Se os supremacistas brancos são de direita, como o nazismo pode ser de esquerda?

O lamentável acontecimento de Charlottesville colocou em foco uma questão que há muito tempo rende acalorados debates na Internet. Afinal, o nazismo foi de direita ou de esquerda?

A polêmica chegou a ser destaque no Estadão e na Folha. No primeiro, um artigo encomendado por Guga Chacra, um dos mais engajados jornalistas da Globo neste debate e como era de se esperar, tentou refutar dois argumentos comumente usados na web pelos defensores da tese de que o nazismo foi de esquerda. O artigo, do cientista político Michel Gherman ligado ao PSOL (também como era de se esperar), começa apelando à falácia da indignação, como se a tese a ser refutada de “tão absurda não merecesse sua atenção” e como se o debate fosse meramente restrito à “historiadores de Internet”.

Acontece que não é. Existem sim historiadores sustentam a tese que o Nazismo foi de esquerda, que tentam corrigir a narrativa predominante, capitaneada pelo “papa” dos historiadores Eric Hobsbawm, o cara que tentou justificar as milhões de mortes promovidas pelo Comunismo, ao mesmo tempo em que criava um “contraponto” ao empurrar o Nazismo ao outro extremo do espectro ideológico.

Sim, a esmagadora maioria dos historiadores abraçaram sua narrativa, mas existem vários historiadores de renome mundial, especialistas no assunto, que pensam bem diferente, principalmente depois da queda do muro de Berlin, quando tornaram-se acessíveis documentos oriundos de países do antigo bloco comunista. Françoise Thom, Norman Davies, Pierre Rigoulot são alguns deles. Aliás, existe o ótimo documentário The Soviet Story, de 2008, fruto de dez anos de pesquisas, que traz opiniões de historiadores, imagens que provam as relações incestuosas entre nazismo e comunismo, assim como suas incríveis semelhanças. Portanto, não adianta apelar para a falácia da indignação. Estes caras não são ignorantes como tentam pintar. O debate é sim muito pertinente. Leia mais