O Brasil está realmente na rota do bolivarianismo?

dilma_chavezNos últimos dias o tema bolivarianismo entrou de vez na pauta nacional. Além dos colunistas que já abordam o tema há bastante tempo, agora vários outros colunistas simpáticos ao PT resolveram finalmente tocar na ferida, o que prova que o assunto começa a preocupar o governo, afinal o que antes parecia apenas neurose de alguns radicais de direita, agora já convence uma parcela maior da sociedade.

A Carta Capital chegou a publicar um artigo enciclopédico explicando o que para eles é o bolivarianismo, fazendo questão de salientar as diferenças entre Simón Bolívar e Chávez, comunismo e bolivarianismo, Venezuela e Brasil, entre outras “abismais diferenças” para colocar tudo em panos quentes (ver aqui).

Outra tentativa descarada de dourar a pílula foi de Samy Adghirni, o substituto do colunista governista Vladimir Safatle do Uol, em férias. Embora o texto de Adghirni não tenha o mesmo peso de Carta Capital, o fato é que, por ele ter sido correspondente na Venezuela, seu texto merece uma especial atenção. Ao tentar diferenciar o que acontece no Brasil e na Venezuela, Adghirni consegue justamente o efeito contrário, pois a maior parte das “diferenças” salientadas por ele apenas mostram que estamos sim caminhando na mesma direção. Confira aqui a ótima analise de Luciano Ayan sobre o texto de Adghirni.

Apesar de uma declaração de Jô Soares ter viralizado na rede, onde ele mostrou seu ceticismo ao diferenciar o tamanho do Brasil e da Venezuela, o fato é que tal declaração destoa completamente de outra entrevista conduzida pelo ele próprio com Ives Gandra há alguns anos, onde o jurista alertava para vários outros passos bolivarianos que estão sendo dados agora (ver aqui). Aliás, esta foi uma das poucas vezes em que o Jô foi corrigido por um entrevistado por sua equivocada visão em algum assunto.

A coisa ficou tão escancarada que a própria Dilma veio a público para tentar se desvincular da resolução autoritária divulgada pelo PT recentemente, que acirra ainda mais a divisão do país ao associar a oposição ao mal (que deve ser combatida de todas as formas) e escancara de vez um dos principais objetivos da revolução bolivariana, que pressupõe a construção de uma “hegemonia política”, exatamente como propôs Gramsci (ver aqui a resolução do PT) Leia mais