Três argumentos para NÃO votar no PT

aecio-e-dilmaEu poderia listar dezenas de razões para não votar no PT (e conseqüentemente votar no Aécio), mas vou me limitar a citar três para não deixar o texto muito longo.

1) O argumento econômico

Todo mundo já deve ter percebido que todas as vezes que Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa de valores cai e o dólar sobe e vice-versa. Em qualquer lugar do mundo, tal comportamento do mercado deveria estar mais ligado à oposição, mas aqui o governo é quem é o motivo da incerteza. O porquê de tal pessimismo com relação a política econômica atual é resumido em uma só palavra: insustentabilidade. A grande massa não consegue ver isso ainda, mas entre os economistas é consenso que o governo tem que mudar a rota para não cair no precipício. O problema é que o governo não demostrou até agora disposição em reconhecer pelos menos seus equívocos, os mesmos cometidos há alguns anos na Venezuela e na Argentina, dois países arrasados pela combinação perversa de populismo e estatismo, a mesma linha seguida pelo PT.

Portanto, a primeira certeza que teremos a partir de segunda-feira é que, a depender do candidato que escolheremos no domingo, teremos uma forte alta da bolsa de valores e baixa do dólar (no caso de vitória do Aécio) ou de forte queda da bolsa combinada com alta do dólar (no caso de vitória da Dilma).

Para a grande massa tais oscilações não significam muita coisa. No entanto, no médio e no longo prazo o maior ou menor otimismo dos investidores agora pode ser a diferença entre a necessária correção de rumo ou no mergulho de vez na crise.

2) O argumento político

O viés autoritário do PT a cada ano fica mais claro. Apesar de muita gente relevar a preferência do PT em se alinhar a regimes autoritários, o fato é que o PT vem tentando desde o primeiro ano de governo aumentar o poder do executivo e diminuir dos demais. Já tentou criar um controle externo ao poder judiciário, já tentou “regular” a mídia em dois projetos (e já anunciou uma nova tentativa para um eventual segundo mandato de Dilma – ver aqui), já tentou subjugar o Congresso via mensalão e agora tenta reduzir seu papel com o tal Decreto 8243 que cria os tais Conselhos Populares, aos moldes bolivarianos.

Além da busca incessante da construção deste “arcabouço institucional”, o PT tem aparelhado todas as instâncias de poder e estatais, chegando ao cúmulo de indicar para o STF um ex advogado de José Dirceu e do PT para julgar o processo que ele mesmo defendia.

Por traz de todo este esforço, está o projeto de perpetuação no poder do PT. Claro que nem todos os integrantes do PT pensam assim e muitos abandonaram o partido justamente por este motivo (ver trecho de entrevista do ex líder do PT, Eduardo Jorge). Para quem conhece a obra de Gramsci, por exemplo, uma das principais referências ideológicas do PT, tal objetivo não é nenhuma novidade, pois o marxista italiano propõe a criação de um “estado forte”, apoiado na construção de uma “hegemonia da opinião pública” para isolar os críticos, mesmo que isso signifique controlar todas as instituições. Tal construção é fruto de anos e anos de atuação em todos os setores da sociedade, de modo que tal projeto não admite a entrega do poder a oposição.  Para isso, tudo é lícito, desde que seja para o bem do partido, claro. Alguém duvida que isto esteja acontecendo no Brasil?

3) O argumento ético e institucional

A degradação política do PT é clara. Não por acaso vários fundadores do PT mudaram de lado. Fernando Gabeira, Frei Beto, Hélio Bicudo, Francisco de Oliveira, Eduardo Jorge, Cristovam Buarque, Flávio Arns, César Benjamin, Francisco Weffort e Sandra Starling são alguns que não aguentam mais tanto cinismo do PT. Starling foi a última a pular do barco. Embora deixe claro seus temores com relação ao Aécio, a petista declarou voto na oposição por não aguentar mais tanta mentira! “Quero ter a coragem de enfrentar esses 12 anos em que o PT se julgou a consciência política do Brasil e no qual fez e aconteceu como os demais, em tudo”, desabafou Starling.

A revolta da petista é a mesma revolta de milhões de brasileiros que perceberam a campanha suja que o PT tem feito. Primeiro, ao desconstruir a Marina, apelando para a retórica maniqueísta de que os banqueiros tirariam o prato de comida da boca dos brasileiros, caso ela fosse eleita. E agora com Aécio, que além de repetir o mesmo discurso maniqueísta de “pobres contra ricos”, desceu ainda mais o nível até o campo pessoal.

Embora parte da imprensa tenha a tendência covarde de colocar no mesmo nível ambas as campanhas, lamentando a pancadaria e as mentiras como se fossem equivalentes entre PT e PSDB, qualquer levantamento sério é capaz de identificar não só qual o lado mais mentiroso e violento dessa disputa (ver aqui). Aliás, só o fato da quantidade de mentiras divulgadas na web visando desconstruir o candidato Aécio já seriam suficientes para reprovar o PT (ver aqui). A coisa chegou a tal nível de cinismo que a Dilma chegou a solicitar a Justiça a retirada da Internet o site aeciodeverdade.com, criado com o objetivo justamente de rebater as mentiras criadas pelo PT.

Portanto, a maior virulência que o PT tem se atirado em cada eleição é apenas mais um sintoma do autoritarismo de seu projeto de poder que está acima dos interesses do país. Votar no PT é premiar a mentira como estratégia política. E dar um salvo conduto a corrupção generalizada que aumenta a cada ano (ver aqui o comparativo de corrupção entre PT e PSDB).

Por fim, encerro lembrando a necessidade de alternância do poder para a saúde da nossa democracia. O poder corrompe e corrompe ainda mais quanto mais tempo se passa no poder. O PSDB cometeu equívocos, já foi punido nas urnas por três vezes e merece uma segunda chance. O PT, por outro lado, cometeu seus maiores crimes antes mesmo de chegar ao poder, em 2002, no caso Celso Daniel, que deixou um saldo de oito mortes, entre políticos, investigadores, legistas e testemunhas (ver aqui). A imprensa, no entanto, não teve coragem na época de mostrar o envolvimento do PT e o partido foi vitorioso. Já no primeiro ano de governo, criou o esquema do mensalão que veio a ser descoberto anos depois. Perdoamos mais uma vez, já no ano seguinte foi gestado o atual escândalo do Petrolão. Ou seja, o PT tem provado até aqui que o crime compensa. Da escala dos milhões  passamos para a escala dos bilhões, de modo que de tão comuns, os escândalos já não mais escandalizam como antes.

Portanto, mais que uma escolha entre o vermelho e azul, esta eleição é a oportunidade de dar um basta na consolidação de um projeto autoritário de poder travestido de “democrático” que tem levado nossa sociedade a um nível cada dia maior de acirramento com consequências imprevisíveis (ver pronunciamento do coronel Moézia na Comissão Nacional da Verdade).

Qualquer que seja o resultado dessa eleição, nosso país sairá ainda mais dividido. E a culpa é do PT. Se não fossem tão apegado ao poder, poderiam ter perdido honestamente para a Marina, proveniente do partido, poderiam ajudá-la a governar e voltar ao poder em 2018 honestamente, sem precisar recorrer a mentiras e todo o tipo de artifícios que só acirraram ainda mais os ânimos no nosso país. Fernando Henrique não fez nada parecido com o que o PT tem feito a cada eleição. Isso é um fato. No pior dos cenários, uma vitória da Dilma (com derrotas previstas no sudeste, sul e centro-oeste) pode acirrar ainda mais os ânimos entre o “Brasil do norte” e o “Brasil do sul”. O Aécio pode reunificar o Brasil ao mostrar, na prática, aos beneficiários do Bolsa Família, que não vai acabar com o programa. Seria um avanço ao Brasil nas próximas eleições discutir propostas e não mais terrorismo eleitoral com programas sociais.

Claro que votar contra o PT significa dar um novo voto de confiança ao PSDB. Sim, o partido também tem seus calcanhares de Aquiles e certamente vai nos decepcionar novamente com novos casos de corrupção. No entanto, esta nova chance significa uma nova oportunidade para que eles ajam diferente, que demostrem ter aprendido alguma lição do passado.  Se ainda assim nos decepcionarem ainda mais que o PT, alternemos mais uma vez. É assim que funciona a democracia. Na impossibilidade de escolhermos o partido e/o  candidato ideal, escolhamos o menos ruim, levando sempre em consideração o viés daquele que já foi castigado nas urnas e aquele que precisa ser castigado no momento. Votar hoje no PT é, antes de tudo, aprovar a mentira; é concordar com a tese de que o crime compensa; e dar um novo salvo conduto para que o PT continue com seus esquemas de corrupção em prol de um projeto de poder que está acima dos interesses do país.

 


Obs.: Se ainda assim você preferir votar na Dilma por causa das melhorias verificadas na vida dos brasileiros nos últimos anos, sugiro a leitura do artigo “Os três maiores mitos do PT“. Se você acha que o Aécio é mais preparado, mas está receoso(a) por tudo que viu na Internet sobre ele, sugiro a leitura de artigo “Revisando 28 boatos sobre Aécio“. Abraço!