Sim, eu avisei!

abismo_PTOlá amigos! Ainda não voltei ao blog. Passo aqui apenas para fazer alguns registros de improviso, pois vejo acontecer exatamente o que eu e várias outras pessoas alertamos. Se tivesse um pouco mais de tempo, faria um comparativo ponto a ponto sobre a situação atual e outro diagnóstico que publiquei aqui no final de 2013 (ver aqui). E como previsto, tudo piorou.

Vejamos…

  • Ao contrário do previsto pelo governo (como já se tornou rotina), que previa um PIB de 2,5% para 2014, terminaremos o ano com PIB de no máximo 0,2% – e olha que já tem analista falando que pode ficar abaixo de zero.  Pior, o novo ministro da Fazenda já anunciou que o país não deve esperar crescimento para os dois próximos anos. Ou seja, a população vai continuar crescendo enquanto que a geração de riquezas, na melhor das hipóteses, vai ficar estagnada. Ou seja, ficaremos mais pobres.
  • Depois de anos de superávits sucessivos, terminamos 2014 com o maior déficit da balança comercial desde o início da série histórica, em 1947.
  • Depois de anos de superávits primários, terminamos 2014 com o maior déficit da nossa história.
  • Economia estagnada deveria provocar menos inflação. No entanto, o governo continua na sua ilusão perpétua de estimular o crescimento pelas vias monetárias. O resultado, portanto, é sempre o mesmo: inflação no limite do teto da meta e mais deterioração da economia.
  • A indústria continua caindo…
  • O dólar subindo…
  • O Real caindo…
  • E os juros subindo. Portanto, Dilma vai terminar seu primeiro mandato com uma taxa de juros maior que herdou, assim como a inflação, déficits e todos os demais indicadores econômicos piorando.
  • Os dois únicos que pareciam estar imunes até então (o desemprego e as reservas cambiais) já começam a dar os primeiros sinais de piora. As reservas cambiais, que de 2006 a 2011 foram multiplicadas por 7, há três anos está estagnada na casa dos U$ 370 bilhões, chegando inclusive a cair um pouco nos dois últimos meses.  Portanto acabou aquele papinho de que o Brasil é credor internacional, afinal a dívida externa já supera em muito as reservas como veremos a seguir.
  • Pois é. A dívida externa que o Lula disse que havia quitado está maior que nunca. Irrisórios U$ 750 bilhões segundo os critérios do FMI ou U$ 540 bilhões pela contabilidade criativa do governo do PT! Sim, o Brasil é hoje o terceiro do ranking com maior dívida externa, perdendo apenas para a Espanha e os EUA (ver aqui).
  • E a dívida interna? Continua subindo. Segundo a contabilidade antiga, usada até 2007, nossa dívida interna bruta hoje está na casa dos R$ 3,3 TRILHÕES! Pode conferir diretamente no site do BC: http://www.bcb.gov.br/?DIVIDADLSP. Ou seja, se usássemos os mesmos critérios de avaliação para comparar  dívida bruta do governo do PT com o do PSDB pularíamos de 56% em proporção ao PIB no final do governo FHC (parâmetro contaminado pela chamada Crise Lula que elevou o dólar a quase R$ 4, vale salientar) para lastimáveis 75%!
    Mas o governo do PT não gosta de falar de dívida bruta. Prefere falar de dívida líquida, afinal bastar emprestar um valor igual ao da dívida ao mercado e a dívida líquida estará zerada! O raciocínio é que, ao emprestar, o governo passa a ter um valor correspondente a receber no futuro  (mesmo que tais recursos demorem décadas para retornar aos cofres públicos – e se retornarem) e mesmo que o governo continue pagando mais de R$ 200 bilhões de juros ao ano pela dívida bruta que ele insiste em relevar. No reino mágico do PT é como se a dívida não existisse. Não por acaso, a dívida líquida, ao contrário de todos os outros indicadores que só pioram, continua na casa dos 35%. E por que isso acontece? Porque o governo continua repassando bilhões ao BNDES e às estatais falidas. Logo, quanto mais dinheiro o governo empresta, menor a dívida líquida! Simples assim.
    Aliás, este é motivo de uma contenda do governo com o FMI que também contesta a contabilidade da dívida do governo do PT (ver aqui). Pior, o ritmo do crescimento da dívida externa e interna está acelerando na mesma proporção que os déficits externos da balança comercial e das contas do Tesouro. Onde isso vai dar se a rota não for corrigida rapidamente? Pois é, mais uma missão impossível para o Joaquim Levy.
  • Por fim, chegamos ao último refúgio do governo do PT: o suposto baixo índice de desemprego. Segundo o dado que o governo gosta de divulgar (o que se refere apenas as seis maiores regiões metropolitanas), o desemprego no Brasil hoje estaria na casa dos 4,8%. No entanto, na estatística que abrange todo o país, divulgada pelo próprio IBGE, o número correto de desemprego no Brasil seria 6,8%, o que nos colocaria na posição de sétimo maior índice de desemprego do G-20 (ver aqui). E olha que não estamos nem levando em consideração o fato de que parte deste índice está artificialmente melhorado pelos programas sociais e pela geração “nem nem” (ver aqui), os jovens que não estudam e não procuram emprego e que, portanto, não entram na estatística do desemprego calculada pelo IBGE que só considera os que estão em busca de trabalho.
    Apesar de todas as maquiagens, o fato concreto é que já durante as eleições a piora do indicador já era visível. De lá pra cá a coisa piorou ainda mais. Não só as indústrias começam a demitir em massa, como tivemos o pior novembro na geração de empregos dos últimos anos, mês tradicionalmente de contratação. O índice de criação de empregos no terceiro trimestre, que já havia sido o pior desde a crise de 1999, agora cai mais 80%, o que configura o pior resultado desde o auge da crise de 2008 (ver aqui). Portanto, apertem os cintos pois a coisa vai seguir piorando, infelizmente. Boa parte dos empregos ainda existentes estão na berlinda, a espera de uma mudança na direção política econômica que aponte para, pelo menos, uma não piora dos atuais indicadores. Todo mundo sabe que demitir no Brasil custa caro e, portanto, este é o último recurso que o empregador recorre quando não vê mais perspectivas de melhora. O Joaquim Levy representa esta esperança, apesar da Dilma. Se ele vai ter autonomia para tomar as decisões necessárias já é outra história. Os sinais são contraditórios. Enquanto o ministro aponta para uma redução dos repasses de recursos para o BNDEs, o governo, no apagar das luzes do primeiro mandato, libera mais um aporte bilionário. Enquanto que o ministro promete uma maior transparência, definindo um superávit menor, porém mais realista com o quadro que vai enfrentar, eis que o governo adia sua posse para poder concretizar a manobra fiscal que acabou com o superávit primário. Ou seja, as incertezas permanecem e com elas os adiamentos de investimentos por parte dos empresários. E aqui se cumpre mais uma previsão dos analistas de mercado que viam um impulso de otimismo em caso de vitória da oposição ou de pessimismo em caso de vitória de Dilma. Venceu o pessimismo e as consequências estão aí.

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