu comentário, pois primeiro vc fala que não podemos comparar governos apenas com números, depois vc pede para avaliarmos o desempenho de cada gorverno de forma objetiva. Como vamos avaliar objetivamente sem usar os números?!?!?!
      Vc também falou somente da taxa Selic, (e ainda fazendo pouco caso da mesma, como que não fosse importante para a economia do pais). Mas qual explicação vc tem para o indice de desemprego??
      Já sei, o FHC não tinha recursos….

    • Rafael,

      Vc deveria antes estudar um pouco de economia para evitar questionamentos tão primários. Você realmente leu a comparação acima? Aliás, vc leu o artigo que te indiquei no post anterior sobre o endividamento da era FHC?

      Se leu não entendeu nada. Mas como estou de bom humor, então vou desenhar mais um pouquinho para vc. Primeiro, devo esclarecê-lo que número não é sinônimo de objetividade. Em economia, os números não são como na matemática pura quando dois mais dois são quatro. A economia tem outras variáveis que estão mais próximas da sociologia do que da matemática. Ou seja, tem a ver com o comportamento humano, expectativas, etc.. Logo, em economia, números descontextualizados podem enganar mais do que explicar. Esta é uma lição básica de economia. Por exemplo: de 1995 à 2010 o PIB brasileiro foi multiplicado por dez, enquanto que a população brasileira aumentou apenas 25%. Imagino que vc deve ser bem jovem para fazer estes questionamentos, então imagina como seria se seu pai tivesse seu salário multiplicado por dez, enquanto que sua família inicialmente de quatro pessoas tivesse aumentando em apenas um indivíduo no mesmo período. Faça um esforço para imaginar este quadro em relação ao Brasil e vc vai concluir que é muito mais fácil governar hoje do que há 16 anos, da mesma forma que governar hoje é mais fácil do que governar há 8 anos. Existe um processo cumulativo dos dados econômicos que, caso não ocorram crises (como não ocorreu nos seis primeiros anos da era Lula), ocorre um progresso natural e gradativo na maioria dos indicadores financeiros. E foi o que ocorreu nos últimos anos.

      Portanto, uma forma mais objetiva de julgar os governos é analisar o que fizeram ou deixaram de fazer levando em conta cada contexto histórico. Um exemplo disso é a comparação acima que vc leu, mas não entendeu. O mesmo raciocínio vale para o desemprego, pois na década de 90 o Brasil estava em processo de abertura para o mercado externo, processo este que tem como conseqüência maior desemprego. Procure pesquisar também sobre este assunto. É fácil entender. Basta um pouquinho de esforço e deixar a disputa política de lado para não embaralhar suas idéias.

      Agora, objetivamente, diga-me quais as reformas que Lula fez na política econômica deixada pelo governo anterior?

  3. Che Ricardo disse:

    Poxa vida nem sei porque teve eleições em 2002, pensa bem, segundo uns caras daqui estava tudo maravilhoso, eramos só darmos umas férias de uns 8 anos para o FHC e que todas as coisas “espetaculares” que seu governo fez governariam sozinho o nosso país, alias acho que pelo que dizem nem precisaremos nos preocupar mais com quem será o eleito deste ano pois o que ele fizer estara “sustentado em uma base economica do governo deste cidadão o Sr. FHC blá, blá, genial esse cara, o FHC.

    Mas perai teve eleição em 2002 e o Sr. FHC perdeu cara (rsrsrsrs), e vcs não sabem quem votou?, pois é foi o povo milhões de eleitores votaram no Sr. Lula, pois é muitos diziam “o cara é analfabeto”,”não tem curso superior”, “é peão”, é isso que eu acho mais engraçado o Sr. FHC do PSDB, partido que possui muitos médicos, gente chique e intelectual, perdeu, perdeu, mas o cara era tão bom, foi tão genial que ninguem queria mais ele(rsrsrsrsrs). Ai vem 2006, e a população estava tão chateada com o governo do Sr. Lula que elegeu ele de novo, essa gente fogo, e está tão chateada com o governo atual que a Dilma está ganhando em 1° turno.

    O fato é que o país está progredindo e é mérito de todos, não querer enxergar
    que um presidente que possui mais de 70% de aprovação em ótimo está fazendo um trabalho excelente, é realmente não querer enxergar.

    E já que o presidente Lula não agradeu ao FHC pela base do sistema economico do nosso país eu o agradeço, Obrigado Sr. FHC pois foi a melhor coisa que vc fez pois vcs(PSDB) nunca mais voltarão ao poder agora, triste sina XD.

    • Caro Che Ricardo,

      Agora a pouco vi na TV Lula falando no comercial da Dilma, alertando a população sobre uma suposta armação da oposição contra Dilma, semelhante ao que teria acontecido com ele em 2006 com a história do mensalão. É interessante observar que Lula, no auge da sua popularidade, até bem pouco tempo tinha chegado ao ponto de afirmar que o esquema não teria ocorrido de fato e que teria sido tudo uma “armação da oposição”. Mais recentemente, depois de seis anos convocado pela Justiça para depor sobre o caso, o presidente finalmente teve que admitir aquilo que passou seis anos negando: que sabia do mensalão. Ou seja, não foi uma “armação da oposição”. Foi sim mais uma calúnia do presidente. Apesar de ser um réu confesso, nada aconteceu com ele, pois, assim como Sarney, Lula está acima da lei. Está blindado com seus 80% de aprovação.

      A Justiça, aliás, não sabe mais o que fazer com ele, pois todos os dias desrespeita a legislação fazendo comícios e pronunciamentos como este que citei, onde com a maior cara-de-pau do mundo, mais uma vez tenta desqualificar a oposição, simplificando toda a questão da quebra de sigilo como mais uma “armação da oposição”.

      A historinha que contei é apenas para exemplificar o quanto nossa população está iludida, não só com relação à falta de ética do presidente, quanto em relação ao suposto pagamento da dívida externa que a maioria da população acredita que foi paga.

      Numa coisa concordo com vc. A oposição vai sair ainda mais enfraquecida destas eleições e o populismo que sustenta mentiras como a citada acima vai continuar prevalecendo até que uma crise econômica venha acordar a população do êxtase que se encontra. Talvez então vc venha a lamentar o nanismo da oposição. A Venezuela de hoje que o diga.

    • Abbud disse:

      Vale lembrar que FHC tem uma profissao e nao e um politico profissional, e por isso e tambem por ser um verdadeiro estadista nao deixou de presidir e cumprir suas obrigacoes e responsabilidades como presidente em 2002.

      Ja o politico profissional, o “exemplo”, adorado pelo povo igonorante, deixou de ser presidente e virou cabo eleitoral, e o povo ainda acha o maximo.

      Mas e isso que o povo gosta e consegue entender nao e mesmo?

      Serra deveria escancarar a historia financeira da sua filha, ja que os petistas ja o fizeram, mas com uma condicao, que LULA fizesse o mesmo com o seu filho que enriqueceu da noite para o dia!!!

      Ohhh povo ignorante!!!

  4. Mateus disse:

    Na realidade concordo com os comentarios acima, mas minha maior preocupação é que o PT, nestes oito anos, não mostrou a que veio, não inovou em nada, pelo contrario preparou o caminho para implantar o socialismo no Brasil, a la Chaves e Cia. Pois ao dar sequência a politica de FHC, tinha que provar que era melhor que o PSDB, e isto não aconteceu,pois aonde estão as melhorias feitas pelo Lula, a não ser o populismo de palanque.?

  5. vitor Ramirez disse:

    Eu discordo no ponto de vista em que manter e melhorar algo, tem menos mérito doque mudar as coisas. Acho que o governo Lula teve muito merito no que diz manter (e fazer crescer) o que havia conseguido o governo FHC e mudou algumas coisas que estavam erradas. Esse país ainda está longe de ficar bom. Mas o governo Lula não foi o fracasso que muito acreditavam (e torciam).

    Exemplo de que manter é tão dificil quanto mudar:
    O sujeito após anos trabalhando num empregunho meia boca e ganhando mal, decide:
    Vou mudar isso, vou fazer faculdade e conseguir um emprego. Então ele vai se esforça faz vestibular, passa e começa a faculdade. Depois de alguns meses(ou algumas semanas) e por cansaço e preguiça em conciliar trabalho e estudo ele começa a faltar, não fazer trabalhos da faculdade, levar nas coxas, e consequentemente saindo da faculdade em menos de seis meses e ficando novamente só com o empregunho mediocre !

    Pergunta: O QUE É MAIS FACIL, MUDAR OU MANTER ?

  6. Flávia disse:

    Muito bom o seu blog..
    continue postando mais suas ideias pois me identifiquei muito com elas.. e é sempre bom ouvir a opniao dos outros!!
    Além do que, te parabenizo por apresentar de forma clara o passado do nosso país e por ressaltar as medidas pelo grande presidente que tivemos, que foi FHC.

  7. wilson disse:

    O neoliberalismo do PSDB/DEM
    Wilson Azevedo Ramos

    A ética do lucro, da mais valia, vigente e globalizada no modelo neoliberal em que o mercado coordena a economia e condena qualquer ação econômica do Estado, é caracterizadamente de natureza capitalista selvagem. Capaz enquanto não se apresenta uma crise, como a crise econômica de 2008, quando somente os países em que o estado tinha melhores condição de intervenção na economia, através de mecanismos de incentivos à produção e consumo e manutenção de renda foram capazes de atravessar essa crise sem grandes prejuízos. Países historicamente disseminadores do capitalismo de mercado fizeram grandes intervenções, o que sepulta o ideal neoliberal de um Estado mínimo.

    “Vemos nos últimos anos, no cenário mundial, precisamente na América Latina, a conturbação do sistema político por forças externas que não querem a soberania, nem a nacionalização dos países desse continente. Querem governos que defendam os interesses externos e não de seu povo, e com isso, torná-los eternamente dependentes do capital estrangeiro.
    Em nosso País, houve uma onda de entreguismo que tem como sinonímia: globalização e neoliberalismo. Nos oito anos de ´governo´ de FHC, houve a privatização de empresas públicas e operantes, tipo Vale do Rio Doce, de sistemas público-estratégicos como a telefonia e sistema elétrico, com a desculpa de que o Estado teria que ter responsabilidades com outros setores. ´Foram na onda´ da globalização.”[1]

    Sempre se utilizam de muitas desculpas, algumas até aceitáveis, como na época foi muito utilizada a desculpa de que os recursos da privatização seriam utilizados para pagamento da dívida, infelizmente algo muito estranho aconteceu que a dívida ao final do governo era maior e o país estava subjugado ao FMI.

    Sem contar reformas que atingiram somente o povão, como a reforma da previdência, mesmo que necessária, implementada somente para participantes do regime geral, que já tinham benefícios limitados a valores baixos e destinada a trabalhadores de baixa renda, com retirada de direitos adquiridos que passaram a chamar de expectativa de direito. E que hoje os próprios classificam como a maior injustiça já praticada contra os trabalhadores na aposentadoria, o fator previdenciário. Se era verdadeira a desculpa de saneamento do déficit da previdência, porque FHC nem tentou fazer a reforma da previdência do regime especial, muito mais necessária e urgente? Seguramente porque atingiria uma parcela importante de componentes da elite, de altas aposentodorias, para quem a própria elite acredita que devem ser dedicadas todas as ações e benefícios do governo, pois afinal acreditam serem os donos do país.

    “E se José Serra tivesse sido eleito em 2002, o que teria acontecido? Privatização da água, Petrobras, Banco do Brasil, CEF e Banco do Nordeste? O que mais poderia ter acontecido?”[2]

    Talvez a privatização total da saúde, educação, previdência, como ocorreu em outros países. Ou mudariam de política, sem terem uma referência de como pode ser um governo para todos e não somente para os ‘donos’ do país.

    [1] VASCONCELOS FILHO, Juarez Cruz de. A. Latina, Lula e companheiros. Disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=307941. Acessado em: 12.09.2010.

    [2] Idem

    • Olá Wilson,

      Já tive um discurso parecido com o seu. Mas veja mais uma ironia da história: hoje mais países estão entrando no clube dos países ricos graças à globalização, entre eles o Brasil. Explicando simplificadamente este processo, o que ocorre é que os países do primeiro mundo crescem menos, pois lá os mercados já estão saturados de produtos. A maioria dos seus habitantes já tem a maioria dos eletrodomésticos e bem duráveis que são sonho da maioria das populações do terceiro mundo. Há um descompasso entre a melhoria da produtividade das empresas e, por outro lado, o ritmo cada vez menor do crescimento de suas populações. Para não estagnarem também, as grandes multinacionais migraram para os países periféricos em busca de novos mercados. Daí o boom de desenvolvimento verificado agora na América Latina e mais especificamente entre os BRICs.

      Lula foi beneficiado com este cenário, justamente com as políticas “neoliberais” implantadas por FHC. Ao contrário do que vc pensa, Lula privatizou também. Bem menos, até porque não tinha mais o que privatizar. Mas privatizou. Chegou a cometer o mesmo absurdo cometido pelo PSDB de privatizar estradas federais, nos mesmos moldes das criticadas rodovias pedagiadas de SP, o que prova mais uma vez a distância entre o discurso (PT da oposição) e da prática (PT da situação).

      Sobre a crise de 2008, ela ocorreu pela falta de regulação do mercado financeiro e não por causa do tamanho do estado norte-americano. Aliás, sobre este assunto, o que a história nos mostra também é que quanto maior o estado nenor é a competitividade da economia (e maior a corrupção). Veja o caso dos ex-comunistas.

      O Brasil se saiu melhor da crise não porque nosso estado seja maior, e sim porque tinha bancos saneados no governo anterior (veja que o pânico inicial da crise veio com a desconfiança no setor financeiro), porque desde 2006 chegaram bilhões em investimentos estrangeiros na bolsa que, por sua vez, turbinaram nossas reservas, o que fez reduzir o risco país e etc, etc. Além do mais pegou o Brasil naquele momento mágico pelo qual já passaram todos os países desenvolvidos: quando a economia passa a ser acelerada pelo crescimento do mercado interno. Daí mais um motivo para o Brasil sair mais cedo da crise, pois os investidores estrangeiros, com todo o primeiro mundo em crise, migraram ainda mais para os emergentes.

      Sobre o fator previdenciário, vale lembrá-lo que, na oposição, o PT fez de tudo para boicotá-lo. No ano passado, fez de tudo para derrubar o projeto que visava extinguí-lo. O argumento: a extinção aumentaria o rombo da previdência em R$ 45 bilhões. Ou seja, mais uma vez a prática contraria o discurso, pois Lula teve o projeto em suas mãos e o vetou. Deu razão a FHC.

      Sobre a reforma das aposentadorias especiais o questionamento cabe mais ao governo do PT, pois teve oito anos para implementá-la e nem sequer a cogitou. O primeiro passo FHC deu. Faltou a Lula coragem para dar o segundo passo, mesmo com toda a sua popularidade. Por que não o fez? Porque o Lula só quer mexer naquilo que dá Ibope. Não teve coragem de assumir ônus como fez FHC para promover reformas cujos resultados só seriam colhidos pelos próximos governos.

      Sobre a balela do FMI, vale lembrá-lo que o mesmo Lula que hoje faz bravata sobre o fundo dizendo que ele explora os países aos quais empresta dinheiro, é o mesmo Lula que empresta uma merreca ao FMI só para fazer bravata nos comícios para os eleitores mal informados. Se o fundo é tão perverso como Lula alardeia nos comícios, então o Brasil não deveria tirar dinheiro que falta aqui para financiá-lo. Eis aí mais uma contradição do PT. Vale lembrá-lo também que o mesmo Lula assinou, junto com FHC, o empréstimo ao FMI que ajudou a acalmar o mercado em pânico com a possibilidade do PT chegar ao poder em 2002. E ainda sobre o FMI, sugiro que leia este artigo sobre o falso pagamento “antecipado” da dívida com o FMI: http://visaopanoramica.net/2009/08/29/lula-e-a-divida-publica-parte-1/

      Sobre as privatizações da era FHC, hoje Lula colhe os frutos (emprego e arrecadação) do sucesso das mega-empresas nacionais que se formaram a partir das privatizações. Tanto que Lula não ousou reestatizar nenhuma delas, nem mesmo do setor elétrico que, ao meu ver, deveriam ser hoje de economia mista como a Petrobrás e o próprio BB, que o Lula copiou o modelo com a abertura do seu capital. E aí vai mais uma contradição: o PT agora joga nas mãos da iniciativa privada a construção e manutenção da segunda maior hidrelétrica brasileira (Belo Monte). E o pior: financiada com dinheiro público. Este sim o novo “modelo” de privatização do Governo Lula.

      Dizer que Serra teria privatizado isso e aquilo é mais um discurso fácil do PT, pois, como vc pode ver, o Lula mente e mente descaradamente.

  8. Discurso tucanês sórdido. O entreguismo de FHC de nossas empresas, como a Vale, RFFSA, Embratel, Embraer já desqualifica vocês e seus candidatos.

    • Elson,

      Nem mesmo o seu guru Lula acredita mais neste discursinho de esquerda alienada. Veja o comentário anterior em resposta ao Wilson, pois ele vale também para vc.

    • Abbud disse:

      Elson faz o seguinte deixe de usar telefone, nao viaje de aviões brasileiros, peça para que todo o transporte de carga ferroviario passe para o rodoviario e troque uma das maiores pagadoras de impostos para o Governo por uma empresa estatal ineficiente.

      Eu prefiro focar em ações realmente de Estado, Saude,Educação e políticas sociais e econômicas.

      Já voce parece querer ter uma boquinha em uma destas empresas graças a deus hoje dos brasileiros!

  9. Yoshio Shubo disse:

    Senhores, não sou economista, mas leio bastante a respeito, pois, me preocupo com o futuro. Sou Lula desde a primeira eleição, mas não gosto do PT. Não gosto do PSDB mas admiro a biografia do FHC e o pouco que li sobre Serra, também gosto.
    Dessa maneira eu tento enxergar de forma imparcial o que aconteceu nos dois governos. É fato que durante um perído até 2003 a economia mundial andava de lado sendo impossível ver no governo FCH o que vemos hoje. É provável que se ele tivesse feito um sucessor em 2002 os números que vemos hoje seriam os mesmos. O que fica claro depois de alguns estudos,sobre as obras de Karl Marx, Schumpeter e principalmente Kondratiev, é que existe um ciclo econômico que se repete. Todo esse movimento de expansão economica já aconteceu em outras época, e o que vemos hoje é a fase de expansão se repetindo. É como se fosse uma onda e só chega na area para descansar, o surfista que sabe surfar. O Brasil está surfando essa onda? Esta! Ela começou em 2003 e pelo que foi observado por esses estudiosos é que ela pode se prolongar até 2028. Por que 2028? De 2003 até 2028 temos 25 anos é tempo médio de maturação de grande projetos. A partir de 2003 começaram as grandes obras pelo mundo inclusive no Brasil. Depois de 25 anos esses projetos estão pagos e o que era capital voltar a ser dinheiro. Quando esse tempo acabar, voltaremos a observar aumento da taxa de juros, contração do crédito, encolhimento da economia global, até que o fenomeno se repita novamente. Se eu estiver falando besteira, peço aos economistas que me corrijam. O que eu quero dizer com esse texto é que não basta crescer, tem que crescer bem, temos que aproveitar a oportunidade que temos hoje, para gerar as grandes reformas sociais, políticas e econômicas. Não podemos perder tempo discutindo quem foi melhor ou pior não dá para fazer comparações. Temos que fazer o levantamento do que ambos erraram e discutir se há tempo de fazer as correções. Olhem para Europa, Japão, EUA, todos já passaram por fase de expansão e hoje estão com dilemas para manter o padrão. Imaginem o Brasil daqui a 50 anos. Como estaremos? Antes de criticarmos qualquer governo, precisamos estudar, precisamos entender a fundo o problema do país. Não conheço o Amilton, essa é a segunda vez que entro no blog, independente do viés partidário, ele abriu um bom meio de debate, mas para valer a pena, é necessário estudar. Leiam a biografia do FCH, leiam a biografia de Lula, entrem no site do CEPAL, FMI, IBGE. Vamos levantar informações e debater o que precisa ser melhorado. Meu pai escolheu o Brasil para viver, pois, ele acreditava que o Brasil seria um grande país, um lugar de oportunidades e liberdade. Eu acredito que chegaremos lá! Depende somente de nós. Viva o Brasil!!

    • Olá Yoshio,

      Suas preocupações são minhas também, pois acho que a fase atual de crescimento não está sendo bem aproveitada. Como vc disse bem, a economia mundial oscila entre momentos de euforia, retração e crises, seguidos de retomadas e assim sucessivamente. No âmbito de cada país, além destas oscilações temos as diversas etapas de desenvolvimento, as quais conduzem aos indicadores do primeiro mundo. Até os anos 80, um grupo seleto de países haviam atingido este patamar e ditavam o ritmo de crescimento da economia mundial. Com a globalização, o capital cruzou as fronteiras do primeiro mundo e chegou também ao terceiro mundo. Sobre este assunto vou publicar um novo artigo brevemente.

      Abraço,

    • Abbud disse:

      Yoshio voce em parte tem razão, mas lembre que não basta a onda ser grande, o surfista precisa ter competencia, e neste quesito FHC surfou em uma marola e LULA em um Tsunani, Serra ou Alckmin são muito melhores surfistas que LULA.

      Mas voce esqueceu do principal, nada será sustentável se não tivermos uma solução para a qualidade de nossa educação básica.

      Nenhum, absolutamente nenhum país rico que vive o dilema que voce comentou tem um sistema ruim de educação, geralmente estão no topo do ranking educacional e economico, os dois andam junto!

      Seu pai te deu uma oportunidade que no Japão é sagrado! a Educação!

      Corremos o risco de sermos vitimas do populismo, pela falta de instrução e educação do povo, ao mesmo tempo que sem ela a conta não “fecha”.

      Então se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Não tem saida sem Educação!

  10. Paulo disse:

    Sr. Aquino,

    Não conheço sua pessoas nem suas intenções reais. Não quero que tome as críticas abaixo como pessoais. Criticarei o seu texto apenas, não que eu não reconheça qualidade no que você escreve, mas porque reconheço também um certo partidarismo travestido de imparcialidade.
    Suas qualidades como retórico são admiráveis. Seu texto mascara muito bem um engajamento anti-PT, utilizando-se de uma falsa imparcialidade, inclusive dando alguns (poucos) créditos a Lula. Porém, essa manobra só engana os menos atentos. É claro que aqui neste espaço não poderemos ter um debate entre iguais, o seu espaço será muito maior, e além disso, meu tempo atualmente é escasso. Mas se sua real intenção for a imparcialidade, convido-o a informar-se melhor sobre algumas questões:
    1- Os méritos sobre o programa de combate à Aids são do governo de José Sarney, como presidente e posteriormente como senador. Pesquise o assunto e confira.
    2- O Real foi criado antes de FHC assumir o ministério da Fazenda. Você deve saber muito bem disso, se não, leia a fundo a história do real e leia as entrevistas de Itamar Franco, ele faz críticas sérias a FHC.
    3- As privatizações foram feitas com a falsa intenção de pagar a dívida externa. No entanto, a dívida pública (externa e interna) cresceu exatamente 346%. FHC deixou o governo com uma dívida que chegava a 54,4% do PIB brasileiro.
    4- Privatizar não foi bom negócio como seu texto aponta. Venderam barato o que nunca poderia ter sido vendido. Não terei como explicar-me aqui, mas você é inteligente o bastante para saber o porquê. Busque informações em fontes qualificadas. Aqueles argumentos de “mais linhas telefônicas” não dizem nada sobre qualidade do serviço e preço, só dizem o que é óbvio: empresa privada busca lucros, portanto expande o mercado. Sobre o argumento de que “a Vale hoje emprega mais” é uma contradição grosseira. Quando era estatal, ela empregava muito mais e melhor (via concurso público). Mas alguns têm a péssima mania de rotular as estatais como “cabide de emprego”. A Vale demitiu muitos funcionários ao ser privatizada e hoje quase todo seu controle é estrangeiro. Seu crescimento não se deve à privatização, mas sim à necessidade mundial de recursos dos quais o Brasil dispõe em abundância.
    5- A política externa de FHC foi ínfima comparada ao avanço da era Lula. FHC apenas manteve o tripé (EUA, Europa e Japão). Lula reforçou o Mercosul, manteve antigos aliados (o tripé de FHC) e ainda criou novos mercados, expandindo para todos os continentes e em áreas onde o Brasil nunca antes esteve.
    6- O PT nunca foi um partido revolucionário, ele se difere muito de partidos socialistas e comunistas. Então, antes de dizer que o PT mudou radicalmente, informe-se melhor sobre a história do partido. Seja justo! Houve algumas mudanças com o decorrer dos anos, o que é normal. O partido deve se adequar às novas realidades. Mas o princípio do PT continua o mesmo.
    7- Sobre Hugo Chavéz e outros, sugiro que se informe melhor com urgência. Desculpe dizer, mas nessa área você demonstra completa ignorância. Comece sua pesquisa lendo sobre a tentativa de golpe de Estado liderada por Gustavo Cisneros. O empresário das telecomunicações tentou derrubar um governo democraticamente eleito. Chavéz tem até hoje amplo apoio popular. Em seguida, reconheça alguns avanços do governo Chavez e critique o que se deve criticar, mas com o devido respeito e imparcialidade.
    8- Sobre as relações Brasileiras com o Irã, a maioria dos brasileiros ignora o que há por trás da crise entre Irã e EUA. Acho que você é inteligente o bastante para não cair nesses clichês de “terrorismo”, “ditador”… e em todo esse maniqueísmo barato. Para entender o problema, você deve entender antes a amplitude do poder israelita na economia e na mídia dos EUA. Por favor, não caia em clichês e rótulos criados com fins políticos e econômicos. É um jogo de poder, não um jogo do bem contra o mau.
    9- Sobre corrupção e ética, para sermos justos deveríamos dizer, a priori, que ambos os governos foram igualmente ruins. Contudo, boa parte dos escândalos no governo Lula é fruto de uma imprensa sensacionalista. Essa mesma imprensa não foi tão ativa no governo FHC. Com FHC as críticas eram moderadas e os escândalos esquecidos rapidamente. É engraçado ouvir alguns dizerem “me decepcionei com o PT”. Análise comigo esse discurso. Quer dizer que com o PSDB eles não se decepcionaram, logo, eles já sabiam que o partido era corrupto, portanto aceitavam a corrupção como coisa normal. Há um senso comum no Brasil que diz que todo político é ladrão. Então aceitamos a corrupção desses partidos: “o PSDB o é corrupto mesmo, deixa pra lá. Para que punir? Político é assim mesmo” Mas com o PT o buraco é mais embaixo. Ninguém aceita o PT metido com corruptos. Tudo vira CPI e o Congresso praticamente pára. Observe que há diferença. Uma analogia: você tem 2 amigos, um em quem você confia muito, pois conhece sua boa índole. Ele é um amigo de infância muito querido seu. O outro amigo é apenas um colega de trabalho em quem você não confia tanto, pois sabe que ele é dado a certos vícios de caráter. Imagine que os dois amigos traem sua confiança. Você naturalmente ficará mais decepcionado com o seu amigo de infância, porque do outro você já podia esperar uma traição. Então, motivado pela decepção (sentimento irracional) você severamente pune o seu amigo de infância afastando-o de seu convívio, sem dar a ele a chance de se explicar. O outro amigo, você apenas o ignora, o deixa de lado, como se a traição dele já fosse esperada, como se fosse algo normal. Observe que a sua punição para os dois é semelhante, porém para o seu amigo de infância o castigo é muito pior. Ele sofrerá muito mais com a perda de sua amizade. Logo, você estará também se auto-punindo por meio de sua teimosia irracional em se manter afastado de seu melhor amigo. É isso o que acontece na maioria das vezes. Na vida, nós punimos muito mais aqueles que amamos do que aqueles que tememos. Maquiavel escreveu (vou parafrasear): “obedecemos muito mais aos que tememos do que aos que amamos” e isso não poderia ser mais verdadeiro, porém triste. Na política é um pouco semelhante. Se você condena toda uma trajetória apenas por causa de algumas pedras, você não está sendo justo. Toda atitude de rasgar suas convicções baseado numa decepção é uma atitude irracional. Ex: “O muro de Berlim caiu, agora não acredito mais no comunismo”, “o PT foi corrupto, agora não acredito mais no PT” etc. Não é assim que se age racionalmente. O comunismo tem ideias boas, o PT (que não é, nem nunca foi comunista) tem um bom governo e bons planos. Seja crítico sim, mas não radical cego. Fazer críticas ao PT é ótimo, eu apoio. Mas há coisas para serem elogiadas também. Decepcionar-se com um partido é uma atitude lamentável e muito infantil.
    10- A revista Veja é um caso à parte. Sempre tendenciosa, algumas vezes caluniadora e até golpista. Dois de seus diretores são ex-secretários de FHC. A revista tem ligação com o capital especulativo. Gustavo Cisneros (opositor de Hugo Chavéz) é um de seus sócios. O grupo Naspers (criador do apartheid) também é sócio da editora Abril. Tudo graças a uma manipulação que FHC fez na legislação regulamentar, tornando possível a entrada desse tipo de capital em empresas de comunicação brasileiras.
    11- O Real apenas estabilizou a inflação. Não houve distribuição justa de renda, programas de aceleração do crescimento, nem ganhos reais. Quem era assalariado, não teve nenhum ganho, apenas viu sua moeda ser valorizada ante o mercado. Mas isso não reduz em nada a pobreza do brasileiro, apenas estabiliza a vida econômica de quem já possui renda, ou seja, de quem já era consumidor. Não tiro o mérito, foi ótimo para a classe média. Mas daí a dizer que FHC foi melhor no combate à pobreza? Amigo, você foi fundo. Além disso, você sabe e até FHC reconhece que manter a paridade Real-Dólar foi uma péssima ideia.

    Eu iria dizer que no governo Lula:
    a)Os apagões da era FHC ficaram para trás,
    b)O Brasil é, pela segunda vez, o campeão mundial no combate à fome,
    c)O Brasil está cada vez mais perto de atingir as metas do milênio,
    d)Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil (incentivo ao crescimento e ao esporte),
    e)Greves universitárias (no gov. FHC eram constantes) com Lula ficaram no passado.

    Mas aí você vai dizer que tudo isso que Lula fez foi porque o governo dele arrecadou mais e o de FHC não arrecadava tanto. Pare com isso, amigo! Não se engane!

    O governo Lula arrecadou mais porque gerou mais empregos formais, consequentemente mais consumo e mais tributos. Os empregos são conseqüência da ampliação de mercados (a alta das exportações). Isso é mérito da política externa no gov. Lula que ampliou o leque de opções de comércio internacional. Outra coisa que favoreceu a alta recorde de empregos foi a diminuição dos impostos sobre material de construção e o conseqüente aquecimento no setor imobiliário e na construção civil.

    O que o PSDB ainda não aprendeu é que política social não é gasto, é investimento e gera frutos para a economia. Invista no povo, porque tudo que eles consomem se torna tributos e o trabalho do povo produz frutos para o país.
    Com a redução da pobreza todo o país cresce e todos ganham. Mas o PSDB ainda pensa: “vamos crescer, para depois reduzir a pobreza” – Essa é a marca de Adam Smith. Todavia, a melhor política é o oposto “vamos reduzir a pobreza para o país crescer”-Essa é a marca do pensamento de esquerda.

    Todo o seu texto foi baseado em Adam Smith. Você utilizou-se apenas do conceito de macroeconomia para (tentar) justificar um sucesso pretenso de FHC. Essa estratégia econômica (a macroeconomia isolada) foi criticada por Marx e por Keynes. Nem mesmo a direita (séria) se baseia em Smith.

    Sr. Aquino,
    Seu texto seguiu uma estratégia retórica inteligente, porém a mais óbvia de todas. O que você chama de “necessidade de contextualizar” é conhecido na retórica como “relativização”. Isso mascara a realidade e você deve saber disso.
    Não sei se sua intenção é justa ou se você quer fazer propaganda partidária. Se sua intenção for justa, sugiro que após pesquisas, reescreva o seu texto, desta vez sendo realmente imparcial. Suas poucas críticas ao governo FHC camuflaram grandes problemas sociais que FHC gerou (não herdou de governos anteriores) e problemas que ele herdou, mas que não resolveu.
    Dê os créditos ao governo que merece, independente de partido. Evitei fazer as críticas ao PT porque você já fez todas.

    Espero que você seja justo o bastante para não desqualificar e descartar (ou apagar) todos os meus argumentos. Tente primeiro entendê-los mais a fundo. Depois tome para si o que achar por bem. Proponho uma síntese de pensamentos e não uma ditadura.

    Sobre você ter sido comunista, lamento que tenha abandonado um sonho unicamente porque “o muro caiu”. Uma ideia não pode morrer assim, essa sua atitude só demonstra imaturidade. Você não precisa ser um comunista doutrinado, mas apenas um comunista, alguém que busca a qualidade de vida para todos. Há uma grande diferença entre ser um comunista cego e doutrinado e ser um comunista sério, imparcial e autocrítico. Quem disse a você que comunista é cego? O comunismo é passível de receber críticas e revisões, com essa intenção foi criado o materialismo histórico. E o comunismo não tem nada a ver com totalitarismo, são duas coisas diferentes. O comunismo pode e deve ser democrático.
    Pontos positivos do socialismo:

    1- A Noruega (maior IDH do mundo) é governada pelo partido dos trabalhadores (socialista) desde 1935 até hoje.
    2- A URSS foi uma potencia inegável. O socialismo tirou a Rússia do atraso. Porém, alguns erros foram cometidos no percurso. Aprender com a experiência não é descartar a ideia e sim melhorá-la, adaptá-la, rever o planejamento…
    3- Segundo os estudos da ONU, Unesco e OMS (pesquise os números depois) Cuba é uma potência na educação e na saúde: mortalidade infantil menor que nos EUA, expectativa de vida igual a dos EUA, 100% da população é alfabetizada. O país é pobre por questões regionais (compare com os outros países caribenhos) e também em razão do embargo americano que impede o comércio de Cuba com vários outros países. No entanto, miserável em Cuba não há. Mendigos também não há. Cuba é um país com liberdade religiosa, garantias individuais (garantidas por constituição) e com eleições constantes. É muito inocente toda essa crítica que a mídia brasileira (baseada nas agências internacionais) faz sobre Cuba.
    4- A China sempre teve as ZEE. O que a mídia chama de “abertura ao capitalismo” é uma visão parcial do fenômeno. Quero dizer que parte do que a mídia diz é verdade, mas apenas parte. A China sempre foi assim tal como é hoje. O atual crescimento chinês é devido principalmente às contradições do próprio capitalismo.

    Tome esses pontos como exemplo. O socialismo existente não é o terror que o senso comum (cegamente) acredita. Problemas há, mas também há muitas soluções.
    O capitalismo também tem seus problemas (e como tem)! Entre cada 7 norte-americanos, 1 vive na pobreza. É melhor ser um cubano pobre que um norte-americano pobre.

    Desculpe por qualquer coisa que tenha ficado mal esclarecida. Realmente escrevi com pressa. Peço que busque sempre evoluir, sintetizar ideias e não doutriná-las.
    Paz!

    Há mais sobre a editora Abril (da revista Veja). Leia aqui:
    http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=330

    45 escândalos da era FHC:
    http://www.consciencia.net/corrupcao/documentos/fhc-45escandalos.html

    Assista ao filme “Sicko – SOS Saúde” de Michael Moore.

    • Olá Paulo,

      Vc é um dos poucos petistas respeitosos que aparecem por aqui. Bem diferente de Lula que não respeita adversários, instituições, leis, nem a própria memória, já que frequentemente participa de comícios defendendo de forma cínica, com toda o sarcasmo que lhe é peculiar, idéias que antes combatia veemente, sem ao menos pedir desculpas pelos equívocos do passado. Portanto, uma das coisas que mais me admiram hoje é ver alguém bem intensionado, como parece você, continuar admirando alguém com tais características. Quem respeita merece respeito. Seja bem vindo!

      Minhas motivações acredito que ficaram claras no meu perfil. Se minhas críticas concentram-se mais em Lula, isto acontece porque detesto mentiras e percebo que sua popularidade foi construída justamente com meias-verdades e com a desconstrução do seu antecessor. Logo, posso dizer que a minha principal motivação é restabelecer a verdade, colocar os pingos nos “is”. Sei que sou apenas uma gota d’água que vai de encontro a correnteza, mas ainda assim continuo falando daquilo que acredito, perseguindo sempre o que é justo, independentemente dos objetivos partidários.

      Também não estou com muito tempo (pode ver que passei quase um ano sem postar artigos), então vou ser bem objetivo, até porque todos os itens citados por vc já foram exaustivamente debatidos por aqui. Por isso, vou citar também alguns links do nosso blog.

      1) A comparação proposta é entre FHC e Lula. Veja que tentei ser objetivo no texto principal e, mesmo assim ficou muito longo. Agora imagina se para cada ponto abordado eu tivesse que falar de sua gênese. Mas sua observação sobre a contribuição de Sarney é bem vinda. Ela enriquece o debate e faz justiça, mesmo a este crápula que é Sarney (agora elevado a categoria de cidadão acima da lei por Lula). Portanto, os méritos de Sarney não tiram os méritos do Governo FHC no combate a AIDS. Cada um na sua. O legislador legisla. O executivo executa. E, convenhamos, foi no Governo FHC que o programa de combate a AIDS ganhou projeção mundial. Isto é um fato.

      2) De fato FHC foi injusto com Itamar. Ele tem razão de criticá-lo, da mesma forma que Itamar tem razão de criticar Lula pelos mesmos motivos que criticamos aqui, pois ambos, FHC e Lula, se deixaram levar pelos seus superegos, Lula bem mais, já que não consegue fazer um único pronunciamento sem tentar se elevar ainda mais e, em contrapartida, diminuir todos os seus antecessores, principalmente FHC, sua obsessão. Quando falo dos méritos de FHC na estabilização da economia não me refiro especificamente a engenharia econômica implementada no Governo Itamar e conduzida por FHC, quando ministro. Derrubar a inflação nos primeiros meses todos os outros planos anteriores conseguiram. O grande desafio, portanto, foi resolver os problemas econômicos que vieram à tona com a queda da inflação (entre os quais o mais grave foi a explosão da dívida) e segurar o Real em meio a um ambiente turbulento entre as economias emergentes. Sobre este assunto, sugiro que leia o seguinte artigo: http://visaopanoramica.net/category/divida-publica/ Vc vai entender melhor do que estou falando.

      3) No mesmo artigo que indiquei antes faço uma comparação do processo de endividamento da era FHC e da era Lula. O endividamento da era FHC não poderia ter sido evitado, o da era Lula sim. Sugiro que leia também nossa série sobre a dívida. Vc vai ver quanta mentira há também nesta área. Se não tiver tempo para ler os dez artigos, sugiro então que leia uma resposta ao leitor José Luiz P Santos, ainda nesta semana: http://visaopanoramica.net/2009/09/12/lula-e-a-divida-publica-parte-3/#comment-877

      4) Sobre as privatizações, acho que FHC se equivocou nas concessões de estradas e no setor energético , já que este é um setor estratégico. Poderia ter aberto o capital de tais empresas como fez com a Petrobrás. No mais, as privatizações foram corretas. O governo não tinha dinheiro para fazer os investimentos que foram feitos e nem a competência para gerir tais empresas, sem usá-las como cabide de empregos, como ocorre hoje com os Correios, por exemplo. Se a qualidade dos serviços das empresas de telefonia caiu, é porque o Governo também aparelhou as agências que tinham a função de monitorá-las. Além do mais, Lula, apesar do discurso, continuou privatizando. Aliás, repetiu um dos mais lamentáveis erros de FHC ao privatizar também estradas. Pior: criou uma nova modalidade de privatização: vende títulos da dívida a juros de 10 e 12% ao ano e repassa ao BNDES para que este empreste a grandes empresas a juros de 4% ao ano para que estas construam usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte, por exemplo. Nem 8, nem 80, amigo. Sugiro que leia o debate com o leitor Lívio no seguinte link: http://visaopanoramica.net/2009/07/19/contextualizando-o-governo-lula/

      5) Na primeira versão que escrevi deste artigo dei ponto para Lula neste quesito, pois reconheço que foi importante diversificar os parceiros comerciais. Discordo, no entanto, do estreitamento das relações com ditadores, principalmente do Irã e da desastrada atuação em Honduras. Se hoje o Brasil tem uma atuação mais importante no cenário mundial, isto tem a ver também com a elevação do país a condição de BRIC. Vale salientar que o país ganhou este status de BRIC (indicação do país aos investidores como uma das promessas de ser uma das maiores economias das próximas décadas) foi feita em 2004, quando Lula estava no poder há apenas um ano e tinha tido um PIB pífio de 1,1% e não tinha feito nada de concreto, a não ser seguir a política tão criticada do PSDB, quando oposição. Logo a inclusão do Brasil no grupo ocorreu pelo que foi feito não apenas no primeiro ano de Lula (que apenas continuou a política “neoliberal” que tanto criticava na oposição). Claro que nossa democracia ganhou um charme especial por ter eleito um ex-metalúrgico para a presidência e Lula soube capitalizar muito bem este fato. Mas, qualquer que fosse o presidente nos dois mandatos de Lula teria tido uma maior importância do mesmo jeito, pois a fama internacional de Lula está diretamente vinculada a ascensão da economia brasileira, algo que tem muito pouco a ver com a atuação do atual governo.

      6) Que o PT mudou é notório. Tudo muda, todos nós mudamos. Minha queixa com Lula neste assunto é que ele não teve a humildade que a Marina teve, por exemplo, de assumir que estava equivocado quando fazia oposição ostensiva a tudo que o governo FHC propunha. Pelo contrário, ele sempre procura acirrar os ânimos, chegando ao cúmulo da cara-de-pau de chamar de idiotas os que criticam hoje o Bolsa Família, mesmo tendo ele feito críticas semelhantes aos mesmos programas lançados por FHC. Sugiro que veja este vídeo para entender melhor do que estou falando: http://www.youtube.com/watch?v=khrWYPd3hRQ

      7) Sobre Hugo Chaves, este está agora colhendo o fruto do seu populismo. A Venezuela neste ano será, ao lado de Cuba e do Haití, os únicos países em recessão na América Latina, que vai ter um crescimento médio de 5%. Sua popularidade foi conseguida com um cenário extremamente positivo e que ele não soube aproveitar. Explico: quando ele assumiu, em 1998, o preço do barril custava US$ 17,2400. Em meados de 2008 chegou a US$ 151. Se vc considerar que a indústria do petróleo corresponde a 50% da arrecadação daquele país, dá para imaginar a festa que foi para o Chaves administrar a Venezuela nos últimos anos. Como ele aumentou os gastos na mesma proporção que aumentou a arrecadação (Lula aumentou ainda mais do que o crescimento do nosso PIB), quando o preço do barril caiu para US$ 75, ficou difícil cortar os gastos e então o mundo dele caiu. É exatamente isso que temo que aconteça com o Brasil, pois embora continuemos batendo recordes de arrecadação a cada ano, continuamos fazendo malabarismos contábeis para fechar as contas.

      8 – Sobre as relações com o Irã, acho um dos mais lamentáveis erros de Lula. Acho, inclusive, que todos os países democráticos deveriam fazer um tratado para isolar totalmente os países com regimes autoritários, não apenas para forçar a queda das atuais ditaduras, como também para evitar que novos ditadores surjam. Acho inadmissível que em pleno século XXI sejamos exortados a considerar como um mero “traço cultural” (como sugere Lula) o apedrejamento de pessoas até a morte, sobretudo de uma mulher e por um motivo tão fútil. E olha que eu também não simpatizo com Israel. Aliás, defendo a causa palestina. Mas isto não me coloca ao lado de Ahmadinejad pelo simples fato de ser inimigo de Israel. A mesma coisa digo em relação a briga PT / PSDB. Procuro sempre seguir minha consciência, independente de lado.

      9) Concordo com sua analogia sobre o amigo. De fato me doeu muito mais ver os escândalos de corrupção no partido que eu achava que tinha a ética como principal bandeira do que com o PSDB, um partido de centro-esquerda com alguns políticos mais à direita. No entanto, minha decepção não é apenas com os escândalos, mas, principalmente, pela chance que perdemos de dar um salto de qualidade na nossa política. Apesar de sair ileso do escândalo do mensalão, ora jogando toda culpa para os aloprados, ora atribuindo as denúncias a um “golpe da direita”. A recente proteção de Lula a Sarney foi apenas mais um capítulo nesta minha decepção que a cada dia fica maior com as cada vez mais constantes demonstrações de cinismo a cada comício em que Lula se coloca acima de tudo em seu já conhecido tom inflamado. E veja a que ponto chegamos: escândalos de corrupção já não mais causam indignação. O presidente desrespeita as leis, diferencia cidadãos segundo sua posição política, mente, admite que mente, ameaça o Ministério Público com uma possível “castração de poder” e nada acontece. Aliás, acontece sim: a cada dia fica mais popular, enquanto que a justiça, a imprensa e a oposição ficam mais acoados. Com a popularidade alcançada, Lula poderia se redimir um pouco dos erros cometidos nos últimos anos pelo menos rejeitando a política do toma-lá-da-cá que chegou ao seu ápice nas relações escusas com o PMDB ou simplesmente se comportando como um republicano, não interferindo nas eleições atuais como está fazendo. E olha que no início do seu primeiro mandato ele chegou a elogiar FHC pelo comportamento republicano que teve nas eleições de 2002. Mais uma vez ele esquece suas próprias palavra e faz agora justamente o contrário. Pior: dividiu a população entre os que o apóiam incondicionalmente e os que, como eu, ousam a criticá-lo.

      10) Embora discorde da posição cada vez mais antagônica da Revista Veja em relação a Lula, compreendo sua posição, pois sinto a mesma indignação. Mas não foi sempre assim. Já li várias reportagens na Veja enaltecendo Lula, principalmente no primeiro mandato. Depois que Lula se safou do mensalão ele foi ficando cada vez mais cínico e despreocupado em relação à imprensa, pois o PT, através de um dos seus porta-vozes de segundo escalão, meu conterrâneo antes admirado, Fernando Ferro, tratou de também de desqualificar a imprensa com a história do “PIG”. É a velha estratégia usada pelos advogados de desconstruir a imagem do opositor para que seus argumentos não façam mais efeito. Não importam mais os argumentos, os documentos, as provas, pois tudo que vem do “PIG” é conspiração da direita. Como todos podem ver, a tática funcionou. Tanto com a oposição, quanto com a imprensa. Enquanto isso o PT segue na sua trajetória crescente, inchando a cada eleição e cada dia mais parecido com tudo aquilo que criticava.

      11) O dado que citei que compara a redução da pobreza entre os primeiros mandatos de Lula e FHC é da Fundação Getúlio Vargas. Não sei sua idade, mas pelos seus argumentos em relação à inflação deduzo que vc é bem jovem. Amigo, o maior imposto já pago neste país foi o “imposto inflacionário”, não só pela corrosão do salário no decorrer do mês (principalmente dos mais pobres que não tinham como se proteger em bancos), como também pela estagnação que jogou a economia brasileira por mais de 20 anos e pelas dívidas nos três níveis de administração que ajudou a ocultar durante todo o tempo em que nos assombrou. Quando finalmente foi domada, aí vieram à tona as dívidas dos estados e municípios que elevaram substancialmente a dívida na era FHC e prejudicando todos os indicadores financeiros do país, justamente na época mais turbulenta para os emergentes que foi o período do segundo governo FHC. Como disse na comparação, os méritos de Lula no Bolsa Família devem também ser computados para FHC já que foi ele quem implantou os programas que o originaram. A duplicação de famílias atendidas na era Lula nada mais é do que uma conseqüência natural do crescimento da economia brasileira, beneficiada pelo cenário internacional favorável e pelo crescimento natural das nossas empresas, crescimento este que turbinou a arrecadação do Governo ano após ano.

      Uma simples analogia para vc entender o que aconteceu com o Brasil nos últimos 16 anos: um pai de família tinha três filhos e um salário de R$ 1.000,00. Aos poucos sua renda foi melhorando e, 16 anos depois, sua renda chegou a R$ 10.000,00. Lógico que a família aumentou (ganhou mais um filho) e teve também uma perda inflacionária no período, mas convenhamos, ficou muito mais fácil para este pai de família proporcionar o bem estar de sua família. Com o Brasil aconteceu o mesmo.

      Os méritos do Governo Lula ao incentivar a indústria da construção civil tem mais a ver com a necessidade de acelerar o crescimento da nossa economia que até o final do primeiro governo Lula cresceu muito aquém de suas possibilidades. Daí surgiu o PAC (e de quebra o plano eleitoreiro de eleger a sucessora). E o que é o PAC? Aceleração artificial do crescimento da economia através de empregos e obras temporárias às custas de dinheiro financiado com a emissão de títulos públicos que, por sua vez, impedem que a dívida pública diminua gradativamente, como deveria ser já que o superávit primário foi criado para quitar a dívida em dez anos. Como resultado, continuamos campeões de juros altos. Pagamos para acelerar o crescimento e pagamos para frear o crescimento quando este bate na casa dos 7% através do aumento da Selic. Como resultado, já pagamos mais de R$ 1 trilhão de juros e a dívida interna bruta herdada de FHC ainda assim foi multiplicada por 3. Em outras palavras, as medidas que o Governo Lula tomou (e que vc cita tão empolgadamente), embora acertadas, soam mais como paliativos, já que o Governo não foi capaz de eliminar os gargalos que emperram nosso potencial de crescimento. Por isso mesmo continuamos a crescer com médias bastante inferiores a dos demais BRICs.

      Sobre o erro da paridade Real-dólar, também sugiro um ótimo debate que tive com o leitor André Nogueira: http://visaopanoramica.net/2009/10/24/lula-e-a-divida-publica-parte-9/#comment-879

      Sugiro também que leia meu último artigo sobre a última matéria publicada pela revista The Economist sobre o crescimento da América Latina: http://visaopanoramica.net/2010/09/14/um-olhar-estrangeiro-sobre-a-america-latina-o-brasil/

      Quanto ao meu descrédito no comunismo, ele é justificado pela história, pois não existe um único exemplo bem sucedido no bloco comunista (se é que ainda podemos falar de “bloco”, já que um dos últimos remanescentes que vc cita como exemplo, Cuba, agora já se prepara para abrir a economia). Os bons resultados sociais alcançados por estes países há algumas décadas só foi possível porque o ritmo de inovação tecnológica ainda era lento. Bastou acelerar um pouco o ritmo das inovações tecnológicas, e aí então o bloco comunista ficou para traz. Poderia escrever mais sobre este assunto, mas percebi que o amigo Abbud abordou muito bem a questão, então vou ficando por aqui.

      Agora, usar a Suécia como exemplo de país socialista, amigo, vc foi um pouco longe demais. A Suécia, embora tenha como regime a monarquia, é um dos países mais democráticos do mundo, com uma economia capitalista moderna e globalizada. De fato é um dos melhores exemplos a serem seguidos. Em comum com o Brasil só a alta carga tributária. A diferença, no entanto, está no que ela dá em troca.

      Quanto a lista de 45 escândalos que vc citou da era FHC, sugiro a uma lista com mais de 100 escândalos apenas no período de 2003 a 2007: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=1795

      Sobre o Michael Moore saiba que eu sou um de seus fãs. Acho um tanto manipulador, mas acima de tudo corajoso. Sua crítica a saúde privada é justa, assim como as demais críticas dos seus outros documentários. O fato é que o modelo norte-americano não pode e não deve ser seguido pelo mundo. A globalização vai a cada dia se espalhar pelas nações mais atrasadas, reduzindo a distância entre países ricos e pobres, embora não consiga reduzir as desigualdades. Isto só vai ser conseguido algum dia com a evolução da humanidade, e não com a imposição de modelos como foi feito com o comunismo.

      Abraço e muita paz!

  11. Abbud disse:

    Paulo alguns contrapontos ao seu discurso velho e cego na minha humilde opinião:

    O programa da Aids pode até ter sido iniciado antes, mas diferente de seus amigos petistas, o PSDB não costuma elilmiar ou mudar de nome o que é bom so por que foi feito por outro partido, nem colocar a culpa dos problemas do Brasil nos outros.

    Se voce acha que o Governo é eficiente administrando as ex estatais de aço, telefonia, minerio, e aviões, fica dificil discutir com voce, estes setores são mundialmente privados, extremamente competitivos e globais, e sem estes setores fortes e competitivos não há economia competitiva, me diga uma empresa 100% estatal em setores industriais e de serviços que sobrevive hoje em um ambiente global e de competição justa?

    Se voce acha que uma estatal emprega melhor do que uma empresa privada, só por ai ja vemos que existe um desequilibrio, empresas iguais em setores iguais que pagam mais para funcionários menos eficientes não tem como serem eficientes! é a lógica do trabalho e recursos.

    Da onde voce tirou que a Vale é em grande parte de capital externo, e mesmo que fosse não haveria problemas, por que quem é dono dela, e hoje voce realmente pode ser dono comprando ações, quer o lucro e o crescimento da empresa, já o Governo tende quase sempre a querer usar a empresa como um braço político, e ai sim fica na mão de poucos políticos.

    Amigo desculpe, mas voce não sabe a diferença entre socialismo e comunismo, ai tambem fica dificil discutir, Cuba a China a ex URSS são comunistas, a Noruega e Suecia são considerados países socialistas, a diferença básica é que enquanto no socialismo o Governo garante a igualdade para a sua população, com Educação igual, Sáude Igual e Assistencia Social universal também há a diferenciação pelo merito e trabalho, quem estudou e trabalha mais ganha mais mas não muito mais do que o que estudou menos e trabalha. Já no comunismo não há diferenciação (exceto na China como abordarei a seguir), é um sistema independente do mérito e do trabalho, a não ser é claro a diferença se voce é do governo ou não, e isto explica os regimes ditatoriais necessários nestes sistemas sem exceção.

    É mais ou menos assim: A revolução francesa pregou a “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, O Lulismo melhorou e prega a “Liberdade para o Governo, Igualdade para o Povo e a Fraternidade com os companheiros”

    O plano real meu amigo, sim!, apenas acabou com a inflação, e com ela eliminou a maior geração de desilgaldade, e resistência ao crescimento economico, e nenhum outra ação de Governo até hoje distribuiu e aumentou tanto a renda do Brasil em tão pouco tempo! Ou voce com sua ideologia cega e antiga, vai dizer que o Bolsa Familia é muito mais eficiente para a distribuição de renda e geração de empregos?
    A inflação é ruim para todo mundo mas é muitas vezes pior e cruel com o pobre que nem conta em banco tem! Ma pelo menos agora, lendo seu texto eu entendi por que o PT foi contra o Plano Real!Lamentável..

    Me diga algum país que conseguiu se desenvolver com hiperinflação!? Nenhum! portanto a eliminação da inflação é o primeiro passo para qualquer coisa, inclusive o populismo lulista atual!

    A China sempre foi negociadora, a milhares de anos eles fazem isso ,e ela cresce hoje por que simplesmente através do seu regime ditatorial e mãos fortes, investiu na industria para exportação, sendo sócio do capital externo de países mundo afora, colocando a disposição todo o seu gigantesco mercado interno, ao fazer isto ela mesclou o sistema comunismo a um capitalismo controlado,um verdadeiro negócio da China. Só que isso só é sustentável enquanto a população estiver sentindo que esta participando do crescimento com o aumento dos seus salários e ganhos, e então o Chines vai gostar de ganhar dinheiro como o Japones e o Coreano gostaram no passado recente, e os seus custos de produção já não serão os mais competitivos do mundo e ai o crescimento estabiliza, as pessoas começam a querer mais, a se informar e então a quebra do regime comunista será eminente!

    Lembre-se meu amigo que o Brasil foi a China na década de 70, não por acaso também vivíamos uma ditatura, so que diferente da China não ficamos sócios do capital, o capital veio e foi dividido e surrupiado por poucos, e depois foi embora deixando a inflação e a divida externa como uma verdadeira herança maldita!

    Seus argumentos com relação a política externa chegam a parecer piada, mas explicam sua cegueira, pois Chaves é popular na Venezuela em parte pelo mesmo motivo que Lula no Brasil, assistencialismo e populismo.

    Na verdade Lula gostaria de ser Chaves mas não consegue, se ele conseguisse ele fecharia a Veja que voce gostaria e critica, se perpetuaria no poder como Fidel e demais ditadores comunistas que voce acha corretos e justos!

    Quem deve se informar melhor acho que é voce amigo, mas não leia informações do Governo, nós ainda não vivemos um regime sem liberdade de imprensa então voce ainda pode buscar outras fontes!Ai verá que a Venezuela foi o país que menos cresceu no mundo e que os apagoes são diários, ahh ta… mas ai voce vai dizer que foi a falta de chuva, o que não vale para o Governo do FHC, que apesar de não ter tido apagão nenhum e sim uma mobilização pelo racionamento, não pode deixar de ser culpado pela chuva! Já Lula e Dilma pelo blecaute…ahhh ai sim foi um raio divino que caiu na linha de Furnas!

    Se voce acha que o Irã não quer fazer a Bomba Atomica, que Chavez não quer se perpetuar no poder, que Cuba é uma ilha de prosperidade, e que fazendo comercio com 3% do mundo vamos conseguir aumentar em 10% o nosso comercio, então voce precisa aprender a fazer conta e ler mais de uma fonte de informação.

    Melhorou o Mercosul? O que é isso meu amigo! Lula com suas benevolencias com os vizinhos, criou exceções para tudo no Mercosul, cotas de geladeiras, sapatos, carros e etc…e todas elas contra o Brasil, e com isso ele transformou o Mercosul e uma literalmente “zona” de livre sanções! Ah ta mas isso sai na Veja e voce não le a Veja….Mas tambem saiu em todos os Jornais mas voce também não acredita..Mas todos os especialistas falam, mas voce não os dá credibilidade.

    Quando a sua pergunta sobre o que é melhor, se ser Americano ou Cubano, pergunte aos cubanos! que na sua maioria não pensaria duas vezes se tivessem a chance de fugir.

    Enfim fique tranquilo amigo, estes fatos óbvios não vão influenciar a eleição, pois a maioria esmagadora dos eleitores de Dilma Lula da Silva, que não tem uma boquinha no esquema, não sabe nem que a revista Veja existe, jornal então só serve para limpar…

    • Abbud,

      Discordo de vc apenas sobre a diferença entre socialismo e comunismo. Segundo, Karl Marx, o socialismo seria uma fase de transição entre o capitalismo e o comunismo. Porém, em ambos os casos, o Estado advoga a propriedade pública e a administração dos meios de produção. Diante das dificuldades de como implantar o modelo, logo surgiram os reformistas admitindo uma economia de mercado, porém ainda planejada pelo Estado. Ou seja, este definitivamente não é o caso nem da Suécia nem da Noruega. De fato, tais países são ótimos exemplos de igualdade de acesso à saúde e educação. No entanto, suas economias são sim capitalistas, com empresas muito competitivas como a Volvo, Scania, SKF, Ericsson, por exemplo. Aliás, assim como acontece com nossas multinacionais, nas suecas também ocorre uma internacionalização de suas ações, inclusive com fusões e parcerias com multinacionais sediadas em outros países. Recentemente a Ford vendeu sua parte da Volvo para uma montadora chinesa que se tornou sua maior acionista. Coisas da globalização.

    • Abbud disse:

      Aquino, é questão de semantica, Karl Marx talvez tenha idealizado o Socialismo como um caminho para o comunismo como voce disse, mas o socialismo na forma mais ampla signfica socializar as oportunidades e serviços sociais, independente do capital de cada indivídio, nestas questão não há a relação capital e trabalho.

      Trabalho em empresas suecas a 12 anos, 6 anos na ABB e 6 na SKF , uma das empresas que voce colocou na sua lista, então posso dizer com propriedade que a Suecia é sim considerada um país socialista neste sentido mais amplo, todas as empresas que voce mencionou tem capital misto porém controle privado, todas as empresas suecas tem participação da coroa sueca que faz o papel do Estado. Os Países Nórdicos em geral possuem um sistema que podemos chamar de Socialismo de Capital, todos são donos e socios das principais empresas inclusive o Estado, porém o controle e administração é sempre privado, os impostos são pesados e as diferenças de renda entre o mais alto nível e o mais baixo é muito pequena, então quando as empresas vão bem todos ganham e o Estado tem grande capital para garantir alto nível de serviços de saúde e educação principalmente. Este é o modelo que vejo como o mais próximo do ideal, o capital é socializado pelo trabalho e mérito, e assim temos o verdadeiro ganha ganha, se o empresario ganha os funcionarios e o estado tambem ganham, e se um perde todos perdem!

      Abraços

  12. Garota disse:

    Petista doente não sou…
    Mas…
    O que adianta realizar as reformas macroeconômicas e não saber conduzí-las?
    Lula só deu continuidade ao que FHC já deixou pronto?
    Isso sim é ser alienado.
    E todos os resultados positivos (E COMPROVADOS!) que podemos observar nesses últimos anos, deve-se a boa administração do nosso presidente.
    FHC pode ter feito um bom governo durante seu primeiro mandato, mas não soube conduzí-lo no segundo.
    Ao contrário de Lula, que “preparou e semeou a terra” em sua primeira gestão, para depois “colher os frutos” na sua segunda gestão.
    E disso, tucanos doentes, vocês tem que tirar o chapéu!

    ps: não votarei na Dilma, e não sou petista doente, mas…a realidade é mais forte do que “dados” irrelevantes!

    • Garota,

      Seu raciocínio é bastante simplista. O senso comum diz que FHC fez um bom primeiro mandato e desandou no segundo. Certamente ele se cansou da popularidade alcançada no primeiro mandando e então resolveu mudar tudo, ou então desaprendeu. Fez o carro mas não soube dirigir! Ora, garota, é claro que isso não faz nenhum sentido. O que ocorreu no segundo mandato de FHC foi resultado de uma conjunção de fatores internos (aumento da dívida e consequentemente a piora de todos os indicadores econômicos) com um cenário mundial recessivo e cheio de crises, principalmente entre os candidatos a emergentes como o Brasil.

      No caso de Lula aconteceu justamente o contrário: a conjunção de fatores internos (política econômica acertada) com o cenário internacional de maior crescimento dos últimos 30 anos, além de uma mudança no cenário econômico mundial que redirecionou os investimentos internacionais para os países emergentes. O aumento do PIB mundial mostra bem a diferença de cenários, pois praticamente duplicou nos 8 anos de Lula, enquanto que em todo o período FHC aumentou de US$ 30 trilhões para US$ 33 trilhões. Mas é compreensível. Nossa população não sabe nem o tamanho do PIB do Brasil, como vai poder comparar com o PIB mundial?

      Sugiro também que leia meu último artigo sobre a última matéria publicada pela revista The Economist sobre o crescimento da América Latina: http://visaopanoramica.net/2010/09/14/um-olhar-estrangeiro-sobre-a-america-latina-o-brasil/ Vc vai ver que o progresso dos últimos anos aconteceu na América Latina como um todo, em mais uma prova de que Lula governou na inércia.

  13. Paulo disse:

    A indiferença é a melhor resposta a quem desconhece o item mais básico da inteligência: a educação. Portanto, vou responder apenas a quem merece.

    Sr. Aquino,
    Acrescentarei alguns novos itens para a sua reflexão.
    1- Eu disse Noruega e não Suécia (leia de novo o que postei)
    Noruega, partido socialista, no poder desde 1935. País com o maior IDH do mundo.
    Página do Partido dos Trabalhadores Norueguês (em inglês):
    http://arbeiderpartiet.no/Kontakt/Information-in-English

    2-Sobre os ataques que Lula faz ao PSDB.
    Concordo, mas estes ataques são também defesas. Acaso o PSDB reconhece ou reconhecerá alguma melhoria feita pelo PT? Não, exceto com intenção eleitoreira.
    O PSDB sempre atacou o PT, inclusive de forma muito mais baixa que o PT ataca o PSDB. Exemplos não faltam.
    O que a maioria das pessoas pensaria se visse o Lula elogiando o governo anterior? Mesmo que fosse um reconhecimento justo, se ele o fizesse não seria compreendido pela maioria das pessoas. Isso seria dar votos para a oposição. Esse joguinho eleitoreiro é baixo, porém é necessário numa democracia baseada em dicotomias. Atacar a oposição é perfeitamente normal numa democracia ainda recente, e o PSDB também faz isso (com motivação eleitoreira e não necessariamente verdadeira). Espero que no futuro todos os partidos e ideologias possam governar igualmente, escolhendo a melhor ideia entre eles não importa de quem venha. Mas isto ainda vai demorar um pouco.
    Recentemente o PSDB mudou seu discurso. Ele percebeu que criticar Lula é ir contra a opinião da maioria dos eleitores, então, apenas com motivação eleitoreira, o PSDB parou de criticar o Lula e o Bolsa-Família e agora vive afirmando que irá amplia-lo.
    Você acusa Lula de ser ingrato. Mas o PSDB tentou ficar com créditos de governos anteriores e mais recentemente também quer os créditos do governo petista. Logo, não há jogo limpo de nenhuma das partes. Se o Lula agradecesse ao FHC ele estaria sendo ingênuo e burro, porque FHC não fará o mesmo. FHC é o político mais arrogante e vaidoso que existe. Chama a atenção para si, não reconhece o esforço de outros e usa de um discurso convincente, porém falso. FHC chega a parecer imparcial. Esse é o pior de todos os mentirosos, aqueles que escondem sua verdadeira opinião atrás de um discurso que soa como imparcial sem na verdade sê-lo. Ele não mente, ele manipula os fatos.
    Não é a toa que Betinho (Hertert de Sousa, sociólogo, Deus o tenha) criticou FHC. Além disso, não custa lembrar:
    FHC ao assumir a presidência: “esqueçam tudo o que eu escrevi”.
    FHC durante: “os aposentados brasileiros são vagabundos”.

    3- Macroeconomia.
    Você continua pensando como Adam Smith. O que você chamou de macroeconomia (que seria uma teoria de Keynes) é na verdade a microeconomia de Adam Smith, só que aplicada ao Estado. Esta é uma falácia comum, aplicar conceitos econômicos empresariais a um Estado. Você aplicou uma teoria caduca, mas deu a ela o nome de uma outra teoria, esta amplamente aceita.
    Karl Marx respeitava muito Adam Smith, mas não deixou de criticá-lo rigorosamente. Keynes fechou a tampa do caixão de Smith com sua teoria macroeconômica.
    Porém, a macroeconomia isolada é uma prática tão caduca que apenas a direita norte-americana e o PSDB a usam. A direita européia está um século mais evoluída nesse aspecto (mas em outros ela é caduca também).
    No mundo hoje não podemos ser arrogantes ao ponto de adotar apenas uma teoria econômica. As teorias com base marxista somadas às teorias de influência keyniana são as que mais dão certo no mundo. Exemplo: Europa ocidental.

    4-Capitalismo, Socialismo e Comunismo:
    Entre cada 7 norte-americanos, 1 vive na pobreza. A classe média tem consumo, mas não tem qualidade de vida: saúde, educação etc são ruins. Imagine a desigualdade com que um pobre norte-americano convive. Ele seria mais feliz em Cuba, onde não passaria fome, teria educação, esporte e uma das melhores saúdes do mundo, além de não conviver com a humilhação e o preconceito das elites.
    Pobreza e riqueza não podem conviver lado a lado. É melhor um país pobre, porém justo, do que um país rico e desigual. É uma questão de bom senso e de humanidade, não de economia. Ninguém pode ser dono de um rio, uma terra, uma montanha. Essas coisas existem para permitir que haja vida, portanto, é desumano e anti-ético apropriar-se de bens naturais ou de qualquer outra coisa que seja necessária à vida. Hoje, alguns remédios, tratamentos, trabalho, casa, cama, escola, computador são coisas tão necessárias quanto o ar. É impossível haver qualidade de vida sem essas coisas.
    Cuba nunca foi fechada ao mundo, o embargo estadunidense é que a bloqueou. O que Cuba está fazendo hoje é o que a China já fazia há décadas. E nos países capitalistas onde não há um socialismo paralelo, a desigualdade social fará as pessoas se revoltarem contra as elites. A queda desse tipo de capitalismo é certa. Assim foi na Noruega e assim é na França, Alemanha e Inglaterra, países capitalistas, mas que adotaram um socialismo paralelo. O socialismo existente nesses países europeus é fruto da luta do povo e de partidos de esquerda. Isso culminou nos direitos trabalhistas que temos hoje em todo o mundo.
    O comunismo não é caridade nem filantropia, Marx criticou os filantropos chamando-os de reformadores do capitalismo. O comunismo é justiça social, é acabar com a exploração do trabalho, é criar uma economia cooperativista e independente de fatores externos (isso não significa ser uma economia fechada). O comunismo é a verdadeira democracia (poder para o povo). O comunismo não pode ser imposto a um povo, ele nasce do povo, de sua vontade de se governar. Um povo bem instruído caminha nesse sentido, por isso, o comunismo é inevitável. A redução da carga de trabalho já é uma tendência mundial necessária para manter o capitalismo vivo. Com o tempo, modos de produção autosustentáveis também o serão. A redução das desigualdades, a inclusão social e a convivência pacífica com as diferenças são sonhos que nunca se apagarão no seio da humanidade.

    5- O problema de quem se apega demais apenas aos números.
    Conta hipotética: O país A tem PIB de 10 trilhões e o país B tem PIB de 2 trilhões. O país A cresce 4% (passa a ter PIB de 14 trilhões) e o país B cresce 100% (passa a ter PIB 4 trilhões). O país B cresceu muito mais, entretanto, veja que a diferença entre eles aumentou. Primeiro, a diferença entre eles era de 8 trilhões, agora a diferença entre eles é de 10 trilhões.
    Logo, quando criticavam o governo dizendo: “O Chile cresceu mais que o Brasil” os críticos omitiam o fato de a diferença entre Brasil e Chile ter aumentado. Apesar dos números mostrarem que o Chile cresceu mais, ele se tornou mais pobre em relação ao Brasil.
    E alguns pensam que a Globalização econômica diminui a diferença entre países ricos e pobres, mas muito pelo contrário, a diferença entre eles aumenta. Basta enxergar além dos números ou saber realmente analisar números de forma crítica. O sentido que as riquezas tomam é sempre em direção às suas matrizes, nunca às filiais.
    Gráficos e pesquisas estatísticas dão a falsa impressão de serem objetivas e incontestáveis. Realmente, a pesquisa pode ser séria (ter boa amostra e método), porém é uma das “ciências” mais manipuladoras que há. Quando você contesta corretamente os números e gráficos, ao invés de aceitá-los, você descobre que “a verdade” está ali e ao mesmo tempo não está.

    6- Hipótese remota
    Hipoteticamente, se Serra vencesse em 2010 você o criticaria com a mesma dureza que critica o Lula? Desculpe, mas acho que não. Ainda não me convenci de sua imparcialidade.
    Baseado no comportamento de Serra na constituinte (votou contra vários direitos trabalhistas) e também no que ele fez em São Paulo, você confia num político desses?

    7- Revista Veja (folheto propagandista)
    Observe o acervo de todas as capas de Veja aqui neste link:
    http://veja.abril.com.br/busca/resultado.shtml?qu=lula
    Eu o desafio a encontrar uma capa que critique FHC e uma que fale bem de Lula.
    Você diz que não gosta da política israelense. A editora Abril é propriedade da família Civita (judeus). A Veja chamou Ariel Sharon de “guerreiro da paz”. Sharon é o homem responsável pelo massacre no Líbano e outras atrocidades (crimes contra a humanidade), além de querer construir um muro que separe Israel e Palestina.
    O grupo Abril é parceiro do grupo Naspers (criador do Apartheid na África do Sul).
    Observe o racismo, o xenofobismo (contra nordestino) e o preconceito de classe explícitos nesta capa de uma edição de Veja:
    http://galizacig.com/imxact/2006/09/20060816_revista_veja_capa.jpg

    8- Política externa
    A relação de Lula com Armadinejad é estritamente comercial.
    Fernando Henrique concedeu ao ditador Alberto Fujimori o principal título honorário brasileiro, a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul. Mais tarde a honraria foi cassada.
    O que os tucanos têm a me dizer sobre isso? Pergunto aos tucanos que adoram usar clichês (aloprado, terrorista, baderneiro, analfabeto etc).
    Sobre a “crise” na Bolívia o governo agiu corretamente!

    9- Manipulação da história
    Um estudo feito em Harvard (EUA) na década de 80 (durante a Guerra Fria, ou guerra de ideias) concluiu que:
    Entre 1932 e 1933, Stalin matou entre 1.5 milhões a 10 milhões (veja que a discrepância entre os números é enorme).
    Obviamente, eles não tiveram acesso aos arquivos russos.
    Os juristas de uma comissão encabeçada por Inglaterra, EUA e Canadá (na década de 80) concordam em desconsiderar fatores climáticos para explicar o número elevado de óbitos naquele período. Os juristas atribuem as mortes ao governo de Stalin.
    Mas o que esperar de um “estudo” feito em potências capitalistas?

    Há muitos estudiosos sérios que discordam dos dados apresentados pela comissão, como a historiadora francesa, Annie Lacroix-Riz.

    Dados oficiais da Ucrânia:
    Em 1931, a população da Ucrânia era de 23 milhões.
    Em 1939, a população da Ucrânia era de 40 milhões.
    Um crescimento de 74%.
    (fonte: Demoscope)
    Obs: eu apenas arredondei os números para facilitar a visualização e a comparação.

    Isso para mim é contradição suficiente para questionar Harvard.
    O que acha? A História é imparcial ou escrita pelos vencedores?

    Obs: Não estou defendendo Stalin, só estou apresentando um dado contestável. Minha intenção é apenas mostrar que a História não é ciência objetiva.

    10- Reforma agrária.
    Sobre reforma agrária, não tocamos nesse tema, mas espero que o senhor concorde comigo que ela é extremamente importante e deveria ser tratada com caráter de urgência.
    Nisto, nenhum governo avançou. Infelizmente nossa mídia burra trata o MST como “baderneiros” e “aloprados” – rótulos criados por uma mídia sem compromisso, caduca e burra. O MST pode sim ser criticado, mas a causa deles não. Todo o país sairia ganhando, não só os agricultores, mas também boa parte da elite e principalmente a classe média urbana. Só quem perderia seriam os latifundiários (hoje, os empresários e políticos mais baixos que temos).

    Falhas no seu texto:
    - Envolver-se emocionalmente com partidos.
    - Utilizar a aplicação prática da microeconomia (de Adam Smith) e chamá-la de macroeconomia (que seria Keynes).
    - Dizer que Lula continua a mesma política econômica de FHC. Lula apenas honrou os contratos brasileiros estabelecidos na era FHC, e isto não é continuar política econômica, isto é honrar contratos. Os governos desde Sarney até hoje têm essa tradição e isso vai além das leis, é mesmo uma tradição brasileira, quase cultural. Isso prova que o governo brasileiro é responsável (neste quesito), independente de partidos. Porém, a política econômica de FHC e Lula são muito diferentes.
    - Combate à Aids: mérito do ministro da saúde Roberto Santos no governo Sarney. E posteriormente Sarney deu continuidade no senado. O mérito de FHC foi não vetar o programa, só isso.
    - Seguro desemprego: mérito de José Sarney. FHC tentou manipular a CLT o que poria fim a vários direitos trabalhistas que nós temos. Felizmente FHC foi vetado pela oposição, especialmente pelo PT.
    - Genéricos: mérito do ministro da saúde Jamil Haddad no governo Itamar Franco. Porque o PSDB deu continuidade? Por que o projeto tinha sido aprovado e porque queriam eleger José Serra, dando a ele os méritos do que ele não fez.
    - Bolsa-escola: Cristovam Buarque quando ainda era do PT.
    FHC não poderia vetar um projeto desses. Logo, o tucano não tem mérito nenhum.
    - O Plano Real foi uma criação de uma equipe de tecnocratas da qual faziam parte Gustavo Franco, Persio Arida (Banco Central), André Lara Resende, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho, Winston Fritsch, entre outros.
    Esse Plano econômico foi concebido ainda antes de Elizeu Resende assumir o Ministério da Fazenda no governo Itamar Franco.
    Elizeu Resende assumiu o ministro da fazenda, mas devido a um “escândalo” foi obrigado a renunciar. Foi assim que Fernando Henrique assumiu o ministério da fazenda.
    Ainda no governo Itamar, Rubens Ricupero sucedeu FHC no ministério da fazenda durante o período de implementação do Plano Real.
    Mas Rubens Ricupero também foi envolvido em um escândalo (com a Rede Globo).

    Por isso, Fernando Henrique colheu os méritos do Plano Real praticamente sozinho. E por isso também, ele foi o canditado escolhido por Itamar Franco.

    Mas Itamar Franco arrependeu-se (tarde demais) e demonstrou isso em várias oportunidades. Numa delas, chegou a dizer:

    “Eu me arrependo é de ter escolhido ele (FHC) candidato (para presidente). Tenho o maior respeito pela inteligência dele, mas ele errou. Ele já não era mais ministro (da Fazenda) e, mesmo assim assinou cédulas (de Real). Isso é grave porque só poderia ter assinado a cédula o ministro Ricupero. O ministro Ricupero foi o sacerdote do Plano Real. Mais até do que o FHC.”
    (JB on line, 10 de fevereiro de 2008)

    Estabilizar a economia é importante, porém essa medida só beneficia a quem já possui economia.
    E como ficaram os milhões de brasileiros excluídos da economia?

    Sr. Aquino,
    Você disse: “Logo, posso dizer que a minha principal motivação é restabelecer a verdade”. Cuidado com isso! Se você afirma que o que você acredita é a verdade, então não sei mais se sua intenção é boa. Essa atitude é arrogante e lembra muito as atitudes de ditadores.
    Julguei que você poderia ser uma pessoa bem intencionada. Não sei se é e nunca saberei, pois não o conheço pessoalmente. Todavia, é uma pessoa bem educada e isso eu admiro.
    Eu pretendia que você analisasse mais a fundo meus argumentos. Parece que você descartou alguns por não ter explicações para eles ou por concordar comigo.
    Não desminto boa parte de seus argumentos, muitos são “verdade” e quase todos são lógicos. Mas não é apenas com essa “verdade” e uso da lógica que se analisa criticamente os fatos. Muitas coisas que parecem lógicas são falácias, e muitas “verdades” são parciais.
    Portanto, se formos discutir números e visão política, nenhum de nós terá razão, porque ambas as áreas são discursivas e retóricas. É preciso ir muito além disso para uma investigação séria. Em História, Economia, Política, Estatística, Jornalismo e Sociologia não há verdades. São todas “ciências” do discurso (retóricas).
    Agradeço por ter sido educado, por não ter desqualificado minhas palavras e minha pessoa. Mantenho o mesmo respeito por você e posso dizer que gostei de conhecer um tucano bem informado. Você é o primeiro tucano inteligente que eu conheço. A maioria dos tucanos que conheço é desinformada, cheia de clichês, racista e elitista.
    Não sou de generalizar, mas vou abrir uma exceção. O preconceito e a ignorância é o retrato fiel da elite burguesa brasileira. São racistas, odeiam nordestinos, cultuam um padrão de beleza importado, cultuam a aparência e o corpo, idolatram os bens materiais acima até da humanidade e de Deus. Boa parte da elite é consumidora de drogas ilícitas. É uma elite burra que estuda apenas para tirar boas notas e se formar. A classe média, do mesmo modo, nunca lê um livro, é viciada em televisão, não gosta de estudar, tem preguiça de escrever e é cheia de vícios. Esse é o retrato da nossa elite, maniqueísta, viciada e arrogante. Pessoas que discriminam o MST e o povo mais humilde. Uma elite preguiçosa, iletrada, mas que adora chamar o pobre de ignorante. Uma elite que desconhece a sabedoria do homem do campo (economistas natos). Uma classe média que questiona a capacidade de um analfabeto votar (como se a própria classe média não fosse quase toda analfabeta funcional). Uma burguesia que ignora a rica cultura indígena. Uma burguesia que ignora a própria história recente do Brasil (a luta pela redemocratização e contra a ditadura).

    É claro que em toda generalização, há também as exceções. Por isso, você conquistou meu respeito (pelo menos momentaneamente). Mas acho um desperdício de potencial você defender um governo tão corrupto e estúpido como o de FHC. Você poderia muito bem atacar o PT sem defender outro partido, ou seja, sendo imparcial ao invés de fazer propaganda. Se você critica o PT em questões de ética, então, pelos mesmos motivos, o PSDB também deve ser criticado. Mas se você elogia o PSDB, então você passa a não ser confiável. Não seja garoto propaganda. Seja ético. Equilibre mais suas críticas e combine seu ponto de vista com opiniões contrárias às suas. Busque a síntese. Cuidado para não se tornar radical nem arrogante. Leve em conta os meus argumentos anteriores, analise-os bem. Aproveite o que você achar bom. Critique o que achar ruim. Mas investigue! Se após tudo isso, você ainda achar que FHC tem méritos, tudo bem. Mas cuidado. Se você for relativista demais vai acabar achando que o governo Collor de Mello foi bom. Collor abriu o mercado, mas a que preço?
    Sr. Aquino, foi uma satisfação conhecê-lo. Considerarei suas palavras e seu ponto de vista com respeito. Desculpe por qualquer mal entendido. Desculpe também pelo meu texto direto e corrido, mas tenho outras tarefas para dar conta. Pena não podermos ter um bom debate pessoalmente.
    Paz.

    • Abbud disse:

      Paulo , a indiferença é a comprovação da falta de argumentos, pessoas como voce talvez nunca mudarão suas convicções movidas provavelmente por interesses próprios, nem mesmo a história irá convencer que você se equivocou.

      Portanto corrigindo a ordem do seu argumento, a falta de éducação gera a indiferença, e assim voce conseguirá o seu objetivo que é fugir do debate.

      Sem saber do que voce vive, voce deve uma pessoa inteligente que estudou história, com convicções comunistas,e deve ser um funcionário público concursado,(e por ironia considerado da elite que voce mesmo renega e critica) ,que acredita que tudo vale se os objetivos são nobres, só não sabe fazer contas e também entende que por se achar dono da verdade, quem não concorda deve ser repudiado e combatido, enfim um típico comunista igual aos líderes de todos os países que são e foram seguidores deste sistema!

      Só gostaria de saber por que nenhum país comunista conseguiu ser assim sem uma didatura?

    • Olá Paulo,

      Nossa convivência pacífica, apesar das opiniões divergentes, é um exemplo do que poderia ser nossa política hoje, se nosso presidente não tivesse um ego não elevado e não procurasse a todo momento acirrar os ânimos. Portanto, inicio pelo item 2, discordando veemente da sua afirmação que diz “Esse joguinho eleitoreiro é baixo, porém é necessário numa democracia baseada em dicotomias”. E aí está a minha maior decepção com o PT, pois, pelo que vemos no dia-a-dia, este é o pensamento vigente.

      Desde que assumiu o poder e deu continuidade a política econômica, o PSDB ficou completamente sem discurso. Como ainda não tinha estourado o escândalo do mensalão, eu me divertia com o atordoamento dos tucanos, cuja única tecla que tinha para bater era justamente o fato de Lula não ter feito nada de novo e os resultados pífios do Fome Zero. No mais, era uma calmaria total. Depois do escândalo os ânimos se acirraram e então a oposição tomou como principal bandeira o discurso da corrupção. Tanto que esqueceu completamente de defender o Governo FHC. E aí foi o principal erro do PSDB, pois além de não saber mostrar a população o motivo do principal problema do seu governo (o endividamento), o PSDB deixou o caminho livre para que Lula iniciasse sua escalada populista em cima de comparações descontextualizadas, mentiras e meias-verdades, sempre se colocando no pedestal e diminuindo FHC.

      Discordo também quando vc tenta justificar as manobras eleitoreiras do PT dizendo que o PSDB também fazia o mesmo, não reconhecendo os méritos do PT. Pra começar, FHC, quando presidente, não interferiu no processo eleitoral. Chegou inclusive a ficar mal com Serra em plena campanha de 2002 quando, tentando acalmar o mercado com a subida de Lula nas pesquisas, fez elogios ao então candidato de oposição, o credenciando para assumir o cargo de presidente. E mesmo depois de todas as comparações injustas de Lula em cada comício, FHC sempre se comportou de maneira amistosa, defendendo o seu legado (já que o PSDB o relegou) assumindo publicamente os avanços do governo do PT. Um dos últimos exemplos foi no ano passado quando FHC publicou um artigo criticando o populismo de Lula e as comparações descabidas que tornaram-se rotina nos comícios inflamados de Lula e Dilma, desde o lançamento do PAC, há praticamente 3 anos das eleições.

      Em um trecho do artigo FHC diz o seguinte: “Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?”
      Observe que, mesmo num artigo crítico, FHC não só reconhece os avanços do PT como as contribuições dos seus antecessores. No final, FHC coloca-se à disposição para debater os avanços de cada governo de uma forma contextualizada, como deve ser, aliás como propomos aqui.

      No entanto, até hoje ninguém do PT encarou o desafio. O máximo que o PT chegou foi mais uma bravata da candidata Dilma dizendo: “Se é para comparar, vamos comparar número por número, escola por escola, emprego por emprego”. Em outras palavras, a aprendiz de Lula quer comparar resultados, sem levar em consideração os contextos, como sensatamente ponderou FHC (e como vc mesmo pondera muito bem no item 5). Mas, como comparar os números de dois governos quando o menor orçamento do sucessor é o recorde do antecessor?

      Portanto, amigo, considero que o mensalão foi o divisor de águas na relação PT / PSDB. Note que, num primeiro momento, Lula demonstrou ficar abatido com o episódio, chegando inclusive a cogitar uma eventual abandono da política tal era sua decepção. Até aí eu ainda relutava em abandonar meu apoio a Lula, o que veio a ocorrer posteriormente quando notei que ele resolveu adotar a tática da desqualificação do adversário que citei no comentário anterior. Ou seja, se Lula não tivesse tanta obsessão pelo poder poderia sim contribuir para o amadurecimento da nossa democracia. Se fizesse isso não teria perdido meu voto. No entanto, seu faro político maquiavélico optou por radicalizar nossa sociedade. Uma pena, pois sua manobra conseguiu alcançar até pessoas bem intencionadas como vc. Uma pena!

      1) Certamente confundi Suécia com Noruega porque o Abbud citou os dois países. Mas isso não muda muita coisa. Assim como a Suécia, a Noruega também é uma monarquia parlamentar democrática. Sua economia é o que chamamos hoje de social-democrata, algo que se perdeu um pouco no decorrer dos anos, mas que fazia parte do ideal do PSDB como modelo ideal. Difere um pouco da Suécia por ter um estado com uma presença mais forte na economia, justamente por ser muito rica em recursos naturais, principalmente petróleo. Como é a terceira maior exportadora de petróleo (e tem uma população de menos de 5 milhões de habitantes), sobra dinheiro no país. Portanto, o Governo pode fazer o que bem entender. Infelizmente este não é o caso da maioria dos países do mundo.

      3) Realmente não sei de onde vc tirou esta idéia de que penso como Smith. Certamente porque defendo a maioria das privatizações realizadas dos setores não estratégicos e porque vejo mais eficiência na administração privada. Ora, isto é um fato. Tinha razão Smith sobre a o “motor” da economia que é de fato a iniciativa privada e tem razão Keynes quando defende o papel do estado com medidas fiscais e monetárias para atenuar os efeitos adversos dos ciclos econômicos, sejam de boom ou de crises.

      4) Se Smith e Keynes continuam atuais, o mesmo não posso dizer de Marx. Infelizmente deste só restaram os belos ideais e a dialética, que o PT não pratica. Se por um lado o modelo norte-americano está em decadência, o mesmo podemos dizer de todas as tentativas marxistas. E olha que foram muitas, das mais diversas correntes. De fato, como disse o Abbud em seu último comentário, o melhor modelo que temos hoje é da Suécia, algo como um “Socialismo de Capital”.

      5) Acho que vc confundiu um pouco os números, pois o “A” que cresce a 4% não pode ter seu PIB aumentado de 10 para 14 trilhões. Mas acho que entendi o que vc quis dizer, pois tenta mostrar que o crescimento do Brasil hoje é superior ao do Chile. Bom, se é isso, então vc deve levar em consideração que o Chile sofreu bem mais com a crise de 2008 por ter sua economia fortemente atrelada à norte-americana. Para piorar teve ainda um terremoto logo em seguida. Aí fica difícil para qualquer país, mesmo os mais bem organizados como o Chile.

      Discordo quando vc diz que a globalização aumenta as diferenças entre países. Basta vc voltar duas ou três décadas e vc contava nos dedos os países desenvolvidos. Hoje vários outros países chegaram a tal status graças à globalização, como os “tigres asiáticos”, o emergentes da década de 90, por exemplo. Agora, se a globalização pode aumentar diferenças entre cidadãos ricos e pobres, aí já é outra discussão, pois isto pode sim ser verdadeiro, pois a globalização acelera a transferência de tecnologias para os subdesenvolvidos. Neste processo, se o governo não se preocupar com a educação (principalmente a técnica) certamente boa parte da população vai continuar fora da “festa”.

      6) Hipótese remota: E bota remota nisso. Nunca acreditei na vitória de Serra mesmo quando ele estava bem nas pesquisas. Aliás, nem mesmo com Aércio de vice o PSDB ganharia essas eleições. Por isso vejo com muita tristeza o PSDB aproveitar tão mal seu tempo na TV. Mesmo sendo tarde demais (já que não combateu as mentiras de Lula como deveria nos últimos oito anos), o PSDB deveria aproveitar o tempo para tentar desconstruir o mito Lula. Talvez assim plantasse uma semente contra o populismo que está em marcha. Se eu criticaria Serra, claro que sim. Já critiquei FHC e critico agora Lula. A ética deve prevalecer sobre as disputas políticas. Reconhecer erros, mudar de opinião faz parte do aprendizado. E eu não tenho vergonha de admitir equívocos.

      7) Olha, dei uma olhada em várias capas antigas que vc citou da Veja sobre Lula e não encontrei nada parecido com o que temos hoje, quando a Veja de fato tomou partido (e com razão, diga-se de passagem, pois me sinto representado como um brasileiros indignado com o populismo do presidente). As capas traduzem muito bem cada época. De fato, a estrela “brilhava e assustava”. A revista estava certa, pois o PT da época crescia, mas tinha um discurso muito fora da realidade. E olha só a ironia: bastou dar uma olhada nas primeira capas sobre FHC e olha só com o que me deparo: “O corvo é Graziano – O assessor de FCH está por traz da espionagem do Planalto”; “Os dólares no buraco-negro”, sobre a semana em que o BC teve que torrar US$ 7 bilhões para segurar o câmbio; “Os preços mordem o Plano” e por aí vai. Como dizia Pirandello, assim é se assim lhe parece. Em outras palavras, cada um ver o que quer.

      Mas, já que a Veja tomou partido, o que dizer então da Carta Capital? E o que dizer dos bilhões que o Governo torra todos os anos para aliciar jornais menores e blogs panfletários como o de PHA, por exemplo?

      É a apoteose da tática de desconstruir o adversário. Não importa mais o conteúdo, não importam mais os documentos, as provas. O fato da Veja ter judeus como acionistas significa que os jornalistas são alinhados como o Israel, e se é alinhado com Israel, é alinhado com os EUA, se é alinhado com os EUA é da direita. Simples assim: é preto ou branco. O cinza não existe.

      8 – Não, amigo, as relações com Armadinejad não são só comerciais. Lula tenta minimizar todas as criticas ao ditador iraniano, inclusive com o cúmulo que citei no comentário anterior. Talvez ela tenha se aproximado do Irã para marcar posição contra os EUA. O estranho é que Lula, quando a nossa economia ainda não havia decolado, era amiguinho de Bush e agora se afasta cada vez mais de Obama que está tentando concertar as merdas de Bush.

      Um erro não concerta outro, amigo. A relação FHC/Fujimori é uma mancha no seu currículo. Nós, como eleitores, devemos repudiar ambos os casos.

      9) Concordo com vc. A história é escrita por vencedores.

      10) Sobre a reforma agrária é inadmissível que o PT que passou toda sua história levantando esta bandeira tenha feito tão pouco. O MST também perdeu toda credibilidade. O movimento foi desvirtuado e cooptado com verbas federais.

      Sobre o meu “envolvimento emocional com partidos”, devo esclarecer que, embora vc ache que eu sou tucano, não sou. Vou votar na Marina, não porque ache que é a mais preparada (o Serra o é), e sim porque ela personifica as idéias que defendo aqui, principalmente no combate a esta dicotomia ridícula entre PT e PSDB. Envolvimento emocional mesmo só quando vejo os discursos inflamados do presidente se auto-promovendo. Aí é preciso ter sangue de barata para ficar indiferente.

      Quanto à continuação da política econômica, Lula não precisou lançar nenhum plano econômico, não mudou regime cambial, não mudou o superávit primário que tanto criticava, não mexeu no regime de metas de inflação (e era para ter baixado as metas), não acabou com a ciranda financeira que tanto criticava, etc, etc. Ou seja, governou na inércia. A economia global acelerou, o Brasil também, a arrecadação bombou e ele então promoveu a festa da gastança aumentando os gastos fixos acima do ritmo de crescimento do PIB. Enquanto isso continuamos gastando mais de 30% do nosso orçamento com o “cartão de crédito” da dívida. Isto sim era para ter mudado. Bastava diminuir pela metade a emissão de novos títulos da dívida.

      Sobre as diversas gêneses que vc citou para retirar os méritos de FHC, gostaria que vc fizesse o mesmo com Lula e aí vc veria que sobraria muito pouco. Aliás, ainda bem que existem técnicos competentes que ajudam a dar continuidade aos governos. Já imaginou Lula administrando a economia? Uma coisa é vc ter uma idéia, outra é implantar, outra é dar continuidade e outra é aperfeiçoar. Todos têm seus méritos. Agora o que não dá para engolir é Lula tentar vender a imagem de que o Brasil começou em 2003.

      Quanto ao Plano Real, lembro mais uma vez que o maior mérito não é lançar um plano que derruba a inflação num primeiro momento. Isso todos os anteriores o fizeram. O mérito de FHC foi ter conseguido segurar o plano em um cenário turbulento e administrar as dívidas que vieram à tona com a estabilização, conforme descrevi no último artigo sobre a dívida pública e que lhe indiquei no post anterior.

      E, por fim, a estabilização da economia foi o ponto de inflexão entre o Brasil estagnado e o Brasil que cresce. Aqui não cabe discutir quem ganhou mais com a queda da inflação. Rico e pobre foram beneficiados e sem a estabilização não chegaríamos onde chegamos.

      Sobre a tentativa de FHC de reformar a CLT sou de pleno acordo, pois acho que isto criaria mais empregos e daria mais competitividade e dinamismo a nossa economia.

      Por fim, amigo, faço questão de deixar bem claro que estou neste debate porque cansei de ver as mentiras de Lula e Dilma nas comparações descabidas com FHC. Se estes dois não tivessem esta obsessão certamente este debate já estaria superado. Lógico que ao combater as mentiras de Lula, logo sou enquadrado no time dos tucanos. Mas devo lhe dizer que o mais perto que cheguei de um tucano foi trocar umas palavras pelo Twitter com Álvaro Dias. Agora, do PT e do PCdoB, poderia citar uma dezena de políticos que vi despontar dos movimentos estudantis dos quais participei. Restabelecer a verdade não é contar a minha verdade é combater a mentira. Isto pode ser feito objetivamente. Claro que aí tem também um componente de subjetividade, mas para isto existe o debate. Aqui a dialética de Marx ainda está atual.

      Se faltou alguma coisa é porque seu texto é muito looooogo! :) Dá um trabalhão respondê-lo. Quando tiver um tempinho vou recapitular. Independente de qualquer coisa, nosso debate serviu para mostrar que existem nuances entre o preto e o branco.

      Fique em paz!

  14. Ana Paula disse:

    Amilton favor comentar, se puder é claro!

    *Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.

    *Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá algum aos ricos…

    *Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI onde filho de pobre vai à universidade…
    *Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC…

    *Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo… mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que entende de tudo, acha que não…

    *Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodisel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis…

    *Lula que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8…

    *Lula , que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA , olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo etc….bobo que é cedeu a tudo e a todos…

    *Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.

    *Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

    *Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise…

    *Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre…

    *Lula que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual…

    Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros…

    * Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.

    * Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos states.

    *Lula, que não entende de geografia pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.

    *Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

    *Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil.

    *Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.

    • Abbud disse:

      Ana se o Amilton permitir vou ajudá-lo com as minhas opiniões:

      *Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.

      Não foi a pessoa LULA que levou 32 milhões de pessoas a uma condição melhor, e sim um sistema e uma sequencia de fatores, associar resultados a pessoas é tipico de populistas.

      *Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá algum aos rico.

      Se zerou a divida por que se paga uma fortuna de juros ainda? Mais um factoide populista.

      *Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI onde filho de pobre vai à universidade…
      *Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC.

      O Problema do Brasil não é e nunca foi a qualidade e quantidade das universidades, elas continuam sendo para os ricos ou para os que tiveram a oportunidade de estudar em escola básica de qualidade! Quanto ao salário mínimo de novo é um evolução turbinada pelo factoide populista que não considera por exemplo a inflação e cambio, apesar de fato ser uma evolução.

      *Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo… mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que entende de tudo, acha que não…

      Quanto a psicologia isto se chama carisma e populismo, o que LULA realmente é especialista, quanto a realidade dos fatos, a questão são: Será Sustentável? Lula fez melhor do que outro faria na mesma condição?

      *Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodisel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis.

      O que LULA fez de diferente neste sentido? voce poderia me dizer? Lembre-se que os carros flex é fruto da indústria e não do governo, que não se criou da noite para o dia e começou a se popularizar somente em 2003.

      *Lula que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.

      Essa eu não vou comentar, enterrar o G8?

      *Lula , que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA , olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo etc….bobo que é cedeu a tudo e a todos

      Nessa concordamos, ele realmente misturou politica partidaria com governo e cedeu a tudo e a todos, em detrimento dos preceitos e interesses de nossa sociedade.

      *Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.

      Mais um factóide, o que importa é a competencia e honestidade das pessoas não a cor e sexo, se isso é importante para voce, significa que voce não usa os critérios que mencionei para definir uma equipe mas sim o sexo e a cor.

      *Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

      Isso é irrelevante para o que realmente importa para a nossa sociedade

      *Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise.

      O PAC foi criado segundo interesses eleitoreiros e de perpetuação no poder, o fato real é que o Brasil tem muito a fazer e precisaríamos ainda de muitos PAC’s para chegarmos próximo aos países desenvolvidos, independente de qualquer crise, dificil é achar investimentos realmente do Governo no PAC que tenha sido concluído.

      *Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.

      Ação óbvia, e nem por isso demérito à LULA

      *Lula que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual

      Como os demais lideres nao falam portugues, não chega a ser uma gafe, gafe seria se ele falasse um Ingles errado com um Lider Ingles, entao o mal exemplo e falta de respeito são com os Brasileiros que veem o seu presidente desmerecer a nossa lingua, mas isto tambem é irrelevante.

      Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros

      Isso é a sua opinião.

      * Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.

      De novo voce esta misturando a pessoa ao Governo, o que isso trouxe de resultado efetivo para o Brasil?

      * Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos states.

      Puxa e o que isso muda para nós? Aumentou o comercio com o Brasil? Algum subsidio ou barreira quebrada?

      *Lula, que não entende de geografia pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.

      Só se for para pior…

      *Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal

      O problema é que ele mistura os seus interesses com o do país, e acha que esta negociando com os diretores da Volks em Sao Bernardo.

      *Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil.

      Isso a historia ira nos mostrar, mas olhando pro passado podemos deduzir que não será bem assim.

      *Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.

      E assim será usado como um bobo da corte, e de fato não trará nada de prático para o nosso país.

    • Olá Abbud,

      Fique à vontade. Me poupa um pouco de tempo.

      Abraço!

    • Ana Paula,

      O grau de fanatismo das bravatas postadas mostra o quanto vc está iludida. Até parecem ter saído da boca de Lula nos comícios que ele faz todos os dias com o seu habitual tom de sarcasmo. Não costumo responder a bravatas. É pura perda de tempo. Para quem está iludido não adiantam argumentos. Agora, se vc estiver disposta a sair da fascinação, podemos sim debater seriamente. Da forma que vc postou, eu teria que partir para a gozação, fugindo totalmente o objetivo do blog.

    • Felipe Castro disse:

      EU SÓ TEMHO UMA COISA A DIZER A TODOS QUE ESCREVERAM, QUERENDO , DIGO QUERENDO, DETONAR COM ESTA MARAVILHA DE COMPARAÇÃO, ONDE TUDO SE ENCAIXA E É A MAIS PURA VERDADE!!!
      ESTAS PESSOAS QUE SÃO A FAVOR DESTE GOVERNO, ONDE A VERGONHA, A ROUBALHEIRA, A FALTA DE CARÁCTER, E UM GOVERNO ONDE TUDO ACONTECE E NINGUEM FEZ NADA, SABE NADA…É O RETRATO DO BRASIL…FOME MISÉRIA…BURRICE…FALTA DE ESCLARECIMENTO, MEMÓRIA DECLARATIVA…INTELIGÊNCIA…SINTO AVERSÃO E NOJO QDO LEIO ALGUMA COISA QUERENDO DEFENDER, ARGUMENTAR A FAVOR DESTE PARTIDO…A VCS QUE ESCREVERAM…TOMEM VERGONHA NA CARA…VÃO LER…SE ATUALIZAR…TER VERGONHA MNA CARA …DISCERNIMENTO…SAIAM DO PAIS DO NUNCA..E VENHAM PARA REALIDADE….O QUE MAIS TENHO RAIVA É DE GENTE RETARDADA!!!!!!!!!

  15. Garota disse:

    Eu não estou desmerecendo o que FHC, apesar de tudo, fez, mas dizer que Lula só deu continuidade ao que ele deixou é acreditar nesta imprensa alienada!

    Dizer que ele não tem méritos? Negar a realidade, com teorias pseudointelectuais?
    FHC talvez queria ser um próximo Rosevelt, com seu New Deal, mas é fato: não conseguiu, deixou o país na merda.

    Ah, já que você gosta TANTO da revista The Economist, veja esse artigo, os dados comparam o governo Lula com o governo FHC…veja!
    O quadro comparativo foi feito pela revista, em novembro de 2009.

    http://gmpconsult.com.br/blogdolen/?p=217

    Acredito que agora o Brasil precisa de um desenvolvimento mais sustentável, e talvez com novas propostas de políticas econômicas, mas graças a Deus, FHC já deixou o posto!

    Abraços!

    • Garota,

      Qualquer iniciante em economia sabe que o risco país, por exemplo, é decorrente de uma série de fatores que dependem mais do contexto histórico-econômico do que do desempenho do governo. São justamente esta comparações descontextualizadas que combatemos aqui, independente de ser publicado em blogs sujos ou no The Economist. De fato a tabela mostra que o Brasil evoluiu. Mas veja que nas últimas matéria publicadas pela revista ela contextualiza este bom momento e então a verdade que se esconde atrás dos números vêm à tona assim como os méritos de cada governo em seu contexto histórico. Procurei o original da revista e não encontrei. Só encontro a tabela (só a tabela) em blogs petistas. Se vc tiver o link original, por favor poste aqui o link, pois quero ver a matéria completa.

      Se vc ler os demais artigos do nosso blog vai encontrar a maioria destes dados contextualizados. Se conseguir se libertar do partidarismo cego vai perceber que tais números não dizem muita coisa sobre os méritos de Lula.

      Sugiro que leia a série de dez artigos sobre a dívida pública. Pode começar pelo final: http://visaopanoramica.net/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/ e depois voltar para o início , que trata do comemorado pagamento do FMI citado na tabela. Vc vai ver o que se esconde atrás destes números: http://visaopanoramica.net/2009/08/29/lula-e-a-divida-publica-parte-1/

  16. Ana Paula disse:

    Amilton,

    Apesar de ter postado um texto totalmente “pró-Lula” juro que nunca me simpatizei muito pelo atual governo. Mas gosto de analisar os fatos e tenho que concordar que o governo atual (tirando contextos) realmente apresentou resultados mais expressivos, independentmente da conjentura econômica. Gostaria apenas de saber o que exatamente foi ruim no atual governo. Não o que ele poderia ter feito melhor, quero saber pontos negativos quando se trata de economia, educação, saúde, enfim…
    Essa história de foi bom mas poderia ter sido melhor, não cola, pelo contrário, só me faz pensar que foi bom e que poderá ser melhor se continuar assim…entende?
    Quero ter argumentos convincentess que provem que o atual governo, se continuar, trará sérios prejuízos ao País.
    Obrigada.

    • Ana Paula,

      Como já disse aqui, o mundo viveu um período áureo de crescimento a partir de 2003, onde o PIB mundial quase duplicou em apenas seis anos. O problema é que o Governo Lula não soube aproveitá-lo para resolver problemas estruturais que impedem que nosso crescimento seja ainda mais sustentável.

      Um cenário tão positivo encobre problemas estruturais que mais cedo ou mais tarde vêm à tona. Alguns sinais amarelos já começam a aparecer. Hoje, por exemplo, foi divulgada uma previsão do BC de um défict recorde de US$ 60 bi nas contas externas em 2011. Este déficit vem aumentando gradativamente, o que pode concretizar uma crise que já foi prevista até por um aliado de Lula, o então candidato Ciro Gomes, em um de seus rompantes de sinceridade.

      Estes déficits crescentes poderiam ser evitados? Sim. Se o governo tivesse trabalhado para resolver alguns gargalos que prejudicam a competitividade da economia brasileira, entre os quais a eliminação dos impostos em cascata, a burocracia excessiva, a infra-estrutura portuária, a flexibilização das leis trabalhistas e, principalmente, a redução da dívida pública. Esta última um câncer que consome mais de 30% do nosso orçamento todos os anos e impede que os juros brasileiros cheguem a níveis civilizados.

      E o mais triste é ver que esta dívida hoje poderia estar quase zerada se pelo menos o Governo diminuísse pela metade o ritmo de emissão de novos títulos, pois foi para isso que foi criado o superávit primário. Não só economizaríamos hoje mais de R$ 200 bilhões por ano, como ainda poderíamos baixar a taxa Selic para os níveis do primeiro mundo, o que aumentaria o crédito de forma natural, assim como o crescimento da economia.

      No entanto, a pressa do Governo atual de promover o prometido “espetáculo do crescimento” colocou o carro na frente dos bois. Ao invés de resolver estes gargalos gradativamente, e obter um crescimento natural, o Governo preferiu promover um crescimento artificial através do PAC. Embora o Governo não contabilize os empréstimos concedidos pelo BNDES como dívidas (pois dá como certo o pagamento futuro) emite títulos da dívida pública para financiar o PAC. O problema é que as obras e os empregos gerados pelo PAC são temporários, mas as dívidas geradas comprometem o futuro. Se surge então uma crise qualquer, estas construtoras, por exemplo, que se acostumaram a receber dinheiro do Governo a juros de 4% ao ano (enquanto o Governo paga entre 10 e 11% ao mercado), podem ficar inadimplentes, o que pode criar um efeito cascata e mudar completamente o cenário econômico.

      O resumo da ópera é que pagamos para acelerar o crescimento e pagamos para freá-lo via taxa Selic quando a economia fica muito aquecida, o que representa ainda riscos inflacionários.

      Outro grave erro do Governo atual foi aumentar excessivamente os gastos fixos da máquina pública, sempre num ritmo superior ao crescimento do PIB. Se hoje com o recorde de crescimento do Governo Lula as contas estão no limite, agora imagina como ficariam em um momento de crise? Pior, metade do défict da previdência vem da aposentadoria dos funcionários públicos que são uma minoria. Se esta massa de funcionários é aumentada, estamos comprometendo ainda mais nosso futuro, já que o défict da previdência também é crescente (a previsão deste ano está na casa dos R$ 45 bilhões).

      Enfim, o Governo se comportou como um assalariado que teve aumentos sucessivos ao longo dos últimos anos (arrecadação) e, ao invés de estancar a sangria de seu orçamento com o cartão de crédito (dívida) para aumentar sua saúde financeira no futuro, preferiu rolar a dívida e utilizar o aumento da receita com mesadas aos seus filhos (não estou me referindo aqui ao Bolsa Família, e sim ao empreguismo que multiplicou o número de cargos comissionados nos últimos anos). Faltou coragem ao presidente tomar algumas medidas impopulares, porém necessárias, para criar melhores condições no futuro. Ele foi imediatista, capitalizou o bom momento internacional como se fosse seu mérito, capitalizou os dividendos políticos de projetos futuros (Pré-sal, Copa, Olimpíadas, Trem-bala, Minha casa minha vida, PAC 2, compra de caças etc.) e vai jogar a responsabilidade de tais execuções para o próximo governo. Ou seja, talvez seja melhor mesmo que a Dilma pegue esta batata-quente. Se ela conseguir tocar, aplausos. Caso contrário, veremos entre Lula e Dilma o que aconteceu com João Paulo e João da Costa aqui em Pernambuco. Na campanha “João é João”. Hoje, nem se cumprimentam, mesmo estando num mesmo palanque.

      Vale salientar que abordei apenas o lado econômico, no entanto minha maior crítica a Lula é na questão ética, assunto que já foi exaustivamente abordado aqui, mas vou ficar por aqui porque já está muito tarde.

      Quanto a sua dúvida em quem votar, acho que ela é irrelevante, pois a eleição já está decidida. Meu voto, por exemplo, é de protesto (Marina) porque acho que ela representa aquilo que defendo aqui: a quebra da dicotomia PT/PSDB, uma disputa irracional que foi polarizada propositalmente por Lula para transformas estas eleições num plebiscito.

      Abraço.

  17. Paulo disse:

    Sr. Aquino,

    Você discorreu bem sobre o meu texto, acho que não ficou nenhum tópico de fora.

    Concordo com alguns pontos, discordo de outros, porém, não vou entrar na discussão para não prolongar mais o debate. Realmente, meu tempo é escasso nestes meses de setembro e outubro. Embora eu adore debates e por mim nós debateríamos muito mais, eu realmente não posso. Retornarei ao seu blog talvez só daqui a alguns meses.

    Só gostaria de dizer apenas algumas coisas:
    1- Karl Marx ainda é muito atual. Não reduza o pensamento de Marx apenas às teses comunistas. O materialismo histórico, a dialética, os conceitos de alienação, ideologia, superestrutura, fetichismo, mais-valia, exército de reservas etc são ainda muito relevantes na História, Sociologia, Filosofia, Economia, Antropologia, Política, Psicologia, Psicanálise, Lingüística, Literatura, Pedagogia e Teologia da Libertação.
    O marxismo foi essencial para Bertold Brecht, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, Albert Camus, José Saramago, Frida Kahlo, Pablo Neruda, Bakunin, Michel Pêcheux, Chomsky (de certo modo), Paulo Freire, Leonardo Boff entre outros. É impossível pensar a História, a Sociologia e a Filosofia hoje sem o marxismo.
    2- FHC escritor de artigos (sociólogo) e FHC político partidário são pessoas diferentes. São praticamente heterônimos (como Fernando Pessoa).
    3- Sobre as contas eu realmente me confundi BASTANTE. Os “trilhões” eram antes uma unidade monetária, mas depois eu mudei para “trilhões” sem verificar os números. Portanto, ignore a palavra “trilhões”. E o “A” cresce 40% e não 4% (falha minha ao digitar, apagar e digitar de novo, enquanto criava o exemplo). A intenção era mostrar que, apesar de B crescer muito mais que A, B ficou mais pobre em relação a A (a diferença entre eles aumenta). Obrigado por chamar minha atenção de forma tão educada. Eu, como você, não tenho vergonha de assumir meus equívocos publicamente. Eu iria corrigir, mas creio que não seja necessário porque o senhor já captou a minha intenção. Isso é o que importa para mim.
    4- Sr. Aquino, você disse que:“a globalização pode aumentar diferenças entre cidadãos ricos e pobres, aí já é outra discussão, pois isto pode sim ser verdadeiro”. Este é exatamente o meu ponto e por incrível que pareça, Marx falou sobre isso no Manifesto Comunista:
    “Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. Para desespero dos reacionários, ela retirou da indústria sua base nacional. As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias primas nacionais, mas sim matérias primas vindas das regiões mais distantes, cujos produtos se consomem não somente no próprio país, mas em todas as partes do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. E isto se refere tanto à produção material quanto à produção intelectual…” Manifesto Comunista, Marx e Engels, 1848.

    Espero que nosso debate tenha sido proveitoso para ambas as partes. Garanto que para mim foi. Retornarei assim que possível.

    • Paulo,

      Marx realmente estava muito a frente do seu tempo, como demonstra o trecho citado. No entanto, acho seriam necessários alguns séculos de evolução da humanidade para por o comunismo em prática. Seu grande problema é justamente tentar igualar o que naturalmente é diferente. As pessoas têm ambições diferentes, uns se contentam com pouco, outros querem sempre mais. Daí as experiências autoritárias fracassadas que tivemos.

      Para mim, o grande legado de Marx é moral: o desejo de criar uma sociedade menos desigual e mais justa. Acho que poderemos conseguir isso com a evolução natural da humanidade. Apesar de tudo, sou otimista.

      Abraço e volte sempre. O debate foi muito proveitoso para mim também.

  18. Milton disse:

    Escreve bunitinhu, gastou um tempão com isso. Que generoso é FHC, fez tudo pensando la na frente, em Lula; se mutilou para todo o sempre na história, para de forma generosa dar o benefício da glória ao presidente Lula, puts, nem cristo faria isso…meus parabéns FHC.

    • Milton,

      Vc, ao contrário, escreveu bem feinho. Não gastou nenhum tempinho. Aliás, não leu nada, não entendeu nada, não argumentou nada. Só fez bravata. Aprendeu com seu ídolo Lula!

  19. thiago disse:

    A farsa FHC. Fernando Henrique assumiu o Ministério da Economia sem ser economista, apenas para ser colocado como autor de um plano que não foi ele quem fez. O grupo que deu sustentação a Ditadura Militar e Collor é o mesmo que deu sustenção política ao PSDB, ou seja PFL que hoje é DEMO. O único cabo eleitoral de FHC foi um plano econômico iniciado no governo Collor com o confisco e em segunda etapa com a criação da URV no governo Itamar Franco. As desculpas para tentar amenizar o pior governo da história FHC pode até surtir efeito com algumas pessoas desinformadas mas não com conscientes. O governo Lula teve um forte papel social. O governo FHC/PSDB/DEMO governo para a minoria. Quando PSDB/DEMO implementa algum projeto social na verdade é enganação. São projetos que atendem um número mínimo de pessoas apenas com a finalidade de marketing político.

    • Meu caro Thiago,

      Se FHC assumiu o Ministério da Economia sem ser economista, o que dizer de Lula? Uma coisa nada tem a ver com outra. Se vc tira os méritos de FHC por apenas “comandar” a equipe de verdadeiros economistas, porque não usa o mesmo raciocínio para o seu ídolo Lula?

      Sobre a “farsa de FHC” vc foi fundo, hein? De onde vc tirou esta teoria maravilhosa de que o Plano Real começou no Governo Collor? E eu que sou o “desinformado”. ;)

    • Abbud disse:

      Vai ver que os projetos sociais do PSDB tenham um problema grave, eles procuram gerar emprego e contrapartidas.

      Mas parece que não isso que o povo quer..

      Abraços

  20. Abbud disse:

    Olá Aquino, mesmo não tendo como assunto principal o tema deste blog, acho que vale a pena reproduzir o Editorial do Jornal o Estado de São Paulo deste domingo.

    Nunca na história deste país um jornal precisou ir tão claramente aos fatos e tomar partido, que só é possível por que ainda vivemos em um país com liberdade de expressão.

    Já que o Governo virou um partido político, nada mais justo que um Jornal de respeito tome partido…

    “O mal a Evitar

    A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

    Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

    Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

    Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

    Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.”

    Texto publicado na seção “Notas e Informações” da edição de 26/09/2010

    • É Abbud, a cada dia vamos percorrendo os passos da Venezuela. Lembro muito bem quando, no auge de sua popularidade, Chaves elegeu ampla maioria no Congresso, aprovou o que quis e iniciou a caça à bruxas na imprensa oposicionista. Ou seja, onde isso tudo vai levar todos nós já sabemos.

  21. Sandro disse:

    No ponto EDUCAÇÃO eu penso mais na linha do Economista e Sociólogo Dr. Eduardo Giannetti da Fonseca:

    Durante a palestra, Giannetti citou outras distorções que, na opinião dele, contribuem para baixar a qualidade do ensino. Ele não concorda, por exemplo, com o grande investimento dirigido às universidades públicas, em detrimento da educação fundamental, do ensino médio e da pré-escola. “O ensino superior, na área pública, recebe 20% de todo o orçamento em educação. É muito, visto que quem ocupa as vagas destas universidades são os ricos, justamente os que podem pagar para estudar.”

    Nesse caso o governo FHC teria um pouco mais de méritos, já que seus investimentos foram muito mais voltados para o ensino de base.

    http://www.insper.org.br/noticias/2010/04/26/familia-e-educacao-formal-sao-os-pilares-do-capital-humano-%E2%80%93-eduardo-giannetti

    • Sandro,

      Acho que falei disso em linhas gerais na comparação. De qualquer forma tem um dado mais relevante sobre isso quando comparamos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que mostra que entre 1990 e 2000 o Brasil cresceu a media de 0,79% ao ano, enquanto eu de 2000 a 2007 o Brasil cresceu apenas a media de 0,41%. Como o IDH não leva em conta apenas os resultados econômicos, isto explica a diferença, pois prioriza a melhoria no Ensino Fundamental.

  22. Denise disse:

    Na verdade tudo mundo tem medo de admitir que o Lula foi o melhor presidente que o Brasil teve, por que ele vem de baixo (ou seja é pobre) e não rico como FHC

    • Denise,

      Esta pessoa que vc diz ser “pobre” não existe pelo menos há umas três décadas. Se algum dia foi verdadeiro hoje tenho minhas dúvidas. O fato é que este personagem teve os últimos 30 anos para mudar estas características que a maioria da população hoje tanto valoriza (baixa escolaridade, pobreza, etc.) no mais alto cargo da nação. Veja o exemplo de Marina. Ela também teve uma origem humilde. Diferente de Lula ela estudou. No caso de Lula, a questão é outra: é interessante eleitoralmente continuar sendo este personagem. Particularmente acho que tem também aí uma dose de preguiça.

      Mas não pense que sou preconceituoso com ele, pois também tenho origem humilde. Aliás, sou conterrâneo dele.

  23. Clonner disse:

    Primeiramente parabéns pelo artigo muito justo em alguns pontos, tendencioso em outros, os comentários também foram tendenciosos.
    Creio, assim como você, que os dois presidentes encontram situações completamente diferentes. Vou citar os dois grandes problemas de cada presidente.
    Problema 1: Hiperinflação que corrompia tudo, absolutamente tudo! FHC resolveu o problema com louvor. Teve suas crises, seus escândalos, seus acertos e seus erros. Pensou mais no futuro e conseguiu entregar ao seu sucessor o Brasil em melhores condições do que quando recebeu.
    Problema 2: Baixo crescimento e conseqüentemente miséria extrema! Lula resolveu o problema também com louvor. Teve sua crise, seus escândalos, seus acertos e seus erros. Pensou mais no presente e estará conseguindo entregar ao seu sucessor o Brasil em melhores condições do que quando recebeu.
    Não sou PT e nem PSDB. Sou a favor do Brasil e sendo assim creio que deveria ser FHC+Lula e não FHCvsLula.
    O problema é que estão fazendo comparações entre dois governos em momentos diferentes. Deveríamos focar no próximo grande problema: Educação? Saúde? Segurança? Outro?
    Eu realmente acredito que seja Educação!
    Não creio que Serra será um grande presidente, como também não creio que Dilma será uma excelente primeira Presidenta. Mas são os dois que estão na disputa e entre eles é que temos que decidir.

    • Clonner,

      De fato é um absurdo que estejamos ainda hoje debatendo este assunto. O problema é que o próprio presidente é quem estimula este debate o tempo todo quando faz suas comparações descontextualizadas sempre se vangloriando e denegrindo seu antecessor. Se pareço tendencioso, é porque combato as mentiras de quem está no poder. E quem está no poder agora é Lula. É também uma forma de fazer justiça a FHC, pois este pagou pesados ônus para pavimentar a estrada para Lula.

  24. Clonner disse:

    Amilton,

    Concordo que Lula se vangloria exageradamente, todos sabem disso, até mesmo a população de baixa renda. Sempre darei o crédito a quem merece e o credito da estabilidade econômica é de FHC, mas não acredito que a estrada foi pavimentada para Lula e sim para o Brasil. FHC é conhecido mundialmente e entrou para história como o presidente do maior e mais arrojado plano econômico de estabilização e também o mais bem sucedido e isso é justiça. Ninguém, nem mesmo o senhor Lula, pode negar. Já o Lula será conhecido como o presidente que comandou o Brasil durante a maior crise econômica mundial e conseguiu passar por ela, não ileso, mas com alguns arranhões. Vamos ver o que os próximos quatro anos vão dizer.

    • Olá Clonner,
      Admiro sua capacidade de buscar os pontos positivos de cada governo sem se deixar levar pelas paixões políticas. Vc é uma exceção por aqui. Uma pena. Mas permita-me mais algumas considerações, pois acho que ver os pontos positivos não pode ofuscar os negativos, principalmente se estes comprometem o nosso futuro.

      Claro que “pavimentar a estrada para Lula” é uma forma de expressão. Na verdade, uma das coisas que hoje percebo em FHC (e que não vejo em Lula) é justamente o fato deste colocar os objetivos do Estado acima dos interesses políticos. Por isso FHC foi capaz de pagar pesados ônus para criar condições melhores para o futuro (para o Brasil e para o sucessor, claro). O que vejo em Lula é justamente o contrário. Ele fugiu de tudo que era impopular (não fez nenhuma reforma), capitalizou politicamente o bom cenário que pegou e capitalizou até mesmo projetos futuros. Por exemplo, lançou o projeto “Minha Casa Minha Vida” prometendo 1 milhão de casas: vai entregar 150 mil. Ou seja, as outras 850 terão que ser construídas pelo sucessor, porém os dividendos políticos do programa ele já capitalizou. Outros exemplos: a compra dos caças, PAC 2, Olimpíadas, Copa do Mundo e por aí vai. Ou seja, o sucessor vai ficar na berlinda: se conseguir dar conta de tudo “não terá feito mais que a obrigação”. Se não conseguir, o mito Lula será ainda mais reforçado.

      Quanto a crise de 2008, embora ela seja a maior crise das últimas décadas, ela tem um caráter totalmente diferente das crises que FHC enfrentou. Não só o Brasil passou bem por ela, como todos os emergentes.

  25. Ana Paula disse:

    Amilton,

    Gostaria de sua opnião a respeito das privatizações na era FHC. Por mais que tenha sido “melhor” privatizar (acho que isso ninguém contesta)você achou justo ter sido “doada” (pois pelo preço que foi, assim o considero)a empresas multinacionais que deixam uma parte mínima ao País?? Isso não tem justificativa!!

    Abraços,

    Ana

  26. Ana Paula disse:

    Ah, estou me referindo especificamente à Vale viu!

    Obrigada!!

    • Olá Ana Paula,

      Boa parte das ações da Vale ficaram com fundos de pensão e com os próprios funcionários através do FGTS. Pode ter certeza que hoje existem muitos funcionários e ex-funcioários da Vale que se arrependem amargamente por não terem comprado e outros por ter comprado poucas ações da empresa na época. Ou seja, ninguém imaginava que a Vale iria dar o salto que deu, até porque esta foi bastante beneficiada pelo bom cenário mundial nos anos seguintes. Ou seja, falar que foi barato hoje é fácil. Na época, no entanto, não havia tanto dinheiro no mercado disponível e a empresa foi vendida por um preço um pouco acima do mínimo. Se houve negociata para não subir este preço no leilão deve ter havido, como sempre ocorre neste país. Acho inclusive que se existem denúncias a este respeito estas deveriam ir adiante. Se comprovadas, a união poderia ser ressarcida com o aumento de sua participação na Vale e, claro, os corruptos punidos. O Governo Lula poderia ter levantado esta bandeira. Teria feito um grande serviço ao país e acabaria de uma vez por todas com esta polêmica.

  27. Clonner disse:

    Oi Amilton,

    Concordo plenamente que FHC pensou mais no futuro da nação, e todos devem concordar que isso ele fez em melhor escala do que Lula. Lula pensou (não sei se foi extrategicamente) no agora, cito como exemplo a miséria extrema (quem tem fome tem pressa, realmente não pode esperar). Quanto aos dividendos políticos, pessoas esclarecidas sabem disso, aquele que inaugura uma obra de grande porte fica mais conhecido do que aquele que coloca uma pedra fundamental. O chamado “pulo do gato de Lula” foi exagerar no marketing da pedra fundamental. Os programas que você citou são os “pulos de gato” de Lula pois a maioria só mudou de nome para ficar mais bonito. Infelizmente nossos políticos fazem isso, o PSDB fez, o PT, o PMDB, o DEM (PFL) e tantos outros. Algumas mudanças de nome até funcionaram outras não e isso no futuro tem complicações políticas, teve para o PSDB e terá para o PT, não tenho dúvida disso.
    Estou preocupado com o futuro do Brasil, pois vejo um baixo investimento em educação como um todo, profissionalizar pessoas é para o agora e isso Lula está fazendo, mas educar é para o futuro e nenhum dos dois governantes fez de forma eficiente (nessas horas sinto falta de Cristovão Buarque e sua revolução na educação). É muito mais fácil governar e manipular uma população sem instrução.
    Creio que a bonança para o Brasil irá durar até meados de 2015 ou 2016, a partir daí veremos se o efeito Lula presidente 2003-2010 será benéfico ou não para o Brasil, como foi benéfico o efeito FHC 1995-2002.

  28. BAIRON disse:

    Confesso que não consegui ler todas opiniões, mas respeito todos. Mesmo as preconceituosas e as apaixonadamente tucanas. Pelo pouco que vi a principal bandeira e o plano REAL… Todos os avanços que o Brasil conquistou foi mérito de FHC. Abertura da economia, conquistas trabalhistas, etc… epa mas muitos destas atitudes foram tomadas bem antes de FHC… e por que estão lhe dando esse credito? ora porque para os empresarios da grande mídia percebe que trabalhar com serra tem certos beneficios então passam a calar ao inves de estabelecer a verdade.

    Eles sabem, por exemplo, que FHC ficou 8 anos no poder. Que não foi ele quem criou o “plano real” foi a equipe econômica do Collor liderada pelo economista Edmar Bacha no governo de Itamar Franco e o ministro da economia na época do lançamento do plano era Ciro Gomes, antes Rubens Ricúpero. Na verdade houve um golpe, uma farsa que procurou transferir a autoria do plano para FHC com a finalidade de propaganda política.

    Se continua a dúvida? confira voce mesmo… veja quem era o presidente, ministros ha epoca? Para ser nais justos veja tambem as medidas tomadas antes do plano real.

    Como os numeros são extremamente desfavoraveis ao PSDB procuram evitar a comparação atribuindo justificando a conjuntura fas duas epocas… ora O PT tambem não encontrou o pais com uma conjuntura favoravel como querem pintar… inflação em alta e con tendencia a crescimento era uma realidade.
    p custo da cesta basica em relação ao salario minimo no governo FHC era de 1,37 no governo lula 2,17.

    • Bairon,

      Ou vc não leu o artigo principal ou não entendeu nada, pois sua observação sobre a origem do Plano Real já está respondida no primeiro parágrafo da contextualização dos desafios de FHC. O texto fala o seguinte:

      “A era FHC foi caracterizada principalmente pela tentativa de estabilização da economia brasileira, condição sine qua non para o início do processo de crescimento verificado na era Lula. Ao contrário do que muita gente pensa, a vitória contra a inflação não ocorreu apenas com o Plano Real, lançado já no Governo Itamar”.
      O crédito a Itamar está lá. Ok? E então o texto segue:

      “A inflação, embora controlada, ainda não atingira um nível compatível com as economias estabilizadas, exigindo um longo processo de desindexação da economia e um rígido controle da taxa de câmbio. Não havia ainda um regime de metas de inflação. Os estados gastavam mais do que podiam, pois não havia ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não havia uma política de superávit primário que apontasse para a redução gradativa das dívidas internas e externas. O sistema financeiro apresentava vulnerabilidades…”

      E por aí vai.

      FHC, ao contrário do que vc diz, não só reconhece a contribuição dos antecessores como também do próprio Lula. Lula, no entanto é quem tenta vender a imagem de que tudo de bom no Brasil começou em 2003, que usa os números piorados do final do governo FHC com a “Crise Lula” para se promover.

      Se hoje os meios de comunicação estão cada dia mais engajados em derrotar o populismo que foi instaurado no país é porque já perceberam há muito tempo o perigo à democracia que o governo do PT representa. Já fui petista, mas hoje me sinto representado pelos meios de comunicação que têm a coragem de se colocar claramente contra as mentiras deste governo.

      As melhorias que vc cita do Governo Lula são resultado de um processo cumulativo da nossa economia, afinal em 16 anos o PIB brasileiro foi multiplicado por 10, sendo que a população brasileira aumentou apenas 23%. Claro que temos que levar em consideração a inflação do período, no entanto, estes números mostram que hoje existe muito mais dinheiro para investir. Ou seja, não dá para comparar em números e sim com os erros e acertos de cada governo como fizemos nesta comparação.

      Sobre esta contextualização me senti obrigado a escrevê-la porque nunca vi algo assim na grande imprensa. Portanto, se existe esta tal “conspiração golpista” que o PT tenta atribuir a imprensa eles tem sido bastante incompetentes, pois não tem conseguido restabelecer a verdade dos fatos. Aliás, não só a imprensa como também os institutos de pesquisa também estão sendo incompetentes nesta conspiração, pois apontavam Serra como bem menos votos que teve.

  29. Camilo disse:

    Amilton, há muito tempo não via uma comparação FHC x Lula tão boa e tão bem fundamentada. Fico muito feliz em ver que ainda existem pessoas com memória e com capacidade para entender os fatos ocorridos nas últimas décadas. É muito importante reconhecermos o valor das reformas, pois se o Brasil não as retomar não vai avançar.
    Quanto ao lula, ele é “o cara” de sorte. Teve a sorte de não ter ganho nenhuma das eleições anteriores, e nós também, pois imagine o que seria do Brasil se ele tivesse sido presidente antes de Fernando Henrique Cardoso. Teve a sorte também da boa maré em que o mundo se encontrava. Bastou seguir no vácuo do crescimento mundial. Digo no vácuo porque ficou sempre atrás, nunca conseguiu acompanhar a média de crescimento internacional, nem mesmo de seus pares emergentes.

  30. Camilo disse:

    Ah! Desculpe, faltou um enorme PARABÉNS pelo seu texto!

  31. Aline lira, achei muito interessante seu comentário, mas a pergunta que não quer calar, vc realmente leu todo o texto?

  32. Opa.. agora que vi a data do comentário, mas de qualquer forma ainda é pertinente..

    Com relação ao texto… não suporto radicalismo, e vejo uma dissertação clara que apesar de alguns comentários, disprovida de parcialismo..

    Parabéns ao autor… demonstração clara de profundo conhecimento da realidade econômica brasileira nos ultimos 20 anos..

    É realmente uma pena, que somente uma pequena parcela da população tenha condições de compreender, o conteúdo deste material, talvez por isso não esteja sendo amplarmente discutido nesta campanha.

    Educação definitivamente é a solução para os problemas do Brasil..

  33. OBSERVADOR disse:

    Parabens pelo seu blog. Apesar de você ser abertamente pró FHC, seus argumentos são baseados em fatos concretos e não em discurso vazio. Porém, não entendi sua afirmação de que os investimentos do PAC se transformarão em dívida para o próximo governo. Os recursos do PAC não é proveniente de dinheiro em caixa do governo? Caso negativo de onde vem esses recursos?

    • Olá Observador,

      O PAC engloba todas as obras de infra-estrutura que teriam que ser feitas pelo Governo com PAC ou sem PAC, além de todos os investimentos programados pelas estatais e até de empresas privadas que recebem financiamentos subsidiados via BNDES.

      E aí é onde está o problema. O governo vende títulos a juros de 10,75% e repassa a empresas a 5% a prazos a perder de vista. Nas contas do Governo, no entanto, o grau de endividamento não é alterado, pois o governo dá como certo o pagamento futuro. Logo, um crédito futuro anula um débito no presente e tudo fica assim acertado.

  34. Artur Ramos disse:

    “Se hoje os meios de comunicação estão cada dia mais engajados em derrotar o populismo que foi instaurado no país é porque já perceberam há muito tempo o perigo à democracia que o governo do PT representa.” (Amilton Aquino, 10 de outubro).

    Populismo? Não estamos mais na década de trinta. A ditadura do Estado Novo é passado. Hoje vivemos uma democracia (do grego, poder do povo). Tu caracterizas o gov. Lula como populista só porque o presidente tem quase 80% de aprovação? Todo neoliberal gosta de classificar como “populismo” governos com políticas sociais.
    O PT ameaça a democracia? Achas que isso merece algum comentário meu? Tu provas tua desqualificação ao dizer coisas como essa.
    “hoje me sinto representado pelos meios de comunicação que têm a coragem de se colocar claramente contra as mentiras deste governo” (Amilton Aquino, 10 de outubro).
    Dói ler uma coisa dessas! Não há engajamento da mídia, há sim é jogo de interesses. Tu és muito inocente em acreditar que há “uma verdade” a ser descoberta. Apenas 5 famílias controlam os meios de comunicação brasileiros e tu te sentes representado por elas (que estão tão distantes de tua realidade). Lamentável!
    “a imprensa tem sido bastante incompetente, pois não tem conseguido restabelecer a verdade dos fatos”. (Amilton Aquino, 10 de outubro).
    Que verdade? Despertas de teu sonho! Chamas de verdade aquilo que lhe serve e não aquilo que serve à maioria.
    Sinto dizer, mas teu texto é um lixo. Tu mostras total desconhecimento de política e de história. Ao que parece, tu és formado em economia e nem disso entendes bem. Patético! Só serve mesmo para fazer a cabeça de gente mal instruída.

    • Artur Ramos,

      Se o meu texto é um lixo, como vc diz, até que vc leu bastante, pois cita afirmações minhas perdidas em meio a quase 300 comentários!!! Das duas uma: ou vc gosta de lixo ou os meus textos não são lixo. Eheheeeehhe!

      Mas vou ser tolerante com suas provocações, pois vejo em vc um engajamento que já tive quando militei no PT, quando me achava um dos porta-vozes de uma verdade absoluta. Felizmente amadureci. Vc também vai amadurecer (assim espero).

      Sobre o populismo, já que vc citou a origem da palavra “democracia” (nossa, que descoberta, heim!!!!), então vou citar também algumas características do populismo, segundo o Wikipedia:

      “O termo populismo é utilizado para designar um conjunto de movimentos políticos que se propuseram colocar, no centro de toda ação política, o povo enquanto massa em oposição aos (ou ao lado dos) mecanismos de representação próprios da democracia representativa. (…) A política populista caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um “modo” de exercício do poder, através de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático (caudilho), supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional (e não racional) com o “povo”. Isso implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio (legitimidade para si) através da simpatia daquelas. Esse pode ser considerado o mecanismo mais representativo desse modo de governar.”

      Como vc pode ver, temos aí a descrição perfeita da nossa realidade atual. Um presidente que manipula as massas contra os mecanismos de representação próprios da democracia representativa, das quais a mídia e a oposição fazem parte. Vc não percebe, mas não passa de mais um aliciado por esta máquina de publicidade que faz tudo do PT parecer muito melhor do que realmente é e, ao contrário, faz de tudo para transformar tudo que não é do PT em algo a ser combatido. Daí o seu engajamento em combater “as 5 famílias que controlam os meios de comunicação”, pois vc age justamente como Lula quer. Ou seja, não importa mais a denúncia, os documentos, as provas. “O mensalão nunca existiu, foi uma tentativa de golpe da direita”, bradou Lula outro dia. No ano passado, no entanto, teve que admitir perante ao STF que sabia do esquema. Ou seja, se vem da “mídia golpista” tudo é mentira, como quer Lula. Assim ele fica cada dia mais “blindado” e encorajado a desafiar os mecanismos democráticos para fazer o que der na telha, até mesmo desrespeitar as leis e mudar a história.

      E quando falo de autoritarismo não significa colocar tanques nas ruas não. Felizmente acho que já passamos desta fase. Me refiro a pequenas ações gradativas que vão minando a democracia, como tem ocorrido na Venezuela. Apesar de estamos “atrasados” alguns anos em relação ao caudilho Chaves, já demos vários passos nesta direção.

      Para finalizar, não esqueça: Lula é um produto da mídia. Foi a mídia que lhe deu espaço para proferir suas bravatas que seduziram tanta gente, inclusive a mim, no auge da minha imaturidade política. Abra os olhos, amigo. Veja quanta gente boa saiu do PT nos últimos anos. Muita gente já percebeu o viés autoritário do PT. Vc ainda não.

      Ps.: Não sou economista. Ehhheheeeeehhe!

    • Abbud disse:

      Sensacional, não teria respondido melhor!

      Acho que o colaborador da Wikipedia olhou para o Brasil de hoje, o descreveu, e ao final colocou uma definição: POPULISMO! rs rs rs

      Abraços

  35. OBSERVADOR disse:

    Amilton

    Mais uma dùvida. Quando vocë afirma, na resposta para o Paulo “continuamos gastando mais de 30% do nosso orçamento com o “cartão de crédito” da dívida” , significa que atualmente o governo Lula gasta a mais 30% do que arrecada? Qual è a fonte de onde você retirou esse dado?

    • Olá Observador,

      De juros pagamos hoje quase R$ 170 bilhões (isto porque os juros baixaram bastante por causa da crise, poderia sem bem pior). Acontece que existe também o custo da rolagem da dívida, o que faz o Governo emitir todos anos bilhões e bilhões em novos títulos, de forma que estes já foram incorporados ao nosso orçamento, como um assalariado que já conta com o saldo extra do cheque especial para fechar as contas todos os meses. É da soma de desses valores que chegamos aos 30% citados. Aliás, os 30% que citei referiam-se ao ano de 2008. No último relatório divulgado pela Auditoria Cidadã da Dívida, em 2009 este percentual já foi elevado para 35%.

  36. Amilton…

    não quero fazer comparativos entre governos, a diferença é latente!!…. mas vc disse que a população mais esclarecida vota no PSDB e isso é uma falácia!!

    … bom, aqui em vitória, a Marina ganhou de lavada do PSDB, e na UFES (Universidade Fed. do Espírito Santo), meu reduto diário, todas as discussões sobre segundo turno que presenciei só dá Dilma!!

    mesmo com todos os probelmas de corrupção (aliás os mesmos ocorridos na gestão PSDB, só pra refrescar: DEM, Arruda, Cacciola, marcos valério, etc e etc… ) são insuficientes para fazer com que os universitários aprovem um governo neo liberal típico “terceiromundano” que o PSDB promove…

    entaum, por favor!! não me venha com essa de que a classe mais intelecta do Brasil vota em PSDB, históricamente isso nunca aconteceu e nem está acontecendo… chega soar como piada !!

    • leonardo Molini,

      Em nenhum momento eu fiz a afirmação que vc me atribui: “a população mais esclarecida vota no PSDB”, embora algumas pesquisas tenham apontado nesta direção.

      Este é apenas mais um exemplo de deturpação decorrente do radicalismo instaurado no país pelo Governo Lula. Sua dedução sobre esta minha suposta afirmação certamente resulta da minha opinião sobre a popularidade do governo Lula (especialmente nas camadas mais pobres), que é usada sempre para justificar todos os seus erros, colocando pessoas com um senso crítico acima da média na condição de adversários da nação.

      Critiquei sim, várias vezes, esta unanimidade burra que impede que as pessoas investiguem a veracidade da publicidade oficial que chegou ao ponto de afirmar categoricamente que a dívida externa foi quitada, entre outros vários exemplos que comprovam a tese de que estamos sim vivendo um processo populista.

      Sobre o voto na Marina, concordo plenamente, pois não apenas votei nela como constatei o mesmo que vc. Seus 20 milhões de votos são a prova de que apesar de todas as tentativas de Lula de transformar as eleições atuais em um plebiscito, ainda existem pessoas, uma minoria, infelizmente, que não aceitam tal radicalização, até porque no governo o PT mostrou mais pontos convergentes do que divergentes com o governo do PSDB.

      No entanto, de fato, me espanta que intelectuais de ambos os lados continuem a mergulhar de forma tão apaixonada nesta disputa. Claro que em número muito menor, devido às decepções que tivemos nos últimos anos. Quem acompanhou a eleição de 1989, lembra bem que muitos intelectuais e artistas não só declararam voto, como também fizeram campanha para Lula. Por que será que não o fazem mais?

      Só mesmo o véu da ideologia é que pode explicar que ainda existam intelectuais que ainda conseguem continuar com a visão obscurecida pelo véu ideologico. No máximo, deveríamos demonstrar vieses para apoiar um ou outro lado, de acordo com o contexto histórico, mas sempre com um pé atrás. E é justamente por isso que declaro meu viés a Serra, pois acho imprescindível neste momento que haja a alternância do poder, já que estamos em pleno processo populista.

      Portanto, se não temos hoje um debate mais sereno, mais realista e menos ideológico (até porque a história mostra que o PT estava completamente equivocado quando oposição) é por culpa do nosso populista presidente, que desde 2007 virou um cabo eleitoral descarado.

  37. Marcelo disse:

    Prezado Amilton Aquino,
    Gostaria de contribuir para o aprimoramento de seus estudos comparativos, embora eu seja um professor universitário da disciplina direito econômico e direito do consumidor, sem formação em ciências econômicas.
    No quesito SAÚDE, poderia ser incluído no governo Lula o bem sucedido combate à gripe suína, e a universalização de outras vacinas importantes, especialmente, para imunização das crianças. Merece, ainda, uma comparação do percentual do PIB investido em saúde nos dois governos.
    Por outro lado, no governo FHC foi aprovado o marco regulatório para os planos de saúde, por meio da Lei 9.656/98, o que garantiu segurança jurídica e econômica para o consumidor no mercado de plano de saúde, e previu o ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com usuário de planos eventualmente atendidos pelo SUS.
    O comparativo careceu de uma análise da POLÍTICA SALARIAL, pois, certamente, o aumento do poder de compra permitiu o fortalecimento do mercado interno, fundamental para a estabilidade econômica durante a crise de 2008.
    O comparativo careceu, também, de uma análise da POLÍTICA INDUSTRIAL, pois, certamente, este setor é responsável pelo crescimento sustentado da economia, havendo uma clara política de desoneração fiscal para determinados setores estratégicos e uma política de crédito vigorosa para setores de infraestrutura.
    Senti falta de uma análise da POLÍTICA HABITACIONAL, setor que movimenta a indústria da construção civil, e portanto, gera empregos e consumo de diversas commodities.
    Acho importante uma rápida análise da POLÍTICA CULTURAL, especialmente, o fortalecimento da indústria cinematográfica, a qual foi esfacelada no governo Collor, ganhando vida com os incentivos públicos.
    Quanto aos gastos públicos, acredito ser importante considerar que toda economia capitalista moderna tem enormes dívidas públicas, a exemplo dos EUA. Neste ponto há uma questão ideológica forte: o governo não pode ser medido pelo tanto que gasta, mas sim, COMO GASTA.
    Com o tamanho e a diversidade do Brasil, não acredito que possamos gastar menos. Acredito que possamos gastar melhor. Se pudéssemos gastar menos com o serviço da dívida seria ótimo. Se pudéssemos gastar menos com o Congresso e o Judiciário também.
    Neste ponto merece louvor a iniciativa do deputado JOSÉ ANTÔNIO REGUFFE, natural do Rio, e que pode puxar uma onda ética no Congresso. Durante a legislatura na Câmara do DF, abriu mão de salários, verbas e acessores; e diz que um mandato de qualidade não precisa de tanto dinheiro, mas sim, boas idéias.
    Melhor ainda: defende o voto distrital e financiamento público de campanha, mas não entregando dinheiro na mão de partidos e candidatos. Como o dinheiro é público, defende a licitação para uma empresa fazer os “santinhos”, outra para a produção de vídeo, e assim, TODOS OS CANDIDATOS TERIAM O MESMO ESPAÇO E IDENTIDADE VISUAL NA PROPAGANDA. A grande vantagem, portanto, é que a diferença das campanhas estará no CONTEÚDO, e não no poder econômico dos candidatos.

    E mais, defende que uma promessa de campanha pode ser exigida em juízo, e o descumprimento da oferta implica em perda do mandato.

    Isso não passa no Congresso, mas se passou a ficha limpa…
    Veja matéria abaixo.
    JOSÉ ANTÔNIO REGUFFE
    Um homem ficha limpa
    Dono da maior votação proporcional do País, José Antônio Reguffe chega à Câmara disposto a reduzir o salário dos deputados e o número de parlamentares no Congresso
    Adriana Nicacio, Hugo Marques e Sérgio Pardellas
    Aos 38 anos, o economista José Antônio Reguffe (PDT-DF) foi eleito deputado federal com a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil) no Distrito Federal. Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem. Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos. A partir de 2011, Reguffe pretende repetir a dose, mesmo ciente de que seu exemplo saneador vai contrariar a maioria dos 513 deputados federais. Promete não usar um único centavo da cota de passagens, dispensar o 14º e 15º salários, o auxílio-moradia e reduzir de R$ 13 mil para R$ 10 mil a cota de gabinete. “O mau político vai me odiar. Eu sei que é difícil trabalhar num lugar onde a maioria o odeia. Quero provar que é possível exercer o mandato parlamentar desperdiçando menos dinheiro dos cofres públicos”, disse em entrevista à ISTOÉ.

    • Olá Marcelo,

      É sempre bom ter professores por aqui. Obrigado por sua contribuição. Coincidentemente já estava pensando mesmo em incluir alguns outros itens na comparação, alguns pró-Lula, outros pró-FHC. Estou com uma semana bem corrida, mas assim que concluir, te encaminho um email informando.
      Abraço

  38. Vilmar disse:

    Parabéns pelo seu texto.
    Eu também já fui um dos que acreditava no discurso do PT e também acho que o Lula teve muita sorte de não ter sido eleito antes.
    Agora, para aqueles que acham que o FHC não devia ter privatizado nada eu pergunto: Vai à CEF, ao BB ou a um posto BR e me diz, as taxas e os preços são menores? Não. Algumas estatais e empresa públicas servem mesmo é para colocar os amigos políticos em bons cargos e não beneficiam em nada a população.
    Até concordo que devemos ficar com algumas empresas estatais, mas poucas, e de preferência em áreas estratégicas, como a própria Caixa e o BB, que atuam em moradia e agronegócio.

  39. OBSERVADOR disse:

    Vilmar

    Concordo com você deviamos reduzir as estatais apenas àquelas referentes a setores estratégicos, como a Petrobras, o BNDES, a CEF etc. Penso tambem que ainda há espaço para mais algumas privatizações, o BB por exemplo. Porem me parece que o essencial é reduzir a possibilidade de aparelhamento dessas empresas, isto é, a transformação das estatais em locus de acomodação de “companheiros” e políticos aliados do governo que passam a utilizar a empresa como instrumento do partido (ou da tendência, no caso do PT),ou pior como oportunidade de sugar recursos públicos para caixa dois ou o próprio bolso. Parece-me que a melhor solução para esse descalabro seria reduzir os famigerados cargos de confiança (de indicação política)ao mínimo possível.

  40. Filipe Medeiros Moreno disse:

    Desculpe, nao estou aqui pra questionar formacao, muito menos classe social, nem conhecimento historico minimo de politica, como as coisas funcionam debaixo dos panos e etc, mas, desculpe, mas em que mundo vc vive…
    mas quero questionar, e vou tentar ser pouco inflamado uma vez que a leitura acima me deixou um tanto revoltado…

    politicas economicas

    disse vc que o fhc comecou tudo, mas ele poderia ter feito e melhor o que o lula fez. Sei que as circunstancias eram um pouco adversas…mas a do lula tb foi pq o mesmo fhc se afundava nas crises por causa da politica neoliberal economica que governos capital-capitalistas pregam…o que eh uma grande farsa denotada pela ultima crise mundial…ele poderia ter sido bem melhor, muito melhor, mas nao foi, e eh simples, nao foi pq um governo que preserva elites sem um nada de social so afunda o pais…sou de origem muito pobre, e sei do que to falando.

    educacao

    nao sao so numeros expressivos do lula, foi tudo melhor com o lula…tirando o ensino medio que continuou a mesma coisa, mas as instituicoes federais melhoraram com lula…logo…ele foi mil vezes melhor…e sem ressalvas…

    seguranca

    vai questionar o investimento do lula em seguranca perto do fhc…eh melhor nem tentar…o lula nao melhorou so a policia federal…e sim nas penitenciarias…(que ainda nao presta) mas eh muito menos pior, no investimento nas segurancas publicas, fora as atuacoes da policia federal…

    reducao da pobreza

    reducao da pobreza fhc foi melhor….vc eh meio louco neh, nao eh possivel…em que mundo vc vive…jah disse…sou pobre e sei do que estou falando…nao, o fhc nunca foi e nunca sera melhor que o lula em relacao a reducao da pobreza…

    politica externa vc diz que o fhc foi melhor….vc eh meio doente neh…e o nome do brasil…e o orgulho do brasileiro no mundo inteiro…e a visao do mundo inteiro no brasil….e o antigo g8 que o LULA fez virar G12…com o fhc o brasil era chacota no mundo inteiro, com risco brasil beirando 2700 pontos…

    legado etico….simples assim….com fhc o rombo do Maluf chegou a 6 bi…sabe…bi…Banco Safra, Banco Fonte Sidam, SUDAM, SUDENE…meu, ve as noticias antes de falar dos mensaleiros ta, a direita sempre soube roubar, isso eu concorso…mas vc nao concorda comigo que o brasil trava na corrupcao…logo…seo o governo de hj tem mais dinheiro eh mais ou menos corrupto…acho que eh menos hein…vamos para com essa hipocrisia de achar que o governo lula foi mais corrupto…so reacionario ignorante nao sabe do que to falando neh…ate pq reacionario e PSdebista eh elite cvapitalista e idiota corruptivel que olha pro proprio umbigo…

    Desculp-e os insultos e tambem a ignorancia pq fiquei tao revoltado com o texo acima que nao consegui pensar direito na hora de me expressar….agora…vc quer discutir com bases historicas…fica meu msn…me procure e sei que estarei em sa consciencia para deabter de verdade e mostrar a verdade se eh que vc quer saber…

    Filipe Medeiros Moreno – estudante de engenharia, pobre, filho professora…historiadora…

    msn filipe_m_m@hotmail.com

  41. Filipe Medeiros Moreno disse:

    Refeito de minha revolta anterior, acho muito interessante a maneira como vc, Amilton Aquino discute sua maneira de pensar e ver o mundo. É sempre interessante ver o outro lado da moeda dita por pessoas no mínimo inteligentes, que é o que me parece. Só fico abismado e um tanto preocupado com o anterior a esta pessoa inteligente…O que ele leu? Como foi a vida dele? Onde ele mora? Será que ele conhece todos os lados? Será que ele lê VEJA e nunca leu Carta Capital? Que livros ele leu na vida dele? Será que ele é classe média egoísta com formação para defender um propósito tão mesquinho que é não se regozijar com o sucesso alheio (digo milhões de empregados na era LULA)?…E por aí vai…
    Me faço milhares de perguntas para imaginar como pode existir um ser-humano assim…que vê e não vê…
    Sabe o que eu acho pior, e muito perigoso, aliás, muito danoso para as pessoas que lêem um blog desse, o arzinho paz-e-amor do discurso, quando nas entrelinhas com bases e algumas coisas um tanto duvidáveis são colocadas ao léu como se quisesse que eu desaprendesse tudo que passei na minha curta vida. Quase até me convenço com o discurso, mas sabe, algo na minha cabeça diz (como um pequena teoria da conspiração):Você vai mesmo acreditar nisso?
    Agora, falando friamente, Concordo com muita coisa dita, como por exemplo o véu da ideologia pregado na mente dos seres pensantes e tals, concordo quando se fala da política em si, tão suja como sempre, mas sabe, gosto de história, tenho sim uma quedinha pelas utópicas idéias de Marx e Angels mesmo sabendo da inviabilidade e tudo mais…Mas sabe o que quero analisar…a vida das pessoas (Juro que não quero ser dramático). Das pessoas que hoje têm o comer, das pessoas que hoje têm emprego, das pessoas que hoje estão na Universidade, das pessoas, elas por elas…a vida delas melhorou?…Eu realmente acredito que como todos o revés, melhorou…
    Não quero parecer propagandista de PT nem anti PSDB, até porque não gosto de nenhum que faça parte desta corja, mas, até certo ponto entendi que diz que as coisas que foram boas no governo FHC foi por competência dele e que as coisas que foram boas no governo LULA foi um desenvolvimento natural, e, a partir daí, não concordo.
    Sabe, pra mim isso parece um visão um tanto neo-positivista e pouco clara efetivamente. A vida das pessoas melhorou por um simples fato: um governo na minha visão social-capitalista (lógico que com todo seu potencial Getulista).
    Concluindo, creio que seja simples comparar governos, de acordo com a opinião das pessoas, e, no alto de minha “cega visão mentirosa-Poliana-PSdebista-americanizada” digo que a democracia por si só responde. As eleições por si só respondem, a popularidade do Lula por si só responde quem foi melhor, a vida das pessoas de acordo com o que elas escolhem responde.
    Ah sim, só comparando histórias, num protesto universitário levei gás-lacrimogêneo na cabeça por decretos do SERRA que ia DESTRUIR a autonomia das universidade estaduais de São Paulo, ou seja, prefiro voltar em quem lutou, foi presa e torturada, mas brigou pela verdadeira democracia, do que votar em um ditador sujo com cara de bonzinho que fugiu com rabo entre as pernas, um ditador safado que em um discurso no começo de sua vida política tentou arrasar com Jango beirando a ditadura…essa sim, foi muito prejudicial, logo, prefiro tentar a continuidade do LULA com a “CADELINHA LILI” como chamo, a entregar meu país e toda um luta ideológica nas mãos de um governo que foi MIL vezes mais corrupto, mas isso é privilégio de quem pensa…ah sim, leia um pouco a carta capital. As vezes é bom aprender sobre o outro lado.

    Obrigado, Filipe Medeiros Moreno

    • Filipe Medeiros Moreno,

      Eu também sou de origem humilde, amigo. Daquelas famílias nordestinas bem tradicionais. Para vc ter uma idéia, meu avô paterno teve 30 filhos (15 com a primeira esposa, 15 com a segunda), enquanto meus avós maternos tiveram mais 15. Agora imagina a quantidade de primos que tenho!!! Digo isso apenas para dar uma idéia do tamanho da minha família. Pois bem, sou o único da minha geração desta imensa família que conseguiu concluir um curso universitário. Portanto, não me venha com este discursinho de “pobrezinho”, porque também sei muito bem o que é a pobreza e das dificuldades que enfrentei até aqui.

      Quanto aos seus argumentos, eles já foram exaustivamente debatidos aqui nos comentários. Então não vou perder muito mais tempo argumentando novamente. Sugiro que leia o debate e vai encontrar respostas para a maioria das suas contestações.

      Mas um detalhe me chamou a atenção no seu texto. A recorrente expressão “eu sei do que estou falando”. Ou seja, vc tem julgado o governo Lula pela melhoria que vc observa no seu dia-a-dia. E aí claro que vc vai achar Lula melhor em tudo, pois não só o Brasil como todos os emergentes deram um salto nos últimos anos.

      Para ganhar tempo, listo então para vc alguns pontos que postei recentemente para um outro leitor. Espero que isto ajude a vc ter uma melhor visão das realidades distintas que cada presidente pegou.

      1) Apesar da inflação, a arrecadação do governo aumentou 1000% nos últimos 16 anos, enquanto que a população aumentou apenas 23%. Ou seja, o governo tem hoje incomparavelmente mais dinheiro para investir. Portanto, não faz mais que sua obrigação em investir mais em educação, segurança, etc. etc.

      2) Durante todo o governo FHC o PIB mundial aumentou de US$ 30 para US$ 33 trilhões (daí parte da explicação da estagnação verificada aqui também), enquanto apenas nos seis primeiros anos da era Lula o PIB mundial pulou para US$ 60 trilhões, sendo que houve um descolamento dos investimentos dos países do primeiro mundo para os emergentes. Ou seja, qualquer que fosse o governo herdaria tal cenário. Logo, os méritos de Lula são bem menores do que vc imagina. Aliás, o maior mérito nisso tudo é da própria economia brasileira, puxada pela Petrobrás, Vale, Embraer e várias outras grandes empresas nacionais que se tornaram multinacionais, justamente por causa das políticas “neoliberais” de FHC e que Lula continuou. Se Lula aumentou o Bolsa Família, o fez na mesma proporção do crescimento do PIB. Ou seja, não fez nada além de unificar programas, mudar de nome (por sugestão de um outro tucano, Marconi Perillo) e reduzir as contrapartidas educacionais dos programas originais.

      3) Lula é o primeiro presidente desde o final do regime militar que assume o governo sem ter como principal desafio o combate a inflação e com uma política econômica já definida. Ou seja, pôde se dedicar exclusivamente a ações mais propositivas, como investimentos, ações estas, diga-se de passagem, dão muito mais popularidade que as ações de saneamento da economia implementadas por FHC. E não me venha com os indicadores do final do governo FHC, pois estes foram contaminados pela “Crise Lula”. Lembro muito bem desde a infância os constantes lançamentos de pacotes e planos econômicos que colocavam sempre os agentes econômicos em pânico, aliás, uma realidade que se estendeu até 1999 quando FHC fez a última grande alteração na nossa economia. De lá pra cá, o que temos visto são pequenos ajustes, que não mais causam pânico nos agentes econômicos. Aliás, reconheço aqui os méritos da equipe econômica que, apesar das pressões do presidente em aumentar os gastos, conseguiu conduzir bem a economia, com a ajuda de um ex-tucano cooptado para pelo PT, o Henrique Meireles.

      4) Apesar de todo este cenário positivo, o governo atual continuou aumentando a dívida interna em uma proporção superior a era FHC, época caracterizada pela luta constante contra a inflação e com o dólar valorizado, em meio a uma sucessão de crises internacionais e a necessidade urgente de reformas na nossa economia. Ou seja, não só não aproveitamos o bom momento para nos livrarmos da sangria da dívida, como continuamos gastando hoje 35% do nosso orçamento em juros e com a rolagem da dívida.

      5) Apesar da urgência de reformas, o governo Lula vai terminar o segundo mandato sem colocar em prática nenhuma das seis grandes reformas prometidas no discurso de posse do primeiro mandato, mesmo o presidente contando com um popularidade recorde e com o apoio do maior partido do país, o PMDB. Nem mesmo a tão falada reforma agrária, bandeira histórica do PT, conseguiu implantar.

      Sugiro que leia também http://visaopanoramica.net/2010/09/14/um-olhar-estrangeiro-sobre-a-america-latina-o-brasil/ Vc vai ver que a melhoria que é visível hoje não foi um privilégio brasileiro.

      Sugiro que leia também: http://visaopanoramica.net/2009/07/19/contextualizando-o-governo-lula/ e http://visaopanoramica.net/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/

      Por último, sugiro que leia a série sobre a dívida pública. Vc vai se surpreender.

      Enfim, aconselho vc a ser mais racional e menos emotivo. Fuja dos radicalismos, pois eles obscurecem a sua visão da realidade. No seu caso, a sua raiva é sintomática. Ela mostra aquilo que criticamos aqui o tempo todo. A radicalização dos discursos políticos entre os defensores incondicionais do Lula (que julgam saber tudo) e o resto, os “alienados” como eu. Se vc baixar a guarda e ler os demais posts de forma serena, desarmado, usando a razão, vai ver que o governo Lula é não é tão bom quanto vc acredita, da mesma forma que o governo FHC não foi tão mal quanto os petistas apregoam. Aliás, vc já demonstrou uma melhora sensível no seu segundo post. Bem mais sereno. Parabéns. É assim, com serenidade, que poderemos discutir e aprimorar cada vez mais o nosso senso crítico.

      Para finalizar, deixo a descrição do populismo, segundo o Wikipédia. Já que vc gosta também de história, talvez isso o ajude a perceber o que está ocorrendo no nosso país.

      “O termo populismo é utilizado para designar um conjunto de movimentos políticos que se propuseram colocar, no centro de toda ação política, o povo enquanto massa em oposição aos (ou ao lado dos) mecanismos de representação próprios da democracia representativa. (…) A política populista caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um “modo” de exercício do poder, através de uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático (caudilho), supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional (e não racional) com o “povo”. Isso implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio (legitimidade para si) através da simpatia daquelas. Esse pode ser considerado o mecanismo mais representativo desse modo de governar.”

      Como vc pode ver, temos aí a descrição perfeita da nossa realidade atual. Um presidente que manipula as massas contra os mecanismos de representação próprios da democracia representativa, das quais a mídia e a oposição fazem parte.

      Sua experiência de combate aos “poderosos” me remeteu a minha época estudantil, pois também participei do movimento estudantil, já comandei invasões a reitoria da UFPE, etc. e etc. Aliás, sou contemporâneo de vários políticos do PT e do PCdoB que hoje estão cada dia mais parecidos com tudo aquilo que criticavam há 20 anos. Pode ter certeza, amigo, relembrando estes fatos, percebo o quanto equivocado estava. Certo dia encontrei por acaso um pró-reitor da época, nosso inimigo mortal, e tive vontade de conversar com ele, mas não tive coragem. Coisas da adolescência. Vc também vai amadurecer.

      Ah, também leio a Carta Capital. Não consigo ler sempre porque a impressão que tenho é que estou lendo aquelas cartilhas do PT. Mas, como vc pode ver, não preciso procurar a Carta Capital, pois todos os dias recebo comentários de pessoas que trazem informações não só desta revista como dos blogs alugados do PT, como PHA, Azenha, Nassif, entre outros.

  42. Olá amigos,

    Devido ao grande número de comentários neste post, a página está travando frequentemente, de forma que estou encerrando aqui os comentários para não agravar mais ainda o problema. Brevemente, publicarei uma nova versão deste post, com alguns dados e itens novos e aí então disponibilizaremos novamente o formulário de comentários.